Republico abaixo excelente artigo do jornalista Roberto Kenard, publicado em seu blog (robertokenard.blog.uol.com.br), e no jornal “Diário da Manhã”. Kenard sintetiza exatamente a opinião que manifesto em contato com todos os candidatos - inclusive João Castelo (PSDB) - sobre o “fenômeno” Castelo, fruto da incompetência e do desinteresse dos adversários pela eleição municipal de São Luís. Abaixo, a íntegra do artigo:
“Por que Castelo?
Vários leitores têm me escrito para perguntar como eu explicaria a atual performance do candidato João Castelo. leitores esclarecidos, diga-se logo, uma vez que a pergunta traduz um espanto. Embora a pergunta seja centrada em Castelo, a resposta, no meu entender, não passa necessariamente por Castelo.
A pergunta traduz o seguinte espanto dos leitores: “Como, com o currículo político que tem, Castelo ainda consegue tantas intenções de voto nas pesquisas eleitorais?”.
João Castelo atingiu tais níveis de intenções de voto, justo porque esse currículo não está sendo mostrado no horário eleitoral na televisão e no rádio. E por que os concorrentes (10 no total) não o fazem?
Há pelo menos dois motivos:
1) Dos 11 candidatos que disputam a Prefeitura de São Luís, boa parte é da base aliada do governo Jackson Lago e tem mandato. E todos são sabedores de que o governador e parte do PDT gostariam de ver João Castelo como prefeito de São Luís (Castelo já disse isso em diversas entrevistas). Desconstruir a imagem de Castelo no horário eleitoral pode trazer alguma forma de prejuízo político, se é que me entendem. Como esa gente, por exemplo, poderia falar da passagem de Castelo pela Emap? Assim, esses concorentes - reparem que não uso a expressão adversários políticos - tentam disputar com Castelo na base de promessas, do ”eu farei”. Frágil arma ante o “eu fiz” de Castelo.
2) Os que não são da base aliada do governo enveredaram pelo mesmo caminho: nada de currículo de Castelo. Todos professorais e sentados na cadeira de três pernas das promessas. Quando não, tratam de eleger como adversário a administração do prefeito Tadeu Palácio (aqui já não estão sentados na cadeira de três pernas, mas simplesmente pondo mais massa no bolo de Castelo). Algum leitor há de me lembrar dos programas do PSTU e do PSOL. Certo, mas são programas curtinhos e que põem todos o outros adversários num mesmo caldeirão de indistinção e acabam não tendo qualquer impacto. na verdade, trazem mais confusão à mente dos eleitores do que esclarecimento.
Para encerrar, gostaria apenas de lembrar o seguinte: o currículo político de João Castelo está longe de se resumir à repressão ao movimento de 79 pela meia-passagem.”