Orçamento prova que o governo tem caixa para melhorar salários
DEPUTADOS CRITICAM DECISÃO DE NÃO PAGAR PISO DE R$ 380 A TODOS OS SERVIDORES
Jornal O Estado do Maranhão, 30 de outubro de 2007
A contadora-geral do Estado, Cíntia de Carvalho Mota, e a secretária adjunta de Planejamento, Maria Olindina, confirmaram ontem, durante audiência pública na Assembléia Legislativa, o crescente aumento de arrecadação estadual, o que garantiria com folga o pagamento do salário mínimo de R$ 380,00 como vencimento-base do funcionalismo. A informação é do deputado Chico Gomes (DEM), que ontem participou do encontro em que as representantes do Governo do Estado prestaram ao Poder Legislativo informações sobre o quadrimestre fiscal do Estado, cumprindo determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Cíntia Mota e Maria Olindina informaram que o superávit do Maranhão é de R$ 980 milhões, sendo que R$ 200 milhões estão comprometidos com o Fundo de Pensão do Estado (Fepa) e outros R$ 200 milhões empenhados para o pagamento de despesas diversas. Segundo elas, a administração estadual teria livre em caixa aproximadamente R$ 600 milhões para investimentos em obras, em serviços públicos ou mesmo no pagamento de salários aos servidores públicos.
De acordo com a contadora geral e a adjunta do secretário Aziz Santos (Planejamento), no primeiro quadrimestre deste ano a administração estadual comprometeu somente 36,45% de sua receita líquida com pagamento de pessoal. No segundo quadrimestre, esse percentual caiu para 35,45%, o que comprova que o governo tem condições de pagar o salário mínimo nacional para todo o funcionalismo.
Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o Executivo pode comprometer até 46% de sua receita corrente líquida com pagamento de funcionários. Em toda administração incluindo Legislativo e Judiciário , esse percentual sobe para 60%. Cíntia Mota e Maria Olindina confirmaram ainda que o Maranhão vem batendo sucessivos recordes em sua arrecadação. O Estado, que previu no início do ano arrecadação de R$ 5.653,637 bilhões em 2007, vai superar esse número. Segundo Chico Gomes, elas confirmaram que isso só foi possível por conta do trabalho de modernização da Receita Estadual feito ainda no governo Roseana Sarney.
Elas, no entanto, afirmaram na palestra que a despesa do Estado aumenta a cada ano, mas a arrecadação vem sendo superior a esse aumento, por isso o comprometimento cada vez menor com pagamento de pessoal.
Gastão Vieira cobra valorização

O deputado Gastão Vieira (PMDB) cobrou a valorização do magistério pelo Governo do Maranhão ao repercutir ontem, na tribuna da Câmara, matéria publicada por O Estado sobre a revolta dos professores com a nova política salarial do Governo do Estado e a carta em que a categoria protesta e pede ao governador Jackson Lago (PDT) revisão na tabela salarial implantada por meio da Medida Provisória (MP) nº 29.
No discurso, o parlamentar maranhense lembrou a enorme crise da categoria, que paralisou por mais de quatro meses as escolas de ensino básico da rede estadual, além das atividades do ensino superior da Universidade Estadual do Maranhão (Uema).
Gastão Vieira afirmou que não há nada mais falso do que dizer vamos repor os dias parados, vamos recuperar as aulas que não foram dadas no período correto. Segundo ele, isso não existe, pois no caso da educação, um dia de aula perdido é um dia de aula perdido. O parlamentar lembrou que, por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o Governo do Estado foi obrigado a acabar com a política de subsídio, e só assim a greve acabou.
A intransigência no setor educacional traz conseqüências e agora, como se nada disso servisse de exemplo, o Estado, novamente, paga abaixo do salário mínimo o vencimento-base dos professores, exatamente daqueles que atuam no ensino de 1ª a 4ª série, onde a carência é maior, onde a necessidade de bons profissionais é muito maior, afirmou Gastão Vieira.
SUPERÁVIT
No discurso, o deputado que presidente a Comissão de Educação da Câmara – também se referiu à questão fiscal e salientou que, ao contrário da maioria dos estados brasileiros, o Maranhão tem acumulado superávits crescentes. São quase R$ 922 milhões de superávit de receita própria que o Governo do Estado acumula. O repasse ao Maranhão do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico), que substitui o Fundef, passará de R$ 800 milhões para mais de R$ 1,6 bilhão. É um aumento de 100% e, queiramos ou não, 60% dessa massa financeira terá que ser aplicada obrigatoriamente na valorização do magistério e na remuneração dos profissionais do ensino, de todos aqueles que estão na escola, disse Gastão Vieira.
O deputado defendeu que os recursos têm que ser destinados à remuneração dos professores. Está lá, na emenda constitucional que criou o Fundeb: um dos princípios básicos é a melhoria salarial dos professores. O piso nacional fixado em R$ 950,00 já foi aprovado na Comissão de Educação da Câmara. Ninguém poderá receber menos que o piso. Portanto, não adianta pensar numa política salarial própria para a área de educação porque ela está influenciada pelo Fundeb, pelo Piso Nacional de Salários e pelas características da educação, afirmou ele.
No final do discurso, Gastão Vieira lamentou a situação e fez um apelo: As crianças não podem ser punidas mais uma vez com a greve. O Governo do Estado tem dinheiro para investir na valorização dos professores. Vamos olhar para as crianças, vamos olhar a educação com seriedade e respeito. E sem a valorização do magistério nada acontecerá, concluiu o deputado.
Leia na íntegra o discurso do deputado Gastão Vieira:
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje o jornal O Estado do Maranhão publica uma carta dos professores de meu Estado, em que protestam e pedem ao Governo do Maranhão a revisão dos padrões de aumento concedido por meio da Emenda nº 29. Seria um assunto absolutamente corriqueiro, se não viéssemos de uma enorme crise que, demorando mais de 4 meses, paralisou, na grande maioria dos municípios e na capital do estado, as atividades de educação do ensino básico e do ensino superior da Universidade Estadual do Maranhão.
Costumo dizer, Sr. Presidente, que não há nada mais falso do que dizer: vamos repor os dias parados, vamos recuperar as aulas que não foram dadas no período correto. Isso, absolutamente, não existe. No caso da educação, um dia de aula perdido é um dia de aula perdido. Foi o Supremo Tribunal Federal que, numa decisão, obrigou o Governo do Estado a acabar com a política de incentivos. Conseqüentemente, a greve acabou.
Olha-se para trás e têm-se de aprender algumas lições, que nos levam a considerar que toda greve e toda intransigência no setor educacional trazem conseqüências muito fortes. Agora, como se nada disso servisse de exemplo, o Governo do Estado do Maranhão, novamente, paga abaixo do salário mínimo categorias de professores, de servidores, exatamente aqueles que atuam no Ensino Básico de 1ª a 4ª série, onde a carência é maior, onde a necessidade de bons profissionais é muito maior.
Muitas vezes, meu nobre Deputado Alceni Guerra, remunera-se pouco por uma questão fiscal. O Estado tem suas contas fiscais equilibradas de forma precária. Há muitas despesas. A despesa está fora de controle e, muitas vezes, a receita cresce vagarosamente. Não é o que acontece no meu Estado, o Maranhão. O Estado tem acumulado e parabéns ao Secretário da Fazenda, José Azolini! superávites crescentes. Segundo o jornal e os próprios professores, o governo do estado acumula quase 922 milhões de reais de superávit fiscal de receita própria.
O FUNDEB, que substitui o FUNDEF, passa, no Estado do Maranhão, de 800 milhões de reais para mais de 1 bilhão e 600 reais. Queiramos ou não, 60% dessa massa financeira terá de ser aplicada obrigatoriamente na valorização do magistério, leia-se na remuneração dos profissionais de ensino de todos aqueles que estão na escola.
Era mais prático até fazer a conta. Quanto dá 60% de 1 bilhão e 600 milhões de reais? Essa massa salarial tem de ser destinada ao pagamento e à remuneração dos professores. Está lá na emenda constitucional que criou o FUNDEB: um dos princípios básicos é a melhoria salarial dos professores. O piso fixado, aprovado na Comissão, foi de R$ 950,00. Até 2.010, ninguém poderá receber menos do que R$ 950,00. Então, não adianta pensar numa política salarial própria para a área de educação, porque ela está influenciada pelo FUNDEB, pelo piso nacional de salários e pelas características próprias da educação.
Sr. Presidente, não agüentaremos outra greve. As crianças não podem ser punidas mais uma vez com a greve. O Governo do Estado tem dinheiro, recebe o Embaixador da Venezuela para discutir programa de analfabetismo e o Embaixador de Cuba para discutir processo de alfabetização através do método cubano. Tudo isso é para os adultos. Vamos olhar para as crianças, vamos olhar educação com seriedade, vamos fazer as coisas acontecerem. Sem a valorização do magistério, nada acontecerá.
Muito obrigado, Sr. Presidente.