Sarney tenta evitar CPI do MST
Brasília – O presidente do Senado, José Sarney (PMDB) é o mais novo aliado político do Movimento Sem Terra (MST), contra a instalação da CPI mista já protocolada, que a oposição tenta instalar na Câmara e Senado. Depois de fazer um discurso inflamado no plenário semana passada contra a demonização do MST, ontem Sarney participou de um ato preparado no gabinete da Presidência pela frente parlamentar da Terra, com representantes dos sem-terra, parlamentares do PT e PSOL, e até o presidente da UNE Augusto Chagas.
No encontro, Sarney disse que está sendo pressionado pelos autores do requerimento da CPI que vai investigar repasses ilegais de recursos para o MST, mas não disse quando vai ler o requerimento em plenário. Enquanto ele não fizer a leitura do requerimento, os líderes não podem indicar os representantes para que a CPI possa ser instalada. Como Sarney já mostrou ser contra a CPI e tem uma enorme dívida com o governo pelo apoio contra sua cassação, a CPI pode ser engavetada.
- Sou contra a criminalização do movimento sem terra e apoio a construção de uma proposta que represente o aumento de recursos para implementação de uma meta ousada de assentamentos no campo. Os propositores da CPI me pedem para fazer a leitura do requerimento em plenário, mas não disse quando vou fazer isso – teria dito Sarney aos defensores do MST, segundo relato do senador José Nery (PSOL-PA).
Autor da representação que pediu a investigação de Sarney no Conselho de Ética, Nery disse que não ficou desconfortável ao participar do ato na Presidência e de pedir o apoio de Sarney ao MST.
- Não foi desconfortável, porque tenho que ter a clareza que apesar de nossas divergências, o Sarney é o presidente da instituição. Não vejo problema em ir lá e dizer que estamos juntos ao lado dos trabalhadores rurais – disse Nery.
E não foi só o senador do PSOL que foi “beijar a mão” de Sarney. O presidente da UNE, Augusto Chagas, não só participou do ato, como fez questão de pedir para tirar uma foto enlaçando a cintura de Sarney. Há menos de três meses estudantes da UNE fizeram manifestação dentro do Senado, com prisão de alguns, pedindo o afastamento do presidente do Senado, no movimento “Fora Sarney”. Distribuíram pizzas e carregaram faixas com dizeres ofensivos ao senador. Depois de tirar a foto sorridente, o líder estudantil pediu que o fotógrafo oficial lhe mandasse uma cópia.
Na saída, ao ser questionado pelos jornalistas se Sarney já estava perdoado de todas as denúncias que enterraram o Senado numa das maiores crises, Augusto Chagas desconversou:
- O Sarney é o presidente do Senado e esse cerco de denúncias tem que ser melhor apurado. O que precisamos é transformar os mecanismos eleitorais no Brasil – respondeu o presidente da UNE.
O bispo emérito de Goiás, dom Tomás Balduíno, os senadoresJoão Pedro (PT-AM), Fátima Cleide (PT-RO), Serys Slhessarenko (PT-MT) e José Nery (PSOL-PA), a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e o deputado Dr. Rosinha (PT-PR), o escritor Hamilton Pereira (com pseudônimo Pedro Tierra) e Zaré Brum Soares, assessor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), também participaram da reunião com Sarney no gabinete da presidência.
(Com informações de O Globo e Agência Senado).
rss do blog
30 setembro, 2009 as 18:21
QUANTO A UNE, ESTA JÁ ACABOU. AGORA O PRESIDENTE SARNEY DEFENDENDO O MST É NO MINIMO COISA DE DOIDO.
EU DESISTO DE ENTENDER, VOU VOLTAR PARA O MEU CROCHE.
COM A PALAVRA O MST.
30 setembro, 2009 as 22:48
Atenção Décio, aqueles estudantes que protestaram no senado não são da UNE, ao contrário, são uns porra-loucas ligados ao PSTU e PSol. A UNE sempre defendeu essa posição manifestada pelo seu presidente.