Caríssimos,
Convido a todos para a Aula Publica sobre Vinhais Velho, que ocorrerá na terça, 31/01, no auditório do Jornal Imparcial, Renascença, atrás do Shopping Tropical.
O objetivo do encontro é que membros da comunidade científica se pronunciem sobre a importância histórica e arqueológica do espaço. Desta forma, solicitando às autoridades que sejam feitos estudos sobre a área e se evite sua descaracterização. Finalmente, evitar o despejo das famílias que vem mantendo viva a tradição da comunidade´..
Esperamos o apoio e a presença de todos.
Profa. Dra. Antonia da Silva Mota
Depto. de História – UFMA
Fiz minha lição de casa, pois devo participar dessa aula, como um dos expositores:
SOBRE ESQUECIMENTO(S) E APAGAMENTO(S)
– O CASO DO VINHAIS VELHO
LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ – Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão
Vimos acompanhando pelas mídias – e em especial blogs – o caso do Vinhais Velho, núcleo habitacional mais antigo do Maranhão. Referimo-nos à ocupação por brancos, pois os Tupinambás já se encontravam aquele espaço há mais tempo, provavelmente desde 80 anos antes da chegada dos Franceses de La Ravediére. Antes dos Tupinambás, os Tremembés, havendo indícios de ocupação pelo menos de nove mil anos… O que nos leva a essa afirmação são documentos que estão vindos à luz por pesquisas recentes, com base em informações obtidas em diversos arquivos e interpretação e uso de fontes as mais diversas.
A área que nos referimos – o Maranhão – é território de uma rica história de intercâmbio e conflítos entre os povos indígenas nativos – tais como os Tremembé[1], Tabajara, Jurema, Jenipaboaçu, Cambida – e europeus – franceses, holandeses, ingleses e portugueses. Os franceses já negociavam, o chamado escambo, com os povos nativos dessa região antes mesmos das primeiras expedições portuguesas.
No ano de 1473 aparecem relatos de registros visuais da lendária “Ilha das Sete Cidades” [2] e as tentativas de sua posse. Um dos casos mais consistentes foi carta apresentada ao rei D. Afonso V de Portugal pelo açoriano Fernão Teles. Do roteiro que então mostrou constava uma longa costa, com várias ilhas, baías e rios, que ele declarava ser parte das Sete Cidades. Embora se acredite que pudesse ser a costa do Norte do Brasil, entre o Maranhão e o Ceará, com o delta do rio Parnaíba, apenas se pode afirmar com certeza que aquele território se situaria na margem ocidental do Atlântico. Aparentemente o rei não terá acreditado totalmente na descoberta, ou não considerou Fernão Teles suficientemente digno, pelo que da carta de doação concedida não consta referência às Sete Cidades, mas apenas a uma grande ilha ocidental que se pretenderia povoar. Insatisfeito com a carta de doação, Fernão Teles insiste no pedido das Sete Cidades. Consultado o cosmógrafo genovês Paolo del Pozzo Toscanelli (1398-1492)[3], que declarou que a Antília (designação dada às ilhas do Mar das Caraíbas) e a Ilha das Sete Cidades seriam naquela margem do Atlântico. Em 1476 a carta solicitada pelo açoriano Fernão Teles foi concedida, mas não se conhece a existência de qualquer expedição subsequente por parte daquele donatário.
Admite-se que no ano de 1513, Diogo Ribeiro[4] tenha chegado ao Golfão Maranhense e que a ele se deva o nome de Trindade dado à Ilha de São Luís; e Estevão Fróes [5], assim como Diogo Leite, vindo de Pernambuco a explorar a costa por ordem de Martins Afonso de Sousa tenha alcançado a foz do Rio Gurupi e deu nome a Abra de Diogo Leite (Baia do Gurupi) [6].
De ordem de Martin Afonso de Sousa[7], Diogo Leite[8], reconhecendo o litoral norte do Brasil, chega à foz do Gurupi (1531). Atribuem-se a ele os nomes de São José e São Marcos dados às baías que formam o Golfão Maranhense, pelos dias, no calendário romano, em que as tenha alcançado. Lima[9] registra Diogo de Sordas…
A colonização do Brasil tem seu início em 1534, quando D. João III [10] intenta a conquista de suas novas terras “descobertas” pela expedição de Pedro Álvares Cabral em 1500, dividindo-as entre seus vassalos, pois estava preocupado com a presença de corsários franceses que navegavam por estas costas desde 1504. Estabele o sistema de Capitanias Hereditárias (Regimento Castanheira). O Maranhão atual, por sua extensão litorânea do Paraíba ao Gurupi, está compreendido nas duas mais setentrionais, dentre elas: a de Fernão Alvares de Andrade[11], com 70 léguas de costa contadas da foz do Mundau (Camocim) aos Mangues Verdes (Golfão Maranhense) e uma segunda, de João de Barros[12], com 50 léguas, dos Mangues Verdes à foz do Gurupi. João de Barros e Fernando Álvares de Andrade associam-se a Aires da Cunha[13], na tentativa de apossarem-se dela, sem resultado. Eram lotes enormes, de cerca de 350 km de largura, até à linha estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas, interior a dentro:
“Dez anos depois de criadas, as desordens internas, as lutas com os índios e a ameaçadora presença dos franceses acabaram provocando o colapso do sistema que o rei e seus conselheiros haviam optado por aplicar ao Brasil” (BUENO, 1999)[14].
Vamos seguir Ribeiro[15], ao perguntar: qual era a verdadeira missão de Aires da Cunha?
Quando a costa brasileira foi tocada pela primeira vez por Pedro Álvares Cabral, em 1500, os portugueses mal imaginavam qual a extensão exacta da “Terra Brasilis”. Os métodos cartográficos eram muito rudimentares e os mapas, muito vagos. Assim, o “descobrimento” ainda estava apenas começando. Tanto que muitas regiões só foram colonizadas décadas depois da chegada de Cabral. A história do Maranhão ilustra bem a dificuldade dos descobridores e, até hoje, guarda em seus arquivos a mal-explicada história do navegador Aires da Cunha – um personagem misterioso e pouco explorado pelos livros.
Lembremos que por mais de 30 anos após o descobrimento, o Maranhão foi totalmente desprezado pelos portugueses. Acredita-se que o primeiro navegador a avistar o litoral maranhense tenha sido o espanhol Vicente Yañes Pizón, que em 1500 percorreu o nordeste brasileiro de Pernambuco até a foz do Rio Amazonas. Em 1524, os franceses começaram a visitar aquelas praias. Somente em 1530 o rei D. João III começou a se preocupar com as intenções francesas em fundar por aqui a França Equinocial, e enviou para cá o administrador colonial Martim Afonso de Sousa que, por sua vez, um ano depois mandou Diogo Leite explorar o norte da terra descoberta. Só então Portugal tomou conhecimento do que realmente havia por lá.
O desinteresse real pela Ilha do Maranhão (hoje Ilha de São Luís) durou até 1534, quando o desprezo pela região foi trocado por um súbito (e grande) interesse. Naquele ano, para facilitar a colonização, D. João repartiu o Brasil em nove capitanias hereditárias. O Maranhão foi dividido em dois lotes (Itamaracá e Pará): o primeiro foi doado a Fernão Álvares de Andrade e o segundo ao historiador João de Barros e Alves da Cunha, que já conhecia a colônia, pois participou do descobrimento como membro da expedição de Pedro Álvares Cabral.
Repentinamente, as capitanias de Itamaracá e Pará passaram a ser consideradas como as mais nobres de toda a colónia, pela grandeza de seus rios, fertilidade das terras, abundância de animais e, o mais importante, devido aos boatos sobre a riqueza de suas jazidas de ouro.
Assim, uma grandiosa expedição foi organizada, com todo o apoio da corte, através de muitas concessões financeiras da coroa portuguesa, que adiantou aos donatários muitas armas e munições, além de prometer condições especiais para a exploração das minas – caso elas fossem realmente encontradas Como Fernão Álvares e João de Barros não podiam deixar a corte, a missão de comandar a expedição foi entregue ao experiente Aires da Cunha. Junto com ele, embarcaram também os dois filhos de João de Barros e um delegado de confiança de cada donatário. Em outubro de 1535, o navegador zarpou do Tejo, com 10 caravelas muito bem armadas, tripuladas por 900 homens e, também, 113 cavalos. A armada de Aires da Cunha atravessou o Atlântico sem grandes surpresas e foi directo para a capitania de Pernambuco, onde o comandante foi acolhido com grande atenção pelo donatário Duarte Coelho, que havia recebido muitas recomendações da coroa para dar à expedição tudo o que fosse necessário. A frota brasileira recebeu mantimentos, batedores práticos da costa e do sertão, intérpretes de línguas indígenas a até embarcações para sondagem das baías. Meses depois de chegar ao Brasil, a expedição seguiu para o norte, em busca do almejado ouro do Amazonas – na época, o Rio Maranhão era confundido com o Rio Amazonas, tamanha a falta de uma cartografia eficiente”. [16]
Os portugueses chegaram nestas bandas a partir da segunda metade do Século XVI, com diversos intuítos: um reconhecimento completo da região a partir de Tutóia [17] no Maranhão aos limites finais entre Ceará e Rio Grande do Norte ou como base de apoio para a ocupação do litoral, bem como base de apoio para confrontos militares com os franceses que ocupavam o Maranhão. Deste momento histórico existem várias cartas topográficas datadas dos séculos XVII.
Luís de Melo da Silva estivera por aqui em 1554 e tenta retornar em 1573, quando naufraga no Mar-Oceano sua nau-capitânea “São Francisco” que tinha Luis da Gamboa como comandante.
No Capítulo XIV “Da terra e capitania do Maranhão que el-rei D. João Terceiro doou a Luis de Melo e Silva”, Frei Vicente de Salvador (2010, p. 161-162) descreve “o Maranhão” como uma grande baía que fez o mar, entre a ponta do Pereá e a do Cumá, tendo no meio a ilha de S. Luis, onde esteve Aires da Cunha, quando se perdeu com a sua armada e os filhos de João de Barros (capítulo precedente):
“[...] No tempo que se começou a descobriri o Brasil, veio Luis de Melo da Silva, filho do alcaide-mor de Elvas, como aventureiro, em uma caravela a correr esta costa, para descobrir alguma boa capitania, que pedir a el-rei e não podendo passar de Pernambuco, desgarrou com o tempo e água e se foi entrar no Maranhão, do qual se contentou muito, e tomou língua do gentio, e depois na Margarita de alguns soldados que haviam ficado da companhia de Francisco de Orelhana, que como testemunhas de vista muito lhe gabaram e prometeram haveres de ouro e prata pela terra adentro.
“Do que movido Luís de Melo se foi a Portugal pedir a el-rei aquela capitania para a conquistas e povoar e, sendo-lhe concedida, se fez prestes em a cidade de Lisboa partiu dela em tres naus e duas caravelas, com que chegando ao Maranhão se perdeu nos parcéis e baixos da barra, e morreu a maior parte da gente que levava, escapando só ele com alguns em uma caravela, que ficou fora de perigo, e dezoito homens em um batel, que foi ter à ilha de Santo Domingo [...]
“Depois de Luís de Melo ser em Portugal se passou à Índia, onde obrou valorosos feitos e, vindo-se para o Reino muito rico e com a intensão de tornar a esta empresa, acabou na viagem em a nau S. Francisco, que desapareceu sem se saber mais novas dela. Não houve quem tratasse mais do Maranhão, o que visto pelos franceses lançaram mão dele, como veremos em o livro quinto”.
Frei Vicente do Salvador informa, ainda, que seu pai esteve nessa viagem de Luís de Melo: “se embarcou então para o Maranhão e depois para esta baia, onde se casou e me houve e a outros filhos e filhas”.
Quando Felipe II anexou Portugal e suas colônias à Espanha (1580) percebeu o abandono que estaria ocorrendo em regiões que correspondem hoje ao Norte e Nordeste do Brasil. Entretanto, a situação agravante era a permanência de povos franceses. Por isso, duas Cartas Régis, a primeira em 1596 e a segunda em 1597, determinaram de fato a expulsão francesa, além da construção de um forte e a fundação de uma cidade na capitania do Rio Grande.
De acordo com Frei Vicente do Salvador[18], no Rio Grande os “[...]franceses iam comerciar com os potiguares, e dali saíam também a roubar os navios que iam e vinham de Portugal, tomando-lhes não só as fazendas mas as pessoas, e vendendo-as aos gentios para que as comessem [...]“. A Capitania do Rio Grande constituiu o segundo lote doado a João de Barros e a Aires da Cunha, da foz do rio Jaguaribe a norte, até à Baía da Traição, a sul. Tendo o empreendimento de ambos sido direcionado ao primeiro lote (a Capitania do Maranhão), devido às dificuldades ali encontradas em 1535, este segundo lote permaneceu abandonado[19]. O principal porto frequentado pelos franceses na Capitania do Rio Grande era o rio Potengi, onde também se detinham navios ingleses. Naquele ancoradouro se procediam aos reparos necessários nas embarcações e obtinham-se provisões frescas (“refrescos”).
O topônimo “Refoles” (outrora “nau de Refoles”), coincidente com o trecho do Potengi onde atualmente se ergue a Base Naval de Natal, recorda a presença na região, do francês Jacques Riffault[20], corsário que pirateava pelas costas brasileiras ao tempo do rei francês Henrique, o Grande[21].
Jacques Riffault é personagem constante em nossa história. Desde 1594 estabelecera em Upaon-açu (ilha de São Luís) uma feitoria, deixando-a a cargo de seu compatriota Charles – Senhor de Des-Vaux, cavalheiro do Condado de Tomaine -, que havia conquistado a amizade dos silvícolas, e tinha inclusive o domínio da língua nativa[22] .
Capistrano de Abreu (in Salvador 2010, servindo-se de Abbeville) [23] conta que Riffault partiu com tres navios para o Brasil em 1594[24], disposto a fazer conquistas com o auxílio de Ouirapiue, Pau Seco. Seu principal navio encalhou; dissensões e desarmonias privaram-no do outro; reduzido a um só, abaixou muitos companheiros em terra e voltou para França. Por sua vez Feliciano Coelho anuncia apenas que dera a costa um navio de Rifoles. Devia ter sido seu companheiro o língua Migan, morto na batalha de Guaxinduba depois de ter escapado quatorze vezes das mãos dos portugueses. Meireles (1982, p. 34) [25] traz que David Migan, natural de Vienne, no Delfinado, há tanto já vivia em Upaon-Açú.
Vamos encontrar Jacques Riffault na hoje Alcântara, cuja ocupação remonta a um primitivo aldeamento dos Tapuias[26], conquistado pelos Tupinambás[27] e denominado “Tapuitapera” (“casa dos Tapuias”) à época de sua chegada. Estabelecidas relações amistosas entre os dois povos[28], esta aldeia teria fornecido de trezentos a quatrocentos trabalhadores para a fortificação do nascente núcleo colonial na ilha Grande, depois ilha de São Luís, após a chegada de Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière (1612).[29]
Data de 1596 a visita de um Capitão Guérard, que armou dois navios, sendo um deles para o Maranhão – Poste (atual Camocim), – estabelecendo com regularidade as visitas à terra de corsários de Dieppe, de La Rochelle e de Saint Malo. É nesse ano que o Ministro Signeley toma como ponto de partida dos direitos da França nesta região, funcionando como uma linha regular de navegação entre Dieppe e a costa leste do Amazonas.
Entre 1603-1604 Jacques Riffault percorre o litoral do Ceará, quando o Capitão-mor Pero Coelho de Souza[30] recebeu Regimento, passado pela Coroa ibérica, que lhe determinava: “[...] descobrir por terra o porto do Jaguaribe, tolher o comércio dos estrangeiros, descobrir minas e oferecer paz aos gentios” e “fundar povoações e Fortes nos lugares ou portos que melhores lhe parecerem“.
Integravam a expedição Martim Soares Moreno, Simão Nunes e Manoel de Miranda, à frente de oitenta e seis europeus e duzentos indígenas. Em obediência ao Regimento, iniciou, na foz do rio Jaguaripe, uma fortificação em 10 de agosto de 1603, antes de prosseguir para combater os franceses de Jacques Riffault na Ibiapaba (BARRETTO, 1958, p.82-83). [31]
Em 1604, Pero Coelho de Souza, passou pelo Camocim com rumo a Ibiapaba e as batalhas contra os nativos que apoiaram os franceses e contas o franceses estabelecidos na região entre o Camocim[32] e o Maranhão.
Henrique IV, de França, concede a René-Marie de Mont-Barrot, Carta Patente datada de 8 de maio de 1602, autorizando-o a arregimentar 400 homens e fundar uma colônia no norte do Brasil; se associa a Daniel de La Touche, transferindo-lhe a empreitada. O Senhor de la Ravardière com o navegador Jean Mocquet parte a 12 de janeiro de 1604 com dois navios, chegando as costas da Guiana (Oiapoque) a 8 de abril, retornando àquele porto a 15 de agosto.
Ante a desistência de Mont-Barrot, o monarca francês, por Carta Patente de 6 de julho de 1605 nomeia La Ravardière seu Lugar-tenente e vice-almirante nas costas do Brasil. A primeira concessão a Daniel de La Touche, data do mês de julho:
“Luis, a todos os que virem a presente. Saúde.O defunto rei Henrique, o Grande, nosso muito honrado senhor e pai [...] tendo por cartas patentes de julho de 1605 constituído e estabelecido o Sr. De Ravardiére de La Touche seu lugar-tenente na América, desde o rio do Amazonas até a ilha da Trindade [...] [33]
Datado de 26 de julho de 1603 há um arresto do tenente do Almirantado em Dieppe relativo a mercadorias trazidas do Maranhão, ilha do Brasil, pelo Capitão Guérard[34]. Meireles (1982, p. 34) [35] traz também Du Manoir em Jeviré; Millard e Moisset, também encontrados na Ilha Grande. Os comandados de Du Manoir e Guérard chegam a quatrocentos; há esse tempo já dois religiosos da Companhia de Jesus haviam estado no Norte do Brasil.
Segundo o sócio do IHGM Antonio Noberto, é confirma a presença de franceses pelo Padre Luis Figueira, em sua Relação do Maranhão (de 1608):
“Mandamos recado a outra aldea para sabermos se nos quirião la e q’ viessem alguns a falar cõ nosco, e tãbem nos queriamos emformar dos q’ tinhão vindo do maranhão q’ la estavão principalmente acequa dos frãcesez que tinhamos por novas que estavão la de assento com duas fortalezas feitas em duas ilhas na boca do rio maranhão”. [36]
Em 1607 – ou 1609 – Carlos Des-Vaux retorna à França cansado de esperar por Riffault, e é recebido por Henrique IV. Ainda em 1609, Daniel de LaTouche e Charles Des-Vaux visitam o Maranhão.
De LaTouche certifica-se de que as informações sobre a terra eram verdadeiras e pede licença ao rei para explorá-la. Mas com o assassinato de Henrique IV, sucede-lhe ao trono Luis XIII, ainda menor, governando em seu nome Maria de Medicis[37]. É esta quem concede licença à Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiére, de formar uma companhia para explorar as “terras” de Riffault:
“[...] e havendo ele feito duas viagens às Índias para descobrir as enseadas e rios próprios para o desembarque e estabelecimento de colônias, no que seria bem sucedido, pois apenas chegou nesse país soube predispor os habitantes das ilhas do Maranhão e terra firme, os tupinambás e tabajaras, e outros, a procurarem nossa proteção e sujeitarem-se à nossa autoridade, tanto por seu generoso e prudente procedimento [...] de lhe fazer expedir nossas cartas patentes de outubro de 1610 para regressar, como Chefe, ao dito país, continuar seus progressos, como teria feito e aí demorar-se-ia dois anos e meio com os portugueses.”, em paz e 18 meses tanto em guerra como em tréguas”. [38]
De acordo com Moreira (1981) [39] essa concessão foi uma farsa dos franceses, pois na verdade eles não tinham credencial nenhuma e tanto é verdade, que Maria de Médicis, que reinava em nome de seu filho, ainda menor, Luís XIII, estava há muito tempo negociando o casamento dele com a princesa Ana d’Austria, filha de Felipe III, que era portador das coroas Espanha e Portugal. Nutria esse desejo de muito tempo e por isso, não iria autorizar um aventureiro e conhecido pirata Daniel Ravardiere, inimigo da sua religião, a invadir terras que eram da coroa portuguesa, desde a assinatura do Tratado de Tordesilhas, homologado pelo Papa Alexandre VI, há 118 anos, isto é, antes da descoberta do Brasil.
La-Ravardière, associa-se a Francois de Razilly, Senhor de Razilly e Aunelles, ajudante de ordens do Rei, gentil homem de sua câmara, aparentado com o cardeal de Richelieu; Nicolas de Harlay, Senhor de Sancy e Barão de Molle e Gros-Bois, membro do Parlamento e do Conselho do Rei; além deles conseguiu o apoio e a proteção do Senhor de Dampulho, Almirante de França e Bretanha, primo do Rei, e do abastado Auber de Claumont.
A 24 de julho de 1612, Daniel de La Touche, Francisco de Rasilly e o Barão de Sancy largam âncora na ilha de Sant’ Ana e a 6 de agosto a esquadra entra no golfo, indo fundear frente a Jeviré (ponta de São Francisco), onde se localizavam as feitorias de Du Manoir e do Capito Guerard. Os franceses atravessam o braço de mar, indo se fixar em um promontório onde, a 12 de agosto, uma sexta-feira, dia consagrado a Santa Clara, celebram o santo ofício da missa. A 8 de setembro, uma quarta-feira, dia consagrado à Santíssima e Imaculada Virgem Maria, é realizada a solenidade de fundação da Colonia.
Du Manoir, Riffault, dês Vaux e os piratas de Dieppe, encontravam-se fundeados no porto, confirmam a presença continuada dos exploradores de todas as procedências nas costas do Maranhão, e do Norte em geral: uma companhia holandesa presidida pelo burgomestre de Flessingue, ingleses, holandeses e espanhóis negociando com os índios o pau-brasil; armadores de Honfleur e Dieppe; o Duque de Buckigham e o conde de Pembroke e mais 52 associados fundaram uma empresa para explorar o Brasil; espanhóis de Palos[40].
O historiador Antonio Noberto continua:
“Segundo, tanto comércio fez com bretões e normandos se estabelecessem com feitorias na Ilha Grande, e um desses lugares era a aldeia de Uçaguaba / Miganville (atual Vinhais Velho), misto de aldeia e povoação européia. Terceiro, o porto usado nessas atividades era o de Jeviré (Ponta d’Areia)”.
Para Noberto, é quase inimaginável que todo esse aparato comercial existisse sem uma forte proteção das armas. Some-se que o chefe maior de tudo isso era David Mingan, o Minguão, o “chefe dos negros” (daí o nome de Miganville), que tinha a seu dispor cerca de 20 mil índios e era “parente do governador de Dieppe”. Por fim, a localização da fortaleza está exatamente no lugar certo de proteção do Porto de Jeviré e da entrada do rio Maiove (Anil), que protegeria Miganville.
Pianzola, em sua obra “OS PAPAGAIOS AMERELOS – os franceses na conquista do Brasil (1968, p. 34)[41] apresenta decalque de mapa datado de 1627, cujo original desapareceu, feito em torno de 1615 pelo português João Teixeira Albernaz, cosmógrafo de sua Magestade[42], certamente feito a partir daquele que LaRavardiére deu ao Sargento- Mor Diogo de Campos Moreno[43] durante a trégua de 1614. O autor chama atenção para os nomes constantes dos mapas, entre os quais muitos de origem francesa, ‘traduzidos’ para o português. Vê-se, na Grande Ilha dentre outros, Migao-Ville, propriedade do intérprete de Dieppe, David Migan, seguramente um psudônimo, no entender de Pianzola:
“[...] No último quartel daquele século, o que era apenas um posto de comércio, sem maior raiz, tornou-se morada definitiva dos corsários gauleses, vindos de Dieppe, Saint-Malo, Havre de Grace e Rouen, que aqui deixavam seus trouchements (tradutores) que viviam simbioticamente com os tupinambá (escreve-se sem “s” mesmo). Entre estes estava David Migan, o principal líder francês desta época. Ele era o “chefe dos negros” (índios) e “parente do governador de Dieppe”. Tinha a seu dispor cerca de vinte mil guerreiros silvícolas e residia na poderosa aldeia de Uçaguaba (atual Vinhais Velho), apelidada de Miganville[...].(NOBERTO SILVA, 2011)[44].
Fonte: PIANZOLA, 1968, p. 34[45]
Para Noberto, é quase inimaginável que todo esse aparato comercial existisse sem uma forte proteção das armas.
“[...]Na virada do século, segundo o padre e cronista Luis Figueira, que escreveu sua penosa saga na Serra de Ibiapaba, os franceses no Maranhão contavam, inclusive, com “duas fortalezas na boca de duas grandes ilhas”. Uma destas fortificações, por certo, era o Forte do Sardinha, localizado no atual bairro Ilhinha, nos fundos do bairro Basa em São Luís. Esta, em mãos portuguesas, foi nomeada de Quartel de São Francisco, que deu nome ao bairro. Servia de proteção ao lugar, em especial, a Uçaguaba, reduto de Migan” (NOBERTO SILVA, 2011)[46].
Quando da implantação da França Equinocial esse complexo passou para mãos oficiais. Uçaguaba[47]/Miganville passou a ser chamada pelos cronistas Claude Abbeville e Yves d’Evreux de “o sítio Pineau” em razão de Louis de Pèzieux, primo do Rei, ter adotado o local como moradia[48].
Fonte: ANTONIO NOBERTO – correspondencia pessoal
Vamos falar do que nos trouxe aqui: a Vila Velha de Vinhais é uma povoação esquecida. Por muitos anos, constituiu-se em uma comunidade rural; quando o Recanto Vinhais passou a ser ocupado, percebeu-se que havia uma povoação por perto, situada na periferia da cidade, e que essa povoação tinha uma história, (re)descoberta a partir do início dos anos 80. Descobriu-se sua Igrejinha, em honra a São João Batista. Com o passar desses anos, esta história vem sendo desvendada e, digo-o com orgulho, colocada em papel por mim e minha mulher, Delzuite Dantas Brito Vaz –Del, professora de História do Liceu Maranhense.
Agora, com as ameaças de intervenções que culminaram com a construção dessa Via Expressa, o restante da população parece que se apercebeu que, ao completar 400 anos da formação do Maranhão e fundação de sua Cidade – São Luis – existia um núcleo anterior – Uçaguaba/MiganVille. Mais, habitada desde tempos imemoriais, tanto por Tapuias, conquistadas suas terras por Tupinambás, esses povos deixaram vestígios de sua passagem, alguns agora descobertos, como uma machadinha de pedra, encontrada em um sítio, por onde passará a estrada…
A COMISSÃO DAS COMEMORAÇÕES DOS 400 ANOS DA VILA DE VINHAIS VELHO e sua IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA, encaminhou correspondência pleiteando a intervenção do IPHAN junto à área ocupada pela Vila Velha de Vinhais, e sua Igreja de São João Batista, patrimônio estadual tombado.
Como já comunicado aquela Instituição através de mensagem eletrônica endereçada ao Sr. Julio Meirelles Steglich, Arqueólogo IPHAN/MA, referente à descoberta de objeto lítio no sítio acima referido, em uma residência pertencente ao Sr. Carlos, situada em frente à Igreja de São João Batista.
Foi informado de que a residência está entre aquelas em processo de desapropriação, por onde deve passar o traçado da Via Expressa, ora em construção; que as escavações e movimento de terras para tal, já se encontra bem próximos do local onde foi encontrado o referido objeto, uma machadinha de pedra. Tem-se informações, ainda não confirmadas, de encontrados outros objetos, o que se espera seja confirmado quando da visita de técnicos desse IPHAN, já programada, à área em questão. Desnecessário referir-se à urgência dessas providências.
AT. JULIO MEIRELES – MATERIAL ARQUEOLÓGICO
Leopoldo Gil Dulcio Vaz
Para iphan-ma@iphan.gov.br
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Julio
Estive em visita ao Vinhais Velho, ontem à tarde. Lá tomei conhecimento, através de um dos moradores – casa de muro branco, em frente à Igreja, não recordo o nome… – de que achara no quintal de sua casa um artefato – uma machadinha de pedra – provavelmente do período pré-colonial.
Me preocupa, pois há uma construção de via – Via Expressa -, com passagem prevista pelo local em que o objeto foi encontrado, no mesmo sitio. As máquinas estão, já, aproximadamente 20/30 metros do terreno em que se localiza essa casa, caminhando nos dois sentidos, no de frente e pelos fundos, com a construção de uma ponte que chegará aos fundos.
Ali, nesse terreno, funciona uma granja, fácil de achar, pois.
Pela urgência que o caso requer, sirvo-me desse expediente, correio eletrônico, para solicitar a presença, urgente, de equipe de arqueologia, tendo por base Portaria 230/2002 do próprio IPHAN, que protege sítios arqueológicos.
Leopoldo Gil Dulcio Vaz
Professor de Educação Física
Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão
vazleopoldo@hotmail.com
98 3226 2076 98 8119 1322
Rua Titânia, 88 – Recanto Vinhais
MACHADINHO
25/01/2012 – Responder ▼
Julio Meirelles Steglich
Para vazleopoldo@hotmail.com
Prof. Vaz!
Antes de tudo, gostaria de parabenizá-lo pela atitude em favor do patrimônio arqueológico da região. Essa instituição somos todos nós.
Estamos monitorando as obras referidas a risca e um projeto de resgate arqueológico está sendo autorizado na área, a fim de mitigar impactos.
Segundo a lei 3924/61, que protege os sítios arqueológicos pré-históricos, a sua iniciativa se enquadra no artigo 18º, achado fortuito e vossa senhoria passa a ser considerado fiel depositário do achado. Portanto, até que o IPHAN/MA se pronuncie o senhor está responsabilizado por ele e não pode repassar a guarda a outros.
Estou a informar a nossa superintendente sobre o fato e propor:
* nova vistoria arqueológica;
* uma atividade de educação patrimonial junto aos seus alunos e outros interessados.
Seria necessário encontrá-lo no local. Isto é possível?
Atenciosamente, Julio MEirelles STeglich – Arqueólogo IPHAN/MA 1538255
RE: MACHADINHO
25/01/2012
Leopoldo Gil Dulcio Vaz
Para steglich.3sr@iphan.gov.br
Julio, no momento estou em Imperatriz, devendo retornar amanhã, quinta, a São Luis. Podemos nos encontrar na sexta, se for conveniente.
O objeto em questão está em poder dos proprietários do terreno, onde foi encontrado. Foi orientado a procurar o IPHAN, com o mesmo, para fazer o registro do achado e pedir as providências necessárias.
Seria interessante, neste momento, uma reunião; melhor, lembrando, hoje à noite, às 19 horas, haverá uma reunião na residência em que foi encontrado o objeto – muro branco, em frente à Igreja de São João Batista, no Vinhas Velho. Participarão os moradores envolvidos, das duas residências com quintal comum, por onde está o traçado da Via Expressa, onde foi encontrado o machado; Comissão dos 400 anos da Vila de Vinhais e outras pessoas da comunidade. Seria interessante se pudesse estar nessa reunião, para prestar esclarecimentos sobre os procedimentos e, ao mesmo tempo, verificar o estado e a provável idade/uso do machado de pedra…
Desculpe só avisá-lo dessa reunião, mas apenas agora recebi sua mensagem eletrônica; mas aqui, em Imperatriz, os meios de comunicação estão com alguns problemas, sendo que a telefonia celular, por exemplo, ficou ontem o dia todo fora do ar, só retornando nesta manhã; parece-me que rompimento de cabo de fibra ótica…
Leopoldo
From: steglich.3sr@iphan.gov.br
To: vazleopoldo@hotmail.com
Subject: machadinho
Date: Wed, 25 Jan 2012 20:12:09 +0000
Prof. Vaz!
Certo!
Nesse caso, terei que executar atividade de vistoria para proceder com a fiscalização e recolhimento do machadinho.
Eu gostaria muito de participar da reunião, mas não posso fazê-lo sem despacho dos meus superiores. Assim, é necessário que haja requerimento por parte do presidente da associação dos moradores a superintendente Kátia Santos Bogea.
Atenciosamente, Julio Meirelles STeglich – arqueólogo – IPHAN/MA 1538255
FW: MACHADINHO
Leopoldo Gil Dulcio Vaz
Para steglich.3sr@iphan.gov.br
Julio, já estou em São Luis, cheguei agora, às 18 horas. Estou a tua disposição.
Quanto à idéia de fazer palestras sobre a atividade arqueológica, e os procedimentos para quem achar algum material, especialmente neste momento em que toda área esta sendo revolvida, acho de importância fundamental. E urgente!!!
A Comissão dos 400 anos está à disposição, para articular juntos aos demais componentes e moradores, quando e quantas vezes forem necessárias.
Estou encaminhando aos outros membros e interessados…
Inclusive, coloco o IHGM à disposição, para ações conjuntas, para reforçar a importância desse evento.
Leopoldo
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
12:41 – Responder ▼
Julio Meirelles Steglich
Para Leopoldo Gil Dulcio Vaz
Prof. Vaz!
Ótimo!
Assim, reitero sugestão de que seja encaminhada a superintendente Kátia SAntos Bogéa propostas, idéias de como podemos construir todos juntos essas atividades.
É necessário que parta de vocês a fim de que eu possa dispor de apoio logístico adequado dessa instituição.
Por exemplo: ontem agendei uma vistoria à área [...].
Atenciosamente
Julio Meirelles STeglich – arqueólogo IPHAN/MA 1538255
[4] DIEGO RIBERO, também conhecido como Diego de Ribero, Diego (de) Rivero, Diego Ribeiro ou Diogo Ribeiro (? -16 Agosto 1533), foi um cartógrafo e explorador de origem portuguesa que trabalhou desde 1518 ao serviço da coroa espanhola. Diego Ribero trabalhou nos mapas oficiais espanhois do Padrón Real (ou Padron Geral) entre 1518-1532. Também produziu instrumentos de navegação, incluindo astrolábios e quadrantes.
[5] (LIMA, Carlos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLÔNIA. São Luís: GEIA, 2006, p. 153;
MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982)
[6] LIMA, Carlos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLÔNIA. São Luís: GEIA, 2006, p. 153
[7] MARTIM AFONSO DE SOUSA (Vila Viçosa, c.1490/1500 — Lisboa, 21 de julho de 1571) foi um nobre e militar português. Jaz em São Francisco de Lisboa. Como Tomé de Sousa, descendia por linha bastarda do rei Afonso III de Portugal. Senhor de Prado e de Alcoentre, ainda parente do conde de Castanheira, D. António de Ataíde, tão influente sobre o rei D. João III de Portugal, Martim de Sousa foi Senhor de Prado, e Alcaide-mor de Bragança e mais tarde Governador da Índia e do Estado do Brasil. Serviu algum tempo ao Duque de Bragança D. Teodósio I[1] mas «como era de um espírito elevado e queria esfera onde se dilatasse em coisas grandes, largou a Alcaidaria mor de Bragança e outras mercês que tinha do Duque, para servir ao Príncipe D. João, filho do rei D. Manuel. Depois foi a Castela e esteve algum tempo em Salamanca; e voltando a Portugal, D. João III, que já então reinava, o recebeu com muita estimação e honra porque Martim Afonso de Sousa foi um fidalgo em quem concorreram muitas partes, porque era valeroso, dotado de entendimento e talento grande». Acompanhou a rainha viúva D. Leonor a Castela. Iniciou sua carreira de homem de mar e guerra ao serviço de Portugal em 1531 na armada que o rei determinou mandar ao Brasil, nomeado desde fins 1530 em razão dos seguintes fatores: por ser primo-irmão de D. Antônio de Ataíde, membro do Conselho Real, e ter forte influência junto ao Rei. Estudou Matemática, Cosmografia e Navegação. http://pt.wikipedia.org/wiki/Martim_Afonso_de_Sousa
[8] DIOGO LEITE, Foi un navegador português do século XVI. Durante o período compreendido entre os anos de 1526 a 1529, comandou uma caravela da armada de Cristóvão Jacques, que tinha por finalidade impedir o comércio dos franceses, nas costas do Brasil. Entre 1530 e 1532, comandou também uma caravela da armada de Martim Afonso de Sousa com a finalidade de explorar a costa brasileira. Mais tarde teve sob o seu comando duas caravelas que conseguiram chegar ao rio Gurupi, no Maranhão.
MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982
[9] LIMA, Carlos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLÔNIA. São Luís: GEIA, 2006, p. 153
[10] D. JOÃO III DE PORTUGAL (Lisboa, 6 de Junho de 1502 — Lisboa, 11 de Junho de 1557) foi o décimo quinto Rei de Portugal, cognominado O Piedoso ou O Pio pela sua devoção religiosa. Filho do rei Manuel I de Portugal, sucedeu-o em 1521, aos 19 anos. Herdou um império vastíssimo e disperso, nas ilhas atlânticas, costas ocidental e oriental de África, Índia, Malásia, Ilhas do Pacífico, China e Brasil. Continuou a política centralizadora do seu pai. Para fazer face à pirataria iniciou a colonização efectiva do Brasil, que dividiu em capitanias hereditárias, estabelecendo o governo central em 1548. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_III_de_Portugal
[11] “FERNÃO ÁLVARES DE ANDRADE – No ano de 1535 o Rei D. João III concedeu para Fernão Álvares de Andrade, o mais poderoso e importante dos agraciados com terras no Brasil que era fidalgo descendente dos Condes de Andrade, Tesoureiro Mor de Portugal e membro atuante do Conselho Real e o principal conselheiro do rei -http://www.caestamosnos.org/viagem/SLuis03.htm
[12] JOÃO DE BARROS que era Feitor da Casa da Índia, Tesoureiro das Casas das Índias e de Ceuta.
[13] AIRES DA CUNHA navegador e militar experiente afeito às agruras da vida no mar e `a conquista em terras estrangeiras.
[17] Tutoia é um município brasileiro do estado do Maranhão. Sua população estimada em 2010 pelo IBGE foi de 52.711 habitantes. Localizada na microregião do Baixo Parnaíba, composta por praias, mangues, dunas, lagos e rios. “Tutoia e Seu Folclore” aponta o termo como procedente do meio indígena, onde, na linguagem Tremembé,onde era situado o povo tremembé, Tutoia quer dizer “lençol de areia”, “grande extensão de dunas”, que caracteriza efetivamente a topografia da costa litorânea de Tutoia. Hipótese esta bem mais aceitável do que a primeira. Circula por entre as opiniões populares, outra versão, pela qual o nome Tutoia provém do tupi guarani e siginifica “água boa”. Porém, a que é mais aceita pela maioria, encontra mais respaldo, é mais lógica e justificada, admite que “Tutoia” é uma corruptela de “Totoi” que, em linguagem indígena quer dizer: “que beleza!”, “que encanto. http://pt.wikipedia.org/wiki/Tut%C3%B3ia
[18] SALVADOR, Frei Vicente do. HISTÓRIA DO BRASIL. Edição revista por Capistrano de Abreu. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2010.
[20] http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%B5es_francesas_do_Brasil
[23] SALVADOR, Frei Vicente do. HISTÓRIA DO BRASIL. Brasília: Senado Federal, 2010, p. 254
[24] Wehling e Wehling (1994) afirmem que sua chegada teria ocorrido em 1584. WEHLING, Arno; WEHLING, Maria José C. de. FORMAÇÃO DO BRASIL COLONIAL. Rio de Janeiro: Nova Fonteira, 1994, p. 75
[25] MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982
[26] Tapuia é um termo histórico utilizado ao longo dos séculos no Brasil para designar uma classe de povos indígenas. Originalmente dividia-se os índios brasileiros em dois grandes grupos, um sendo os tupi-guaranis (tupinambás) e outro denominado por tapuias que habitavam regiões mais interiores. Na época atual geralmente associa-se o termo ao tronco linguístico Macro-jê. http://pt.wikipedia.org/wiki/Tapuias
[27] O termo tupinambá provavelmente significa o mais antigo ou o primeiro e se refere a uma grande nação de índios, da qual faziam parte, dentre outros, os tamoios, os temiminós, os tupiniquins, os potiguaras, os tabajaras, os caetés, os amoipiras, os tupinás (tupinaê), os aricobés etc. Os tupinambás, como nação, dominavam quase todo o litoral brasileiro e possuíam uma língua comum, que teve sua gramática organizada pelos jesuítas e que passou a ser conhecida como o tupi antigo, constituindo-se na língua raiz da língua geral paulista e do nheengatu. Entretanto, normalmente, quando se fala em tupinambás, está-se a referir às tribos que fizeram parte da Confederação dos Tamoios, cujo objetivo era lutar contra os portugueses, conhecidos pelos tupinambás como peró.
[28] D´ABBEVILLE, Claude. HISTÓRIA DA MISSÃO DOS PADRES CAPUCHINHOS NA ILHA DO MARANHÃO E TERRAS CIRCUNVIZINHAS. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: USP, 1975.
[31] BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958.
[33] LIMA, Calos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLONIA. São Luis: Geia, 2006, p. 170-171, nota de pé-de-página;
MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982
[34] (MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982)
[35] MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982
[36] conforme Antônio Noberto original deste documento está nos arquivos da Ordem de Jesus Claudio Aquaviva, Maison d’Etudes, Exaten, Baaksen, Limburgo Hollandez. Estas informações estão no trabalho do Barão de Studart Documentos para a história do Brasil especialmente a do Ceará – 1608 a 1625, publicado em Fortaleza em 1904.
[38] LIMA, Calos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLONIA. São Luis: Geia, 2006, p. 170-171, nota de pé-de-página;
MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982
[39] MOREIRA, José. Fundação Da Cidade De São Luís. In Jornal o Estado do Maranhão, 1981, p. 6
[40] LIMA, Calos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLONIA. São Luis: Geia, 2006, p. 174.
[41] PIANZOLA, Maurice. OS PAPAGAIOS AMERELOS – os franceses na conquista do Brasil. São Luis: SECMA; Rio de janeiro: Alhambra, 1968
[42] João Teixeira Albernaz, também referido como João Teixeira Albernaz I ou João Teixeira Albernaz, o Velho (Lisboa, último quartel do século XVI — c. 1662), para distingui-lo do seu neto homónimo, foi o mais prolífico cartógrafo português do século XVII. A sua produção inclui dezanove atlas, num total de duzentas e quinze cartas. Destaca-se pela variedade de temas, que registam o progresso das explorações marítimas e terrestres, em particular no que respeita ao Brasil. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Teixeira_Albernaz,_o_velho
[45] PIANZOLA, Maurice. OS PAPAGAIOS AMERELOS – os franceses na conquista do Brasil. São Luis: SECMA; Rio de janeiro: Alhambra, 1968
[47] Capistrano de Abreu esclarece que: “EUSSAUAP – nom do lieu, c’est à dire le lieu ori on mange les Crabes. – Bettendorf leu em Laet Onça ou Cap, que supôs Onçaquaba ou Oçaguapi; mas tanto na ediço francesa, como na latina daquele autor, o que se lê, é EUSS-OUAP. Na história da Companhia de Jesus na extinta Província do Maranhão e Pará, do Padre José de Morais, está Uçagoaba, que com melhor ortografia é Uçaguaba composto de uça, nome genérico do caranguejo, e guaba, participio de u comer: o que, ou onde se come caraguejos, conforme com a definição do texto …”. (ABBEVILLE, Claude d’. HIASTÓRIA DA MISSÃO DOS PADRES CAPUCHINHOS NA ILHA DO MARANHÃO E TERRAS CIRCUNVIZINHAS. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: USP, 1975, p.107).