Morte do ‘campeão’ Juracy Vieira deixa uma lacuna no esporte do Maranhão
O Esporte, o futebol, a crônica esportiva, a cidade de São Luís e o Maranhão perdem Juracy Vieira, em meio às cinzas do carnaval. Uma lacuna se abre, uma história se encerra, um fim chega para um campeão.
Juracy e eu sempre nos respeitamos. Vivemos momentos maravilhosos no futebol maranhense, brasileiro e mundial. Eu, pelas Rádios Educadora, Ribamar e Mirante e ele, pelas rádios Educadora, Ribamar e Difusora. Em 1986, em Guadalajara, na Copa do Mundo do México, eu, Magno Figueiredo e Haroldo Silva, representávamos a Rádio Educadora. Herberth Fontenele era da Rádio Ribamar. Juracy Vieira trazia as notícias da Copa pela Rádio Difusora. Trabalhamos em vários jogos da copa e vimos o Brasil ser eliminado pela França.
Juracy sempre foi muito prestativo, brincalhão e, acima de tudo, um grande profissional que, aonde chegava, abria portas.
Pela vontade de Deus, chegou ao Maranhão e aqui criou os filhos. Viu a família crescer e morreu. Cumpriu muito bem o ciclo de vida na terra.
A Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Maranhão (ACLEM), Federação Maranhense de Futebol (FMF) e a governadora Roseana Sarney, divulgaram nota de pesar pelo falecimento de Juracy Vieira, “o Campeão”, como era carinhosamente chamado pelos colegas e pelos incontáveis fãs que acumulou ao longo da carreira.
Velório
O corpo de Juracy Vieira está sendo velado na Funerária Jardim da Paz, que fica na Travessa Clóvis Bevilácqua, próximo ao CEUMA III, no bairro do Anil e será enterrado no cemitério Jardim da Paz, na Estrada de São José de Ribamar, nesta sexta-feira(24/02), às 16h00.
Recebi esta crônica do meu amigo/irmão José Oliveira Ramos, a quem muito admiro, pelo profissionalismo, memória e senso de justiça. Obrigado por este testemunho.
Juracy Vieira – Por Oliveira Ramos
Foi quando a segunda Guerra Mundial se aproximava do fim, nos meses de fevereiro e março de 1945, enquanto morriam 6.000 soldados norte-americanos e 20.000 japoneses numa luta desumana pelo controle de uma ilha, no Brasil, mais precisamente em Teresina/PI, na Avenida Campos Sales, 1.555, vinha ao mundo Juracy Vieira da Silva que, 25 anos depois, estaria lado a lado, ombreando os maiores e mais importantes narradores de futebol do Brasil.
46 dias após o nascimento de Juracy Vieira, isto é, no dia 30 de abril de 1945, Adolf Hitler cometeria suicídio no seu bunker de Berlim. Hitler acabara de nomear Karl Doenitz seu sucessor como Chefe de Estado que, mais tarde decidiu render-se. Mas foi Alfred Jodl, general representante de Karl Doenitz, quem assinou a rendição incondicional de todas as forças armadas alemãs ao comparecer ao Quartel-General de Eisenhower, em Reims, no dia 7 de maio de 1945.
E, quem nasce numa efervescência dessas, não pode ser alguém sem importância. Muito jovem ainda, Juracy Vieira ingressou na Rádio Clube de Teresina, contratado como narrador esportivo. O nome e a fama correram mundo espraiando-se pelo Nordeste. A boa nova chegou aos ouvidos de Paulo Câmara, então Diretor da Rádio Nordeste de Natal, e Juracy Vieira mudou de mala e cuia para a capital espacial, integrando-se definitivamente ao “cast” de uma das maiores e mais importantes equipes de esporte do Nordeste.
A década de 60 se aproximava do fim, e o rádio esportivo do Brasil, que assumira lugar de destaque em 1958 com a conquista da Copa do Mundo, na Suécia, estava em expansão, todos brigando pela audiência que, como retorno, trazia status e bons salários.
Dono de audiência inconteste não apenas em Natal, mas em todo Rio Grande do Norte, Juracy Vieira atravessava fronteiras, ficava famoso e, numa rotina dos bons e competentes, foi contratado pela Rádio Poti de Natal, na época, uma das fortes células dos Diários Associados no Rio Grande do Norte.
E Juracy Vieira já figurava no rol dos mais vibrantes e melhores narradores esportivos do Brasil quando foi contratado a peso de ouro pela Rádio Cabugi de Natal (atual Globo Natal), onde conheceu nomes como José Lira e Hélio Câmara.
O trabalho alimenta a competência e esta leva à fama. Pois foi assim que Juracy Vieira da Silva foi contratado pela Rádio Olinda de Pernambuco, onde era Diretor de Esportes o não menos famoso Aldir Dudman que, esperto, preferia ter Juracy Vieira ao seu lado, no mesmo prefixo, que correr o risco de perder audiência, fato que aconteceria normalmente, tivesse o piauiense ingressado noutro prefixo da capital pernambucana. Na Rádio Olinda, Juracy começou a fazer parte da Cadeia Verde Amarela de Rádio e entrou definitivamente no “hall” da fama dos maiores narradores de futebol do Brasil.
Mas foi na Rádio Repórter de Recife, levado por Gilson Corrêa, que Juracy Vieira conquistou definitivamente espaço em meio e ao lado de feras como Oduvaldo Cozzi, Doalcei Bueno de Camargo, Geraldo José de Almeida, Fiori Giglioti, Ivan Lima – que tem lugar cativo entre os três maiores narradores de futebol do Brasil em todos os tempos – Jorge Cury, Waldir Amaral e até dos mais jovens como Osmar Santos, Dirceu Maravilha, José Silvério e Nilson César.
Com o final da Copa do Mundo de 1970 o rádio esportivo estava em êxtase. O regime político vigente dificultava ações e, embora fosse extremamente monitorado, o rádio tinha sua importância. E no Maranhão a importância do rádio não era diferente. Rádio Ribamar, Rádio Educadora, Rádio Difusora, Rádio Timbira, Rádio Gurupi brigavam pela audiência e, no esporte, onde as figuras de destaque eram Jafé Nunes, José Nunes, Fernando Souza, Luciano Silva, Osmar Noleto, Jota Alves, José Santos, Herbert Fontenele, Guioberto Alves, José Carlos de Assis, garantia o primeiro lugar quem tinha mais competência e ousadia.
E foi num rasgado gesto de ousadia que a Rádio Educadora trouxe de Recife o narrador Juracy Vieira. Para assinar contrato com a emissora do Clero, Juracy Vieira ganhou de “luvas” um Karmanghia e passou a fazer parte do time comandado por Oliveira Ramos. Narrador consagrado, Juracy passou a ser um dos mais altos salários do rádio esportivo maranhense.
A competência, a maturidade e, sobretudo, a vontade de vencer, levaram Juracy Vieira a procurar vôo mais livre. E ele aportou, ainda que provisoriamente, na Rádio Ribamar, fazendo dupla com o mineiro Luciano Silva numa equipe que ainda tinha Osmar Noleto, Herbert Fontenele e outros.
Em 1978, finalmente, Juracy Vieira chegou à Rádio Difusora para trabalhar na equipe chefiada por Fernando Souza e lá encontrou Carlos Alberto Lima Coelho, José Santos, Edy Garcia, Jota Alves, Luciano Silva, José Branco e até Adolfo Vieira.
… Foi na Rádio Difusora, comandada pela família Bacelar, onde Juracy Vieira permaneceu mais tempo. Teve também uma rápida passagem pela Rádio São Luís.
Graça e Paz!!
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5 março, 2012 as 13:10
Juracy, estimado Juracy,
Acho que só falar em esporte, viver o esporte, incentivar o esporte é nota 10.
Jogos e mais jogos transmitistes, locutor dos bons
Um piauiense, mas do que nunca um maranhense
Radicado, aqui ele viveu o esporte por muito tempo, viveu
A maior audiência do radio maranhense, e quantas das vezes entrevistou
Yuri um atleta de ponta do karate. Descanse em paz