Carta de despedida… Ou não.
Eu posso garantir que adiei esse texto o máximo de tempo que pude. Não vai ser fácil escrevê-lo, mas preciso ir em frente com o que prometi a mim mesma: entre a gente, está tudo acabado. Sim, falo diretamente, sem rodeios ou intermédios.
Agora com 25 anos, já posso me dar o prazer de pensar primeiramente em mim e depois em você. Sei que não me conheceste assim, eu já fui mais maleável, ingênua, influenciável, jovem demais pra falar a verdade. Nós conhecemos quando eu ainda estava no colégio, a pressão do vestibular me fez procurar você. Neste primeiro momento não deu nada certo, como já coloquei acima, não tinha experiência em quase nada na vida.
Aí nos topamos novamente quando saí da escola, já mais relaxada, um pouco mais vivaz e curiosa, nosso reencontro foi no mínimo interessante. Na verdade, de cara não nos demos bem. Você não desceu direito, não parecia ser isso tudo que eu tinha ouvido falar, mas de qualquer forma, persisti. Grande, enorme erro meu que me fez cair direitinho nas suas nuvens de promessas.
Ficamos cada vez mais íntimos apesar do começo casual. Umas reuniões ali e acolá que de repente tornaram-se diárias. Não, não poderia mesmo mais viver sem você. Todos os dias fazia questão de dar qualquer jeito que fosse para te ter. Você se tornou um companheiro, um amigo, um amor.
Bons momentos, angustiantes momentos, péssimos momentos, felizes momentos, agradáveis momentos, dançantes momentos, onde quer que eu fosse sabia que podia contar com sua quente presença. E olha, confesso que se não te achasse logo que chegasse em qualquer local, nem tinha vergonha de perguntar onde poderia te encontrar.
Claro que muitos foram contra, vários diziam que você não era pra mim e que nossa relação era totalmente nociva. Tolos eles que nunca conseguiram enxergar o seu melhor lado. Formávamos uma dupla e tanto. Alguns perguntavam por você, se ainda estávamos juntos, se poderiam também desfrutar o prazer de sua companhia.
Lógico que eu por vezes me peguei pensando se valia a pena em investir tanto na gente. Alias, não sei se você sabe, mas é caro ter você por perto e nem sempre dá para ficar pedindo auxilio de terceiros neste caso. Foi por todas essas questões que acabei fazendo naquela época mesmo uma promessa que pretendo cumprir: aos 18 anos eu disse que quando fizesse 25, iria me livrar de você. Ia finalmente parar de fumar.
Pois aí está, um quarto de século e 4 dias completos agora. Chegou a hora tão esperada por todos e ridicularizada por alguns. Será que eu consigo? Não sei. Será que eu quero? Sim, porque foi algo que prometi para mim mesma. Será que realmente é o momento apropriado para isso? Bem, acredito que não. Não mesmo.
Porque botar um peso deste tamanho em uma data somente? Porque justamente me ater em juramentos que fiz quando mais nova? Afinal, não é com a idade que vem o amadurecimento das idéias? Estou confusa, não vou negar. Uma parte de mim quer logo terminar com isso, que é para o meu próprio bem, mas outra afirma que não tem lógica, visto que em breve tudo, tudo mesmo (quem me conhece sabe do que estou falando e quem não me conhece vai me achar suicida), estará acabado de qualquer maneira.
Creio que vou dar mais uma chance para nós. Sei que não é a melhor coisa a se fazer, que vamos continuar sendo mal vistos. Não tenho nenhuma justificativa para minha estúpida decisão, apenas que apesar de todos esses anos eu ainda sou totalmente viciada em você, querido cigarro.
PS: Mas você vem primeiro no meu coração.
PS2: Já estou com saudade e já odeio o mês de maio.
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23 abril, 2011 as 16:18
Adorei o texto… logo no começo pensei que fosse outra coisa, confesso!
A cada linha que passava me surpreendia mais ainda!
Tenho certeza que essa será a primeira de muitas vezes que visitarei teu blog!
Abraço!
9 novembro, 2011 as 12:45
Minha querida promessa é divida, ainda mais quando é para o nosso bem! Largue este vicio (eu ja larguei) e sabe? nem sinto falta! Troque ele por exercicios, uma boa alimentação e verá como tudo é bem melhor! Beijos – PS-Gostei, voce escreve bem – Parabens!