O juiz de São João Batista, Cristiano Simas de Sousa, enviou nota ao blog rebatendo alguns comentaristas que criticaram, sem conhecer, sua decisão cassando o prefeito de São João Batista, Eduardo Dominici (PSB). Ontem o próprio presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Tavares (PSB), acusou o desembargador Jose Joaquim Figueiredo dos Anjos de estar por trás da cassação (daqui a pouco vou comentar este assunto). O irmão do desembargador, Carlos Figueiredo (PSDB), é o vice da segunda colocada Surama Soares (PV), que assumiu ontem a prefeitura. O juiz nega o fato. No post abaixo, você pode ler a íntegra da decisão cassando Dominici.
Veja os esclarecimentos de Cristiano Simas de Sousa.
“Caro Décio,
Há muito tempo que venho acompanhando seu blog. O tenho como um importantíssimo instrumento de cidadania, na medida em que você possibilita aos ouvintes opinarem a respeito das notícias que são veiculadas. Confesso que fique surpreso pela afirmativa de alguns comentaristas de que o processo de cassação do prefeito de São João Batista seria uma grande armação para entregar a Prefeitura para “o irmão do desembargador José Joaquim”.
Primeiramente, gostaria de aclarar que conheço o desembargador José Joaquim, pois pertencemos ao mesmo tribunal. Contudo, repudio qualquer afirmativa de que tenha sofrido qualquer influência do mesmo na condução da Ação de Investigação Judicial Eleitoral n.º 335/2008, onde restou cassado o então prefeito de São João Batista.
O desembargador José Joaquim jamais interferiu em meu trabalho. Até onde conheço o tenho como um homem sério. As pessoas que ora questionam minha decisão deveriam, primeiramente, inteirar-se do processo e vislumbrar os reais motivos que me motivaram a condenar o suso mencionado Prefeito pela prática da captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico e político.
A propósito, os autos estão à disposição de qualquer pessoa que queira manuseá-los. Não tenho nenhum problema em permitir tal consulta. Sabe Décio, sou titular da Comarca de São João Batista há pelo menos 7 (sete) meses. Sempre busquei pautar minha conduta na mais absoluta seriedade, tentando dar a este povo esquecido da baixada a crença de que ainda é possível acredita na justiça. Infelizmente vivemos uma quadra difícil.
Hoje, parte-se do princípio de que a desonestidade é regra. Agora, estou sendo acusado por pessoas que sequer me conhecem de está cometendo uma injustiça. Respeito suas opiniões, até porque o Judiciário, infelizmente, ainda deixa muito a desejar em algumas situações. Em verdade, quero lhe convidar, bem como a qualquer leitor de seu blog, a ter acesso aos autos do processo mencionado e entender os motivos de minha decisão.
Aqui digo e repito, não há nestes autos qualquer despacho ou decisão que denote parcialidade ou interesse pessoal. Aos prejudicados pelas decisões judiciais resta a insatisfação. Foi citado por alguns leitores que o CNJ deveria investigar os motivos pelos quais estariam ocorrendo tantas cassações em nosso Estado. Da minha parte, que venha o CNJ. Que nossas vidas sejam investigadas. Que nosso patrimônio seja aquilatado. Não tenho o menor receio de tal situação.
Alfim, relevo está a sua disposição para qualquer esclarecimento e reafirmo a inabalável certeza de que fui justo na decisão que prolatei. Um abraço e que o Grande Arquiteto do Universo nos ilumine e guarde.
Cristiano Simas de Sousa
Juiz de Direito da Comarca de São João Batista.”