Formulário de Busca

15 minutos de fama

qui, 17/05/12
por James Magno Farias |
categoria CULTURA POP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Andy Warhol, o célebre artista pop americano, certa vez disse que “um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama”. Nem todos, claro, é bem verdade. Mas na atual sociedade midiática e globalizada, regida pela imagem e pela intensa troca de informações, muitos conseguem as luzes dos holofotes.

Aparecer, ser visto e cultuado. Identificar essa necessidade de aparecer a todo custo, de ser famoso e de lucrar com isso parece ser uma face da sociedade hedonista que cresce a cada dia. Os reality shows como o BBB instigam a uma reflexão sobre o tema.

A ideia do Big Brother nasceu da obra ‘1984’, que George Orwell escreveu em 1948 (daí a inversão dos números finais para um futuro e distante 1984 – para nós já um passado rígido). O livro é, na verdade, uma crítica ao Stalinismo, com sua fachada rígida e intolerante, cujos crimes ainda não haviam sido denunciados abertamente, mas que tem como panorama os riscos de uma sociedade exposta à vigilância constante do Estado.

A leitura de 1984 impressiona pela ambientação sombria de um Estado que tudo controla (supostamente a própria Inglaterra, já que a estória se passa em uma Londres fictícia.), mediante vigilância eletrônica em cada recinto, casa, trabalho ou rua. É um livro cujo enredo está cada vez mais atual, ante a capacidade tecnológica que permite hoje a vigilância ininterrupta por teletelas e micro-câmeras, escutas telefônicas, satélites, etc. Nunca um dos pilares do Totalitarismo foi tão bem explorado quanto o poder de vigilância do Estado, ou em seu nome.

 O Estado orwelliano é tão monstruoso e pretensioso na tentativa de tudo controlar, que chega até a criar o “Ministério do Amor” (!!), encarregado de impor limites à ordem e determinar a vida afetiva de seus habitantes. Havia também o “Ministério da Verdade”, a “Polícia do Pensamento” e o Ministério da Paz (que tratava da guerra!), além do Ministério da Fartura.

O resultado é um livro perturbador, repleto de citações sombrias de vidas vegetativas, sem sentido e sem rumo, tudo sob o controle do “Big Brother”. O Grande Irmão Estado, que criou uma “novilíngua” para seus habitantes, conseguia mudar até mesmo a história passada com o marketing político. Da mesma forma, usava maquiavelicamente virtuais vitórias em guerras distantes para unir forçosamente os habitantes contra um inimigo externo, criando um sentimento de apego nacional contra “eles”, quem quer que fossem.

A brutalidade com que o “Big Brother” pune os amantes do enredo, Winston e Julia, que ousam apaixonar-se sem a permissão do “Ministério do Amor” é aterrorizante, criando um clima claustrofóbico, insuportável, transmitindo a sensação da repressão e da frieza do regime.

 Já em “A Revolução dos Bichos”, ORWELL cria uma suposta fábula em que os animais se revoltam e tomam de assalto a fazenda onde vivem, expulsando o antigo dono, Mr. Jones, passando a comandar o lugar. Os porcos se apressam em assumir o comando e logo um deles, de nome Garganta, será o mais poderoso. Usando artifícios como confundir o passado com o presente, impedindo a reflexão dos animais, Garganta impõe-lhes as maiores privações e repressão, lembrando sempre que por pior que seja o presente, pior seria se Mr. Jones voltasse, criando um sentimento coletivo de que então o novo é melhor do que o velho. Mas a partir da dominação básica os porcos impõem um regime de terror pior do que o antigo.

ORWELL fez uma dura crítica aos rumos da Revolução Russa de 1917, insurgindo-se contra a ditadura instalada, que em nome da imposição do novo regime, violou frontalmente direitos básicos do povo, impondo-lhe terríveis sacrifícios.

Tema semelhante é abordado em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, que imagina um Estado pós-fordista, que controla até a natalidade e a continuidade da vida, em uma sociedade asséptica e rigidamente vigiada.

Ao trabalhar com os conceitos de domínio absoluto do povo pela imposição ideológica, repressão política e controle dos atos e informação, Orwell e Huxley deixaram obras fundamentais, repletas de elementos típicos do Totalitarismo, em uma atmosfera sombria e angustiante, propositalmente idealizada. Um libelo contra a alienação e dominação ideológica.

—-

P.S.

 Na final da Taça Rio de futebol de 2012 bastou uma bela gandula chamada Fernanda repor com extrema rapidez uma bola que originou um gol do Botafogo contra o Vasco para o fato ser mais do que suficiente para ela vir a ser convidada para dar entrevistas mídia afora e virar uma celebridade imediata em todo o país. Na semana seguinte ela já estava esquecida; da mesma forma que a grande maioria dos chamados BBB’s ou dos que viram fenômeno de acesso no You Tube ou em redes sociais. Tudo em apenas 15 minutos.

Sem Chico e Millôr

qui, 29/03/12
por James Magno Farias |
categoria CULTURA POP

O Brasil ficou mais triste com o falecimento de Chico Anysio e Millôr Fernandes. Em menos de uma semana o país perde dois ícones do humor e livre pensamento.

É certo que ambos viveram bem e intensamente; marcaram sua geração; são inspiração para quem fica, pois sua passagem deixará registro na história cultural brasileira.

Chico Anysio sempre fez parte de minha memória cultural, desde os quadros de  Chico City, suas crônicas semanais ou os impagáveis personagens que criou. Seu legado é enorme.

Reproduzo duas frases interessantes dos dois mestres:

“Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala” (Millôr Fernandes).

“”Se estivesse desencantado da vida, acordar seria um tormento; sou apaixonado pela vida e agradecido pelo que me foi dado” (Chico Anysio).

Vida eterna!


 

5 películas para o feriadão

sex, 17/02/12
por James Magno Farias |
categoria CULTURA POP

 

 

Para quem não tem samba no pé ou prefere o recolhimento em vez da passarela eu fiz uma pequena lista de filmes que podem ser locados facilmente.

1. “V de Vingança”. De James McTeigue, com Hugo Weaving e Natalie Portman. De autoria dos irmãos Wachovsky, os mesmos da trilogia Matrix, V acabou virando um ícone pop cultuado recentemente quando a máscara do personagem principal pôde ser vista em vários protestos e passeatas mundo afora contra o establishment, de Wall Street a Atenas. Apesar de não ter a profundidade política alardeada é diversão garantida.

 

 

 2. “Alguém tem que ceder”. De Nancy Meyers, com Jack Nicholson e Diane Keaton. Uma divertida e deliciosa comédia romântica sobre os encontros e desencontros entre uma escritora nova iorquina e um playboy conquistador sessentão, dono de uma gravadora, que sempre se relacionou com mulheres décadas mais jovens, até encontrar Erica.

 

 

 

 

 

 

3. “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. De Michel Gondry, com Jim Carrey e Kate Winslet. Quem se acostumou a ver Carrey sempre alucinado em papéis cômicos pode estranhar seu papel contido nesta película delicada sobre relacionamentos que começam, terminam e modificam as pessoas para sempre.

4. “Back Beat – os cinco rapazes de Liverpool”. De Ian Softley, com Sheryl Lee e Stephen Dorff. Este é para o beatlemaníacos: narra os primeiros tempos dos Fab Four, quando eles ainda eram cinco! Isso mesmo, antes de ser quarteto os Beatles tiveram um quinto integrante, Stuart Sutcliff, que era o baixista antes de Paul assumir seu Höfner 500/1. Linda fotografia e a música obviamente dispensa apresentações. Imperdível.

 

 

 

 

 

5. “Sociedade dos poetas mortos”. De Peter Weir, com Robin Williams e Ethan Hawke. Eu confesso que resolvi virar professor depois de assistir Sociedade dos poetas mortos. É um daqueles raros filmes transformadores. O enredo narra o curto período de um professor de literatura em uma tradicional escola americana, onde o novo professor (Williams) usa uma metodologia que incentiva seus alunos a novas reflexões. Ambientado na conservadora década de 50 não é difícil imaginar que tudo levará a conflitos intensos e marcantes na vida dos envolvidos. 

 

O mal ronda a Terra (Tony Judt)

sex, 17/02/12
por James Magno Farias |
categoria LITERATURA

Tony Judt, o grande historiador britânico, antes de falecer precocemente em 2010, ainda deixou uma derradeira pérola, o livro “O mal ronda a Terra”(Editora Objetiva, 2011). O título já diz tudo. Aqui Judt faz uma análise sincera do que denomina ‘um tratado sobre as insatisfações do presente’.

 Temas como economia, política e desemprego não escapam ao olhar profundo de Judt.

A agonia da mudança da pele da cobra capitalista neoliberal e os debates sobre o retorno a uma via neo keynesiana ou social democrata recebem uma profunda reflexão em seu texto elegante.

 A crise financeira do início do século não lhe escapa. A forma consumista desenfreada de nossa sociedade ocidental gerou uma ‘fé cega no mercado’ que compromete o respeito à igualdade social e o sistema jurídico.

 Esse mal a que Judt se refere tem nome e rosto. Já apareceu antes nas guerras, nas cruzadas, na Inquisição, nas ditaduras totalitárias, no nazismo, no stalinismo. Esteve na raiz do massacre de civilizações pré-colombianas na América, no tráfico de escravos africanos e na tortura oficializada por estados autoritários.

E ainda pode ser encontrado na raiz do crime, da violência, do preconceito, do ódio religioso ou de conflitos étnicos, políticos ou ideológicos.

 Judt escrevia com um humanismo apaixonadamente, mas sem radicalismos. Sabia distinguir entre o razoável e a aventura quixotesca. Ele fará falta. Afinal o bem deve unir-se contra o mal que ronda a Terra.

Show de Flávia Bittencourt no Teatro Arthur Azevedo no dia 20 de janeiro

sex, 13/01/12
por James Magno Farias |
categoria CULTURA POP

A maravilhosa cantora maranhense Flávia Bittencourt fará show no Teatro Arthur Azevedo no dia 20 de janeiro, às 21h.

Flávia já está no aquecimento para lançar seu terceiro trabalho.

No último disco, “Todo Domingos”,  prestou uma homenagem merecida e emocionante a Dominguinhos.

Flavia tem uma excelente presença de palco, marcada pela presença intimista e a relação afetuosa com o público. Seu repertório vai de Zeca Baleiro a César Teixeira com muita personalidade.

Eis um verdadeiro presente para os ludovicenses no ano do quarto centenário.

Imperdível!

FLAMENGO CAMPEÃO MUNDIAL INTERCLUBES

ter, 13/12/11
por James Magno Farias |
categoria ESPORTE

 

Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Técnico: Paulo César Carpeggiani.

13 de dezembro de 1981.

FLAMENGO CAMPEÃO MUNDIAL INTERCLUBES.

Ao eterno esquadrão!

O universo jurídico paralelo

sex, 25/11/11
por James Magno Farias |
categoria DIREITO

Em novembro de 2011 algumas dezenas de estudantes da USP invadiram o prédio da reitoria da Universidade e lá permaneceram por alguns dias, inicialmente em protesto contra a prisão efetuada pela Polícia Militar de três estudantes que estavam fumando maconha no campus. Depois o temário mudou para pedir a saída do reitor, o fim da “repressão na universidade”, o fim do convênio com a polícia (firmado após o latrocínio de um aluno) e outras vagas reivindicações. Outras pessoas agregaram-se à ocupação: estudantes de outras universidades, militantes de micro partidos de extrema esquerda ou meros curiosos. Após negociações infrutíferas foi dada ordem judicial para desocupação, ordem que foi apoiada pela maioria da opinião pública e que foi cumprida rapidamente pela PM, que efetuou cerca de 70 prisões. Após a desocupação vieram velhos políticos e pseudo intelectuais criticar a repressão típica da ditadura e apoiar a liberdade de expressão desses jovens ‘reprimidos pelo sistema’.

 Camille Paglia certa vez disse que devemos desconfiar de pessoas velhas que continuam rebeldes; a rebeldia é dada apenas aos jovens, que após maturá-la um dia irão amadurecer e ajudar a sociedade a melhorar. Se na época da verdadeira ditadura brasileira os estudantes lutavam por voz, por liberdade e por democracia, hoje, a máscara nunca escondeu as faces dos invasores da USP: estavam amesquinhados apenas em sua vontade de consumir suas drogas sem serem incomodados! Alienados da violência social que a droga traz e apoiados por uma dezena de radicais esquerdistas saudosos do stalinismo, as mentes juvenis são facilmente envenenadas com sonhos mentirosos de um mundo igualitário.

 O que garante a igualdade na democracia é a lei. A estrutura kantiana do Estado funciona assim: os cidadãos (eleitores, homens e mulheres) exercem seu direito de voto e elegem nossos representantes, que fazem as nossas leis, as quais nós somos obrigados a cumprir. Se a lei não é boa, podemos tentar mudá-la por um novo processo legislativo ou ir ao judiciário tentar convencer um juiz sobre o defeito da norma jurídica: será o magistrado que dará razão ou não ao postulante. A desobediência ao conjunto legal gera punições de variados tipos, que vão de multas a prisões. Não há um universo jurídico alternativo brasileiro que permita, por exemplo, que o MST possa invadir uma propriedade e sair ileso disso. Haverá sempre processo contra os invasores. Se haverá condenação ou absolvição apenas o caso concreto dirá.

 Não, jovens estudantes, não, isso não é ditadura! Se o Brasil ainda fosse uma ditadura vocês sequer poderiam fazer alguma crítica ao Estado. Nem sairiam de casa se houvesse estado de sítio. O que houve diante de sua invasão a um prédio público foi a invocação da teoria da responsabilidade civil brasileira. Destruiu? Indenize! Causou prejuízo? Indenize. O STF já alargou bastante o conceito de liberdade de opinião ao permitir as marchas da maconha. Mas não existe uma ordem jurídica paralela para permitir que estudantes invadam, destruam e depredem sem que sofram sanções por isso, independentemente da motivação. E a polícia, vigilante do Estado, sempre aparece com a conta na mão para cobrar. Assim ocorre nas famosas ‘ditaduras’ da Dinamarca, Suécia, Holanda, Alemanha, França, Itália… A polícia sempre aparece para restabelecer a ordem. Lembram dos conflitos incendiários em Londres em 2011?

Em outras vezes a lei já testada. Foi testada pelos controladores de voo em 2008 e pelos bombeiros amotinados no Rio de Janeiro; inicialmente reprimido, o movimento dos bombeiros de 2011 saiu vitorioso e inspirou atos gêmeos; a Constituição Federal e o Código Penal Militar estão sendo testados agora pelos militares maranhenses. O art. 142, IV, da Constituição proíbe aos militares a sindicalização e a greve. O STF já interpretou que o conceito de militares deve englobar os militares estaduais. Por isso é uma afronta ao estado constitucional a paralisação dos militares por salário: isso, tecnicamente, não é greve, pois a eles não lhes foi dado tal direito. A condução do processo de reivindicação está equivocada. Se antes era feito um ‘panelaço’ pelas esposas, agora os militares, outrora contidos pelo Direito Penal Militar, paralisam suas funções sem medo. A via reivindicatória deveria ser a da política, com trabalho de convencimento de quem pode conceder-lhes aumento e o atendimento de suas reivindicações.  Quem sabe até de mudar pela via legislativa a Constituição Federal para garantir-lhes o direito de greve. Afinal, pela via kantiana foi garantido ao menos o direito de manifestação diante de uma injustiça da lei.

 Aqueles estudantes invasores, em seu inerente estado de rebeldia, querem a anarquia para fazer o que bem entenderem, sem a presença do Estado. Os pseudo intelectuais, por seu turno, querem é dominar esse Estado e moldar-lhes a face conforme a imagem do espelho. Os policiais querem aumento, ainda que à custa de uma paralisação ilegal.

 A verdadeira Democracia atrai responsabilidade geral e plural. A democracia impõe direitos e deveres, respeito à lei e à ética.

A DEMOCRACIA OPINIOSA

sex, 25/11/11
por James Magno Farias |
categoria SOCIEDADE

A opinião pública na democracia funciona como termômetro, em um simbolismo adequado ao calor das mais variadas discussões. A liberdade de expressão, consagrada constitucionalmente no Brasil, permite que todos manifestem sem amarras seu pensamento. Daí que a população tem expressado tal direito no temário que vai da escalação da seleção brasileira ao novo escândalo na política. Ter consciência crítica é excelente: demonstra apego à coisa pública, mostra o caráter participativo do indivíduo em sua vida democrática e vigilância social.

Ocorre que liberdade de opinião não é salvo conduto para ofensa. Deve ser observado o equilíbrio jurídico do regime, que prevê uma teoria da responsabilidade civil e penal pela prática de atos antijurídicos, como calúnia, injúria e difamação.

Em 2006, durante uma visita a Buenos Aires, o taxista me perguntou o que eu fazia no Brasil; após minha resposta, para minha surpresa, ele mostrou que conhecia em detalhes a Suprema Corte de seu país e, inclusive, criticou algumas decisões de um dos juízes favoritos dos juristas brasileiros, Eugenio Zaffaroni, penalista cultuado mundo afora e magistrado Supremo na Argentina. Eu fiquei em um misto de incredibilidade e surpresa com a conversa, confirmando, o que todos sabem, que na Argentina (e também no Uruguai e no Chile, só para ficar no Cone Sul), o alto nível de formação educacional da população demonstra porque os índices sociais são bem melhores por lá.

Faço esse preâmbulo por lembrar que a Presidenta da República ao nomear a ministra Rosa Weber do TST para o Supremo Tribunal Federal acolheu uma aspiração formal da magistratura trabalhista. A ministra Rosa Weber reúne todos os adjetivos que são exigidos para tão elevada função: jurista de carreira brilhante, experiente, competente, honesta, devotada à justiça e de tantos outros predicados que são pleonásticos. Pois bem, ao acessar os sites de notícia falando de sua escolha é com muita tristeza que eu li os comentários dos leitores: a maior parte debochando, querendo saber quem ela iria “defender”, quem seria o protegido e outras indignidades que não merecem nota.

Lembrei do taxista argentino. E quis estar de volta naquele táxi. Ele teria algo mais inteligente a me dizer e se não soubesse me levaria à Praça de Maio para que alguma das ‘locas’ me inspirasse. Eis a diferença: nossa democracia é sólida, porém a maioria da população é alienada, vazia, fútil, ignóbil, manobrada pelo obtuso achismo midiático: isso leva à superficialidade de suas constatações. Nem falo de quem não teve uma boa educação de base: eu falo de pessoas que se acham informadas e daí passam fácil para a crítica leviana e míope. Poderia ser qualquer jurista o nomeado: nenhum teria sorte diferente. Vivemos a era do achismo e da frase opiniosa.

Ao acessar um famoso blog sobre temas televisivos (http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br) li um comentário de um certo Damien Carvalho (provavelmente leitor fake), sobre o fato de o Ministério da Justiça ter alterado a classificação da novela da Globo ‘A Vida Gente’, exibida às 18h, que teve sua faixa etária mudada de ‘Livre’ para ‘10 anos’, dado o enredo ter sido analisado como angustiante. Damien disse: “A censura está de volta. Parece que é isto o que o Ministério da Justiça pretende! Apesar da constituição garantir liberdade ao cidadão, não se vê isso atualmente!!! A censura deve ser uma escolha nossa e não deles. nossa censura: o controle remoto. É o Brasil!!!”

Não, Damien, não, isso não é censura! Se no Brasil ainda tivesse censura você sequer poderia fazer essa crítica ao Estado. O Estado não proibiu a novela, apenas informou aos pais desavisados que a novela não é livre, ela tem uma trama complexa com elementos existenciais – parodiando Sartre. Você pode sacar o controle remoto e censurá-la, como mesmo disse, mas eu, que não tenho tempo de assistir a novela, tenho o direito de saber qual é a classificação etária. Isto é censura?  O voto do Ministro Dias Toffoli, do STF, em ação que aprecia artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que determina que rádios e televisões transmitam programação em horário determinado seguindo classificação feita pelo governo, em novembro de 2011, foi no sentido de que “É fundamental que a sociedade atraia para si essa atribuição, cabendo ao estado incentivá-la nessa tomada de decisão, e não domesticá-la.” Ou seja, o abuso intrusivo do estado deverá ser afastado, mas a sociedade deve criar consciência crítica bastante para viver sem a amarra estatal. Inclusive a midia deverá ter essa preocupação de autoregulamentação ao transmitir programas de conteúdo mais adulto em certos horários.

De repente todos falam de tudo, criticam todos, demonizam a política, mas não cuidam de seus deveres básicos. Circula na internet um email bem curioso, que fala por si só sobre o que acontece com os brasileiros. Transcrevo-o na íntegra:

——————-

Tá Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arruda? do Sarney? do Collor? Do Renan? do Palocci? do Delubio? Da Roseana Sarney? Dos políticos distritais de Brasília? do Jucá? do Kassab? dos mais 300 picaretas do Congresso?

Brasileiro reclama de que? O brasileiro é assim:

1. Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
5.Fala no celular enquanto dirige.
6. Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
7. Pára em filas duplas, triplas em frente às escolas.

8.Viola a lei do silêncio.

9.Dirige após consumir bebida alcoólica.
10. Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
11.Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
12. Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
13. Faz “gato” de luz, de água e de tv a cabo.
14. Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
15. Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
16. Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
17.  Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.
18. Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
19.Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
20. Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
21. Compra produtos pirata com a plena consciência de que são piratas.
22. Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
23. Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.

24. Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
25. Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
26. Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis…. como se isso não fosse roubo.
27. Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas

onde trabalha.
28. Falsifica tudo, tudo mesmo… só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
29. Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
30. Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que só os políticos sejam honestos?”

————————————————————

Infelizmente, sim, este é um verdadeiro retrato do Brasil!

Parques e Jardins Urbanos

seg, 10/10/11
por James Magno Farias |
categoria CULTURA POP


A exposição fotográfica  Parques e Jardins Urbanos, da cineasta e fotógrafa maranhense Maria Thereza Soares, estará em cartaz no Parque Botânico da Vale (Anjo da Guarda), a partir do dia 11 de outubro, com abertura às 10h., onde ficará até  11 de novembro. A ideia central é registrar aspectos da natureza inseridos em ambientes urbanos como os parques e jardins públicos.

Durante a exposição, como atividade paralela relacionada a questões ambientais, será realizada a palestra “A contribuição da Legislação Ambiental para a formação das cidades sustentáveis”, ministrada pela professora mestre e advogada Lorena Saboya Vieira. A palestra será realizadas às 10h30, no dia 13, no auditório Sumaúma, no Parque Botânico Vale.

Com imagens de 29 parques e jardins urbanos nacionais e internacionais, as imagens datam de diferentes épocas, sendo a mais antiga realizada há sete anos. Em 2004, para um trabalho da disciplina do curso de cinema, Linguagem Fotográfica, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Maria Thereza escolheu como tema de um ensaio, imagens do Parque Guinle, do Rio de Janeiro. De lá para cá, a artista começou a selecionar diversas imagens, mas ainda não tinha a ideia de transformar o material em uma exposição. “A ideia surgiu porque eu já gostava de fotografar parques, jardins, flores, mas não pensava em fazer disso uma exposição. Eu já costumava visitar esses lugares”, recorda.

Mesmo sem a intenção de realizar uma exposição, Maria Thereza começou a captar imagens de outros espaços com características semelhantes.  No Brasil, imagens de parques do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, do Parque Botânico Vale, entre outros parques de São Luís. De cenários internacionais, Maria Thereza escolheu parques localizados em Santiago, Buenos Aires, Nova Iorque, Barcelona, Londres e em cidades da França.

Essa é a primeira exposição fotográfica de Maria Thereza Soares, segundo ela, na seleção de  fotografias para a exposição, centenas de imagens ficaram de fora, desse material, é possível que seja realizada uma segunda exposição, mas ainda sem definição. Nos registros presentes na exposição, flores, animais e pessoas serviram de inspiração para as lentes sensíveis da fotógrafa. Dos locais em destaque,  imagens registradas nos parques e jardins de importante valor histórico, tais como os jardins da casa de Rui Barbosa, o Parque Güel criado por Antoni Gaudí, o Parque do Flamengo projetado por Burle Marx, os parques reais ingleses The Green Park e St. James´s Park, além dos Jardins Botânicos de Buenos Aires, Rio de Janeiro e Curitiba, entre outros.

A pesquisa estará disponível também na Internet, no site que estará disponível a partir da data de abertura da exposição, no endereço: www.parquesejardinsurbanos.com.br. Para mais informações sobre a exposição e palestra: 98. 3218-6244 e 3218-6245 e pelo email parquesejardinsurbanos@gmail.com

Maria Thereza Soares é uma Fotógrafa maranhense, formada em Cinema e Vídeo pela Universidade Federal Fluminense (2008). Estudou 1 ano direção de fotografia cin­ematográfica na École Nationale Supérieure Louis Lumière em Paris (2007/2008). Atualmente faz especialização em Artes Visuais.

Foi presidente da ABD-MA (Associação Brasileira de Documentarista e Curta Metragistas do Maranhão (2002/2003). Foi júri ABDeC-RJ no 10º Festival Brasilei­ro de Cinema Universitário – Mostra competitiva de vídeos – Niterói, 2005.

Foi pesquisadora da “Mostra Luz em movimento: a fotografia do cinema brasilei­ro”, realizada no Centro Cultural da Caixa Econômi­ca Federal – Rio de Janeiro, 2007.

Atuou como assistente de fotografia e diretora de fotografia em diversos curtas-metragens ficção e documentário.

Trabalhou como fotógrafa para a Superintendên­cia do Patrimônio Cultural (outubro 2009 a dezem­bro 2010), no projeto “Preservação e valorização do acervo urbanístico e arquitetônico dos centros históricos maranhenses de Carolina, Caxias e Viana”; organizou a exposição “Bens Tombados do Mara­nhão”, e ministrou as palestras “Noções básicas de fotografia e arquivamento digital” e “Fotografando o patrimônio arquitetônico”, além do trabalho volta­do para identificação, organização e digitalização do acervo fotográfico da instituição.

Exposição

Parques  e Jardins Urbanos, de Maria Thereza Soares

Quando

De 11 de outubro a 11 de novembro

Onde

Parque Botânico Vale (Av. dos Portugueses s/n, Anjo da Guarda)

Abertura

Dia 11, às 10h

Palestra

Dia 13, às 10h30. Auditório Sumaúma (Parque Botânico Vale).

Horário de visitação (entrada franca)

De terça a domingo, das 8h às 16h

 

Steve Jobs

sex, 07/10/11
por James Magno Farias |
categoria CULTURA POP

Steve Jobs já entraria para a história apenas por ter inventado o sistema Mac, mas não se acomodou e foi além; mudou conceitos e criou objetos que entraram intensamente em nossas vidas como ipod, o iphone, o ipad, o itunes e a Appstore.

Adepto do design perfeito de seus gadgets, Jobs conseguiu simplificar a interface de suas criações, ao ponto de uma criança conseguir usar um ipad no primeiro contato.

Tudo é mais fácil nas criações da Apple. Um iphone é um verdadeiro computador, que até faz ligações telefônicas. Como não se espantar ao perceber que um simples ipod touch, criado para ser um music player, pode navegar na internet ou virar um telefone?

Minha maior homenagem como fã de Jobs é ter escrito este texto usando uma de suas criações, o Mac Mini (e em outros textos ter usado o ipad).

Agora descanse, grande mestre.

Parafraseando Milton, “mande ‘ideias’ do mundo de lá: ilumine os que ficam!

 

 

 

 



Formulário de Busca


2000-2012 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade