Sem escudos e cabelos
Ainda não compreendo o fascínio de alguns por super-heróis. Nunca gostei de filmes, quadrinhos, seriados e outras coisas a mais que relatam a história destas peculiares personagens.
Fico completamente entediada em ver o Homem Aranha pendurar-se em prédios, a força do incrível Hulk destruindo tanques de guerra ou o Superman voar entre continentes em segundos.
Não existe graça em ter grandes poderes. Perfeição é algo completamente desinteressante. Sim eu sei que todos eles têm seus problemas.
Crises existências por não ter a pessoa amada e negação da própria identidade. Meras bobagens para quem ao final do dia pode resolver tudo com uma praticidade irreal do cotidiano. Trata-se de uma péssima mania humana acreditar que a plenitude só é válida naquilo que é cheio de encantos e inapto de falhas.
É um velho círculo vicioso que nasceu do contato com a primeira leitura de super-heróis: a Bíblia. Mas não pretendo decifrar o protagonista deste enredo milenar, tenho como Sansão meu coadjuvante especial.
Repleto de coragem e um físico impressionante, esse rapaz era o mais admirado em sua comunidade. Nada abalava Sansão.
Preocupações e angústias eram constantemente omitidas de sua consciência por acreditar que toda a aptidão corporal já era mais do que suficiente para levar a vida.
Ledo engano deste homem superficial. Dalila, minha favorita, apareceu em seu caminho não como a megera linda e insensível que costumam relatar. Ela sim era forte por saber que errar é mais digno do que seguir em frente com ilusões.
Cortou os longos e influentes cabelos de seu amado e o fez pela primeira vez andar com as próprias pernas sem precisar sair por aí derrubando os outros.
Tirou-lhe o escudo que tanto incomodava no relacionamento de ambos e ao final conseguiu a compreensão de Sansão por isso. Assumir fragilidades não é defeito. Pedir ajuda também não.
Revela confiança no outro e interesse por suas opiniões. Derrubar esta muralha de proteção interna natural é o maior poder que poderíamos pedir.
Talvez por este motivo os super-heróis são tão confusos. Habilidades demais estragam a cabeça de qualquer um e tiram-lhe o foco real da coisa.
Mais importante do que salvar o mundo, é saber resgatar a si mesmo.
PS: Veja as boy bands mais vergonhosas de todos os tempos, conquiste o visual das estrelas dos seriados e descubra qual o verdadeiro tempo da adolescência.
PS1: Gente, se alguém souber como fazer memorização de dados nos comentários, pode me falar okay? Saudades eternas do blogspot. ¬¬
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