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Para o lugar mal assombrado

ter, 30/06/09
por Alessandra Castro |

casa.jpg“Obviamente doutor, o senhor nunca foi uma garota de 13 anos”. Para mim, esta frase do filme ‘As virgens suicidas’ é uma das mais impactantes do cinema dos últimos tempos.

Gosto porque simplesmente é também atemporal. Homens no geral nunca saberão como é ser uma menina/garota/mulher em qualquer época da vida e o contrário é igualmente verdadeiro.

 

Apesar de soar em um primeiro momento de forma dramática, é interessante ver como esta sentença, assim como outras coisas na vida, possui um lado positivo: que ao longo dos anos se desejarmos, somos capazes de fazer reflexões sobre nós mesmos.

 

Antigamente, achava que tais pílulas próprias da sabedoria só poderiam ser descobertas a partir de uma única via. Afinal, a mente nunca foi e não deveria supostamente, ser compartilhada.

 

Discutimos com a família, filosofamos com os amigos e conhecidos, mas no geral, guardamos aqueles aspectos mais sombrios da fadada existência dentro da nossa cabeça. Em um local bem parecido com um porão assombrado e cheio de cadeados na entrada que deixaria qualquer criança pequena com pavor de encontrar.

Como a maioria das casas velhas e condenadas pela defesa civil, sempre corre-se o risco de dar de cara com grandes e luminosos avisos em neon dizendo que  desta vez será tudo devidamente invadido, fuçado e expulso quer se queira ou não.

A gente luta, diz que é propriedade privada e que chegamos primeiro. Mas não adianta, render-se é a melhor solução.

Falando mais claramente, em singelos dois meses notei o quanto passei boa parte de minha estadia nessa Terra, cercada de gente ignorante.

Não no sentido popular da palavra que conota automaticamente à burrice. Na essência mesmo que poucos conhecem: a raiz da ignorância é ignorar. Não ter a ação de questionar. Não fazer questão ou interesse de buscar respostas.

Até que alguém surgiu. Você me apareceu para mostrar uma das coisas mais impactantes para qualquer pessoa: a de que na realidade, não nos conhecemos tão bem assim.

Medo. É de temer ter que ir a áreas tão empoeiradas e incógnitas. Mas sei que estás segurando a minha mão, me acalmando, ligando interruptores, exorcizando fantasmas, tirando do caminho e jogando fora tudo que deve ser claramente eliminado.

 

O que antes parecia impossível tornou-se sem sombra de dúvidas, o começo de uma grande e deliciosa aventura.

Né?  

 

PS: Saiba como acabar com as marcas de espinhas, conheça as ex-namoradas que ultrapassaram os limites da vingança e o que realmente acontece com o cérebro na hora do orgasmo.

 

PS1: O mundo está melhor. Se depender do agora e dos inúmeros planos para o amanhã, de férias aqui eu não mais estarei.

PS2: Cada batimento cardíaco, cada pensamento, sorriso, suspiros e arrepios são de sua autoria. 

PS3: E na maioria das madrugadas:

-Bora?

-Bora.

-Vâmos?

-Vâmo!!!

-Agora???

-AGORA!!! 

Brasil de retalhos

seg, 22/06/09
por Alessandra Castro |
categoria Ai...Humanos

colcha.jpgCreio que eu tinha 12 ou 13 anos. Sei que era Carnaval e que já era muito tarde. Beirando a madrugada.

Meus pais e os dela tinham nos mandado para casa, a fim de curtirem o resto da festa momesca. 

Estávamos lá na sala, eu de pijama assistindo o desfile das Escolas de Samba, quando recebi a minha primeira sugestão de fuga.

“Beleza”. Foi só o que respondi. Quando vi, a rua era nossa e toda a escuridão da noite perigosa nos esperava. Claro que no espírito aventureiro da coisa, não se pensa nas enrascadas.

Apenas um plano de desvio era necessário caso tivéssemos a fatídica coincidência de encontrar os adultos. Lembrei-me dessa experiência recentemente, quando fui tirada para fora de uma casa noturna às duas da manhã. 

Uma tal de regra do silêncio misturada com a suposta presença de menores foi o motivo da confusão toda. Antes desta humilhação, eu não fazia muita noção da expressão ‘Casa da mãe Joana’.

Sabia do seu significado, mas não conseguia ligar a nada que fosse do meu conhecimento. Agora sei. Atende na formalidade pelo nome de legislação e consequentemente, as Assembléias Legislativas espalhadas por aí.

Nada contra as ordens, somos selvagens com elas e sem elas poderíamos ser mais ainda. O que me incomoda mesmo é a falta de constância das mesmas. 

Um exemplo claro? Lei seca. Nos primeiros meses era blitz para todos os cantos. Atualmente nem descendo do carro dançando na macarena e gritando ‘tou bêbado’ você é notado. 

Que o diga os dois mortos pelo deputado em Curitiba. Pois é, outro ponto em questão: ausência de imparcialidade. 

Fecharam este bar e outros mais por não terem as clássicas ‘costas quentes’. Assim como durante o período de festas juninas irão ignorar completamente a norma sonora. 


 
Brechas. Ninguém gosta de tetos que depois de um concerto voltam a mostrar goteiras ou roupas que ficam a todo instante descosturando. Mas de alguma forma, aceitamos a República Federativa do Brasil do jeitinho que ela é: uma grande e feia colcha de retalhos.

 

 

PS: Veja dicas para parar de fumar hoje mesmo, como reconhecer um mentiroso e descubra se o chocolate é vilão ou amigo da sua dieta.

PS1: O que eu tenho a falar sobre o STF e o diploma de jornalismo? Que nada me surpreende dentro de um país que tem como líder um semianalfabeto. 

 

PS2: Sempre feliz. Sempre apaixonada. Sempre sincera. Sempre confiante. Sempre agradecida. Sempre ardente. Sempre sortuda. Sempre melhor. Sempre ao seu lado. Sempre com você. Sempre sua.

PS3: “Ahhhhhhh viu? Eu te domino”. E nunca uma sensação foi tão boa.

PS4: I’ll love you till the end of the world.

 

Sexo: 1, 2, 3… Valendooooooooooo!

dom, 07/06/09
por Alessandra Castro |
categoria Ai...Humanos

bed.jpg“Tu escreve muito sobre sexo”. Ao ouvir essa frase recentemente do meu pai, não vou negar que realmente fiquei um pouco preocupada com a frequência da abordagem desta pauta em meus textos.

Não sou personagem de Sex and the City e ai de mim aos 23 anos querer ser algum tipo de conselheira no assunto, mas a verdade é que não dá para fugir de algo tão corriqueiro em nossa sociedade.

Tudo se resume a sexo. Roupas, perfumes, atitudes, carreiras, dinheiro, filmes, pensamentos… O tempo todo somos bombardeados cada vez mais por informações que direcionam para este tema.

Pesquisas que dizem que algumas mulheres preferem fazer compras a dormir com o parceiro, estudos revelando que homens que trabalham em áreas da tecnologia são mais preocupados com o prazer feminino e cientistas que buscam descobrir até hoje, onde é o fatídico ponto G.

Fora as chamadas lendas urbanas. Histórias populares que afirmam que o tamanho do pênis é proporcional ao número do calçado do indivíduo e que bons dançarinos rebolam igualmente bem entre lençóis.

Programas de TV, revistas, sites e livros não param de elaborar dicas essenciais para transformar você, simples mortal, em um completo deus sexual entre quatro paredes.

Com tantas fontes de verdades absolutas, nasce também um grande problema: estamos perdendo toda a naturalidade desta ação.

Não minto que leio com ardor publicações que trazem na capa: “Faça seu namorado subir pelas paredes em 3 minutos”. É sempre bom agregar mais dados. Porém, não se pode ficar tão obcecado e crente pelo o que vem escrito em tais páginas. Ele é uma pessoa e não um macarrão instantâneo.

Sei de gente que decora, estuda posições Kama Sutra como se fossem fórmulas de prova de química do vestibular e garotas que ficam ensaiando no espelho, passos de dança para tirar adequadamente a roupa na hora ‘H’.

Nada contra ‘apimentar’ a relação com novidades. Faz bem e mostra que você se interessa pela satisfação do outro. Acende a chama e outros clichês do tipo.

Mas desde quando uma noite de sexo tornou-se algo extremamente coreografado como a abertura do Oscar? Onde foi parar a vontade de se entregar sem lenço ou documento ao duelo corporal mais íntimo e tão repleto de força da natureza que foi até capaz de expulsar o primeiro casal do paraíso?

Parece que viramos de uma hora para outra, robôs que necessitam de vários manuais para descobrir onde ficam parafuso e válvulas do companheiro. Se desejamos manter tanta distância assim do comportamento animal, parabéns, conseguimos.

Um galo jamais recusou uma galinha porque esta não tinha um coração desenhado nas partes íntimas por uma depiladora. A leoa nunca inventou uma dor de cabeça para o rei da selva porque o mesmo estava com a juba mal feita e poderia arranhá-la. O porco não vai à banca pedir o último exemplar da Playpig para poder fantasiar com outra.

Poderia dar ainda mais e mais exemplos do reino dos bichos, mas prefiro destacar que o ponto alto do sexo sempre será a imprevisibilidade.

Não tem lógica alguma nos diferenciarmos tanto em personalidade se queremos agir igualmente entre as cobertas. Cada um é cada um.

Esqueça tópicos de revistas e conversas de amigas. Jogue o relógio longe e relaxe.

Até porque mais delicioso do que escrever sobre sexo é fazer sexo.    

 

PS: Declare todo o seu amor no Dia dos Namorados aqui, veja como evitar os malwares do Twitter e aprenda a se sair bem em uma entrevista de emprego.

 

PS1: Acordada. Esta é a melhor palavra para descrever o que a sua presença causou em minha vida. Eu que por tanto tempo preferi fechar os olhos e dormir, agora me vejo feliz e saltitante com a chance de finalmente despertar. 

PS2: Every Day… Every hour, im more and more addicted to you.

 



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