Para o lugar mal assombrado
“Obviamente doutor, o senhor nunca foi uma garota de 13 anos”. Para mim, esta frase do filme ‘As virgens suicidas’ é uma das mais impactantes do cinema dos últimos tempos.
Gosto porque simplesmente é também atemporal. Homens no geral nunca saberão como é ser uma menina/garota/mulher em qualquer época da vida e o contrário é igualmente verdadeiro.
Apesar de soar em um primeiro momento de forma dramática, é interessante ver como esta sentença, assim como outras coisas na vida, possui um lado positivo: que ao longo dos anos se desejarmos, somos capazes de fazer reflexões sobre nós mesmos.
Antigamente, achava que tais pílulas próprias da sabedoria só poderiam ser descobertas a partir de uma única via. Afinal, a mente nunca foi e não deveria supostamente, ser compartilhada.
Discutimos com a família, filosofamos com os amigos e conhecidos, mas no geral, guardamos aqueles aspectos mais sombrios da fadada existência dentro da nossa cabeça. Em um local bem parecido com um porão assombrado e cheio de cadeados na entrada que deixaria qualquer criança pequena com pavor de encontrar.
Como a maioria das casas velhas e condenadas pela defesa civil, sempre corre-se o risco de dar de cara com grandes e luminosos avisos em neon dizendo que desta vez será tudo devidamente invadido, fuçado e expulso quer se queira ou não.
A gente luta, diz que é propriedade privada e que chegamos primeiro. Mas não adianta, render-se é a melhor solução.
Falando mais claramente, em singelos dois meses notei o quanto passei boa parte de minha estadia nessa Terra, cercada de gente ignorante.
Não no sentido popular da palavra que conota automaticamente à burrice. Na essência mesmo que poucos conhecem: a raiz da ignorância é ignorar. Não ter a ação de questionar. Não fazer questão ou interesse de buscar respostas.
Até que alguém surgiu. Você me apareceu para mostrar uma das coisas mais impactantes para qualquer pessoa: a de que na realidade, não nos conhecemos tão bem assim.
Medo. É de temer ter que ir a áreas tão empoeiradas e incógnitas. Mas sei que estás segurando a minha mão, me acalmando, ligando interruptores, exorcizando fantasmas, tirando do caminho e jogando fora tudo que deve ser claramente eliminado.
O que antes parecia impossível tornou-se sem sombra de dúvidas, o começo de uma grande e deliciosa aventura.
Né?
PS: Saiba como acabar com as marcas de espinhas, conheça as ex-namoradas que ultrapassaram os limites da vingança e o que realmente acontece com o cérebro na hora do orgasmo.
PS1: O mundo está melhor. Se depender do agora e dos inúmeros planos para o amanhã, de férias aqui eu não mais estarei.
PS2: Cada batimento cardíaco, cada pensamento, sorriso, suspiros e arrepios são de sua autoria.
PS3: E na maioria das madrugadas:
-Bora?
-Bora.
-Vâmos?
-Vâmo!!!
-Agora???
-AGORA!!!
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11 julho, 2009 as 23:05
Acho que a realidade foi feita para não entendermos mesmo; é contraditória demais para isso.
Quanto ao teu post abaixo eu discordo em algumas partes. Principalmente porque eu adoro grande parte da cultura tupiniquim mesmo; literatura, música, cinema e o escambau a quatro. Acho sublime a mistura de culturas alheias e acho a pior coisa do mundo patriotismo pelo que não é seu – não que eu tenha visto isso em você (ou não!).
11 julho, 2009 as 17:58
Oi, passando para avisar da novidade. Passa lá e confere, espero que goste!
O texto como sempre ficou muito bom lhe dos meu parabéns por isso!
Beijos e aparece lá!
10 julho, 2009 as 09:47
Nunca vou entender como algumas pessoas conseguem ser totalmente ignorantes.
Não se questionar a respeito de alguma coisa é algo absurdo pra mim.
9 julho, 2009 as 22:52
Não vão saber nunca mesmo como é
Sofro, ignorância faz crescer meu ódio!
Adorei, viajei… Beijo.
9 julho, 2009 as 13:56
adorei esse texto, e é verdade.. não nos conhecemos tão bem quanto imaginamos.. há sempre algo novo a conhecer =)
adorei o texto, beijos!
9 julho, 2009 as 12:49
Concordo com você! Quando você ignora, torna-se também ignorante. É por isso que não ignoro e sou chamada de chata mas pelo menos não sou chamada de burra né? haha
Beijos!
9 julho, 2009 as 10:14
Mary, fiquei impressionado com a abordagem dos seus textos. Recordam-me antigas reflexões, oriundas muitas vezes de momentos nos quais tive a sóbria oportunidade de divagar sobre assuntos próprios da psicanálise. Lembrou-me particularmente das palestras iniciais do Freud, onde ele retruca ao ser bem recebido, que aqueles que estavam prestes a escutá-lo não sabiam que ele os trazia o “inferno”. O sofrimento em buscar respostas está muitas vezes ligado ao medo do desconhecido, e invariavelmente à vontade de permanecer na comfortável situação de estar estático sob uma perspectiva cognoscitiva e emocional. Não se movimentar tem seus confortos, e como tem. Ninguém quer abandonar o seu gozo, seja qual for ele. Não quero me alongar! Parabéns pela iniciativa, acompanharei seus posts aqui e no twitter. Beijos.
9 julho, 2009 as 00:38
A frase é, na verdade, do Jeffrey Eugenides, mas ok. Deve ter visto primeiro no filme.
8 julho, 2009 as 20:50
Boraaaaaaaa!!!!! Uhuuuul! \o/
Como diz a propaganda do futura “O que move o mundo não são as respostas e sim as perguntas”
Sem curiosidade a mente não evolui nunca.
Feliz fériaaaaaasssss!!!
beeeesos
7 julho, 2009 as 22:33
E que aventura né?
Bem vinda Miss Mary West.
Bjs
7 julho, 2009 as 19:59
Ignorar é sempre dar um fim. Dar um fim ao que podia se saber, se conhecer…. dar um fim ao que podia ser mudado.
Bjão0
=*
7 julho, 2009 as 15:03
é minha amiga, o caminho da ignorancia é ignorar!
bonnes vacances!
6 julho, 2009 as 23:11
Sorte sua que conseguiu ajuda nesse trajeto, Mary!
Bjooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!
6 julho, 2009 as 22:47
Essas descidas aos nossos porões não são mesmo fáceis, Mary!
O bom é que você é uma garota esperta e ainda conseguiu ajuda no trajeto!
Bjoooooooooo!!!!!!!!!!!!
5 julho, 2009 as 21:38
minina fiquei curiosa pra vê esse filme.
4 julho, 2009 as 17:54
Maravilhosa a frase de início. Realmente, homens e mulheres e suas eternas diferenças.
Quanto às madrugadas, infelizmente as minhas permanecem muito mais silenciosas que as suas…
rs
beijinho*
4 julho, 2009 as 15:06
eu não assiti o filme , mais vou procurar assistir o mais rapido possivel !
entendi muito bem oque vc quis dizer do mundo ignorante !
e eu sempre fui do tipo que não expoe muitos os reais sentimentos .
bjoos.
4 julho, 2009 as 12:07
rsrsrsrs, tuas madrugadas tão parecidas com as minhas…boa sorte!
4 julho, 2009 as 11:40
Tem problemas que são tão pessoas que outras pessoas nem entendem e muito menos podem resolver. Cabe somente a nós a tarefa de resolver dramas particulares de nossa vida.
4 julho, 2009 as 00:08
O outro só conhece a parte que revelamos de nós. E por mais que tentemos ser sinceros, não há como se revelar 100%. Maravilhoso texto!