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PARA EFEITO DE INFORMAÇÃO, APENAS… O CASO DA VILA VELHA DE VINHAIS

sex, 03/02/12
por leopoldovaz |

Mudei-me para São Luis em 1979, aqui chegando no mes de janeiro, indo morar na Paulo de Frontin (Retiro Natal). No ano seguinte, comprei minha casa no Recanto de Vinhais, financiamento em 30 anos…  estou aqui até hoje. Nesse tempo – 32 anos, já… vi muitas coisas acontecendo por aqui; nestes tempos, a polemica em torno da Via Expressa e a preservação do patrimonio histórico de uma cidade que vai completar 400 anos, São Luís.

Aqui, no Vinhais Velho, não vamos comemorar, pois o núcleo original tem bem mais de que os 400 anos da Cidade do Maranhão – aceita sua fundação francesa por Daniel de Latouche em 8 de setembro de 1612; há controvérsias…

Documentos recentes, que estão aparecendo nos últimos anos, dão conta de que o estabelecimento definitivo, com moradia e amplo comércio – escambo -, com os índios se dá a partir de 1594 com o estabelecimento de uma feitoria por Jacques Riffault.

A partir de 1576, Catarina de Médicis confia a Felipe Strozzi a organização de missões ao Brasil, dirigidas por Coquigny e Jacques des Vaux. É desse período que aparece em nossa História Jacques Riffault, que com tres naus passa a patrulhar as costas do Rio Grande do Norte ao Maranhão, e aqui se estabelecendo. O objetivo dos franceses era o Maranhão, onde Guérad e Du Manoir instalado uma feitoria e Carlos des Vaux de Saint Maure – associado de Riffault -, mantinha contato amistoso com os índios. Estabelecidas relações com Jupiaçú; a partir de 1597  Jean Guérad estabelece uma linha regular entre o porto de Dieppe e o Maranhão.     

Capistrano de Abreu (in Salvador 2010, servindo-se de Abbeville)  conta que Riffault partiu com tres navios para o Brasil em 1594, disposto a fazer conquistas com o auxílio de Ouirapiue, Pau Seco. Seu principal navio encalhou; dissensões e desarmonias privaram-no do outro; reduzido a um só, abaixou muitos companheiros em terra e voltou para França. Por sua vez Feliciano Coelho anuncia apenas que dera a costa um navio de Rifoles. Devia ter sido seu companheiro o língua Migan, morto na batalha de Guaxinduba depois de ter escapado quatorze vezes das mãos dos portugueses. Meireles (1982, p. 34) traz que David Migan, natural de Vienne, no Delfinado, há tanto já vivia em Upaon-Açú.

Datado de 26 de julho de 1603 há um arresto do tenente do Almirantado em Dieppe relativo a mercadorias trazidas do Maranhão, ilha do Brasil, pelo Capitão Guérard. Meireles (1982, p. 34)  traz também Du Manoir em Jeviré; Millard e Moisset, também encontrados na Ilha Grande. Os comandados de Du Manoir e Guérard chegam a quatrocentos; há esse tempo já dois religiosos da Companhia de Jesus haviam estado no Norte do Brasil.

Segundo o sócio do IHGM Antonio Noberto, é confirma a presença de franceses pelo Padre Luis Figueira, em sua Relação do Maranhão (de 1608): “Mandamos recado a outra aldea para sabermos se nos quirião la e q’ viessem alguns a falar cõ nosco, e tãbem nos queriamos emformar dos q’ tinhão vindo do maranhão q’ la estavão principalmente acequa dos frãcesez que tinhamos por novas que estavão la de assento com duas fortalezas feitas em duas ilhas na boca do rio maranhão”.

Em 1607 – ou 1609 – Carlos Des-Vaux retorna à França cansado de esperar por Riffault, e é recebido por Henrique IV. Ainda em 1609, Daniel de LaTouche e Charles Des-Vaux visitam o Maranhão.

De LaTouche certifica-se de que as informações sobre a terra eram verdadeiras e pede licença ao rei para explorá-la. Mas com o assassinato de Henrique IV, sucede-lhe ao trono Luis XIII, ainda menor, governando em seu nome Maria de Medicis. É esta quem concede licença à Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiére, de formar uma companhia para explorar as “terras” de Riffault: “[...] e havendo ele feito duas viagens às Índias para descobrir as enseadas e rios próprios para o desembarque e estabelecimento de colônias, no que seria bem sucedido, pois apenas chegou nesse país soube predispor os habitantes das ilhas do Maranhão e terra firme, os tupinambás e tabajaras, e outros, a procurarem nossa proteção e sujeitarem-se à nossa autoridade, tanto por seu generoso e prudente procedimento [...] de lhe fazer expedir nossas cartas patentes de outubro de 1610 para regressar, como Chefe, ao dito país, continuar seus progressos, como teria feito e aí demorar-se-ia dois anos e meio com os portugueses.”, em paz e 18 meses tanto em guerra como em tréguas”.

A Ilha Grande dos Tupinambás, à chegada dos franceses, era ocupada pelos… Tupinambás! que começam a ocupar Upaon-Açí lá por volta de 1535. Antes deles, pelos Tapuias, provávelmente do macro-filo Jê, dentre eles os Tremembés… e recentes descobertas arqueológicas tanto na Ilha quanto em Bacabeira (em área da Refinaria da Petrobrás)  são datadas de até 9 mil anos antes do período atual… daí…

Mas voltemos a Uçaguaba e Miganville. A 24 de julho de 1612, Daniel de La Touche, Francisco de Rasilly e o Barão de Sancy largam âncora na ilha de Sant’ Ana e a 6 de agosto a esquadra entra no golfo, indo fundear frente  a Jeviré (ponta de São Francisco), onde se localizavam as feitorias de Du Manoir e do Capito Guerard.

Os franceses atravessam o braço de mar, indo se fixar em um promontório onde, a 12 de agosto, uma sexta-feira, dia consagrado a Santa Clara, celebram o santo ofício da missa. A 8 de setembro, uma quarta-feira, dia consagrado à Santíssima e Imaculada Virgem Maria, é realizada a solenidade de fundação da Colonia.

Du Manoir, Riffault, dês Vaux e os piratas de Dieppe, encontravam-se fundeados no porto, confirmam a presença continuada dos exploradores de todas as procedências nas costas do Maranhão, e do Norte em geral: uma companhia holandesa presidida pelo burgomestre de Flessingue, ingleses, holandeses e espanhóis negociando com os índios o pau-brasil; armadores de Honfleur e Dieppe; o Duque de Buckigham e o conde de  Pembroke e mais 52 associados fundaram uma empresa para explorar o Brasil; espanhóis de Palos…

O historiador Antonio Noberto continua: “Segundo, tanto comércio fez com bretões e normandos se estabelecessem com feitorias na Ilha Grande, e um desses lugares era a aldeia de Uçaguaba / Miganville (atual Vinhais Velho), misto de aldeia e povoação européia. Terceiro, o porto usado nessas atividades era o de Jeviré (Ponta d’Areia)”.

Para Noberto, é quase inimaginável que todo esse aparato comercial existisse sem uma forte proteção das armas. Some-se que o chefe maior de tudo isso era David Mingan, o Minguão, o “chefe dos negros” (daí o nome de Miganville), que tinha a seu dispor cerca de 20 mil índios e era “parente do governador de Dieppe”. Por fim, a localização da fortaleza está exatamente no lugar certo de proteção do Porto de Jeviré e da entrada do rio Maiove (Anil), que protegeria Miganville.

Pianzola, em sua obra “OS PAPAGAIOS AMERELOS – os franceses na conquista do Brasil (1968, p. 34) apresenta decalque de mapa datado de 1627, cujo original desapareceu, feito em torno de 1615 pelo português João Teixeira Albernaz, cosmógrafo de sua Magestade, certamente feito a partir  daquele que LaRavardiére deu ao Sargento- Mor Diogo de Campos Moreno durante a trégua de 1614.

O autor chama atenção para os nomes constantes dos mapas, entre os quais muitos de origem francesa, ‘traduzidos’ para o português. Vê-se, na Grande Ilha  dentre outros, Migao-Ville, propriedade do intérprete de Dieppe, David Migan, seguramente um psudônimo, no entender de Pianzola: “[...] No último quartel daquele século, o que era apenas um posto de comércio, sem maior raiz, tornou-se morada definitiva dos corsários gauleses, vindos de Dieppe, Saint-Malo, Havre de Grace e Rouen, que aqui deixavam seus trouchements (tradutores) que viviam simbioticamente com os tupinambá (escreve-se sem “s” mesmo). Entre estes estava David Migan, o principal líder francês desta época. Ele era o “chefe dos negros” (índios) e “parente do governador de Dieppe”. Tinha a seu dispor cerca de vinte mil guerreiros silvícolas e residia na poderosa aldeia de Uçaguaba (atual Vinhais Velho), apelidada de Miganville[...].(NOBERTO SILVA, 2011).

O que vai se comemorar, então, na Vila Velha é o 400 anos em que construida a Igreja de São João Batista, desde 1757 de Vinhais, e rezada a primeira missa em 20 de outubro de 1612.
Mas o objetivo desta história é mostrar a destruição de um patrimonio histórico, sem a preocupação com as pessoas e sus memórias… sem atentar que o ataque ao meio ambiente ao redor da quatrocentenária Igreja poderá fazer desaparecer essa gente, que resiste por alí desde os 1500, do esbulho de suas terras…
UM ALERTA: NÃO SOU CONTRA A CONSTRUÇÃO DA VIA EXPRESSA, MAS DA FORMA COMO VEM SENDO FEITA. E UMA FOTO VALE MAIS QUE MIL ARGUMENTOS…

Hoje pela manã, por volta das 7:30, as máquinas estavam trabalhando na área...

As máquinas avançam sobre o mangue (foto de 30/40 dias)

Os manaciais estão sendo aterrados...

O Cemitério - de mais de 300 anos - está ameaçado, já que não tem muros para protege-lo...

O traçado, se continuar em linha reta, passa pelo cemitério. Parece-me que pretende-se desviar... 

O Secretário diz que o mangue não será prejudicado, mas as imagens...

Vamos traçar o caminho que as máquinas seguiram até o antigo Restaurante do Binoca

ESTAMOS NA FRENTE DA CASA DO BINOCA, NO LARGO DA IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA DE VINHAIS - VIMOS AS IMAGENS ACIMA DOS FUNDOS DO QUINTAL, AVANÇANDO SOBRE OS MANGUESAIS, EM DIREÇÃO AO IPASE DE BAIXO. O CAMINHÃ ESTÁ EM FRETE A CASA, JÁ DESAPROPRIADA E INICIADA A DEMOLIÇÃO (FOTO DE 15 DIAS...)

CASA DO BINOCA - FOTO DE 10 DIAS - JÁ DEMOLIDA, COM AQUELE TRATOR NOS FUNDOS

CASA DO BINOCA - FOTO DE UMA SEMANA - JÁ TOTALMENTE DEMOLIDA, E O TRAÇADO DA VIA EXPRESSA DEFINIDO, ATÉ A INVASÃO POR DETRÁS DA VILA VELHA E O RECANTO, A CAMINHO DO IPASE DE BAIXO - VILA VITORIA

LEMBRAM DAQUELE CAMINHÃO, EM FRENTE À CASA DO BINOCA? VISTA DE SUA TRAZEIRA, DA IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA DE VINHAIS - 400 ANOS DE HISTÓRIA...

"A GRANJA" - DE FRENTE DA CASA DE BINOCA, POR ONDE SEGUIRÁ O TRAÇADO DA VIA EXPRESSA, EM DIREÇÃO AO COHAFUMA - TAMBÉM JÁ DESAPROPRIADA... POR TRÁS DELA, UMA PONTE JÁ ESTÁ QUASE CONCLUIDA...

É NO QUINTAL DA 'GRANJA' QUE ESTA MACHADINHA DE PEDRA FOI ENCONTRADA, ALGUNS DIAS, AQUI ANUNCIADO SEU ACHADO PELOS MORADORES. NUM LOCAL QUE SE AFIRMA NÃO HAVER VESTÍGIOS ARQUEOLÓGICOS - CONSTA DOS RELATÓRIO OFICIAIS QUE NÃO HÁ NADA POR LÁ. AS PROVAS CONTESTAM. AGUARDA-SE NOVA VISITA DO IPHAN PARA CERTIFICAR SER OBJETO LÍTIO, TALVEZ PERTENCENTE AO PERÍODO PRÉ-COLONIAL. TUPINAMBÁ? TREMEMBÉM? LEMBRANDO QUE O TRAÇADO DA VIA ESTÁ A MENOS DE 30 METROS DO PORTÃO DA FRENTE E A MENOS DE 20 METROS DOS FUNDOS... A MACHADINHA FOI ENCONTRADA ENTRE ESSES DOIS PONTOS DA OBRA. E AGORA????

AT. JULIO MEIRELES – MATERIAL ARQUEOLÓGICO‏

 Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 Para iphan-ma@iphan.gov.br

2 anexos (total de 224,6 KB)

 Julio

Estive em visita ao Vinhais Velho, ontem à tarde. Lá tomei conhecimento, através de um dos moradores – casa de muro branco, em frente à Igreja, não recordo o nome… – de que achara no quintal de sua casa um artefato – uma machadinha de pedra – provavelmente do período pré-colonial.
Me preocupa, pois há uma construção de via – Via Expressa -, com passagem prevista pelo local em que o objeto foi encontrado, no mesmo sitio. As máquinas estão, já, aproximadamente 20/30 metros do terreno em que se localiza essa casa, caminhando nos dois sentidos, no de frente e pelos fundos, com a construção de uma ponte que chegará aos fundos.
Ali, nesse terreno, funciona uma granja, fácil de achar, pois.
Pela urgência que o caso requer, sirvo-me desse expediente, correio eletrônico, para solicitar a presença, urgente, de equipe de arqueologia, tendo por base Portaria 230/2002 do próprio IPHAN, que protege sítios arqueológicos.

Leopoldo Gil Dulcio Vaz
Professor de Educação Física
Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão
vazleopoldo@hotmail.com
98 3226 2076  98 8119 1322
Rua Titânia, 88 – Recanto Vinhais

MACHADINHO

25/01/2012 -

 Julio Meirelles Steglich

 Para vazleopoldo@hotmail.com

 Prof. Vaz!

 Antes de tudo, gostaria de parabenizá-lo pela atitude em favor do patrimônio arqueológico da região. Essa instituição somos todos nós.

Estamos monitorando as obras referidas a risca e um projeto de resgate arqueológico está sendo autorizado na área, a fim de mitigar impactos.

Segundo a lei 3924/61, que protege os sítios arqueológicos pré-históricos, a sua iniciativa se enquadra no artigo 18º, achado fortuito e vossa senhoria passa a ser considerado fiel depositário do achado. Portanto, até que o IPHAN/MA se pronuncie o senhor está responsabilizado por ele e não pode repassar a guarda a outros.

Estou a informar a nossa superintendente sobre o fato e propor:

* nova vistoria arqueológica;

* uma atividade de educação patrimonial junto aos seus alunos e outros interessados.

Seria necessário encontrá-lo no local. Isto é possível?

 Atenciosamente, Julio MEirelles STeglich – Arqueólogo IPHAN/MA 1538255

FW: MACHADINHO‏

 Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Para [...]@iphan.gov.br

Julio, já estou em São Luis, cheguei agora, às 18 horas. Estou a tua disposição.
Quanto à idéia de fazer palestras sobre a atividade arqueológica, e os procedimentos para quem achar algum material, especialmente neste momento em que toda área esta sendo revolvida, acho de importância fundamental. E urgente!!!
A Comissão dos 400 anos está à disposição, para articular juntos aos demais componentes e moradores, quando e quantas vezes forem necessárias.
Estou encaminhando aos outros membros e interessados…
Inclusive, coloco o IHGM à disposição, para ações conjuntas, para reforçar a importância desse evento.
Leopoldo

COMISSÃO DAS COMEMORAÇÕES DOS 400 ANOS DA VILA DE VINHAIS VELHO e sua IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA

 São Luis, 27 de dezembro de 2011

 À Senhora Kátia Santos Bogéa
Superintendente do IPHAN no Maranhão
Endereço: Rua do Giz, 235 – Centro
CEP: 65.010-680 – São Luís-MA
Telefone: (98) 3231-1388
e-mail: iphan-ma@iphan.gov.br

 Senhora Superintendente

 Nós, da COMISSÃO DAS COMEMORAÇÕES DOS 400 ANOS DA VILA DE VINHAIS VELHO e sua IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA, vimos através desta pleitear junto a Vossa Excelência a intervenção desse órgão junto à área ocupada pela Vila Velha de Vinhais, e sua Igreja de São João Batista, patrimônio estadual tombado.

 Como já comunicado a essa instituição através de mensagem eletrônica endereçada ao Sr. Julio Meirelles Steglich, Arqueólogo IPHAN/MA, referente à descoberta de objeto lítio no sítio acima referido, em uma residência pertencente ao Sr. Carlos, situada em frente à Igreja de São João Batista.

Informamos a Vossa Excelência de que essa residência está entre aquelas em processo de desapropriação, por onde deve passar o traçado da Via Expressa, ora em construção; que as escavações e movimento de terras para tal, já se encontra bem próximos do local onde foi encontrado o referido objeto, uma machadinha de pedra. Temos informações, ainda não confirmadas, de encontrados outros objetos, o que esperamos seja confirmado quando da visita de técnicos desse IPHAN, já programada, à área em questão. Desnecessário referir-se à urgência dessas providencias.

Mas o que nos move, neste momento, é a informação precisa e técnica, que somente esse IPHAN pode nos oferecer, quanto à idéia de que seja arqueologia, qual o trabalho do IPHAN e, sobretudo, na orientação à população em identificar e quais procedimentos a tomar, quando da descoberta de novos objetos, seja, Educação Patrimonial.

Vimos, pois, solicitar de Vossa Excelência sejam designados técnicos do IPHAN para, junto à nossa população da Vila Velha de Vinhais e demais comunidades de seu entorno, especialmente à população estudantil, seja ministrado Curso de Educação Patrimonial, podendo ser através de série de palestras, a diferentes públicos: alunos da rede municipal de ensino, moradores das áreas atingidas pela intervenção estatal, demais moradores da área. Desnecessário falar, também, da urgência dessa intervenção por parte do órgão que dirige.

Ao mesmo tempo, identificados os objetos, e declarado – após estudos – sua autenticidade e estabelecido o período em que foi confeccionado e por quem, nos seja permitido permanecer na posse do mesmo, assim como de outros objetos de interesse científico e histórico, através da constituição de um Museu do Vinhais Velho sob a responsabilidade direta do IPHAN. Como é de seu conhecimento, a Vila do Vinhais Velho, como é conhecida hoje, se constitui núcleo residencial de índios e brancos desde tempos imemoriais, e precisa preservar sua memória.

Assim como é de seu conhecimento que a população do entorno da Igreja de São João Batista, com a proficiente orientação de Vossa Excelência e seus técnicos, vem mantendo a memória desta comunidade e de seu Patrimônio Histórico vivo, inclusive com a recuperação física da referida Igreja de São João Batista, sem ajuda governamental, seja, recursos financeiros dos poderes públicos.

Pedem, em nome das Comunidades do entorno da Igreja de São João Batista do Vinhais Velho, neste ano de comemoração dos 400 anos.

Senhora Superintendente,

            A História, e nosso Patrimônio, não poderão subsistir sem a interferência institucional do IPHAN e sua, em particular. 

Pela COMISSÃO DAS COMEMORAÇÕES DOS 400 ANOS DA VILA DE VINHAIS VELHO e sua IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA,

 LUIZ ROBERTO M. DE ARAUJO

 FRANCINALDA ARAGÃO LIMA

 DELZUITE DANTAS BRITO VAZ

 Pelo INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO, e membro da Comissão dos 400 anos do IHGM e da Vila de Vinhais

 LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ – Vice-Presidente – Gestão 2010/2012, Morador do Recanto Vinhais


LIMA, Calos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLONIA. São Luis: Geia, 2006, p. 174.

 PIANZOLA, Maurice. OS PAPAGAIOS AMERELOS – os franceses na conquista do Brasil. São Luis: SECMA; Rio de janeiro: Alhambra, 1968

SILVA, Antonio Noberto. In Blog de Antonio Noberto O Maranhão francês sempre foi forte e líder. http://antonio.noberto.zip.net/, publicado em 03/11/2011

Evandro Junior, in Jornal O Estado do Maranhão, 18.12.11:  Saint Louis Capitale de La France Equinoxiale, disponível em http://maranhaomaravilha.blogspot.com/2011/12/saint-louis-capitale-de-la-france.html  

MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982

 SALVADOR, Frei Vicente do. HISTÓRIA DO BRASIL. Brasília: Senado Federal, 2010, p. 254

 WEHLING, Arno; WEHLING, Maria José C. de. FORMAÇÃO DO BRASIL COLONIAL. Rio de Janeiro: Nova Fonteira, 1994, p. 75

 

PROCURA-SE ONDE FOI APLICADO O DINHEIRO PARA “Infraestrutura para Esporte Recreativo e de Lazer”

qua, 01/02/12
por leopoldovaz |

O Estrela vez por outra me critica, afirmando que estou falando mal do Maranhão e, chegou mesmo a me convidar para ir embora daqui… isso porque costumo comentar, quando pela estrada, vejo inumeras construções esportivas ao longo das cidades por que passo, e não vejo a mesma coisa no Maranhão. Disse a ele, varias vezes, já, em resposta aos seus comentários, que não se trata de falar mal, apenas constatar uma verdade… Fui ao Pará recentemente, via Baixada e encontrei em duas cidades – Santa Helena uma delas, construção esportiva, uma quadra coberta; da viagem a Imperatriz, vi outra e, em Imperatriz constatei que o que havia, está destruido; mas prometeram que este ano recuperariam tudo…
Mas o que reclamo, meu querido Estrela, é que pelo total de aporte de recursos apenas em 2010 deveriamos estar muito bem… segue abaixo o quantitativo, quem, quanto, para que e para onde, 179 milhões…
Chamo sua atenção para os valores destinados a São Luís (50 MILHÕES) e a Timon (100 MILHÕES)… com a palavra a SEMDEL – fez os projetos? onde estão sendo construidos? quando sai o edital? local das construções?
PARA QUE QUEM QUANTO ONDE
Implantação e Modernização de Infraestrutura para Esporte Recreativo e
de Lazer

Construção de complexo
esportivo e de lazer.
Praça da Juventude,
Praças do PAC – Espaços Integrados
Construção de Campos de
Futebol
Cleber Verde – PRB 700.000,00 No Estado do Maranhão
Edison Lobão – PMDB 3.000.000,00
Flávio Dino – PC do B 4.400.000,00
Gastão Vieira – PMDB/MA 2.000.000,00
Nice Lobão – DEM 2.000.000,00
Pedro Novais – PMDB 500.000,00
Pedro Fernandes – PTB 2.000.000,00
Pinto Itamaraty – PSDB 1.000.000,00
Ribamar Alves – PSB 500.000,00
Roberto Rocha – PSDB 1.000.000,00
Sarney Filho – PV 1.100.000,00
Waldir Maranhão – PP 1.400.000,00
Total 19.600.000,00
Davi Alves Silva Júnior – PR 2.000.000,00 Montes Altos
300.000,00 São Pedro da Água Branca
Clóvis Fecury – DEM 200.000,00 Governador Archer
Julião Amin – PDT 250.000,00 Caxias
250.000,00 São Pedro dos Crentes
Flávio Dino – PC do B 2.000.000,00 Caxias
Mauro Fecury – PMDB 250.000,00 Afonso Cunha
400.000,00 Axixá
650.000,00 Vargem Grande
Bancada do Maranhão 50.000.000,00 São Luís
100.000.000,00 Timon – MA
Total 156.300,000,00
Funcionamento de Núcleos de
Esporte Recreativo e de Lazer
Cleber Verde – PRB 300.000,00 No Estado do Maranhão
Ribamar Alves – PSB/MA 452.040,00
754.040,00
Total
geral
176.654.040,00

A ATENÇÃO DOS SENHORES DEPUTADOS

qua, 01/02/12
por leopoldovaz |

A Assembléia Legislativa volta a funcionar, após o merecido período de férias legislativas. Pelo que se lê nos notíciários, de nossa imprensa, um dos assuntos polemicos a ser tratado neste período legisloativo de 2012, é a criação de novos municipios.

Venho propor, assim, a revogação da Lei Provincial no. 7, de 20 de abril de 1835, que extinguiu a Vila de Vinhais (paróquia, municipio hoje). Em 1º de agosto de 1757, a Aldeia da Doutrina, sob a invocação de São João dos Poções, foi elevada à categoria de Vila com a denominação de Vinhais, sendo criada nesse mesmo dia a freguesia de São João Batista de Vinhais, em virtude de Resolução Régia de 13 de junho de 1757.

Às páginas 633, do Dicionário de César Marques, consta que houve contestação quanto à propriedade das terras da Aldeia da Doutrina, pertencente, então, ao Convento de Santo Antônio. Esta vila, situada ao N.E. da Ilha do Maranhão uma légua distante da capital, à margem do ribeiro Vinhais, ora transformada em Vila de Vinhais e, para dar fim à qualquer contestação, sobre a quem pertenceria as terras, passou-se a seguinte certidão, que, segundo Cesar Marques, não deixa de ser curiosa:

 “José Inácio Pereira, escrivão por comissão da Câmara da vila de Vinhais: em cumprimento do despacho retro certifico que revendo o livro de … nele à fl. 87 verso achei o translado … Por ser conforme às reais ordens que Sua Majestade foi servido expedir para o estabelecimento deste Estado e conveniente ao bem comum e particular dos moradores dele, que se destinem terrenos competentes, que sirvam de distritos às vilas para as suas respectivas justiças  não excederem  os seus limites, devo dizer de vossas mercês em observância das mesmas reais ordens, que o distrito dessa vila terá princípio no pôrto do Angelim sobre a foz do rio – Anil -, quer fica pertencente ao distrito desta cidade, e dele partirá em rumo direito para o nascente às terras alagadiças da fazenda que foi de Agostinho da Paz e que hoje é do Rvdo. Cônego Manuel da Graça, fincado pertencendo ao distrito desta mesma vila a estrada pública, que do dito porto do Angelim vai para a fazenda da Anindia e outras, como também a fazenda do defunto José de Araújo, partindo e confrontando da parte do sul com terras do distrito desta cidade e continuando este rumo da parte do nascente da mesma fazenda do dito Cônego Manual da Graça para a parte do norte, correrá em direitura à costa do mar, e por ela descerá à capela de São Marcos de onde continuando da parte do poente pela costa desta baía até a fortaleza da barra desta cidade continuará pelo rio, que divide a cidade das terras sobreditas da costa do mar até finalmente chegar ao dito porto do Angelim, onde fica fechando o rumo do dito distrito, em que se compreedem a dita vila e terras que possuem os seus moradores desde o tempo em que foi constituída doutrina dos padres de Santo Antônio desta cidade como também a Capela de São Marcos, a olaria, que foi dos padres da Companhia e vários sítios de fazendas e moradores, como são a do sobredito Cônego Manuel da Graça, de Domingos Fernandes e últimamente todos os que dentro dos referidos rumos e distrito se compreenderem sendo este suficiente para essa dita vila, sem prejudicar o da cidade.

“Para rendimento das despesas da Câmara lhe não determino por hora terreno, o que farei com a brevidade que me fôr possível para cumprir completamente com a ordem de Sua Majestade, o qual sempre há de ser dentro do distrito dessa vila: o que tudo Vossas Mercês tenham entendido para inviolávelmente observarem, registrando  este no livros da Câmara para a todo o tempo constar até onde entendem os seus limites, de que me mandarão certidão de assim o haverem. – Deus guarde a Vossas Mercês – Maranhão. – Gonçalo Pereira Lobato e Sousa”

Senhores Juízes e oficiais da Câmara da vila do Vinhais.

“Certifico eu escrivão abaixo nomeado em como transladei uma carta do Ilmo. Sr. Governador  vinda ao juiz e mais oficiais da Câmara desta vila, o que juro em fé de meu ofício: três de novembro de 1760. – Manuel de Jesus Pereira.  

“Nada mais que o referido continha o dito translado fielmente aqui copiado do próprio livro, a que me reporto, e é verdade todo o referido em fé do ofício. – Vinhais, 10 de fevereiro de 1806. – José Inácio Pereira”. (gruifos nosso).

No ano de 1779, a Vila de Vinhais contava 630 ‘almas”; a cidade de São Luís, 13.000, a Vila do Paço do Lumiar 808, conforme registro na Biblioteca da Ajuda. (Notícias de todos os governadores e populações das provincias do Brasil. Documento no. 2001, 54 – v. 12 no. 5).

Note-se que em 1834, existiam na Província do Maranhão apenas treze municípios e somente o da Capital, São Luís, tinha sede com status de cidade. Os doze restantes eram sediados em vilas: Vinhais, Paço do Lumiar, Alcântara, Viana, Guimarães, Itapecuru-Mirim, Icatu, Caxias, Brejo, Tutóia, Pastos Bons e São Bernardo.
Como a vila de Vinhais não apresentou qualquer desenvolvimento, foi extinta pela Lei Provincial no. 7, de 20 de abril de 1835, passando a pertencer a frequesia à comarca da capital, formando o 5º distrito de paz, e tendo uma subdelegacia de Polícia, um delegado da Instrução Pública e uma cadeira pública de ensino primário para o sexo masculino. Suas terras eram excelentes, baixas, próprias para a plantação da cana-de-açúcar. Achando-se estabelecidas aí pequenas roças de arroz, mandioca e mais gêneros. Calculava-se o número de seus habitantes em 1.020, sendo 887 livres e os mais escravos
Assim, Senhores Deputados, peço apreciarem o requerimento que faço, como morador do outrora municipio de Vinhais – sua área acima estabelecida, conforme registro de três de novembro de 1760, assentado em livro prórpio, do Governo do Maranhão, certificado por seu escrivão, e reafirmado em 10 de fevereiro de 1806.
As tentativas de esbulho dessas terras, que acontecem desde o período colonial, confiscada dos Jesuítas pelo Marques de Pombal para se constituir em patrimonio da então criada Vila (Nova) de Vinhais (1757), ocorrem em todo o periodo histórico, ocorrendo ainda nos dias de hoje.
Assim, das diversas polemicas em torno da Via Expressa ser, ou não, uma rodovia intermunicipal, haja vista interligar bairros, e não cidades, deixaria de existir, com a restituição da titularidade de muncipio dado ao Vinhais a 255 anos, ao completar seus 428 anos de ocupação branca (1594, MiganVille). Reinvindicamos por sua sede a Vila Velha de Vinhais…

MANIFESTO EM APOIO A COMUNIDADE DO VINHAIS VELHO

qua, 01/02/12
por leopoldovaz |

MANIFESTO EM APOIO A COMUNIDADE DO VINHAIS VELHO
Texto escrito por Joyce Pereira, Historiadora

“Sobre a Via Expressa a destruição do Vinhais Velho: Estou escrevendo porque esse ano de 2012 é considerado importante pela comemoração dos 400 anos da cidade de São Luís para quem compartilha dessa visão historiográfica.

Em prol dessa comemoração está sendo construída pelo governo do Estado do Maranhão uma Via Expressa que liga uma lado da cidade ao outro e, para tal construção podemos dizer que a cidade está sendo “cortada” ao meio. E é aí que está o problema.

No “meio” do caminho existe um bairro chamado de Vinhais Velho. E este bairro têm uma importância histórica, cultural muito grande. Ele não é muito conhecido nem pelos habitantes da cidade de São Luís e nem pelas pessoas de outros estados.

O Governo do Estado tem entrado com ações para a desapropriação da área sem levar em conta estudos histórico, arqueológicos, antropológicos entre tantos outros que podem e devem ser feitos nesse bairro. E, além disso tem sido bastante intransigente e não tem aceitado as negociações propostas pelos moradores do local.

Depois do problema exposto vou explicar porque este bairro é muito importante. Estudos feitos por membros do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM e pela professora Antônia Mota da UFMA demonstram a importância desse bairro por ser o mais velho de São Luís e não apenas isso, por ele existir antes da chegada de Daniel de la Touche ao Maranhão em 1612.

Na verdade, ele chegou ao Maranhão pelas informações de outros franceses que já habitavam aqui juntamente com flamengos, holandeses e ingleses. O Padre Luís Figueira escreveu que em 1608 os franceses já estavam assentados nesse território. Alexandre de Moura escreve que havia uma grande comércio entre o Maranhão e a França que partia dessa localidade, o Vinhais Velho. Abeville também fala.

No ano de 1612 foi fundada a igreja de São João Batista que hoje ainda está de pé e funcionando graças aos esforços dos moradores. Com a conquista do Maranhão, essa bairro de se tornou uma aldeia de catequização dos indios em 1616 pelos jesuítas e, em 1621 foi “reformulada” sob o título de Aldeia de Doutrina que se tornou o modelo de missão religiosa aqui no Maranhão.

Por volta de 1700 (sic), a igreja estava em ruínas e em 1715 (sic) o bispo do Maranhão mandou recosntruí-la e caso moresse aqui no Maranhão pediu para que fosse enterrado lá

Em 1754 foi elevada à Vila Nova dos Vinhais e a igreja de São João Batista de Vinhais se tornou sede de paróquia. Ana Jansen que é um sujeito histórico muito conhecido, por nós maranhenses, pela sua atuação na economia e pelas lendas mandou construir poços que abasteciam a cidade no Vinhais Velho e quando morreu em 1780 (sic) deixou uma quantia em dinheiro para que seus filhos fizessem o festejo de São Pedro enquanto pudessem.

Dentre as manifestações culturais que posso destacar são os festejos religiosos católicos que são muito fortes como o levantamento do mastro no dia de Santa Luzia que é feito por promessa todos os anos, a festa para São João no dia do santo. Nesse dia especilamente, muitas crianças são batizadas demostrando sua devoção ao santo. A queimação de palhinhas feitas para encerrar o ciclo do natal tambem é feitas assim como ainda existem as benzedeiras e mulheres que dominam o conhecimento das plantas medicinais.

Artefatos arqueológicos forma encontrados na área como machados e potes de cerâmica. Por volta de 1580, existia nesse local uma aldeia de indios tupinambás. Durante o processo de modernização sofrido pela cidade na década de 1970, o bairro ficou praticamente isolado e, apesar de haver um bairro moderno de nome Recanto do Vinhais ebm próximo, o Vinhais Velho permace com uma estrutura semelhante à de zona rural e, talvez por isso ainda conserve muito de suas tradições.

Foi constatado pela professora Drª. Antonia Mota pela documentação que um dos moradores, Seu Olegário, é descedente dos primeiros moradores do período colonial.

Estou escrevendo para vocês porque eu enquanto cidadã e historiadora me sinto indignada pela ação autoritária do Estado que em nome do ego próprio está ignorando toda esta memória e história dos moradores locais e está para destruir este patrimônio que ainda não foi estudado com profundidade mas, pelo o que eu vi têm muito a contribuir para a historiografia brasileira e mundial e não só por isso porque está ignorando o direito das pessoas que reconstruíram esse bairro que estava esquecido pelo poder público e só o considera agora um empecilho para os seus interesses pessoais.

Os homens é que fazem a história e eu peço encarecidamente que nos ajudem nessa luta, pois, ela está difícil. A maioria dos veículos de comunicação é dominado pelo Estado e essa obra está sendo vendida como a salvação para o trânsito de São Luís. As ações de despejos já estão sendo julgadas pelo Judiciário e os estudos de impacto ambiental não foram cedidos à Comissão dos moradores dos Vinhais Velho que estão lutando pelo seu direito e nem aos outros cidadãos. A fala do Estado é apenas sobre valores. Não há diálogo por parte dele. Essa história também é de vocês. Vamos defender o Vinhais Velho!!!!! Divulgem!!!!”

AULA PÚBLICA – SOBRE O VINHAIS VELHO

qua, 01/02/12
por leopoldovaz |

Aconteceu ontem; já havia anunciado o convite da Profa-Dra. Antonia Mota, do Departamento de História da UFMA.

O objetivo era de congregar Historiadores, Geógrafos, Antropólogos, Arqueólogos e Demógrafos e demais cientistas da área ‘das sociais’, para uma exposição e debate sobre a Memória Histórica da Vila Velha de Vinhais – também denominado Vinhais Velho.

Todos têm conhecimento das polemicas – e embates políticos – envolvendo aquela Comunidade mais que quatrocentona; debates e polemicas tendo como motivo a chamada Via Expressa, ou MA (rodovia) como a designou  o Estado, obra principal das comemorações do quarto centenário de fundação de São Luís.

De um lado, o Estado, do outro, moradores da Anciã Vila. O trajeto da Via Expressa, ou MA como queiram, vai influir sobre a sobrevivencia daquela comunidade, cuja tendencia é desaparecer, em seu modo de vida tradicional, enquanto comunidade depositária de um passado rico e ainda inexplorado – ou pouco explorado, mas sobretudo ignorado.

Falo pouco explorado, pois eu, o locutor que vos fala, e sua mulher, a Professora de História do CEM Liceu Maranhense, Delzuite Vaz - Del – desde 1985 vimos escrevendo sobre a Igreja de São João Batista e a Vila Velha de Vinhais… moradores do Recanto Vinhais desde o seu inicio, da entrega das casas aos promitentes-compradores – inicio dos anos 80, ainda do século passado… 

A situação da Vila – e de seus mais antigos moradores – somente agora vem a conhecimento do grande público, dada a referida polemica. Muitas reportagens foram publicadas, anos passados, em diversos meios de comunicação, sobre a situação daquela Vila, dos bairros em seu entorno, e de seus moradores… mas somente agora se dá atenção ao que ali acontece e vem acontecendo… devido à passagem da Via Expressa, ou MA…

Devo esclarecer que, hoje, existem vários entes dedicados à preservação da memória e da existencia daquela comunidade e sua área de influencia, sendo o mais antigo, a Comissão da Igreja de São João Batista, constituida desde o meados dos anos 80, por moradores dos núcleos iniciais – o Vinhais Velho, então uma comunidade rural, e o Recanto Vinhais; depois vieram se juntar os moradores do Residencial Vinhais III, do Conjunto dos Ipês (Conjunto da Vale), Morada do Sol, Morada dos Sonhos, e as invasões que começaram a aparecer, nas bordas desses conjuntos habitacionais, geralmente dentro do mangue, que existe em seu redor e delimita sua área geográfica. A AMOREV – Associação dos Moradores do Recanto dos Vinhais e a Associação dos Moradores do Vinhais Velho são os entes pioneiros; mais recente, é o Comite dos Amigos do Vinhais Velho, constuido por moradores da Vila Velha de Vinhais e dos bairros de seu entorno, interessados, este ultimo, sobretudo na preservação das moradias ameaças pelo traçado da Via Expressa, ou MA, como queiram.

Discussões à parte, de caráter politico-judicial, que envolve o Governo – em suas tres instancias, Municipal, Estadual e Federal – e as demandas partidas de um, de desapropriação de propriedades centenárias dos moradores da Vila, e das áreas necessárias a implantação do traçado da ‘rodovia intermunicipal’, ou avenida, como queiram, e do outro os moradore atingidos, decidiu-se pela realização de uma AULA PÚBLICA, abordando a história daquela comunidade.

Convite aberto, não pudemos deixar de concordar em participar, quer como morador do Recanto Vinhais, quer como historiador daquele pedaço da História do Maranhão – missão a que nos impusemos nos ultimos 27 anos, minha mulher e eu -e ainda, como sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão -IHGM, e seu Vice-Presidente.

Da Aula Pública, apenas a UFMA e o IHGM se fizeram representar. A promotora-provocadora da mesma, Dra. Antonia Mota, eu  ( membro da Comissão de Comemoraçãpo dos 400 anos da Igreja de São João Batista e Vila Velha de Vinhais, e da Comissão dos 400 anos do IHGM), e o Turismólogo Antonio Noberto, (também sócio do IHGM).

Comunicada à Presidencia, Dra. Telma Bonifácio dos Santos Reinaldo – do ato e do convite – autorizados a participar, fomos; e os tres expositores, abortaram o tema: Vila Velha de Vinhais.

A Aula Pública teve como público, preferencial, Jornalistas de nossas diversas mídias, convocados como “coletiva de imprensa”, todos informados, notificados, e poucos compareceram… um público enorme se fez presente, principalmente de Blogueiros, estudantes de História, de Geografia, de Jornalismo, De Ciências Sociais, além de moradores da Vila Velha. E de jornais alternativos; da chamada ‘grande imprensa maranhense’, apenas um, representantes do local onde foi realizado o evento, o Auditório d´O Imparcial.

A Dra. Antonia Mota começou falando do processo histórico do esbulho das terras dos índios, localizada na área geográfica da Aldeia de Uçaguaba/Vinhais Velho, através de pesquisas que vem realizando junto aos Arquivos Públicos, onde encontrou relatos de moradores denunciando ao Rei a tentativa que se estava fazendo de se lhes tomarem as terras; encontrou um ancestral de dois dos mais antigos moradores atuais, D. Babá (80 anos) e Seu Olegário (77 anos), nascidos ali, tendo seus pais e avós já residentes da área, e agora descobeto decumento que vêem desde o periodo colonial… seus filhos e netos continuam em suas casas construidas ao redor da casa ancestral (e agora, ameaçados de despejo…).

Antonio Noberto, do IHGM, falou da ocupação da Aldeia de Uçaguaba por franceses, a partir da chegada de Jacques Riffault, em 1594, do Capitão Guérard, em 1596, e o estabelecimento de feitorias por esses navegadores intrépidos; do entreposto comercial aqui existente, sendo a base, a localidade identificada como MiganVille, estabelecida junto à Aldeia de Uçaguaba, hoje Vila Velha de Vinhais; comprovado por mapas e livros recém-laçados (novembro) na França por dois dos maiores especialista na França Equinocial, Vasco Mariz e Lucien Provençal – Antonio Noberto é um dos colabores desse livro…

Leopoldo Gil Dulcio Vaz, o locutor que vos fala, discorreu sobre esse mesmo assunto, informando que a polulação branca estava em torno de 400 pessoas, inclusive há menção de dois missionários jesuítas entre eles; traçou a História da Vila Velha, complementando as informações da Dra. Antonia e de Noberto. Falou das iniciativas da Comissão de Preservação da Igreja de São João Batista (instituida desde 1985…), do trabalho de seus membros, e da iniciativa, ainda em 2009 da constituição de uma Comissão de Comemoração dos 400 anos, e a produção de um Documentário, contratado o documentarista premiado Murilo Santos para sua execuçã. A pedido do Comitê dos Amigos, foi feita a apresentação do mesmo, ainda em processo final de produção.

A seguir, encerrada essa parte científica, abriu-se a perguntas, já com a participação do Comitê dos Amigos do Vinhais Velho e de moradores da Vila Velha dos Vinhais…

Os resultados, e comentários, podem ser lidos em jornal desta data (1o./02/2012), junto com outras notícias… A seguir, publico um manifesto, de uma Historiadora presente naquele evento, que retrata um pouco a indignação entre os presentes, da ameaça de nossa memória, ano de comemoração dos 400 anos de Fundação da Cidade do Maranhão. Vinhais é mais velho…

Os frutos da educação

seg, 30/01/12
por leopoldovaz |

do Blog do João Freire
 

Coloco duas premissas básicas: a primeira afirma que os conhecimentos são naturais, estão inscritos nos genes de maneira básica e apenas se revelam ao sabor das experiências de vida. A segunda acredita que temos, à partida, apenas possibilidades de aprendizagens, de forma que o conhecimento é construído nas relações com o mundo natural e social. O que escreverei a seguir apoia-se na segunda. Portanto, a sociedade que somos é fruto, inevitavelmente, da educação que todos recebemos, em suas diversas formas: família, grupos de amigos, escolas, igrejas, meios de comunicação etc. De maneira geral afirmamos com frequência nosso desagrado com os rumos que tomou a sociedade humana, embora façamos parte ativa nela. Clamamos contra as injustiças, contra a violência, contra a política e por aí afora. Para ficar em apenas um aspecto da educação, porém, muito importante, vamos criticar a escola formal. A base da escola formal são os conteúdos científicos e a disciplina moral. A palavra NÃO é o mote da disciplina moral. E a matemática, a geografia, a história, a física, a química etc., são o mote da educação científica. Podemos dizer, a partir disso que essa maneira de educar é equivocada. Provavelmente é equivocada em três aspectos: peca quando coloca as disciplinas científicas como protagonistas da educação, peca quando incute uma moral de heteronomia nos alunos, afastando as possibilidades de uma moral autônoma, e peca no método, porquanto torna o aluno passivo, ao sabor dos conhecimentos e da moral que vem de fora. O resultado é uma educação de reprodução, isto é, de reprodução daquilo que criticamos todos os dias na sociedade.

A solução? É complexa. Nada se resolve em sociedade com meia dúzia de palavras. Mas para apontar algumas medidas, uma delas seria inverter os procedimentos da base educacional escolar. Nós adultos não temos moral para ensinar aos nossos alunos. Fizemos várias guerras, somos gananciosos, produzimos o neoliberalismo selvagem, somos, em vários aspectos, covardes e nos corrompemos com extrema facilidade. Os alunos teriam que participar dos projetos de sociedade, portanto, de seu futuro nela. Outro ponto: as disciplinas científicas teriam que deixar o protagonismo e assumirem ser apenas coadjuvantes. O protagonismo deveria ficar com os grandes temas da vida como saúde, relações humanas, ecologia, autoconhecimento, amor, ética etc. Por último, o método. Nenhum aluno deveria receber conhecimentos prontos. Eles precisam ser produzidos a partir de pesquisas, de construções. Os conhecimentos deveriam partir daquilo que cada aluno é, para crescerem. Os conhecimentos precisariam crescer a partir de uma orientação ética, uma ética de preservação da vida.

Enfim, se somos o que somos, é porque assim nos educamos. Se queremos que a sociedade seja diferente, a educação tem que se diferente. E não há nada mais conservador que a educação formal.

O ano do dragão, video game e MMA

seg, 30/01/12
por leopoldovaz |

do Blog da Katia Rubio - Psicologia e Estudos Olímpicos

É muito bom sair um pouco da rotina para a gente poder enxergar o que está tão perto de nossos olhos, mas acostumados que estamos com o cotidiano já não são capazes de enxergar as coisas mais óbvias. Dizem que foi assim com os grandes inventores e descobridores de todos os tempos. Isso ocorre com frequência quando trabalhamos sobre um texto. Escrevemos, lemos, apagamos, refazemos tantas vezes que já não enxergamos mais os erros, as palavras e ideias repetidas e as conclusões que, as vezes, estão logo ali, diante de nosso nariz, com uma tiara de neon e uma melancia no pescoço. E então, chega alguém de fora, lê, elogia e aponta a conclusão – não escrita – que esteve sempre ali. Por isso tenho por hábito deixar meus textos “fermentarem”, como a gente faz quando amassa pão. Sempre achei mágico aquele processo todo: água quente para fazer o fermento ”acordar”, depois um ovo, um pouco de óleo ou margarina e aí a farinha… uma, duas, três xícaras e amassa, amassa e amassa mais um pouco. Volta pra tigela, já como uma bola com aquele cheiro próprio do fermento que está agindo, coberto com um pano sequinho em um lugar quente e sem vento. E daí vem o milagre: depois de 50 minutos lá está aquele produto vivo e dinâmico que para ser assado precisa ser uma vez mais amassado e formatado para ir ao forno. Realmente, fazer pão e escrever são coisas muito parecidas. E assim como posso escolher diferentes farinhas e líquidos para fazer pães com diferentes sabores, posso escolher diferentes palavras e formas de escrever para expressar minhas ideias.

Hoje, enquanto cozinhava, pensava no fenômeno MMA e UFC.

Não pretendo aqui fazer reflexões moralistas acerca das lutas, principalmente após orientar uma tese de doutorado sobre a genealogia do judô brasileiro, de Alexandre Velly Nunes, leitura obrigatória para estudiosos e amantes das artes marciais. Uma preciosidade, posso afirmar. O que tento entender é o que acontece com uma sociedade, em pleno século XXI com tantas inovações e avanços no campo das ciências biológicas e sociais, reproduzir comportamentos anteriores ao nascimento de Cristo. Farei um esforço para poder ser entendida.
Observo que as lutas exercem grande fascínio, principalmente entre os jovens. Não é por acaso que as encontramos em inúmeros seriados infantis de National Kid a Power Rangers, o que atesta a atemporalidade desse entretenimento. Penso também que o imaginário envolvido nas lutas acaba por evocar um universo mítico que permite emergir toda ordem de criaturas monstruosas, como bem observamos nas diferentes séries que ano após ano se repetem em diferentes emissoras. Vale ressaltar que em todos episódios das diferentes séries o que prevalece nos roteiros é uma estrutura maniqueísta onde, obviamente, os mocinhos ganham dos terríveis vilões, sejam eles seres de outro mundo, uma figura mitológica ou um ser humano com poderes supremos, quase sempre aniquilando-os, destruindo-os, restituindo em seguida a humanidade do aniquilador.

Confesso que esse tipo de produção nunca exerceu sobre mim qualquer fascínio, mesmo quando eu era garota e via o “Nachonaro Kido” na sessão Zás Trás. Mas, acho que eu não sou das melhores referências para isso porque a TV nunca me encantou. Até que meu filho Toshihiro surgiu. Gerado em um mundo de tecnologia acessível e virtual, desde cedo, mas muito cedo mesmo, ele se envolveu com o mundo dos games. Lia, jogava, colecionava publicações e ainda no ensino fundamental era uma espécie de consultor para assuntos “jogos” em sua escola. Tentei por muito tempo incentiva-lo a buscar jogos próximos do RPG, mas é claro que os mais desejados eram aqueles que envolviam lutas. Lembro como ficava irritada com os jogos de lutas (e depois descobri que não eram apenas os de lutas) e a situação limite do “Ih. Morri”. Sentia aquilo como a banalização da morte, da finitude e um desrespeito pela situação do embate contra um oponente, fosse ele mais forte ou fraco. Percebo hoje que a lógica que me movia e me mobilizava era aquela praticada no “do”, entendida como caminho.

Agora sei que Gigoro Kano tentou evitar a inclusão do judô no programa olímpico por conta de um receio concreto que seu “caminho da suavidade” se tornasse apenas um combate. Por entender que o judô era um caminho para muitas coisas, principalmente para a educação, Kano evitou o quanto pode fazer da luta apenas uma briga. Isso porque as referências culturais que trazia do Japão davam a ele uma dimensão própria do que eram as lutas para seu país em diferentes momentos históricos em que elas se desenvolveram. Como aponta Nunes (2011) a formação dos monges chineses e coreanos e a classe dos Samurais são alguns exemplos bem conhecidos da formação de lutadores nessas regiões. Nesses locais, a formação para o combate quase sempre esteve associada a rituais religiosos, ao estabelecimento de padrões de comportamento e a uma ética particular. Para o treinamento utilizavam-se formas mais brandas e menos violentas de combater, daí a transição para o esporte.

Hoje a tarde fui assistir às comemorações da entrada do ano novo chinês, o Ano do Dragão, no Templo Zu Lai, próximo a Cotia, em São Paulo. E todas essas questões invadiram meu sótão acordando meus macaquinhos que andavam por lá adormecidos. Entre a dança do dragão, dos leões, apresentações de tai chi chuan e kung fu pensei no quanto tudo aquilo é significativo dentro do contexto em que foi desenvolvido. Arte, meditação, educação, religião… tudo ali se mistura de forma homogênea onde nem o mais audaz cartesiano é capaz de separar, dividir, compartimentalizar. E então me lembrei uma vez mais do mestre Carl Gustav Jung que tenta explicar no livro O Segredo da Flor de Ouro a impossibilidade de se praticar os orientalismos de forma plena fora do Oriente. E isso se deve a uma razão simples: por melhor que se possa reproduzir o que se passa no Oriente nenhum lugar será como lá. O que sempre veremos serão simulações, e as vezes simulacros como diria Baudrillard, do Oriente, mesclados à cultura local e suas idiossincrasias. Então, embora lá estivessem monges budistas, diplomatas e membros da comunidade chinesa, aqueles rituais todos que estavam sendo apresentados já eram uma mescla com a cultura brasileira.

E com esses mesmos argumentos e pensamentos voltei a lembrar no UFC e MMA. Isso porque não vejo mal nenhum em entender esses espetáculos como quaisquer outros onde alguns seres iluminados conseguiram vislumbrar uma possibilidade de fazer um grande negócio, movimentando milhões de dólares, explorando as habilidades de algumas pessoas fora da média. Nada que faça surpreender em um modo de produção capitalista! Por isso lutadores migram de suas modalidades amadoras, olímpicas ou ritualísticas porque desejam buscar fama e fortuna com um tipo de atividade que pode lhes proporcionar uma vida melhor. Não é assim em outras profissões?
Então paremos de escamotear, de tergiversar ou enganar a quem quer que seja.

Que não se confundam essas práticas de entretenimento com esporte. Muito embora tenham regras definidas, sejam institucionalizadas e organizadas não devem ser entendidas e confundidas com esporte.

Entendo que tanto o UFC como o MMA são vídeo games reais. Os combatentes são avatares criados a partir de uma referência da necessidade de luta, que para ganhar dramaticidade são nomeados com distinções míticas ou simbólicas, valendo prêmios milionários. E se no passado o imperador de sua tribuna usava os polegares para determinar a morte do derrotado, agora temos a televisão, cuja audiência qualificada aponta o céu ou os infernos para o menos habilidosos ou desfortunados no combate.

Há espaço para muitas manifestações culturais e formas de entretenimento na sociedade contemporânea e não me julgo arauta da moralidade e dos bons costumes para promover uma cruzada contra o MMA e o UFC. Entendo que essas competições não são menos nocivas que o BBB ou algumas novelas que impõe padrões de comportamento. O que talvez devesse ter pedido ao dragão, nesse ano que se inicia, é que definitivamente essas manifestações de movimento não sejam confundidas com o esporte.

NUNES, A. V. (2011) A influência da imigração japonesa no desenvolvimento do judô brasileiro: uma genealogia dos atletas brasileiros medalhistas em jogos olímpicos e campeonatos mundiais. Tese de Doutorado. Escola de Educação Física e Esporte. Universidade de São Paulo.

Aula Publica sobre Vinhais Velho

dom, 29/01/12
por leopoldovaz |

Caríssimos,

 Convido a todos para a Aula Publica sobre Vinhais Velho, que ocorrerá na terça, 31/01, no auditório do Jornal Imparcial, Renascença, atrás do Shopping Tropical.

O objetivo do encontro é que membros da comunidade científica se pronunciem sobre a importância histórica e arqueológica do espaço. Desta forma,  solicitando às autoridades que sejam feitos estudos sobre a área e se evite sua descaracterização. Finalmente, evitar o despejo das famílias que vem mantendo viva a tradição da comunidade´..

Esperamos o apoio e a presença de todos.

Profa. Dra. Antonia da Silva Mota

Depto. de História – UFMA

Fiz minha lição de casa, pois devo participar dessa aula, como um dos expositores:

SOBRE ESQUECIMENTO(S) E APAGAMENTO(S)

– O CASO DO VINHAIS VELHO

 LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ – Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

             Vimos acompanhando pelas mídias – e em especial blogs – o caso do Vinhais Velho, núcleo habitacional mais antigo do Maranhão. Referimo-nos à ocupação por brancos, pois os Tupinambás já se encontravam aquele espaço há mais tempo, provavelmente desde 80 anos antes da chegada dos Franceses de La Ravediére. Antes dos Tupinambás, os Tremembés, havendo indícios de ocupação pelo menos de nove mil anos…  O que nos leva a essa afirmação são documentos que estão vindos à luz por pesquisas recentes, com base em informações obtidas em diversos arquivos e interpretação e uso de fontes as mais diversas.

            A área que nos referimos – o Maranhão – é território de uma rica história de intercâmbio e conflítos entre os povos indígenas nativos – tais como os Tremembé[1], Tabajara, Jurema, Jenipaboaçu, Cambida – e europeus – franceses, holandeses, ingleses e portugueses. Os franceses já negociavam, o chamado escambo, com os povos nativos dessa região antes mesmos das primeiras expedições portuguesas.

            No ano de 1473 aparecem relatos de registros visuais da lendária “Ilha das Sete Cidades” [2] e as tentativas de sua posse. Um dos casos mais consistentes foi carta apresentada ao rei D. Afonso V de Portugal pelo açoriano Fernão Teles. Do roteiro que então mostrou constava uma longa costa, com várias ilhas, baías e rios, que ele declarava ser parte das Sete Cidades. Embora se acredite que pudesse ser a costa do Norte do Brasil, entre o Maranhão e o Ceará, com o delta do rio Parnaíba, apenas se pode afirmar com certeza que aquele território se situaria na margem ocidental do Atlântico. Aparentemente o rei não terá acreditado totalmente na descoberta, ou não considerou Fernão Teles suficientemente digno, pelo que da carta de doação concedida não consta referência às Sete Cidades, mas apenas a uma grande ilha ocidental que se pretenderia povoar. Insatisfeito com a carta de doação, Fernão Teles insiste no pedido das Sete Cidades. Consultado o cosmógrafo genovês Paolo del Pozzo Toscanelli (1398-1492)[3], que declarou que a Antília (designação dada às ilhas do Mar das Caraíbas) e a Ilha das Sete Cidades seriam naquela margem do Atlântico. Em 1476 a carta solicitada pelo açoriano Fernão Teles foi concedida, mas não se conhece a existência de qualquer expedição subsequente por parte daquele donatário.

Admite-se que no ano de 1513, Diogo Ribeiro[4] tenha chegado ao Golfão Maranhense e que a ele se deva o nome de Trindade dado à Ilha de São Luís; e Estevão Fróes [5], assim como Diogo Leite, vindo de Pernambuco a explorar a costa por ordem de Martins Afonso de Sousa tenha alcançado a foz do Rio Gurupi e deu nome a Abra de Diogo Leite (Baia do Gurupi) [6].

De ordem de Martin Afonso de Sousa[7], Diogo Leite[8], reconhecendo o litoral norte do Brasil, chega à foz do Gurupi (1531). Atribuem-se a ele os nomes de São José e São Marcos dados às baías que formam o Golfão Maranhense, pelos dias, no calendário romano, em que as tenha alcançado. Lima[9] registra Diogo de Sordas…

         A colonização do Brasil tem seu início em 1534, quando D. João III [10] intenta a conquista de suas novas terras “descobertas” pela expedição de Pedro Álvares Cabral em 1500, dividindo-as entre seus vassalos, pois estava preocupado com a presença de corsários franceses que navegavam por estas costas desde 1504. Estabele o sistema de Capitanias Hereditárias (Regimento Castanheira). O Maranhão atual, por sua extensão litorânea do Paraíba ao Gurupi, está compreendido nas duas mais setentrionais, dentre elas: a de Fernão Alvares de Andrade[11], com 70 léguas de costa contadas da foz do Mundau (Camocim) aos Mangues Verdes (Golfão Maranhense) e uma segunda, de João de Barros[12], com 50 léguas, dos Mangues Verdes à foz do Gurupi. João de Barros e Fernando Álvares de Andrade associam-se a Aires da Cunha[13], na tentativa de apossarem-se dela, sem resultado. Eram lotes enormes, de cerca de 350 km de largura, até à linha estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas, interior a dentro:

Dez anos depois de criadas, as desordens internas, as lutas com os índios e a ameaçadora presença dos franceses acabaram provocando o colapso do sistema que o rei e seus conselheiros haviam optado por aplicar ao Brasil” (BUENO, 1999)[14].

            Vamos seguir Ribeiro[15], ao perguntar: qual era a verdadeira missão de Aires da Cunha?

Quando a costa brasileira foi tocada pela primeira vez por Pedro Álvares Cabral, em 1500, os portugueses mal imaginavam qual a extensão exacta da “Terra Brasilis”. Os métodos cartográficos eram muito rudimentares e os mapas, muito vagos. Assim, o “descobrimento” ainda estava apenas começando. Tanto que muitas regiões só foram colonizadas décadas depois da chegada de Cabral. A história do Maranhão ilustra bem a dificuldade dos descobridores e, até hoje, guarda em seus arquivos a mal-explicada história do navegador Aires da Cunha – um personagem misterioso e pouco explorado pelos livros.

            Lembremos que por mais de 30 anos após o descobrimento, o Maranhão foi totalmente desprezado pelos portugueses. Acredita-se que o primeiro navegador a avistar o litoral maranhense tenha sido o espanhol Vicente Yañes Pizón, que em 1500 percorreu o nordeste brasileiro de Pernambuco até a foz do Rio Amazonas. Em 1524, os franceses começaram a visitar aquelas praias. Somente em 1530 o rei D. João III começou a se preocupar com as intenções francesas em fundar por aqui a França Equinocial, e enviou para cá o administrador colonial Martim Afonso de Sousa que, por sua vez, um ano depois mandou Diogo Leite explorar o norte da terra descoberta. Só então Portugal tomou conhecimento do que realmente havia por lá.

O desinteresse real pela Ilha do Maranhão (hoje Ilha de São Luís) durou até 1534, quando o desprezo pela região foi trocado por um súbito (e grande) interesse. Naquele ano, para facilitar a colonização, D. João repartiu o Brasil em nove capitanias hereditárias. O Maranhão foi dividido em dois lotes (Itamaracá e Pará): o primeiro foi doado a Fernão Álvares de Andrade e o segundo ao historiador João de Barros e Alves da Cunha, que já conhecia a colônia, pois participou do descobrimento como membro da expedição de Pedro Álvares Cabral.

Repentinamente, as capitanias de Itamaracá e Pará passaram a ser consideradas como as mais nobres de toda a colónia, pela grandeza de seus rios, fertilidade das terras, abundância de animais e, o mais importante, devido aos boatos sobre a riqueza de suas jazidas de ouro.

Assim, uma grandiosa expedição foi organizada, com todo o apoio da corte, através de muitas concessões financeiras da coroa portuguesa, que adiantou aos donatários muitas armas e munições, além de prometer condições especiais para a exploração das minas – caso elas fossem realmente encontradas Como Fernão Álvares e João de Barros não podiam deixar a corte, a missão de comandar a expedição foi entregue ao experiente Aires da Cunha. Junto com ele, embarcaram também os dois filhos de João de Barros e um delegado de confiança de cada donatário. Em outubro de 1535, o navegador zarpou do Tejo, com 10 caravelas muito bem armadas, tripuladas por 900 homens e, também, 113 cavalos. A armada de Aires da Cunha atravessou o Atlântico sem grandes surpresas e foi directo para a capitania de Pernambuco, onde o comandante foi acolhido com grande atenção pelo donatário Duarte Coelho, que havia recebido muitas recomendações da coroa para dar à expedição tudo o que fosse necessário. A frota brasileira recebeu mantimentos, batedores práticos da costa e do sertão, intérpretes de línguas indígenas a até embarcações para sondagem das baías. Meses depois de chegar ao Brasil, a expedição seguiu para o norte, em busca do almejado ouro do Amazonas – na época, o Rio Maranhão era confundido com o Rio Amazonas, tamanha a falta de uma cartografia eficiente”. [16] 

            Os portugueses chegaram nestas bandas a partir da segunda metade do Século XVI, com diversos intuítos: um reconhecimento completo da região a partir de Tutóia [17] no Maranhão aos limites finais entre Ceará e Rio Grande do Norte ou como base de apoio para a ocupação do litoral, bem como base de apoio para confrontos militares com os franceses que ocupavam o Maranhão. Deste momento histórico existem várias cartas topográficas datadas dos séculos XVII.

            Luís de Melo da Silva estivera por aqui em 1554 e tenta retornar em 1573, quando naufraga no Mar-Oceano sua nau-capitânea “São Francisco” que tinha Luis da Gamboa como comandante.

No Capítulo XIV “Da terra e capitania do Maranhão que el-rei D. João Terceiro doou a Luis de Melo e Silva”, Frei Vicente de Salvador (2010, p. 161-162) descreve “o Maranhão” como uma grande baía que fez o mar, entre a ponta do Pereá e a do Cumá, tendo no meio a ilha de S. Luis, onde esteve Aires da Cunha, quando se perdeu com a sua armada e os filhos de João de Barros (capítulo precedente):

“[...] No tempo que se começou a descobriri o Brasil, veio Luis de  Melo da Silva, filho do alcaide-mor de Elvas, como aventureiro, em uma caravela a correr esta costa, para descobrir alguma boa capitania, que pedir a el-rei e não podendo passar de Pernambuco, desgarrou com o tempo e  água e se foi entrar no Maranhão, do qual se contentou muito, e tomou língua do gentio, e depois na Margarita de alguns soldados que haviam ficado da companhia de Francisco de Orelhana, que como testemunhas de vista muito lhe gabaram e prometeram haveres de ouro e prata pela terra adentro.

“Do que movido Luís de Melo se foi a Portugal pedir a el-rei aquela capitania para a conquistas e povoar e, sendo-lhe concedida, se fez prestes em a cidade de Lisboa partiu dela em tres naus e duas caravelas, com que chegando ao Maranhão se perdeu nos parcéis e baixos da barra, e morreu a maior parte da gente que levava, escapando só ele com alguns em uma caravela, que ficou fora de perigo, e dezoito homens em um batel, que foi ter à ilha de Santo Domingo [...]

“Depois de Luís de Melo ser em Portugal se passou à Índia, onde obrou valorosos feitos e, vindo-se para o Reino muito rico e com a  intensão de tornar a esta empresa, acabou na viagem em a nau S. Francisco, que desapareceu sem se saber mais novas dela. Não houve quem tratasse mais do Maranhão, o que visto pelos franceses lançaram mão dele, como veremos em o livro quinto”.

            Frei Vicente do Salvador informa, ainda, que seu pai esteve nessa viagem de Luís de Melo: “se embarcou então para o Maranhão e depois para esta baia, onde se casou e me houve e a outros filhos e filhas”.

                Quando Felipe II anexou Portugal e suas colônias à Espanha (1580) percebeu o abandono que estaria ocorrendo em regiões que correspondem hoje ao Norte e Nordeste do Brasil. Entretanto, a situação agravante era a permanência de povos franceses. Por isso, duas Cartas Régis, a primeira em 1596 e a segunda em 1597, determinaram de fato a expulsão francesa, além da construção de um forte e a fundação de uma cidade na capitania do Rio Grande.

   De acordo com Frei Vicente do Salvador[18], no Rio Grande os “[...]franceses iam comerciar com os potiguares, e dali saíam também a roubar os navios que iam e vinham de Portugal, tomando-lhes não só as fazendas mas as pessoas, e vendendo-as aos gentios para que as comessem [...]“. A Capitania do Rio Grande constituiu o segundo lote doado a João de Barros e a Aires da Cunha, da foz do rio Jaguaribe a norte, até à Baía da Traição, a sul. Tendo o empreendimento de ambos sido direcionado ao primeiro lote (a Capitania do Maranhão), devido às dificuldades ali encontradas em 1535, este segundo lote permaneceu abandonado[19]. O principal porto frequentado pelos franceses na Capitania do Rio Grande era o rio Potengi, onde também se detinham navios ingleses. Naquele ancoradouro se procediam aos reparos necessários nas embarcações e obtinham-se provisões frescas (“refrescos”).

O topônimo “Refoles” (outrora “nau de Refoles”), coincidente com o trecho do Potengi onde atualmente se ergue a Base Naval de Natal, recorda a presença na região, do francês Jacques Riffault[20], corsário que pirateava pelas costas brasileiras ao tempo do rei francês Henrique, o Grande[21].

Jacques Riffault é personagem constante em nossa história. Desde 1594 estabelecera em Upaon-açu (ilha de São Luís) uma feitoria, deixando-a a cargo de seu compatriota Charles – Senhor de Des-Vaux, cavalheiro do Condado de Tomaine -, que havia conquistado a amizade dos silvícolas, e tinha inclusive o domínio da língua nativa[22] .

Capistrano de Abreu (in Salvador 2010, servindo-se de Abbeville)  [23] conta que Riffault partiu com tres navios para o Brasil em 1594[24], disposto a fazer conquistas com o auxílio de Ouirapiue, Pau Seco. Seu principal navio encalhou; dissensões e desarmonias privaram-no do outro; reduzido a um só, abaixou muitos companheiros em terra e voltou para França. Por sua vez Feliciano Coelho anuncia apenas que dera a costa um navio de Rifoles. Devia ter sido seu companheiro o língua Migan, morto na batalha de Guaxinduba depois de ter escapado quatorze vezes das mãos dos portugueses. Meireles (1982, p. 34) [25] traz que David Migan, natural de Vienne, no Delfinado, há tanto já vivia em Upaon-Açú.

Vamos encontrar Jacques Riffault na hoje Alcântara, cuja ocupação remonta a um primitivo aldeamento dos Tapuias[26], conquistado pelos Tupinambás[27] e denominado “Tapuitapera” (“casa dos Tapuias”) à época de sua chegada. Estabelecidas relações amistosas entre os dois povos[28], esta aldeia teria fornecido de trezentos a quatrocentos trabalhadores para a fortificação do nascente núcleo colonial na ilha Grande, depois ilha de São Luís, após a chegada de Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière (1612).[29]

Data de 1596 a visita de um Capitão Guérard, que armou dois navios, sendo um deles para o Maranhão – Poste (atual Camocim), – estabelecendo com regularidade as visitas à terra de corsários de Dieppe, de La Rochelle e de Saint Malo. É nesse ano que o Ministro Signeley toma como ponto de partida dos direitos da França nesta região, funcionando como uma linha regular de navegação entre Dieppe e a costa leste do Amazonas.

Entre 1603-1604 Jacques Riffault percorre o litoral do Ceará, quando o Capitão-mor Pero Coelho de Souza[30] recebeu Regimento, passado pela Coroa ibérica, que lhe determinava: “[...] descobrir por terra o porto do Jaguaribe, tolher o comércio dos estrangeiros, descobrir minas e oferecer paz aos gentios” e “fundar povoações e Fortes nos lugares ou portos que melhores lhe parecerem“.

Integravam a expedição Martim Soares Moreno, Simão Nunes e Manoel de Miranda, à frente de oitenta e seis europeus e duzentos indígenas. Em obediência ao Regimento, iniciou, na foz do rio Jaguaripe, uma fortificação em 10 de agosto de 1603, antes de prosseguir para combater os franceses de Jacques Riffault na Ibiapaba (BARRETTO, 1958, p.82-83). [31]

            Em 1604, Pero Coelho de Souza, passou pelo Camocim com rumo a Ibiapaba e as batalhas contra os nativos que apoiaram os franceses e contas o franceses estabelecidos na região entre o Camocim[32] e o Maranhão.

Henrique IV, de França, concede a René-Marie de Mont-Barrot, Carta Patente datada de 8 de maio de 1602, autorizando-o a arregimentar 400 homens e fundar uma colônia no norte do Brasil; se associa a Daniel de La Touche, transferindo-lhe a empreitada. O Senhor de la Ravardière com o navegador Jean Mocquet parte a 12 de janeiro de 1604 com dois navios, chegando as costas da Guiana (Oiapoque) a 8 de abril, retornando àquele porto a 15 de agosto.

Ante a desistência de Mont-Barrot, o monarca francês, por Carta Patente de 6 de julho de 1605 nomeia La Ravardière seu Lugar-tenente e vice-almirante nas costas do Brasil. A primeira concessão a Daniel de La Touche, data do mês de julho:

“Luis, a todos os que virem a presente. Saúde.O defunto rei Henrique, o Grande, nosso muito honrado senhor e pai [...] tendo por cartas patentes de julho de 1605 constituído e estabelecido o Sr. De Ravardiére de La Touche seu lugar-tenente na América, desde o rio do Amazonas até a ilha da Trindade [...] [33] 

Datado de 26 de julho de 1603 há um arresto do tenente do Almirantado em Dieppe relativo a mercadorias trazidas do Maranhão, ilha do Brasil, pelo Capitão Guérard[34]. Meireles (1982, p. 34) [35] traz também Du Manoir em Jeviré; Millard e Moisset, também encontrados na Ilha Grande. Os comandados de Du Manoir e Guérard chegam a quatrocentos; há esse tempo já dois religiosos da Companhia de Jesus haviam estado no Norte do Brasil.

Segundo o sócio do IHGM Antonio Noberto, é confirma a presença de franceses pelo Padre Luis Figueira, em sua Relação do Maranhão (de 1608):

“Mandamos recado a outra aldea para sabermos se nos quirião la e q’ viessem alguns a falar cõ nosco, e tãbem nos queriamos emformar dos q’ tinhão vindo do maranhão q’ la estavão principalmente acequa dos frãcesez que tinhamos por novas que estavão la de assento com duas fortalezas feitas em duas ilhas na boca do rio maranhão”. [36]

Em 1607 – ou 1609 – Carlos Des-Vaux retorna à França cansado de esperar por Riffault, e é recebido por Henrique IV. Ainda em 1609, Daniel de LaTouche e Charles Des-Vaux visitam o Maranhão.

De LaTouche certifica-se de que as informações sobre a terra eram verdadeiras e pede licença ao rei para explorá-la. Mas com o assassinato de Henrique IV, sucede-lhe ao trono Luis XIII, ainda menor, governando em seu nome Maria de Medicis[37]. É esta quem concede licença à Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiére, de formar uma companhia para explorar as “terras” de Riffault:

“[...] e havendo ele feito duas viagens às Índias para descobrir as enseadas e rios próprios para o desembarque e estabelecimento de colônias, no que seria bem sucedido, pois apenas chegou nesse país soube predispor os habitantes das ilhas do Maranhão e terra firme, os tupinambás e tabajaras, e outros, a procurarem nossa proteção e sujeitarem-se à nossa autoridade, tanto por seu generoso e prudente procedimento [...] de lhe fazer expedir nossas cartas patentes de outubro de 1610 para regressar, como Chefe, ao dito país, continuar seus progressos, como teria feito e aí demorar-se-ia dois anos e meio com os portugueses.”, em paz e 18 meses tanto em guerra como em tréguas”. [38]

De acordo com Moreira (1981) [39] essa concessão foi uma farsa dos franceses, pois na verdade eles não tinham credencial nenhuma e tanto é verdade, que Maria de Médicis, que reinava em nome de seu filho, ainda menor, Luís XIII, estava há muito tempo negociando o casamento dele com a princesa Ana d’Austria, filha de Felipe III, que era portador das coroas Espanha e Portugal. Nutria esse desejo de muito tempo e por isso, não iria autorizar um aventureiro e conhecido pirata Daniel Ravardiere, inimigo da sua religião, a invadir terras que eram da coroa portuguesa, desde a assinatura do Tratado de Tordesilhas, homologado pelo Papa Alexandre VI, há 118 anos, isto é, antes da descoberta do Brasil.

La-Ravardière, associa-se a Francois de Razilly, Senhor de Razilly e Aunelles, ajudante de ordens do Rei, gentil homem de sua câmara, aparentado com o cardeal de Richelieu; Nicolas de Harlay, Senhor de Sancy e Barão de Molle e Gros-Bois, membro do Parlamento e do Conselho do Rei; além deles conseguiu o apoio e a proteção do Senhor de Dampulho, Almirante de França e Bretanha, primo do Rei, e do abastado Auber de Claumont.

    A 24 de julho de 1612, Daniel de La Touche, Francisco de Rasilly e o Barão de Sancy largam âncora na ilha de Sant’ Ana e a 6 de agosto a esquadra entra no golfo, indo fundear frente  a Jeviré (ponta de São Francisco), onde se localizavam as feitorias de Du Manoir e do Capito Guerard. Os franceses atravessam o braço de mar, indo se fixar em um promontório onde, a 12 de agosto, uma sexta-feira, dia consagrado a Santa Clara, celebram o santo ofício da missa. A 8 de setembro, uma quarta-feira, dia consagrado à Santíssima e Imaculada Virgem Maria, é realizada a solenidade de fundação da Colonia.

Du Manoir, Riffault, dês Vaux e os piratas de Dieppe, encontravam-se fundeados no porto, confirmam a presença continuada dos exploradores de todas as procedências nas costas do Maranhão, e do Norte em geral: uma companhia holandesa presidida pelo burgomestre de Flessingue, ingleses, holandeses e espanhóis negociando com os índios o pau-brasil; armadores de Honfleur e Dieppe; o Duque de Buckigham e o conde de  Pembroke e mais 52 associados fundaram uma empresa para explorar o Brasil; espanhóis de Palos[40].

O historiador Antonio Noberto continua:

“Segundo, tanto comércio fez com bretões e normandos se estabelecessem com feitorias na Ilha Grande, e um desses lugares era a aldeia de Uçaguaba / Miganville (atual Vinhais Velho), misto de aldeia e povoação européia. Terceiro, o porto usado nessas atividades era o de Jeviré (Ponta d’Areia)”.

Para Noberto, é quase inimaginável que todo esse aparato comercial existisse sem uma forte proteção das armas. Some-se que o chefe maior de tudo isso era David Mingan, o Minguão, o “chefe dos negros” (daí o nome de Miganville), que tinha a seu dispor cerca de 20 mil índios e era “parente do governador de Dieppe”. Por fim, a localização da fortaleza está exatamente no lugar certo de proteção do Porto de Jeviré e da entrada do rio Maiove (Anil), que protegeria Miganville.

Pianzola, em sua obra “OS PAPAGAIOS AMERELOS – os franceses na conquista do Brasil (1968, p. 34)[41] apresenta decalque de mapa datado de 1627, cujo original desapareceu, feito em torno de 1615 pelo português João Teixeira Albernaz, cosmógrafo de sua Magestade[42], certamente feito a partir  daquele que LaRavardiére deu ao Sargento- Mor Diogo de Campos Moreno[43] durante a trégua de 1614. O autor chama atenção para os nomes constantes dos mapas, entre os quais muitos de origem francesa, ‘traduzidos’ para o português. Vê-se, na Grande Ilha  dentre outros, Migao-Ville, propriedade do intérprete de Dieppe, David Migan, seguramente um psudônimo, no entender de Pianzola:

“[...] No último quartel daquele século, o que era apenas um posto de comércio, sem maior raiz, tornou-se morada definitiva dos corsários gauleses, vindos de Dieppe, Saint-Malo, Havre de Grace e Rouen, que aqui deixavam seus trouchements (tradutores) que viviam simbioticamente com os tupinambá (escreve-se sem “s” mesmo). Entre estes estava David Migan, o principal líder francês desta época. Ele era o “chefe dos negros” (índios) e “parente do governador de Dieppe”. Tinha a seu dispor cerca de vinte mil guerreiros silvícolas e residia na poderosa aldeia de Uçaguaba (atual Vinhais Velho), apelidada de Miganville[...].(NOBERTO SILVA, 2011)[44].

 

Fonte: PIANZOLA, 1968, p. 34[45]

Para Noberto, é quase inimaginável que todo esse aparato comercial existisse sem uma forte proteção das armas.

“[...]Na virada do século, segundo o padre e cronista Luis Figueira, que escreveu sua penosa saga na Serra de Ibiapaba, os franceses no Maranhão contavam, inclusive, com “duas fortalezas na boca de duas grandes ilhas”. Uma destas fortificações, por certo, era o Forte do Sardinha, localizado no atual bairro Ilhinha, nos fundos do bairro Basa em São Luís. Esta, em mãos portuguesas, foi nomeada de Quartel de São Francisco, que deu nome ao bairro. Servia de proteção ao lugar, em especial, a Uçaguaba, reduto de Migan” (NOBERTO SILVA, 2011)[46].

Quando da implantação da França Equinocial esse complexo passou para mãos oficiais. Uçaguaba[47]/Miganville passou a ser chamada pelos cronistas Claude Abbeville e Yves d’Evreux de “o sítio Pineau” em razão de Louis de Pèzieux, primo do Rei, ter adotado o local como moradia[48].

 

Fonte: ANTONIO NOBERTO – correspondencia pessoal

         Vamos falar do que nos trouxe aqui: a Vila Velha de Vinhais é uma povoação esquecida. Por muitos anos, constituiu-se em uma comunidade rural; quando o Recanto Vinhais passou a ser ocupado, percebeu-se que havia uma povoação por perto, situada na periferia da cidade, e que essa povoação tinha uma história, (re)descoberta a partir do início dos anos 80. Descobriu-se sua Igrejinha, em honra a São João Batista. Com o passar desses anos, esta história vem sendo desvendada e, digo-o com orgulho, colocada em papel por mim e minha mulher, Delzuite Dantas Brito Vaz –Del, professora de História do Liceu Maranhense.

            Agora, com as ameaças de intervenções que culminaram com a construção dessa Via Expressa, o restante da população parece que se apercebeu que, ao completar 400 anos da formação do Maranhão e fundação de sua Cidade – São Luis – existia um núcleo anterior – Uçaguaba/MiganVille. Mais, habitada desde tempos imemoriais, tanto por Tapuias, conquistadas suas terras por Tupinambás, esses povos deixaram vestígios de sua passagem, alguns agora descobertos, como uma machadinha de pedra, encontrada em um sítio, por onde passará a estrada…

  A COMISSÃO DAS COMEMORAÇÕES DOS 400 ANOS DA VILA DE VINHAIS VELHO e sua IGREJA DE SÃO JOÃO BATISTA, encaminhou correspondência pleiteando a intervenção do IPHAN junto à área ocupada pela Vila Velha de Vinhais, e sua Igreja de São João Batista, patrimônio estadual tombado.

            Como já comunicado aquela Instituição através de mensagem eletrônica endereçada ao Sr. Julio Meirelles Steglich, Arqueólogo IPHAN/MA, referente à descoberta de objeto lítio no sítio acima referido, em uma residência pertencente ao Sr. Carlos, situada em frente à Igreja de São João Batista.

            Foi informado de que a residência está entre aquelas em processo de desapropriação, por onde deve passar o traçado da Via Expressa, ora em construção; que as escavações e movimento de terras para tal, já se encontra bem próximos do local onde foi encontrado o referido objeto, uma machadinha de pedra. Tem-se  informações, ainda não confirmadas, de encontrados outros objetos, o que se espera seja confirmado quando da visita de técnicos desse IPHAN, já programada, à área em questão. Desnecessário referir-se à urgência dessas providências.

 AT. JULIO MEIRELES – MATERIAL ARQUEOLÓGICO‏

 Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 Para iphan-ma@iphan.gov.br

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 Julio

Estive em visita ao Vinhais Velho, ontem à tarde. Lá tomei conhecimento, através de um dos moradores – casa de muro branco, em frente à Igreja, não recordo o nome… – de que achara no quintal de sua casa um artefato – uma machadinha de pedra – provavelmente do período pré-colonial.
Me preocupa, pois há uma construção de via – Via Expressa -, com passagem prevista pelo local em que o objeto foi encontrado, no mesmo sitio. As máquinas estão, já, aproximadamente 20/30 metros do terreno em que se localiza essa casa, caminhando nos dois sentidos, no de frente e pelos fundos, com a construção de uma ponte que chegará aos fundos.
Ali, nesse terreno, funciona uma granja, fácil de achar, pois.
Pela urgência que o caso requer, sirvo-me desse expediente, correio eletrônico, para solicitar a presença, urgente, de equipe de arqueologia, tendo por base Portaria 230/2002 do próprio IPHAN, que protege sítios arqueológicos.

Leopoldo Gil Dulcio Vaz
Professor de Educação Física
Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão
vazleopoldo@hotmail.com
98 3226 2076  98 8119 1322
Rua Titânia, 88 – Recanto Vinhais

MACHADINHO

25/01/2012 – Responder  ▼

 Julio Meirelles Steglich

 Para vazleopoldo@hotmail.com

 Prof. Vaz!

 Antes de tudo, gostaria de parabenizá-lo pela atitude em favor do patrimônio arqueológico da região. Essa instituição somos todos nós.

Estamos monitorando as obras referidas a risca e um projeto de resgate arqueológico está sendo autorizado na área, a fim de mitigar impactos.

Segundo a lei 3924/61, que protege os sítios arqueológicos pré-históricos, a sua iniciativa se enquadra no artigo 18º, achado fortuito e vossa senhoria passa a ser considerado fiel depositário do achado. Portanto, até que o IPHAN/MA se pronuncie o senhor está responsabilizado por ele e não pode repassar a guarda a outros.

Estou a informar a nossa superintendente sobre o fato e propor:

* nova vistoria arqueológica;

* uma atividade de educação patrimonial junto aos seus alunos e outros interessados.

Seria necessário encontrá-lo no local. Isto é possível?

 Atenciosamente, Julio MEirelles STeglich – Arqueólogo IPHAN/MA 1538255

 RE: MACHADINHO

25/01/2012

 Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 Para steglich.3sr@iphan.gov.br

 Julio, no momento estou em Imperatriz, devendo retornar amanhã, quinta, a São Luis. Podemos nos encontrar na sexta, se for conveniente.
O objeto em questão está em poder dos proprietários do terreno, onde foi encontrado. Foi orientado a procurar o IPHAN, com o mesmo, para fazer o registro do achado e pedir as providências necessárias.
Seria interessante, neste momento, uma reunião; melhor, lembrando, hoje à noite, às 19 horas, haverá uma reunião na residência em que foi encontrado o objeto – muro branco, em frente à Igreja de São João Batista, no Vinhas Velho. Participarão os moradores envolvidos, das duas residências com quintal comum, por onde está o traçado da Via Expressa, onde foi encontrado o machado; Comissão dos 400 anos da Vila de Vinhais e outras pessoas da comunidade. Seria interessante se pudesse estar nessa reunião, para prestar esclarecimentos sobre os procedimentos e, ao mesmo tempo, verificar o estado e a provável idade/uso do machado de pedra…
Desculpe só avisá-lo dessa reunião, mas apenas agora recebi sua mensagem eletrônica; mas aqui, em Imperatriz, os meios de comunicação estão com alguns problemas, sendo que a telefonia celular, por exemplo, ficou ontem o dia todo fora do ar, só retornando nesta manhã; parece-me que rompimento de cabo de fibra ótica…
  Leopoldo

 From: steglich.3sr@iphan.gov.br
To: vazleopoldo@hotmail.com
Subject: machadinho
Date: Wed, 25 Jan 2012 20:12:09 +0000

Prof. Vaz!
 Certo!
Nesse caso, terei que executar atividade de vistoria para proceder com a fiscalização e recolhimento do machadinho.
Eu gostaria muito de participar da reunião, mas não posso fazê-lo sem despacho dos meus superiores. Assim, é necessário que haja requerimento por parte do presidente da associação dos moradores a superintendente Kátia Santos Bogea.
 Atenciosamente, Julio Meirelles STeglich – arqueólogo – IPHAN/MA 1538255

FW: MACHADINHO‏

 Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Para steglich.3sr@iphan.gov.br

Julio, já estou em São Luis, cheguei agora, às 18 horas. Estou a tua disposição.
Quanto à idéia de fazer palestras sobre a atividade arqueológica, e os procedimentos para quem achar algum material, especialmente neste momento em que toda área esta sendo revolvida, acho de importância fundamental. E urgente!!!
A Comissão dos 400 anos está à disposição, para articular juntos aos demais componentes e moradores, quando e quantas vezes forem necessárias.
Estou encaminhando aos outros membros e interessados…
Inclusive, coloco o IHGM à disposição, para ações conjuntas, para reforçar a importância desse evento.
Leopoldo

 EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

12:41 – Responder  ▼

 Julio Meirelles Steglich

Para Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Prof. Vaz!

 Ótimo!

Assim, reitero sugestão de que seja encaminhada a superintendente Kátia SAntos Bogéa propostas, idéias de como podemos construir todos juntos essas atividades.

É necessário que parta de vocês a fim de que eu possa dispor de apoio logístico adequado dessa instituição.

Por exemplo: ontem agendei uma vistoria à área [...].

 Atenciosamente

 Julio Meirelles STeglich –  arqueólogo IPHAN/MA 1538255

 


[1] Os tremembés são um grupo étnico indígena que habita os limites do município brasileiro de Itarema, no litoral do estado do Ceará, mais precisamente na Área Indígena Tremembé de Almofala (Itarema), Terras Indígenas São José e Buriti (Itapipoca), Córrego do João Pereira (Itarema e Acaraú) e Tremembé de Queimadas (Acaraú). Originalmente nômades que viviam num território que estendia-se nas praias entre Fortaleza e São Luís do Maranhão. Foram aldeados pelos Jesuítas no século XVII nas missões de Tutoya (Tutóia-Maranhão), Aldeia do Cajueiro (Almofala) e Soure (Caucaia). Foram declarados como não existentes pelo então governador da Província do Ceará (José Bento da Cunha Figueiredo Júnior), após decreto de 1863. Antes disto, em 1854, os índios perderam o direito da terra pela regulamentação da Lei da Terra. Estes ressurgem no cenário cearense nas décadas de 1980 e 1990, quando são reconhecidos pela FUNAI. http://pt.wikipedia.org/wiki/Trememb%C3%A9s

[2]Insula Septem Civitatum“, que significaria Ilha das Sete Tribos ou Ilha dos Sete Povos, mas acabou fixada nas línguas modernas em Ilha das Sete Cidades http://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_Cidades_(lenda)

[3] PAOLO DAL POZZO TOSCANELLI (Florença, 1397Florença, 10 de Maio de 1482) foi um matemático, astrónomo e geógrafo italiano. Terá influenciado Cristóvão Colombo na formação do seu projecto de atingir o Extremo Oriente viajando para ocidente a partir da costa atlântica europeia. http://pt.wikipedia.org/wiki/Paolo_del_Pozzo_Toscanelli

[4] DIEGO RIBERO, também conhecido como Diego de Ribero, Diego (de) Rivero, Diego Ribeiro ou Diogo Ribeiro (? -16 Agosto 1533), foi um cartógrafo e explorador de origem portuguesa que trabalhou desde 1518 ao serviço da coroa espanhola. Diego Ribero trabalhou nos mapas oficiais espanhois do Padrón Real (ou Padron Geral) entre 1518-1532. Também produziu instrumentos de navegação, incluindo astrolábios e quadrantes.

[5] (LIMA, Carlos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLÔNIA. São Luís: GEIA, 2006, p. 153;

MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982)

[6] LIMA, Carlos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLÔNIA. São Luís: GEIA, 2006, p. 153

[7] MARTIM AFONSO DE SOUSA (Vila Viçosa, c.1490/1500Lisboa, 21 de julho de 1571) foi um nobre e militar português. Jaz em São Francisco de Lisboa. Como Tomé de Sousa, descendia por linha bastarda do rei Afonso III de Portugal. Senhor de Prado e de Alcoentre, ainda parente do conde de Castanheira, D. António de Ataíde, tão influente sobre o rei D. João III de Portugal, Martim de Sousa foi Senhor de Prado, e Alcaide-mor de Bragança e mais tarde Governador da Índia e do Estado do Brasil. Serviu algum tempo ao Duque de Bragança D. Teodósio I[1] mas «como era de um espírito elevado e queria esfera onde se dilatasse em coisas grandes, largou a Alcaidaria mor de Bragança e outras mercês que tinha do Duque, para servir ao Príncipe D. João, filho do rei D. Manuel. Depois foi a Castela e esteve algum tempo em Salamanca; e voltando a Portugal, D. João III, que já então reinava, o recebeu com muita estimação e honra porque Martim Afonso de Sousa foi um fidalgo em quem concorreram muitas partes, porque era valeroso, dotado de entendimento e talento grande». Acompanhou a rainha viúva D. Leonor a Castela. Iniciou sua carreira de homem de mar e guerra ao serviço de Portugal em 1531 na armada que o rei determinou mandar ao Brasil, nomeado desde fins 1530 em razão dos seguintes fatores: por ser primo-irmão de D. Antônio de Ataíde, membro do Conselho Real, e ter forte influência junto ao Rei. Estudou Matemática, Cosmografia e Navegação. http://pt.wikipedia.org/wiki/Martim_Afonso_de_Sousa

[8] DIOGO LEITE, Foi un navegador português do século XVI. Durante o período compreendido entre os anos de 1526 a 1529, comandou uma caravela da armada de Cristóvão Jacques, que tinha por finalidade impedir o comércio dos franceses, nas costas do Brasil. Entre 1530 e 1532, comandou também uma caravela da armada de Martim Afonso de Sousa com a finalidade de explorar a costa brasileira. Mais tarde teve sob o seu comando duas caravelas que conseguiram chegar ao rio Gurupi, no Maranhão.

MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982

[9] LIMA, Carlos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLÔNIA. São Luís: GEIA, 2006, p. 153

[10] D. JOÃO III DE PORTUGAL (Lisboa, 6 de Junho de 1502Lisboa, 11 de Junho de 1557) foi o décimo quinto Rei de Portugal, cognominado O Piedoso ou O Pio pela sua devoção religiosa. Filho do rei Manuel I de Portugal, sucedeu-o em 1521, aos 19 anos. Herdou um império vastíssimo e disperso, nas ilhas atlânticas, costas ocidental e oriental de África, Índia, Malásia, Ilhas do Pacífico, China e Brasil. Continuou a política centralizadora do seu pai. Para fazer face à pirataria iniciou a colonização efectiva do Brasil, que dividiu em capitanias hereditárias, estabelecendo o governo central em 1548. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_III_de_Portugal

[11]  “FERNÃO ÁLVARES DE ANDRADE – No ano de 1535 o Rei D. João III concedeu para Fernão Álvares de Andrade, o mais poderoso e importante dos agraciados com terras no Brasil que era fidalgo descendente dos Condes de Andrade, Tesoureiro Mor de Portugal e membro atuante do Conselho Real e o principal conselheiro do rei -http://www.caestamosnos.org/viagem/SLuis03.htm

[12] JOÃO DE BARROS que era Feitor da Casa da Índia, Tesoureiro das Casas das Índias e de Ceuta.

[13] AIRES DA CUNHA navegador e militar experiente afeito às agruras da vida no mar e `a conquista em terras estrangeiras.

[15] RIBEIRO, Carlos Leite (Ed.). “A Travessia do Atlântico” – Do Livro de Bordo A Caminho de São Luís. Disponível em http://www.caestamosnos.org/viagem/SLuis03.htm  

[16] RIBEIRO, Carlos Leite (Ed.). “A Travessia do Atlântico” – Do Livro de Bordo A Caminho de São Luís. Disponível em http://www.caestamosnos.org/viagem/SLuis03.htm  

[17] Tutoia é um município brasileiro do estado do Maranhão. Sua população estimada em 2010 pelo IBGE foi de 52.711 habitantes. Localizada na microregião do Baixo Parnaíba, composta por praias, mangues, dunas, lagos e rios. “Tutoia e Seu Folclore” aponta o termo como procedente do meio indígena, onde, na linguagem Tremembé,onde era situado o povo tremembé, Tutoia quer dizer “lençol de areia”, “grande extensão de dunas”, que caracteriza efetivamente a topografia da costa litorânea de Tutoia. Hipótese esta bem mais aceitável do que a primeira. Circula por entre as opiniões populares, outra versão, pela qual o nome Tutoia provém do tupi guarani e siginifica “água boa”. Porém, a que é mais aceita pela maioria, encontra mais respaldo, é mais lógica e justificada, admite que “Tutoia” é uma corruptela de “Totoi” que, em linguagem indígena quer dizer: “que beleza!”, “que encanto. http://pt.wikipedia.org/wiki/Tut%C3%B3ia

[18] SALVADOR, Frei Vicente do. HISTÓRIA DO BRASIL. Edição revista por Capistrano de Abreu. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2010.

[20] http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%B5es_francesas_do_Brasil

[21] Fundador da Dinastia Bourbon. Em 1572, tornou-se rei de Navarra. Sua família era uma das mais importantes do país. Seu principal momento na vida política foi a assinatura do Edito de Nantes (1598), documento que dava liberdade religiosa para católicos e protestantes. Foi um rei que mereceu o título de restaurador e libertador do Estado. Morre em 1610, assassinado por um fanático religioso. http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_Moderna#Henrique_IV.2C_o_Grande

[23] SALVADOR, Frei Vicente do. HISTÓRIA DO BRASIL. Brasília: Senado Federal, 2010, p. 254

[24] Wehling e Wehling (1994) afirmem que sua chegada teria ocorrido em 1584. WEHLING, Arno; WEHLING, Maria José C. de. FORMAÇÃO DO BRASIL COLONIAL. Rio de Janeiro: Nova Fonteira, 1994, p. 75

[25] MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982

[26] Tapuia é um termo histórico utilizado ao longo dos séculos no Brasil para designar uma classe de povos indígenas. Originalmente dividia-se os índios brasileiros em dois grandes grupos, um sendo os tupi-guaranis (tupinambás) e outro denominado por tapuias que habitavam regiões mais interiores. Na época atual geralmente associa-se o termo ao tronco linguístico Macro-jê. http://pt.wikipedia.org/wiki/Tapuias 

[27] O termo tupinambá provavelmente significa o mais antigo ou o primeiro e se refere a uma grande nação de índios, da qual faziam parte, dentre outros, os tamoios, os temiminós, os tupiniquins, os potiguaras, os tabajaras, os caetés, os amoipiras, os tupinás (tupinaê), os aricobés etc. Os tupinambás, como nação, dominavam quase todo o litoral brasileiro e possuíam uma língua comum, que teve sua gramática organizada pelos jesuítas e que passou a ser conhecida como o tupi antigo, constituindo-se na língua raiz da língua geral paulista e do nheengatu. Entretanto, normalmente, quando se fala em tupinambás, está-se a referir às tribos que fizeram parte da Confederação dos Tamoios, cujo objetivo era lutar contra os portugueses, conhecidos pelos tupinambás como peró.

[28] D´ABBEVILLE, Claude. HISTÓRIA DA MISSÃO DOS PADRES CAPUCHINHOS NA ILHA DO MARANHÃO E TERRAS CIRCUNVIZINHAS. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: USP, 1975.

[30] Pero Coelho de Sousa foi um explorador português, oriundo dos Açores, primeiro representante da Coroa a desbravar os territórios da capitania do Ceará no início do século XVII. Em 1603, requereu e obteve da Corte Portuguesa por intermédio de Diogo Botelho, oitavo Governador-geral do Brasil, o título de Capitão-mor para desbravar, colonizar e impedir o comércio dos nativos com os estrangeiros que a anos atuavam na capitania do “Siará Grande”. Após uma série de lutas, conquistou a região da Ibiapaba vencendo os franceses e indígenas. Depois dessa vitória ele tentou entrar mais na região na direção do Maranhão, mas devido à rebelião de seus homens, retornou à barra do rio Ceará onde ergueu o Fortim de São Tiago da Nova Lisboa. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pero_Coelho_de_Souza

[31] BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958.

[32] As Fortificações do Camocim localizavam-se na margem esquerda da foz do rio Coreaú, atual Barreiras (município de Camocim). Barreto (1958) informa que uma fortificação neste ancoradouro já havia sido cogitada em 1613 por Jerônimo de Albuquerque Maranhão (1548-1618), no contexto da conquista da Capitania do Maranhão aos franceses, optando por se estabelecer, entretanto, em Jericoacoara (p. 92). http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Corea%C3%BA; http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortifica%C3%A7%C3%B5es_do_Camocim  BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958

[33] LIMA, Calos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLONIA. São Luis: Geia, 2006, p. 170-171, nota de pé-de-página;

MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982

[34] (MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982)

[35] MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982

[36] conforme Antônio Noberto original deste documento está nos arquivos da Ordem de Jesus Claudio Aquaviva, Maison d’Etudes, Exaten, Baaksen, Limburgo Hollandez. Estas informações estão no trabalho do Barão de Studart Documentos para a história do Brasil especialmente a do Ceará – 1608 a 1625, publicado em Fortaleza em 1904.

[37] Filho de Henrique IV, tinha apenas oito anos de idade quando o pai morreu. A nobreza pensou em assumir o trono mas a rainha mãe Maria de Médicis assumiu a regência em nome do filho até que ele completasse a maioridade. No ano de 1624 foi nomeado o cardeal Richelieu como primeiro-ministro com o apoio da rainha mãe Maria de Médicis. http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_Moderna#Henrique_IV.2C_o_Grande

[38] LIMA, Calos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLONIA. São Luis: Geia, 2006, p. 170-171, nota de pé-de-página;

MEIRELES, Mário Martins. FRANÇA EQUINOCIAL. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Luis: Secretaria de Cultura do Maranhão, 1982

[39] MOREIRA, José. Fundação Da Cidade De São Luís. In Jornal o Estado do Maranhão, 1981, p. 6

[40] LIMA, Calos de. HISTÓRIA DO MARANHÃO – A COLONIA. São Luis: Geia, 2006, p. 174.

[41] PIANZOLA, Maurice. OS PAPAGAIOS AMERELOS – os franceses na conquista do Brasil. São Luis: SECMA; Rio de janeiro: Alhambra, 1968

[42] João Teixeira Albernaz, também referido como João Teixeira Albernaz I ou João Teixeira Albernaz, o Velho (Lisboa, último quartel do século XVI — c. 1662), para distingui-lo do seu neto homónimo, foi o mais prolífico cartógrafo português do século XVII. A sua produção inclui dezanove atlas, num total de duzentas e quinze cartas. Destaca-se pela variedade de temas, que registam o progresso das explorações marítimas e terrestres, em particular no que respeita ao Brasil. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Teixeira_Albernaz,_o_velho

[43] Diogo de Campos Moreno (Tânger? 1566? – 1617?) foi um militar português. Após ter combatido na Flandres, seguiu para o Brasil em 1602, com o posto de Sargento-mor, junto com Diogo Botelho. No Maranhão juntou-se a Jerônimo de Albuquerque Maranhão e a Alexandre de Moura na luta contra os franceses e seus aliados indígenas, estabelecidos na chamada França Equinocial, conseguindo a vitória em 1615. Com base nas suas experiências no Brasil redigiu o “Livro que Dá Razão ao Estado do Brasil” (1612) e a “Jornada do Maranhão” (1614), obras que não assinou. Nesta última, Moreno relata a conquista do território, embora tenha enaltecido os seus próprios feitos. Foi tio de Martim Soares Moreno. http://pt.wikipedia.org/wiki/Diogo_de_Campos_Moreno

[44] SILVA, Antonio Noberto. In Blog de Antonio Noberto O Maranhão francês sempre foi forte e líder. http://antonio.noberto.zip.net/, publicado em 03/11/2011

Evandro Junior, in Jornal O Estado do Maranhão, 18.12.11:  Saint Louis Capitale de La France Equinoxiale, disponível em http://maranhaomaravilha.blogspot.com/2011/12/saint-louis-capitale-de-la-france.html   

[45] PIANZOLA, Maurice. OS PAPAGAIOS AMERELOS – os franceses na conquista do Brasil. São Luis: SECMA; Rio de janeiro: Alhambra, 1968

[46] SILVA, Antonio Noberto. In Blog de Antonio Noberto O Maranhão francês sempre foi forte e líder. http://antonio.noberto.zip.net/, publicado em 03/11/2011

[47] Capistrano de Abreu esclarece que: “EUSSAUAP – nom do lieu, c’est à dire le lieu ori on mange les Crabes. – Bettendorf leu em Laet Onça ou Cap, que supôs Onçaquaba ou Oçaguapi; mas tanto na ediço francesa, como na latina daquele autor, o que se lê, é EUSS-OUAP. Na história da Companhia de Jesus na extinta Província do Maranhão e Pará, do Padre  José de Morais, está Uçagoaba,   que com melhor ortografia é Uçaguaba composto de uça, nome genérico do caranguejo, e guaba, participio de u comer: o que, ou onde se come caraguejos, conforme com a definição do texto …”. (ABBEVILLE, Claude d’. HIASTÓRIA DA MISSÃO DOS PADRES CAPUCHINHOS NA ILHA DO MARANHÃO E TERRAS CIRCUNVIZINHAS. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: USP, 1975, p.107).

PROPOSTA DE UMA POLÍTICA DE LAZER PARA O SESI-DR/MA

dom, 29/01/12
por leopoldovaz |

Este artigo está publicado na Revista Lecturas: Educacion Fisica y Deportes, na Argentina… http://www.efdeportes.com/efd51/lazer.htm

PROPOSTA DE UMA POLÍTICA DE LAZER  PARA O SESI-DR/MA

 LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ – Mestre em Ciência da Informação/ CEFET-MA – Consultor

MARIAGORETTI LINDOSO SOARES Assessora de Planejamento – SESI-DR/MA

JOSÉ RIBAMAR VIANA FILHO – Coordenador do Núcleo Operacional – SESICLUBE Araçagy

FRANCISCA MARTINS MORAES – Coordenadora do Núcleo Admibnistrativo – SESICLUBE Araçagy

TATIANA CHAVES FIGUEIREDO – ROBERTO MAURO ROSA RODRIGUES – FRANCISCO JOSÉ MEIRA DE SOUSA – JOSÉ MARANHÃO DINIZ – IVALDO SALVADOR MACHADO – Instrutores de Lazer do SESICLUBE Araçagy

ROSÂNGELA ALVES COSTA, MIRIAM TAVARES SILVA – Assistentes Social do SESI-DR/MA

RITA SAMARA MORAIS REGO Coordenadoria de Relações com o Mercado – SESI-DR/MA

ZILMAR SOARES CORRÊA Instrutor de Lazer – CAT Imperatriz – SESI-DR/MA

 INTRODUÇÃO

Uma política de lazer designa um conjunto de princípios e escolhas que definem o que seria desejável, com orientação de seus modos de geração, uso e absorção de informações e tecnologias através de diferentes procedimentos de promoção, regulação, coordenação e articulação, em interação com aquelas condições resultantes das políticas, práticas e contextos. Aqui, são aqueles expressos no Planejamento Estratégico do SESI[2].

A filosofia de trabalho[3] “conjuga o fortalecimento da industria com o crescimento das condições de vida de seus funcionários, reafirmando o princípio de que empresas saudáveis e produtivas pressupõem funcionários saudáveis e felizes”.

Daí que a Política de Lazer para o SESI-DR/MA estabelece como prioridades os Programas “GINÁSTICA/LAZER NA EMPRESA”, buscando ampliar a oferta destes serviços, além daqueles que serão oferecidos no SESICLUBE ARAÇAGY, através de Programas Complementares de Lazeres FÍSICO-ESPORTIVOS, SOCIAL, e AÇÕES CULTURAIS e ARTÍSTICAS, buscando a otimização do uso da capacidade instalada (SESICLUBE) e a auto sustentabilidade.

Esta Proposta é o resultado de uma construção coletiva que envolveu Profissionais de Educação Física, de Serviço Social, de Planejamento, e de Comunicação e Marketing do SESI-DR/MA. Suas opiniões e proposições foram obtidas por meio de sessões de estudo sobre Lazer e o negócio lazer, ocorridas nos meses de janeiro a março de 2002.

Objetivo: “AMPLIAR E DINAMIZAR SUBSTANCIALMENTE AS AÇÕES DE LAZER NA EMPRESA OU PARA A EMPRESA, CRIANDO MECANISMOS INOVADORES PARA O AUMENTO DA PRODUTIVIDADE E A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DO TRABALHADOR” (Plano Estratégico 2000-2004, p. 43).

Concepção de Lazer:          Direito de Cidadania

Princípios norteadores:       livre escolha; participação espontânea;     incentivo à criatividade;  ocupação prazerosa  do Tempo Livre.

Prioridades na área de negócio Lazer para o SESI-DR-MA [4]:

ü      PROGRAMA GINÁSTICA NA EMPRESA – Orientação Estratégica: ampliar oferta destes serviços com foco na empresa industrial; implementar estratégias de sensibilização junto aos empresários;  implantar plano de marketing;

ü      PROGRAMAS COMPLEMENTARES – LAZER FÍSICO-ESPORTIVO; LAZER SOCIAL; AÇÕES CULTURAIS – Orientação Estratégica: otimizar o uso de capacidade instalada; Firmar parcerias com ONG’s, Governo Federal e empresas; Fortalecer canal de comunicação/divulgação nas  empresas; Consolidar a auto sustentabilidade.

A atuação do Serviço Social da Indústria (SESI) junto ao trabalhador da indústria e de sua família está voltada para áreas em que sempre foi insuficiente a oferta de serviços: educação básica, alimentação, saúde e lazer. O SESI conta hoje com 2.011 unidades de atendimento, espalhadas por todo o território nacional, que levam à sua clientela educação básica e complementar, ações medico-odontológicas, assistência alimentar, atividades de lazer, esporte e cultura e muitos outros benefícios sociais.

DIRETORIA REGIONAL DO MARANHÃO

Em sua estrutura organizacional, a área de Lazer e Cultura tem como objetivos[5]:

-         Oferecer alternativas de lazer aos clientes, preferencialmente em seu local de trabalho, visando à superação do desgaste físico e mental e ao aumento da produtividade;

-         Oferecer atividades de formação físico-esportiva, visando ao alcance do condicionamento físico do trabalhador e seus dependentes, de  forma adequada e permanente;

-         Desenvolver ações para a preservação e divulgação de valores culturais, estimulando a participação ativa do trabalhador no lazer cultural;

-         Promover ações de educação para o lazer que estimulem a ampla participação da clientela;

-         Buscar a utilização de formas alternativas de lazer que venham ao encontro das necessidades da clientela, tanto na empresa quanto nos locais onde haja grande concentração de trabalhadores da indústria.

Com esses objetivos, busca-se como resultados:

  • trabalhadores com preparo físico e equilíbrio mental;
  • redução dos índices de stress e de acidentes no trabalho, e
  • conseqüente aumento da produtividade;
  • crianças e jovens motivados, capacitados e treinados para o esporte.

Quanto aos produtos e serviços oferecidos:

  • cursos e atividades de formação físico-esportiva;
  • atividades e eventos culturais;
  • atividades de lazer social;
  • projetos para grupos da terceira idade;
  • projeto Ginástica nas Empresas; e
    • assessoria técnica de lazer às empresas.

O Núcleo de Lazer do SESI-DR/MA está subordinado à Coordenadoria de Desenvolvimento Sócio-Cultural, que tem como finalidade: Promover e sustentar o desenvolvimento das ações sociais no campo do lazer, voltadas para as áreas físico-esportiva, social e artística, visando a melhoria da qualidade de vida do trabalhador da indústria e alinhados com os referencias estratégicos do SESI do Maranhão.

A GEDSC tem como atribuições:

  • Identificar oportunidades de negócios acompanhando as tendências de desenvolvimento sócio-cultural, em estreita articulação com os sistemas formais de assistência social em nível nacional.
  • Articular no Sistema FIEMA o desenvolvimento integrado de projetos e produtos de lazer em todos os níveis e modalidades voltados para as empresas, clientes e associados.
  • Coordenar o desenvolvimento das ações de lazer e subsidiar a elaboração, o acompanhamento e a avaliação dos planos, programas e projetos desta área das  Unidades Operacionais instaladas no Estado do Maranhão.
  • Promover em permanente sintonia o alinhamento de projetos e processos da área de lazer com as prioridades estratégicas do SESI do Maranhão.
  • Coordenar ações de cooperação e assistência junto a órgãos e entidades de classe na área de lazer.
  • Responder pelos resultados e eficácia dos processos e projetos no campo do lazer das Unidades Operacionais.
  • Assegurar a qualidade do conhecimento fornecidos pelos projetos e processos de desenvolvimento sócio-culturais.
  • Orientar a capacitação e promover a alocação de Recursos Humanos necessários ao desenvolvimento de processos e projetos no campo do Lazer.
  • Administrar o acervo em seus diferentes suportes das Unidades Operacionais.

Já o CESLA tem como finalidade “Gerir e disponibilizar os conhecimentos relativos às áreas esportiva e de lazer, necessários ao desenvolvimento dos projetos e processos”, tendo como atribuições

  • Assegurar a qualidade do conhecimento fornecido aos processos e projetos.
  • Orientar a capacitação dos recursos humanos necessários ao desenvolvimento dos processos e projetos, em assuntos relacionados com a área da cultura, do esporte e do lazer.
  • Prover a alocação de recursos humanos necessários ao desenvolvimento dos processos e projetos da área de atuação.
  • Acompanhar e avaliar tendências quanto à atualização tecnológica para atendimento aos clientes e associados em estreita articulação com as Unidades Operacionais nos campos cultural e esportivo
  • Prestar assessoria em assuntos relacionados com a área cultural, esportiva e do lazer no desenvolvimento de projetos pelas empresas e associados.
  • Colaborar com a coordenação das ações de desenvolvimento e preparação de pessoas para atuarem na área de lazer  do Sistema FIEMA, das empresas contribuintes, dos clientes e associados.
  • Administrar o acervo em seus diferentes suportes, centralizando sua aquisição.

O SESICLUBE ARAÇAGY, dentro na nova estrutura, possui os Núcleos de:

-         Apoio Administrativo, contando com um quadro de 13 (treze) funcionários:

-         Operacional: onde estão lotados cinco Profissionais de Educação Física, Esportes e Lazer:

O Centro de Atividades do Araçagy  – SESICLUBE, conta com uma estrutura moderna e ampla, na área operacional, composta por:

-         uma piscina semi-olímpica, com cinco raias;

-         uma piscina  de aprendizagem, medindo 8 x 3,50m;

-         dois campos de futebol – tamanho oficial;

-         duas quadra de basquetebol, descoberta, piso em cimento;

-         uma quadra de voleibol, descoberta, piso em cimento;

-         um salão de jogos de salão, com equipamento para bilhar (duas mesas) e tênis de mesa (duas mesas);

-         um Ginásio Poliesportivo, marcado para a prática de Futsal e Voleibol, mas com espaço para Handebol (20 x 40) e Basquetebol; com Vestiários (dois), com sauna; banheiro (dois); arquibancada com três lances, nos dois lados da quadra; dois salões, para alojamento, com capacidade para 20/30 pessoas cada; palco, com coxia.

CONCEPÇÃO DE LAZER PARA O SESI-DR/MARANHÃO

O lazer tomou a dimensão de hoje após a Revolução Industrial, quando então a jornada de trabalho começou a diminuir paulatinamente, muito embora os fundamentos históricos do Lazer sejam anteriores à sociedade industrial, porque sempre existiu o trabalho e o não-trabalho em qualquer sociedade ([6]).  

A conquista de oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas de lazer marcou o início da humanização do trabalho e transformou a recreação e o lazer como uma conquista social. Com o reconhecimento das horas livres entre uma jornada e outra do trabalho, dos repousos semanais remunerados, das férias anuais e da cessação da vida de trabalho (aposentadoria) gerou-se, então, tempo de lazer compulsório ([7]).

O problema da relação entre trabalho e lazer é questão que vem suscitando paixões, sejam em relação à sociologia do trabalho, seja em relação à sociologia do lazer ([8]). Aristóteles já afirmava que “el tiempo libre no es el final del trabajo; és el trabajo el que limita el tiempo libre. Este debe consagra-se al arte, a la ciência y, preferentemente, a la filosofia” ([9]).

A palavra grega para indicar o tempo livre é significativa: “… e perturba a relação que nos é familiar entre o termo e o sentido que se lhe atribui correntemente. Scholé – traduz o dicionário – significa tempo livre, parada, descanso, ócio, falta de trabalho, pausa, ocupação das horas que se tornam livres do trabalho e dos negócios, estudo, conversação e acaba por significar ‘o lugar onde se utiliza este tempo livre’, a scholé precisamente, a escola, que hoje se interpreta somente como o lugar na qual o tempo livre é utilizado para ensinar e aprender”. ([10]).

Para Aristóteles, a diversão parece um descanso, já que os homens, não podendo trabalhar continuamente, têm necessidade de descansar ([11]). TOLKMITT (1985) considera que as dificuldades decorrentes da industrialização e da formação de concentrações urbanas, além do esvaziamento da zona rural, gerando imensos problemas, servem de incentivo para a formação de grupos, que se preocupam com o aproveitamento adequado das horas livres para a atividade de lazer. Afirma ainda que a orientação das atividades nas horas livres tem por objetivo “alterar (ou compensar) as condições de vida … (física, psíquica e emocional) advindas das facilidades e dificuldades com que o indivíduo se ocupa durante as horas de trabalho” (p. 4) ([12]).

Aparece claro, então, que a satisfação do indivíduo durante o trabalho profissional reverte-se de novas características. Horas livres entre uma e outra jornada de trabalho, repouso semanal e férias anuais não são suficientes para o restabelecimento completo do organismo.

Supondo-se que o processo do trabalho foi abordado numa correspondente base fisiológica, a um dado momento aparece a fadiga: “A forma mais eficaz e concreta de combater a fadiga que aparece em conseqüência do trabalho, ou outras manifestações patológicas que possam aparecer, como resultado da acumulação, no tempo, da fadiga residual ou da não correção imediata de certos fatores não fisiológicos de microclima durante o trabalho profissional  é a recuperação, o recondicionamento ou o equilíbrio biológico” ([13]).

Jean-Marie Brohn, numa análise das atividades físicas de lazer na civilização industrial, diz que há pelo menos duas razões fundamentais que justificam as atividades físicas de lazer como necessidade para o sistema ([14]).  Cavalcanti apresenta, então, dois pontos de vista, segundo o pensamento de Brohn: um, econômico, que vê as atividades de lazer como uma exigência da sociedade capitalista, ressaltando os aspectos de compensação e de reajustamento; o outro, político, visto sob o ponto de vista de “fuga da realidade”, quando o sistema promove atividades físicas, destacando que as atividades de tempo livre, na realidade, constituem a melhor maneira de neutralizar intelectualmente as massas.    

MOREIRA (1985) ([15]) ainda analisando esse aspecto político das atividades de lazer, no pensamento de Brohn, afirma que o tempo livre ocupado dessa forma leva a uma despolitização da juventude e das massas cumprindo, pois, as técnicas esportivas de lazer sua função de neutralizar intelectualmente o indivíduo: “Considerar tempo para o lazer um tempo ‘socialmente’ permitido após o cumprimento de todas as obrigações do indivíduo para com a sociedade é não levar  em consideração que a maioria das atividades sociais do indivíduo, principalmente as de ordem profissional, são deficitárias no que diz respeito à saúde – ‘bem-estar total, físico e social’. Se o sistema usufrui da força de trabalho do indivíduo por que então não se responsabiliza diretamente por essa recuperação ? ” ([16]).

É ainda MOREIRA (1985) quem pergunta como fugir a um lazer, pela atividade física, que contém, em seus pressupostos básicos os de compensação e reajustamento do trabalho mecanizado ou de fuga da realidade? Analisando o conceito de lazer emitido por DUMAZEDIER, afirma que “… na prática está presente a permissividade ao indivíduo, do lazer enquanto recuperação psicossomática, essencial à saúde do sistema capitalista. O tempo livre é utilizado pelo lazer como forma de compensação, ou melhor dizendo, como mecanismo de compensação criado pela sociedade industrial” ([17]).

As atividades físicas de tempo livre funcionariam, então, como antídoto contra o tédio causado por um trabalho monótono e enfadonho, havendo necessidade de orientar o jovem para organizar sua vida de forma equilibrada e racionalizada de modo que a recuperação após o trabalho constitua uma preocupação constante no regime de vida cotidiana. “A atividade física de compensação tem por objetivo geral suscitar, desenvolver e aprimorar as qualidades físicas do industriário, estimular o funcionamento de seus órgãos e, como objetivo especial, desenvolver excepcionalmente certas qualidades, que a natureza da profissão escolhida exige para um rendimento de trabalho maior e, ainda, dar ao organismo uma compensação de modo tal que as sinergias musculares, muito solicitadas durante o trabalho, possam obter para os seus músculos o relaxamento adequado, enquanto outras, cuja solicitação foi quase nula, sejam convenientemente solicitadas, de maneira a evitar a atrofia dos elementos componentes e, em conseqüência, a redução de sua capacidade” ([18]).

DRAGAN (1981) analisando o repouso ativo comenta que “o chamado repouso activo (actividades físicas cujas solicitações se dirigem a outros centros nervosos e a outros segmentos musculares ou funções … a ginástica no local de trabalho, ou exercícios de yoga, etc … representam hoje meios práticos bem codificados na recuperação, especialmente na prática desportiva” ([19]).

Algumas empresas, considerando esta dificuldade, vem desenvolvendo programas de lazer, envolvendo atividades esportivas e sócio-culturais onde buscam atender às necessidades de todas as faixas etárias, envolvendo não só o trabalhador como sua família, promovendo o lazer com objetivos sociais e de integração dessa comunidade ([20]).

Assim, as atividades físicas podem ocupar um papel importante no tempo livre do trabalhador, pois o comportamento humano varia consoante as múltiplas razões pelas quais os indivíduos realizam uma atividade, não existindo entre o jogo e o trabalho uma fronteira absoluta ([21]).

A falta de habilitação apropriada para a utilização do lazer é lembrada por Robert MacIver ([22], 1976), quando diz: “Para muitos homens , o trabalho tornou-se uma rotina não muito onerosa, não muito compensadora, e  de forma alguma absorvente – uma rotina diária até que a sineta toque e os torne novamente livres. Mas livres para que ?  É uma libertação maravilhosa para aqueles que aprenderam a usá-la; há muitas formas de fazê-la. Mas é um grande vazio para aqueles que não aprenderam a usá-la“.

MOREIRA (1985), em trabalho apresentado à Universidade de Campinas, após analisar o conceito de Dumazedier, afirma ser a função do “desenvolvimento da personalidade” a que deverá ocupar um papel preponderante na utilização do lazer, revertendo as funções de descanso e divertimento ao seu papel educativo-consciente onde espera, dessa forma, que o lazer possa se transformar em aprendizagem voluntária e prática de uma conduta criadora, em se tratando de execução de atividade física. O aspecto do aperfeiçoamento pessoal, além de representar uma simples distração ou uma forma de compensar a sedentariedade, pode também se tornar verdadeira atividade cultural  ([23]).

Educação para o Tempo Livre

DUMAZEDIER (1979), quando da definição de lazer, estabelece três funções para este, sendo uma delas o desenvolvimento da personalidade e nesse sentido os objetivos do lazer e da educação se harmonizam  ([24]).

Aprender a usar o tempo livre significa, em última análise, educar-se para o lazer ([25]); a importância de ser o homem educado para, racionalmente, preparar para si mesmo uma arte de viver em que não se perca o equilíbrio necessário entre o trabalho e o lazer e em que se antecipe a vida de lazer: “A família, a escola e todos os educadores, têm papel determinante a desempenhar quando da iniciação da criança numa atividade lúdica e ativa de lazer, na qual a freqüente contradição entre o ensino e a realidade necessita ser eliminada.” ([26]).

GAELZER (1985), em seu “Ensaio à liberdade: uma introdução ao estudo da educação para o tempo livre”, citando Neulinger e Neulinger, afirma que não há concordância sobre o que significa “educação para o lazer”, pois diferentes setores vêem o uso do tempo livre e o lazer de formas diferentes. Os educadores estão inclinados a pensar na educação para o lazer em termos de atividades extra-curriculares que levem ao uso proveitoso e digno do lazer. Alguns dizem que a educação para o tempo livre é questão de orientação, desperta interesses e habilidades mas existem opiniões diferentes como este é conseguido. Os religiosos dão ênfase à condução moral e aos valores espirituais do lazer. Eles concordam com educadores, psicólogos, sociólogos e outros que estão interessados no desenvolvimento do caráter. Os psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais tratam com a personalidade, ou ajustamento e desajustamentos sociais e estão interessados na solução dos problemas derivados da falta de orientação para o tempo livre. Os psiquiatras enfocam o estresse, a estabilidade e a saúde mental. Os professores de educação física estão com a incumbência de promover bons hábitos de saúde, de educação e de lazer, através das atividades físicas, sejam elas lúdicas, esportivas, rítmicas ou gímnicas ([27]).

HABERMAS ([28]) vê três formas de comportamento no tempo livre, estando estas relacionadas com o trabalho:

-         Regenerativa  -  neste  processo  o  tempo  livre  serve  para  recuperar  as  forças depois de uma jornada fisicamente cansativa.

No início da industrialização esta forma de comportamento desempenhou um papel essencial: atualmente, a mesma se encontra tão somente em um grupo limitado de ocupações, já que muitas profissões não requerem esforço físico algum.

-         Suspensiva -  nesta  forma  se  executa  durante  o  tempo  livre um trabalho sem a determinação exógena e sem a desproporção da exigência do trabalho profissional. 

 Como exemplo dessa forma de comportamento se mencionam a continuação do trabalho profissional em forma de “trabalho negro”, o compromisso com grupos religiosos, políticos ou ideológicos mediante a  aceitação de cargos em associações correspondentes.

-         Compensativa -  esta  forma  de  comportamento  tende  à  compensação  psíquica  das  seqüelas nervosas do trabalho.

Como exemplo, assinala Habermas, a maior dedicação à família, ao aproveitamento dos modernos meios de satisfação do lazer proporcionado pela chamada indústria cultural e, finalmente, a ocupação em esporte e jogos.

Porém Habermas duvida de que na realidade possa dar-se esta possibilidade compensadora, pois estas áreas mostram características que se assemelham ao trabalho. A análise de Habermas mostra, ademais, que o incremento de horas livres, a redução da semana de trabalho ou a extensão das férias não são suficientes para proporcionar esse verdadeiro tempo livre ganho no transcurso do desenvolvimento industrial; também se necessitam trocas e medidas sociais (p. 99), no que concordam SANTIN (1987) ([29]) e CUNHA (1978).

Para HAAG (1981) o tempo livre tem sido determinado pelas formas fundamentais do comportamento de lazer regenerativo, suspensivo ou compensatório. Deve ser visto em relação com as tentativas educacionais de prepara o homem para que saiba dar um conteúdo adequado ao seu lazer.

A pedagogia do lazer, desenvolvida por OPACHOWSKI (in HAAG, 1981) põe em destaque a necessidade de abordar com medidas e intenções educativas o relevante fenômeno social do lazer, para garantir que o mesmo seja realmente um “tempo livre” para o homem (p. 101). Essa “pedagogia do lazer” se baseia em oito “teses”, resumidas por HAAG (1981):

  1. A pedagogia do lazer constitui uma forma culta de serviço especial que oferece ao indivíduo (desde a etapa pré-escolar até a formação do adulto) ajuda para prender, desencadear e tolerar as trocas individuais e sociais.
  2. A pedagogia do lazer supõe uma atitude política ante um mundo não armonizável.
  3. A pedagogia do lazer libera da identificação total com os afazeres (e com os afazeres desempenhados durante o tempo livre porém determinados pelo trabalho e por terceiros); da conseqüente idealização do trabalho e do predomínio absoluto do princípio de rendimento.
  4. A pedagogia do lazer estimula ao indivíduo a auto-análise e a reflexão sobre si mesmo e sobre o lugar ocupado por ele no trabalho e no tempo livre.
  5. A pedagogia do lazer vence a angústia, a penúria e a repressão; está aberto ao bem estar, ao lazer e ao desfrute dele mesmo.
  6. A pedagogia do lazer assume uma atitude positiva frente à abundância e variedade das ofertas de consumo, evitando ao mesmo tempo a um permanente autocontrole, vigilância e distância crítica permanentes frente a indústria de lazer
  7. A pedagogia do lazer proporciona segurança física, psíquica e social e uma nova economia da saúde.
  8. A pedagogia do lazer melhora o estado de ânimo, e assim contribui a atingir o otimismo frente à vida e a fortalecer a autoconsciência.” (p. 100-101). 

KRAUS ([30]) afirma que o principal propósito da educação para o lazer como em qualquer forma de educação, é promover certas mudanças individuais desejáveis. Apresenta, então, um esquema de metas nem que estas mudanças podem ser estabelecidas em termos de:

Atitude:   é  essencial  que se desenvolva um conhecimento da importância do lazer na sociedade e reconheça os valores significativos que eles podem trazer à sua vida ….

Conhecimento:  atitudes  positivas  bem  fundadas devem ser suplementadas pelo conhecimento individual; saber “como”, “por que”, e “onde” deve ocorrer a participação recreativa …

Habilidades:  o  objetivo  de  ensinar  técnicas  não  é  somente  o  de  conseguir que o indivíduo  domine um certo número de atividades específicas, com a idéia de que ele necessariamente participará delas, em sua vida recreativa, na juventude e idade adulta; e ainda proporcionar certas habilidades básicas, para que ele possa participar dessas habilidades com um certo grau de competência, sucesso e prazer …

Comportamento:  qualquer  das  metas  acima, atitude, conhecimento e habilidades, leva a esse último propósito que é o comportamento. A conseqüência da educação para o lazer dever ser a existência de um comportamento que é marcado pela capacidade de um bom julgamento pessoal, quando da seleção de atividades recreativas …

O comportamento de lazer pode ser firmado e os hábitos de participação efetiva podem ser solidamente implantados se a empresa se esforçar em ensinar uma real participação nas atividades de tempo livre.

Para NAHRSTET ([31]), as funções da educação para o tempo livre se sintetizam em:

Recuperação – renovação das energias através do descanso;

Compensação – elemento harmonizador diante das exigências e fracassos da vida de trabalho; a tarefa pedagógica da educação para o tempo livre é dar relevância às atividades que proporcionem a recreação e favorecer a visão cultural e intelectual;

Meditação – ato do indivíduo se questionar a respeito de sua existência e afirmação. Essa função só pode acontecer em momentos de lazer, em percepção contemplativa do indivíduo consigo mesmo levando-o  à meditação; essa oportunidade que questiona o sentido da existência e a vida de liberdade e realização pessoal e social se torna possível no campo do tempo livre;

Emancipação – consiste na  libertação pessoal de domínio e independência indispensáveis para a autonomia individual e social; nesse sentido, o tempo livre se transforma em tempo de liberdade. (p. 3).

“Talvez a forma mais pura de educação para o lazer seja: ensinar a gostar de fazer coisas, não para apresentação exterior, e sim por satisfação; isto não é novidade, ensinar através do jogo e do brinquedo é provavelmente a melhor maneira conhecida de aprendizagem.” (GAELZER, 1985, p. 47)

Para essa autora, lazer “é a harmonia individual entre a atitude, o desenvolvimento integral e a disponibilidade de si mesmo. É um estado mental ativo associado a uma situação de liberdade, de habilidade e de prazer.” (GAELZER, 1979, p. 54).

Concepção [32]

Os produtos e serviços do SESI na área social têm por finalidade, preponderantemente, a elevação da qualidade de vida do trabalhador brasileiro, com a empresa industrial se constituindo no locus privilegiado de realização dessas ações.

A preocupação predominante é ampliar a presença do SESI junto aos seus clientes e garantir que as ações envolvam os trabalhadores na sua relação profissional, gerando ganhos de produtividade, de qualidade e de melhoria da competitividade da indústria nacional.

Os programas na área da educação de jovens e adultos, visando à elevação do seu perfil de escolaridade; os programas de saúde, na sua concepção preventiva, contribuindo para a redução dos acidentes no trabalho e de doenças profissionais; a ênfase na redução do estresse por meio de programas de lazer, em todas as suas manifestações, no esporte, na convivência social, na cultura, nas artes, esses são os focos da Instituição, contribuindo para consolidar uma indústria mais saudável, na mais ampla acepção do termo.

Lazer e Qualidade de Vida

Cidadania se constrói com educação, alimentação, saúde, moradia, trabalho, direitos e deveres. O bem-estar de uma pessoa envolve, é claro, todos esses itens.

Mas o lazer também é fundamental para que os trabalhadores possam recuperar as energias despendidas no cotidiano profissional.

Lazer, esporte, saúde e integração social são ações que se complementam. Os benefícios são percebidos pelas empresas e valorizados pela sociedade: melhoria da saúde, diminuição do estresse, do absenteísmo, dos acidentes no trabalho, mais disposição e integração entre os trabalhadores, além do resgate de valores e enriquecimento cultural.

No ambiente de trabalho, esses benefícios se transformam em produtividade e competitividade, bem como produzem trabalhadores mais felizes, participativos, cooperativos e com capacidade de respeitar as diversidades – habilidades cada vez mais valorizadas pelas organizações modernas.

Propor qualidade de vida por meio de ações de lazer significa dar oportunidade à riqueza do relacionamento humano vivenciado e fortalecer vínculos, despertando sentimentos de colaboração, de participação e de solidariedade. O SESI oferece seus serviços tanto no ambiente de trabalho quanto na sua rede de unidades – a maior da América Latina para atividades esportivas e culturais.

A área de Esporte e Lazer desenvolve projetos que abrangem desde a prevenção contra fatores de risco até a elevação da qualidade de vida dos trabalhadores e da comunidade.

Estar bem em todos os momentos. É assim que o SESI-DR/MA quer ver as pessoas. Por isso, propõem-se:

  • criar e operacionalizar projetos que propiciam o desenvolvimento, divertimento e descanso do trabalhador e sua família.
  • Oferecer produtos e serviços na área de Lazer – socioculturais e esportivos.

PROPOSTAS

O modelo organizacional proposto é o que se denomina de PAIE ([33]), letras que representam as inicias de quatro termos distintos: Permanência, Apoio, Impacto, e Especial

As ações de permanência são aquelas que ocorrem no dia-a-dia através de projetos simples de execução, normalmente com predominância clara em um dos  interesses do lazer, e realizado segundo as  características do contexto sociocultural local. 

As ações de apoio, como o próprio nome diz, devem dar sustentação à motivação da programação permanente, fazendo uma ponte entre essa e os eventos de impacto.

As ações de impacto ocorrem a duas vezes ao ano, com grande conotação de festa, abrangendo de maneira temática  os mais diversos interesses do lazer, com equipe multi-profissional e gerenciamento centralizado dada a complexidade das providências exigidas para sua execução.

Nos casos dos eventos especiais, os mesmos possuem características semelhantes aos eventos de impacto, ressalvando-se a sua periodicidade esporádica, de acordo com algum grande acontecimento.

O macroplanejamento (políticas, grandes metas) necessita estar em plena harmonia com o microplanejamento (projetos, atividades, eventos, etc.).

Dentro de uma política de lazer, a elaboração de projetos é a menor célula que compõe um programa; portanto, criar uma cultura  de elaboração de projetos, visando alcançar metas e objetivos elencados no corpo de uma política de ação mais ampla, é condição básica para uma administração de sucesso. Escrever um projeto é uma forma organizada de desenhar com antecipação o cenário que se deseja (planejamento), levando-se em conta algumas perguntas básicas: porque fazer ? o que fazer ? como fazer ?.

Às perguntas porque fazer e o que fazer, já existem algumas respostas, determinadas pela Política de Lazer emanada pelo SESI Nacional, que estabeleceu alguns programas, que devem ser seguidos pelos SESI Regionais:

SESILAZER

Preocupado com o bem-estar do colaborador no ambiente de trabalho, o SESI desenvolve o SESI Ginástica na Empresa – SGE. Trata-se de uma atividade física que se adapta às condições do local de trabalho, visando a melhoria do ambiente, estimulando a prática esportiva, integrando os funcionários e diminuindo os acidentes e as doenças profissionais.

A combinação de espaços de trabalho com as atividades de lazer é a meta das empresas modernas que buscam melhorar o rendimento e estimular a integração dos seus funcionários.

O programa SESI Ginástica na Empresa mexe com a qualidade de vida, bom relacionamento entre as pessoas, controle do estresse, diminuição de acidentes de trabalho e aumento de rendimento em milhares de empresas brasileiras. Bastam 8 a 12 minutos de atividades físicas no próprio local de trabalho, sem necessidade de roupas especiais ou aparelhos de ginástica para garantir uma vida mais saudável. Esses resultados vêm sendo comprovados pelas empresas que já implantaram o Programa. Para a implantação desse programa, deve-se seguir as seguintes etapas:           

Entrar em contato com a Unidade Lazer.

Agendar a visita técnica para apresentação do programa e demonstração da ginástica. Duração da visita: 30 a 40 minutos.

A empresa mostrando interesse em implantar o programa, é realizado um diagnóstico observando: riscos ambientais e ergonômicos, condições laborais, instalações, equipamentos e relações interpessoais. É repassada para a direção da empresa a ficha do perfil do facilitador, que deve ser preenchida pelo funcionário que atenda às exigências solicitadas (liderança positiva no grupo, habilidade para atividades físicas, facilidade de comunicação, etc.)

Ginástica

Treinamento dos facilitadores.

Início da ginástica com a supervisão constante da coordenadora.

SESI Lazer na Empresa

Outro programa que pode ser implantado é o SESI Lazer na Empresa, que tem como objetivo: contribuir para o aprimoramento das relações de trabalho. Este programa leva à empresa almoços musicais, sorteios, campeonatos, ruas de lazer, sessões de vídeo e atividades que ajudam a desenvolver a criatividade e a proporcionar um clima cooperativo entre os trabalhadores.

SESIESPORTE

Incentivar em diferentes modalidades esportivas, com ênfase no desenvolvimento de habilidades e no desenvolvimento pessoal e social da criança/adolescente, sem enfoque na preparação para competição. O pré-requisito para participar do programa Atletas do Futuro é a freqüência escolar. 

Este programa poderá estar integrado com o Sesi Esporte Solidário, resultado da parceria do SESI com a Secretaria Nacional de Esporte do Ministério do Esporte e Turismo. Este  programa vai além de atividades esportivas e recreativas. Seu forte impacto social é garantido por ações complementares de educação para a saúde, orientação social e alimentação, permitindo o cuidado integral da criança e do adolescente.

Outro programa que pode estar associado ao Atletas do Futuro é o Largada 2000, programa que dá sua contribuição para a construção das políticas de juventude no Brasil e para a inclusão do jovem na agenda nacional. Resultado da aliança social estratégica celebrada entre o SESI e o Instituto Ayrton Senna, o programa oferece oportunidades para que os jovens invistam nos seus relacionamentos e no seu tempo livre de maneira construtiva.

Torneio e Campeonatos

Atividades desenvolvidas no SESICLUBE ARAÇAGY e nas Empresas, com caráter recreativo, permitindo a integração dos trabalhadores, tendo flexibilidade nas ações, proporcionando divertimento e prazer aos participantes.

Esse o objetivo do Programa SESIEsporte: transformar o operário em trabalhador-atleta. É assim que este programa proposto ao SESICLUBE ARAÇAGY  deve atuar.

No Brasil, são mais de 500 mil esportistas participando de campeonatos nacionais e internacionais promovidos pelo SESI com o apoio de diversas empresas e entidades ligadas à área esportiva.

As competições fazem parte do calendário das Confederações das quais o SESI faz parte: a Confederação Esportiva Internacional do Trabalho (CSIT) e a Confederação Pan-Americana de Desporto do Trabalhador (Copadet).

O retorno do programa pode ser traduzido na melhoria da qualidade e estilo de vida do trabalhador, resultando no aumento da produtividade industrial e na satisfação pessoal.

Jogos dos Industriários

Com o intuito de incentivar o esporte na empresa como forma de atividade física, entretenimento e integração entre trabalhadores, serão desenvolvidos os JOGOS SESI DO MARANHÃO. Estes acontecerão anualmente e levarão para a etapa regional os vencedores de cada modalidade para representarem suas empresas e o SESI/MA. Os campeões desta etapa classificam-se para os JOGOS NACIONAIS DO SESI:

MODALIDADES:

Atletismo Feminino/Masculino
Futebol de Campo
Futebol Sete Master
Futsal Adulto
Natação Feminino/Masculino
Tênis de Mesa
Volei de Praia Feminino/Masculino
Voleibol
Xadrez

Projetos Especiais

Colônia de Férias

Conjunto de atividades recreativas e de iniciação esportiva envolvidas de modo informal durante algumas horas do dia nos períodos de férias escolares; é, também, uma maneira de orientar os alunos em férias para as necessidades educacionais, culturais e esportivas com um mínimo de gasto e o máximo de alegria, sendo também em alguns casos, complementação ideal para a Merenda de Férias.

O objetivo é oferecer à Criança oportunidade de:

-       desenvolver-se social, cultural, cívica e fisicamente, através da prática de atividades recreativas;

-       estimular o gosto pelas atividades físicas e o reconhecimento de seu valor para a saúde física e mental;

-       desenvolver o espírito de grupos e a manifestação de liderança, preparando-as para a vida;

-       expressar-se e comunicar-se;

-       fazer jogos esportivos simplificados quando a idade assim o permitir;

-       dar expansão às suas energias em atividades físicas, culturais e artísticas programadas.

Terceira Idade, Melhor Idade

Programa voltado para os industriários aposentados, se constituindo uma preocupação do SESI, voltado para atendimento de idosos. As atividades devem incluir esporte, lazer, educação e saúde.

 Portadores de Necessidades Especiais

Programa voltado para o Industriário portador de deficiência física, ou afastado do trabalho em função de acidente que o mutilou. As atividades devem incluir além da reeducação motora através de atividades físicas, esportivas e de lazer, a sua reinserção social (adaptação à sua nova condição de vida).

 AÇÕES  SÓCIO-CULTURAIS & ARTÍSTICAS

SESIFOLIA  – (Carnaval do SESI)

ARRAIAL DO SESI – Festejos Juninos – 23 a 29 de junho

HOJE É DIA DE …. – Datas comemorativas

 Cursos de Atualização, Qualificação e Requalificação Profissional

Esses cursos se destinam a profissionais que atuam na área de administração esportiva, coordenadores de entidades esportivas e administradores de empreendimentos do esporte; a profissionais de esportes e educação física, responsáveis pelo desenvolvimento de atividades físicas e esportivas, com o objetivo de fornecer aos participantes uma perspectiva atual dos componentes organizacionais, econômicos, técnicos, sociais e políticos do esporte, do lazer, das atividades físicas e da educação física.

SESI CLUBE ARAÇAGY

A prática regular de atividades de lazer constitui um dos fatores indispensáveis para o indivíduo conservar corpo e mente saudáveis, elevar a qualidade de vida e o potencial criativo e produtivo. No trabalho, o reflexo dessa prática é observado no aumento da produtividade da empresa e na redução dos índice de falta de trabalho.

No SESI-DR/MA, o NEGÓCIO LAZER, desenvolvido diretamente no  SESICLUBE ARAÇAGY – ou no próprio local de trabalho, poderá oferecer as condições necessárias para que o trabalhador da indústria e sua família possam participar de atividades formativas, esportivas-competitivas, artísticas e sociais, utilizando de forma inteligente o tempo livre.

Para isso, o SESI-DR/MA deverá dispor de professores bem treinados e uma infra-estrutura física invejável no SESICLUBE ARAÇAGY.

Quando o trabalhador descansa e tem atividades fora da empresa, cresce como pessoa e ganha em qualidade de vida. Isso se reflete em um trabalho mais alegre e na satisfação de estar bem consigo mesmo. Vendo seus familiares contentes também, pode render ainda mais.

O SESICLUBE ARAÇAGY, com estrutura moderna e ampla, composta por:

-         piscina semi-olímpica, com cinco raias – uma

-         piscina  de aprendizagem, medindo 8 x 3,50m – uma

-         campo de futebol – tamanho oficial – dois

-         quadra de basquetebol, descoberta, piso em cimento – duas

-         quadra de voleibol, descoberta, piso em cimento – uma

-         salão de jogos de salão, com equipamento para bilhar (duas mesas) e tênis de pesa (duas mesas – uma

-         Ginásio Poliesportivo, marcado para a prática de Futsal e Voleibol, mas com espaço para Handebol (20 x 40) e Basquetebol; com Vestiários (dois), com sauna; banheiro (dois); arquibancada com três lances, nos dois lados da quadra; dois salões, para alojamento, com capacidade para 20/30 pessoas cada; palco, com coxia. Há necessidade de recuperação do piso de jogo e novas marcações, assim como equipamentos para prática de basquetebol.

-         Área livre, gramada por detrás do Ginásio;

-         Área lateral, com piso de blocrete,

-         Área de estacionamento

-         além dessas áreas, há um amplo espaço, situado entre a Rodovia que vai para o Araçagy/Raposa, e o muro da sede, em que está localizado um dos campos de futebol, que poderá ser aproveitado para a construção de uma área para a prática do atletismo (pista de terra) e outras modalidades esportivas, como campos de voleibol de areia.

 poderá atender aos industriários, dependentes e à comunidade geral, com serviços de: NATAÇÃO; HIDROGINÁSTICA; MUSCULAÇÃO; GINÁSTICA; ATLETISMO; BASQUETEBOL; FUTEBOL; FUTSAL; HANDEBOL; VOLEIBOL;

 OBJETIVO GERAL – Ampliar a oferta de serviços nas áreas esportivas, social e artística tendo como foco a qualidade dos serviços, a satisfação da clientela bem como sua auto-sustentação.

 OBJETIVOS ESPECÍFICOS -

-         Transformar o Centro de Atividade em SESI-CLUBE, tornando-o Centro de Excelência do Lazer.

-         Otimizar a utilização da infra-estrutura existente.

-         Resgatar a participação dos industriários e seus dependentes.

-         Capacitar os técnicos envolvidos na área.

-         Criar mecanismos para a captação de receita para auto-sustentação.

 METAS – Proporcionar o desenvolvimento de programas de lazer esportivo e social visando a melhoria da qualidade de vida e o bem estar do trabalhador e seus dependentes.

 Lazer Físico Esportivo: 2.500 Trabalhadores

  • Lazer Formativo:  600 Alunos (natação)
  • Programa de Condicionamento Físico:  400 Matrículas
  • Programa SESI Ginástica na Empresa:  07 Empresas – 2.300 Trabalhadores
  • Lazer Social:  13.700 Participantes

[1] SESI-DR/MA – SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA – DIRETORIA REGIONAL DO MARANHÃO – (BRASIL)

[2] SESI.DIRETORIA NACIONAL. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO 2000-2004

[3] NASCIMENTO, Rui Lima de. in PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO 2000-2004, p. 6-7

 [4] SESI-DR/MA. Planejamento estratégico do SESI-DR/MA para 2002, p. 10

[5] Portaria 019/2002, de 1º de fevereiro de 2002

[6] CAVALCANTI, Kátia Brandão. A função cultural do esporte e suas ambiguidades sociais. In COSTA, Lamartine Pereira da (org). TEORIA E PRÁTICA DO ESPORTE COMUNITÁRIO E DE MASSA. Rio de Janeiro : 1981, p. 301-316.

[7] REQUIXA, Renato.AS DIMESÕES SOCIAIS DO LAZER. São Paulo : SESC, 1969

 _____. Trabalho e lazer. In AS DIMESÕES SOCIAIS DO LAZER. São Paulo : SESC, 1976.

  MARINHO, Inezil Penna. RAÍZES  ETIMOLÓGICAS, HISTÓRICAS E JURÍDICAS DO LAZER. Brasília : (s.e.), 1979.

  ______.INTRODUÇÃO AO ESTUDO FILOSÓFICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DOS DESPORTOS. Brasília : Horizontes, 1984.

  CUNHA, Newton. A FELICIDADE IMAGINADA: a negação do trabalho e do lazer. São Paulo : Brasiliense, 1987.

[8]DUMAZEDIER, Joffre. SOCIOLOGIA EMPÍRICA DO LAZER. São Paulo : Perspectiva, 1979 

[9] TOTI, Giani. TIEMPO LIBRE Y EXPLOTACIÓN CAPITALISTA. México : Cultura Popular, 1975.

[10] TOTI, op. Citi., p. 9

[11] COMES, Salvatore. TIEMPO LIBRE, TIEMPO LIBERADO. Madri : Unión, 1970, p. 43.

[12] TOLKMITT, Horst Carlos. Sugestões de uma alternativa para a filosofia do EPT no Brasil. COMUNIDADE ESPORTIVA, Rio de Janeiro, n. 35, nov.-dez., 1985, p. 2-8.

[13] DRAGÃN, Ioan. RECUPERAÇÃO NO TRABALHO PELO DESPORTO. Lisboa : Horizontes, 1981, p. 107

[14] CAVALCANTI, 1981, op. Cit., p. 310

[15] MOREIRA, Wagner Wey. PRÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA UNIVERSIDADE. Campinas :  UNICAMP, 1985.

[16] CAVALCANTI, 1981, op. Cit., p. 311

[17] MOREIRA, 1985, OP. CIT., P. 18

 [18] MARINHO, citado por CANTARINO FILHO, Mário Ribeiro & PINHEIRO, Ewerton Negri. Ginástica de pausa, trabalho e produtividade. In REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS, Brasília, n. 20, mar.-abr.,  1974, p. 20-30.

[19] DRAGRÃN, 1981, op. Cit., p. 18

[20] PEREIRA, Francisco ª Coelho. Esporte comunitário na Fundação Ishibrás. In COMUNIDADE ESPORTIVA, Rio de Janeiro, n. 9, dez. 1980, p. 6

  SESC-SP. Ginástica na empresa. In COMUNIDADE ESPORTIVA, Rio de Janeiro, n. 9, dez. 1980, p. 6-9

[21] NEULINGER; CLAPARÉDE, citados por GAELZER, Lenea. LAZER: BENÇÃO OU MALDIÇÃO ?. Porto Alegre : Sulina/UFRGS, 1979

     CUNHA, 1987, op. Citi.

[22] Citado por REQUIXA, 1976, OP. CITI. p. 15

[23] MOREIRA, 1985, op. Citi., p. 27.

[24] DUMAZEDIER, 1979, op. Cit.

[25]REQUIXA, 1976, op. Citi., p.38

[26] FUNDAÇÃO VAN CLÉ. Carta ao Lazer. In COMUNIDADE ESPORTIVA, Rio de Janeiro, n. 9, 1980, p. 20

 [27] GAELZER, Lenea. ENSAIO À LIBERDADE: uma introdução ao estudo da educação para o tempo livre. Porto Alegre : UFRGS, 1985 (Tese de Livre Docência.

[28] Citado por HAAG, Herbert. Deport y tiempo libre. In KOCH, Karl. HACIA UNA CIENCIA DEL DEPORTE. Buenos Aires : Kapelusz, 1982, p. 95-115

 [29] SANTIN, Silvino. EDUCAÇÃO FÍSICA: uma abordagem  filosófica da corporeidade. Ijuí : UNIJUÍ, 1987

[30] citado por GAELZER, Lenea. Recreação e Lazer. In CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA. Florianópolis : UFSC, 1972 (mimeog.)

[31] citado por GAELZER, 1972, op. Cit.

[32] SESI. BALANÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA 2000

[33] MEC/SEED/SUEPT. PRINCÍPIOS BÁSICOS. Rio de Janeiro : Rede Nacional de Esportes para Todos, 1983.

DEFESA DE MONOGRAFIA- HISTORIA DA EDUCAÇÃO FISICA

sex, 27/01/12
por leopoldovaz |

PREFEITO SEBASTIÃO MADEIRA FAZENDO SEU DISCURSO, APÓS A ENTREGA DA PLACA A LEOPOLDO GIL

 

Como informado, na ultima quarta-feira 25/01/2012, em Imperatriz, o Prof. Charles fez a defesa de sua monografia em Educação Física, pela UNISULMA. Charles é(ra) professor de educação física leigo; por falta de opção, fez a licenciatura em História, em busca de um maior embasamento teórico-pedagógico, como muitos outros professores que atuam naquela região. Ao assumir a Divisão de Educação Física da Secretaria de Educação daquela Prefeitur Municipal, a primeira providencia foi instituir um programa de qualificação profissional.

PREFEITO MADEIRA PARABENIZANDO UM DOS HOMENAGEADOS

Imperatriz tinha, nos quadros de professores de educação física da rede publica municipal 64 pessoas exercendo a função, sem a qualificação profissional exigid – isto é, curso superior na área de atuação. O Prefeito Sebastião Madeira, preocupado com isso, pediu projeto que possibilitasse a qualificação desse pessoal; a Prefeitura distribuia Bolsas de Estudos a pessoas da comunidade, quando assumiu, e eram em função de QI – quem indicou, uso politico desse mecanismo; resolveu que essas Bolsas seriam destinadas à qualificação dos professores leigos, ou com formação insuficiente, melhorando a qualidade do ensino ministrado na rede pública municipal. Dai que a Educação Física foi contemplada.

O PROFESSOR CHARLES, AGUARDANDO O SEU 10, COM LOUVOR

 Charles, professor da rede publica municipal, estava entre os 64 contenplados com a Bolsa; sua monografia abordou a Educação Física Escolar e o Esporte Escolar, desde sua implantação até os anos 2010. Uma análise de seu funcionamento, das propostas, de sua implementação e execução.

PROF. LULA, DIRETOR DA UNISULMA, FAZENDO ENTREGA DA PLACA DE HONRA AO MÉRITO AO IRMÃO DA MERY DE PINHO, GIORVANE

Fez História da Educação. e nessa história, que apareço como um dos pioneiros – deu-me o título ícone, junto com a Mary de Pinho e o Ezaias… o que agradeço. Ao relatar essa história, contextualizando aos momentos politicos desses 40 anos, e as consequencias das politicas publicas para a área da educação física e dos esportes, propos ao Prefeito uma homenagem aos tres pioneiros.

GIORVANE DE PINHO E OS FAMILIARES DE MARY, NO AGRADECIMENTO

Já falei da emoção que tomou a todos, uma defesa ‘afogada em lágrimas’, tanto pelos membros da mesa, quanto pelo expositor e, principalmente, a platéia, constiuida de pessoas que viveram aquela época, do pioneirosmo dos anos 70; alunos dos cursos de segundo grau (hoje, médio), dos cursos superiores de licenciatura curta da então Faculdade de Educação de Imperatriz, depois UEMA, atletas, esses  futuros professores de educação física…

MOMENTO DA HOMENAGEM AO PROF. EZAIAS (DIREITA), POR DOIS EX-ALUNOS, PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA, E MEMBROS DA COMISSÃO AVALIADORA DA MONOGRAFIA DO CHARLES. CHORARAM O TEMPO TODO, DURANTE A DEFESA E AS HOMENAGENS...

As fotos, da homenagem prestada a este locutor que vos fala, ao irmão da Mary e os filhos dela, ao Ezaias…



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