Momento mulherzinha
“Ficar bonita dói”. Frase típica de senhoras mais velhas, esta sentença realmente tem muito a ver com o cotidiano feminino. Depilação, pele, unhas e cabelos.
Mesmo com tantas modernidades a ida ao salão muitas das vezes pode transformar-se em sessões de tortura plena.
Ai de mim reclamar, o resultado é sempre ótimo. Mas quando você está com uma touca na cabeça e dois cabeleireiros puxando teu couro cabeludo com uma agulha de crochê, fica meio complicado manter um sorriso na cara ou qualquer expressão que não seja de sofrimento.
Nessas horas tento engolir o choro e desviar o pensamento de sair correndo porta afora para outras coisas mais profundas. Ao exemplo do próprio local: o salão de beleza.
Convenhamos, em tempos de Internet e mulheres bem informadas, todas sabem cuidar de suas mãos ou dar aquele trato nas madeixas, mas de alguma forma ainda persistimos em fugir na hora do almoço para este peculiar ambiente cheio de cadeiras, revistas, espelhos e escovas.
É um espaço universalmente feminino. Apesar da crescente interação dos sexos, o salão de beleza ainda é uma área amazona, onde aceita-se no máximo os homossexuais que aguentam e apóiam o processo cansativo que é ficar dentro dos padrões do que é considerado bonito. Uma prova disso? Nunca vi um ‘manicuro’.
Diversidade é a sua característica principal. Lá dentro, mocinhas, avós, prostitutas, peruas e grandes executivas misturam-se sempre em busca do penteado da moda, do esmalte perfeito e de um rosto livre de poros abertos.
Neste antro de fêmeas a conversa rola solta sobre os mais variados assuntos do cotidiano. Discute-se desde o casal da novela, da vizinha que engordou, passando pelo aumento da violência, cassações políticas, fofocas e claro, homens.
É como estar dentro de uma grande publicação feminina, onde pautas e mais pautas são abordadas de forma espontânea com uma troca sutil de opiniões.
Ainda não consegui chegar a uma conclusão neste caso. Não sei dizer se seria ou não um tipo de atraso para a emancipação das mulheres em geral essa constante necessidade de ir ao salão.
Afinal, se lutamos tanto para manter-nos em pé de igualdade com os machos, não seria meio retrógrado andar de um lado ao outro com papel laminado na cabeça? Mas vendo por um outro ângulo: já nos encontramos tão masculinizadas em carreiras e emoções que o salão de beleza nada mais seria do que um ambiente tranquilo que nos dá a possibilidade voltar as origens de mulherzinha? Que nos faz relembrar que ali tendo a unha lixada você tem sim, direito aos momentos de vaidade e frescura.
Fato é que a sociedade de uma forma oculta gosta de criticar estas ações. Estipularam que para avançar no mundo é preciso ser centrada com coisas bem mais importantes, e tirar as sobrancelhas nada mais seria do que uma perda de tempo.
Uma equação deveras complicada. Vejo que uma boa solução é saber dosar. Entrar-se no salão bem menina para aproveitar cada mimo oferecido e sai-se pela porta da frente cuspindo no chão e coçando o saco imaginário. Pronto.
Assim a batalha fica resolvida.
PS: Conheça os riscos da esfoliação caseira, um pouco da história do game Sonic e como não pagar micos no Twitter.
PS1: Como uma prévia de muito mesmo do que ainda estar por vir. Assim foi o dia que me deixou a suspirar pelos cantos, cantarolar músicas em minha cabeça e flutuar pelos espaços torcendo para que o em breve chegue logo. Já enxergo, desejo, anseio e sinto que está perto. MuiNto.
PS2: “Não deixo ninguém falar mal da minha namorada. Nem ela mesma”. Né?
PS3: Amo. Mais e mais. A cada vez que respiro e quando me falta o fôlego.
PS4: O acordar fora da teoria é ainda mais surreal.
PS5: “Não somos perfeitos. Temos nossos defeitos, mas acabamos sim, sendo perfeitos um pro outro.”
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