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Momento mulherzinha

Ter, 14/07/09
por Alessandra Castro |

misha.jpg“Ficar bonita dói”. Frase típica de senhoras mais velhas, esta sentença realmente tem muito a ver com o cotidiano feminino. Depilação, pele, unhas e cabelos.

Mesmo com tantas modernidades a ida ao salão muitas das vezes pode transformar-se em sessões de tortura plena.

Ai de mim reclamar, o resultado é sempre ótimo. Mas quando você está com uma touca na cabeça e dois cabeleireiros puxando teu couro cabeludo com uma agulha de crochê, fica meio complicado manter um sorriso na cara ou qualquer expressão que não seja de sofrimento.

Nessas horas tento engolir o choro e desviar o pensamento de sair correndo porta afora para outras coisas mais profundas. Ao exemplo do próprio local: o salão de beleza.

Convenhamos, em tempos de Internet e mulheres bem informadas, todas sabem cuidar de suas mãos ou dar aquele trato nas madeixas, mas de alguma forma ainda persistimos em fugir na hora do almoço para este peculiar ambiente cheio de cadeiras, revistas, espelhos e escovas.

É um espaço universalmente feminino. Apesar da crescente interação dos sexos, o salão de beleza ainda é uma área amazona, onde aceita-se no máximo os homossexuais que aguentam e apóiam o processo cansativo que é ficar dentro dos padrões do que é considerado bonito. Uma prova disso? Nunca vi um ‘manicuro’.

Diversidade é a sua característica principal. Lá dentro, mocinhas, avós, prostitutas, peruas e grandes executivas misturam-se sempre em busca do penteado da moda, do esmalte perfeito e de um rosto livre de poros abertos.

Neste antro de fêmeas a conversa rola solta sobre os mais variados assuntos do cotidiano. Discute-se desde o casal da novela, da vizinha que engordou, passando pelo aumento da violência, cassações políticas, fofocas e claro, homens.

É como estar dentro de uma grande publicação feminina, onde pautas e mais pautas são abordadas de forma espontânea com uma troca sutil de opiniões.

Ainda não consegui chegar a uma conclusão neste caso. Não sei dizer se seria ou não um tipo de atraso para a emancipação das mulheres em geral essa constante necessidade de ir ao salão.

Afinal, se lutamos tanto para manter-nos em pé de igualdade com os machos, não seria meio retrógrado andar de um lado ao outro com papel laminado na cabeça? Mas vendo por um outro ângulo: já nos encontramos tão masculinizadas em carreiras e emoções que o salão de beleza nada mais seria do que um ambiente tranquilo que nos dá a possibilidade voltar as origens de mulherzinha? Que nos faz relembrar que ali tendo a unha lixada você tem sim, direito aos momentos de vaidade e frescura.

Fato é que a sociedade de uma forma oculta gosta de criticar estas ações. Estipularam que para avançar no mundo é preciso ser centrada com coisas bem mais importantes, e tirar as sobrancelhas nada mais seria do que uma perda de tempo.

Uma equação deveras complicada. Vejo que uma boa solução é saber dosar. Entrar-se no salão bem menina para aproveitar cada mimo oferecido e sai-se pela porta da frente cuspindo no chão e coçando o saco imaginário. Pronto.

Assim a batalha fica resolvida.        

 

PS: Conheça os riscos da esfoliação caseira, um pouco da história do game Sonic e como não pagar micos no Twitter.

 

PS1: Como uma prévia de muito mesmo do que ainda estar por vir. Assim foi o dia que me deixou a suspirar pelos cantos, cantarolar músicas em minha cabeça e flutuar pelos espaços torcendo para que o em breve chegue logo. Já enxergo, desejo, anseio e sinto que está perto. MuiNto.

PS2: “Não deixo ninguém falar mal da minha namorada. Nem ela mesma”. Né?

PS3: Amo. Mais e mais. A cada vez que respiro e quando me falta o fôlego.  

PS4: O acordar fora da teoria é ainda mais surreal.

PS5: “Não somos perfeitos. Temos nossos defeitos, mas acabamos sim, sendo perfeitos um pro outro.”

 

 

 

Para o lugar mal assombrado

Ter, 30/06/09
por Alessandra Castro |

casa.jpg“Obviamente doutor, o senhor nunca foi uma garota de 13 anos”. Para mim, esta frase do filme ‘As virgens suicidas’ é uma das mais impactantes do cinema dos últimos tempos.

Gosto porque simplesmente é também atemporal. Homens no geral nunca saberão como é ser uma menina/garota/mulher em qualquer época da vida e o contrário é igualmente verdadeiro.

 

Apesar de soar em um primeiro momento de forma dramática, é interessante ver como esta sentença, assim como outras coisas na vida, possui um lado positivo: que ao longo dos anos se desejarmos, somos capazes de fazer reflexões sobre nós mesmos.

 

Antigamente, achava que tais pílulas próprias da sabedoria só poderiam ser descobertas a partir de uma única via. Afinal, a mente nunca foi e não deveria supostamente, ser compartilhada.

 

Discutimos com a família, filosofamos com os amigos e conhecidos, mas no geral, guardamos aqueles aspectos mais sombrios da fadada existência dentro da nossa cabeça. Em um local bem parecido com um porão assombrado e cheio de cadeados na entrada que deixaria qualquer criança pequena com pavor de encontrar.

Como a maioria das casas velhas e condenadas pela defesa civil, sempre corre-se o risco de dar de cara com grandes e luminosos avisos em neon dizendo que  desta vez será tudo devidamente invadido, fuçado e expulso quer se queira ou não.

A gente luta, diz que é propriedade privada e que chegamos primeiro. Mas não adianta, render-se é a melhor solução.

Falando mais claramente, em singelos dois meses notei o quanto passei boa parte de minha estadia nessa Terra, cercada de gente ignorante.

Não no sentido popular da palavra que conota automaticamente à burrice. Na essência mesmo que poucos conhecem: a raiz da ignorância é ignorar. Não ter a ação de questionar. Não fazer questão ou interesse de buscar respostas.

Até que alguém surgiu. Você me apareceu para mostrar uma das coisas mais impactantes para qualquer pessoa: a de que na realidade, não nos conhecemos tão bem assim.

Medo. É de temer ter que ir a áreas tão empoeiradas e incógnitas. Mas sei que estás segurando a minha mão, me acalmando, ligando interruptores, exorcizando fantasmas, tirando do caminho e jogando fora tudo que deve ser claramente eliminado.

 

O que antes parecia impossível tornou-se sem sombra de dúvidas, o começo de uma grande e deliciosa aventura.

Né?  

 

PS: Saiba como acabar com as marcas de espinhas, conheça as ex-namoradas que ultrapassaram os limites da vingança e o que realmente acontece com o cérebro na hora do orgasmo.

 

PS1: O mundo está melhor. Se depender do agora e dos inúmeros planos para o amanhã, de férias aqui eu não mais estarei.

PS2: Cada batimento cardíaco, cada pensamento, sorriso, suspiros e arrepios são de sua autoria. 

PS3: E na maioria das madrugadas:

-Bora?

-Bora.

-Vâmos?

-Vâmo!!!

-Agora???

-AGORA!!! 

Brasil de retalhos

Seg, 22/06/09
por Alessandra Castro |
categoria Ai...Humanos

colcha.jpgCreio que eu tinha 12 ou 13 anos. Sei que era Carnaval e que já era muito tarde. Beirando a madrugada.

Meus pais e os dela tinham nos mandado para casa, a fim de curtirem o resto da festa momesca. 

Estávamos lá na sala, eu de pijama assistindo o desfile das Escolas de Samba, quando recebi a minha primeira sugestão de fuga.

“Beleza”. Foi só o que respondi. Quando vi, a rua era nossa e toda a escuridão da noite perigosa nos esperava. Claro que no espírito aventureiro da coisa, não se pensa nas enrascadas.

Apenas um plano de desvio era necessário caso tivéssemos a fatídica coincidência de encontrar os adultos. Lembrei-me dessa experiência recentemente, quando fui tirada para fora de uma casa noturna às duas da manhã. 

Uma tal de regra do silêncio misturada com a suposta presença de menores foi o motivo da confusão toda. Antes desta humilhação, eu não fazia muita noção da expressão ‘Casa da mãe Joana’.

Sabia do seu significado, mas não conseguia ligar a nada que fosse do meu conhecimento. Agora sei. Atende na formalidade pelo nome de legislação e consequentemente, as Assembléias Legislativas espalhadas por aí.

Nada contra as ordens, somos selvagens com elas e sem elas poderíamos ser mais ainda. O que me incomoda mesmo é a falta de constância das mesmas. 

Um exemplo claro? Lei seca. Nos primeiros meses era blitz para todos os cantos. Atualmente nem descendo do carro dançando na macarena e gritando ‘tou bêbado’ você é notado. 

Que o diga os dois mortos pelo deputado em Curitiba. Pois é, outro ponto em questão: ausência de imparcialidade. 

Fecharam este bar e outros mais por não terem as clássicas ‘costas quentes’. Assim como durante o período de festas juninas irão ignorar completamente a norma sonora. 


 
Brechas. Ninguém gosta de tetos que depois de um concerto voltam a mostrar goteiras ou roupas que ficam a todo instante descosturando. Mas de alguma forma, aceitamos a República Federativa do Brasil do jeitinho que ela é: uma grande e feia colcha de retalhos.

 

 

PS: Veja dicas para parar de fumar hoje mesmo, como reconhecer um mentiroso e descubra se o chocolate é vilão ou amigo da sua dieta.

PS1: O que eu tenho a falar sobre o STF e o diploma de jornalismo? Que nada me surpreende dentro de um país que tem como líder um semianalfabeto. 

 

PS2: Sempre feliz. Sempre apaixonada. Sempre sincera. Sempre confiante. Sempre agradecida. Sempre ardente. Sempre sortuda. Sempre melhor. Sempre ao seu lado. Sempre com você. Sempre sua.

PS3: “Ahhhhhhh viu? Eu te domino”. E nunca uma sensação foi tão boa.

PS4: I’ll love you till the end of the world.

 

Sexo: 1, 2, 3… Valendooooooooooo!

Dom, 07/06/09
por Alessandra Castro |
categoria Ai...Humanos

bed.jpg“Tu escreve muito sobre sexo”. Ao ouvir essa frase recentemente do meu pai, não vou negar que realmente fiquei um pouco preocupada com a frequência da abordagem desta pauta em meus textos.

Não sou personagem de Sex and the City e ai de mim aos 23 anos querer ser algum tipo de conselheira no assunto, mas a verdade é que não dá para fugir de algo tão corriqueiro em nossa sociedade.

Tudo se resume a sexo. Roupas, perfumes, atitudes, carreiras, dinheiro, filmes, pensamentos… O tempo todo somos bombardeados cada vez mais por informações que direcionam para este tema.

Pesquisas que dizem que algumas mulheres preferem fazer compras a dormir com o parceiro, estudos revelando que homens que trabalham em áreas da tecnologia são mais preocupados com o prazer feminino e cientistas que buscam descobrir até hoje, onde é o fatídico ponto G.

Fora as chamadas lendas urbanas. Histórias populares que afirmam que o tamanho do pênis é proporcional ao número do calçado do indivíduo e que bons dançarinos rebolam igualmente bem entre lençóis.

Programas de TV, revistas, sites e livros não param de elaborar dicas essenciais para transformar você, simples mortal, em um completo deus sexual entre quatro paredes.

Com tantas fontes de verdades absolutas, nasce também um grande problema: estamos perdendo toda a naturalidade desta ação.

Não minto que leio com ardor publicações que trazem na capa: “Faça seu namorado subir pelas paredes em 3 minutos”. É sempre bom agregar mais dados. Porém, não se pode ficar tão obcecado e crente pelo o que vem escrito em tais páginas. Ele é uma pessoa e não um macarrão instantâneo.

Sei de gente que decora, estuda posições Kama Sutra como se fossem fórmulas de prova de química do vestibular e garotas que ficam ensaiando no espelho, passos de dança para tirar adequadamente a roupa na hora ‘H’.

Nada contra ‘apimentar’ a relação com novidades. Faz bem e mostra que você se interessa pela satisfação do outro. Acende a chama e outros clichês do tipo.

Mas desde quando uma noite de sexo tornou-se algo extremamente coreografado como a abertura do Oscar? Onde foi parar a vontade de se entregar sem lenço ou documento ao duelo corporal mais íntimo e tão repleto de força da natureza que foi até capaz de expulsar o primeiro casal do paraíso?

Parece que viramos de uma hora para outra, robôs que necessitam de vários manuais para descobrir onde ficam parafuso e válvulas do companheiro. Se desejamos manter tanta distância assim do comportamento animal, parabéns, conseguimos.

Um galo jamais recusou uma galinha porque esta não tinha um coração desenhado nas partes íntimas por uma depiladora. A leoa nunca inventou uma dor de cabeça para o rei da selva porque o mesmo estava com a juba mal feita e poderia arranhá-la. O porco não vai à banca pedir o último exemplar da Playpig para poder fantasiar com outra.

Poderia dar ainda mais e mais exemplos do reino dos bichos, mas prefiro destacar que o ponto alto do sexo sempre será a imprevisibilidade.

Não tem lógica alguma nos diferenciarmos tanto em personalidade se queremos agir igualmente entre as cobertas. Cada um é cada um.

Esqueça tópicos de revistas e conversas de amigas. Jogue o relógio longe e relaxe.

Até porque mais delicioso do que escrever sobre sexo é fazer sexo.    

 

PS: Declare todo o seu amor no Dia dos Namorados aqui, veja como evitar os malwares do Twitter e aprenda a se sair bem em uma entrevista de emprego.

 

PS1: Acordada. Esta é a melhor palavra para descrever o que a sua presença causou em minha vida. Eu que por tanto tempo preferi fechar os olhos e dormir, agora me vejo feliz e saltitante com a chance de finalmente despertar. 

PS2: Every Day… Every hour, im more and more addicted to you.

 

Sorria Garbo, sorria.

Dom, 31/05/09
por Alessandra Castro |
categoria Ai...Humanos

garbo.jpg“Nas telas ou na vida real, Valentino sorria raramente e mal. Quando nos lembramos de Garbo, seu traço principal também era a tristeza. Ocorre perguntar se é ocasional esse elemento comum aos dois maiores mitos suscitados pelo cinema. Ambos são expressões da paixão amorosa, e envolvidos pela melancolia, testemunham que a nossa civilização persiste em fazer do amor algo essencialmente triste”.

 

O parágrafo acima, dito pelo crítico de cinema, Paulo Emílio Sales, sintetiza bem algo que vejo como um dos maiores problemas da humanidade quando se trata de relacionamentos: Somos os reis do drama.

Shakespeare difundiu isso, Machado de Assis também, assim como os autores da incansável fábrica da teledramaturgia. Inconscientemente desde cedo aprendemos que amar é um sinônimo natural para a palavra sofrer.

Padecemos ao sairmos do útero, ficamos desolados ao largamos o seio materno, piora tudo quando deixamos o conforto do lar para a escola e assim por diante.

Acreditamos que o tempo todo existe uma força maior no universo que rege para que as coisas boas não durem para sempre e por isso torna-se mais confortável vestir a carapuça do ‘ó vida, ó céus’ ao longo dos anos.

Fazemos isso em diversas áreas. Ao odiarmos as manhãs das segundas-feiras antes de acordar, na hora de apresentarmos um trabalho que já achamos que foi mal feito ou ao sentimos a dor da anestesia antes mesmo do dentista aplicar. Mas, quando se trata de amor aí sim é que a coisa fica complicada.

Elaboramos enormes barreiras para que nada possa fluir em liberdade. Precisamos do controle, de saber como será o dia seguinte e o outro também.

Imaginamos que não estamos agradando suficiente, que o resto das pessoas são ameaças e compramos livros que dão detalhes sobre como conseguir ter sucesso nos relacionamentos.

Ansiedade, insegurança, dor e medo. Nada disso deveria ser relacionado com a sensação de estar apaixonado.

O ruim é que gostamos. Todo mundo é exemplo de ‘mulher de malandro’ neste departamento.

Sai-se de um caso para o outro como se fossemos mocinhos de novela que não conseguem nunca alcançar um final feliz por culpa da vilania da vida em si.

Dramas não são necessários e é totalmente ilógica a busca por eles. Teme-se tanto furacões, terremotos, vulcões e outras forças da natureza justamente por não sermos capazes de calcular o grau de destruição.

Porém, em termos de relações amorosas fazemos questão de pedir ou criar um tormento assim.

Sinceramente? Não sei como atingimos oito bilhões de pessoas neste planeta.

 

PS: Veja como não pagar micos com envio de emails, conheça algumas das profissões mais bizarras do mundo e os filmes mais longos da história.

PS1: Créditos do texto para você, que me faz cada dia mais acreditar que o amanhã será ainda melhor.

PS2: Totally addicted to you.

Juventude a galope

Ter, 19/05/09
por Alessandra Castro |

cavalos.jpgDias atrás entre as minhas andanças pela Internet, dei de cara com um artigo bem interessante que relatava até onde ia o período da adolescência.

Para muitos, o senso comum costuma nos fazer acreditar que esta época cheia de turbulências dura até os 20 anos ou com o fim do colegial.

No texto revela-se que na realidade essa mocidade pode durar ainda mais dependendo de aspectos como emprego, despesas, relacionamentos amorosos e companhias adequadas.

Fiquei feliz ao ler tais conclusões e perceber que então, tenho agora uma segunda chance.

Não com as partes controversas desta fase. De ser porr* louca e passar o dia em casa dormindo. Sou extremamente satisfeita com a minha vida de workaholic que colabora dentro de casa, com a cabeça no lugar e planos para o futuro.

Apenas lamento por não ter aproveitado de forma adequada quando tive a oportunidade. A Alessandra adolescente não foi nada contente. Tinha péssimas influencias no setor amizade e fracassos ainda maiores no quesito garotos.

Era um cavalo selvagem sem rédeas que achava que tava cumprindo sua missão na Terra de forma feroz e rápida.

Voando sob os obstáculos à minha frente sem medir o tamanho da queda. Claro que fui ao chão. E foi feio.

Devastador ao ponto de me tornar uma pessoa completamente diferente da desordem anterior. Por um longo período a rebeldia de outrora tinha dado lugar ao marasmo total. Nada me encantava ou me impressionava.

Estava ligada no piloto automático enquanto limpava os cacos da bagunça dentro da nave. Ressurgi melhor, mais humana e sensata. Porém quando isso aconteceu me vi com 21 anos e achei que a velhice já estava instalada.

Completamente solitária, direcionei toda a energia para coisas positivas como estudos, emprego, família e o blog. Mas sempre senti falta de algo e até pouco tempo descobri o que era: amigos.

Nos encontros e desencontros do cotidiano, dei início a minha caçada por esses seres. Rolava uns promissores ali e uns nem tanto acolá. Até que o destino resolveu colaborar e colocou no meu rumo o grupo que tenho agora.

É recente. Ainda estamos engatinhando entre saídas, conversas de MSN e telefonemas. São na maioria jovens, de safras vindas depois da minha datada de 86. Mas isso simplesmente não diz nada.

Todos e todas revelaram facetas deliciosamente divertidas, doces, maduras e no ponto de saborear os bons momentos. Gosto de pensar que eu não sacrifiquei o meu cavalo arisco interior.

Ele apenas foi selado, domado e agora corre feliz pelos campos em companhia de uma ótima manada de puros-sangues.  

 

PS: Saiba como dar um fim a bagunça de cabos e fios no computador, conheça as alterações sexuais conforme a idade e como fazer a mesada durar todo o mês.

PS2: Final de semana passado simplesmente extraordinário. Vivendo agora entre batidas furiosas e paradas cardíacas totais. Não chamem os para-médicos. Estou bem.

Sem escudos e cabelos

Qua, 13/05/09
por Alessandra Castro |

sansom.jpgAinda não compreendo o fascínio de alguns por super-heróis. Nunca gostei de filmes, quadrinhos, seriados e outras coisas a mais que relatam a história destas peculiares personagens. 

Fico completamente entediada em ver o Homem Aranha pendurar-se em prédios, a força do incrível Hulk destruindo tanques de guerra ou o Superman voar entre continentes em segundos. 

Não existe graça em ter grandes poderes. Perfeição é algo completamente desinteressante. Sim eu sei que todos eles têm seus problemas. 

Crises existências por não ter a pessoa amada e negação da própria identidade. Meras bobagens para quem ao final do dia pode resolver tudo com uma praticidade irreal do cotidiano. Trata-se de uma péssima mania humana acreditar que a plenitude só é válida naquilo que é cheio de encantos e inapto de falhas.
 

É um velho círculo vicioso que nasceu do contato com a primeira leitura de super-heróis: a Bíblia. Mas não pretendo decifrar o protagonista deste enredo milenar, tenho como Sansão meu coadjuvante especial.

Repleto de coragem e um físico impressionante, esse rapaz era o mais admirado em sua comunidade. Nada abalava Sansão.

Preocupações e angústias eram constantemente omitidas de sua consciência por acreditar que toda a aptidão corporal já era mais do que suficiente para levar a vida. 

Ledo engano deste homem superficial. Dalila, minha favorita, apareceu em seu caminho não como a megera linda e insensível que costumam relatar. Ela sim era forte por saber que errar é mais digno do que seguir em frente com ilusões. 
 

Cortou os longos e influentes cabelos de seu amado e o fez pela primeira vez andar com as próprias pernas sem precisar sair por aí derrubando os outros.

Tirou-lhe o escudo que tanto incomodava no relacionamento de ambos e ao final conseguiu a compreensão de Sansão por isso. Assumir fragilidades não é defeito. Pedir ajuda também não. 

Revela confiança no outro e interesse por suas opiniões. Derrubar esta muralha de proteção interna natural é o maior poder que poderíamos pedir. 

Talvez por este motivo os super-heróis são tão confusos. Habilidades demais estragam a cabeça de qualquer um e tiram-lhe o foco real da coisa.

Mais importante do que salvar o mundo, é saber resgatar a si mesmo.

 

 

PS: Veja as boy bands mais vergonhosas de todos os tempos, conquiste o visual das estrelas dos seriados e descubra qual o verdadeiro tempo da adolescência.

 

PS1: Gente, se alguém souber como fazer memorização de dados nos comentários, pode me falar okay? Saudades eternas do blogspot.  ¬¬

Playground de todos os dias

Ter, 05/05/09
por Alessandra Castro |

swing.jpgTenho uma lembrança da minha época de infância que até hoje nunca se desgastou.

Recordo bem que perto do horário do recreio começava a ficar completamente angustiada para pular da cadeira e sair correndo porta a fora.

Não, não se tratava de fome ou vontade de olhar o pessoal. Eu queria mesmo era ter todo o playground disponível ao meu deleite. Nunca dava tempo.

Não sei se era o excesso de peso que não me deixava chegar à tempo, mas todas as vezes que alcançava o parque, ele já estava devidamente lotado em todos os brinquedos.

Isso me deixava furiosa, mas encontrei uma boa solução para este problema.

Simplesmente passei a esperar.

Cautelosamente escondida em algum lugar do colégio, eu aguardava o sinal bater para finalmente ter o meu espaço de brincadeiras.

 

Claro que em todas as vezes, após alguns minutos aparecia uma supervisora para me tirar aos gritos do local e me colocar na sala de aula.

Porém, isso não mudou o meu padrão de comportamento que se estende até os dias de hoje. Obviamente que eu poderia me unir as outras criancinhas e revezar os momentos de diversão.

Pedir, tapear, negociar, implorar, furar fila e chantagear para também descer no escorregador ou pegar a brisa do balanço.

Nunca achei essas alternativas interessantes e provavelmente por isso aprendi a reconhecer ao longo da vida, qualquer tipo de playground cheio demais para a minha presença.

São áreas possíveis de serem avistadas em todos os segmentos do cotidiano. No próprio colégio quando ansiamos por fazer parte do grupo mais popular e quem está nele prefere ignorar esse desejo.

Dentro do trabalho em que se almeja criar alianças com os mais experientes na empresa e os mesmos optam por não pedir sua opinião ou em relacionamentos amorosos, quando se quer algo mais profundo e o outro deixa claro que não pretende mudar.

Para tais situações como diria meu pai: “É dar murro em ponta de faca”. Sou a favor da persistência juntamente com a perseverança, mas todos devem saber seus limites e concluir que plena aceitação não faz ninguém andar pra frente.

Trata-se de uma questão de impulso interno. Impulso este que faz a gangorra levantar, o balanço movimentar-se no ar, cria novas amizades, traz mais aprendizado profissional e estimula a busca por uma paixão melhor.

A verdade é que brincar sozinho tem grandes vantagens. Ao menos, durante a espera da construção do próprio playground.

E quando essa hora chegar, nada será mais gostoso do que selecionar aqueles que o acompanharão na jornada de infinitas travessuras. 

 

PS: Veja como agir se ele tem namorada, tudo sobre vegetarianismo e curiosidades do que é belo ao redor do mundo.  

O planeta egocêntrico

Ter, 28/04/09
por Alessandra Castro |
categoria Ai...Humanos

ego.jpgPouca gente sabe, mas recentemente soprei as velinhas e completei 23 anos.

Isso me fez pensar.

Refletir sobre o que minha tia tinha dito quando eu ainda era adolescente.

Ela falou que o auge da beleza feminina é nessa idade e a partir daí nada mais será como antes.

Podem me chamar de fútil, mas sempre me assustei com a simples ideia de estar perdendo o vigor da juventude. Sendo assim, completamente desesperada após o banho, fui dar uma sincera olhada em meu corpo em frente ao espelho.

Suas palavras tinham razão. Algumas coisas realmente foram alteradas e o que estava impecável aos 15 anos, hoje em dia deixa um pouco a desejar.

Tudo bem, não posso esquecer que cirurgiões plásticos existem e possuem família para sustentar. Mas algo me impressionou e chamou minha atenção nesta aventura narcisista de observar o físico que tenho.

Meu umbigo. Ele ainda está aqui, mas algo de radical tinha acontecido ao seu redor. O mundo que antes o contornava grande e imponente tinha diminuído levemente de tamanho.

O suficiente para me fazer perceber que foi dada a largada para o processo da maturidade.

Muitos acreditam que crescer é trabalhar, casar, comprar a casa própria e trocar de carro conforme a chegada dos novos modelos do mercado. Eu digo que tais ações são meramente pueris quando comparadas ao complexo desafio que é amadurecer emocionalmente.

E isso não acontece no recebimento do primeiro contracheque ou na perda da virgindade. Trata-se de entender que no fim das contas, somos absolutamente irrelevantes. Uma conclusão dolorosa e que por isso é tão difícil de ser aceita.

O homem é, se não me engano, o único ou um dos raros animais que passam boa parte da vida associados aos pais. Qualquer filhote de onça quando desmamado já sai à caça com suas próprias patas.

Nós não. Ficamos um longo tempo dependendo dos progenitores e sendo alvo de todos os zelos a nossa volta. É a partir daí que o mundo toma forma em volta do umbigo. E vai aumentando cada vez mais influenciando diretamente no cotidiano.

Achamos que professor brigou porque não foi com a nossa cara, que o namorado desmarcou o encontro porque não nos quer mais e tá com outra ou que o motorista do ônibus passou reto na parada por ser um total idiota.

Esse corpo celeste pessoal não admite acreditar que cada uma dessas atitudes talvez tenham respostas que não sejam relacionadas com a nossa existência.

É provável que a esposa deste mesmo professor tenha pedido divórcio na noite anterior, o namorado não poderá sair porque teve uma discussão feia com os pais e o motorista não foi capaz de esperar os passageiros porque o carro estava com defeito.

Mas é assim mesmo. Ninguém disse que é rápida a destruição de um mundo. Não há bombas atômicas ou meteoros de impacto para este caso.

Resta abrir os olhos vez ou outra na frente do espelho e acompanhar a leve e gradativa redução deste planeta que envolve o umbigo conhecido como egocentrismo.

 

PS: Gente, esse da foto abaixo, é meu primo Armando. Ele chegou recentemente de viagem. Sim, está também de férias neste planeta. :)

armando.JPG

 

PS2: Veja como se divertir em dias chuvosos, sinais que indicam uma traição e se um namoro virtual vale a pena.

Catfight!

Qui, 23/04/09
por Alessandra Castro |
categoria Ai...Humanos

catfight.jpg“A verdade é: se vocês não se odiassem tanto, provavelmente dominariam o mundo!”. Ao ouvir esta frase na televisão, dita pelo ator e comediante Chris Rock, para uma plateia recheada de mulheres, nem passou por um instante em minha cabeça, discordar de tal sentença.

É fato mesmo, mulher não gosta de mulher. Criamos parcerias, coleguismos e sociedades. Mas, amizades profundas iguais as dos homens, estamos distante de conseguir. Por quê? O motivo são eles mesmos.

Sem falso moralismo com as minhas leitoras do sexo feminino, mas na realidade não há como negar que grande parte da nossa vida é pautada na existência do sexo oposto.

A chapinha do dia a dia, as unhas devidamente pintadas e as aulas na academia não são feitas para serem exibidas aos olhos da vizinha do outro lado da rua. São para atrair a atenção do rapaz que senta na carteira próxima na sala de aula.

Claro que eles também focam o seu cotidiano na gente, mas em doses menores e mais equilibradas. Ou alguém já ouviu falar de um cara que deixou de sair com uma gatinha porque estava se sentindo meio gordo na ocasião? Isso é paranóia privilegiada nossa.

Nos detestamos porque não conseguimos resolver nada em um só momento. Homens quando se estranham tiram satisfações, empurram na parede, xingam a mãe e batem na cara.

Mulheres não partem para a violência física. Preferem o impacto mental e é aí onde mora o perigo. Plantam-se bombas nucleares na cabeça da outra, usam um vocabulário vasto e criam dúvidas que não deveriam existir.

Enquanto os machos recuperam-se de suas cicatrizes rindo e falando de futebol, as fêmeas convivem com as mesmas por muito mais tempo. Não dá para passar mertiolate no cérebro ou suturar pontos. Talvez por esse motivo, não exista serial killers do sexo feminino.

Eles são quentes e letristas, nós somos frias e calculistas. Na visão masculina, mesmo a mulher do antigo amigo de escola que não dava notícias há tanto tempo é um território proibido. Pra gente, se realmente vale a pena é só uma questão de planejamento e tempo.

 

Sim, somos terrivelmente más. E absurdamente irresistíveis.

 

PS: Veja como espantar o mau humor pela manhã, dicas para evitar acidentes com animais peçonhentos e os maiores mistérios da humanidade!


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