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“Nenhum homem público do Maranhão tem a ficha mais limpa que a minha”, diz Jackson Lago

seg, 05/07/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

O ex-governador Jackson Lago (PDT) afirmou no final da manhã desta segunda-feira no TRE que nenhum homem público do Estado “tem a ficha mais limpa”  que a dele. A declaração foi uma resposta a possível impugnação de sua candidatura em decorrência da Lei da Ficha Limpa.  O pedetista esteve no tribunal na companhia dos candidatos a vice-governador Luiz Porto e ao Senado Roberto Rocha e Edson Vidigal (PSDB) para registrar a chapa “O Povó é Maior” (PDT/PSDB/PTC).

Jackson registra chapa“Ninguém na vida pública do Maranhão tem a vida e a ficha mais limpa que o Jackson Lago. Fui três vezes prefeito de São Luís e dois anos governador. Meu patrimônio continua o mesmo. Nunca aumentou um centavo além do meu salário. Não sou sócio de nenhuma empresa. Estou na vida pública para mostrar ser possível exercer cargos e permanecer com as mãos limpas”, disse.

O governador cassado, acusado pelo Ministério Público Federal no bojo da Operação Navalha de receber 8% de propina de obras da construtora Gautama no Estado, declarou não duvidar que possa ter a candidatura impugnada.

“Eu tenho a vida, as mãos e a consciência tranqüilas. Mas quem luta contra essas estruturas viciadas tudo pode acontecer. No entanto, não creio que o Brasil assista pela segunda vez uma violência dessa natureza. Se as estruturas dominantes do Estado, que convivem com instituições nacionais, não aceitam a vontade do povo do Maranhão, isso é outra questão. Eu não aceito que pela segunda vez queiram desrespeitar a vontade de nossa população”, completou.

Jackson disse que “tudo é possível” ao ser questionado sobre uma possível ação do Ministério Público Eleitoral contra ele. “O povo constatou que todo tipo de violência é possível. O Brasil inteiro não vai aceitar que pela segunda vez se cometa uma violência contra a vontade da maioria do povo do Maranhão”, reforçou.

O ex-governador disse ainda que se sua candidatura for impugnada “haverá defesa”. “Eles farão isso sempre porque temem a candidatura de Jackson Lago. Vamos obter a segunda vitória sobre a representante da oligarquia. Sabemos que eles não querem perder pela segunda vez, mas vão perder”, assinalou.

O pedetista previu gastos de R$ 15 milhões na campanha. Os candidatos ao Senado R$ 10 milhões cada. Cada deputado federal da coligação “O Povo é Maior” R$ 4 milhões e os estaduais R$ 2 milhões. A aliança lançou cerca de cem candidatos.

Ibope mostra Dilma e Serra empatados

dom, 04/07/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

De O Globo:

Rio – De acordo com a pesquisa Ibope sobre a intenção de voto para presidente da República, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo e divulgada na noite deste sábado, os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estão empatados com 39%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Ibope Serra e Dilma empateHá dois meses, o candidato tucano aparecia com 40% e na prévia de maio para junho, despencou 3 pontos e ficou com 37% e logo depois chegou aos 35%. Agora está com 39% e, com margem de erro, pode variar entre 37% e 41%. Já a candidata petista surgiu com 32%, foi a 37%, chegou a 40% e agora aparece com 39%. Com a margem de erro, pode variar entre 37% e 41%.

A candidata Marina Silva, do PV, que estava estacionada com 9% nas três pesquisas desde abril, subiu um ponto e está com 10%. Com a margem de erro, entre 8% e 12%. Os votos brancos e nulos somaram 6%, enquanto que os indecisos, 7%.

Numa simulação de segundo turno, a pesquisa mostrou que Serra e Dilma continuariam empatados, com 43% das intenções de voto cada, enquanto brancos ou nulos somaram 8% e indecisos, 7%.

A pesquisa Ibope mediu também o grau de aprovação do governo Lula: 76% dos eleitores consideraram ótimo ou bom, 19%, regular, 4%, ruim e péssimo e 1% não soube ou não quis opinar.

Vice escolhido por Serra é quase um ‘ficha-suja’

ter, 29/06/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

Um dos falsos moralistas do Senado, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) é quase um “ficha-suja”. Só falta a condenação por um órgão colegiado da justiça. Segundo a edição desta terça-feira do Correio Braziliense (veja aqui), o tucano abriga em seu escritório de apoio no Paraná funcionário lotado no gabinete, mas que dá expediente no Partido da República (PR) do Estado.

A exemplo do que acontece no gabinete do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), que manteria em seu escritório de apoio funcionários suspeitos de serem fantasmas, o servidor Adilson Bernert não trabalha as 40 horas semanais determinadas pela diretoria-geral do Senado.alvaro7_1

Lotado como motorista, o assessor de Álvaro Dias (foto) foi encontrado pelo Correio na sede do PR, no Estado. No escritório de apoio, a atendente informa que Bernert não é motorista, mas um “assessor normal” e que vai “às vezes” ao local e poderia ser localizado pelo celular. O próprio senador confirma que o assessor não trabalha no gabinete. “Ele é nomeado como motorista e cumpre a função de motorista. É contador, também, cumpre horário e depois realiza seus trabalhos”, afirma o senador. “Eu estou em Brasília, então ele não tem função. Ele tem essa liberdade de trabalhar. Ele se apresenta (no escritório de apoio) e, não tendo trabalho no momento, é liberado”, explicou Álvaro Dias.

Processo no STF

Ele também está sendo processado por uso da cavalaria da PM contra professores.É acusado de crime contra a administração pública, movidas no STF (aqui). A Operação Castelo de Areia tem documentos mostrando que as construtoras Camargo Corrêa e a Norberto Odebrecht doaram R$50 mil para o tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Ele não declarçouy R$ 6 milhões à Justiça Eleitoral. A revista Época (aqui) mostrou que o senador omitiu esse montante em aplicações financeiras em sua declaração de bens. Em 2006, Dias informou que tinha um patrimônio de R$ 1,9 milhão dividido em 15 imóveis: apartamentos, fazendas e lotes em Brasília e no Paraná. O patrimônio dele, porém, era pelo menos quatro vezes maior.

A omissão desses dados à Justiça Eleitoral é questionável mas não é ilegal. A lei determina apenas que o candidato declare “bens”. Na interpretação conveniente, a lei não exige que o candidato declare “direitos”, como contas bancárias e aplicações em fundos de investimento.

Álvaro Dias diz que o dinheiro não consta em sua declaração porque queria se preservar. “Não houve má intenção”, afirma. O valor seria fruto da venda de uma fazenda de 36 hectares em Maringá (PR) por R$ 5,3 milhões. As terras, presente de seu pai, foram vendidas em 2002. O dinheiro rendeu em aplicações, até que, em 2007, Álvaro Dias comprou um terreno no Setor de Mansões Dom Bosco, em Brasília, uma das áreas mais valorizadas da capital. No local, estão sendo construídas cinco casas, cada uma avaliada em cerca de R$ 3 milhões.

Espião

charg e alvaroO tucano foi o receptador de informações furtadas da Casa Civil da Presidência da República, entregue à revista Veja, para forjar um falso dossiê de despesas de FHC, com o objetivo de derrubar a ministra Dilma Rousseff.

André Fernandes, além de assessorar Álvaro Dias, também servia ao Governo de José Roberto Arruda (ex-DEM/DF). Em 2007, foi nomeado pelo Governo do Distrito Federal membro do Conselho fiscal da CEB (Companhia Energetica de Brasilia).

Álvaro Dias foi acusado de traição, expulso do partido e tentou ser embaixador do Brasil na Espanha. Depois de ter assinado a CPI da Corrupção no governo FHC, ele saiu do PSDB e apoiou Lula na eleição de 2002 votando contra Serra. Queria ser  embaixador do Brasil na Espanha. Não foi. Virou critico de Lula.

Álvaro Dias é considerado um político midiático, o que irrita muitos dos seus colegas e lhe tirou a chance de ser líder do PSDB no Senado.Também atirou contra a Estatal de maior credibilidade no País ao Propôs a CPI da Petrobras. O povo reagiu com passeatas e protestos. Álvaro Dias e PSDB deram meia volta e a CPI afundou com os tucanos.

O Senador é conhecido por ser muito vaidoso – metrossexual-, usa maquiagem, botox, creme “restaurador”, fez implante de cabelos. É careca disfarçado, usa peruca, faz academia até duas horas por dia e anda sempre com o cabelo alinhado. Aos 66 anos, é considerado pelos colegas o “galã” da bancada do PR.

(Com informações do Correio Braziliense e do blog Os Amigos do Presidente Lula).

PDT e PSDB preparam convenção de sábado

qui, 24/06/10
por Décio Sá |
categoria Esportes

O candidato ao governo Jackson Lago (PDT) e o candidato ao Senado, deputado federal Roberto Rocha (PSDB), se reuniram nesta quinta-feira pela manhã para acertarem últimos detalhes sobre a convenção conjunta que realizam sábado, dia 26, no Grêmio Lítero Recreativo Português, no bairro do Anil, em São Luís. O evento terá início às 8 horas e se estenderá até o meio-dia.

Jackson Lago e Roberto Rocha discutem detalhes da convenção

Jackson Lago e Roberto Rocha discutem detalhes da convenção

Na convenção estarão presentes dirigentes do PTC e PPS, que estarão coligados na eleição majoritária deste ano. Durante a convenção serão homologados os nomes de Jackson ao Governo do Estado, de Roberto Rocha e do ministro aposentado Edson Vidigal (PSDB) ao Senado, além dos nomes que disputarão vagas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa estadual.

“Estamos organizando o evento para que tenha dois momentos”, explicou Léo Costa, coordenador da convenção pelo PDT. De acordo com ele, no primeiro momento da convenção terão direito a palavra os candidatos às eleições proporcionais. O tempo reservado para cada candidato que pleiteie a fala ainda deverá ser definido até a realização da convenção, no sábado.

No segundo momento, será destinado aos discursos dos presidentes dos quatro partidos da coligação majoritária, com destaque para os presidentes do PTC, deputado estadual Edivaldo Holanda; e do PPS, Paulo Matos.

Ao menos quatro prefeitos, sendo dois do PSDB e dois do PDT, deverão falar em nome das lideranças municipais do Estado: João Castelo (São Luís), Sebastião Madeira (Imperatriz), ambos do PSDB; Deoclides Macedo (Porto Franco) e Dr. Hilton (Santa Rita), os dois do PDT.

Caso dos “fantasmas” derruba Guerra da vice de Serra

qui, 24/06/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

Da Folha de S. Paulo:

São Paulo – A cotação do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), para a vice da chapa de José Serra à Presidência sofreu abalos depois da informação de que contratou funcionários fantasmas para seu escritório em Recife.

O abalo, porém, não foi suficiente a ponto de que seja descartado para a vaga. Ontem, durante visita a Guarulhos, Serra fixou um prazo de “três, quatro dias” para a definição do vice.

Segundo tucanos, a revelação de que contratou oito integrantes da mesma família com a verba de gabinete feita ontem pela Folha tornou menores as chances de indicação de Guerra. Ele conta, porém, com o aval de parte do tucanato e do DEM.

Questionado sobre a reportagem, Serra se recusou a falar, ignorando a pergunta. Além de Guerra, dois outros tucanos estariam cogitados para a vaga: o senador Álvaro Dias (PR) e a vereadora Patrícia Amorim (RJ), presidente do Flamengo.

Em favor de Dias pesa a promessa de atração do senador Osmar Dias (PDT), seu irmão, com perspectiva de votação expressiva no Paraná. Em benefício de Amorim contam o Estado do Rio e a popularidade do Flamengo.

Cresce também a possibilidade de uma mulher ser escolhida como vice. Além de Amorim, são analisados os nomes da ex-vice-governadora do PA Valéria Pires Franco (DEM) e da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS).

Tucanos afirmam que haverá uma reunião na quarta-feira para decidir o impasse. A opção por um tucano – hoje apontada como mais provável – dependeria do consentimento do DEM.

Entre os democratas, o deputado José Carlos Aleluia (BA) é cogitado, além de Valéria Pires Franco (PA). Já o senador Agripino Maia (RN) resiste, pois, para ele, desarrumaria o palanque no RN.

serra crise vice

Saiba quem é Ucho Haddad

ter, 15/06/10
por Décio Sá |
categoria Polícia

A imprensa “balaia” descobriu recentente artigos de um tal Ucho Haddad, tucano de carteirinha. Mas quem é mesmo esse “jornalista” paranaense. Conheça a história dele nessa reportagem, de 2003, de José Paulo Lanyi, Fabiano Falsi e Fábio José de Mello, publicado no Portal Comunique-se:

Evaldo Haddad Fenerich é o nome de um publicitário com várias passagens pela polícia, uma prisão e uma condenação pela Justiça do Estado de São Paulo. Ucho Haddad é Evaldo Haddad Fenerich. Ucho Haddad apresenta-se como um baluarte do jornalismo investigativo – por alguns, é reconhecido como tal. Ao que parece, Evaldo Haddad Fenerich tem várias profissões, dada a versatilidade de seu cotidiano. Nos registros da polícia e da Justiça, ele se autodeclara publicitário. Em outros trechos do processo a que responde, por estelionato, figura como consultor de investimentos em bancos estrangeiros. Não bastasse, o mesmo Fenerich – tal qual seu alter-ego, Ucho Haddad – tem propalado, há muito, sua inclinação pela lida de Hipólito José da Costa.

ucho_haddadEvaldo Haddad Fenerich (foto) nasceu em 30 de outubro de 1958. Deve satisfação à Justiça há mais de dez anos. Habituou-se, desde 1992, a responder a inquéritos criminais: apropriação indébita, estelionato e outras fraudes, crimes falimentares, falsificação de documento público, falsificação de documento particular, uso de documentos falsos, receptação, ameaça… Mas, ressalte-se, foi condenado em somente um deles: por apropriação indébita, em 02/02/98. A sentença: um ano de reclusão em regime aberto e 10 dias-multa. Concedido o sursis, pôde cumprir a pena em liberdade.

Ele responde a um processo por estelionato e outras fraudes. É acusado de ter aberto uma empresa para arrancar dinheiro de gente interessada em empréstimos e investimentos em bancos estrangeiros. De acordo com o depoimento de um ex-funcionário, Fenerich cobrava US$ 20 mil (na época, câmbio com paridade real-dólar) para fazer a operação; teria uma fórmula para evitar a corrida ao escritório, na rua Francisco Leitão, centro de São Paulo: depositava os juros na conta de suas supostas vítimas. Algo em torno de 5% ao mês. Aparecem na quizumba três empresas que seriam de Fenerich: QI Holding, Activa Financial Service e Apoio Financial Service.

O escritório teria sido fechado; Fenerich, desaparecido, viajado para Miami. São informações públicas do processo 050.99.090664-9, controle 374/01, da 3ª Vara Criminal da Capital, Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, Barra Funda, região central de São Paulo. Ao todo, são 370 páginas em dois volumes. Leia aqui.

Flávio Dino tenta conversa com Castelo

seg, 14/06/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

Mês passado recebi a informação dando conta que o deputado Flávio Dino (PCdoB) estava procurando um contato com o prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB). A fonte pediu que aguardasse um pouco para que o fato se confirmasse.

Flávio e Castelo no debate na TV Difusora em 2008

Flávio e Castelo na TV Difusora em 2008: 'muy amigos'

Na semana passada, a ela confirmou que emissários dos dois lados estão tentando acertar um encontro do dois, até agora  sem sucesso. O prefeito, no entanto, já mandou um recado: só conversa com “aquele rapaz” se ele baixar a bola, ou seja, vier com humildade.

Estou com essa informação guardada esse tempo todo esperando o dito encontro se confirmar. Mas nesta segunda-feira alguns blogs balaios estão contando o contrário – os tucanos estariam atrás de Flávio Dino. Puro factóide.  Na verdade, desejam que isso possa vir acontecer. Até o meu amigo Marco D’Eça embarcou nessa furada. É o contrário.
 
Durante a pré-convenção do PDT/PSDB/PTC/PDT o prefeito chamou o adversário, mesmo sem citar seu nome, de “louco” e “oportunista” (reveja). Castelo não engole até hoje o processo de cassação movido contra ele por Flávio Dino. Processo esse que o comunista está fazendo de tudo para não ser julgado.

O deputado, desde viu o PT fugir sob seus pés, anda meio perdido. Até diria desesperado. É claro que uma conversa dessa não passaria por uma aliança. Nem pode. Poderia ser uma apoio informal, sabe-se lá.

Ex-quase tudo na vida pública, Castelo é um político pragmático. Já foi amigo e inimigo de muita gente na política várias vezes. Apesar de chateado, conversar, como diz o dito popular, não tira pedaço.

E ele sabe o momento de avançar, ceder ou recuar.

Expostas as vísceras podres de Serra e PSDB

dom, 13/06/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

Por Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo:

Brasília - Ele sonha com a Presidência da República desde menino e trabalha metódica e obstinadamente para chegar lá há exatos 12 anos, 2 meses e 12 dias, desde que assumiu o comando do Ministério da Saúde, em 1998. Mas quando tudo parecia resolvido, com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, já fora do páreo, no final de janeiro deste ano José Serra vacilou.

A indecisão assombrou os cinco políticos mais próximos do candidato, a quem ele mais ouve. Foi o mais ilustre membro deste quinteto – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – quem deu o ultimato e acabou com a indefinição: “Serra, agora é tarde. Você não pode mais desistir”.

(…)

PSDB enrolado“Você não está vendo que esta é minha última oportunidade?”, ponderou, para salientar que Aécio é jovem e que um dia, “fatalmente”, o neto de Tancredo Neves chegará a Presidência da República. Em resposta, o mineiro repetiu a tese de que a melhor forma de ajudá-lo seria dedicando-se à campanha de Minas, disputando o Senado – e o governador Antônio Anastasia, a reeleição.
Serra já estava avisado de que, com Aécio, não adiantaria pressão. O recado velado veio embutido no discurso de homenagem ao centenário de nascimento de seu avô Tancredo, realizada uma semana depois. Da tribuna do Senado, em sessão solene para lembrar Tancredo Neves, Aécio fez questão de citar a frase com a qual o avô respondera à pressão do então deputado João Amazonas (PC do B) em 1985, para que assumisse posições radicais: “Não adianta empurrar. Empurrado eu não vou.”

Já bastante doente, Covas recebeu, em 2000, a visita de Tasso no Palácio dos Bandeirantes. Em meio à conversa sobre cenário político nacional e a sucessão presidencial, o anfitrião abriu o jogo. “Não vou ter saúde para ser candidato. Essa disputa vai ficar entre você e o Serra. E meu candidato é você”, avisou. Em seguida, fez questão de telefonar para o presidente Fernando Henrique, comunicando sua preferência.

Tasso lançou-se na disputa presidencial em 2001, ao final do seu terceiro mandato de governador do Ceará. Além do incentivo de Covas, morto em março daquele ano, arrebanhou apoios públicos no PFL do senador Antonio Carlos Magalhães (BA). Mas acabou desistindo, com queixas de que havia “uma espécie de conspiração paulista em favor de Serra, desequilibrando a disputa interna”.

“Eu vim aqui comunicar que não serei mais candidato a presidente. Estou saindo fora”, disse Tasso ao presidente Fernando Henrique. Era dezembro de 2001, quando o cearense chegou ao Palácio da Alvorada, já muito irritado e disposto a protestar contra “setores do PSDB no governo” que estariam dificultando a liberação de recursos para o Ceará e, pior, investigando sua vida.

Na chegada ao Alvorada, deparou-se com o ex-ministro da Justiça e secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, mas não amenizou as críticas. Ao contrário: Tasso tinha Aloysio como o “ponta de lança” de Serra contra ele e ainda achava que FHC atuava para desequilibrar a disputa sucessória em favor de São Paulo. Pior, suspeitava da influência de Aloysio sobre uma operação da Polícia Federal que colocou agentes em seu encalço, em meio a uma investigação de lavagem de dinheiro.

Neste cenário, o que era para ser um jantar de autoridades no salão palaciano descambou para as ofensas em tom crescente, a ponto de Tasso apontar “a safadeza e a molecagem” do ministro, que agiria para prejudicá-lo. Bastou um “não é bem assim” de Aloysio para o bate-boca começar.

“Vocês jogam sujo!”, devolveu Tasso.

“Vocês quem?”, quis saber Aloysio.

“Você… o Serra… Vocês estão jogando sujo e eu estou saindo (da disputa presidencial) por causa de gente como você, que está me fodendo nesse governo”, reagiu Tasso.

“Jogando sujo é a puta que o pariu”, berrou Aloysio, já partindo para cima do governador. Fora de controle e vermelho de raiva, Tasso chegou a arrancar o paletó e os dois armaram os punhos para distribuir os socos. Foi preciso que um outro convidado ilustre para o jantar no Alvorada, o governador do Pará, Almir Gabriel, entrasse do meio dos dois, com as mãos para cima, apartando a briga. Fernando Henrique, estupefato, pedia calma.

José Serra não perdoa nem os aliados

José Serra não perdoa nem os aliados do próprio PSDB

Diante da desistência pública do cearense e das indagações da imprensa sobre o racha no PSDB e sobre o que Serra poderia fazer para unir o partido, Arthur Virgílio disse diante das câmeras de televisão que falar com Tasso era fácil. “Basta discar o DDD 085 e o número do telefone”, sugeriu.

“Mas o que é isso? Você me ensinando a falar com Tasso pela TV?”, cobrou Serra. “Não fiz para te sacanear. Só respondi à pergunta de como vocês iriam se falar. Você é o meu candidato a presidente”, amenizou Virgílio. O telefonema não aconteceu e Tasso acabou optando pela candidatura presidencial do amigo e conterrâneo Ciro Gomes, que lhe pedia apoio e ajuda e com quem nunca se atritou.

Também foi nos braços de Ciro que os aliados do PFL se jogaram na eleição de 2002. Serra estava rompido com os pefelistas, hoje rebatizados de DEM, desde o desmonte da candidatura presidencial de Roseana Sarney, a partir de uma operação da Polícia Federal que investigou fraudes na Sudam. Em 1º de março de 2001, a PF encontrou R$ 1,34 milhão em cédulas de R$ 50 no cofre da empresa Lunus Participações e Serviços Ltda, de propriedade de Roseana e seu marido Jorge Murad. 

Leia a íntegra aqui ou clicando em O Estado de S. Paulo lá em cima.

Serra já é candidato, mas ninguém quer ser vice dele

sáb, 12/06/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

De O Globo:

Serra ainda vai buscar um vice

Serra ainda vai buscar um vice

Salvador – Sem apresentar seu vice, o tucano José Serra oficializou neste sábado sua candidatura à Presidência da República durante a convenção nacional do PSDB em Salvador. Logo na abertura de seu discurso de mais de meia hora Serra disse: (veja a íntegra do discurso de Serra)

- Sim, sim. Eu aceito ser candidato a presidente da República. Aceito, neste momento tão importante, liderar meu partido na eleição deste ano.
O candidato, que discursou com a ajuda de dois teleprompters no centro de um palco com cerca de 100 convidados, fez críticas indiretas ao governo Lula.

- É preciso pensar antes de votar porque não há malandro que chegue lá sem o voto. O Congresso precisa ser a principal arena do debate e do entendimento político, da negociação responsável sobre as novas leis. O que o Congresso não pode ser é arena de mensalões, de compra de votos e de silêncio – alfinetou o tucano.

Ele voltou a criticar também o “loteamento político exacerbado” do governo Lula, e os cortes nos orçamentos da Saúde e da Educação.

- Isso significa que dinheiro público está sendo mal gasto no Brasil. Não falta dinheiro, falta prioridade.
O tucano disse ainda que não tem padrinho político e nem “esquadrões de militantes pagos com dinheiro público”

- Eu não comecei ontem, não caí de paraquedas. Tenho minha biografia. Minha experiência – resumiu Serra, explicando que seu padrinho político já morreu, numa referência indireta ao ex-governador Mário Covas.

O candidato tucano criticou também as relações do Brasil com países como Irã e Cuba.

- Eu acredito nos direitos humanos, dentro do Brasil e no mundo. Nós não devemos, não fica bem elogiar continuamente ditadores de todos os cantos do planeta.

O tucano prometeu, se eleito, manter programas sociais com a ampliação, por exemplo, do Bolsa Família. Se comprometeu ainda a criar um milhão de vagas em escolas técnicas em todo o Brasil. Leia mais aqui.

Elio Gaspari: o tucanato está tonto e zangado

dom, 06/06/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

Da coluna Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo:

O TUCANATO ESTÁ tonto, sem motivo. A prova da falta de rumo está na insistência de José Serra em fazer oposição vigorosa… ao governo da Bolívia. Campanhas presidenciais têm momentos mágicos, como o dia em que Fernado Henrique Cardoso viu eleitores empunhando cédulas do real durante um comício na Bahia.

tucanato tonto

Arte: Juliana Freire

Serra precisa perseguir esses momentos. Ele entrou na disputa com um discurso aveludado, lembrando Tancredo Neves, e em poucas semanas crispou-se, tentando ficar parecido com Fernando Collor.

A perplexidade tucana não tem amparo na realidade. A percentagem de eleitores dispostos a tirar o PT do governo é igual à daqueles que gostariam de votar em Dilma Rousseff. Trata-se apenas de batalhar pelo votos com uma plataforma real, livre de marquetagens. Se perder, paciência.

Em 2008, nos Estados Unidos, o jogo bruto detonou a candidatura de Hillary Clinton, que parecia invencível. Em vez de falar macio, ela e o marido, Bill, decidiram pegar pesado. Ciscaram para fora. Num episódio típico, empurraram Ted Kennedy para o colo de Obama. É verdade que ele namorava a hipótese, mas a gota d”água se deu quando Bill Clinton disse-lhe: “Esse sujeito nunca fez nada. (…) Ele nos servia café!”. Kennedy ouviu e fechou a conta.

Tanto Serra como Dilma se parecem mais com madame Clinton do que com o companheiro Obama. O problema de Serra é que Dilma tem Lula ao seu lado. Com estrondos, não ganhará a eleição.



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