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CBF criará licença para técnicos

ter, 11/08/09
por Izone Carvalho |
categoria Futebol

Por Rodrigo Mattos, na Folha de S. Paulo:

Todos os técnicos brasileiros terão de fazer um curso e obter uma licença da CBF para trabalhar no futebol profissional. Ainda não há data certa para esse diploma se tornar obrigatório, mas a confederação já deu o primeiro passo neste sentido, ao dar aulas a um grupo de alunos no mês passado.

A iniciativa da entidade foi uma resposta a ofício da Fifa à Conmebol, no meio do ano, em que impõe a obrigatoriedade das licenças na América do Sul.

Segundo a CBF, os diplomas já seriam exigência imediata para técnicos brasileiros que quisessem trabalhar fora do país. Como ainda não há treinadores com essa graduação, deve haver um período de transição.

A licença para técnicos faz parte do contexto de novas regulações da Fifa para o futebol. Esse cenário inclui o licenciamento dos clubes, no qual é prevista a exigência da contratação de treinadores com cursos oficiais ou experiência reconhecida de cinco anos. A Fifa prevê que a norma entre em vigor na temporada 2010-2011.

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Soluções simples e erradas para problemas complexos

seg, 27/07/09
por Izone Carvalho |
categoria Futebol

Pense numa profissão cujos representantes têm a difícil missão de amealhar bons resultados 100% do tempo, desatar os nós de crises no seu ambiente de trabalho e ainda encarar a pressão de, por assim dizer, terceiros interessados, sob pena de serem sumariamente dispensados de suas funções.

Dada a temática a que se dedica este blog, não seria surpresa se, diante do exercício proposto no parágrafo anterior, a mente do leitor fosse como que automaticamente remetida à profissão de técnico de futebol ― hoje, um quase sinônimo para demissões a toque de caixa motivadas pelo não cumprimento de exigências irrealistas.

Na série A do Brasileirão deste ano, até a 14ª rodada, nada menos que nove clubes optaram pelo arquétipo das soluções simples e erradas para problemas complexos no futebol: a troca de técnico. A bola da vez é o técnico Cuca do Flamengo, que no ano passado, diga-se de passagem, já havia transitado por Botafogo, Santos e Fluminense dentro da mesma competição.

De fato, é menos traumático para as equipes trocar apenas o comandante do que toda uma legião de comandados. Entretanto, esquecem seus cartolas de que, tendo à sua disposição apenas jogadores de baixa qualidade técnica, não resta como opção aos treinadores senão abandonar o plano do que é desejado e contentar-se com a dimensão mirradinha e de ambições mais modestas do que lhes é possível.

Há exceções, bem entendido. Desse mal não padece, para ficar num feliz exemplo, a direção do Avaí, que aparentemente já enxergou as vantagens de se preservar uma comissão técnica por mais tempo no comando da equipe. Com o técnico Silas, após segurar a lanterna da competição ao longo de sete rodadas, o time emplacou quatro vitórias consecutivas e deu um salto considerável na tabela de classificação. Silas foi contratado pelo Avaí ainda durante as primeiras rodadas da série B de 2008, pouco depois de ter sido demitido pelo Fortaleza.

Diante de realidade tão incontroversa, permeada de exemplos de apostas bem-sucedidas de um lado e de velhas práticas redundando em fracasso de outro, cabe a pergunta: será tão difícil assim aos dirigentes de clubes de futebol brasileiros atentar para as experiências que vêm dando certo?

Para além de palmas e silvos

seg, 13/07/09
por Izone Carvalho |
categoria Futebol

Responsável em grande medida pelo sucesso dos profissionais do esporte em competições, a preparação física foi, no que concerne ao treinamento, um dos elementos de evolução mais vertiginosa nas últimas décadas.

Tal constatação vale talvez até com maior força para o futebol, que apenas em 1954, durante a Copa do Mundo, começou a ser objeto de preocupação do preparador físico ― aquela figura ainda misteriosa, sempre de prontidão ao lado do treinador ―, e que no curto intervalo de tempo de lá para cá, viu-o consolidar-se como um profissional cuja presença é indispensável na comissão técnica de qualquer equipe que se pretenda séria. Com efeito, o fato de se poder contar com um preparador capacitado passou rapidamente a ser visto por quem entende do riscado como fator diferencial no trabalho desenvolvido tanto com atletas profissionais quanto com os mais jovens, nas categorias de base.

Hoje, a tônica dos avanços na atividade é dada pela inovação tecnológica. Conjugar a teoria com a utilização de recursos de ponta na avaliação do nível de condicionamento dos atletas, de forma a adaptar os treinamentos à sua evolução, constitui uma das principais tarefas do profissional da área.

Tendo em vista uma otimização dos resultados, seu ofício exige ainda um certo cuidado pedagógico, imperativo corretamente sublinhado por Renato Buscariolli:

“A área da preparação física é bastante ampla e envolve campos que vão desde a bioquímica/fisiologia do exercício, passando pelos princípios do treinamento chegando até a pedagogia. Infelizmente, em muitos casos, dá-se uma atenção muito grande para os meios e métodos que serão utilizados e acaba por se esquecer da pedagogia do treinamento. Pensando-se em categoria de base, isso é temeroso, visto que quanto mais cedo se der o processo de conscientização dos atletas que dão início à especialização, maiores serão as chances de futuros atletas críticos e inteligentes.
(…)

“Dar treino ‘físico’, não é simplesmente colocar cones, medir dimensões, quantificar volume e intensidade e atingir ápices e platôs de performance. Com certeza, os atletas mais conscientes e inteligentes, passarão a divulgar a importância da preparação física e mais do que isso, exigirão qualidade profissional daqueles que tiverem em seu comando.”

Ora, no Maranhão, não seria exagero concluir pela necessidade da extensão dessa prática de conscientização para além das quatro linhas, de forma a alcançar também dirigentes, imprensa especializada e o público em geral. Lamentavelmente, ainda sobrevive no imaginário coletivo destas paragens uma imagem caricatural do preparador: o sujeito de porte militaresco, palmas frenéticas e apito ensurdecedor, que teria por único objetivo o de manter os atletas em forma. Não custa lembrar que o esclarecimento acerca das reais finalidades de uma atividade é condição incontornável para um maior reconhecimento de sua importância.

O que há de errado

ter, 30/06/09
por Izone Carvalho |
categoria Futebol

Trecho de entrevista com Leonardo, ex-jogador e atual técnico do Milan. Por Kalleo Coura, na Veja:

(…)

O senhor foi executivo do Milan durante seis anos. Por que, na sua opinião, enquanto times como o Arsenal da Inglaterra chegam a lucrar 60 milhões de euros numa temporada, o Flamengo, por exemplo, só tem dívidas? O que há de errado no futebol nacional? O futebol brasileiro está fora do mercado. A atual estrutura dos clubes – associações sem fins lucrativos, geridas por um conselho que nem se sabe mais para que serve e por presidentes com mandato de três anos – não funciona. Que clube hoje no Brasil planeja seu futuro? Nenhum. A maioria está quebrada, tentando levantar dinheiro para pagar as contas do mês seguinte. É preciso buscar novas soluções.

Por exemplo? Transformar todos os clubes em empresas e vendê-los a grandes investidores. Hoje, o Flamengo dá prejuízo e nada acontece. Mas, se alguém tiver de pagar a conta, a situação pode mudar – talvez o clube passe a ser lucrativo.

E como os clubes se sustentariam? Com as suas marcas, é claro. As fontes de renda de um clube são: licenciamentos, merchandising, venda de ingresso para torcedores e venda de direitos de transmissão para a televisão. Se o clube melhorar sua gestão, tudo isso vai sair mais caro e, assim, render mais. Grandes empresas vão bater à sua porta, para patrociná-lo, como fazem aqui com o Milan. Se a Dolce&Gabbana não vier, a Armani virá no dia seguinte. Se não vier a Audi, talvez venha a Mercedes. Agora, quando você pensa no Flamengo, para ficar no nosso exemplo, qual o primeiro adjetivo que vem à cabeça? Tenho certeza de que é algo relacionado a insucesso. Por isso nenhuma marca quer se juntar a ele e é um trabalhão conseguir patrocinadores.

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Minando as fileiras americanas

ter, 30/06/09
por Izone Carvalho |
categoria Futebol

Na grande final da Copa das Confederações, deu Brasil de Luís Fabiano. As duas linhas de quatro jogadores em que se organizava a defesa dos Estados Unidos, que garantiram a vitória na semifinal contra a Espanha, não resistiram muito tempo diante da equipe do técnico Dunga.

Formação tática surgida na década de sessenta, o famoso “4-4-2 britânico” é, para dizer o mínimo, bastante eficiente: uma primeira linha defensiva forma-se com a perda da posse de bola enquanto a segunda linha se encarrega da cobertura. A marcação é feita por zona, com pressão sobre a bola. Isso proporciona um bloqueio das ações laterais e verticais do adversário e pode ensejar contra-ataques rápidos.

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Deu trabalho. Mas apesar do fatídico primeiro tempo, o Brasil soube suplantar o jogo americano e virar o placar. Para tanto, Dunga lançou mão da estratégia de manutenção da posse de bola com inversão das jogadas, tanto pela direita com Maicon, como pela esquerda com André Santos. O resto ficou por conta da excelência técnica de seus comandados.

Técnico de futebol: com diploma ou sem diploma?

qua, 24/06/09
por Izone Carvalho |
categoria Futebol

Na última semana, o Supremo Tribunal Federal decidiu por oito votos a um pelo fim da exigência de diploma para jornalistas. Gilmar Mendes, o ministro relator da matéria, adverte que o julgamento vai repercutir inclusive sobre outras profissões, declaração que reacende a polêmica, no que diz respeito ao âmbito deste blog, acerca da regulamentação da profissão de técnico de futebol.

De acordo com a legislação em vigor, só podem exercer a função os profissionais de educação física, isto é, possuidores de diploma na área regularmente inscritos no Conselho Federal de Educação Física [1]. O artigo 3º da Lei nº 9.696 é claro nesse sentido:

“Compete ao Profissional de Educação Física coordenar, planejar, programar, supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar trabalhos, programas, planos e projetos, bem como prestar serviços de auditoria, consultoria e assessoria, realizar treinamentos especializados, participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar informes técnicos, científicos e pedagógicos, todos nas áreas de atividades físicas e do desporto.”

Essa redação revoga tacitamente disposição de lei anterior, de 1993, que apenas estabelecia uma preferência em favor dos diplomados, ou ainda daqueles que tivessem passado por cursos específicos de formação em futebol, sem contudo lhes tornar exclusiva a prerrogativa de comandar equipes.

Todavia, não é preciso escarafunchar muito para se perceber que a legislação não está sendo devidamente aplicada. Dunga, do alto do cobiçado posto de técnico da seleção brasileira, é um exemplo inequívoco de que a letra da lei não tem alcançado a beira dos gramados.

Particularmente, acredito que melhor seria regulamentação nenhuma. Apesar de reconhecer o valor da formação em educação física, não posso deixar de aludir à experiência de muitos ex-jogadores de futebol que, mesmo sem diploma, assumiram como novo ofício a profissão de técnico e foram bem sucedidos. O próprio Dunga — quem diria? — vem caindo cada vez mais nas graças da torcida.

Sindicatos da categoria alegam que a abertura aos não-diplomados prejudica os profissionais formados na área. É verdade. Mas convém chamar a atenção para o fato de que a interferência nas contratações, que torna a triagem efetuada pelos empregadores antes uma questão cartorial do que de avaliação de competências, prejudica, por sua vez, o futebol.

E fica aqui uma curiosidade: nem mesmo para o exercício do cargo de ministro do STF, instância que tende a partir de agora a reverter a marcha outrora inexorável da regulamentação de profissões, exige-se diploma. Quem disse que em casa de ferreiro o espeto é de pau?


[1] A rigor, podem ainda ser enquadrados sob a designação aqueles que até 2 de setembro de 1998 — data do início da vigência da Lei nº 9.696, que regulamenta a profissão de educador físico — tenham comprovadamente exercido atividades próprias dos profissionais de educação física, segundo critérios do conselho.

Quando chega a hora do divórcio

seg, 22/06/09
por Izone Carvalho |
categoria Futebol

muricy02.jpgApós três anos e meio de um ciclo vitorioso no São Paulo — coroado com a conquista do tricampeonato brasileiro em 2008 —, a demissão do técnico Muricy Ramalho assinala o fim de uma união incomum no futebol brasileiro — tanto pela sua duração quanto pelos frutos que ela rendeu. Com a derrota para o Cruzeiro nas quartas-de-final da Libertadores e a eliminação nas semifinais do Paulistão ainda fresca na memória de torcedores e cartolas, sua permanência à frente da equipe se tornou insustentável.

Assistimos, uma vez mais, ao desenrolar de enredo bem conhecido: o drama do treinador que, não obstante sua aptidão e experiência, não consegue se manter de pé diante de um dos maiores fantasmas do esporte: a falta de bons resultados. Neste caso em particular, aliás, a falta de um título na Libertadores.

Para Ricardo Gomes, que assume o comando da equipe tricolor, a missão é ainda mais complicada; trata-se de remodelar um grupo já habituado à personalidade de Muricy e a seu modelo de treinamento. A fim de virar o jogo a seu favor, cumpre ao ex-zagueiro da Seleção fazer com que os jogadores de inegável qualidade técnica que terá à sua disposição mostrem em campo todo o seu futebol, coisa que até agora ficaram devendo…

Foto: Vipcomm

Em regime de planos e metas

seg, 15/06/09
por Izone Carvalho |
categoria Futebol

No Brasil, clube de futebol ainda não é empresa. Mas isso não desobriga dirigentes e comissões técnicas de realizar o devido trabalho de planejamento na condução de uma equipe. Estabelecer planos e metas sempre foi condição indispensável para um melhor aproveitamento de recursos e esforços. Num contexto de progressiva profissionalização em todos os níveis de gestão e fomento da prática esportiva, tal empreendimento vem se tornando fundamental na busca por melhores resultados.

Procurando harmonizar esse imperativo com o desejo de mostrar a que veio desde o seu primeiro ano na elite do futebol maranhense, o JV Lideral erigiu uma estrutura digna de grandes clubes, contratou um técnico que mostrou mais uma vez sua competência e atletas que, no decorrer dos últimos meses, deram provas de que santo de casa também faz milagre.

Essa postura contrasta fortemente com a de equipes mais tradicionais do nosso futebol, as quais, por falta de gestores profissionais, agonizam nas mãos de dirigentes que fazem do esporte um meio de autopromoção sem qualquer tipo de planejamento de longo prazo, passando ao largo de uma formação de valor nas categorias de base, trocando de técnico muitas vezes ao longo das competições e contratando jogadores de outras regiões que não demonstram qualidade técnica suficiente para melhorar o desempenho de seus times.

O planejamento, hoje, é a alma do futebol. Sem ele, de nada adianta montar um plantel de “galáticos”: os resultados tão esperados pelas diretorias amadoras simplesmente não virão.

A diretoria do JV Lideral, campeão maranhense de 2009, fez o dever de casa, e, juntamente com jogadores e comissão técnica, merece os parabéns pela conquista.

A importância do trabalho de base

ter, 09/06/09
por Izone Carvalho |
categoria Futebol

250px-lionel_messi_31mar2007.jpgQuando o mercado do futebol está escasso, a solução é revelar novos jogadores. Por isso, o trabalho nas categorias de base deve ser feito com seriedade e exige o esforço de profissionais idôneos, tendo em vista que é entre os pequenos atletas ― pedras preciosas, é verdade, mas ainda sem brilho ― que pode estar a salvação de um clube no futuro. Exemplos para ilustrar essa tese não faltam.

Lionel Messi, que deixou definitivamente sua marca na história do futebol após a conquista da tríplice coroa pela equipe do Barcelona, é uma dessas pedras preciosas do esporte. Seus primeiros passos com a bola nos pés foram dados no clube de seu bairro, o Grandoli, quando tinha apenas cinco anos de idade. Foi  transferido, logo em seguida, para o Newell’s Old Boys, onde começou sua carreira esportiva.

Contudo, seu futuro nos gramados estava ameaçado, pois Messi padecia de uma enfermidade hormonal que afetava seu crescimento. Por não ter dinheiro para o tratamento, e diante da recusa dos clubes argentinos em financiá-lo, sua família tomou uma decisão que seria crucial na trajetória do craque; aos treze anos, Messi embarcou para a Europa.

O Barcelona havia aceitado pagar parte do caro tratamento, sob a condição de que o jogador integrasse seu time infantil. Desde então, Messi passou por todas as categorias de base do clube espanhol. Foi incorporado ao time principal com apenas dezesseis anos, na temporada 2003–2004, estreando contra o FC Porto numa partida amistosa que inaugurava o Estádio do Dragão. Hoje é cotado como um dos melhores jogadores do mundo.

Em nosso país, temos, igualmente, bons exemplos a serem observados. O São Paulo, tricampeão brasileiro, vem revelando, ano após ano, atletas de talento oriundos de sua invejável base: Kaká, Breno e Hernanes são alguns dos nomes. Também o Internacional, atual líder do Brasileirão, nos brindou com duas jóias raras, dignas de destaque: Nilmar e Alexandre Pato, que se conhecem desde as categorias de base do time colorado e agora, com a suspensão de Luís Fabiano para o jogo contra o Paraguai, brigam por uma vaga de titular na Seleção Brasileira.

Isso nos mostra que o trabalho de base feito com inteligência, paciência e desenvolvido por profissionais qualificados para o exercício da função, rende, invariavelmente, bons frutos. Com efeito, a pedra preciosa em estado natural tem o seu valor; mas só adquire o verdadeiro brilho depois de devidamente lapidada.

Foto: Wikimedia Commons



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