Com cinco pilotos na disputa, F-1 tem maior equilíbrio dos últimos 29 anos
Categoria não vê tanta briga desde 1981, quando Piquet superou Reutemann, Jones, Laffite e Prost. Nesta temporada, Massa é coadjuvante e peça-chave
Por Rafael Lopes Rio de Janeiro
Equilíbrio. Esta é a palavra que melhor define a disputa pelo título do Mundial de Pilotos da Fórmula 1 em 2010. Oito pilotos têm possibilidades matemáticas, cinco deles com chances reais: Mark Webber, Lewis Hamilton, Fernando Alonso, Jenson Button e Sebastian Vettel, a apenas cinco corridas do fim da temporada. Felipe Massa, Robert Kubica e Nico Rosberg ainda podem alcançar a pontuação do australiano da RBR, mas estão muito distantes do G5. A categoria não vê uma disputa tão grande desde a temporada 1981, quando Nelson Piquet ganhou seu primeiro campeonato ao superar Carlos Reutemann, Alan Jones, Jacques Laffite e Alain Prost.

Em 1981, os cinco pilotos chegaram à penúltima corrida com chances de título, separados por apenas 15 pontos com 18 em disputa. Após 29 anos, a temporada 2010 tem potencial para repetir este feito. A cinco corridas do fim, os cinco primeiros estão na pontuação de uma vitória: a vantagem do líder para o quinto colocado é de apenas 24 pontos. Ou seja, o GP de Cingapura, no dia 26 de setembro, será decisivo. Um abandono de Webber, Hamilton, Alonso, Button ou Vettel pode impactar nas aspirações deles neste ano. E neste cenário, Felipe Massa, que se tornou coadjuvante na briga, é peça-chave na reta final.
RBR e McLaren têm seus dois pilotos na disputa com chances reais. O brasileiro da Ferrari já foi relegado à função de escudeiro, apesar de a equipe italiana não admitir isto publicamente. Ele teve de ceder a vitória para Fernando Alonso no GP da Alemanha, em Hockenheim, por uma ordem do time, e já tem trabalhado em prol do espanhol, que cresceu nesta fase do campeonato e está na terceira posição na tabela. De quebra, a distância entre Massa e Alonso também é enorme.
Mundial de Pilotos já teve cinco líderes em 2010
Neste ano, a presença de três forças deixou o campeonato embolado desde o início. Ferrari, McLaren e RBR se alternaram nas vitórias, mas também tiveram de lidar com a irregularidade de seus pilotos. A equipe austríaca, em especial, foi a que mais sofreu. Com o melhor carro do ano, eleito pelos especialistas, ela marcou 12 das 14 poles, mas não traduziu este domínio em triunfos: Webber tem quatro e Vettel, dois. Metade da vantagem nos treinos foi desperdiçada pela dupla.
O Mundial de Pilotos teve nada menos que cinco líderes diferentes nesta temporada – Massa chegou a liderar brevemente, após o GP da Malásia. Dos candidatos ao título, apenas Vettel não esteve na ponta. Alonso e Button ficaram na primeira posição durante “a primeira fase” do campeonato. Após a metade, no entanto, Webber e Hamilton têm se revezado na ponta, e o inglês se complicou após errar e abandonar em Monza, pista que favoreceria o carro da McLaren.
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