Olha, tem-se de tirar o chapéu para o prefeito João Castelo (PSDB). O homem criou uma crise dos diabos no PCdoB do rival Flávio Dino. Tudo por conta de uma matéria publicada na edição deste sábado de O Estado do Maranhão, de autoria do repórter Diego Torres, dando conta que os vereadores comunistas Rose Sales e Fernando Lima receberam R$ 330 mil e R$ 276 mil, respectivamente, em emendas da Prefeitura de São Luís. O problema é que os dois comunistas destinaram os recursos aos cofres de entidades comandadas (ou que já foram) pelos próprios cônjuges.
Flávio Dino fez uma reunião de emergência neste sábado com a direção do PCdoB. O homem soltava faísca por tudo quanto é poro. Exigiu da direção municipal de São Luís uma posição enérgica contra os camaradas. Em conversas paralelas, os membros do partido falaram até em expulsão.
Tudo porque não pega bem para o PCdoB, que está querendo afastar Castelo da prefeitura na Justiça Eleitoral, vê seus vereadores recebendo dinheiro de Castelo. Pior: destinado a entidades comandadas por parentes.
Isso é o que se pode chamar de um doce veneno tucano. Abaixo, a íntegra da reportagem:
Comunistas recebem R$ 600 mil em repasses feitos pela Prefeitura
Os vereadores Fernando Lima e Rose Sales (ambos do PCdoB) receberam mais de R$ 600 mil em emendas parlamentares da Prefeitura de São Luís para entidades dirigidas por parentes. O Instituto Hugo Reis, presidido por Henrique Moreira, marido da vereadora Rose Sales, recebeu R$ 330 mil. Já a Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos (Apada), que foi dirigida por Dirce Lima, esposa do vereador Fernando Lima, recebeu R$ 276 mil.

Fernando Lima e Rose Sales: na mira do PCdoB
O PCdoB requer na Justiça Eleitoral, em três ações, a cassação do mandato de prefeito João Castelo (PSDB) por abuso de poder econômico. As ações foram ajuizadas pelo deputado federal Flávio Dino (PCdoB). Tanto Fernando Lima quanto Rose Sales confirmaram o recebimento das emendas parlamentares para suas entidades.
A vereadora Rose Sales disse a O Estado que usou R$ 80 mil dos R$ 330 mil recebidos para a compra do imóvel onde funcionará a partir de março a sede do Instituto Hugo Reis (homenagem ao seu pai),na Avenida São Sebastião, nº 79, no bairro Anil. Os R$ 250 mil restantes seriam aplicados em obras em seis bairros que, segundo ela, compõem o Grande Anil.
Segundo Rose Sales, ela mesma decidiu onde serão aplicados os recursos e fez questão de ressaltar que se opõe somente politicamente a Castelo e não à sua pessoa. A vereadora disse não ver problemas em destinar R$ 330 mil ao instituto comandado pelo seu marido.
“É normal em qualquer cidade do país que o prefeito destine verbas a todos os parlamentares. Fiz uma parceria interinstitucional entre a Secretaria Municipal de Obras e o Instituto Hugo Reis. O fato de uma entidade ligada a um vereador receber o dinheiro é mais uma forma de administrar onde e como serão aplicados os recursos”, afirmou. São Luís é uma das poucas capitais do país que vereador recebe emenda.
O vereador Fernando Lima, em entrevista por telefone, afirmou apenas que recebeu R$ 10 mil para a realização do Curso de Prevenção a Doenças Cardiovasculares, promovido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia do Maranhão (SBC/MA), e R$ 40 mil para a reforma do prédio onde funciona a Maternidade Nossa Senhora da Penha, no Anjo da Guarda.
Fernando Lima é dirigente da SBC. A Prefeitura não confirmou a reforma do hospital. Lima negou que a Apada, da qual é ex-presidente, tivesse recebido verbas municipais.
Segundo a edição do Diário Oficial do Município de 7 de janeiro de 2010, a Apada recebeu R$ 276 mil, por meio de “parceria interinstitucional” com a Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social. A presidente da associação era Dirce Lima, mulher do comunista.