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Expostas as vísceras podres de Serra e PSDB

dom, 13/06/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

Por Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo:

Brasília - Ele sonha com a Presidência da República desde menino e trabalha metódica e obstinadamente para chegar lá há exatos 12 anos, 2 meses e 12 dias, desde que assumiu o comando do Ministério da Saúde, em 1998. Mas quando tudo parecia resolvido, com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, já fora do páreo, no final de janeiro deste ano José Serra vacilou.

A indecisão assombrou os cinco políticos mais próximos do candidato, a quem ele mais ouve. Foi o mais ilustre membro deste quinteto – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – quem deu o ultimato e acabou com a indefinição: “Serra, agora é tarde. Você não pode mais desistir”.

(…)

PSDB enrolado“Você não está vendo que esta é minha última oportunidade?”, ponderou, para salientar que Aécio é jovem e que um dia, “fatalmente”, o neto de Tancredo Neves chegará a Presidência da República. Em resposta, o mineiro repetiu a tese de que a melhor forma de ajudá-lo seria dedicando-se à campanha de Minas, disputando o Senado – e o governador Antônio Anastasia, a reeleição.
Serra já estava avisado de que, com Aécio, não adiantaria pressão. O recado velado veio embutido no discurso de homenagem ao centenário de nascimento de seu avô Tancredo, realizada uma semana depois. Da tribuna do Senado, em sessão solene para lembrar Tancredo Neves, Aécio fez questão de citar a frase com a qual o avô respondera à pressão do então deputado João Amazonas (PC do B) em 1985, para que assumisse posições radicais: “Não adianta empurrar. Empurrado eu não vou.”

Já bastante doente, Covas recebeu, em 2000, a visita de Tasso no Palácio dos Bandeirantes. Em meio à conversa sobre cenário político nacional e a sucessão presidencial, o anfitrião abriu o jogo. “Não vou ter saúde para ser candidato. Essa disputa vai ficar entre você e o Serra. E meu candidato é você”, avisou. Em seguida, fez questão de telefonar para o presidente Fernando Henrique, comunicando sua preferência.

Tasso lançou-se na disputa presidencial em 2001, ao final do seu terceiro mandato de governador do Ceará. Além do incentivo de Covas, morto em março daquele ano, arrebanhou apoios públicos no PFL do senador Antonio Carlos Magalhães (BA). Mas acabou desistindo, com queixas de que havia “uma espécie de conspiração paulista em favor de Serra, desequilibrando a disputa interna”.

“Eu vim aqui comunicar que não serei mais candidato a presidente. Estou saindo fora”, disse Tasso ao presidente Fernando Henrique. Era dezembro de 2001, quando o cearense chegou ao Palácio da Alvorada, já muito irritado e disposto a protestar contra “setores do PSDB no governo” que estariam dificultando a liberação de recursos para o Ceará e, pior, investigando sua vida.

Na chegada ao Alvorada, deparou-se com o ex-ministro da Justiça e secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, mas não amenizou as críticas. Ao contrário: Tasso tinha Aloysio como o “ponta de lança” de Serra contra ele e ainda achava que FHC atuava para desequilibrar a disputa sucessória em favor de São Paulo. Pior, suspeitava da influência de Aloysio sobre uma operação da Polícia Federal que colocou agentes em seu encalço, em meio a uma investigação de lavagem de dinheiro.

Neste cenário, o que era para ser um jantar de autoridades no salão palaciano descambou para as ofensas em tom crescente, a ponto de Tasso apontar “a safadeza e a molecagem” do ministro, que agiria para prejudicá-lo. Bastou um “não é bem assim” de Aloysio para o bate-boca começar.

“Vocês jogam sujo!”, devolveu Tasso.

“Vocês quem?”, quis saber Aloysio.

“Você… o Serra… Vocês estão jogando sujo e eu estou saindo (da disputa presidencial) por causa de gente como você, que está me fodendo nesse governo”, reagiu Tasso.

“Jogando sujo é a puta que o pariu”, berrou Aloysio, já partindo para cima do governador. Fora de controle e vermelho de raiva, Tasso chegou a arrancar o paletó e os dois armaram os punhos para distribuir os socos. Foi preciso que um outro convidado ilustre para o jantar no Alvorada, o governador do Pará, Almir Gabriel, entrasse do meio dos dois, com as mãos para cima, apartando a briga. Fernando Henrique, estupefato, pedia calma.

José Serra não perdoa nem os aliados

José Serra não perdoa nem os aliados do próprio PSDB

Diante da desistência pública do cearense e das indagações da imprensa sobre o racha no PSDB e sobre o que Serra poderia fazer para unir o partido, Arthur Virgílio disse diante das câmeras de televisão que falar com Tasso era fácil. “Basta discar o DDD 085 e o número do telefone”, sugeriu.

“Mas o que é isso? Você me ensinando a falar com Tasso pela TV?”, cobrou Serra. “Não fiz para te sacanear. Só respondi à pergunta de como vocês iriam se falar. Você é o meu candidato a presidente”, amenizou Virgílio. O telefonema não aconteceu e Tasso acabou optando pela candidatura presidencial do amigo e conterrâneo Ciro Gomes, que lhe pedia apoio e ajuda e com quem nunca se atritou.

Também foi nos braços de Ciro que os aliados do PFL se jogaram na eleição de 2002. Serra estava rompido com os pefelistas, hoje rebatizados de DEM, desde o desmonte da candidatura presidencial de Roseana Sarney, a partir de uma operação da Polícia Federal que investigou fraudes na Sudam. Em 1º de março de 2001, a PF encontrou R$ 1,34 milhão em cédulas de R$ 50 no cofre da empresa Lunus Participações e Serviços Ltda, de propriedade de Roseana e seu marido Jorge Murad. 

Leia a íntegra aqui ou clicando em O Estado de S. Paulo lá em cima.

Notícias de sábado

sáb, 29/05/10
por Décio Sá |
categoria Política local

 Ninguém quer ser vice de Serra
O senador Tasso Jereissati (CE) agradeceu ontem a “lembrança” de seu nome pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, mas descartou mais uma vez o convite para ser vice do pré-candidato tucano à Presidência da República, José Serra. “Não penso nisso. Aqui eu sou candidato a senador. Quero continuar trabalhando pelo povo do Ceará. Se os cearenses quiserem essa é a minha expectativa”, disse Tasso à TV Jangadeiro. As declarações foram dadas em Paracuru, cidade do litoral oeste cearense, onde Tasso recebeu homenagem e se reuniu com lideranças locais.
(As informações são do jornal O Estado de S. Paulo).

PT: comissão chega segunda-feira
“Precursora: O PT despachará para o Maranhão na segunda o secretário-geral do partido, José Eduardo Cardozo, e o de Organização, Paulo Frateschi. A dupla tem a missão anunciada de apurar as denúncias de compra de votos de delegados do partido por parte do PMDB de Roseana Sarney.”
As informações acima são da coluna Painel, da Folha de São Paulo. A coluna se equivoca ao citar a participação do PMDB no episódio. No próprio factóide divulgado por Veja não é citado nenhum peemedebista na história.

Penduricalhos na Assembleia
Fontes da Assembleia Legislativa alertam que não é apenas de R$ 1,2 mil o salário de Mary Lucia Coelho, irmã do delegado do PT Francivaldo Coelho, lotada no gabinete do deputado Rubens Júnior (PCdoB). “Esse valor é sem as gratificações. Somando todos os penduricalhos, o salário dela chega quase ao triplo”, afirmam.
No assunto: Mary Lucia foi nomeada no dia 20, dois antes antes do irmão aparecer na Veja denunciando ter sido assediado financeiramente por “companheiros” do próprio partido.

Joaquim LobatoNovo procurador
Em sessão ordinária do Conselho Superior do Ministério Público do Maranhão, realizada ontem, o promotor Joaquim Henrique de Carvalho Lobato (na foto com a procuradora-geral Fátima Travassos) foi promovido, por unanimidade, para o cargo de procurador de Justiça. O critério adotado foi o de antiguidade. Atualmente à frente da 6ª Promotoria de Justiça Especializada em Registros Públicos de São Luís, Lobato ingressou no Ministério Público do Maranhão há 27 anos, em 1983. Leia aqui.

Lembranças do passado
Durante discurso em que classificou o deputado Flávio Dino (PCdoB) de “louco” e “oportunista” na pré-convenção do PDT/PSDB/PTC/PDT, o prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB), falou pouco da sua atual administração. Passou boa parte do tempo lembrando de obras e realizações de quando foi governador (1979-1981). Lembrou até do restaurante Ibiscos, ao lado do Parque Folclórico da Vila Palmeira. “Hoje lá funciona um Quartel da PM”, criticou.

Decepção no cabaré
Leitores do blog que foram assistir o show de Viviane Araújo, no Rosana Drinks (Turu), saíram decepcionados. A musa não tirou a roupa e, entre uma dança sensual e outra, ela contava uma piada erótica.

Em Carolina
No fim de sua carreira política, o deputado Domingos Dutra (PT) montou escritório no Sul do Maranhão para defender pequenos lavradores contra o consórcio  que constrói a Hidrelétrica de Estreito. Montou base em Carolina onde, junto com a mulher Núbia, se tornou sócio de uma pousada.

PT e DEM: resolvido
Aliados próximos à governadora Roseana Sarney (PMDB) dão como resolvidas as questões envolvendo o DEM e o PT. Garantem que os dois partidos estarão na coligação peemedebista.

Seleção de Dungas
Esse Lula é realmente um gênio. É dele a melhor definição para a a Seleção Brasileira. “É uma seleção de Dungas.” Precisa dizer mais alguma explicação?

Ninguém quer ser vice de José Serra

sex, 28/05/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

De O Globo:

Brasília – Se não bastassem as preocupações suscitadas pelo resultado das últimas pesquisas de intenção de votos, que apontam o empate técnico entre o tucano José Serra (foto) e a petista Dilma Rousseff na disputa presidencial, a oposição agora enfrenta um novo problema: encontrar um vice para a chapa tucana até a convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 12 de junho. Já sem esperanças de ter o ex-governador mineiro Aécio Neves no posto , PSDB, DEM e PPS começam a discutir internamente outras alternativas ao seu nome, como, por exemplo, o do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Serra 28052010- Se dependesse de mim, seria o Tasso – tem repetido o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), em conversas reservadas.

Apesar da grande recepção preparada na semana passada para Serra no Ceará , Tasso voltou a dizer esta semana aos companheiros de partido que não quer a vice. Ele teria confidenciado a amigos que um dos motivos seria porque não aceitaria levar bronca de Serra e que, se fosse escolhido, haveria crise entre os dois logo no começo. Pesam a favor da indicação do nome de Tasso o fato de ele ser nordestino e também o de ter popularidade no Ceará, o que poderia ajudar Serra a capitalizar os votos dos eleitores do ex-presidenciável Ciro Gomes.

Outra alternativa seria o nome do senador Sérgio Guerra, também nordestino. Ele é hoje um dos principais interlocutores do pré-candidato tucano e tem sido fundamental na negociação das alianças estaduais do PSDB e na ampliação do palanque nacional de Serra. Sua preocupação principal nesta quinta-feira, porém, era colocar um ponto final nas especulações em torno do nome de Aécio.

- Isso não ajuda a consolidar a candidatura de Serra, nem abre espaço para a negociação de outras alternativas para a vaga de vice. Há seis meses, Aécio já havia me dito que não seria candidato a vice nem gostaria de ser pressionado. Claro que seu nome na chapa melhoraria nossa situação em Minas, mas está claro que ele não aceitará ser vice. Nossa expectativa é que Aécio não só vai conseguir eleger Antonio Anastasia governador de Minas como vai levar Serra a uma vitória no estado – afirmou Guerra.

No DEM, as opções de vice seriam os senadores José Agripino (RN) e Kátia Abreu (TO). A senadora encontra resistência dentro do PSDB e no núcleo próximo de Serra, por sua forte identificação com o setor ruralista, geralmente classificado como de direita. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), prefere não tratar desse assunto neste momento:

- Só trato de vice a partir de junho – disse.

O presidente do PPS, Roberto Freire, um dos que mais apostavam na possibilidade de Aécio aceitar a vaga de vice, admitiu que é preciso colocar um ponto final nessa novela:

- O que poderia ser uma solução agora começa a ser um problema. Não sei que alternativa temos. Não pensei nisso. Mas estou certo de que conseguiremos encontrar um bom candidato a vice – disse Freire, admitindo também que o nome do ex-presidente Itamar Franco poderá ser analisado.

Ninguém quer ser vice de José Serra

ter, 09/03/10
por Décio Sá |
categoria Eleições

De O Globo Online:

tassojeiressati 2010Fortaleza - Lembrado como alternativa para a vaga de vice na chapa encabeçada pelo também tucano José Serra na disputa pela Presidência da República, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou nesta segunda-feira não estar convencido de que é boa a estratégia do governador de São Paulo de adiar ainda mais o anúncio de sua candidatura e que seu nome “não está à disposição” do partido.

Para Tasso (foto), não bastou a declaração pública de Serra da semana passada dizendo nunca ter abandonado a ideia de ser candidato e cobrou que o governador de São Paulo “caia na vida”. Numa referência indireta ao ritmo acelerado da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, o senador afirmou que o atraso na campanha do PSDB na corrida pelo Palácio do Planalto é mais grave do que perder um bonde.

- O nosso trem está atrasado – disse ele.

- Quando falo em ser candidato, é cair na rua, cair na vida. Articular, fazer visitas, chamar os estados, dar entrevistas e garantir na imprensa o mesmo espaço dado ao adversário – acrescentou.

Fugindo ao estilo cauteloso – até pelas divergências passadas que deixaram marcas na relação com Serra, quando apoiou Ciro Gomes para presidente da República em 2002 -, Tasso elevou o tom das críticas. Atribuiu a estratégia de Serra de adiar para abril o anúncio de sua candidatura “aos amigos dele”:

- É uma estratégia que ninguém está entendendo. Acho isso uma loucura, sem sentido.

Vice na chapa tucana

Sobre a especulação em torno do seu nome para compor como vice numa eventual chapa puro-sangue, Tasso disse que a hora dessa discussão ainda não chegou.

- Primeiro a gente tem que ter um candidato na rua. O vice, tem tempo (para encontrar). A gente não tem mais tempo é de ficar sem candidato – afirmou o tucano.

O boato em torno de seu nome ganhou ênfase há cerca de dez dias quando pesquisa Datafolha mostrou que a diferença entre Serra e Dilma caiu para quatro pontos percentuais. Tasso silenciou por mais de uma semana sobre o assunto. Nesse meio tempo, irritou os adversários do PT com o projeto de lei de sua autoria aprovado na Comissão de Educação do Senado que cria um benefício adicional ao Bolsa Família para os alunos que tiverem bom desempenho escolar.

 Na última sexta-feira, em Sobral, município da região norte do Ceará, terra natal do presidenciável Ciro Gomes (PSB), ele tocou no tema vice publicamente pela primeira vez. E foi enfático ao responder se seu nome estava à disposição do partido.

- Não. Meu nome não está à disposição, não. Hoje eu estou aqui no Ceará dedicado a fortalecer o meu partido – afirmou.

No Senado

Já nesta segunda, Tasso afirmou que seu plano é continuar senador. Sobre a possibilidade de aceitar a vaga de vice caso Serra saia candidato, disse que não era “turrão” e encerrou a entrevista. Em Sobral, onde foi receber uma comenda da Universidade Federal do Ceará, Tasso chegou ao local da solenidade de carona num carro dirigido pelo governador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, e aliado do PT.

A cena dos dois – que trocaram elogios mútuos durante entrevista – reacendeu o temor de petistas de que a aliança entre Tasso e os Ferreira Gomes seja reeditada em nível estadual. No plano nacional, o senador tem reafirmado que mesmo que Ciro seja candidato, Serra terá apoio incondicional do PSDB no Ceará.

Falsos moralistas do Senado na corda bamba

seg, 09/11/09
por Décio Sá |

A revista ISTOÉ que está nas bancas traz uma matéria fruto de observação que o blog faz desde que estourou a crise no Senado. Os senadores que fizeram joguinho contra o governo Lula na tentativa de derrubar o presidente José Sarney estão em maus lençóis. Correm sério risco de não se reelegerem. Estão na relação Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Agripino Maia (DEM-RN) e Sérgio Guerra (PSDB-PE).

Do lado do governo aparecem em situação difícil Renan Calheiros (PMDB-AL) e Aloisio Mercante (PT-SP), que pode pagar caro pelo jogo que ensaiou em alinhamento ao PSDB durante a crise no Senado. Apesar de seu mandado ir até 2015, o “falso moralista” do Acre Tião Viana (PT) enfrenta problemas em sua base, segundo informa a coluna “Brasil Confidencial” da mesma revista.

“O senador acriano Tião Viana está com problemas em sua base eleitoral. O petista apoiou a redução do fuso horário para uma hora em relação a Brasília e deixou os acrianos furiosos. A oposição quer fazer um referendo contra a mudança”, revela. Leia abaixo a matéria do ISTOÉ “Caciques ameaçados”: 

Por Sérgio Pardellas:

Os caciques do Senado correm sério risco de serem dizimados pelas urnas em 2010, quando dois terços das 81 vagas estarão em disputa. Pelo menos sete cabeças coroadas da Casa enfrentarão sérias dificuldades para se reeleger. Nessa luta pela sobrevivência política, os senadores da oposição são os mais ameaçados. Tudo graças a uma estratégia traçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de montar uma tropa de choque governista na Casa e poupar um eventual futuro governo Dilma Rousseff dos sobressaltos que ele sofreu durante os oito anos no poder. “O Senado precisa estar na nossa mão em 2010″, disse Lula recentemente em conversa com o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE).

O grão-tucano Tasso Jereissati, que além do ministro da Previdência, José Pimentel, ainda enfrentará o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), apoiado pelo governador Cid Gomes, é apenas uma das possíveis vítimas da decisão de Lula de montar uma bancada forte no Senado. Estão em situação semelhante os senadores Arthur Virgílio (PSDBAM), Marco Maciel (DEM-PE), José Agripino Maia (DEM-RN) e Romeu Tuma (PTB-SP). Mas os caciques governistas não escapam dos percalços eleitorais.

O senador Aloizio Mercadante (SP), uma das estrelas do PT, sofre um efeito colateral da estratégia de Lula. Com a filiação de Gabriel Chalita ao PSB para concorrer ao Senado patrocinada pelo Palácio do Planalto, o petista passou a ter sua reeleição ameaçada. “O processo de tentar construir uma maioria para Dilma no Senado, com senadores que realmente sejam comprometidos com o projeto, é tão ou mais importante que ganhar governos de Estado”, endossa o favorito para vencer as eleições para presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Outro cacique governista que tem sua reeleição sob risco é o senador e ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL). Nas recentes pesquisas de intenção de voto, Renan aparece em terceiro lugar, atrás de Heloísa Helena (PSOL) e do ex-governador Ronaldo Lessa (PSB). Neste caso, porém, Lula trabalha fortemente nos bastidores para garantir uma cadeira na Casa para o aliado de primeira hora. Na última semana, o presidente pediu a Lessa que desistisse de sua candidatura ao Senado em favor de uma candidatura ao governo de Alagoas em 2010. Mas Lessa está reticente. “A minha candidatura ao governo resolve a vida de muita gente, menos a minha”, confidenciou a um amigo.

Entre os nomes de peso da oposição, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) é um dos parlamentares que estão em situação eleitoral mais delicada. No Estado, o governador Eduardo Braga (PMDB), outro aliado de Lula, está praticamente eleito para o Senado. Com isso, Virgílio terá que disputar a vaga contra a popular deputada Vanessa Graziotin (PCdoB), apoiada por Lula. Em 2006, o Amazonas foi o Estado em que o presidente conseguiu sua maior vitória, alcançando 78% dos votos. Em Pernambuco, Lula escalou o exprefeito do Recife, o petista João Paulo, para colocar areia nos planos eleitorais dos oposicionistas Sérgio Guerra (PSDB) e Marco Maciel (DEM).

Marco Maciel não é o único político importante do DEM com problemas eleitorais. O líder José Agripino Maia (RN) também enfrentará uma conjuntura muito difícil em seu Estado. Terá como adversários o peemedebista Garibaldi Alves e a atual governadora, Wilma Faria (PSB). “A reeleição de Agripino está difícil. Para isso, ele precisará dividir a base de apoio da governadora Wilma, além de atrair o PMDB”, disse o deputado estadual peemedebista Nelter Queiroz.



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