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Seminário de Educação propõe atrair mais recursos para municípios do MA

qui, 28/07/11
por Gastão Vieira |
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O deputado federal Gastão Vieira (PMDB-MA) realiza nesta sexta-feira (29), a partir das 8h30, no Salão de Eventos da FIEMA, o IV Seminário de Educação, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), sobre os programas federais para as prefeituras do Maranhão. Os gestores receberão orientações para garantir recursos para transporte escolar, fardamento, mobiliário, creches, quadras cobertas, entre outros.

O secretário de Educação Básica do MEC, Romeu Caputo, vai realizar palestra informativa aos prefeitos e secretários de Educação de vários municípios do estado interessados em garantir recursos para área. Ele deve apresentar ainda dados sobre a qualidade da educação oferecida por meio dos programas do ministério, além do desempenho do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Vieira explica que o Maranhão ainda é um dos estados com os piores índices educacionais do país, um dos que menos acessa o financiamento estudantil e o que menos participa da distribuição de verbas do MEC. “Os recursos disponíveis não são apenas de emendas parlamentares. Com o apoio do ministro Fernando Haddad, faço esta articulação com os prefeitos da minha base no estado pela quarta vez e tenho defendido a tese do aprimoramento dos gestores de Educação para que o Maranhão possa melhorar suas políticas educacionais”, destaca. Ele informa ainda que o evento é aberto para todas as prefeituras do estado que têm interesse no tema.

Serviço:

Local – Salão de Eventos da Federação das Indústrias do Maranhão (Fiema)- São Luís – MA

Horário – A partir das 8h30

Data -  29/07/2011 (sexta-feira)

Gastão visita obra do IFMA de Coelho Neto

qui, 28/07/11
por Gastão Vieira |
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Na tarde de ontem (27), o deputado federal Gastão Vieira (PMDB-MA) esteve na cidade de Coelho Neto para participar dos fesejos da padroeira Nossa Senhora Santana. Ele esteve também no canteiro de obras das futuras instalações do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFMA) de Coelho Neto, a convite do prefeito Soliney Silva.  

Durante a visita, o prefeito fez exposição do projeto e da estrutura do prédio. O IFMA de Coelho Neto é uma iniciativa do depuado Gastão Vieira e do reitor do IFMA-MA, José Costa. “Estou muito feliz em vez que um de meus compromissos assumidos na campanha eleitoral de 2010 está se tornando realidade. Estamos em busca de novos investimentos para a região. Tenho certeza que esta obra será referência do ensino federal na região”, disse.

Estiveram presentes ainda a primeira-dama da cidade, Suely Silva, o ex-prefeito, Raimundo Guanabara, os vereadores Mariano Crateús, Lú, Antônio Pires, Luiz Ramos, o diretor da Escola Leozinho Sábido Euclides Filho e os secretários Domingos Dias (Gabinete), Rosário Leal (Educação) e Rosângela Curado (Saúde).

*Com informações do Blog Língua Solta

Nossa escada rolante quebrada

qua, 27/07/11
por Gastão Vieira |
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Os EUA estão gastando muito dinheiro no Afeganistão e cortando gastos importantes em casa, como em educação

*Por Nicholas Kristof, The New York Times – O Estado de S.Paulo

Os EUA sustentam escolas no Afeganistão porque sabemos que a educação é a maneira mais eficaz de construir um país. Mas não é que esquecemos essa lição em casa? Nos EUA, os orçamentos escolares estão sendo reduzidos, professores demitidos e programas de educação desmantelados.

 Meu velho colégio em Yamhill, Oregon, é emblemático dessa tendência. Houve somente 167 dias letivos no último ano escolar (180 era o número típico até a recessão bater) e a equipe foi reduzida em 9% nos últimos cinco anos.

No próximo ano, os alunos terão de pagar US$ 125 para integrar de um time. O jornal da escola foi fechado. As aulas de administração de empresa acabaram. O professor de música foi demitido. O tamanho das turmas aumentou – há mais de 40 alunos de espanhol no primeiro ano. “É como um lento e demorado sangramento, ver as coisas desaparecerem”, diz a diretora Michelle Morrison.

A escola ainda tem bons professores, mas será que continuará assim com um salário anual inicial de US$ 33,6 mil? Numa zona rural como Yamhill, dependente da agricultura, a escola sempre foi uma escada rolante de oportunidade. Um de meus melhores amigos era Loren, filho de um pintor, que se tornou advogado. Esse é o papel que a educação desempenhava. Agora, a escada rolante está quebrada.

“A cada ano perguntamos: “O que podemos cortar? O que podemos reduzir?”", disse Steve Chiovaro, superintendente da escola. “Chegamos ao ponto em que começamos a matar a educação.” Yamhill não está sozinha. O Centro de Política Educacional diz que 70% dos distritos escolares nacionais sofreram cortes de orçamento no último ano – e 84% já anteciparam cortes para o próximo ano.

Na educação superior, o mesmo drama. O soberbo sistema de universidades públicas da Califórnia sofreu os maiores cortes orçamentários da história. As mensalidades devem subir 20% este ano – colocando o ensino superior fora do alcance de alguns. Os perdedores imediatos são os estudantes. No longo prazo, será o país.

Claudia Goldin e Lawrence Katz, economistas de Harvard, dizem no livro The Race Between Education and Technology (“A corrida da educação contra a tecnologia”, em tradução livre) que o principal fator para a ascensão dos EUA foi a educação em massa. A vantagem americana começou a erodir nos anos 70. Hoje, alguns países já nos superam.

Há grandes diferenças entre a pobreza na África e nos EUA, mas existe algo em comum: livrar-se dela é um trabalho difícil, mas o melhor jeito e por meio da educação. É fato que a crise financeira é real, mas os cortes cegos de orçamentos só agravam o problema. Como observou Derek Bock, ex-reitor de Harvard, “se você acha que a educação é cara, tente a ignorância”.

Mesmo assim, continuamos gastando no Afeganistão e economizando em casa. Como é possível dobrarmos nosso orçamento militar desde o 11 de Setembro, restituir bilhões de dólares a companhias de petróleo, mas não investirmos no futuro de nossos filhos?

Às vezes, ouço pessoas defendendo os cortes com o argumento de que “a escola não é para todos”, ou seja, que “a educação não é para os filhos de outras pessoas”. Não consigo pensar em algum ponto de vista menos americano. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK, É COLUNISTA

Ler ou não ler, eis a questão

qua, 27/07/11
por Gastão Vieira |
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*LUIZ FELIPE PONDÉ, publicado na última segunda (25) no jornal Folha de S. Paulo

Você gosta de Dostoiévski? Se a resposta for “não”, o problema está em você, nunca nele. Uma coisa que qualquer pessoa culta deve saber é que Dostoiévski (e outros grandes como ele) nunca está errado, você sim.
Se você o leu e não gostou, minta. Procure ajuda profissional. Nunca diga algo como “Dostoiévski não está com nada” porque queima seu filme.

Costumo dizer isso para meus alunos de graduação. Eles riem. Aliás, um dos grandes momentos do meu dia é quando entro numa sala com uns 30 deles. Inquietos, barulhentos, desatentos, mas sempre prontos a ouvir alguém que tem prazer em estar com eles. Parte do pouco de otimismo que experimento na vida (coisa rara para um niilista… risadas) vem deles.

Devido a essa experiência, costumo rir de muito blá-blá-blá que falam por aí sobre “as novas gerações”. Um exemplo desse blá-blá-blá são os pais e professores dizerem coisas como: “Essa moçada não lê nada”.

Na maioria dos casos, pais e professores também não leem nada e posam de cultos indignados. A indignação, depois da Revolução Francesa, é uma arma a mais na mão da hipocrisia de salão.

Mas há também aqueles que dizem que a moçada de hoje é “superavançada”. Não vejo nenhuma grande mudança nessa moçada nos últimos 15 anos. Mesmas mazelas, mesmas inquietações do dia a dia.

Nada mais errado do que supor que eles exijam “tecnologia de ponta” na sala de aula (a menos que a aula seja de tecnologia, é claro). Atenção: com isso não quero dizer que não seja legal a tal “tecnologia de ponta”. Quero dizer que “tecnologia de ponta” eles têm “na balada”. O que eles não têm é Dostoiévski.

O “amor pela tecnologia” é sempre brega assim como constatamos o ridículo de filmes com “altíssima tecnologia de ponta” comum nos anos 80 e 90 (tipo “Matrix”). Hoje, tudo aquilo parece batedeira de bolo dos anos 50. O que hoje você acha “sublime” na histeria dos tablets, amanhã será brega como os computadores dos anos 80.

Dostoiévski é eterno como a morte. Mas eis que lendo uma excelente entrevista com um psicólogo professor de Yale na página de Ciência desta Folha da última terça (19) encontro um dos equívocos mais comuns com relação a Dostoiévski.

O professor afirma que agir moralmente bem não depende de crenças religiosas. Corretíssimo. Qualquer um que estudar filosofia moral e história saberá que acreditar em Deus ou não nada implica em termos de “melhor” comportamento moral. Crentes e ateus matam, mentem e roubam da mesma forma.

E mais: se Nietzsche estivesse vivo veria que hoje em dia -época em que ateus são comuns como bananas nas feiras- existe também aquele que vira ateu por ressentimento.

Nietzsche acusa os cristãos de crerem em Deus por ressentimento (o cristianismo é platonismo para pobre). Temos medo da indiferença cósmica, daí “inventamos” um dono do Universo que nos ama e, ao final, tudo vai dar certo.

Quase todos os ateus que conheço o são por trauma de abandono cósmico. Se o religioso é um covarde assumido, esse tipo de ateu (muito comum) é um “teenager” revoltado contra o “pai”.

Mas voltando ao erro na leitura de Dostoiévski. Do fato que religião não deixa ninguém melhor, o professor conclui que Dostoiévski estava errado quando afirmou que “se Deus não existe, tudo é permitido”. Erro clássico.
Essa afirmação de Dostoiévski não discute sua crença, nem o consequente comportamento moral decorrente dela (como parece à primeira vista). Ela discute o fato de que, pouco importando sua crença, se Deus não existe, não há cobrança final sobre seus atos. O “tudo é permitido” significa que não haveria “um dono do Universo” para castiga-lo (ou não), dependendo do que você fizesse.

Claro que isso pode incidir sobre seu comportamento moral, mas apenas secundariamente. A questão dostoievskiana é moral e universal, não pessoal. Pouco importa sua crença, a existência ou não de Deus independe dela, e as consequências de sua existência (ou não) cairão sobre você de qualquer jeito. O problema é filosófico, e não psicológico. O cineasta Woody Allen entendeu Dostoiévski bem melhor do que o professor.

Sou Réu! (processo RD 05462/2011)

ter, 26/07/11
por Gastão Vieira |
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*Por Cláudio Moura Castro, publicado na Revista Veja desta semana.

No entusiasmo de minha formatura em Economia – já vai tempo! –, afiliei-me ao Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro. Antes de começar a trabalhar, fui fazer meu mestrado e doutorado nos Estados Unidos. Lá me apaixonei pelos assuntos da educação, fiz minha tese nesse tema e, ao voltar ao Brasil, fui trabalhar como professor e pesquisador em educação e formação profissional. Em minha passagem pela, CAPES, IPEA, OIT, Banco Mundial e BID, somente lidei com educação. Após minha volta, continuei.

Pois não é que, o Conselho Regional de Economia vem, há muito, insistindo em me cobrar suas mensalidades? Argumentei por escrito que não exercia e jamais exerci a profissão de economista. Pela lógica, se o Conselho ocupa-se do exercício da profissão, não é comigo. Achei que fosse o bastante.

Mas não foi. Recebo agora uma comunicação de que estou sendo processado. Querem de mim as mensalidades atrasadas. Na verdade, os valores são modestos, muito menos do que vale o meu tempo e o do advogado para lidar com essa briga. Mas sou teimoso. Por princípio, não quero pagar.

De um Conselho de Economia, deveríamos esperar luzes sobre os enguiços da economia brasileira. O que vemos? A prática do mais tacanho corporativismo.

As corporações de ofício nascem na Idade Média, visando regulamentar as profissões artesanais e o seu aprendizado. À sociedade, ofereciam um pacote justo. Garantiam para seus membros o acesso ao mercado, impedindo que os de fora a exercessem. Mas em contrapartida, garantiam a qualidade dos seus profissionais, com rigorosas provas de competência, ao fim dos sete anos aprendendo com um mestre.

Sobraram hoje os pedaços errados dessa tradição. Em vez de proteger o mercado dos artesãos, as novas corporações protegem universitários (que estão no topo da distribuição de renda). Pior, criam uma reserva de mercado para a categoria, sem fazer qualquer simulacro de controlar a qualidade. Basta ganhar um diplominha, de qualquer faculdade e aninhar-se debaixo das asas protetoras dos Conselhos. É o pior dos mundos. Protege o mercado dos economistas (ou dos membros de outros conselhos) e não dá nada em troca. Ou seja, é uma máquina burocrática cujo funcionamento consiste em cobrar mensalidades. Em troco de quê?

Terei que contratar um advogado para me defender. Mas tenho todo o direito de especular sobre o espírito da lei. Se há uma cobrança, é de se pensar que deve haver uma contrapartida para quem paga. Em princípio, esse benefício seria a defesa dos interesses dos profissionais. Ora, para uma pessoa que jamais exerceu a profissão, não há contrapartida, nem real e nem imaginária. Se não trabalho como economista, não tenho tais interesses a serem defendidos. Portanto, o Conselho não me presta serviços.

No fundo, a sociedade brasileira se torna refém de um câncer corporativo, cuja metástase se alastra diuturnamente. Como não quero pagar o pedágio de uma corporação supostamente defendendo interesses que não são meus, sou processado. Embora seja um processo bobo e de pouca monta financeira, quero arrostar o princípio.

Por pouco escapamos de ter uma lei regulamentando a profissão de astrólogo, com seu rosário de privilégios e ameaças a quem não tiver carteirinha e não pagar as mensalidades. Mas há o Conselho da Educação Física, tentando impedir que bailarinos ensinem a dançar. Os administradores não querem deixar engenheiros, economistas ou advogados administrar empresas, mesmo que tenham mestrados ou doutorados na área. Peter Drucker, como advogado, não poderia ensinar Administração. Einstein não poderia dar aula de física na mais humilde escola pública brasileira, pois não tinha licenciatura. Os melhores músicos brasileiros não podem ensinar nas nossas universidades, por faltar-lhes os diplomas.

Em nome de que princípio? Médicos, advogados e pilotos de avião têm boas razões para serem rigorosamente certificados, pois há vidas em perigo. Mas há poucas profissões nessa categoria.

No fundo, o grande mérito dos conselhos é seu êxito em bajular congressistas e fazer lobby para regulamentar a profissão. São recompensados pela sua competência no tapetão. E por nada mais. Mas por que a sociedade brasileira tem que aceitar essa colônia de parasitas, sugando, aos poucos, o fruto do nosso trabalho? Alvíssaras, caiu por terra a exigência de diplomas para jornalistas! Há esperanças. Anti-corporativistas, uni-vos.

*Cláudio Moura Castro é economista

Fabricando o Enem

sex, 22/07/11
por Gastão Vieira |
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*Por Ricardo Semler

Publicado na Folha de São Paulo, em 18/07/2011.

Tem um sujeito americano, meio caipira, que manda no mundo do vinho francês. Até 15 anos atrás, soaria risível. Robert Parker Jr., que nem gostava de vinho, achou que o sistema subjetivo que falava em gosto de lápis molhado e amora podre estava difícil demais. Fez a coisa americana: inventou uma pontuação. Hoje, ninguém manda como ele nesse ramo.

O problema é que apareceu o vinho “parkerizado”, que manipula taninos e açúcar para ficar do jeitinho que o Parker gosta. O Enem, como o vestibular, é “parkerizado”. Concluiu-se que é necessário um sistema de notas para distinguir alunos e escolas. Assim tudo fica mais fácil. E distorcido. Lembro dos processos de admissão quando resolvi fazer mestrado. Nos EUA, labutei para tirar boa nota nos exames e não fiz entrevista.

Na Universidade de Oxford, na Inglaterra, disseram-me que não havia exame e que precisava achar um professor que me quisesse como aluno! Foi o que fiz, e “entrei” porque um senhorzinho que me encontrou num pub simpatizou com minha tese. “Parkerizadas”, as escolas se transvestem com boas notas, e isso é uma fraude intelectual.

Algumas das mais bem pontuadas fazem um funil danado dos dois lados, o de professores e o de alunos. Selecionam vetustamente (não é vestibulinho, mas é similar) os alunos para garantir material bom de prova. Do lado dos professores, fazem uma seleção direcionada. Depois, primam por simulados que visam exatamente treiná-los no que costuma cair nas provas.

Ora bolotas, assim qualquer um faz. É, aliás, um vexame que tirem nota 6 no Enem. Qualquer nota menor que 10, com esse preparo “parkerizado”, é um fracasso. As escolas públicas, que não podem escolher alunos e professores, não podem concorrer com isso.

A solução está na modernidade: fazer com que alunos decorem fórmulas, datas e fatos é de uma bizantinice primorosa. As provas têm, urgentemente, de ser feitas com notebook à disposição. As questões devem se concentrar na capacidade de questionar, procurar e interpretar, abolindo de vez esse caminho emburrecedor da vestibulice.

Impera a preguiça institucional e a pressão anacrônica dos pais, resultando em soluções antigas e doentes. Há muita vinha de qualidade Brasil afora, e certamente não está reservada às elites que procuram capital social e enquadramento nas escolas que fabricam garrafas para o Enem.

É vergonhoso fazer tanta preparação para algo que sequer tangencia o mundo do trabalho. Dessas uvas nativas poderia vir muito vinho de qualidade, com mesclas criativas e importantes. Deixemos o Parker para trás. Mirar nota, como sabemos, não é para francês -é para inglês ver.

RICARDO SEMLER, 52, é empresário. Foi scholar da Harvard Law School e professor de MBA no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Foi escolhido pelo Fórum Econômico de Davos como um dos Líderes Globais do Amanhã. Escreveu dois livros (“Virando a Própria Mesa” e “Você Está Louco’) que venderam juntos 2 milhões de cópias em 34 línguas. Escreve a cada 14 dias neste espaço.

 

Ministro vincula expansão da oferta a maior acesso ao Fies

qui, 21/07/11
por Gastão Vieira |
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Durante encontro com representantes de instituições particulares e comunitárias de ensino superior, nesta terça-feira, 12, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) não é apenas uma iniciativa de governo e de Estado, mas um dos programas sociais mais importantes do país.

Hoje, segundo o ministro, há instituições particulares com 30% dos alunos vinculados ao Fies, mas esse percentual pode ser duplicado até 2020. Na conversa com a representação das instituições, em Brasília, Haddad destacou a importância do diálogo permanente com o setor sobre diversos temas de interesse comum, especialmente do Fies, do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Sistema de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). “A qualidade é nossa meta permanente”, disse.

A agenda do Ministério da Educação e das instituições particulares e comunitárias dá prioridade à qualificação da oferta de educação superior e à ampliação do ingresso de jovens na graduação. Até 2020, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), cujo projeto de lei(nº 8.035/2010) tramita no Congresso Nacional, é ter 33% dos jovens na graduação. A ampliação do acesso, de acordo com Haddad, combinará a expansão da oferta de cursos superiores de tecnologia e de educação a distância com o acesso ao financiamento estudantil.

De acordo com o secretário de educação superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, em 3,5 mil municípios do país não há oferta de ensino superior, e esse é um espaço importante a ser ocupado. “Nossa discussão deve incluir a busca de formas de atendimento a esses jovens”, diz.

Evolução — Dados da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC, apresentados na reunião, mostram evolução no número de financiamentos. Em 2009, foram firmados 32,6 mil contratos; em 2010, 74,3 mil; de janeiro a junho deste ano, 65,4 mil. Trabalham com o Fies, hoje, 1.306 instituições particulares, mas apenas 195 aderiram ao Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (Fgeduc), que permite a dispensa do fiador no contrato. Para Haddad, a adesão das instituições ainda é baixa e tem espaço para crescer.

Entre as decisões tomadas pelo MEC para ampliar o acesso ao Fies, destaca-se a possibilidade de o estudante contratar o crédito em qualquer período do ano. A medida entrou em vigor em 2010 e permitiu a duplicação do número de financiamentos em relação ao ano anterior.

Sobre a evolução do ProUni, segundo a Sesu, de 2005, quando o programa teve início efetivo, ao primeiro semestre de 2011, foram atendidos 863,9 mil estudantes com a oferta de bolsas integrais ou parciais. Já estão formados 174,3 mil. Até o fim deste ano, pelas previsões do ministro, o ProUnideve alcançar um milhão de bolsistas.

*Fonte : ASCOM – MEC

Evitando a corrupção

ter, 19/07/11
por Gastão Vieira |
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*Por José Gayoso – especialista em Planejamento e Controle

Não é novidade que casos de corrupção sejam recorrentes na vida dos brasileiros. Os órgãos de Controladoria têm ficado muito aquém na tarefa de coerção dos abusos e saques contra o erário público, enraizados em todas as esferas de atuação governamental – transportes, saúde, educação, previdência dentre outros.

Apesar dos crescentes movimentos engendrados pela sociedade civil ao longo dos últimos anos em busca de transparência, ética e boa governança dos recursos públicos pelos gestores municipais/estaduais/federais, ainda nos deparamos com notícias nada animadoras. Há de se registrar o importante papel que a imprensa brasileira tem desempenhado nesse contexto, informando e denunciando as falcatruas cometidas.

Neste ínterim, em 28/06/2011 foi publicado no DOU (Diário Oficial da União) o Decreto 7507, instituindo uma nova disciplina na utilização pelos Estados e Municípios dos recursos originários do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

Como já comentado em colunas anteriores, o FUNDEB é o principal financiador da educação básica no Brasil, beneficiando Estados e Municípios com recursos previstos da ordem de R$ 90 bilhões em 2011. O repasse é automático, levando-se em consideração as matrículas (censo escolar) apuradas no ano anterior.

Atualmente Estados e Municípios podem efetuar o resgate desses recursos em conta específica (Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal dependendo do ente administrativo) na “boca do caixa”, para posterior utilização (pagamento dos prestadores de serviço e fornecedores) no custeio das redes de ensino.

O Decreto 7507 altera a forma como esses recursos poderão ser utilizados, com vigência a partir de 28/08/2011: as movimentações bancárias serão processadas apenas eletronicamente. Prestadores de serviço e fornecedores de Secretarias de Governo receberão através de uma transferência eletrônica bancária, onde contratante e contratado estarão claramente identificados. A possibilidade de “saque na boca do caixa” estará proibida, exceto para valores inferiores a R$ 800,00. Isto não extingue a possibilidade de malversação de recursos, porém confere à administração pública maior controle e rastreabilidade das movimentações bancárias efetuadas. A própria sociedade civil pode e deve exigir transparência nesses processos.

O Estado brasileiro impõe uma carga tributária à sociedade da ordem de 35% do PIB, ou seja, R$ 1,3 trilhões/ano (PIB do Brasil em 2010 = R$ 3,6 trilhões). Significa que cada brasileiro dedica em média 4 meses de trabalho do ano para pagamento dos seus tributos. Isto reforça o papel preponderante da sociedade na fiscalização da correta aplicação dos tributos.

Decreto 7507 resgata, através do seu texto, práticas operacionais pautadas pela ética e transparência. Que isto sirva de caminho e contamine os maus gestores públicos deste país.

Desdobramento de um discurso

qua, 13/07/11
por Gastão Vieira |
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Recentemente fiz um discurso na Câmara dos Deputados sobre a forma como é medida a miséria no Maranhão. Houve alguns desdobramentos, dentre ele, os positivos e os negativos. Para fazer uma ponderação, escrevi alguns pontos que ainda valem a pena ser ditos.

1) A tecla é sempre uma só: o Maranhão é dominado por uma “oligarquia”, responsável por tudo de ruim que ocorre no Estado. Quando a “oligarquia” está no poder, nada dá certo, o PIB não cresce, a pobreza aumenta, educação e saúde sofrem e por aí vai… quando a “oligarquia”está fora, tudo vai bem. Quanta ingenuidade! Que argumentação simplória, mesmo assim resta prová-lá, o que ainda não vi ninguém fazer.

2) Para todos os defensores desta “tese”, inclusive o ex-governador, o que ocorre no Maranhão nada tem a ver com o que ocorre no Brasil e no resto do mundo. Nada tem a ver com o processo histórico de crises, em prazo mais remoto, que remonta ao fim do século 19 e início do século 20. Nada tem a ver com as características específicas da região (o Nordeste que também enfrenta muitas dificuldades para crescer). Nada tem a ver com reformas que demoram muitos anos para frutificar (freqüentemente excedendo o período de uma gestão de governo). A única variável relevante para definir o desempenho do Maranhão é a tal da “oligarquia”.

3) De fato, seria ocioso negar que, segundo indicadores importantes, o Maranhão exibiu desempenho bom no período 2004-2009, assim como já tinha exibido bom desempenho em outros períodos. Nenhum maranhense em sã consciência pode ficar descontente quando vê o seu Estado crescer e avançar, independentemente de quem ocupa no momento o Palácio dos Leões. Mas, já é tempo de abandonarmos este conceito simplório de achar que o que ocorre ao longo de um período é fruto exclusivo das ações adotadas naquele período. Ilude-se o ex-governador ao considerar como inteiramente seu o crédito pelos avanços obtidos pelo Maranhão no período que foi chefe do poder executivo. Como homem público experiente, sabe que o desempenho do Estado em um dado período é resultado, principalmente, das reformas estruturais adotadas anteriormente, que demoram para frutificar.

4) Quanto a questão da renda monetária de boa parte da população rural, uma coisa é dizer que ela é contabilizada como inexistente, nula pelo IBGE, nenhuma novidade aí de que isso distorce a medida do PIB. Trata-se de opinião técnica de especialistas da ONU, do Banco Mundial e do próprio IBGE, e considerados como fatos na literatura relevante. Outra coisa muito diferente é dizer que a população rural “vive bem , apenas não utiliza dinheiro….”. Ignoro a razão e a metodologia que autorizou o ex-governador a identificar as duas situações como idênticas.

5) A premissa que presidiu meu discurso é de que o debate sobre a situação do Maranhão é necessário e saudável, mas deve ser mantido em nível elevado, respeitoso, sem preconceitos e ressentimentos pessoais. Infelizmente, não foi o que vi na mal feita reportagem da Veja.

Inclusão digital muda realidade de José de Freitas

qua, 13/07/11
por Gastão Vieira |
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Do Brasil Econômico (SP), em 11/07/11

Em José de Freitas, cidade do Piauí com pouco mais de 36 mil habitantes, a realidade de cerca de 2.000 alunos do 1º ao 5º ano primário mudou graças à tecnologia. Computadores, lousa digital e aparelhos desenvolvidos para o ensino de português e matemática atraíram a atenção dos estudantes e incentivaram professores.

O resultado foi queda nas taxas de reprovação e de evasão escolar. O Ministério da Educação lançou um desafio à Positivo Informática: implantar a tecnologia educacional desenvolvida pela empresa em um dos 1.300 municípios brasileiros com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A escolha de José de Freitas se deu pela proximidade com uma capital fica a 48 quilômetros de Teresina e pela possibilidade de atender a todos os estudantes do 1º ao 5º ano das 11 escolas públicas do município. O projeto implantado em 2009 rendeu rápidos resultados.

Para Maria do Livramento, diretora da Escola Estadual Levy Carvalho, que não tem biblioteca nem mesmo telefone, a maior dificuldade para os professores era a falta de metodologia. A união da tecnologia com conteúdo didático e formação do professor resultou em uma aula completa, alegre e dinâmica.

A taxa de reprovação que era de 50%, agora é quase nula , comemora. Os professores, que antes contavam apenas com lousa, giz e conteúdo didático tradicional, agora utilizam durante as aulas o portal Aprende Brasil, que oferece material didático de apoio para todas as disciplinas, além de centenas de jogos educativos, passatempos e desafios que prendem a atenção da criança e ajudam a fixar o conteúdo.

Com a finalidade de mostrar que a tecnologia pode contribuir, e muito, para formação educacional, o projeto trouxe avanço na alfabetização dos estudantes. Muitos alunos não sabiam ler, somente desenhavam as letras , diz Regina Silva, diretora de projetos educacionais da Positivo Informática.

Processo de transição

A professora do 1º ano da escola estadual Engenheiro Vicente Batista, Regina Lima, confessa que à primeira vista, tanta tecnologia assustou. Nunca tive contato com computador ou lousa digital. Fiquei apreensiva. Mas depois do treinamento percebi o quanto as soluções me ajudariam nas aulas . Os educadores tiveram cerca de 500 horas de treinamento e podem contar com um monitor, que fica à disposição nas escolas, para qualquer dúvida.

Os alunos têm acesso ao laboratório no mínimo três vezes por semana, em aulas de 50 minutos. Com certeza as novas atividades melhoraram o desempenho; percebo maior rapidez de raciocínio devido à prática de aprendizado paralelo ao conteúdo ministrado , diz a professora Regina. Ela acrescenta que, agora, a única dificuldade é tirar os alunos do laboratório após o término das aulas.

Mudança de didática

O modelo de ensino tradicional, no giz e livro, é pouco eficiente para algumas partes do currículo educacional. Isso acontece principalmente nas primeiras séries, cuja introdução básica do português e matemática exige muita repetição de informação, o que pode entediar o aluno , afirma Edgard Cornachione, pesquisador na área de tecnologias instrucionais.

Francisco da Rocha, de 9 anos, cursa a 4ª série e afirma que as aulas são mais atrativas, pois a turma não fica mais o dia inteiro dentro da mesma sala. Agora vamos para o laboratório, as aulas ficaram mais legais e mais cheias, meus amigos quase não faltam , conta o garoto.

Segundo teorias educacionais, as crianças aprendem por tentativa e erro. Para o professor Cornachione, os alunos que são instruídos com o auxílio de programas de computador, por exemplo, tem menos medo de errar, pois o processo é mais dinâmico.

As novas gerações podem utilizar instrumentos de simulação que permitem o erro sem consequências. Camila Lima dos Santos, de 10 anos, nunca tinha visto um computador.

Ela conta que as aulas ficaram mais divertidas e os conteúdos mais fáceis de aprender. Agora, a gente fica com mais vontade de ir à escola. O que mais gosto é o jogo de tabuada, pois minha matéria preferida é matemática , diz a menina. Quero me formar em Medicina para salvar a vida de outras pessoas , sonha.



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