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Sorria Garbo, sorria.

dom, 31/05/09
por Alessandra Castro |
categoria Ai...Humanos

garbo.jpg“Nas telas ou na vida real, Valentino sorria raramente e mal. Quando nos lembramos de Garbo, seu traço principal também era a tristeza. Ocorre perguntar se é ocasional esse elemento comum aos dois maiores mitos suscitados pelo cinema. Ambos são expressões da paixão amorosa, e envolvidos pela melancolia, testemunham que a nossa civilização persiste em fazer do amor algo essencialmente triste”.

 

O parágrafo acima, dito pelo crítico de cinema, Paulo Emílio Sales, sintetiza bem algo que vejo como um dos maiores problemas da humanidade quando se trata de relacionamentos: Somos os reis do drama.

Shakespeare difundiu isso, Machado de Assis também, assim como os autores da incansável fábrica da teledramaturgia. Inconscientemente desde cedo aprendemos que amar é um sinônimo natural para a palavra sofrer.

Padecemos ao sairmos do útero, ficamos desolados ao largamos o seio materno, piora tudo quando deixamos o conforto do lar para a escola e assim por diante.

Acreditamos que o tempo todo existe uma força maior no universo que rege para que as coisas boas não durem para sempre e por isso torna-se mais confortável vestir a carapuça do ‘ó vida, ó céus’ ao longo dos anos.

Fazemos isso em diversas áreas. Ao odiarmos as manhãs das segundas-feiras antes de acordar, na hora de apresentarmos um trabalho que já achamos que foi mal feito ou ao sentimos a dor da anestesia antes mesmo do dentista aplicar. Mas, quando se trata de amor aí sim é que a coisa fica complicada.

Elaboramos enormes barreiras para que nada possa fluir em liberdade. Precisamos do controle, de saber como será o dia seguinte e o outro também.

Imaginamos que não estamos agradando suficiente, que o resto das pessoas são ameaças e compramos livros que dão detalhes sobre como conseguir ter sucesso nos relacionamentos.

Ansiedade, insegurança, dor e medo. Nada disso deveria ser relacionado com a sensação de estar apaixonado.

O ruim é que gostamos. Todo mundo é exemplo de ‘mulher de malandro’ neste departamento.

Sai-se de um caso para o outro como se fossemos mocinhos de novela que não conseguem nunca alcançar um final feliz por culpa da vilania da vida em si.

Dramas não são necessários e é totalmente ilógica a busca por eles. Teme-se tanto furacões, terremotos, vulcões e outras forças da natureza justamente por não sermos capazes de calcular o grau de destruição.

Porém, em termos de relações amorosas fazemos questão de pedir ou criar um tormento assim.

Sinceramente? Não sei como atingimos oito bilhões de pessoas neste planeta.

 

PS: Veja como não pagar micos com envio de emails, conheça algumas das profissões mais bizarras do mundo e os filmes mais longos da história.

PS1: Créditos do texto para você, que me faz cada dia mais acreditar que o amanhã será ainda melhor.

PS2: Totally addicted to you.

Juventude a galope

ter, 19/05/09
por Alessandra Castro |

cavalos.jpgDias atrás entre as minhas andanças pela Internet, dei de cara com um artigo bem interessante que relatava até onde ia o período da adolescência.

Para muitos, o senso comum costuma nos fazer acreditar que esta época cheia de turbulências dura até os 20 anos ou com o fim do colegial.

No texto revela-se que na realidade essa mocidade pode durar ainda mais dependendo de aspectos como emprego, despesas, relacionamentos amorosos e companhias adequadas.

Fiquei feliz ao ler tais conclusões e perceber que então, tenho agora uma segunda chance.

Não com as partes controversas desta fase. De ser porr* louca e passar o dia em casa dormindo. Sou extremamente satisfeita com a minha vida de workaholic que colabora dentro de casa, com a cabeça no lugar e planos para o futuro.

Apenas lamento por não ter aproveitado de forma adequada quando tive a oportunidade. A Alessandra adolescente não foi nada contente. Tinha péssimas influencias no setor amizade e fracassos ainda maiores no quesito garotos.

Era um cavalo selvagem sem rédeas que achava que tava cumprindo sua missão na Terra de forma feroz e rápida.

Voando sob os obstáculos à minha frente sem medir o tamanho da queda. Claro que fui ao chão. E foi feio.

Devastador ao ponto de me tornar uma pessoa completamente diferente da desordem anterior. Por um longo período a rebeldia de outrora tinha dado lugar ao marasmo total. Nada me encantava ou me impressionava.

Estava ligada no piloto automático enquanto limpava os cacos da bagunça dentro da nave. Ressurgi melhor, mais humana e sensata. Porém quando isso aconteceu me vi com 21 anos e achei que a velhice já estava instalada.

Completamente solitária, direcionei toda a energia para coisas positivas como estudos, emprego, família e o blog. Mas sempre senti falta de algo e até pouco tempo descobri o que era: amigos.

Nos encontros e desencontros do cotidiano, dei início a minha caçada por esses seres. Rolava uns promissores ali e uns nem tanto acolá. Até que o destino resolveu colaborar e colocou no meu rumo o grupo que tenho agora.

É recente. Ainda estamos engatinhando entre saídas, conversas de MSN e telefonemas. São na maioria jovens, de safras vindas depois da minha datada de 86. Mas isso simplesmente não diz nada.

Todos e todas revelaram facetas deliciosamente divertidas, doces, maduras e no ponto de saborear os bons momentos. Gosto de pensar que eu não sacrifiquei o meu cavalo arisco interior.

Ele apenas foi selado, domado e agora corre feliz pelos campos em companhia de uma ótima manada de puros-sangues.  

 

PS: Saiba como dar um fim a bagunça de cabos e fios no computador, conheça as alterações sexuais conforme a idade e como fazer a mesada durar todo o mês.

PS2: Final de semana passado simplesmente extraordinário. Vivendo agora entre batidas furiosas e paradas cardíacas totais. Não chamem os para-médicos. Estou bem.

Sem escudos e cabelos

qua, 13/05/09
por Alessandra Castro |

sansom.jpgAinda não compreendo o fascínio de alguns por super-heróis. Nunca gostei de filmes, quadrinhos, seriados e outras coisas a mais que relatam a história destas peculiares personagens. 

Fico completamente entediada em ver o Homem Aranha pendurar-se em prédios, a força do incrível Hulk destruindo tanques de guerra ou o Superman voar entre continentes em segundos. 

Não existe graça em ter grandes poderes. Perfeição é algo completamente desinteressante. Sim eu sei que todos eles têm seus problemas. 

Crises existências por não ter a pessoa amada e negação da própria identidade. Meras bobagens para quem ao final do dia pode resolver tudo com uma praticidade irreal do cotidiano. Trata-se de uma péssima mania humana acreditar que a plenitude só é válida naquilo que é cheio de encantos e inapto de falhas.
 

É um velho círculo vicioso que nasceu do contato com a primeira leitura de super-heróis: a Bíblia. Mas não pretendo decifrar o protagonista deste enredo milenar, tenho como Sansão meu coadjuvante especial.

Repleto de coragem e um físico impressionante, esse rapaz era o mais admirado em sua comunidade. Nada abalava Sansão.

Preocupações e angústias eram constantemente omitidas de sua consciência por acreditar que toda a aptidão corporal já era mais do que suficiente para levar a vida. 

Ledo engano deste homem superficial. Dalila, minha favorita, apareceu em seu caminho não como a megera linda e insensível que costumam relatar. Ela sim era forte por saber que errar é mais digno do que seguir em frente com ilusões. 
 

Cortou os longos e influentes cabelos de seu amado e o fez pela primeira vez andar com as próprias pernas sem precisar sair por aí derrubando os outros.

Tirou-lhe o escudo que tanto incomodava no relacionamento de ambos e ao final conseguiu a compreensão de Sansão por isso. Assumir fragilidades não é defeito. Pedir ajuda também não. 

Revela confiança no outro e interesse por suas opiniões. Derrubar esta muralha de proteção interna natural é o maior poder que poderíamos pedir. 

Talvez por este motivo os super-heróis são tão confusos. Habilidades demais estragam a cabeça de qualquer um e tiram-lhe o foco real da coisa.

Mais importante do que salvar o mundo, é saber resgatar a si mesmo.

 

 

PS: Veja as boy bands mais vergonhosas de todos os tempos, conquiste o visual das estrelas dos seriados e descubra qual o verdadeiro tempo da adolescência.

 

PS1: Gente, se alguém souber como fazer memorização de dados nos comentários, pode me falar okay? Saudades eternas do blogspot.  ¬¬

Playground de todos os dias

ter, 05/05/09
por Alessandra Castro |

swing.jpgTenho uma lembrança da minha época de infância que até hoje nunca se desgastou.

Recordo bem que perto do horário do recreio começava a ficar completamente angustiada para pular da cadeira e sair correndo porta a fora.

Não, não se tratava de fome ou vontade de olhar o pessoal. Eu queria mesmo era ter todo o playground disponível ao meu deleite. Nunca dava tempo.

Não sei se era o excesso de peso que não me deixava chegar à tempo, mas todas as vezes que alcançava o parque, ele já estava devidamente lotado em todos os brinquedos.

Isso me deixava furiosa, mas encontrei uma boa solução para este problema.

Simplesmente passei a esperar.

Cautelosamente escondida em algum lugar do colégio, eu aguardava o sinal bater para finalmente ter o meu espaço de brincadeiras.

 

Claro que em todas as vezes, após alguns minutos aparecia uma supervisora para me tirar aos gritos do local e me colocar na sala de aula.

Porém, isso não mudou o meu padrão de comportamento que se estende até os dias de hoje. Obviamente que eu poderia me unir as outras criancinhas e revezar os momentos de diversão.

Pedir, tapear, negociar, implorar, furar fila e chantagear para também descer no escorregador ou pegar a brisa do balanço.

Nunca achei essas alternativas interessantes e provavelmente por isso aprendi a reconhecer ao longo da vida, qualquer tipo de playground cheio demais para a minha presença.

São áreas possíveis de serem avistadas em todos os segmentos do cotidiano. No próprio colégio quando ansiamos por fazer parte do grupo mais popular e quem está nele prefere ignorar esse desejo.

Dentro do trabalho em que se almeja criar alianças com os mais experientes na empresa e os mesmos optam por não pedir sua opinião ou em relacionamentos amorosos, quando se quer algo mais profundo e o outro deixa claro que não pretende mudar.

Para tais situações como diria meu pai: “É dar murro em ponta de faca”. Sou a favor da persistência juntamente com a perseverança, mas todos devem saber seus limites e concluir que plena aceitação não faz ninguém andar pra frente.

Trata-se de uma questão de impulso interno. Impulso este que faz a gangorra levantar, o balanço movimentar-se no ar, cria novas amizades, traz mais aprendizado profissional e estimula a busca por uma paixão melhor.

A verdade é que brincar sozinho tem grandes vantagens. Ao menos, durante a espera da construção do próprio playground.

E quando essa hora chegar, nada será mais gostoso do que selecionar aqueles que o acompanharão na jornada de infinitas travessuras. 

 

PS: Veja como agir se ele tem namorada, tudo sobre vegetarianismo e curiosidades do que é belo ao redor do mundo.  



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