Comunicação: o preço de cada um
Uma ação por abuso de poder político, de comunicação e econômico que tramita no TRE revela um dos mais bem guardados segredos do Governo José Reinaldo Tavares: quanto ele gasta com a comunicação. Documentos da Assessoria de Comunicação do Governo, anexados ao processo, mostram que a administração estadual tem despesa de quase R$ 1,5 milhão por mês com órgãos, veículos, empresas de comunicação e jornalistas.
Uma planilha de setembro de 2005 revela que o Sistema Difusora era um dos mais bem aquinhoados com R$ 427 mil incluídos aí débitos atrasados – , o jornal O Imparcial vinha em seguida com R$ 310 mil, “Sistema Roberto Rocha” (R$ 200 mil) Jornal Pequeno (R$ 160 mil) e até o Sistema de Rádio do próprio governo embolsava R$ 100 mil. Veja abaixo cópia dos documentos.
Não se está fazendo aqui qualquer denúncia contra esses órgãos e jornalistas que aparecem na folha palaciana, pois todos estão trabalhando e recebendo pelo trabalho realizado, o que é justo. O que se quer é mostrar como e com quem o governo gasta o dinheiro público. Na papelada, aparece até uma pauta onde se pede a produção de uma matéria com os fortes indícios de que uma onda crescente ameaça o domínio do grupo Sarney no Maranhão.
É fundamental documentar com imagens paredes com pichações, adesivos e camisetas que trazem indignação popular neste momento de agora ou nunca (Xô, Rosengana e MentiRosa), orienta a pauta. Nela é sugerida entrevistas com Moisés Matias e os professores Chico Gonçalves e Arlete para que falem sobre a onda anti-sarneyzista. Ou seja, o movimento contra a candidatura Roseana sendo parido e financiado pelo Palácio dos Leões em favor de Jackson Lago (PDT).
Nos documentos há também processos onde a Malmann Marketing, a agência que atende o governo, pede indenização por serviços realizados no valor de R$ 3,6 milhões. Estão lá uma entrevista produzida pela Assessoria de Comunicação do Governo com a ex-primeira-dama Alexandra Tavares, publicada em O Imparcial, inclusive com sugestão de título. Mais: uma carta do governador José Reinaldo aos prefeitos sugerindo a leitura da revista Carta Capital com reportagem de capa contra a família Sarney.
E por fim uma carta da secretária Flávia Regina (Comunicação) para o diretor comercial de O Imparcial, Paulo Maurício, onde ela pede mais destaque do matutino com os assuntos do governo. Leia abaixo dos documentos.


Carta de Flávia Regina para Paulo Maurício
Caro Paulo Maurício,
Como responsável pela Assessoria de Comunicação do Governo do Maranhão tenho recebido inúmeras críticas com relação à postura dos jornais de São Luís, que gostaria de dividi-las com você e com todos os veículos que mantermos (sic) relações comerciais. As críticas e sugestões são de membros do governo e até de leitores comuns, pessoas que não possuem nenhum vínculo com o Poder Público.
Sei da seriedade e competência de sua equipe, com nomes que contribuem muito com nossa profissão como Praseres, Célio Sérgio, Ernesto Batista, Borges e outros. Porém, a opinião generalizada que chega até mim, insistentemente, é a de que O Imparcial não tem se destacado editorialmente como merece.
A capa de hoje, com destaque a uma atropelamento (!), em detrimento de uma notícia de enorme repercussão, como a reação de um chefe de Executivo ao poderio de uma das mais lucrativas empresas brasileiras, a CVRD, é , no mínimo, esquisita.
Outra crítica que tenho recebido é quanto ao número insignificante de páginas de O Imparcial. Há quem diga que bastam poucos minutos para se folhear e ler todo o jornal. A ausência de um caderno de Cultura também é fator de reclamação geral, opinião também partilhada por mim que não advogo apenas em nome dos interesses do Governo, mas também a favor do engrandecimento da imprensa maranhense. O Caderno X, excelente produto do jornal, sob a responsabilidade do jornalista Alex Palhano, mereceria sua versão diária, reduzida obviamente, em função das limitações industriais.
E, finalmente, gostaria muito que estas observações fossem levadas em consideração em sua avaliação. O Imparcial precisa honrar a tradição de seu nome e fazer por merecer a verba publicitária do Governo do Maranhão que, para seu conhecimento, é a segunda maior destinada aos veículos de comunicação de todo estado embora há quem, no próprio governo, considere ser um recurso investido com pouco retorno.
Atenciosamente,
Flávia Regina.
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