AINDA SOBRE A FUNÇÃO EDUCAÇÃO FÍSICA
Após as perorações aí de baixo, sobre as duas notícias que me chamaram a atenção, hoje, em “o Estado do Maranhão”, referi-me às noticias de vagas para ‘educador físico’, atraves de concurso publico, e de que não reconhecia o termo – educador fisico – como o que me qualifica: professor de educação física (sou licenciado em educação física pela Escola de Educação Física e Desportos do Paraná, turma de 1975; hoje, é a Faculdade de Educação Física da UFPr); o outro termo, que reconheço para identificar minha profissão, é ‘profissional de educação física’, definido em Lei, de 1998.
Vamos à segunda matéria. DEAN, Jock. “O ESPORTE É A MINHA PAIXÃO”. in O ESTADO DO MARANHÃO, São Luís, domingo, 31 de janeiro de 2010, p. 3, perfil.
Primeiro, devo esclarecer que não se trata de ‘falar mal’ de um profissional competente, com uma bonita história de vida. É o conteúdo… O referido profissional é de uma área de atuação regulada por um Conselho Profissional – o CREFITO – pois é, de profissão, Fisioterapeuta. Fala de sua trajetória de vida…
Empresário bem sucedido, o fato de ser fisioterapeuta não invalida, ou não é irregular, nem contraria as leis do País, ser proprietário de uma academia de ginástica.
Mas o que me chama a atenção é essa declaração: ” [...]na academia, além de administrador [...] é personal trainer. ’[...] (segunda coluna, ACADEMIA).
Mais adiante, sob o título de ‘ESPORTISTA EM TEMPO INTEGRAL’, outra informação: “[...] O handebol veio sob o incentivo do irmão [...] que é ortopedista de formação e treinador (de handebol) nas horas vagas [...]“.
Vamos à minha estranheza. Ambos os irmãos citados na reportagem são profissionais com suas respectivas profissões definidas: um fisioterapeuta, outro médico ortopedista. Ambas as profissões são regulamentadas por lei, sendo a segunda, embora de há muito reconhecida, só recentemente reconhecida, as suas prerrogativas (ATO MÉDICO). Certamente que ambos têm seu registro no respectvo Conselho Profissional – CREFITO e CRM-MA. Isso, para poderem atuar legalmente
Pergunto: ambos os profissionais, em sua profissão paralela, ou segunda profissão, ou função profissional, têm competência para isso? têm registro prtofissional no Conselho Regional de Educação Física – Seccional do Maranhão, para atuarem como ‘personal treiner” e o outro como técnico esportivo (de handebol)?
Nas palavras escritas do repórter, tem-se a informação de que ambos exercem uma segunda profissão… esta regulamentada por Lei (vide post abaixo…), e que essa Lei exige que, para o exercício da função ‘Educação Física” o profissional tenha seu registro profissional no CREF-MA; que tenha formação em nível superior, obtida em escola de formação profissional em “educação física”; e não em Fisioterapia ou Medicina…
Como não há essa informação na reportagem, se ambos têm registro profissional no sistema CONFEF/CREF… fica a dúvida se exercem, ou não, irregularmente a função que se lhes declara…
Com a palavra o CREF-MA, se ambos têm, ou não, registro. Em caso negativo, o caso deve ser averiguado pelos demais órgãos fiscalizadores: o próprio CREF-MA, verificado que o fisioterapeuta não tem registro, e em sua Academia (de que é prioprietário e administardor) – ela também deve ser registro, enquanto ente jurídico; o PROCON; a Vigilância Sanitária e, também, o Ministério Público… exercício ilegal de profissão se constitui crime previsto em Lei…
Aguardo uma resposta…
Algumas explicações necessárias:
O que é Personal Trainer – PERSONAL TRAINER é o seu professor de condicionamento físico particular que irá lhe instruir na academia, no parque, no trabalho ou na comodidade de seu lar, dependendo de sua disponibilidade e objetivos.
O profissional de Educação Física especializado na prescrição e acompanhamento de exercícios físicos, responsável pela elaboração do programas de atividades físicas, direcionadas às condições físicas do cliente e às suas expectativas de uma forma individualizada e objetiva.
Quem é o profissional de Educação Física?
“O Profissional de Educação Física é especialista em atividades físicas, nas suas diversas manifestações – ginásticas, exercícios físicos, desportos, jogos, lutas, capoeira, artes marciais, danças, atividades rítmicas, expressivas e acrobáticas, musculação, lazer, recreação, reabilitação, ergonomia, relaxamento corporal, ioga, exercícios compensatórios à atividade laboral e do cotidiano e outras práticas corporais, tendo como propósito prestar serviços que favoreçam o desenvolvimento da educação e da saúde, contribuindo para a capacitação e/ou restabelecimento de níveis adequados de desempenho e condicionamento fisiocorporal dos seus beneficiários, visando à consecução do bem-estar e da qualidade de vida, da consciência, da expressão e estética do movimento, da prevenção de doenças, de acidentes, de problemas posturais, da compensação de distúrbios funcionais, contribuindo ainda, para a consecução da autonomia, da auto-estima, da cooperação, da solidariedade, da integração, da”. Cidadania, das relações sociais e a preservação do meio ambiente, observados os preceitos de responsabilidade, segurança, qualidade técnica e ética no atendimento individual e coletivo.”
Como atua em sua intervenção profissional?
“A Intervenção Profissional é a aplicação dos conhecimentos científicos, pedagógicos e técnicos, sobre a atividade física, com responsabilidade ética”.
A intervenção dos Profissionais de Educação Física é dirigida a indivíduos e/ou grupos-alvo, de diferentes faixas etárias, portadores de diferentes condições corporais e/ou com necessidades de atendimentos especiais e desenvolve-se de forma individualizada e/ou em equipe multiprofissional, podendo, para isso, considerar e/ou solicitar avaliação de outros profissionais, prestar assessoria e consultoria.
O Profissional de Educação Física utiliza diagnóstico, define procedimentos, ministra, orienta, desenvolve, identifica, planeja, coordena, supervisiona, leciona, assessora, organiza, dirige e avalia as atividades físicas, desportivas e similares, sendo especialista no conhecimento da atividade física/motricidade humana nas suas diversas manifestações e objetivos, de modo a atender às diferentes expressões do movimento humano presentes na sociedade, considerando o contexto social e histórico-cultural, as características regionais e os distintos interesses e necessidades, com competências e capacidades de identificar, planejar, programar, coordenar, supervisionar, assessorar, organizar, lecionar, desenvolver, dirigir, dinamizar, executar e avaliar serviços, programas, planos e projetos, bem como, realizar auditorias, consultorias, treinamentos especializados, participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares, informes técnicos, científicos e pedagógicos, todos nas áreas das atividades físicas, do desporto e afins.
O Profissional de Educação Física, pela natureza e características da profissão que exerce, deve ser devidamente registrado no Sistema CONFEF/CREFs – Conselho Federal/Conselhos Regionais de Educação Física, possuidor da Cédula de Identidade Profissional, sendo interventor nas diferentes dimensões de seu campo de atuação profissional, o que supõe pleno domínio do conhecimento da Educação Física (conhecimento científico, técnico e pedagógico), comprometido com a produção, difusão e socialização desse conhecimento a partir de uma atitude crítico-reflexiva.”
http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_frame.asp?cod_noticia=579
| Outras denominações para atuação mercadológica: Vip Trainer – Professor Particular – Preparador Físico – Treinador Particular – Treinador Pessoal – Consultor Físico |
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31 janeiro, 2010 as 21:04
É, essa vai ficar mesmo sem comentário.
Prefiro comentar sobre outro assunto veiculado neste teu “link” (iMirante). Fiz um pequeno comentário no espaço apropriado, constante na matéria. Se olharmos com a luneta mais poderosa para o nosso futuro, quase nada conseguiremos ver. Tá braba a situação. Os espaços dos profissionais estão literalmente invadidos por pessoas que “ainda” não estão devidamente qualificadas (estou sendo comedido o máximo possível por uma questão de respeito ao ser humano que, por algum motivo “ainda” não conseguiu aprender) mas aceita assumir determinadas funções.
A Informática está produzindo verdadeiros “Hulks”, ou, para ser mais “informaticamente” próximo, verdadeiros “vírus”.
Na matéria postada no iMirante, anunciando o falecimento de uma grande amiga nossa, Lili Marques, mãe da “nossa irmã” Esther Marques, o “personal trainer” LITERALMENTE LASCOU a cabeça da falecida (e provavelmente da filha, Francisca Esther Sá Marques, Doutora em Comunicação Social e Professora das mais qualificadas e admiradas da UFMA), com um “COMPUNHAVA TOADAS” que pode até ter servido para mudar o caminho dela para o andar de cima. Isso é, evidentemente, falta de Supervisão. E olhe que esse tipo de erro não acontece pela primeira vez.
Me fez até lembrar que, alguns anos atrás, quando eu era Editor da página de Esportes de um determinado jornal da cidade, um candidato a “auxiliar” me foi enviado e apresentado pelo Chefe da Redação. Ao ser entrevistado, o candidato respondeu que “adorava todo tipo de esportes” mas não gostava, nem estava disposto a trabalhar aos sábados, domingos e feriados. Coisas de “personal trainer”.
2 fevereiro, 2010 as 12:47
Infelizmente nossa profissão de Educação Física, sejam os Bacharéis (técnicos, personais) ou os professores (licenciatura), estão sujeitos a disputar ou ficar sem o emprego, por que tem “pseudos profissionais” que se dizem “professores ou técnicos” (na verdade são leigos) ocupando o lugar de outro profissional de educação física, que tem a competência para tal função, mas não a exerce por que já tem um “esperto” no lugar, que na grande maioria não tem os conhecimentos pedagógicos, anatômicos, fisiológicos e do treinamento desportivo para fazer uma prescrição de atividades físicas adequadas para cada cidadão. Não quero aqui dizer que todo “leigo” seja um mal “profissional”, pois conheço pessoas que não possuem formação universitária, mais buscam o conhecimento através de livros, cursos, seminários e outros métodos, para se capacitar (são a minoria), e que ainda não fizeram uma faculdade de educação física por problemas financeiros, sei também que existem pessoas formadas em educação física que saem da faculdade e vão trabalhar em academias de ginástica sem saber a técnica de execução dos movimentos, podendo levar as pessoas a se lesionarem, pois infelizmente na maioria das faculdades de educação física não tem a disciplina de musculação ou ginástica de academia.
Para os “leigos” que trabalham com academias, escolinhas de esportes etc, e que se acham melhores que pessoas com formação especifica, só por que foram “grandes” atletas de suas respectivas modalidades, eu os chamo de “repetidores de técnica”, pois passaram boa parte de suas vidas fazendo as mesmas coisa, com os gestos tornando-se mecanizados. Outro ponto são os profissionais de outras áreas da saúde que se acham “superiores” aos profissionais de educação física, exemplo, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e outros que vira e mexe estão prescrevendo atividades físicas, que é competência exclusiva do profissional de educação física. Um tempo atrás tive uma discussão sadia com um amigo que é fisioterapeuta, com relação aos fisioterapeutas que trabalham em academias sejam como “professores” ou “personal trainer”, e ele me disse que não tinha diferença, aí eu perguntei para ele: O que é periodização? O que é microciclo? Quais são as variáveis modificáveis e importantíssimas que o profissional deve controlar para um bom desempenho e desenvolvimento das qualidades físicas treináveis? Resposta: Ele não me respondeu nenhuma, então eu lhe disse “você vê agora a diferença!’ Se as mesmas perguntas fossem feita para os “leigos” e profissionais de outras áreas da saúde, poucos saberiam responder. Os profissionais de educação física que trabalham com musculação e treinamento desportivo tem a obrigação de saber isso e muito mais.
Não quero desmerecer nenhum profissional da área de saúde, pois cada um estudou para exercer tal profissão, tem competência pra trabalhar em sua “área”, e que para exercer sua profissão deve estar inscrito em seu órgão fiscalizador e se quer trabalhar também em outra área que busque outra formação (tenho amigos formados em educação física e fisioterapia ou nutrição), mas, não posso de maneira alguma como profissional de Educação Física por formação e vocação, que qualquer pessoa venha querer desmerecer minha formação e profissão. O que deve haver quando for necessário é um trabalho multiprofissional, onde vários profissionais trabalhem cada um na sua área para em conjunto beneficiar uma pessoal ou uma equipe.
Não sei até quando teremos que conviver com esses “leigos”, mas, acho que o sistema CONFEF/CREF deveria por logo um fim na questão do “provisionado”, vejo isso mais como forma de arrecadar dinheiro, e com o dinheiro que está sendo arrecadado, não há uma fiscalização eficiente e eficaz, na seccional do Maranhão acho que não tem o apoio devido do CREF 05, visto que os profissionais que trabalham lá estão fazendo o trabalho com dificuldade, acho que não recebem remuneração por isso, e creio que não podem fiscalizar todas as academias de São Luis.
O sistema CONFEF/CREF deveria incentivar as pessoas provisionadas a fazer uma faculdade de educação física, buscando firmar convênios com as IES, para dar descontos e facilidades para pessoas nesta situação, isso sim ajudaria a legitimar a profissão, que é regulamentada, mais creio que vai se legitimar.
Um abraço, Romulo Waquim Gomes – Profissional de Educação Física