*Comunista diz que Frente de Libertação não pode ser dogma de fé

Flávio Dino diz que o PSDB é apenas um aliado tático para tarefa específica
Na primeira entrevista coletiva que concedeu como pré-candidato a prefeito já com o apoio do PT hoje (segunda-feira, 28) pela manhã, o deputado Flávio Dino (PC do B) mirou no possível adversário tucano João Castelo, no seu partido, o PSDB, e no PDT do governador Jackson Lago. A estratégia é visível: tentar polemizar com quem ele acha que serão seus adversários no caminho para um segundo turno.
Dino criticou principalmente o ex-governador pela construção dos conjuntos Maiobão e Cidade Operária em área distante entre 30 km e 40 km do centro de São Luís. Segundo ele, a localização prejudica os operários que têm de fazer grandes deslocamentos para chegar aos seus locais de trabalho.
Para o deputado, essa é uma das causas do congestionamento na capital. O comunista criticou a implantação de grandes projetos como Alumar. Quando da implantação da empresa, Castelo defendia que ela traria grande desenvolvimento ao Maranhão. Questionou ainda a obra do Castelão.
Nós vamos deixar isso claro no debate que travaremos com o Castelo: ele mantém a visão administrativa que tinha quando foi governador? É correto construir dois conjuntos populares a 30 km, 40 km distante do Centro? O Castelão é uma obra prioritária?.
Ele criticou a hegemonia do PSDB no governo Jackson Lago. O PSDB é um aliado tático numa tarefa específica: eleger o governador e manter a governabilidade. Mais entre nós e os tucanos há muitas contradições programáticas, explicou.
O pré-candidato disse não aceitar o predomínio do PSDB na administração estadual, mas isso não implica dizer que o PC do B queira romper a aliança com o PDT. Compreendemos que esse é um governo heterogêneo. É uma aliança entre diferentes. A nível nacional nós apoiamos o governo do presidente Lula. O PSDB sabota, avaliou.
Tadeu Palácio
Dino disse que não vai fazer oposição ao prefeito Tadeu Palácio, a quem ligou logo após a oficialização do apoio do PT ao seu nome. No entanto, criticou a falta de planejamento, o sistema de trânsito e transporte e o setor de saúde de São Luís.
O comunista citou o fato das duas últimas avenidas construídas na cidade terem sido obras da então governadora Roseana Sarney (PMDB): a Luís Eduardo Magalhães e Ferreira Gullar.
Falta planejamento. O último prefeito que planejou São Luís foi Haroldo Tavares na década de 70. Temos de construir novas avenidas e não só pintar faixas e instalar semáforos. Temos de aprofundar as conquistas do governo Tadeu Palácio, assinalou.
Frente de Libertação
Dino também criticou a defesa feita em torno da reedição da chamada Frente de Libertação do Maranhão, apelidada de Frente da Traição.
A Frente de Libertação não pode virar um dogma de fé. Foi uma aliança para garantir uma vitória eleitoral do governador Jackson Lago e a governabilidade. Fazer disso uma moldura e uma caixinha e botar essa realidade dentro dessa caixinha não dá, explicou.
O deputado disse esperar receber o apoio da ala derrotada do PT no encontro de domingo, liderada pelo deputado Domingos Dutra e pelo sindicalista Bira do Pindaré.
O pré-candidato classificou de injustas as críticas de Dutra ao afirmar, durante o encontro, que ele era um candidato burguês e não tinha apoio popular. O Flávio Dino chegou ontem, teve massa de dinheiro, José Reinaldo por trás (para se eleger deputado) e não tem base popular, declarou o petista.
O Dutra está sendo injusto porque há 25 anos eu luto com os movimentos populares. Estive apoiando a candidatura dele a governador em 1990. Fui um dos deputados mais votados em São Luís, ficando inclusive à frente dele. O pessimismo e ceticismo de Dutra serão superados e ele vai estar junto conosco. Se ele falou isso, foi no calor das discussões, afirmou.
Para fugir da pecha de candidato burguês, Dino disse ter estudado no Jardim de Infância Dom Francisco, na Praça da Alegria, Centro da capital. É uma escola do município, enfatizou.

Na década de 80, à frente do DCE, o hoje deputado comanda protestos na UFMA
Como o pré-candidato anda querendo resgatar um pouco de sua história de envolvimento na luta popular, o blog resolveu dar uma forcinha através da foto acima. Foi tirada nos anos 80 e faz parte do arquivo pessoal do repórter fotográfico Biaman Prado, na época trabalhando no falido Jornal de Hoje, de propriedade do ex-governador João Castelo.
Mostra o então presidente do DCE da Ufma (de óculos no meio da confusão) durante apoio dos estudantes ao protesto de professores em greve da universidade. A confusão aconteceu na porta da reitoria comandada por Cabral Marques, que chamou a PM. Por pouco, ele não leva umas cacetadas da polícia do então governador do PDS.