
O ex-vereador de Presidente Vargas Boaventura Mendes deu uma longa entrevista hoje à tarde (quarta-feira, 30) ao programa Abrindo o Verbo, apresentado por Geraldo Castro, na Mirante AM. O que ele disse em resumo.
Cheques para compra do terreno
Confirmou ter participado da negociação para a compra de um terreno avaliado em R$ 280 mil como representante do proprietário, o empresário Francisco de Assis Teixeira Lopes.
Segundo ele, o deputado Soliney Silva (PSDB) comprou o terreno usando seis cheques de R$ 30 mil da Prefeitura de Presidente Vargas que ele recebeu como pagamento de uma dívida do colega Paulo Neto (PSB) a quem emprestava dinheiro a juros de 10%.
O restante do pagamento foi feito com uma caminhonete avaliada em R$ 50 mil e outros cheques totalizando mais R$ 50 mil. Quatro cheques foram descontados porque dois deles foram resgatados pelo prefeito assassinato Bertin.
Um dos cheques teria sido trocado pelo empresário com um agiota de Tianguá (CE). A venda do terreno foi feita em 2005 e o documento foi lavrado Cartório de Tito Soares.
Caminhonete foi outro negócio
Boaventura explicou que a história contada por Soliney na Assembléia dando conta que usou os cheques na compra do terreno depois de vender uma caminhonete para Bertin não é verdadeira.
Segundo ele, esse foi outro negócio envolvendo os dois parlamentares com cheques da prefeitura. Na verdade, Paulo Neto comprou o veículo de Soliney com cheques do município de Presidente Vargas e alugava essa mesma caminhonete para o próprio Bertin por R$ 3,5 mil por mês.
O ex-vereador afirmou estar disposto inclusive a fazer uma acareação com Soliney para provar o que está dizendo.
Assembléia garantia negócio
Temendo ver os cheques voltarem sem fundos, Boaventura disse a Soliney que não queria fechar o negócio com os cheques assinados por Bertin.
Aí ele (Soliney) disse não! Os cheques sou eu quem estou dando. Troco para o Paulo Neto a juros de 10% porque quem vai cobrir é o prefeito. Se o prefeito não pagar eles vão ser descontados na tesouraria da Assembléia, porque ele é meu colega de trabalho.
Corrupção na prefeitura
O ex-vereador confirmou que toda a corrupção na prefeitura era comanda pelo esquema do deputado Paulo Neto e seu irmão Josa. Eles teriam desviado 2,5 km de asfalto de um convênio de 3km recebido do Governo do Estado para Mata Roma.
O material foi utilizado para asfaltar a rua do pai do deputado, o ex-prefeito João Bernardo Neto. Noutro episódio, ele presenciou Josa comprando uma pá-carregadeira com cheques de Presidente Vargas.
Morte do prefeito
Boaventura fez questão de ressaltar não saber da participação de Paulo Neto como mandante da morte de Bertin. No entanto, declarou não ter dúvidas que a roubalheira no município foi o principal motivo do assassinado do prefeito.
Ameaças de morte
Ele garantiu estar fazendo essas denúncias de forma espontânea. Também relatou ter recebido ameaças de morte. Mas deixou claro que se alguma coisa vier lhe acontecer tem dois deputados interessados em silenciá-lo.