Formulário de Busca

Professor Teixeira abre o jogo sobre grampo encontrado no gabinete de Jackson no Palácio

dom, 25/02/07
por Décio Sá |
categoria Sem Categoria

Conversei agora há pouco com o professor Raimundo Teixeira de Araújo (à esquerda, na foto de Biné Morais ao lado do cel. Cavalcante), ex-chefe do chefe o Centro de Inteligência do Maranhão, a popular Abinzinha. Ele me recebeu em sua casa no Parque Amazonas acompanhado do coronel Marcos Cavalcante, seu adjunto no órgão.

Professor Teixeira, como é mais conhecido, falou sobre o grampo encontrado no gabinete do governador Jackson Lago no Palácio dos Leões, noticiado em primeira mão aqui há 20 dias e esta semana na revista “Época”.

Para ele, houve “conivência e conluio” do Gabinete Militar do Governo no episódio. Ele afirma que teve conhecimento através de informantes no governo que a pessoa que localizou o grampo procurou o Gabinete Militar e ouviu de alguém do setor como resposta “pois faça de conta que você não viu”.

“Se me chamarem lá eu descubro em dez minutos (quem fez o grampo). Para fazer aquilo alguém viu e alguém permitiu. Vou dizer mais: já sabem ou já devem saber”, afirma. Leia a seguir alguns trechos da entrevista que será publicada na íntegra na edição desta segunda-feira de “O Estado do Maranhão”.

Pergunta – O que o senhor sabe do grampo colocado no gabinete do governador?
Teixeira – Com certeza não foi colocado pelo pessoal do serviço de inteligência do estado. Nem do Centro de Inteligência das Polícias Militar e Civil. Nós não seríamos burros de fazer uma coisa dessa, sair do governo e deixar a prova. Esse grampo deve ter sido colocado por essas inteligências privadas que existem por aí. Agora, digo com certeza: a falha foi do Gabinete Militar.

Pergunta – Por quê?
Teixeira - Porque entrar no Palácio (dos Leões) e fazer aquilo sem o conluio da Casa Militar é quase impossível.

Pergunta – Como homem de informação, o senhor não sabe de mais nada sobre esse grampo?
Teixeira - Houve uma investigação no Palácio, alguém foi ouvido – que eu não sei quem foi – e disse: “não, isso aí (o grampo) é coisa antiga”. Alguém subiu lá (no forro) para fazer manutenção, descobriu o equipamento e disse: “esse equipamento está aí há muito tempo, há mais de ano”. Aí disseram para ela “pois faça de conta que você não viu”. Isso eu tomei conhecimento. A Polícia Federal tem conhecimento desse fato.

Pergunta – A colocação desse aparelho sofisticado de escuta demandou um tempo grande para a instalação.
Teixeira - Aquele aparelho encontrado foi uma falha da segurança física do Palácio, que é feita pelo Gabinete Militar. Eu acredito que aquilo só pode ter sido colocado em conluio ou conivência com o Gabinete Militar. Não pode ter sido colocado clandestinamente. Não sei se nesse governo, no passado ou de qualquer governo. Esse equipamento foi colocado porque houve facilidade, falha de segurança e instalado por essas inteligências privadas que existem por aí. Quem pode descobrir isso é a Polícia Federal. Se eu tivesse lá eu já saberia. Mas nosso órgão de inteligência foi desativado dia 14 de dezembro.

Pergunta – Existem mais detalhes desse episódio que o senhor tomou conhecimento quando “alguém” foi ouvido nessa investigação sobre o caso?
Teixeira - Sou professor das Academias das Polícias Civil e Militar do Maranhão e eu tomo conhecimento através das fontes que eu protejo e você como repórter protege as suas. Tomei conhecimento através de informantes que foram alunos meus. Eles presenciaram quando a Polícia Federal nessa investigação interrogou alguns funcionários do Palácio e esses funcionários disseram que esses equipamentos estavam lá em cima (no forro) há muito tempo, antes de nossa chegada ao governo. E que essa pessoa ao subir e ver pela primeira vez o equipamento informou ao Gabinete Militar do governo – eu não sei quem era o chefe – e o Gabinete Militar disse que “faça de conta que você não viu”. Foi isso que eu soube. Se é verdade ou não, a Polícia Federal que investigue.

O Estado – Então, está fácil descobrir quem fez esse grampo?
Teixeira - Se me chamarem lá eu descubro em dez minutos. Eu descubro ligeirinho, é fácil. Para fazer aquilo alguém viu e alguém permitiu. Nós não descobrimos porque não tínhamos equipamentos, não íamos nem lá (no Palácio dos Leões) e nem cabia a nós essa tarefa de varredura de escuta de ambiente. Uma pessoa experiente leva no mínimo três a quatro horas para instalar um equipamento desse. Se foi um amador leva muito mais tempo. Quanto mais tempo leva é porque houve a conivência de alguém. A Polícia Federal só não descobre se não quiser. É só reunir fulano de tal que estava de serviço na época e pronto – o cara sabe logo, na hora. Vou te dizer mais: já sabem ou já devem saber.

2 Comentários para “Professor Teixeira abre o jogo sobre grampo encontrado no gabinete de Jackson no Palácio”

  1. 1
    Anônimo:

    Grande trabalho,caro Décio,só faltou vc perguntar ao “professor” a quem interessaria ouvir e gravar as conversas do ex-governador e o atual. Quem é a pessoa no Gabinete Militar que facilita isso. Releia o artigo do Pres.Sarney sobre o ex gov. Ele diz que tem gravações que ia comprometer Zé Reinaldo, que mostrava as mazelas do governo dele.Como ele consegui isso?? Como seu assíduo leitor,gostaria desta informação.Abs Carlos Eduardo.

    Resposta: Pelo que me pareceu durante a entrevista, o Professor Teixeira tem forte suspeita do autor do grampo, mas como não tem provas preferiu não declinar nomes. Quanto à gravação que o senador Sarney faz referência em seu artigo isso é muito fácil de explicar. O próprio prefeito pode ter gravado colocando um pequeno gravador no bolso ou mesmo um celular.

  2. 2
    jfrancisco:

    Depois do que disse esse tal de Texeira, o cara é mesmo danado, pô ainda não sei como esse povo conseguiu ganhar a eleição dele.Acho que Bita mudou de lado, talvez deram o calote nele hein!

Comentar

deixe seu comentário



Formulário de Busca


2000-2014 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade