Reportagem de Wilson Lima e Bruna Castelo Branco, em O Estado do Maranhão desta segunda-feira, confirma o que dissemos aqui: o tal Carnaval da Maranhensidade é um verdadeiro fiasco de público. Leia a reportagem e tire suas conclusões.
Circuito dividido esfria Madre Deus
Quando foi lançada a proposta de se realizar o Carnaval da Maranhensidade, a Secretaria de Cultura tinha dois grandes objetivos: o primeiro resgatar os antigos carnavais das décadas de 50, 60 e 70, que arrastavam centenas de pessoas atrás dos corsos e seus blocos de sujos. E o segundo: diminuir a grande concentração de pessoas na Madre Deus, sob a alegação de proporcionar mais segurança ao folião.
Pois bem, o sábado de Carnaval foi o primeiro termômetro de que pelo menos um dos objetivos foi atingido: com a divisão do circuito oficial do Centro/Madre Deus em três (dois para os blocos ditos tradicionais e um para os alternativos), os foliões ficaram divididos e o que se verificou foram verdadeiros vazios humanos nos três pontos de maior concentração de pessoas: circuito de São Pantaleão, Praça João Lisboa/Praça do Caranguejo e Secretaria de Cultura/ Convento das Mercês.
Um dado curioso: às 23h de sábado não havia mais movimentação em 80% do circuito praça João Lisboa/praça do Caranguejo (circuito para blocos alternativos). Em outros carnavais, nesse horário era verificado o ápice da festa. Além disso, a chuva intermitente de sábado também contribuiu para afastar os foliões do centro de São Luís.
Um outro exemplo do esvaziamento do circuito Madre Deus foi o Ceprama. Um dos locais com maior concentração de pessoas em outros anos, foi o retrato desse novo Carnaval. O show Som do Mará, uma reunião de músicos maranhenses como Daffé, Tutuca e Josias Sobrinho, realizado por volta das 22h30, por exemplo, teve um público exíguo, apesar da trilha de primeira qualidade.
Sinceramente, não sei por que dividiram o circuito em vários. Quando cheguei aqui, pensei que o Carnaval tinha acabado, mas, depois foi que me disseram que ele foi apenas desmembrado, lembrou a estudante Viviane Cordeiro, de 25 anos. Mas houve gente que gostou das modificações. Até agora, tínhamos dúvida se o circuito iria funcionar ou não. Na prática, ele funcionou, rebateu o líder comunitário Válder Henrique, da região da Macaúba.
Desfiles
A visão da Madre Deus era completamente diferente da verificada em outros anos. A volta dos corsos deu um novo colorido à festa, ainda que a animação não tenha sido a mesma de outros blocos. Sábado, por exemplo, os corsos da Melhor Idade e da Cohab foram dois que se destacaram no circuito Macaúba-Madre Deus.
Sem o desfile das grandes brincadeiras como Vagabundos do Jegue, Cordão do Ponto Com e Confraria do Copo, a animação no circuito Madre Deus ficou por conta das bandas e de pequenos blocos formados pela própria população.
Um exemplo foi o bloco Vai Quem Quer, que arrastou centenas de pessoas pela região. O bloco, formado por comerciários, já tem quase cinco anos de existência e conseguiu puxar centenas de pessoas para a praça da Saudade apenas com uma pequena banda de música, semelhante à Bandida. Foi um dos poucos momentos em que houve, de fato, uma procissão de alegria pelo circuito.
Apesar do clima mais ameno em relação a outros carnavais, houve folião fantasiado na Madre Deus, ainda que em menor número. Foram poucas as pessoas que se arriscaram a vestir a fantasia.
Nem bem iniciou o Carnaval, decoração já começa a cair
Dois dias após a abertura oficial do Carnaval de rua, a decoração da Madre Deus, montada pela Prefeitura de São Luís para dar um clima de festa à cidade durante a folia momesca, já começa a demonstrar sinais de pouca resistência.
Ontem de manhã já era possível observar o desgaste da decoração, alguns dos fofões feitos de madeirite, que simbolizam a decoração deste ano, já foram arrancados da estrutura de ferro ou estão se quebrando.
No Caminho da Boiada, em três pontos onde deveria ter a decoração, se vê apenas a estrutura de ferro. Um dos fofões que se soltou da estrutura de ferro foi deixado na calçada. Não sei se ele caiu ou foi arrancado, mas acho que essa estrutura não resiste até o fim do Carnaval, afirmou a comerciante Joana Maia.
Na praça da Saudade, em muitos pontos, apenas a parte de cima da decoração, uma armação metálica com pipas, ainda está firme. Em todo o circuito da Madre Deus é possível observar vários fofões com a estrutura danificada como a madeira que compõe a lateral do boneco, descolada da estrutura de ferro, o que pode representar um risco para os brincantes.
Esses pedaços ficam descolando e pode até ficar arriscado, pois alguém pode pegar para usar como arma, preocupou-se a estudante Maria Célia Azevedo.