MP: após omissão, candidatos falam sobre prédio
Depois de passar praticamente batido no primeiro debate, os candidatos ao cargo de procurador-geral realmente tocaram na questão que mais incomoda a instituição: a interminável reforma do Prédio das Promotorias da Capital. A questão foi a primeira pergunta feita neste sábado pela manhã no debate promovido pela Ampem (Associação do Ministério Público) ocorrido no auditório do TCE e apresentado pelo jornalista Roberto Fernandes. Como já tinha avisado, a procuradora Fátima Travassos não compareceu. A eleição acontece segunda-feira.
Candidatos durante debate organizado pela Ampem
Em relação ao caso, o ex procurador-geral Francisco Barros disse que tomará todas as providências para agilizar a reformna, não só da sede das promotorias, mas prédios do Ministério Público espalhados pelo Estado. O promotor Gilberto Câmara afirmou já ter ouvio “muita piada” sobre a obra. Contou que com os R$ 2 milhões previstos para serem gastos nos serviços, pretende não só reformar, mas também ampliar o edifício.
No entanto, quem foi mais enfático com a questão, até por ter sido provocado por Fátima Travassos no debate anterior (reveja aqui), foi Raimundo Nonato de Carvalho, também ex-procurador-geral. Ele disse que fará uma audiência pública para discutir a questão. “Vamos trazer a verdade sobre esse caso diante de toda sociedade. A verdade tem sido escondida de todos”, garantiu.
Ele leu trecho de um laudo mostrando que na época, início dos ano 2000, “as anomalias estão em estágio inicial e são de fácil resolução”. De acordo Nonato, a falta de manutenção após sua administração é que fez o prédio ser interditado. No resto do debate só questões internas como ponto eletrônico, melhorias salarias e benefícios diversos a procuradores, promotores e servidores.
Atuando como “franco-atirador”, Gilberto Câmara alfinetou indiretamente Francisco Barros e Raimundo Nonato. Em relação ao primeiro, falou sobre promotores que “foram tirados de suas funções”, numa suposta referência a saída de Themis Pacheco, Cláudio Cabral e Cláudio Guimarães das investigações sobre o suposto enriquecimento ilícito de Alexandra Tavares. Na época, eles recorreram ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e acabaram perdendo a questão.
Cobrou de Nonato o fato da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), implantada durante sua gestão, ter destinado apenas 2% da receita corrente líquida dos estados para gastos de pessoal com o Ministério Público. O ex procurador-geral respondeu dizendo que na época procurou o relator da matéria, deputado Pedro Novais (PMDB-MA), sem sucesso. “Ele disse que procurasse a comissão onde o assunto estava sendo discutido no Congresso Nacional porque a orientação que tinha do governo era para não mudar o percentual”, explicou.
Em nova provocação, Gilberto Câmara disse parecer que a direção da instituição escolhe “por cara” a quem vai pagar vantagens pecuniárias.
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