Da Folha.com:
Brasília – Oficializada neste domingo como candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, 62, disse que vai dar continuidade às políticas adotadas durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas “com alma e coração de mulher.”
“Não é por acaso que depois desse grande homem o nosso Brasil possa ser governado por uma mulher. Uma mulher que vai continuar o Brasil de Lula, mas que fará um Brasil de Lula com alma e coração de mulher”, disse Dilma, em discurso que encerrou a convenção nacional do PT que aprovou a indicação de seu nome para concorrer à presidência.
“O nosso presidente Lula mudou o Brasil e o Brasil, por causa dessa mudança, quer seguir mudando. A continuidade que o Brasil deseja é a continuidade da mudança, que é isso que nós conseguimos consolidar no governo do presidente Lula. É seguir mudando para melhor”, completou a candidata.
No discurso, que durou cerca de 50 minutos, Dilma buscou rebater as críticas dos adversários tucanos de que sua campanha divide o país ao defender uma eleição plebiscitária em que a população vai avaliar os governos de Lula e de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
“Nesta campanha nós vamos debater em alto nível. Vamos mostrar ao povo que somos diferentes dos outros candidatos, mas depois de eleitos vamos governar para todos os brasileiros’, afirmou a petista.
Sem citar diretamente o PSDB, Dilma também atacou governos anteriores que, segundo ela, governaram para apenas um terço da população.”O tabu mais importante que derrubamos foi o de que era impossível governar para todos os brasileiros. Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram para um terço da população. Para muitos deles, o resto era peso, estorvo e carga”, disse.
Dilma também listou prioridades de seu eventual governo. Defendeu investimentos em saúde, educação e em infra-estrutura. Na educação, disse que vai criar creches e investir no ensino técnico e no ensino superior.
E aproveitou para alfinetar o adversário José Serra, ao afirmar que professor em greve não pode ser recebido pela polícia, em referência aos embates ocorridos em São Paulo quando o tucano ainda era governador do Estado
Também defendeu investimentos na saúde: “Nossas prioridades na saúde estarão baseadas em três pilares: financiamento adequado e estável para o Sistema, valorização das práticas preventivas e organização dos vários níveis de atendimento, garantindo atendimento básico, ambulatorial e hospitalar de alta resolutividade em todos os estados brasileiros.”
Dilma também disse que, se eleita, vai ampliar as relações com os países vizinhos da América Latina. Ao final do discurso, a candidata petista dedicou a sua eventual vitória as meninas brasileiras. Segundo ela, o fato de ser escolhida pelo PT para disputar a presidência mostra para as mulheres que elas também podem ocupar o cargo.
Lula

Dilma, Temer, Eduardo Dutra e Sarney ouvem Lula na convenção
O presidente Lula discursou antes de Dilma e avaliou que as chances de vitória da candidata, ex-ministra de seu governo, são “totais ou quase absolutas.” Ele pediu, porém, que os petistas não fiquem de salto alto, em referência ao desempenho de Dilma nas pesquisas de intenção de voto, que a colocam empatada ou mesmo à frente de Serra.
Lula também aproveitou para atacar os tucanos, dizendo que as denúncias de que a campanha petista produz dossiês contra figuras do PSDB é “jogo rasteiro”. “Esperamos que os adversários façam uma campanha de alto nível. E que não façam o jogo rasteiro, inventando dossiê todo dia. Estamos calejados.”
Lula também criticou a imprensa pelo episódio: “É importante a gente começar a ficar esperto e começar a ver o tratamento que vai ser dado [à candidata petista pela imprensa]“. “Quando se trata de campanha, é preciso que a imprensa seja neutra ou, no mínimo, diga que tem candidato. Por que aí nós vamos mudar de canal para ver o canal da nossa candidata, não o canal do candidato deles.”, disse.
Fotos: Valter Campanato/Agência Brasil).