Pai e advogado acusados de abusar de menores
Em audiência realizada na quinta-feira (29) integrantes da CPI da Pedofilia da Assembleia Legislativa colheram informações detalhadas de casos de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes. Na mesma audiência, a comissão ouviu depoimentos dos presidentes do Sindicato dos Taxistas e Caminhoneiros de São Luís, Sindicato dos Proprietários de Postos de Combustíveis do Maranhão e do Sindicato dos Proprietários de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares da capital.
A primeira a depor foi uma adolescente de 14 anos que, de acordo com denúncia formulada à Polícia e ao Ministério Público Estadual, foi abusada sexualmente durante pelo menos seis anos pelo próprio pai. A vítima tem uma filha de três anos, cujo pai, segundo a testemunha, é o seu próprio avô. O abuso, segundo a adolescente, vinha acontecendo desde que ela tinha oito anos. Maria (nome fictício dado a testemunha) foi morar com pai no município de Colinas logo após a morte da mãe, que residia na cidade paraense de São Félix do Xingu.
A adolescente disse que chegou a comunicar o fato a sua avó paterna, que teria dito não ter como ajudá-la. Em abril deste ano, Maria procurou a Polícia para relatar o abuso. Desde então, ela e a filha residem em São Luís. “Ele dizia que se eu contasse pra alguém eu iria me arrepender. Não agüentava mais, por isso resolvi contar tudo e sai de casa porque fiquei com medo de morrer”, disse a testemunha.
O segundo caso de violência sexual tratado na sessão desta quinta-feira pela CPI foi de um advogado, com escritório localizado em São Luís, que teria abusado sexualmente de várias adolescentes ao longo dos últimos anos. As informações foram repassadas aos deputados Penaldon Moreira (PSC – relator), Domingos Paz (PSB – vice-presidente) e Eliziane Gama (PPS – presidente) por uma dona-de-casa, que preferiu não revelar a identidade.
A dona-de-casa explicou que em 2007 a sua filha, então com 14 anos, lhe revelou que duas amigas suas da escola, cada uma também com 14 anos, saíam com um homem mais velho, que lhes ofereciam dinheiro. A garota presenciou o fato, quando acompanhou estas duas amigas a um motel da capital, localizado no bairro da Areinha. As garotas foram levadas ao estabelecimento pelo advogado, de nome não divulgado. “A minha filha não manteve relações sexuais com ele, mas me disse que as suas duas amigas estavam sendo induzidas ao abuso porque ele oferecia dinheiro, abadás e outros benefícios”, contou.
A dona-de-casa afirmou ainda que o advogado tentou subornar seu marido, que foi até ao seu escritório cobrar explicações. “Ele perguntou ao meu marido quanto ele queria para não falar nada para a polícia. Nessa hora, meu marido perdeu a cabeça e até deu um soco nele”.
O caso, segundo a testemunha, foi registrado na Polícia. Porém, até hoje não foi instaurado nenhum inquérito para apurar a denúncia. “Acho que a delegada que nos atendeu só pode ser amiga dele [advogado]. O que eu quero é Justiça. Isso aconteceu em 2007. De lá pra cá, com certeza, ele deve ter continuado a abusar de adolescentes”. Leia mais aqui.
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