Despindo ideais
Elas estão por todos os lados. Em cada banca é possível dar de cara com a ‘gostosona’ do mês, fazendo caras e bocas em uma revista de nudez.
Essa é uma das coisas que estão em pauta ultimamente, a famosa banalização do nu feminino. A visão patética da mulher-objeto e como isso continua crescendo a cada dia que passa.
Nunca achei certo enxergar somente um lado da moeda e por isso, formulei uma pergunta: eu posaria nua?
Não, não estou me afogando na minha própria auto-estima, apenas falo hipoteticamente. Se tivesse nascido com o corpo da Scarlet Johanson, por exemplo, e fosse possuidora dos requisitos básicos para ser capa de uma publicação masculina, faria tal coisa?
Primeiramente vou falar sobre o que acho do assunto. A realidade é que hoje em dia uma mulher nua não causa mais impacto como antigamente.
Já foi o tempo em que se depir era uma forma de expressão, uma maneira de mostrar este ser como sexual e não responsável por somente passar roupa e servir o almoço.
Houve uma época em que tirar tais fotos era um meio de deixar bem claro para os repressores da sociedade, que o sexo é para todos e que por tal motivo a modelo estampa aquelas páginas. Pelada, em cima de um cavalo branco e cavalgando como se procurasse as vestimentas no meio da floresta.
Mas atualmente, a imagem do corpo feminino completamente exposto está ligada diretamente a mais pura sacanagem. Não tem nada de revolucionário. São sempre as mesmas fotos, o mesmo estilo, os mesmos corpos.
Creio que este seria o momento ideal de explorar o inexplorado. Dar voz para quem não faz parte do estereótipo. Um exemplo? Deficientes.
Gente que mesmo sem membros, visão ou audição são lutadores e conscientes da própria beleza que tantos preferem ignorar fingindo que ali não pode ter erotismo.
Outro ponto seria a nudez masculina. Revistas voltadas para a comunidade que gosta de apreciar homens nus existem, mas são sempre vistas com preconceito. O rapaz que está lá posando é logo taxado de possível gay por terceiros.
No cinema é a mesma coisa. Um filme que mostra um nu frontal de uma rapaz recebe logo uma censura muito maior do que um outro filme que irá passar o feminino. Tudo isso pode ser mudado e é apenas uma questão de insistência.
Hugh Hefner quando fundou a Playboy foi taxado de pervertido por vários e sofreu perseguições implacáveis de uma sociedade tão acostumada a fazer tudo com as luzes apagadas.
Hoje ele é uma lenda, um empresário respeitado por muitos, porque simplesmente acreditou no seu objetivo de livrar as mulheres da imagem recatada que muitos forçavam.
Não consegui chegar a uma resposta. Em parte, acho que não posaria. Não tiraria a roupa por acreditar que seria apenas mais uma na multidão e o dinheiro nem é tão influenciável assim. Nunca me interessei por nada que pareça fácil demais.
Porém acho interessante imaginar a bela lembrança que isso pode ser aos 80 anos. Reviver um tempo em que se estava no auge da beleza e recordar a juventude física que não faz mais parte da rotina.
Pelo sim ou pelo não, não custa pensar em um tema para o ensaio ou agradecer a existência do photoshop.
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