A avaliação deve fechar todo um ciclo, diz Gastão em discurso na Câmara
Brasília – O deputado federal Gastão Vieira (PMDB-MA), presidente da Comissão Especial que analisa o Plano Nacional de Educação, voltou a comentar, nesta segunda-feira (29) o resultado da avaliação educacional das séries iniciais, 1ª, 2ª e 3ª séries, executada pelo movimento Todos pela Educação, em parceria com o IBOPE e com o Ministério da Educação.
Vieira chamou atenção para o que chamou de “tímida” repercussão na mídia em detrimento da relevância do tema. Segundo ele, a educação brasileira melhora de forma muito lenta. “Temos visto sindicatos, sociedade civil, as organizações sociais repetirem algo que é indispensável na melhoria da educação brasileira: a valorização do professor. Mas há um ator que não está presente, há um ator que não pode falar porque a educação que recebe não lhe permite formular de forma clara os seus direitos: refiro-me aos alunos, refiro-me às crianças”, disse.
Segundo o parlamentar, as crianças chegam à escola na idade correta, cheias de esperança e não estão aprendendo. “Não conseguem distinguir na área de matemática, onde a situação é até mais dramática do que em português, uma fração de outro tipo de operação matemática”, ressalta e acrescenta que “ao olharmos para a escola, é necessário olhar o professor e o aluno”.
A tese do deputado passa pela necessidade da valorização do professor, que deve ter remuneração compatível e ser preparado para desempenhar a sua função. No entanto, é indispensável que seja preservado o direito do aluno de aprender. Caso contrário, se estudante não obtiver êxito nas séries iniciais, vai tropeçar no Ensino Fundamental e chegar ao Ensino Médio com uma idade avançada, trabalhando de dia, estudando de noite. Nesta fase, segundo ele, a alternativa é entrar no caminho do Ensino Profissionalizante para, consequentemente, buscar emprego no mercado de trabalho que lhe ajude a sobreviver e ajudar sua família.
“É na porta de entrada que se decide o futuro do aluno. É por isso que sempre falo em primeira infância, em educação infantil nesta Casa. Precisamos agora dar as crianças brasileiras, que não aprendem, o direito de ter uma alfabetização que lhes permita vislumbrar um futuro melhor. Essas crianças têm de ser parte do problema”, defende Vieira.
O ciclo sugerido pelo deputado é: o professor ensina, o aluno aprende, a família acompanha. Para ele, é desta forma que será possível fazer uma avaliação de quem cumpriu bem o seu papel na equação.
“O professor não tem uma orientação clara do que deve ensinar. O professor se vira como pode, ensina o que sabe, da forma que sabe. E o aluno aprende ou não aprende”, afirma o presidente da Comissão Especial do PNE, que questiona ainda o porquê da diferença regional, se o exercício e a prática dentro da sala de aula são os mesmos. Ele acredita que os movimentos sociais e a sociedade civil devem incorporar ao coro de reivindicações o direito do aluno em aprender para que os índices educacionais possam, verdadeiramente, melhorar.
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