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Releituras: “Desejo e reparação”

ter, 13/04/10
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desejo

“Prefiro o livro ao filme. Esse deturpa a história original. Não é fiel àquele!” Essas costumam ser as expressões usadas por muitas pessoas que vão ao cinema para assistir a uma produção com roteiro adaptado de uma obra literária. Sim, as diferenças são bem evidentes. Mas não haveria como não ser. São linguagens distintas, que utilizam recursos próprios. Todavia se deve reconhecer que no cinema as abstratas cenas, antes concebidas pela fértil imaginação do leitor, agora ultrapassam as barreiras inventivas e se concretizam diante nossos olhos.
Imagens que valem, por vezes, muito mais que o próprio texto, ou ainda aliado a esse valorizam tal obra. Um bom exemplo é “Desejo e reparação”, filme do jovem diretor Joe Wright (o mesmo de “Orgulho e Preconceto”), que, com louvor, consegue levar para as telas imagens surpreendentes a partir de uma irresistível adaptação da obra “Reparação”, do escritor inglês Ian McEwan. O espetáculo visual criado por Wright, contudo, não se sobrepõem à história, até porque o roteiro criado por Christopher Hampton é a força motriz para a excelente fotografia, edição e montagem tomem posição destaque na película.
Dividida em três atos, a trama desenvolve em torno de Briony (Saoirse Ronan), jovem inventiva que depois de sucessivos mal-entendidos, tomada de ciúmes, dispõe-se a pôr um ponto final no relacionamento de sua irmã mais velha Cecília (Keira Knightely) e o filho da governanta Robbie (James McAvoy), que evitavam, devido à diferença de classes, tornar público o romance. Ele é preso sob acusação de estupro. No segundo ato, Robbie se junta ao exército britânico na Segunda Guerra Mundial, Cecília trabalha como enfermeira, enquanto Briony luta para reparar seu erro, culminando em um final surpreendente. O elenco é bastante afinado, com destaque para as três interpretes de Briony. Assim como Ronan, Romola Garai e a experiente Vanessa Redgrave dão o tom perfeito a ambígua personagem.
Ademais o excepcional trabalho do elenco, os louros do filme ficam mesmo para o diretor e sua equipe técnica. Talvez os jovens cineastas, que comumente têm preferência por uma edição mais dinâmica, não concordem, mas “Desejo e reparação”  é tecnicamente espetacular. A ousadia do diretor vai desde a utilização de um plano seqüência – cena filmada sem cortes e sem edição – com duração de um pouco mais de cinco minutos, até mesmo a trilha sonora que dá ritmo ao filme e traduz as inconstâncias de suas personagens, e uma fotografia belíssima, fugindo ao trivial.
Na referida cena Joe Wright consegue reunir harmonicamente mais de mil figurantes e em única tomada mostra Robbie, agora soldado, cruzando chocado a praia francesa de Dunquerque que serviria de ponto de retirada das forças britânicas, num momento crítico da II Guerra Mundial. A cena pormenoriza ações menores consecutivas que descrevem o desespero e a falta de expectativas dos soldados, e sobretudo mostram Robbie dilacerado por dentro, por conta das situações passadas que envolvem Cecília, que caminha sem dar a mínima atenção para os mortos, feridos e bêbados espalhados pelo trágico cenário. A guerra é o que menos importa neste momento. O plano seqüência evidencia a dor de sua separação.
A trilha de Dario Marianelli soma-se à excepcional cena, assim como é imperioso elemento durante todo o filme. Entre os pontos positivos está na utilização do som ambiente como base para a construção das músicas, a exemplo dos ruídos das teclas da máquina de escrever que insinua o texto escrito por Briony, elemento chave da história que liga os três atos da trama. A trilha, quando permitido pelo diretor, chama atenção para si retirando da imagem o epíteto de maior importância dentre os elementos da linguagem cinematográfica. Tudo na medida.
De fato, o brio de “Desejo e reparação” se deve a uma história sensível, inteligente e intimista, e especialmente à produção impecável e eficiente, sem exageros, com detalhes pontuais responsáveis pelos momentos mais intensos do cinema mundial que prende o espectador do início ao fim.
Filme: “Desejo e Reparação” (Atonement, Inglaterra, 2007). Romance / Drama. De Joe Wright. Com Keira Knightley, James McAvoy, Romola Garai, Saoirse Ronan, Brenda Blethyn, Vanessa Redgrave, Juno Temple.
Livro: “Reparação”, de Ian McEwan. 2002. Companhia das Letras. 448 p. Preço: R$ 60.
Por Anderson Corrêa

Por Anderson Corrêa

“Prefiro o livro ao filme. Esse deturpa a história original. Não é fiel àquele!” Essas costumam ser as expressões usadas por muitas pessoas que vão ao cinema para assistir a uma produção com roteiro adaptado de uma obra literária. Sim, as diferenças são bem evidentes. Mas não haveria como não ser. São linguagens distintas, que utilizam recursos próprios. Todavia se deve reconhecer que no cinema as abstratas cenas, antes concebidas pela fértil imaginação do leitor, agora ultrapassam as barreiras inventivas e se concretizam diante dos nossos olhos.

Imagens que valem, por vezes, muito mais que o próprio texto, ou ainda aliado a esse valorizam tal obra. Um bom exemplo é “Desejo e reparação”, filme do jovem diretor Joe Wright (o mesmo de “Orgulho e Preconceto”), que, com louvor, consegue levar para as telas imagens surpreendentes a partir de uma irresistível adaptação da obra “Reparação”, do escritor inglês Ian McEwan. O espetáculo visual criado por Wright, contudo, não se sobrepõem à história, até porque o roteiro criado por Christopher Hampton é a força motriz para a excelente fotografia, edição e montagem tomem posição destaque na película.

Dividida em três atos, a trama desenvolve em torno de Briony (Saoirse Ronan), jovem inventiva que depois de sucessivos mal-entendidos, tomada de ciúmes, dispõe-se a pôr um ponto final no relacionamento de sua irmã mais velha Cecília (Keira Knightely) e o filho da governanta, Robbie (James McAvoy), que evitavam, devido à diferença de classes, tornar público o romance. Ele é preso sob acusação de estupro. No segundo ato, Robbie se junta ao exército britânico na Segunda Guerra Mundial, Cecília trabalha como enfermeira, enquanto Briony luta para reparar seu erro, culminando em um final surpreendente. O elenco é bastante afinado, com destaque para as três intérpretes de Briony. Assim como Ronan, Romola Garai e a experiente Vanessa Redgrave dão o tom perfeito a bem construída personagem.

Ademais o excepcional trabalho do elenco, os louros do filme ficam mesmo para o diretor e sua equipe técnica. Talvez os jovens cineastas, que comumente têm preferência por uma edição mais dinâmica, não concordem, mas “Desejo e reparação”  é tecnicamente espetacular. A ousadia do diretor vai desde a utilização de um plano seqüência – cena filmada sem cortes e sem edição – com duração de um pouco mais de cinco minutos, até mesmo a trilha sonora que dá ritmo ao filme e traduz as inconstâncias de suas personagens, e uma fotografia belíssima, fugindo ao trivial.

Na referida cena Joe Wright consegue reunir harmonicamente mais de mil figurantes e em única tomada mostra Robbie, agora soldado, cruzando chocado a praia francesa de Dunquerque que serviria de ponto de retirada das forças britânicas, num momento crítico da II Guerra Mundial. A cena pormenoriza ações consecutivas que descrevem o desespero e a falta de expectativas dos soldados, e sobretudo mostram Robbie dilacerado por dentro, por conta das situações passadas que envolvem Cecília, que caminha sem dar a mínima atenção para os mortos, feridos e bêbados espalhados pelo trágico cenário. A guerra é o que menos importa neste momento. O plano seqüência evidencia a dor de sua separação. (Veja a cena)

A trilha de Dario Marianelli soma-se à excepcional cena, assim como é imperioso elemento durante todo o filme. Entre os pontos positivos está na utilização do som ambiente como base para a construção das músicas, a exemplo dos ruídos das teclas da máquina de escrever que insinua o texto escrito por Briony, elemento chave da história que liga os três atos da trama. A trilha, quando permitido pelo diretor, chama atenção para si retirando da imagem o epíteto de maior importância dentre os elementos da linguagem cinematográfica. Tudo na medida.

De fato, o brio de “Desejo e reparação” se deve a uma história sensível, inteligente e intimista, e especialmente à produção impecável e eficiente, sem exageros, com detalhes pontuais responsáveis pelos momentos mais intensos do cinema mundial que prende o espectador do início ao fim.

Filme: “Desejo e Reparação” (Atonement, Inglaterra, 2007). Romance / Drama. De Joe Wright. Com Keira Knightley, James McAvoy, Romola Garai, Saoirse Ronan, Brenda Blethyn, Vanessa Redgrave, Juno Temple.

Livro: “Reparação”, de Ian McEwan. 2002. Companhia das Letras. 448 p. Preço: R$ 60.

“Vela ao crucificado” reestreia no Cine Praia Grande

ter, 06/04/10
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categoria Cinema, Literatura

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Vela ao crucificado, curta-metragem de Frederico Machado, baseado no conto homônimo de Ubiratan Teixeira, será exibido, em sessão especial, quinta-feira, 8,  às 20h, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). A entrada é gratuita. Na ocasião também será lançada  a nova edição do livro Vela ao Crucificado, com ilustrações de José de Jesus Santos. A obra ainda contém roteiros para teatro, de Wilson Martins, e para cinema, de Frederico Machado, inspirados no referido conto.

Com roteiro premiado em primeiro lugar no Concurso para Roteiros da Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão, o filme conta a história de um velório de uma criança em um bairro da periferia de São Luís.  Com participação em diversos festivais de cinema no Brasil e no mundo, vencedor de alguns prêmios, o filme foi fotografado por Ralf Tambke, teve som direto realizado por Renato Calassa e como atores principais Auro Juriciê e Elza Gonçalves, que conversaram com o Alternativo.

Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.

Anderson Corrêa

“Avatar”, o mais caro de todos os tempos

sex, 18/12/09
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categoria Cinema, Ficção
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Onze anos depois de levar para as salas de cinema de todo o mundo milhares de pessoas e faturar US$ 1,842 bilhão e 11 estatuetas do Oscar com “Titanic”, um dos maiores sucessos da história cinematográfica, o diretor James Cameron está de volta com uma superprodução que promete revolucionar o cinema mundial. “Avatar” estréia hoje, no Brasil, com grandes expectativas de público.

O filme chama atenção pelo impressionante espetáculo visual ressaltado pela mistura da tecnologia 3D, “live-action”, recriação por computador, cenários naturais e atores reais ao lado de outros gerados por computador. Algo bastante inovador e impactante que, segundo críticos, faz de “Avatar” um divisor de águas na maneira de fazer filmes.

A idéia de “Avatar” surgiu em 1995, mas foi para a gaveta por se tratar do irrealizável. Dez anos mais, ele Cameron percebeu que já tinha mecanismos para criar uma câmera 3D estereoscópico que conseguisse capturar com perfeição movimentos reais e transformá-los em animação tão bem feita que o público não fosse capaz de distinguir a realidade da fantasia. “Não é um filme animado, as atuações são capturadas. Não é preciso somente a movimentação dos atores, há também a emoção de alguém”, explica o diretor.

Com um orçamento de US$ 310 milhões (US$ 500 milhões segundo alguns), “Avatar segue as aventuras de Jake Sully (Sam Worthington), um marine paralisado da cintura para baixo, enviado ao hostil, mas belo planeta Pandora com a missão de habitar um avatar composto pelo DNA dos nativos. Sua missão é dupla: coletar material científico para a Dra Grace (Sigourney Weaver) e espionar para o Coronel Quatrich (Stephen Lang). O encontro com uma Na’vi de Pandora, Neytiri (Zoe Saldana) mudará tudo.

Envolvente, luxuriante, com imagens que saltam aos olhos e um roteiro simples, mas que empolga, especialmente pela poderosa mensagem ecológica, de preservação ambiental, o filme mais caro da história veio para revolucionar o cinema mundial.

Veja o trailer de Avatar

Anderson Corrêa

Petrobras lança edital de difusão cultural

qui, 10/12/09
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categoria Cinema, Música

A partir desta quinta-feira (10/12), estão abertas as inscrições para a seleção pública de Festivais de Música, Festivais de Cinema e Difusão de Filmes de Longa-metragem do Programa Petrobras Cultural (PPC). Será destinado um total de R$ 9 milhões para este edital. O prazo de inscrições – que devem ser feitas apenas pela internet, no site http://www.petrobras.com.br/ppc_ – termina nos dias 11 de janeiro (festivais) e 1º de março (difusão de filmes) de 2010.

A edição 2009/2010 do PPC selecionará projetos de festivais de música popular e erudita, que serão contemplados com verba total de R$ 3 milhões. Cada projeto poderá ter valor máximo de R$ 400 mil, de acordo com o atendimento às exigências especificadas no regulamento. Em festivais de cinema, os projetos terão de optar por três faixas de valores: até R$ 100 mil, até R$ 200 mil e até R$ 300 mil. A verba total também será de R$ 3 milhões.
O edital de Difusão de Filmes de longa-metragem terá verba de R$ 3 milhões. Cada projeto inscrito poderá solicitar patrocínio no valor máximo de R$ 400 mil.

Com o edital de Festivais de Música, Cinema e Difusão de Filmes, a Petrobras busca ampliar o espaço de circulação comercial e cultural da produção artística brasileira, incentivando ações formadoras de novos públicos. Os projetos serão selecionados por uma comissão formada por profissionais ligados à área de música e cinema.

O Programa Petrobras Cultural é a frente mais importante da ação de patrocínio da Petrobras na área da cultura. O programa abre inscrição para seleções públicas de projetos nas linhas de Produção e Difusão;
Preservação e Memória; e Formação e Educação para as Artes.

Os projetos contemplados na edição 2008/2009 do PPC nas áreas de Artes Cênicas, Audiovisual, Cultura Digital, Literatura e Música serão divulgados no dia 10 de fevereiro de 2010.

Lula, o Filho do Brasil

dom, 22/11/09
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categoria Cinema
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Glória Pires e os atores que vivem Lula na infância (Felipe Falanca), adolescência (Guilherme Tortolio) e na fase adulta (Rui Ricardo Diaz)

Depois dos tumultos na sessão de lançamento do filme “Lula, o Filho do Brasil”, em Brasília, a pré-estréia do longa-metragem realizada no Centro de Convenções de Pernambuco, em Recife, ocorreu em clima de tranqüilidade e emoção. Familiares e conterrâneos que foram convidados para a exibição especial ficaram emocionados ao verem na tela a história do mais ilustre membro da família, Luís Inácio Lula da Silva.

O Presidente da República, que já havia confirmado sua presença, não compareceu ao evento para evitar novos transtornos. Contudo, atores e atrizes do elenco principal do filme, entre eles Glória Pires, Rui Ricardo Diaz e Juliana Baroni, participaram da exibição e foram assediados por jornalistas, fotógrafos e fãs que prestigiaram o lançamento do vídeo.

“Lula, o Filho do Brasil” tem direção de Fábio Barreto que insistiu em dizer que a produção não tem fins eleitoreiros, como a mídia tem ventilado. “Privilegiamos o lado humano, um tom mais emotivo. O filme, antes de tudo, trata do brasileiro e de sua teimosia; da saga de uma família igual a tantas outras no Brasil. Não falamos do Presidente da República e nem sequer citamos o Partido dos Trabalhadores (PT)”, ressaltou.

De fato, a história evidencia a relação de Lula com três mulheres: além da figura forte da mãe, dona Lindu (Glória Pires), destacam-se sua primeira mulher, Lourdes (Cléo Pires), que morreu grávida de oito meses, e a segunda, atual primeira dama do país, Marisa Letícia (Juliana Baroni). “Vivo uma personagem que passa por uma série de dificuldades, mas vive tudo isso intensamente. O Lula que eu faço não é o presidente. O filme conta um outro momento, fala de um Lula apartidário, de um homem trabalhador e a relação com sua família. Uma história incrível que poucos conheciam e que merece ser contada”, contou Rui Ricardo Diaz, que interpreta Lula dos 18 aos 35 anos.

Com estréia nacional prevista para 1º de janeiro de 2010, “Lula, o Filho do Brasil” percorre os principais pontos da trajetória humana de Lula, desde o árido sertão pernambucano, onde nasceu, à periferia de Santos, onde cresceu, e por fábricas e sindicatos do ABC paulista onde viveu intensas transformações pessoais (como a perda da mulher, do filho e da mãe)  e profissionais (como o emocionante discurso no estádio lotado da Vila Euclides, realizado sem sistema de som, quando 80 mil operários repetiam suas palavras para que todos pudessem ouvi-las, por sinal, uma das cenas mais interessantes do longa).

O roteiro consegue amenizar o caráter político do Lula, não conseguindo delineá-lo com verossimilhança diante o cenário apresentado no filme, especialmente no período da Ditadura Militar. O tom esquerdista comum aos filmes que se passam nesse momento político do país ficou deu espaço para atuação sindicalista.

Essa talvez tenha sido a verdadeira intenção do diretor que, como produtores e familiares de Lula, rebate as críticas de que a obra se trata de um instrumento eleitoreiro. O filme não cita a formação do Partido dos Trabalhadores, que evoluiu das greves de metalúrgicos lideradas por Lula no ABC paulista, no final dos anos 1970.

Curiosidades – Com custo total de R$ 12 milhões, uma das produções mais caras do cinema nacional, o filme “Lula, o Filho do Brasil” deverá ser vendido em DVD a R$ 10. O preço popular proposto pelos produtores e pela distribuidora tem como principal objetivo tentar combater a pirataria.

Existe também a possibilidade do filme de Fábio Barreto virar minissérie para a TV aberta, a exemplo de outros sucessos do cinema como “Ó pai ó”, “Carandiru” e “Cidade de Deus”. Mas, segundo os produtores, é necessário aguardar a estréia nacional do filme.

Anderson Corrêa

Praia Grande das Artes

qua, 28/10/09
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O Centro Histórico de São Luís foi o cenário escolhido pela Secretaria de Estado da Cultura (Secma) para o grande encontro de manifestações artísticas maranhenses que ganharão suas ruas praças, calçadas e teatros. Trata-se do Projeto “Praia Grande das Artes” que propiciará à sociedade maranhense uma vasta programação cultural e reunirá simultaneamente uma gama de atividades que englobam todos os segmentos da arte: pintura, escultura, teatro, música, dança, literatura e cinema. As atividades serão realizadas até sexta-feira, 30, sempre a partir das 18h, nas praças, calçadas, escadarias e casarões do Centro Histórico.

Ao todo estão programadas apresentações de mais de 1000 artistas. Serão 30 grupos de cultura popular, 50 atrações musicais, 50 companhias de dança, 15 mestres da literatura, além dos artistas plásticos que farão exposição de suas obras nas calçadas do Centro Histórico. A culinária diversificada também ficará à disposição do público.

“Pretendemos transformar todo esse espaço em uma grande galeria de arte. Os museus levarão para as ruas as suas obras de artes. As portas e janelas dos casarões servirão como molduras para o acervo. Já a Praça da Casa do Maranhão será totalmente ambientada para receber a literatura, onde ocorrerão lançamentos de livros e conversas com literatos”, esclareceu Claúdio Pinheiro, mentor do projeto.

Turismo – O Projeto “Praia Grande das Artes” tem a missão de criar maior intimidade, não só do ludovicense, mas de todas as pessoas que visitam a cidade com a arte local. “Precisamos ampliar o fluxo de turistas no estado e essa é uma oportunidade ímpar de otimizar a chegada de mais visitantes à cidade. Certamente o Projeto, como o São João 2009 e a Festa da Juçara, na Lagoa da Jansen, terá uma boa aceitação popular e poderemos transformara Praia Grande em um imenso formigueiro cultural”, disse o Secretário de Estado da Cultura, Luiz Bulcão.

Segundo Bulcão, a intenção do Governo é levar o Projeto para outras “praias” no interior do estado. Imperatriz, Balsas, Caxias, Timon, Pinheiro, Santa Inês são alguns dos municípios que devem ganhar futuramente suas próprias edições do projeto.

Programação – 28/10

Praça Deodoro / Praia Grande
17h
– Cortejo do Divino.
Pátio Interno do Centro de Cultura Popular
18h às 22h
– Divino e Tambores de Crioula
Literatura – Praça da Casa do Maranhão
18h – Lançamento de Livros. Noite de Autógrafo, com Alex Brasil, Nauro Machado, Lenita Estrela Sá
Performances com Leitura de Poemas e Texto Literário, Teatrais e Música Instrumental com o Grupo da Pixinguinha.
Artes Plásticas – Rua Portugal, Largo do Comércio e em torno do Mercado das Tulhas
18h
– Obras de Alain Moreira Lima, Ana Borges, Airton Marinho, Marlene Barros e Miguel.
Teatro – Palco do Teatro na Praça Nauro Machado
“Sacada Poética” das Criações Cênicas
“Uma linda quase mulher”, da Cia Deixa de Bobagem
Cinema – Teatro de Arena Beto Bittencourt – Anexo Odylo Costa Filho
20h – “Pelo Ouvido”, de Joaquim Haickel, e “Marisa vai ao cinema”, de Murilo Santos
20h30 – Roda de conversa sobre cinema.
21h – “Reconstrução de um amor”, de Leon Carlx.
Dança – Canto da Cultura
20h
– Sacerdotal Cia de Dança: O beijo
Projeto Bell’as Artes: Pássaro Azul
Arte e Dança Eliane Propp: Dança árabe
Carona Cia de Dança: Coco (Seu João)
Henrique Serra: O príncipe das serpentes
Grupo Pesquisas em Dança: Cotidiano
Grupo Dança “Como Ver”: 3 x Sobrados em Evidência
Projeto Bell’as Artes: Pas de Quatre
Arte e Dança Eliane Propp: Chicago
Móbile Cia. Experimental: Pre(s)ente
Facção Black: Street Dance
Música – Praça Nauro Machado
20h30
– Coral Antonio Rayol
21h – Show “MPM de Raiz”, com césar Teixeira, Chico Maranhão, Chico Saldanha, Josias Sobrinho, Oberdan Oliveira, Sergio Habibe, Wellington Reis.
23h – “Baile das Orquestras” com vários grupos de bumba-meu-boi

À Deriva

qua, 26/08/09
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categoria Cinema, Crítica

a-deriva.jpgDo dicionário: À Deriva significa ficar sem rumo, solto, arrastado. Quantas vezes na vida, essa definição se encaixa perfeitamente em casa, no trabalho ou nos relacionamentos? Essa realidade é a que Filipa ( a estreante Laura Neiva) percebe na sua casa, ou melhor, no relacionamento dos pais Mathias (o francês Vicent Cassel) e Clarice ( Debóra Bloch) no filme À Deriva, escrito e dirigido pelo brasileiro Heitor Dália que já dirigiu Nina (2004), uma adaptação do clássico Crime e Castigo de Fiodor Dostoiévski  e O Cheiro do Ralo (2006), ambos escritos por Lourenço Mutarelli. Se a produção de Dalia tinha ficado ligada ao humor negro do filme anterior ( muito mais bem-sucedido que Nina), a essa imagem foi adicionada uma nova versatilidade; À Deriva é um filme maduro, com bela fotografia, com uma tensão sutil que acontece com o belo pano de fundo das praias de Búzios. Quem assiste sente-se como os personagens, navegando sem rumo, sem destino e com uma vontade de chegar em algum lugar ainda que esse lugar possa trazer mais sofrimento. Destruir uma família aparentemente feliz, talvez seja mais difícil que conviver com pequenos pecados cotidianos. Adultérios, confianças destruídas, amor virando ódio.

Mathias é um bom pai, mas trai a mulher. Clarice bebe demais, é irritada com o marido, mas é uma mãe amorosa. Nesse jogo que une e separa os dois, três filhos, sendo Filipa a mais velha que mesmo percebendo todo o sofrimento em casa, vive um momento interessante da sua adolescência que é o da descoberta do outro, do amor e do sexo.

Ambientado em Búzios, no início da década de 80, para o filme ser um sucesso bastava ter a presença do francês Vicent Cassel, mas a história é muito mais que isso. É uma direção competente, um texto conduzido com maestria por todos, até pela atriz estreante (embora tropece muito no sotaque carioca adolescente).

Várias são as boas cenas, mas destaco a que Vicent Cassel cheio de dor, parte com tudo para uma pilha de louça suja. Eu chamo de louçaterapia e como já dizia Caio Fernando Abreu : “Não há dor que resista a uma pilha de louças para lavar”. É um filme belissímo e com todas as justificativas para merecer os cinco minutos de aplausos de pé no Festival de Cannes.

Quer ver?

Bruna Castelo Branco

Mostra: Os Melhores Filmes do Ano

sex, 21/08/09
por alternativo |
categoria Cinema, Notícia

Profecia dos sapos

Uma boa pedida para a semana são as atrações do Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante em São Luís que trazem música, teatro, dança, artes plástica e cinema para a Capital Nacional da Cultura 2009. A mostra Os Melhores Filmes do Ano levará à telona do Cine Praia Grande dez longas-metragens que mais se destacaram em 2008. A seleção foi feita pelos membros da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ). Os filmes serão exibidos de 25 a 30 de agosto em diversos horários, com sessões gratuitas.

Voltada para a garotada, a Sessão Criança Itinerante também movimentará a ilha com animações aclamadas pela crítica cinematogáfica. São obras de valor artistíco  e adequado para a formação intelectual de crianças e adolescentes, mas pouco exibidas no circuito comercial. As sessões são apresentadas pela equipe do Cineduc, instituição especializada em educação para a imagem.

O projeto oferece também uma palestra para educadores formais e informais com o tema “As múltiplas funções do audiovisual na escola”, cuja proposta é a troca de experiências e informações sobre o tema tão em voga e pouco discutido entre os educadoes.

Veja a programação completa:

Os Melhores Filmes do Ano

25/08, terça-feira
16h – Onde os Fracos Não Têm Vez, 122 min
19h -  Queime Depois de Ler, 96 min

26/08, quarta-feira
16h – Sangue Negro, 158 min
19h – Paranoid Park, 85 min

27/08, quinta-feira
16h – Não Estou Lá, 135 min
19h – Um Beijo Roubado, 97 min

28/08, sexta-feira
16h – Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, 117 min
19h – O Escafandro e a Borboleta, 112 min

29/08, sábado
16h – Wall-E, 98 min
19h – Estômago, 112 min

30/08, domingo
16h – Onde os Fracos Não Têm Vez, 122 min
19h – Debate

Sessão Criança Itinerante

25/08, terça-feira
9h – Palestra para Educadores
14h – O Castelo Animado (119 min)

26/08, quarta-feira
9h – Rota de Colisão (12 min) + Kiriku e a Feiticeira (71 min)
14h – Brichos (77 min)

27/08, quinta-feira
9h – Derrube Jack (8 min) + O Reino dos Gatos (75 min)
14h – O Castelo Animado (119 min)

28/08, sexta-feira
9h – A Profecia dos Sapos (90 min)
14h – Rota de Colisão (12 min) + Kiriku e a Feiticeira (71 min)

29/08, sábado
14h – Derrube Jack (8 min) + O Reino dos Gatos (75 min)
9h – Brichos (77 min)

30/08, domingo
9h – Rota de Colisão (12 min) + Kiriku e a Feiticeira (71 min)
14h – A Profecia dos Sapos (90 min)

Anderson Corrêa

A proposta

qua, 12/08/09
por alternativo |
categoria Cinema

a-proposta2.jpgVocê aceitaria casar com uma pessoa com medo de ser demitido ou, quem sabe, em busca de uma promoção no emprego? Esse é o fio que conduz a comédia romântica A Proposta, ainda em cartaz  no Box Cinemas que traz no elenco Sandra Bullock (em excelente forma física) e Ryan Renolds (sempre belo). No filme, Bullock é a editora de livros Margareth, um tipo da pior espécie de chefe e Renolds é Andrews, o fiel escudeiro que a odeia, mas faz o mesmo trabalho há anos, em busca de uma promoção. De repente, além do trabalho terrivel de cada dia, ele é obrigado a casar com sua chefe que está a beira de ser deportada.   Sem titubear, ela faz a proposta ao rapaz, sem medir consequências e bla bla bla

No entanto, eles precisam de um fim de semana para aprender tudo um do outro e aí que a comédia abre alas para o romance. Tendo como cenário o Alasca, o filme traz comédias daquelas que se vive com famílias numerosas, com uma avô de quase 90 anos e várias situações constrangedoras.

 Clichês de sobra, risos de bobagens, o filme amolece o coração e é uma boa opção para os apaixonados ou quem procura um grande amor urgentemente. Sempre é bom ser feliz, pelo menos quando as luzes estão lá apagadinhas, e se pode esquecer do mundo por trás da sala.

Eu confesso, sem medo de parecer a futilidade em forma de ser humano, eu sempre fui apaixonada por comédias românticas, choro por qualquer bobagem. Gosto de assistir em companhia da melhor amiga ou aconchegada com o namorado. Não é filme para pensar, é só para curtir mesmo. Assista e seja feliz

Quem se interessou veja no Box Cinemas – Sala 2. Sessões (legendado): 14h20, 16h35, 18h55 e 21h20.

Bruna Castelo Branco

Viva à comédia brasileira!

sex, 31/07/09
por alternativo |
categoria Cinema, Crítica

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O cinema brasileiro nunca esteve tão engraçado quanto agora. E quem anda sorrindo à toa não são somente os espectadores que vão ao cinema. As produtoras e toda a equipe técnica dos filmes também têm motivos importantes a comemorar.
É, parece que a crise que ensaiou fazer grandes estragos na economia mundial não trouxe tantos problemas para o Brasil. Pelo menos é o que demonstram os números do cinema nacional. Isso graças à irreverência de três comédias: “Se eu fosse você 2”, protagonizada por Glória Pires e Tony Ramos; “Divã”, com Lilia Cabral; e mais recentemente “A mulher invisível”, vivida por Luana Piovani, ao lado de Selton Melo. Somente no primeiro semestre de 2009, os três longas reuniram nas salas de exibições do país uma platéia de aproximadamente 10 milhões de espectadores, metade do que o recorde nacional alcançado em 2003, com 20 milhões de espectadores.
Nem mesmo os fortíssimos concorrentes conseguiram desviar a atenção dos cinéfilos. Ainda em cartaz, “A mulher invisível” sobrevive bravamente a disputa com “Harry Potter e o enigma do Príncipe”, “O Exterminador do Futuro”, “A proposta”, “Transformers” e, sem falar na animação que arranca gargalhadas de todas as idades, “A era do gelo 3”. É claro que a seminudez de Luana Piovani em planos que realçaram a beleza escultural da atriz contribui para o sucesso da produção. Mas tal feito se deve também às boas, somente boas, atuações do elenco e à trama, que apesar de seguir os moldes da comédia romântica americana, consegue trabalhar de um modo muito particular as divergências amorosas, o que tem agradado bastante às mulheres.
Na trama, Pedro (Selton Melo), depois de separar da esposa, acredita ter encontrado a mulher ideal: Amanda (Luana Piovani), sua bela, amiga e dedicada vizinha. Mas, seu amigo Carlos (Vladimir Blichta), pragmático, não acredita em amor e o desencoraja a investir numa relação com uma mulher que ninguém conhece. O problema é que Amanda não existe.
O filme, dirigido por Cláudio Torres, tem falhas, mas todas são superadas pela impagável Fernanda Torres que, mais uma vez, dá show no quesito irreverência. Sua interpretação é na medida. E por falar nela, a comédia brasileira deve continuar trazendo bons lucros ao país com a estréia, no segundo semestre, de “Os Normais 2”, com Luís Fernando Guimarães.
De qualquer forma, vale assistir ao filme e prestigiar o cinema nacional.

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Anderson Corrêa



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