Formulário de Busca

Em busca do padre Antônio Vieira

dom, 11/12/11
por Joaquim Nagib Haickel |
categoria Sem categoria

Depois de mais de um ano de preparativos e pesquisas, estamos começando a trabalhar num documentário sobre a vida e a obra de Antônio Vieira Ravasco, o nosso padre Vieira.

Nessa Jornada irei contar com o indispensável apoio de Coi Belluzzo e Antonio Abreu Freire. O primeiro, dividindo comigo a responsabilidade de produzir e dirigir esse filme. O segundo terá a tarefa de juntamente comigo escrever uma escaleta, um roteiro mínimo, que só será concluído na ilha de edição, onde me encontrarei novamente com Coi que estará ao lado de Vini Martins na finalização desse trabalho. A direção de fotografia ficará sob a responsabilidade de Cleisson Vidal e a produção executiva será de Ariana Chediak. Na fase inicial do trabalho contei com o apoio de Cássia Melo que elaborou o projeto para apresentarmos no Ministério da Cultura, para que pudéssemos nos credenciar ao financiamento da Lei Rouanet.

Meu objetivo, ao idealizar esse documentário, em que pese o que preconiza seu título, ainda provisório, não é estabelecer prioritariamente quem foi o padre Antônio Vieira, mas possibilitar uma observação privilegiada dos muitos Vieiras que sabíamos de antemão que encontraríamos no decorrer da pesquisa. Essa observação será conseguida graças aos depoimentos de pessoas que se dedicaram a estudar sua obra e pesquisar sua vida.

É bom que se ressalte que a existência desses vários Vieiras é constatada não apenas através da leitura dos textos de quem se dedicou a analisar e escrever sobre esse importante personagem da historia de Portugal e do Brasil, mas também lendo-se o próprio Vieira se chega a essa conclusão.

A realização desse filme deve-se não apenas ao fascínio que sempre tive pela história de Vieira, mas pela constatação de que ela conquista a atenção de todos que têm a oportunidade de conhecê-la.

Quem se propõe a conhecer Vieira, imediatamente descobre que se trata de um homem multifacetado e ao mesmo tempo uníssono: há a pessoa de Vieira; há o Vieira padre, e dentro deste há um verdadeiro escaninho de onde saem o Vieira missionário, o Vieira herético, o Vieira orador sacro, o profético… Há o Vieira político que dá origem ao Vieira ambicioso, ao oportunista, ao maquiavélico, ao intriguento… E há vários outros Vieiras.

Da observação, da analise e do consequente conhecimento de todos esses Vieiras, acabará por surgir o nosso personagem, que longe de ser coerente traz em si as incertezas comuns aos seres humanos, exacerbadas pela vaidade, por uma ambição imensa, por um senso de oportunidade incomum e por um pragmatismo que beira o maquiavelismo.

Mas não pense que estou destratando o nosso personagem. Não. Longe disso. O Vieira que iremos encontrar em sua jornada de 89 anos, depois de mais de uma dúzia de travessias atlânticas, tendo sido suas embarcações duas vezes tomadas de assalto por corsários, e tendo ele naufragado em outras duas oportunidades; tendo sido condenado pelo Santo Ofício e conseguido do papa um brevê que impedia de ser alcançado pelo longo braço da Inquisição; tendo ele tramado e tecido planos de expansão de seu país e advogado o retorno dos judeus a Portugal por interesses meramente financeiros; defendido os índios brasileiros da escravidão e não tendo a mesma preocupação com os negros africanos… Tendo feito tudo o que fez, tendo feito até mesmo algumas coisas não recomendáveis a um homem de bem, a um sacerdote, ele parece jamais ter feito qualquer coisa visando proveito pecuniário ou próprio, nunca agiu em defesa primeira de seus interesses individuais, mas sim de uma coletividade, quase sempre em defesa de seu país ou da missão da qual estivesse incumbido.

Vieira foi antes de tudo um patriota. Tão patriota que tentava sê-lo ao mesmo tempo patriota português quando imaginou entregar Pernambuco aos holandeses, e patriota brasileiro quando em ato continuo se preparava para retomá-lo deles.

Antônio Vieira é um personagem marcante não apenas no contexto do século em que viveu, mas sua importância transcende seu tempo e o espaço que nele ocupou, transformando-se num dos mais importantes personagens da história, certamente o maior dentre os representantes dos povos de língua portuguesa.

O Vieira que saltará das telas em que nosso filme for exibido não será um Vieira definitivo, será apenas um Vieira que abrirá a porta que nos levará a uma dimensão que nos possibilite ir em busca dos personagens que fizeram a nossa história passada, para que com isso possamos construir as bases, os fundamentos da nossa história presente e realizarmos, como profetizou Vieira, “A Historia do Futuro”.

São Luís

dom, 27/11/11
por Joaquim Nagib Haickel |
categoria Sem categoria

Outro dia, conversando com alguns amigos, comentávamos sobre os locais e as coisas que mais gostamos, que mais nos aprazem em nossa cidade, essa jovem e encantadora mulher, que no ano que vem vai completar 400 anos.

A primeira vista é fácil dizer um ou outro lugar, citarmos uma ou outra atividade que mais nos cause alegria ou felicidade nesse cenário maravilhoso em que vivemos.

Eu imediatamente disse que o lugar que mais me agradava era o Centro Histórico, suas ladeiras e suas ruelas, as paredes azulejadas e seu calçamento de paralelepípedos… Depois fui vendo que, apesar do conjunto arquitetônico me emocionar, de ficar imaginando quantas moças bonitas ficaram nas sacadas, quantos casais de namorados se encontraram à porta dos casarões, quantos negócios foram feitos nas lojas, apesar disso fui lembrando de outros recantos e de outras histórias que me faziam a cada uma mudar de opinião sobre qual lugar eu mais gosto.

Cada um de nós ia dizendo as suas preferências: Havia quem preferisse as praias e delas nós estamos bem servidos, em que pese as condições não recomendáveis para banho em algumas delas. Precisamos resolver esse problema. Esse é um dos presentes que devemos dar a nossa mais constante namorada, a nossa cidade.

Naquela ocasião confessei que muitas vezes, há alguns anos atrás, quando precisava relaxar, eu pegava meu carro e ia passear de madrugada pelo centro, quando as ruas estavam vazias, quando as pessoas estavam dormindo. Muitas vezes eu consegui sentir o pulsar das ruas, como se o compasso de seu coração desse ao meu, o ritmo que ele precisava para relaxar. Alguns amigos reconheceram que também já haviam feito isso.

Alguém lembrou da casa dos pais de sua mãe, em plena Rua do Sol, uma daquelas moradas inteiras, onde havia um pátio interno cercado de alpendres que davam acesso a um quintal onde os meninos chutavam suas bolas de meia e as meninas desfilavam suas roupas novas. Lembrei da casa de minha avó Maria Haickel na Rua da Saúde, do sobrado de meu avô Joaquim Pinto, na Rua da Inveja… Lembrei dos maravilhosos nomes que nossas ruas tem, de seu traçado cartesiano, formado por paralelas e transversais. Lembrei das sombras frescas que os prédios criam ao esconder o sol, do cheiro da tarde na Praça Deodoro, da Mãe D’água da Pedro II, do frio na barriga ao passarmos pela Montanha Russa.

Lembrei dos cinemas de minha adolescência: O Éden, o Roxy, o Cine Passeio, o Monte Castelo, o Rialto, o Rex e até o Anil…  

Lembrei da fonte do Ribeirão, talvez o maior símbolo de mistério de nossa terra, mas lembrei também da deliciosa Fonte das Pedras, onde muitas vezes fui namorar, mesmo que fosse contra as regras do administrador…

Hoje vejo que a grande maioria dos lugares que nós comentamos naquele dia são de uma cidade do passado, de um lugar que já passou em nossa vida, individual ou coletiva. Mesmo quem disse que adora o Teatro Artur Azevedo ou o Museu Histórico, ou a Biblioteca Publica, ou a Escola de Música, ou o Sítio do Físico, ou o Tamancão, ou mesmo que disse que adora ir para seu sítio no Maracanã… Mesmo esses, se referem a uma cidade de outro tempo, uma cidade onde nós éramos outros, um cenário no qual nós pudéssemos congelar o tempo e passá-lo como se folheia as páginas de um álbum de fotografias.

Depois daquela conversa eu fiquei pensando… Não se pode pensar em uma cidade, qualquer que seja ela, sem levar em consideração as pessoas que nela vivem. A cidade, por mais concreta que seja, por mais monumentos que tenha, recebe uma carga definitiva, uma porção fundamental de energia provenientes das pessoas que dão a ela o sopro da vida.

Hoje analisando o que mais gosto em minha amada São Luis, fico dividido entre o nosso centro histórico, seus prédios e monumentos, suas frias pedras de cantaria, os arcos de seus portais, a velha madeira de suas portas, e a gente que vive nele; as mulheres de vida difícil, os pregoeiros escassos, os peixeiros do portinho, os octogenários que insistem em fazer companhia às suas velhas paredes, a seus vergados telhados, e os jovens descendentes deles…

No final ficamos imaginando qual o melhor presente poderíamos dar a cidade em seu aniversário de 400 anos e dentre tantos que ela tanto precisa me fica a vontade de juntar esforços para transformar o inútil Sítio Rangedor em um parque Zoo-Botânico que pudesse agregar a nossas vidas um pouco mais de lazer e conforto.

A outra

dom, 13/11/11
por Joaquim Nagib Haickel |
categoria Geral

Que Diana Spencer foi um ícone da história inglesa e mundial isso ninguém duvida. A plebeia que virou princesa e poderia ter se tornado rainha, daquele que já foi o império mais poderoso do nosso planeta, apaixonou a todos que a conheceram, souberam a sua história, as circunstâncias de sua vida e as consequências de suas ações e de suas escolhas. Sua vida foi de comum ao conto de fadas e terminou em tragédia.

Mas eu não quero falar sobre a bela Lady Di. Gostaria na verdade de falar de uma outra mulher, uma outra figura que surge como surgem quase todos os personagens da história, inexoravelmente, por necessidade natural que toda história tem de tornar-se de alguma forma marcante, para que nós seus apreciadores possamos descobrir aspectos que possam ser comentados e discutidos.

Gostaria de falar sobre uma mulher que, ao contrário de Diana, que era doce, meiga, simpática, elegante, charmosa e linda, me parece que sempre foi feia, não se veste como as mulheres elegantes o fazem, não parece ser simpática, não demonstra nenhum charme, parece não ser meiga e muito menos doce. Falo de uma mulher que aparentemente se opõe em quase tudo a Diana. Falo de Camila Parker-Bowles, atual mulher do príncipe Charles.

Essa crônica poderia acabar bem aqui se a minha intenção fosse apenas comparar o que era público e conhecido sobre Diana e o que da mesma forma o é sobre Camila. Em uma competição comparativa, imagino que a princesa ganharia da megera em todos os quesitos, no entanto há um ponto no qual eu acredito que Diana perderia para Camila. Refiro-me ao item amor.

Na vida existem muitos mistérios inexplicáveis e aqueles que envolvem essa faceta humana, o amor, são os mais controversos de todos.

Como um homem, em sã consciência poderia preferir uma mulher como Camila, em detrimento de outra como Diana? Muito pouca gente consegue automaticamente imaginar como isso pode acontecer, é preciso primeiro que a ficha caia, que a maturidade se imponha e só depois de algum tempo é que vamos entender como funcionam verdadeiramente alguns dispositivos do comportamento humano.

De cara, apenas de olhar, à distancia, poucas pessoas podem imaginar as qualidades que possam existir escondidas por detrás da figura mal apessoada de Camila. Ninguém pensa que ela possa ser bem humorada, divertida, culta, inteligente, dedicada, carinhosa, compreensiva, solidária, até porque ela foi a mulher que de uma forma ou de outra destruiu o maior conto de fadas do século XX. Isso não é lá bem verdade. Existem pelo menos duas dúzias de contos de fadas como esse, e alguns muito mais bem sucedidos. Ocorre que esse foi retransmitido via satélite, em tempo real para o mundo todo, invadiu as nossas casas, as nossas vidas. Posicionamo-nos confortavelmente em frente da televisão e como se assistíssemos a uma partida de futebol ou ao capítulo final de uma novela, passamos a participar dessa história, que ao contrário dos folhetins televisivos, era muito real, além de ser da Realeza.

Mas o que eu queria mesmo no dia de hoje, era chamar a atenção para três fatos. O primeiro é que apesar de feia, e isso ela é mesmo, apesar de imaginarmos que ela seja uma megera, Camila Parker-Bowles, tudo leva a crer, realmente ama e é amada por Charles. Para mim isso é o bastante.

Há também o fato de nós termos nos transformado em espectadores privilegiados dessas histórias e quase sempre não procurarmos a verdade sobre elas, nos contentando com a versão mais publicável, mais popular.

Porém há outro aspecto importante que eu acredito que deva ser levado em consideração. Em minha modesta opinião não há personagem em qualquer que seja a história, real ou ficcional, que não apresente alguma faceta que o credencie a ser de algum modo envolvente. Todo personagem tem seu charme, seu valor, só precisamos observar e descobri-lo.

Fica aqui uma sugestão. Veja qual personagem, dentre os menos nobres, entre os mais desimportantes, entre os vilões mesmo, qual deles mais chama sua atenção, qual mais lhe agrada, em uma obra como, por exemplo, “Os Miseráveis” de Vitor Hugo. Talvez alguém chegue à mesma conclusão que eu. Quem sabe alguém concorde comigo e ache que depois de Jean Valjean e Javert, o mais fascinante personagem dessa obra clássica, é Éponine, a filha do miserável vigarista Thénardier. Eu a acho bem mais interessante que a própria Cossete, pois seu amor a Marius a torna capaz de atos de extrema nobreza, atos revestidos em um sentido de honra, existente apenas nos principais personagens das histórias. O amor a torna maior.

PS: Me espantei há duas semanas quando vi que a revista Veja publicou matéria com tema semelhante, falando sobre as mais conhecidas amantes da história, acontece que eu venho tecendo essa crônica já faz algum tempo, desde que sonhei que dirigia um filme sobre a vida de Camila Parker-Bolwes, filme este que era protagonizado pela maravilhosa Meg Smith, também velha, também feia, mas ma-ra-vi-lho-sa!

Novamente: Assim é, se lhe parece.

sáb, 15/10/11
por Adriana Marão |
categoria Sem categoria

Na última terça-feira encontrei com uma querida amiga que me disse que a sua filha estaria muito chateada comigo, pois, segundo ela, a mocinha, eu estava torcendo “descaradamente” para o Colégio Batista na final do basquete masculino contra a sua escola, o Reino Infantil.

Quase morri de rir, pois, exatamente por causa desse jogo, eu e a organização dos jogos fomos “acusados” pela treinadora do Batista, de estarmos favorecendo ao seu adversário, justamente o Reino.

Eu estudei no Colégio Batista por 11 anos e muito admiro e respeito aquela instituição, principalmente porque ela foi uma das responsáveis pela minha formação como pessoa e como cidadão, e por isso mesmo, por ter esta sólida formação de caráter, jamais torceria por alguma escola, não na condição em que me encontro, a de ocupante, temporário, do mais graduado cargo público de gestão esportiva de nosso estado.

Como secretario de Esporte e Lazer do Maranhão, responsável pela realização dos JEMs, não torço por uma escola, torço pela a realização de bons jogos, disputados em condições de igualdade, com escolas, professores e atletas competindo com garra, mas honrando o ideal olímpico.

Em meio à declaração da minha amiga, que me conhece há muito tempo e sabe que a sua filha está equivocada, me veio uma sensação que não sentia faz algum tempo. A presença marcante do mestre da literatura e da dramaturgia italiana, Luigi Pinrandello, autor da imortal obra, “Assim é se lhe parece”, onde desenvolve um enredo intrincado que tem como protagonista a verdade, ou melhor, as versões dela, cada uma mais verossímil que a outra. Cada uma mais plausível e possível que a outra, e a cada uma que nos é dado conhecimento, tendemos a acreditar nela, descartando e desconsiderando a anterior.

Em suas peças “Seis personagens à procura de um autor”, “Assim é, se lhe parece”, “Cada um a seu modo” e em seus romances “O falecido Matias Pascal”, “Um, Nenhum e Cem Mil” e “Esta Noite Improvisa-se”, Pirandello nos mostra algumas de nossas maiores características, sejam elas boas, como a generosidade, o desapego e o bom humor ou as más, como a hipocrisia e a intolerância.

Há duas das frases desse gênio que acredito estarem entre as melhores já ditas. A primeira é quando ele versa sobre os personagens, sobre as pessoas e diz que toda a criatura, para existir, deve ter o seu drama, ou seja, um drama do qual seja personagem e pelo qual é personagem. O drama é a razão de ser do personagem, a sua função vital, necessária para a sua existência.

Depois de citar uma das frases que mais retratam o pensamento de Pirandello, vamos aos fatos ocorridos na final do basquete disputada por Batista e Reino Infantil.

A partida transcorria normalmente, em que pese o nível técnico do jogo não fizesse justiça às duas equipes que são bem melhores do que demonstraram na final, acredito que isso aconteceu devido à tensão e o nervosismo. Faltando menos de dois segundo para o final da partida, um jogador do Reino faz uma jogada maravilhosa que acaba em uma enterrada monumental, fato que levou a torcida ao delírio e a imediata invasão da quadra de jogo.

Eu, que me encontrava do lado oposto ao acontecido, me aproximei pedindo que os alunos do Reino Infantil se retirassem da quadra, pois a partida ainda não havia acabado e disse-lhes que isso não era um comportamento correto. Foi por isso que a filha daquela minha amiga achou que eu estivesse torcendo pelo Batista, porque eu queria que a torcida do Reino se portasse como manda a regra.

Já a treinadora do Batista, que perdia por uma diferença de 22 pontos, aproveitou-se da invasão da quadra para tentar justificar seu mau desempenho e dirigindo-se a mim disse que iria retirar sua equipe do jogo por causa da invasão da quadra e mais, que a sua equipe havia sido prejudicada pela arbitragem.

Tentei mostrar a ela que o erro da torcida do Reino não justificaria o erro que ela iria cometer ao retirar o seu time de quadra, que se ela retirasse a equipe, os atletas e o colégio seriam prejudicados, ao que ela respondeu dizendo que eu era só o secretário e nem deveria estar ali. Fiquei imaginando o que diriam se eu ali não estivesse. No mínimo diriam que eu sou um secretario ausente, que não me interesso pelos jogos… Não levei em consideração a atitude da treinadora, procurei entender que ela estava passando por um mau momento.

Bem, mas a segunda frase de Pirandello que eu gostaria de comentar, em minha opinião é tão boa, talvez até melhor que a primeira, e acredito que nesse caso bastante oportuna. É quando ele mesmo se pergunta como podemos nos entender se nas palavras que digo coloco o sentido e o valor das coisas como se encontram dentro de mim, enquanto quem as escuta inevitavelmente as assume com o sentido e o valor que têm para si, do mundo que tem dentro de si?

João para prefeito.

sáb, 24/09/11
por Joaquim Nagib Haickel |
categoria Sem categoria

Calma pessoal! Não estou falando sobre uma candidatura para prefeito de São Luis, e o João de quem falo não é o Castelo nem o Alberto.

Deixem-me explicar:

Na segunda-feira dia 19, o jornalista Décio Sá postou em seu blog uma notícia que informava que eu, Joaquim Haickel, poderia vir a ser a opção do meu grupo político para disputar a prefeitura municipal de Santa Inês.

Gostaria, no entanto, de esclarecer os fatos. Fui procurado por um grande amigo meu, o empresário João Rolim, pessoa muito bem relacionada nos meios políticos e empresariais de nosso estado, que me disse que gostaria muito de me ver na prefeitura de Santa Inês, que eu tinha as qualidades necessárias para dar continuidade ao excelente trabalho que, primeiro Valdivino Cabral, e depois Robert Bringel, implementaram naquele município e mais ainda, que eu com o meu grande número de amigos espalhados pelo Maranhão e pelo Brasil, poderia alavancar novos projetos para Santa Inês e para toda a região do Pindaré.

“Seu” João me disse que procuraria tanto Bringel quanto Cabral para sugerir meu nome como candidato capaz de unir todos os anseios do nosso grupo, que com o passar dos anos, por melhor e mais uníssono que fosse, veio sofrendo os desgastes naturais do tempo e das circunstâncias políticas.

É claro que fiquei muito honrado com a lembrança de meu nome para exercer cargo tão importante, principalmente por vir de quem veio. Nunca escondi de ninguém que almejava um dia alcançar o cargo de prefeito da mais importante cidade da região do Pindaré, mas meu destino me levou a percorrer outros caminhos, sempre e cada vez mais me distanciando desse objetivo.

Fiquei honrado e até um tanto orgulhoso, mas de pronto disse a “seu” João que eu tinha consciência de ter muito pouco, quase nenhum peso eleitoral em Santa Inês. Veja, eu disse peso eleitoral, não político ou moral.

Ao contrário do que pensam alguns importantes jornalistas do Maranhão e do sul do país, entre eles o senhor Luis Carlos Azenha, nunca usei minhas emissoras de rádio e televisão, funcionando há mais de 20 anos em Santa Inês, como meio para conseguir poder eleitoral. Desde a morte de meu pai não sou votado sistematicamente na região. Fiz essa opção na intenção de construir minha própria trajetória, atingir meus objetivos, sendo que a partir da morte dele, usando seus exemplos de trabalho, dedicação e lealdade, construí um patrimônio moral e político capaz de me fazer ser lembrado com respeito e consideração em ocasiões como essa. Fiquei honrado sim.

Disse isso a “seu” João e complementei dizendo que quem deveria ser o prefeito de nossa cidade era ele. Disse isso naquela ocasião e reafirmo agora, mesmo que sua mulher e suas filhas fiquem zangadas comigo, mas acredito piamente que João Rolim seria um magnífico prefeito, por ser um homem sensível, um empresário competente, um cidadão honesto, um trabalhador incansável.

Acredito que se João fosse candidato a prefeito de Santa Inês, ele seria capaz de propor e conseguir um grande acordo com as diversas facções políticas do município, no sentido de todos em comum acordo, sem disputa, esquecendo as diferenças partidárias, esquecendo as paixões, lutarem por dias melhores para nossa gente.

Mas me parece que “seu” João não aceitará mesmo ser candidato e que o nosso grupo está em vias de se dividir, coisa que seria muito ruim.

Enquanto isso, já existem vários candidatos postos e alguns até lançados, todos desejosos de trabalhar em prol de Santa Inês. Tenho certeza que todos tenham tanta ou mais legitimidade que eu de pleitear o cargo de prefeito, pois para isso basta que o cidadão tenha domicílio eleitoral no município e que um partido político apresente o seu nome a julgamento público.

Quanto a mim, eu jamais me candidataria a prefeito de lugar algum se não tivesse o respaldo de meu grupo. Essa lição eu aprendi muito cedo, com meu tio Zé Antonio que por duas vezes foi prefeito de Pindaré-Mirim, município do qual Santa Inês foi desmembrado.

“Política se faz com grupo”, dizia ele, e eu não sou líder de nenhum grupo em Santa Inês. Faço parte de um grupo forte, que tem líderes importantes e consolidados como Bringel, Cabral, e o próprio João, além do Nono, do Nicolau, do Cirino, do Sousa Neto, dentre tantos outros, e não posso, de maneira alguma imaginar que haja alguma possibilidade, de alguém de nosso grupo ser candidato a prefeito de Santa Inês, com sucesso, a menos que esses líderes resolvam que seja.

Finalizando, gostaria de reafirmar que ao contrário da grande maioria das pessoas, que tem suas razões para pensar como pensam, vejo a política como uma coisa nobre, um ofício como outro qualquer, como o do padeiro, o da cozinheira, o do artesão… Só que bem mais delicado, porque trata com o destino das pessoas, com o nosso presente e o futuro que poderemos ter. Para mim política é coisa muito séria e também por isso fiquei honrado com a lembrança de meu nome para uma possível candidatura a prefeito de Santa Inês.

PS: nos últimos dias recebi inúmeras ligações de pessoas de Santa Inês e de vários lugares, entre elas duas que gostaria de citar: uma foi Dim da folha, ex-prefeito de São Domingos do Maranhão, município no qual fui votado majoritariamente em minhas três últimas eleições de deputado. Dim me disse que se eu aceitasse ser candidato a prefeito de Santa Inês, estaria sendo ingrato para com São Domingos, pois ele e seus amigos gostariam que eu concorresse para prefeito de seu município. A outra ligação foi de uma senhora de Pindaré que disse que soube de uma pesquisa mandada fazer pelo prefeito de lá, onde aparece o meu nome, amplamente citado, espontaneamente pelos entrevistados, como possível candidato a prefeito. Mais motivos de honra, pois por opção sou eleitor de Santa Inês.

Posse no IHGM

qua, 14/09/11
por Adriana Marão |
categoria Sem categoria

Auditório Fernando Falcão da Assembleia Legislativa do Maranhão
13 de setembro de 2011


DISCURSO DE RECEPÇÃO A
JOAQUIM ELIAS NAGIB PINTO HAICKEL
NA CADEIRA 47 DO
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRAFICO DO MARANHÃO,
PATRONEADA POR JOAQUIM SERRA,
PROFERIDO POR LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ


Deram-me a missão de apresentar o Joaquim e dar-lhe as boas-vindas a este sodalício. Joaquim, apenas, como o conheci lá pelos idos de 1976, jogando basquete no Ginásio Costa Rodrigues; era setembro. Ao me apontarem os jogadores em treinamento, disseram: aquele é o Joaquim, filho do Nagib…

Recém chegado a este estado, não sabia quem era Nagib… Vim a saber depois. Joaquim aproximou-se, sorridente, e me cumprimentou, estendendo a mão. Esse nosso primeiro contato… Mesmo gesto que se repetiria ao longo desses anos todos, sempre educado, atencioso…

Nesses trinta e cinco anos, então, tenho acompanhado a carreira de Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel, primogênito de Nagib Haickel e Clarice Pinto Haickel; hoje, pai de Laila Farias Haickel, marido de Jacira. Membro das academias imperatrizense e maranhense de letras, contista, poeta, cronistas e cineasta. Ex-atleta. Por mais de 30 anos, militou na política, como deputado estadual, deputado federal e constituinte, hoje Secretario de Estado de Esporte… Novamente o esporte surge em nossos encontros; neste momento em que esse velho amigo – pois Joaquim é assim, amigo de todos – ingressa nesta casa.

Ao ingressar na Academia Maranhense de Letras, disse ser duplo, Joaquim e Nagib, referencia ao seu pai, o Caboclo do Pindaré, o Deputado das Balinhas; refere-se, ainda, em seu discurso de posse na AML, que seu pai poderia afirmar, naquela ocasião que “esse menino chegou mais longe do que poderia imaginar. Para quem tinha extrema dificuldade em ler, para quem não sossegava um só instante, o lucro foi grande.”

Nascido em São Luís a 13 de dezembro de 1959, enquanto estudante do Pituchinha, e depois do Batista e do Dom Bosco viveu a efervescência dos anos 70 – a década em que houve o renascimento dos esportes no Maranhão através do empenho de Cláudio Vaz dos Santos, o Alemão, do Prof. Dimas, responsáveis pela criação dos Jogos da Juventude, depois Jogos Escolares Maranhenses (1972), do Prof. Laércio, do Prof. Lino, do Marcão, do Zartú. Como já dito, jogava basquete… Concluída a fase juvenil, ingressou na Universidade Federal do Maranhão, onde se bacharelou em Direito.

Ah os anos 70… Anos de rebeldia; culto à juventude. A televisão chegando a São Luis… As mudanças de hábitos com as novidades da telinha e a unificação do linguajar, todos falando – ou procurando imitar – o carioquês… E aquele jovem “boleiro”, seguindo a tradição da Atenas brasileira, dedica-se também às letras. Joaquim é um dos expoentes da nova geração de intelectuais que surgia naqueles idos. Dedica-se as lides das letras e da cultura, na época do Guarnicê. Desde então tem no cinema uma de suas paixões…

Seu primeiro livro, Confissões de uma caneta, é gestado ainda naqueles anos de 1975/76, embora lançado apenas em 1980; premiado no Concurso Cidade de São Luis… No ano seguinte, aparece O quinto cavaleiro, poemas; seguido do livro de contos Garrafas de ilusões, de 1982, premiado também, desta vez pelo Concurso SECMA/ SIOGE/ Civilização Brasileira.

Nesse mesmo ano de 1982, Joaquim junto com Celso Borges, e coadjuvados por Roberto Kenard, Ivan Sarney, Ronaldo Braga, e Nagibinho (seu irmão), produzia e apresentava o programa “Em tempo de Guarnicê”, levado ao ar pela Mirante FM; programa que falava de literatura, arte, cultura e tocava música maranhense; esses “novíssimos atenienses” se serviam do meio de comunicação de sua época, para discutir a cultura maranhense. Para quem conhece um pouco de nossa História, mais um movimento, qual Fênix, ressurge das cinzas… Já se passara um tempo da geração de 45…

Essa nova geração que surgia, credito eu herdeira da “Geração de 53”, daqueles jovens atletas, também herdeiros da geração dos “R”…

A Geração dos “R” era formada por Ronald Carvalho, Rinaldi Maia, Rubem Goulart, José Rosa, Djard Ramos Martins, Raul Guterres; dentre outros; a geração de 53 é a de Cláudio Alemão, dos irmãos Itapary, dos Fecury, Alim Maluf, José Reinaldo… Cláudio viria criar os Jogos da Juventude, e sacudir nossas escolas…

Para participar dos Jogos, necessário ser bom aluno… Joaquim está nesse meio… Pertence à geração seguinte a essa, que surge nesses anos 70/80… Aquele programa de rádio foi o embrião do que viria ser, logo em seguida, a mais importante revista cultural maranhense daquele tempo.

Seu segundo livro de poemas, Manuscritos, é de 1983, mesmo ano em que começou a editar a revista Guarnicê. No ano seguinte, Joaquim e seus comparsas lançam a Antologia poética Guarnicê; seguida da Antologia crítica Guarnicê (1985). É de 1986 o livro de contos Clara cor de rosa. Após uma breve interrupção, eis que surge Saltério de três cordas, com a parceria de Rossine Correa e Pedro Braga dos Santos (1989).

Mas é o próprio Joaquim que as tem como ‘obras menores’, considerando-as ensaios do que estava por vir: lança, pela Global, sua coletânea de contos A ponte, bem recebida pela crítica, merecendo elogios de Artur da Távora e Nelson Werneck Sodré, sendo que este reconhecendo Joaquim como um bom contador de histórias…

Essa sua característica, de um contador de histórias, Joaquim leva para outro meio: o cinema! Prova disso é sua produção The Best Friend, o Amigão, com o qual conquistou prêmios no Festival Guarnicê de Cinema e Vídeo, em 1984. Continuando nessa mídia, recebeu menção honrosa por um roteiro apresentado em concurso realizado pela UFMA; tratava-se de A Vingança, adaptação para o cinema de um conto inserido no livro Garrafa das ilusões.

Quando das comemorações dos 20 anos da revista Guarnicê (2003) foi publicado o Almanaque Guarnicê (Clara e Guarnicê), espécie de ensaio-entrevista-reportagem, em que é narrada a trajetória do semanário e de seus idealizadores. É desse ano, e pela Clara Editora, uma coletânea de seus artigos publicados no sitio Clara on-line.

O inquieto e indisciplinado Joaquim – no dizer de José Louzeiro – novamente recorre aos amigos para cometer, em Paço do Lumiar, o curta Padre Nosso, de 59 segundos, também baseado em poema de sua autoria. É ainda desse ano de 2008, também roteiro a partir de conto Pelo Ouvido, publicado em A Ponte; roteiro, produção e direção, o sonho de realizar um filme estava concretizado. E selecionado para participar de inúmeros festivais de cinema, no Brasil e exterior; para ser mais exato, a 128 eventos, ganhando nada menos que 18 até agora…

Mas seus projetos não param por aí. Como disse dele Louzeiro, é um inquieto. Mas indisciplinado? Creio que não, haja vista sua determinação em produzir sempre, levando seus sonhos para o concreto, como Dito & Feito, registro de suas crônicas aparecidas em o Estado do Maranhão; ou O Múltiplo dos Quatro, reunindo o melhor de sua produção. De seu “avatar” de político, pretende reunir os seus discursos em A palavra quando acesa, título em homenagem a José Chagas; para 2012… Vamos aguardar, pois certamente terão a chancela de nosso IHGM…

Joaquim – o indisciplinado e inquieto – além de atleta, foi ‘cartola’, exercendo a presidência da Federação Maranhense e a vice-presidência da Confederação Brasileira de Tênis – outra de suas paixões – e da Associação Desportiva Mirante; membro-fundador do Instituto de Cidadania Empresarial do Maranhão – ICE. Joaquim é ainda vice-presidente do Forum Nacional de Secretários de Esporte e Lazer.

E não podemos esquecer a Fundação Nagib Haickel; o Museu da Memória Audiovisual do Maranhão – MAVAM -, futuro pólo de cinema a ser implantada no Maranhão, realização de mais um sonho de juventude…

Mas onde está o político, o deputado atuante? Um pouco mais de paciência, para contar: inicia a trabalhar ainda em 1978, como assessor na Assembléia Legislativa, onde seu pai era deputado… Em 1979, está em Brasília, trabalhando ao lado de Nagib, seu pai, então deputado federal; de volta a São Luis, passa a atuar como oficial de gabinete do então Governador João Castelo…

Lembro, nos contatos que tivemos por essa época, que recebia a todos com cortesia e atenção, tratando as pessoas com simpatia e deferência.

Passa, então, “a aprendiz de feiticeiro”, indo trabalhar com o chefe da Casa Civil, José Burnet… Mas seu mestre, mesmo foi Nagib, com quem aprendeu a ser leal, honrado, coerente, simples, como um ‘caboclo’…

Elegeu-se deputado estadual em 1982; federal em 86, sendo um dos Constituintes… Passou a Secretário de Assuntos Políticos (Governo Lobão); Secretário de Educação (Governo Fiquene)…

De 94 a 98, afastando-se das lides políticas, dedicou-se as empresas da família, retornando em 1998 à Assembléia, lá permanecendo até a última legislatura. Não concorreu às ultimas eleições, fiel às determinações do grupo político a que pertence. Mas antes de sair, deixou importantes contribuições à ciência e à cultura maranhense, através de emendas parlamentares. Fomos, o IHGM, aquinhoados, dentre outras instituições…

Atualmente, está de volta às origens, vamos dizer assim – mesma quadra onde o conheci à 35 anos passados: é o nosso Secretário de Estado de Esporte…

Bem vindo, Joaquim!

 

DISCURSO DE POSSE

DE

JOAQUIM ELIAS NAIGB PINTO HAICKEL

NO

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO


Senhora Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão,

professora Telma Bonifácio dos Santos Reinaldo,

Ilustres Sócios,

Minhas senhoras e meus senhores…

Bem, gostaria que vocês soubessem que eu sempre quis, pelo menos uma vez na vida, subverter a ordem, e vou fazer isso agora, agradecendo em primeiro lugar aos de corpo e alma presentes.

Refiro-me a Excelentíssima Presidente, Telma Bonifácio e ao meu particular amigo Leopoldo Vaz, pelo convite que me fizeram para ingressar nesta entidade.

Sinto-me muito honrado pelo convite.

Igualmente agradeço aos demais diretores e associados deste Instituto, pela carinhosa acolhida.

Aqui irei conviver com queridos amigos como Elizabeth Rodrigues, Manoel dos Santos Neto, Nivaldo Macieira, João Francisco Batalha, Edomir Oliveira, José Marcio Leite entre tantos outros com quem a partir de agora poderei estreitar laços de sincera amizade.

Agradeço também a todos que me distinguem, nesta noite, com sua presença e sua paciência. O meu muito obrigado.

Minhas palavras agora são de respeito e reconhecimento, pois tenho a honra de suceder nesta Casa, a Kalil Mohana, ilustre professor, homem carismático e batalhador, que lutou pela vida até o seu último suspiro. Pessoa extremamente afetuosa, sempre com a preocupação de estimular a juventude, Kalil Mohana gostava de refletir sobre os mistérios e as peculiaridades da consciência humana.

Gostava de analisar os sentidos da vida usando para isso aquilo que ela tem de mais verdadeiro: os exemplos da história, da filosofia e da humanidade.

Esse valoroso maranhense que faleceu em São Luís no dia 24 de dezembro de 2010, era filho de Miguel e Anice Mohana, libaneses e cristãos maronitas que se mudaram para o Brasil, dentre outros motivos, em razão da perseguição dos turcos islamitas contra os de sua crença em um Líbano sitiado.

Resolveram se estabelecer consecutivamente nas cidades de Coroatá, Bacabal e Viana, sendo que nesta última foi o local onde Kalil nasceu no dia 10 de novembro de 1935.

Cursou o Primário e o Ginásio no Colégio Marista. Já o científico no Ateneu Teixeira Mendes e no São Luís. Fez os cursos de Geografia, História e Didática na Faculdade de Filosofia, semente da Universidade Federal do Maranhão.

Lecionou no Marista, na Escola Normal do Estado, em vários cursinhos Pré-Vestibular, na Federação das Escolas Superiores sendo dos fundadores da Universidade Estadual do Maranhão, onde foi catedrático durante vários anos.

Formou sucessivas gerações de maranhenses e conheceu o mundo inteiro por meio de suas viagens. Realizou aproximadamente 130: cerca de 35 com alunos do Colégio Marista e mais de 90 com formandos universitários, sem contar com as que sozinho.

Além de membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, ele ocupava a cadeira de nº 8 da Academia Vianense de Letras, patroneada por seu irmão, o médico, escritor e padre, João Mohana.

Autor de diversas obras, dentre elas o livro “Viajando e Educando: As grandes Viagens”, o meu antecessor nesta Cadeira era oriundo de família tradicional maranhense, composta por sete irmãos: João, Alberto, Laura, já falecidos, e Ibraim, Julieta e a professora Olga Mohana, ainda entre nós.

De todos, Kalil era o mais receptivo e inquieto. Bom amigo e aconselhador, passar-se à tarde pela Rua Afonso Pena e não encostar-se na Casa Mohana para bater um bom papo não tinha sentido, pois ele estava sempre lá pronto para recepcionar e trocar idéias com os inúmeros amigos que conquistou ao longo de vida.

Sobre Kalil e a família Mohana há um fato que devo citar: passei os primeiros anos de minha vida vivendo praticamente na casa de minha avó paterna, Maria Haickel, que ficava na Rua da Saúde, uma travessa da Afonso Pena. Quase todos os dias ela me levava para tomar benção para tia Anice, mãe de Kalil. É que para os libaneses, os amigos mais queridos são como parentes, como irmãos mesmo.

Na Casa Mohana eu era tratado como um principezinho, tanto pelo padre, que mais tarde seria decisivo em minha opção pela literatura, como pelo vibrante Kalil, mas principalmente por Julieta que era amiga de minha tia, Rose Mary.

Hoje, aqui, tenho a nítida sensação de suceder um parente, um tio, um primo bem mais velho.

Senhoras e Senhores,

Não posso deixar de fazer o registro de que, antes do professor Kalil, dois outros ilustres intelectuais – Domingos Chateaubriand e Domingos Vieira Filho – ocuparam esta Cadeira Nº 47, que é patroneada por Joaquim Serra, que também é o patrono da Cadeira Nº 21 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de José do Patrocínio, e da de Nº 12 da Academia Maranhense de Letras.

Não há como negar o espírito universal das obras de meu xará, Joaquim Serra, o qual em suas crônicas maravilhosas no “Semanário Maranhense” e em outros jornais, sempre relacionava a economia com o progresso, e o trabalho com a técnica.

Sua peça “Quem tem boca vai a Roma” faz-nos pensar na velocidade com que as ondas eletromagnéticas levam o som e a imagem pelos meios modernos de comunicação, e também a facilidade com que aquele e outros maranhenses aprendem línguas estrangeiras.

Joaquim Serra era filho do dono do imenso sobrado que ficava no Largo de São João, que ficou conhecido como Palácio das Lágrimas, pois uma linda escrava que servia na casa, pareceu ao dono, ser a assassina, por envenenamento, de seus dois filhos menores, irmãos de nosso patrono. Como o caso não foi esclarecido, a escrava foi enforcada. Quando a verdade foi descoberta, o pai de Serra, Leonel, enlouqueceu.

Mas nosso mentor na Cadeira 47 não se tornou abolicionista apenas para fazer justiça póstuma à negra bela que seu pai mandou executar. Tudo leva a crer que meu homônimo desejava para o Maranhão a solução encontrada por São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul: a imigração estrangeira.

Joaquim Serra conhecia bem os progressos da Revolução Industrial assim como seus malefícios trabalhistas. Era humanista como Cândido Mendes, César Marques e Sousândrade. Pensava numa economia forte, grande produção, mas com produtividade: ou seja, o máximo de frutos, com o menor esforço possível. Aliás, essa é a filosofia da computação e da eletrônica modernas.

Ele escreveu também a peça “O salto de Leucade”. Leucade, como sabem, é uma ilha grega com um alto penedo, de onde eram atirados ao mar os condenados à morte. Assim, JS sonhou com a velocidade horizontal em “Quem tem boca vai a Roma”, e com a vertical em “O salto de Leucade”. Com certeza, o grande maranhense pensava na escrava inocente enforcada, ao escrever essa peça.

Joaquim Serra nasceu em São Luís, no ano de 1838, e faleceu no Rio de Janeiro em 1888, ano da abolição da escravatura e com quase dois anos a menos que a idade que tenho hoje.

Já Domingos Chateaubriand, no íntimo, talvez pensasse como La Fontaine; o poeta via na zoologia e na entomologia, parábolas da vida humana, em seus aspectos belos ou sombrios; Vieira Filho estudava o folclore como alguém que analisa a alma do povo

Falar de Serra e Chateaubriand faz lembrar de dois outros ilustres membros do IHGM: os professores Ronald de Carvalho e Mário Meireles.

Enquanto Ronald de Carvalho ensinou geografia, apontando para a história, Mário Meireles ensinava história, focando a base física das civilizações. A história e a geografia entrosam-se, abraçam-se, influenciam-se, revelam mutuamente seus segredos.

Lendo-se as crônicas de Joaquim Serra, seus poemas, ou suas peças de teatro, mesmo as humorísticas, temos diante de nós um espírito inteligente, culto, otimista, ao mesmo tempo profundamente brasileiro e internacional, cultuador dos direitos humanos e desejoso de ver a democracia reinar de direito e de fato sobre a imensa nação brasileira.

Há um forte laço que une Serra e Vieira. É notável o fato de que em pleno século XIX Joaquim Serra era um fervoroso amigo da raça negra, e de se admirar que Domingos Vieira Filho na década de 50 do século XX, escreveu algo tão notável e precoce para seu tempo, em relação ao prestígio dos irmãos de pele de João do Vale.

No livro “Folclore Sempre”, Vieira Filho, professor de geografia humana, comenta que em São Luís do Maranhão os brancos aceitam sem reserva a competição do negro e sua consequente ascensão social.

Em Serra encontra-se a mesma elegância física, mental e literária de Vieira.

Domingos tanto fez pela cultura do Maranhão, que sua atuação fez surgir a Secretaria de Estado da Cultura, sucessora ampliada dos órgãos culturais que dirigiu.

Em seus escritos ele cita autores de muitos países e dá sempre a etimologia dos fatos que estuda e não apenas dos nomes.

Dizem que o semblante reflete a pessoa. Os títulos dos livros são como os semblantes dos escritores, revelando sua alma.

É notável o fato de Serra ter titulado dois de seus livros assim: “Epicédio à morte de Odorico Mendes” e “A Capangada”. Capangada é um termo bastante popular, e epicédio é uma flor erudita do vocabulário, usada para designar uma ode fúnebre.

Em outros livros como “Um coração de mulher” e “Os melros brancos” vemos que o mesmo Joaquim Serra que foi um enamorado, um apaixonado, vergastava com classe os espertalhões e finórios como podemos observar no uso e no sentido do termo melro.

Pietro de Castellamare era um de seus pseudônimos, o que revelava seu espírito jocoso e internacional. Traduziu muitos poetas franceses e praticava verdadeira exegese, pois não se cingia à tradução literal; muitas vezes usava expressões um pouco diferentes do original, para ser mais fiel ao pensamento do autor. Algo como, traduzindo o português de Portugal para o brasileiro, a melhor versão de “Rapariga”, seria “moça donzela”.

Joaquim Serra nasceu quando espocou a Revolta da Balaiada, pouco antes de ser declarada a maioridade de Dom Pedro II.

Como se sabe, Serra traduzia fluentemente do francês, conhecia o alemão, sabia latim, usou um pseudônimo italiano, estava por dentro de toda a etimologia grega de nossa língua culta e bela.

Em São Luís era comum ouvirem-se pelas ruas e praças conversas em grego, latim, francês e alemão. Em sua fazenda de Itapecuru, Gomes de Sousa lia Goethe, no original. Sousândrade ensinava grego. Sotero era exímio em línguas.

Assim se explica porque Joaquim Serra possui um estilo tão atávico, um pensamento tão claro, uma pedagogia tão didática no escrever, conversar, planejar e agir.

Explica-se muito mais: porque aquela São Luis era chamada de Atenas Brasileira.

Meus caros amigos,

Estou muito feliz, honrado e emocionado. Vivo um momento importante em minha vida, um momento muito gratificante, pois a geografia sempre me fascinou e a história sempre foi o meu maior fator de aprendizado para a vida.

Acredito piamente que nós não somos apenas nós, mas sim, nós, as nossas circunstâncias e nossas conseqüências; nós e a época em que vivemos; nós e as viagens que fazemos, os mares que singramos, as histórias que lemos e aquelas que escrevemos.

Entusiasmo-me com a época em que vivo, a assumo em pleno e com ela me identifico. Mas devo dizer que adoraria ter, como tenho certeza que todos vocês também, uma máquina do tempo, que me permitisse passar a limpo, se não todos, mas muitos dos acontecimentos da história.

Sobre mim há pouco a dizer, mas que fique registrado para que no futuro quando alguém, quem sabe, for pesquisar quem teve a honra de representar Joaquim Serra e suceder Domingos Chateaubriand, Domingos Vieira Filho e Kalil Mohana na cadeira 47 deste Instituto, possa saber que Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel era o primogênito de Nagib Haickel e Clarice Pinto Haickel, pai de Laila Farias Haickel e que quando aqui tomou posse, era o amantíssimo marido de Jacira, mais bela que a lua cheia, mais doce que o mel, mais forte que o jatobá.

Que se diga que esse dito Joaquim era membro das academias imperatrizense e maranhense de letras, que tentava com afinco e dedicação ser contista, poeta, cronista e cineasta.

Que se diga que esse maranhense, por mais de 30 anos, militou na política, ora como deputado estadual, ora como deputado federal e constituinte, ora como secretário de estado. Que sempre soube a hora certa de entrar e de sair de cena.

Que por fim se diga, principalmente quem for um dia suceder este JH, que eu fui acima de tudo um homem feliz, que tive a sorte de fazer o que gosto e de gostar do que faço. Um homem para quem as jornadas foram passeios e que as guerras nada mais que juvenis jogos de basquete.

Balzac dizia que “é um sinal de mediocridade ser-se incapaz do entusiasmo”. Eu não desejo ser medíocre e “como jamais se faz algo de grande sem entusiasmo”, no pensar de Ralph Emerson, eu vivo os momentos que me rodeiam, envolvo-me e faço parte deles sempre fugindo da solidão.

Nos idos do ano de 1682, Bartolomeu Bueno da Silva, hoje conhecido como o Bandeirante Anhanguera, afirmava como bandeira de sua vida: “Ou encontro o que procuro, ou morrerei na empreitada”.

Sou discípulo desse pensamento e herdeiro dessa vontade e é talvez por isso que tenha chegado até aqui e é também por isso que vou continuar com vocês até onde a nossa história nos levar.

Muito obrigado!

Adeus a “tio” Daniel

dom, 04/09/11
por Joaquim Nagib Haickel |
categoria Sem categoria

Gostaria de falar hoje sobre um homem simples, um cidadão correto, um empresário honrado, um amigo leal, um marido e pai de família dedicado. Quero falar de um cearense que se fez maranhense pelo trabalho. Maranhencidade essa que tive a honra de sacramentar ao entregar a ele e a seus irmãos o título outorgado pela Assembleia Legislativa do Maranhão em 2009, quando eu ainda era deputado estadual.

Entre as coisas que herdei de meu pai, veio o respeito e admiração que tinha e continuarei a ter por esse homem.

Falo de Daniel Aragão. Falo de meu “tio” Daniel, pois era assim que o chamávamos, porque ele era como se fosse verdadeiramente um irmão para meu pai.

Nascido em 28 de fevereiro de 1929, na Serra da Meruóca, no Sítio Bom Jesus, Distrito de Sobral, nos “Estados Unidos do” Ceará, filho de Maria dos Anjos Aragão e Pedro Celestino de Albuquerque, Daniel, foi em vida, o que se poderia chamar de um homem realizado.

Cursou o primário em escolas públicas na região da Serra da Meruóca até que seus pais transferiram-se para Sobral, visando proporcionar aos filhos uma melhor educação.

Lembro quem possa ter esquecido e digo aos que não saibam que Meruóca foi o nome escolhido por meu pai para batizar uma loja, um armazém, uma espécie de atacado que funcionava 24 horas por dia, ali no João Paulo, que pertencia aos dois, Nagib Haickel e Daniel Aragão.

Pois bem, Daniel concluiu o ginásio na Escola Técnica de Comércio Dom José, em 1948. Mesmo antes de concluir seus estudos, já trabalhava em loja de tecidos e armazém de exportação de cera de carnaúba.

Em janeiro de 1949, mais precisamente no dia 7, atendendo ao chamado de seu irmão Pompílio Albuquerque, que desde 1946 já residia em São Luís, Daniel chegava ao Maranhão. Na bagagem apenas a saudade e os valores éticos e morais que lhes foram transmitidos por seus pais ao longo de sua vida.

Por aqui começou trabalhando em um escritório de representação, consignação e redespacho, chamado B.J.Soares, até que, em junho de 1952 adquiriu, de Marcos Gandesman o acervo da Colchoaria Imperatriz.

Já no ano seguinte, com o objetivo de expandir suas atividades, fundou a D.Aragão, indústria de fabricação de colchões de palha, malva e molas, que viria a ser precursora de todo o grupo empresarial do qual faz parte.

O espírito empreendedor de Daniel fez com que, em janeiro de 1957, se associasse a seus irmãos Pompílio e Fernando Albuquerque, passando a empresa a se chamar D. Aragão e Cia Ltda.

Inovou comprando novos equipamentos elétricos para a fabricação em série dos Colchões de Mola, até então fabricados manualmente.

Trabalho, dedicação, união e perseverança foram ingredientes que, certamente, contribuíram para o crescimento da sociedade, o que obrigou, em 1969, o desmembramento da parte industrial da empresa, surgindo, em fevereiro de 1970, a Indústria Dalban Ltda, ficando a D.Aragão e Cia Ltda – Movelaria Imperatriz, responsável somente pela parte comercial, com uma ampla loja de móveis e eletrodomésticos, enquanto a Indústria Dalban Ltda instalada em prédio próprio, no Outeiro da Cruz, fabricava móveis residenciais, escolares e colchões.

A segunda geração da família passa a integrar a sociedade, com a admissão do sócio Roberto Reis de Albuquerque, que no futuro se revelaria uma importante mola propulsora nos negócios do grupo. Sandra, Keila e Daniel Filho, filhos de Daniel, e Fernanda, filha de Fernando, também vieram compor a sociedade.

Em 1992 foi inaugurada a Dalban Indústrias Reunidas S/A e em 1994 a Dalban Nordeste, situada na cidade de Recife.

A nova conjuntura econômica nacional apontava para a necessidade de diversificar as atividades empresariais de Daniel e de seus sócios, e, em 1995, surgiu a Dalcar – Concessionária Chevrolet classificada como uma das melhores concessionárias General Motors no Brasil.

Aqui, mais uma vez o destino juntou Nagib e Daniel, mesmo que indiretamente. Eu, meu pai e alguns amigos havíamos implantado em São Luís a Jacumã Veículos, então a segunda concessionária General Motors da cidade e queríamos sair do setor e nos concentrarmos na radiodifusão. Tempos depois a Jacumã se transformaria em Dalcar sob a batuta de “tio” Daniel.

Daniel foi um empresário sempre engajado em entidades de classe, sendo rotariano, diretor e atualmente conselheiro da Associação Comercial do Maranhão, conselheiro e sócio fundador da Câmara de Dirigentes Lojistas de São Luís.

O segredo do sucesso profissional de Daniel, que deixou sua terra de nascimento há mais de 50 anos para ajudar a gerar riquezas no Maranhão, é certamente muito trabalho e uma vida familiar feliz, tranqüila, edificada com sua Oneide, mulher de rara sabedoria, que ajudou a educar seus seis filhos: Ivana, Gerviz, Sandra, Keila, Daniel Filho e Glenda, a quem ensinaram, juntos, a não temerem a vida, pois o sucesso vem naturalmente dos estudos, que são herança que não se esvai com o tempo, nem tampouco com as adversidades do dia-a-dia.

No último dia 23 de agosto, aos 82 anos de idade e em pleno expediente de trabalho, Daniel sofreu um grave AVC, do qual veio a falecer dois dias depois, mas até na morte deu exemplo. Como meu pai, seu “irmão”, morreu fazendo uma das coisas que mais gostava, morreu trabalhando.

Você sabe o que é o CFAP?

dom, 21/08/11
por Adriana Marão |
categoria Sem categoria

Não se preocupe se você não sabe o que é o CFAP, isso não significa que você não conhece o nosso estado, o Maranhão, significa apenas que precisamos conhecê-lo melhor. Eu tinha muito mais obrigação de saber o que é o CFAP, mas também não sabia e imagino que muito pouca gente saiba do que se trata.

Dias atrás recebi um telefonema do tenente-coronel Laércio Ozório Bueno, comandante do CFAP – Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da Policia Militar do Maranhão – que se localiza no quilometro 2 da BR-135, na entrada de nossa capital.

O coronel Ozório me convidou para fazer uma visita a sua unidade e para almoçar com os oficiais que dirigem aquele centro de ensino. Aceitei o convite e lá estive na quarta-feira, 3 de agosto.

O CFAP tem como objetivo a formação, adaptação, aperfeiçoamento e especialização de Praças da Corporação, que foi criada em 1841, 170 anos atrás.

Lá fiquei sabendo que o ensino de praças na PMMA iniciou-se em 1898, como Escola de Recrutas no Convento das Mercês e que no ano de 1972 sua sede passou para os limites do Aeroporto Marechal Cunha Machado, de propriedade da União Federal, administrada pela Infraero onde permanece até hoje, trinta e nove anos depois, mesmo tempo de existência dos JEMs.

Atualmente o CFAP possui ampla área para prática esportiva com campos de futebol, quadra de vôlei de areia, pavilhões com salas de aula climatizadas, área para instrução de defesa pessoal com um Dojô feito pelos próprios alunos, estande de tiro com espaldão ecológico e outras modalidades, ressaltando que tal estrutura foi toda recuperada principalmente com a participação de parcerias e voluntariado do público interno.

Lá eu pude ver que além da recuperação estrutural, o CFAP também apresenta considerável avanço pedagógico, funcionando também como fábrica de conhecimentos, possibilitando uma grade curricular nivelada as das melhores Policias Militares do Brasil, alinhada com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), com ênfase aos ensinamentos sobre direitos humanos, técnicas de abordagem e defesa, permitindo que o conhecimento sobreponha-se à violência.

Acompanhando a evolução tecnológica o processo de ensino-aprendizagem da PMMA através do CFAP emprega também a metodologia do Ensino a Distancia (EAD) que proporcionou extraordinário avanço qualitativo e quantitativo, permitindo que os conhecimentos profissionais cheguem a todos os rincões do Estado, proporcionando um nivelamento quase absoluto dos conhecimentos.

A qualificação técnica do público interno este se apresenta motivado e assaz participativo, devido também a ações de congraçamento, reconhecimento profissional, melhorias nas condições de trabalho (alojamento, refeitórios, etc…) e também aos eventos de entretenimento nas praças desportivas.

Além de cumprir sua missão fundamental o CFAP exerce importante papel social perante mais de setenta crianças e ou adolescentes oriundos das comunidades circunvizinhas, que se utilizam das instalações para prática do futebol onde também recebem orientações e conhecimentos importantes para a formação do caráter do bom cidadão.

Não tenho mais a tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão, local de onde eu, além de cobrar providencias e defender os interesses daqueles que me elegeram, o povo do Maranhão, proclamava e defendia as boas coisas feitas em nossa terra, como esta que lhe mostro hoje. Por motivos pessoais abri mão daquela tribuna, mas continuo a ter esta, o jornalismo, a literatura, da qual não me aparto e que em muitos casos é muito mais ouvida. Daqui, irei continuar comentando as boas coisas que existem em nossa terra e também continuarei levantando discussões que acredite ser relevante para nossa vida, como por exemplo, a situação de abandono em que se encontra o nosso centro histórico, que teima em sobreviver à ação do tempo e aos maus tratos.

O CFAP é uma dessas instituições que nós devemos apoiar incondicionalmente, pois é ela quem pode melhorar a qualidade de um dos setores mais vitais de nossa sociedade, o grupo de cidadãos que destacamos para nos dar segurança, para proteger a nós e nossas famílias.

Gostei do que vi em minha visita e vou voltar para ajudar no que puder.

Do Deus dos mares ao moleque das matas

dom, 07/08/11
por Joaquim Nagib Haickel |
categoria Geral

Só descobri na terça-feira, 2 de agosto, por intermédio de uma mensagem eletrônica, que o texto aludido por mim em meu último artigo publicado neste espaço era da autoria de Henrique Bois, um jornalista que considero um dos mais talentosos de nossa terra.

Dono de um respeitável cabedal cultural, ele é uma pessoa que devido ao meu jeito de ser e de encarar a vida, poderia muito bem chamar de amigo cordial. Mesmo que não sejamos próximos, sempre convivemos nos mesmos espaços culturais, prova disso é que ele, em algumas oportunidades, chegou a participar tanto da revista quanto das antologias Guarnicê (para quem não sabe, O Guarnicê foi uma revista aqui editada, sem viés de personalismo, por um grupo de jovens poetas, contistas, cronistas, jornalistas e cartunistas no inicio dos anos 80).

Sendo o referido texto de Bois, retiro o termo pigmeu mental, pois a ele tal adjetivo não se enquadra. Em que pese não ser um homem de grande estatura física, Bois é realmente um dos mais competentes jornalistas de sua geração. Aplicado, dedicado, estudioso, culto, lido, Bois é dono, quando quer, de um texto leve e gracioso, principalmente quando fala de arte, pedaço da vida pela qual ele muito se interessa.

Porém, Bois foi desatento quando se apressou em comentar em seu blog uma matéria publicada no jornal O Estado do Maranhão que falava da estada a nossa capital, a convite da Fundação Nagib Haickel – cujo nome publicou errado – dos cineastas Sergio Martinelli e Coi Belluzzo.

Alguns jornalistas, uns por excesso de trabalho, outros por excesso de miopia, outros ainda por excesso de preconceito e ainda outros por excesso de falta do que falar, vão falando, falando, falando, assim, sem se aprofundar no assunto. Acredito que o caso de Bois não se enquadre em nenhum dos anteriormente citados. Acho sinceramente que alguém deve ter comentado com ele sobre o fato de estarmos produzindo vários filmes e ele imaginou que todos os projetos fossem meus, pessoais, individuais. Não o culpo por pensar assim. O culpo por ele não ter pegado o telefone, ligado para mim e perguntado o que quisesse saber, antes de escrever coisas que não sabia serem verdades, ou desse a sua opinião jornalística como verídica final e irrecorrível. Cacoete stalinista difícil de esconder ou superar.

Dizer que o Pólo de Cinema Documental, Ficcional e de Animação do Maranhão já nasce sob a sombra do personalismo, é tentar matar um recém-nascido ainda no berçário, tal qual quis fazer Hera ao mandar cobras ao berço de Hércules, e isso eu não poderia permitir.

O que de resto foi dito, o fato de eu ser amigo e fazer parte do mesmo grupo político do presidente José Sarney, de eu ser rico, de o Museu da Memória Audiovisual da Fundação Nagib Haickel ter sido montado com recursos de emendas de parlamentares federais, de o deputado Ribamar Alves ter sido o que mais contribuiu para isso, por mais que tudo isso pareça inveja, recalque ou qualquer outra idiossincrasia humana, não é relevante, levando-se em consideração quem escreveu tal matéria, pois Henrique Bois, de forma alguma tem motivo para ser recalcado ou ter qualquer tipo de inveja de mim ou de quem quer que seja. Quem o conhece, sabe que ele é capaz, competente, quem sabe até muito mais bem preparado que eu e tantos outros, tanto como jornalista e escritor, quanto como poeta, prova disso é seu novo texto sobre mim (que desta vez chegou ao meu conhecimento por um comentário em meu blog), intitulado “Resposta ao poseidônico Joaquim Nagib Haickel”, onde ele desfolha toda sua a cultura, todo o seu conhecimento filosófico e psicológico, demonstrando estar muitos degraus acima dos usuários comuns da Wikipédia.

Nesse texto ele replica pérolas da prosa poética como o maravilhoso título do álbum dos Titãs, “Tudo ao mesmo tempo agora”. Aqui seu inconsciente o trai, pois esse também é o título do livro de Ana Maria Machado, escritora-mãe de Jajá, garoto brilhante, vitima de preconceito social. Sintomático!

Cita Stalin, Marx, Engels, Lenin e como não poderia deixar de ser, não desata de Sarney. Analisa de forma extremamente elegante a literatura quando diz que “Dostoievski foi um escafandrista da alma russa ao escrever sobre os males que acometem o homem universal. As situações patológicas da alma são o mote de sua obra eterna” – no que concordo plenamente!

No entanto Henrique Bois não se afasta do erro. Só que agora é um erro digno das personagens que povoam sua mente culta, quem sabe um Javret, ou ainda Danglars ou Villefort, quem sabe Normam Bates ou Frank Booth. Mas acredito que é o Dorian Gray que ele vê em outros que está arraigado definitivamente em sua alma.

Ele diz a certa altura: “Décadas após ler ‘Os irmãos Kamarazov’ retorno ao personagem de Ivan Karamazov para manifestar meu desprezo ao texto ‘O que move o mundo…’ do imortal maranhense Joaquim Nagib Haickel, e suas alusões a minha pessoa, …”. Ora, acontece que eu não escrevi texto sobre a pessoa do caro jornalista, nem sabia que dele se tratava, escrevi e publiquei sobre um comentário que chegou ao meu blog, falando da minha pessoa e de um projeto que eu e alguns cineastas estamos tentando desenvolver no Maranhão.

Como diria o tio Barnabé, personagem contador de “causos” dos livros de Monteiro Lobato, quem sabe o Dostoievski tupiniquim, a carapuça vermelha e encantada só poderia cair na cabeça de um… CURUPIRA…

Como Ivan Karamazov, acredito que ninguém seja obrigado a amar seus semelhantes, mas aprendi com a minha mãe que é nossa obrigação termos respeito para com as pessoas, coisa que o escrevinhador do texto que comentei antes, não teve, nem para comigo nem para com os que como eu pelejam pelo NOSSO Pólo de Cinema.

Por fim considero esse incidente superado e convido o blogueiro Henrique Bois para conhecer e informa-se sobre os nossos projetos, para depois disso poder falar com conhecimento de causa.

PS: O Curupira é uma entidade da floresta. Diz a lenda que ele vai para as margens dos rios para pedir fumo aos canoeiros e vira-lhes as canoas quando não lhe dão. Ele não usa carapuça. Secretário de Esportes e Lazer, e membro das Academias Maranhense e Imperatrizense de Letras

O que move o mundo…

dom, 31/07/11
por Joaquim Nagib Haickel |
categoria Geral

Sinceramente não sei o que com mais força move o mundo. Antes eu pensava que era o medo, instinto primordial e básico, indissociável de todas as criaturas, sejam elas mais ou menos domesticadas. Depois passei a crer que o que mais faz girar as engrenagens da vida é a ambição, a vontade do mais, reação básica que em boas medidas promove o crescimento e que em medidas exorbitantes cria fascínoras. Porém, recentemente, ao ver um documentário sobre os sete pecados capitais, descobri que a inveja é outro grande impulsionador do mundo.

Dito isso, passo agora a narrar o que aconteceu na última quinta-feira, 28.

Como sempre faço, quando posso, entrei em meu blog e vi que havia recebido um comentário que transcrevia o que imagino ser um texto jornalístico publicado em algum jornal de nossa cidade. O certo é que não tomei conhecimento dele antes do citado comentário.

No tal texto, que transcreverei mais abaixo, o seu perpetrador comenta a criação do Pólo de Cinema do Maranhão que um grupo de amigos cineastas está empenhado em implantar em nossa cidade, e é sobre isso que ocuparei esse espaço e tomarei seu tempo a partir de agora.

Poderia começar discorrendo sobre todas as doenças que assolam as almas de pessoas como o escriturário do opúsculo abaixo, mas ele já surtiu o efeito comprobatório de minha teoria inicial: a que diz ser a inveja uma das grandes forças que movem o mundo. Senão vejamos. Eu que me encontrava sem ânimo para escrever, pois outros afazeres de minha vida tem me levado em direção diversa da literatura, por causa do recalque de um pigmeu mental, por causa do escrito de um patológico invejoso me ponho a escrever esse texto, me movimento no intuito de comentar entre parênteses, em itálico e negrito a transcrição do tal texto.

“Veja o que um jornalista da cidade anda falando de você… Pólo de cinema do Maranhão tem assinatura exclusiva de Joaquim Haickel. O pólo cinematográfico do Maranhão, supostamente (supostamente é a vovozinha) fomentado a partir do funcionamento do Museu (da Memória) Audiovisual do Maranhão, nasce sob a égide da cultura do personalismo (como um pólo pode ser personalistico se é o magnetismo que há nos pólos que justifica sua existência, só um imbecil para pensar assim. Para seu conhecimento, no MAVAM já está sendo editado e finalizado um documentário sobre capoeira de Alberto Greciano, premiado diretor espanhol residente em São Luís). Ao menos três projetos iniciais da Fundação Joaquim (Nagib) Haickel, onde se encontra instalado o museu: os filmes curtas “Upaon-Açu, Saint Louis, São Luís”, “A Ponte”, e um sobre a vida do Padre Antonio Vieira.

O primeiro é uma animação dirigida por Joaquim Haickel, secretário de estado de Esportes e presidente da fundação (não sou o presidente da FNH, seu mal informado…), com desenhos de Beto Nicácio; “A ponte”, é de Joaquim Haickel, Frederico Machado, Arturo Saboia e Breno Ferreira (mais uma fez mal informado, esse curta de animação é um projeto da Dupla Criação e da Guarnicê Produções, o filme que terá os diretores citados é um longa-metragem que terá a cidade de São Luís como personagem central); e uma versão cinebiográfica de Padre Antonio, dirigida também pelo imortal (posto que é chama, infinito enquanto… tiver que aturar gente como você) da Academia Maranhense de Letras.

Pertencente ao grupo político do senador José Sarney (PMDB-AP) no Maranhão, (o que tem isso haver com o contexto. Fica claro o cacoete de gente recalcada) Haickel regozija-se da realização de um sonho nutrido há 20 anos (fico feliz que isso esteja acontecendo numa terra onde pouco ou nada se faz pelo cinema ou para preservar nossas histórias em áudio e vídeo, além do que esse não é um sonho meu, é de todos que de uma forma ou de outra fazem ou tentam fazer cinema em nossa terra. Lembro que há mais de 20 anos, numa de suas vindas ao Maranhão, o grande José Louzeiro nos conclamava a implantar aqui um pólo de cinema). A concretização teve um empurrãozinho de aliados políticos da Bancada Federal do Maranhão, notadamente do deputado federal do PSB, Ribamar Alves (Além de Ribamar que não é nem nunca foi meu correligionário político, outros parlamentares ajudaram para a realização desse empreendimento, entre eles Cafeteira, Gastão, Novais, Waquim, Brandão, Verde e até Dutra). Homem rico (como se isso fosse um insulto. Mais recalque), Joaquim Haickel declarou à Justiça Eleitoral possuir patrimônio calculado em mais de R$ 9 milhões nas eleições de 2006 (se não tivesse feito isso seria crucificado, pois estaria sonegando informações).

Alves destinou R$ 1,5 milhão (errado mais uma vez, R$ 900 mil) em emendas parlamentares para soerguer as instalações da Fundação Joaquim (Nagib…. seu burro) Haickel, no Portinho (diga-se de passagem que todos os recursos foram destinados ao IPHAN-MA que se encarregou das licitações para esse fim), prédio pertencente ao espólio do ex-deputado estadual Nagib Haickel, pai de Joaquim (errado novamente, o imóvel era meu e foi doado para a FNH). Os Haickel como Ribamar Alves detém votos na região de Pindaré (vá errar assim na caixa prego, esse cabra é um incompetente ou simplesmente maldoso. Desde a morte de meu pai, em 1993, eu não fiz mais política no Pindaré). Nas eleições de 2010, Joaquim Haickel deliberadamente se retirou da disputa eleitoral (depois de 28 anos de vida pública, como deputado estadual, deputado federal e secretário de Estado, resolvi não mais me candidatar. Já tendo completado 50 anos e sabendo que os homens da minha família vivem pouco, meu pai morreu com quase 60, resolvi me dedicar à literatura, ao cinema e a minha família). Alves, deputado do PSB, partido historicamente de oposição ao grupo Sarney no estado, foi reeleito para o terceiro mandato”.

Diante da leitura do “textículo” acima fiquei imaginando se não será a inveja realmente o maior motor do mundo.

Pra finalizar lembro que inveja não vive sozinha, ela vem associada a outros sentimentos como a impotência, a inépcia, a incompetência, o recalque, a intolerância, o preconceito e tantos outros sentimentos baixos, dignos do Hades, inferno olímpico.



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