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Lena Machado, cantora maranhense

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Por Anderson Corrêa

De 2009 a 2010, a cantora Lena Machado voltou a cursar Jornalismo, depois de um tempo dedicado somente à música, gravou seu mais novo CD, “Samba da Minha Aldeia”, com composições de artistas maranhenses, e agora se prepara para lançar o álbum em show hoje, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol – Centro). Misturando samba, baião e choro, Lena mostra as ricas raízes do estado e faz música pop contemporânea de qualidade nesse seu segundo trabalho produzido, no Maranhão, e finalizado, em Fortaleza. E foi para falar dessa nova fase da carreira que a cantora conversou com O Estado.

O Estado – O diferencial de “Samba da Minha Aldeia” está na sintonia do samba com a música popular maranhense. Como você vê o samba produzido no estado?

Lena Machado – O samba do Maranhão tem uma história forte. Por ser um estado de maioria negra, percebemos que a arte percussiva do estado é bastante presente, e, no samba, isso é bastante evidente. A gente sempre vê no samba maranhense características de raiz negra, influências do tambor de crioula, do lelê, de grandes manifestações arraigadas em nossa cultura, mas muitas pessoas, no entanto, esquecem que o Maranhão faz parte do Brasil, de um todo, que igualmente tem traços das culturas negra, indígena, européia, que foram fundamentais para construir uma linguagem própria dentro do gênero.

O Estado – E como isso se faz presente no segundo CD?

Lena Machado – As 12 faixas do CD foram compostas por maranhenses, por isso é perceptível o samba entremeado pelo toque de mina, pelo ritmo cadenciado dos blocos tradicionais e a batida dos Fuzileiros da Fuzarca, que são mestres no que fazem. Mas tudo aparece como pequenas citações nas músicas. Isso não significa dizer que esse trabalho seja porta-voz do folclore, mas sim valoriza a tradição, dialogando com o novo. Posso dizer que o CD seja multicultural, multimusical.

O Estado – Isso explica o título do CD?

Lena Machado – Nós temos uma identidade. Vivemos em uma aldeia, mas que não necessariamente está isolada. Estamos linkados, ligados ao mundo, influenciado pelo que vem de fora. E essa mistura foi aceita e compreendida em outros estados. O CD está sendo muito comentado lá fora. Recentemente, esteve entre os cinco melhores da semana no blog do Nelson Mota (http://sintoniafina.uol.com.br). Para mim foi importante ter sido referenciada por ele, que é um papa da música popular brasileira. Segundo ele, o repertório mesmo sendo todo de compositores locais é muito bom, e sem soar regionalista. Fiquei lisonjeada.

O Estado – E esse novo show, como ele está sendo preparado?

Lena Machado – Tive o apoio da Rubber Produções para pensar o show. Mas eu também estou ousando como produtora, dando algumas sugestões, o que dá uma trabalheira danada (risos). O concerto terá um cenário especial, que remonta à cultura maranhense, um pouco diferente do show que fiz em abril, em homenagem a Clara Nunes. No repertório estão as 12 músicas do CD com arranjos de Luís Jr., que também assina a direção musical do espetáculo, além de três outras canções, também de autoria de compositores locais. Uma do saudoso mestre Antônio Vieira, uma de Chico Saldanha e outra de Chico Maranhão.

O Estado – E quem vai acompanhar você no show?

Lena Machado – Teremos participações muito especiais. Terei o prazer de cantar com Célia Maria, Leo Spirro, Aquiles Andrade, Chico Saldanha e Patativa. Já a superbanda é formada por alguns dos músicos que tocaram comigo no CD e alguns convidados. No palco estarão Rui Mário (acordeon), Robertinho Chinês (cavaco e bandolim) João Paulo (baixo), George Gomes (bateria), Elton (flauta e sax), Vieira (trompete) e Vanderson (percussão).

O Estado – Você pensa em levar esse show para outras regiões do país?

Lena Machado – Ainda estamos costurando alguns diálogos com produtores culturais, com rádio, revistas, gravadoras da linha de produção alternativa e com programas de TV, como o Conversa Afinada, da TV Brasil, mas ainda nada de concreto. Estamos primeiro pensando na divulgação do CD. Estou recebendo muitas críticas construtivas do Sudeste do país, de Curitiba e de Brasília. “Colher de chá”, de autoria de Patativa, está tocando muito por lá. A gente sabe que é muito difícil para quem produz de forma independente divulgar e conseguir êxito com seus trabalhos. O artista tem dois caminhos árduos a tecer. O primeiro é da produção do álbum e o segundo é a de captação de recursos para a distribuição e divulgação do CD. Não é fácil consegui parcerias e patrocinadores que acreditem em nosso trabalho. Por isso tenho de agradecer a TVN que tem me apoiado ao longo desse projeto.

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