Formulário de Busca

Rio, Cidade Sportiva

sáb, 30/04/11
por leopoldovaz |

Novo Blog no Ar: http://cidadesportiva.wordpress.com

 Rio, Cidade Sportiva nasceu da conjugação de vários interesses.

Do ponto de vista sentimental, é uma iniciativa de um carioca apaixonado pelo Rio de Janeiro, uma forma de declarar seu amor à cidade. É também inspirado no trabalho de muitos blogs e fotologs que contribuem para a divulgação e preservação da memória da “Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”.

Do ponto de vista profissional, é uma iniciativa relacionada as ações do “Sport”: Laboratório de História do Esporte e do Lazer, grupo de pesquisa ligado ao Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mais especificamente, é um dos produtos do projeto “Fotos Esportivas”, que procura catalogar/indicar fotos que tenham alguma relação com o esporte, disponíveis na internet.

O intuito de Rio, Cidade Sportiva é ser um espaço de difusão científica. Tenho investigado o tema desde a preparação de minha tese de doutorado, na qual procurei discutir os primeiros momentos da prática esportiva na à época capital brasileira (o livro com os resultados a investigação foi lançado em 2001, pela Editora Relume Dumará, com apoio da Faperj).

Com esse blog pretende-se contribuir para a divulgação dessa história, do forte relacionamento que se tem estabelecido entre o Rio de Janeiro e o esporte: se algumas das peculiaridades dessa cidade, fruto de sua situação histórica, foram fundamentais para a conformação e o desenvolvimento dessa prática, a prática também foi de grande importância para forjar um jeito carioca de ser: é o Rio de Janeiro uma cidade verdadeiramente “sportiva”.

Serão divulgadas fotografias que apresentem algo sobre o esporte no Rio de Janeiro, algumas de maneira bem óbvia, outras nem tanto. Podem também ser publicados outros tipos de materiais: charges, cartazes, literatura, qualquer coisa que nos ajude a perceber a fascinante relação entre a cidade e a prática esportiva.

O intuito é sempre informar o máximo possível sobre a fonte: de onde foi retirada, por quem foi produzida, em qual lugar pode ser encontrada, local, época. Os comentários não serão longos, antes buscam captar a curiosidade do leitor.

A atualização do blog será quinzenal, sempre nos dias 1 e 15 de cada mês. Pode haver posts extras, dependendo da urgência do assunto e do tempo do administrador.

Aguardo sua visita em http://cidadesportiva.wordpress.com

 Um abraço, Victor.

UMA TARDE NO IHGM

qui, 28/04/11
por leopoldovaz |

Como acontece toda última quarta-feira de cada mês, ontem aconteceu a reunião em Assembléia Geral Ordinária – AGO - do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM; do qual faço parte, ocupando a cadeira de numero 40, que tem como patrono Dunshee de Abranches.

Nessas reuniões, desde a gestão passada da Profa. Eneida Canedo, foi retomada a apresentação de trabalhos de pesquisa nas áreas de História, Geografia e Ciências afins. Trabalhos esses de autoria de seus sócios efetivos.

Das 60 (sessenta) cadeiras do IHGM, 40 (quarenta) estão ocupadas. Tem-se a indicação de 10 a 14 pessoas para ocupá-las, o que deverá dar uma revigorada na instituição.

O trabalho apresentado ontem, de minha autoria, abordou o “TARRACÁ” - onde busquei a origem desse estilo de luta, supostamente criado pelo lutador de Vale-Tudo (MMA) maranhense Rei Zulu – Casimiro de Nascimento Martins – e questão de pesquisa de Mayrhon José Abrantes Farias, do GEPPEF-UFMA, a quem fiz as anotações que apresentei.

(Não estava ‘escalado’ para falar, mas diante da impossibilidade do Cmte. Ramos apresentar seu trabalho – não conseguira retorna à terra, estava em alto-mar trabalhando… -, me apresentei para não deixar passar a data sem a apresentação de pesquisa sobre nossas memórias esportivas…)

Rei Zulú, por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, ou atarracado – que vai se constituir em um estilo - maranhense – disseminado tanto por ele, Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava -  e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense.

Muitos dos presentes, oriundos da Baixada, ao final da apresentação deram seus depoimentos de que também, em crianças, haviam praticado o ‘atarracado’ ou o ‘atarracar’, conforme o local de origem.

Osvaldo Rocha, ilustre pesquisador e historiador, disse-me que, embora franzino, costumava ganhar algumas das ‘brincadeiras’, pois o segredo era a agilidade em agarrar a perna do adversário e levá-lo ao chão; tão logo autorizado o combate, a rapidez com que se lançava ao adversário era fundamental.

Álvaro Mello, Vavá, presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão, cronista do Arari e de São Bento, deu seu depoimento, ressaltando que os embates se davam na beira do rio, e os combatentes saiam cobertos de lama…

O mesmo disse o Aymoré Alvim – ilustre pesquisador hoje aposentado, da nossa UFMA/Medicina (uma das maiores autoriadades em parasitologia), escritor que, junto com Osvaldo, estava a lançar, no IHGM, suas obras sobre as memórias de Pinheiro, e da Maçonaria, respectivamente.  

Até brinquei, propondo então aos campeões do ‘TARRACÁ’ um embate, envolvendo o Rei Zulu… um desafio às memórias de infancia no ‘interland’ maranhense… Osvaldo até disse que, em seu próximo livro, escreveria sobre as lutas que travou, utilizando o tarracá, já que o tema está provocando muita curiosidade no mundo do MMA e da UFC…

[…] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984  www.bullshido.net

WingChun Lawyer [1] se posiciona, em sítio dedicado ao MMA:

I am afraid I have no more hard data on Zulu. He fought basically relying on his impressive strength, and I was told he managed to throw Rickson out of the ring a couple of times before being submitted.[…] Mainly what I find online are posts on messageboards with no more useful or reliable information, either in english or in portuguese. I thought this was an interesting subject because, well, it DOES seem like Tarracá was created from scratch – Rei Zulu´s boxing skills are really weird, his moves are strange, and it does look rough - although some of his throws would make many a judoka envious. […] I only know he claims to have created Tarracá from scratch because I found a very short interview on a blogspot, apparently he still fights and runs a gym where he teaches Tarracá.  In (http://www.bullshido.net/forums/showthread.php?t=51830&page=3  (grifos nossos)

As it happens with natural opponents, luta livre absorbed elements from jiu-jitsu as well, just as jiu-jitsu absorbed elements from luta livre in the process of becoming “BJJ”. Many jiu-jitsu experts fought professionally in the pro-wrestling context. Among some of the fighting cultures present in the Brazilian context having some impact upon Brazilian luta livre, we may consider huka-huka wrestling (from the Amazonian indigenous people), marajoara wrestling (practiced on the sands of the Marajó Island), tarracá (practiced at Maranhão) and capoeiragem (especially from the tradition practiced in Rio de Janeiro). As some early experts came from the “Graeco-Roman” wrestling context, luta livre also received some of its influence. (Notes on the History of Brazilian Luta Livre) in http://www.facebook.com/topic.php?uid=136381899755284&topic=70

 Do Maranhão/Baixada para o mundo…

Atlas do Esporte no Brasil

qui, 21/04/11
por leopoldovaz |

O Atlas do Esporte no Brasil é uma obra que apresenta os resultados de uma das maiores pesquisas sobre esporte até hoje feitas no mundo: cerca de 410 colaboradores qualificados e 17 editores, trabalharam voluntariamente durante dois anos, levantando memória (passado) e inventário (presente) de diferentes facetas do esporte e de atividades físicas congêneres, cobrindo todo o Brasil.

São 924 páginas tamanho duplo, com centenas de mapas, quadros e tabelas, completadas por uma seção especial com cerca 200 fotos e figuras que sintetizam a história do esporte brasileiro, do Descobrimento do Brasil em 1500 aos Jogos Olímpicos de Atenas-2004. A obra é multidisciplinar, com seus capítulos apresentados em língua portuguesa (textos completos) e língua inglesa (resumos e textos complementares), prestando-se a atingir os seguintes públicos: parlamentares e órgãos governamentais; mídia; lideranças e profissionais do esporte, Educação Física, lazer e atividades físicas para saúde; clubes e instituições diversas relacionadas ao esporte; Instituições de Ensino Superior, pesquisadores, professores e alunos no Brasil e no exterior; entidades e autoridades do exterior; e apreciadores dos esportes em geral de qualquer país. O formato livro foi adotado inicialmente mas outros suportes estão previstos para o desdobramento futuro da obra.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Atlas_do_Esporte_no_Brasil

ESPORTES RADICIAS E DE AVENTURA

qui, 21/04/11
por leopoldovaz |

O Abreu Nunes reclamou que só falo de esportes praticados por meus amigos… esquecendo dos esportes radiciais e de aventura. Não é verdade! ja procurei o pessoal do surf na pororoca, e ficaram de me mandar informações – recuperei alguma coisa e perdi, hoje, procurando dar uma resposta ao Nunes… vou refazer, pois acho que tenho salvo em outro lugar…

Quando comecei o projeto do Atlas do Esporte no Maranhão, procurei levantar dados sobre as diversas modalidades esportivas praticadas no estado. Claro que comecei pelas mais tradicionais – iniciando pelo Atletismo, de que tinha mais conhecimentos… busquei o Marcelo Piu-Piu para falar do surf, e demais esportes praticados com pranchas, e ficou só nisso, uma conversa sem resposta…

Tenho utilizado depoimentos, e principalmenhte jornais e livros para o resgate da memoria. A fonte é o setor de obras raras da Biblioteca Benedito Leite – fechada já a quatro anos; da leitura de jornais, cheguei a 1917, quando fui obrigado a interromper…

Mas o Nunes pode muito bem fazer parte deste resgate, escrevendo a memoria dos esportes radiciais e de aventura no/do Maranhão; segue as orientações:

ATLAS DE ESPORTE NO MARANHÃO

ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO TEXTO

1 – Cada capítulo pode ser iniciado por “Definição(ões)” se a modalidade esportiva, atividade física, instituição, área de conhecimento, meio de intervenção etc em foco, necessita ser delimitada além do conhecimento comum e circulante nos meios profissionais (futebol ou natação, por exemplo, não necessitam de maiores esclarecimentos). Descrição sucinta e objetiva é recomendada nesta abertura do texto. As atividades físicas e outros enfoques que estão em processo de diversificação ou mudança de seu sentido original necessitam de distinções em face às novas versões (Surfe, por exemplo).

2 – “Origem” é a abordagem seguinte, sempre obrigatória, com data e local no MARANHÃO do ponto de partida da atividade ou tema correlato enfocado. Este item deve ser o primeiro do texto se não houver “Definição”. Se o ano de início não é disponível, delimitar período (década, início / meio / fim do século 19 ou 20). Nome(s) de pessoas e entidades geradoras dos fatos iniciais são também importantes para menção. Condições peculiares da origem são pertinentes de citação ou mesmo de descrição resumida.

3 – Os demais parágrafos até o item “Situação Atual” são iniciados por ano, década ou período em décadas usando-se negrito (por exemplo: 1817, 1913, Década de 1920, Décadas 1860 – 1890). Estes parágrafos correspondem a uma cronologia de marcos históricos – em anos ou/e décadas, de acordo com o discernimento do(s) autor(es) no tema focalizado – ou períodos em que ocorreram mudanças com conseqüências discerníveis nos estágios seguintes de expansão, estagnação, retrocesso e outros impactos. Citação de líderes e pessoas vinculados aos marcos de referência é pertinente, inclusive quando relacionada ao próprio colaborador (caso de vários capítulos).

4 – As interpretações do autor(es) sobre sentido e natureza do desenvolvimento da(s) manifestação(ões) focalizada(s) em cada capítulo devem ser introduzidas em determinadas décadas ou anos definidos como marcos históricos. Observe-se que “desenvolvimento” tem vários modos de ser interpretado, mas a metodologia do mapping usada pelo Atlas é meramente descritiva no tempo e no espaço, focalizando-se alterações do entorno sócio-cultural e econômico de uma região e/ou do próprio país.

5 – “Situação Atual” é o item que encerra o texto do capítulo sendo constituído por simples e resumidas descrições e alguns dados numéricos que dão fundamento às circunstâncias abordadas. Em adição a esta síntese final que contrasta o presente com o passado, uma conclusão sobre o atual estado de coisas no tema focalizado tem pertinência em termos de mapeamento. Sugere-se, neste caso, que a conclusão defina a direção que o desenvolvimento está tomando no tema estudado (desaparecimento, transformação, diversificação, crescimento, estagnação etc). Note-se, ainda, que um dos objetivos centrais do Atlas é delinear a importância econômica das atividades físicas e áreas correlatas no MARANHÃO, sendo para isso necessário observar o sentido dos impactos, quando identificados. Nestas condições, número de participantes – mesmo estimado grosso modo – é um dado vital na quase totalidade dos temas abordados pelo Atlas.

6 – Os dados numéricos gerais devem constar na “Situação Atual” e os demais de maior detalhamento podem ser expostos no mapa, sempre que possível vinculando-os por ponto localizado a uma região do MARANHÃO, cidade, portos, rios, etc. Estes dados demonstrativos de crescimento ou mudanças devem ser organizados em quadros de maior simplicidade e objetividade possível.

7 – Ao se dar indicações para a elaboração do mapa, quadros que transmitem evolução no tempo ou comparações entre regiões são recomendados como prioritários. Pequenas descrições de fatos importantes ocorridos, ou em processo podem ser incluídos por meio de um vínculo a uma determinada localização. Estas informações serão organizadas pelo programador gráfico do Atlas sob supervisão da Organizadora de acordo com indicações do autor(es) de cada capitulo. Estas indicações devem ser enviadas à parte do texto, não sendo necessário remeter desenhos ou rascunhos.

8 – O resumo que será adicionado em cada capítulo será produzido pela Organizadora e/ou equipe designada para a tarefa, antecedendo a versão para o inglês, seguindo o padrão: origem, desenvolvimento caracterizado e localizado, e situação atual. O limite deste resumo é de 1000 caracteres (contando espaços).

9 – A identificação dos colaboradores em cada capítulo será unicamente pelo nome. Mas a última parte do Atlas apresentará por listagem em ordem alfabética todos estes autores com suas referências (tel., fax, e-mail, endereço postal), títulos (acadêmicos, ocupacionais etc) e biografia reduzida. Após o término de cada capítulo (versão final aprovada), cada colaborador receberá um roteiro padrão para preenchimento e devolução de acordo com instruções anexadas.

10 – Recomenda-se, finalmente, que o(s) autor(es) tenham em conta os públicos alvo do Atlas, o objetivo da obra e a metodologia escolhida, ao fazer(em) suas interpretações entre os marcos de desenvolvimento selecionados. Sendo mais um registro de memória do que de história, tanto quanto mais uma exposição descritiva do que uma análise de profundidade, solicita-se que reduzam ao mínimo os juízos de valor em suas abordagens. Como a perspectiva do Atlas é panorâmica incluindo múltiplas atividades e formas de intervenção profissional e voluntária, a opção de trabalho adotada é a do significado e proporções das atividades físicas no MARANHÃO. Assim sendo, cada capítulo será um exercício de síntese delimitado por 10500 caracteres (contando espaços).

CURRÍCULOS DOS AUTORES

Ao final do conjunto de capítulos referidos a cada Estado que apresenta contribuição ao Atlas em CD e depois aos demais meios de veiculação (livro em papel sobretudo), os seus Organizadores e Editores farão constar uma lista  (ordem alfabética). Autores estaduais do mesmo modo que se procedeu no Atlas nacional. Para esta tarefa propõe-se uma coleta de informações junto aos Autores segundo os seguintes itens:

Nome

Sexo (M ou F)

Data de Nascimento (opcional)

Local de Nascimento (opcional)

Endereço + CEP

Telefones (opcional)

Endereço eletrônico (opcional)

Profissão

Ocupação atual (opcional)

No. Registro CONFEF se pertinente

Títulos e/ou realizações principais (máximo dois)

Livros, capítulos de livros e artigos técnicos (máximo dois)

 OBS. ENVIAR PARA vazleopoldo@hotmail.com

DO ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL:

O Atlas do Esporte no Brasil é a maior base de dados de acesso gratuito em língua portuguesa, com resumos em inglês, abrangendo a Educação Física, esportes e atividades físicas de saúde, lazer e turismo. Os dados são produzidos como serviço à comunidade, sem remuneração, por autores voluntários, por iniciativa do Conselho Federal de Educação Física e Conselhos Regionais de Educação Física

OLIMPIADAS DO UPAON-AÇÚ 2011

qua, 20/04/11
por leopoldovaz |

O Colégio UPAON-AÇÚ abriu ontem as suas II Olimpíadas Internas – 2011. Com uma programação de abertura bastante concorrida, contando com a participação dos alunos da educação infantil, do ensino fundamental, e do ensino médio.

Na ocasião, o UPAON-AÇÚ prestou homenagem ao Prof. DIMAS, pela sua contribuição à Educação Física e aos Esportes maranhense, entregando uma placa de prata

Junto com Dimas, foi homenageado o Prof. José Maranhão Penha – MARANHÃO – ex-professor de Handebol do Upaon-Açú; a homenagem foi alyusiva à conquista do Campeonato Brasileiro de Handebol Adulto, como técnico da equipe maranhense, junto com o Prof.Laércio Elias Pereira (não teve condições de vir à São Luis…).

Maranhão com seu filho Italo, atleta de Handebol do Upaon-Açú

Como é de conhecimento de todos, este ano sem comemora os 35 anos da conquista daquele título… O Prof. Baluz – e toda a Diretoria do Upaon-Açú promoveram a homenagem ao Dimas – o grande incentivador do Handebol nos anos 70, junto com o Prof. Laércio sob o comando do Cláudio “Alemão” Vaz – e ao Prof. maranhão e a todos os jovens atletas daquela seleção maranhense, promovendo um jogo com a seleção juvenil do colégio

SELEÇÃO MARANHENSE DE HANDEBOL ADULTO 1976 - equipe campeã brasileira - jogo-homenagem aos heróis no Colégio Upaon-Açú em 19/04/2011 - 35 anos após

 Na foto, aparecem Dimas (homenageado da noite) Maranhão (Técnico auxiliar em 1976), Viché, Mangueirão, Eliseu, Fernando, e complementado por alunos do Upaon-Açú.

Viché e Mangueirão (estava contundido...) aguardando o inicio da partida

 Quando os “jovens de 35 anos atras” começaram a se movimebntar na quadra, a jovem seleção do Upaon-Açú achavam que seria fácil; quando se deram conta, já estvam perdendo de 3 x 0… e a arquibancada conetava as jogadas de Viché e Eliseu; Marabnhão pela ponta, Canhoto, Fernando… verdadeiro show…

MARANHÃO - técnico auxiliar, e ainda em forma...

FERNANDO e ao fundo, Viché

VICHÉ, atleta em 1976; Técnico campeão juvenil brasileiro com o seu goleiro (desculpe... esqueci o nome...) - ano que vem, essa equipe juvenil completa 30 anos da conquista do titulo brasileiro

Nonato 'Molusco', coordenador de Educação Física da UFMA, Fabiano, coordenador de Educação Física do UniCEUMA, Viché e seu Goleiro... enquanto aguardavam o início do jogo Seleção Maranhense 76 x Seleção Juvenil Upaon-Açú - um belo espetáculo...

Ah, ia esquecendo… junto com o Dimas e o Maranhão, o locutor que vos fala também recebeu uma placa de prata pelo seu trabalho em prol da educação física, dos esportes e do lazer maranhense, nos ultimos 35 anos, como seu memorialista e historiador.

Obrigado, aos Baluz e à Direção Geral do Upaon-Açú… aguardo as fotos para publicar…

E parabéns pela inciiativa de homenagear os rapazes na abertura das Olimpiadas… esperamos que o exemplo seja seguido e a SEDEL lembvre de homenagear esses Heróis do Esporte. exemplo de Atletas dedicados e hoje Homens Honrados, que só o esporte sadio pode formar…

JIU-JITSU NO MARANHÃO JÁ TEM MAIS DE CEM ANOS

dom, 03/04/11
por leopoldovaz |

Tenho em minha frente os jornais de hoje. Hábito de le-los, todos, aos domingos pela manhã, antes da caminhada pela praia em companhia do tio Mané P- Manoel Pedro, torce-dor do Flamenguinho e do Mo(r)to Clube…

Em “O Imparcial”, p. 14, Jogada, edição de hoje, domingo, 3 de abril de 2011 magnífico artigo de autoria do Michel Sousa sobre “Jiu-jítsu, ascensão e crise“, em que entrevistou o Professor James Adler.

O presidente [da Federação Maranhense de Jiu-jitsú Esportivo, Jairo Vidal] ainda afirma que, apesar do esporte ser novo no Maranhão, os atletas maranhenses estão equiparados a nível mundial. O Maranhão foi o último estado a receber jiu-jitsu. O esporte tem menos de quinze anos aqui, mas nos equiparamos com o restante do país e do mundo“, finalizou. 

O Jiu-jitsú foi implantado no Maranhão há mais de cem anos!!!

JIU-JITSU EM MARANHÃO:  

Novos apontamentos para sua História

 por

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

Professor de Educação Física 

Jornal do Capoeira www.capoeira.jex.com.br, Edição 45: 29 de Agosto à 04 de Setembro de 2005

http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/jiu-jitsu+no+maranhao

 Em “A Pacotilha”[1], São Luís, segunda feira, 14 de junho de 1909, há uma noticia que tem por titulo “JIU-JITZÚ” – certamente transcrita de “A Folha do Dia” – do Rio de Janeiro (ou Niterói):

“Desde muito tempo vem preocupando as rodas esportivas o jogo do Jiu-Jitzú, jogo este japonês e que chegou mesmo a espicaçar tanto o espirito imitativo do povo brasileiro que o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros.

André Lacé Lopes in Jornal do Capoeira www.capoeira.jex.com.br, Edição 45: 29 de Agosto à 04 de Setembro de 2005

“Na ocasião em que o ilustre almirante Alexandrino cogitava em tal medida, houve um oficial-general da armada que disse ser de muito melhor resultado o jogo da capoeira, muito nosso e que, como sabemos, é de difícil aprendizagem e de grandes vantagens.

“Essa observação do oficial-general foi ouvida com indiferença.

“A curiosidade pelo jiu-jitzu chega a tal ponto que o empresário do “Pavilhão Nacional”, em Niterói, contratou, para se exibir no seu estabelecimento, um campeão do novo jogo, que veio diretamente do Japão.

“Ha alguns dias esse terrível jogador vem assombrando a platéia daquela casa de diversões com a sua agilidade indiscritível, com os seus pulos maquiavélicos. Todas as noites o campeão japonês desafia a platéia a medir forcas com ele, sendo que, logo nos primeiros dias de sua exibição, se achava na platéia um conhecido “malandrão”.

“Feito o desafio, o “camarada” não teve duvidas em aceitar, subindo ao palco.

“Depois de tirar o paletó, colete, punhos, colarinho e as botinas, o freguês “escreveu” diante do campeão, “mingou” abaixo do “cabra”; este assentou-lhe a testa que o japones andou amarrotando as costelas no tablado. A coisa aqueceu, o japonês indignou-se, quis virar “bicho”, mas o brasileiro, que não tinha nada de “paca” foi queimando o grosso de tal maneira que a policia teve que intervir para evitar … o japonês.

” ‘A Folha do Dia’ narra o seguinte: ‘Diversos freqüentadores do Pavilhão Nacional vieram ontem a esta redação apresentar o Sr. Cyriaco Francisco da Silva, dizendo-se o mesmo senhor vencido o jogador japonês que se exibe atualmente naquela cada de diversão.

“O Sr. Cyriaco é brasileiro, trabalhador no comercio de café e conseguiu vencer o seu antagonista aplicando-lhe um “rabo de arraia” formidável, que no primeiro assalto o prostrou .

“O brasileiro jogou descalço e o japonês pediu que não fosse continuada a luta.

“Ficam assim cientes os que se preocupam com o novo esporte que ele é deficiente. Basta estabelecer o seguinte paralelo: no jiu-jitzu a defesa é mais fácil que o ataque; na capoeiragem a grande ciência é a defesa, a grande arte é saber cair.

Sobraram razões ao nosso oficial general quando dizia que o brasileiro ‘sabido, quando se espalha, nem o diabo ajunta’.”.

 Para LACÉ (s.d.)[2], Francisco da Silva Ciríaco, mais conhecido como Macaco Velho, nascido em Campos, foi um dos mais afamados capoeiristas no Rio de Janeiro, na virada do século 19 para os 20. Era o mestre preferido pelos acadêmicos de medicina, fenômeno que se repetiu na Bahia, décadas mais tarde, com Mestre Bimba. Foram esses estudantes que insistiram no confronto da Capoeira (Macaco Velho) com o jiu-jitsu (Sada Miyako, campeão japonês).

Evento que acabou ocorrendo, no dia 1º de maio de 1909, com um fulminante desfecho: aplicando um literalmente surpreendente rabo-de-arraia, Ciríaco encerrou a luta em alguns segundos. Mesmo existindo uma versão – jamais comprovada – de que Ciríaco teria utilizado um recurso, digamos, de rua, mesmo assim, luta é luta, vale-tudo é vale-tudo, e ninguém jamais poderá negar o mérito da vitória.

Tanto assim, que Mestre Ciríaco saiu vitorioso do Pavilhão Internacional Paschoal Segreto, com o povo cantando pelas ruas “a Ásia curvou-se ante o Brasil”. No dia seguinte, a Capoeira foi notícia em quase todos os jornais, valendo registrar, por oportuno, a ocorrência de algumas redações cautelosas, quase envergonhadas da própria cultura brasileira, como a nota do jornal do Commercio (02.05.1909, pág. 7):

O sportman japonez do tão apreciado jogo jiu-jitsu foi hontem vencido pelo preto campista Cyriaco da Silva, que subjugou o seu contendor com um passo de capoeiragem”.

A nota, curiosamente, não menciona o nome do “sportman” perdedor. Mais adiante, entretanto, no mesmo jornal garimpei o seguinte anúncio: “JIU-JITSU: Mr. Sada Miyako, professor contratado para leccionar na marinha brasileira encarrega-se de dar lições particulares a domicílio. Cartas para a Rua Gonçalves Dias n. 78 ou para a Fortaleza de Willegaignon”.

Ou será que a nota, de modo até sutil, protesta a respeito do tal recurso de rua acima levemente mencionado?  

Isso, no Rio de Janeiro; mas e no Maranhão ? vejamos: nesse mesmo jornal – “A Pacotilha” – de 18 de abril de 1910, segunda feira, no. 90, consta noticia de que o “Fabril Athletic Club” – FAC – estava preparando uma jornada esportiva para recepcionar ao Barão de Rio Branco, em visita à São Luís. Em nota do final da noticia é informado que:

“Tem funcionado neste clube aos domingos pela manhã, um curso de jiu-jitsu, dirigido pelo Sr. F. Almeida contando já com muitos adeptos. Esse curso passará a funcionar, regularmente d’agora em diante, aos domingos das 8 as 10 horas do dia.”

 Informa MARTINS (1989)[3] que Nhozinho Santos, em 1908, implanta mais duas modalidades esportivas no FAC: o Tiro, com inscrição na Confederação Brasileira de Tiro; e o “jiu-jitsu”, com um grande número de adeptos.

Quero acreditar que o Jiu-jitsu deve ter sido apresentado aos sócios por Aluísio Azevedo. Ao abandonar as carreiras de caricaturista e de escritor abraça a carreira pública, em busca de sobrevivência, como funcionário concursado do Ministério de Relações Exteriores; torna-se cônsul,  servindo por quase três anos no Japão – em Yokohama (setembro 1897 a 1899) -, onde deve ter aprendido essa arte marcial, assim como a jogar Tênis e Futebol, quando de sua estada na Inglaterra.

 Muito embora Martins dê como sendo o ano de 1908 a introdução do Tiro no FAC – em 18 de setembro de 1908 realizou-se uma Assembléia Geral Extraordinária para mudanças do Estatuto do Clube para aproveitar-se da Lei de Reorganização do Exército -, este se deu, efetivamente, em 1910, com o concurso do então Tenente Luso Torres, muito embora tenham-se realizados desde esse ano exercícios de marcha e voltas, assim como de tiro.

Em 1910, o esporte em Maranhão – diga-se, o FAC (Fabril Athetic Club) – experimenta uma de suas inúmeras crises, surgidas com o descontentamento de alguns associados por causa de problemas financeiros, não só da Fábrica Santa Isabel – de propriedade da família de Nhozinho Santos -, mas por falta de pagamento de mensalidades por parte dos associados – da maioria, segundo MARTINS (1989) Das propostas apresentadas, 13 associados não concordaram, pedindo sua eliminação.

Pensavam na formação de uma outra agremiação, mais popular, aberta, mais democrática. Fundam o ONZE MARANHENSE, que, além do futebol, desenvolveu outras atividades esportivas: tênis, crocket, basquetebol, bilhar, boliche, ping-pong (tênis de Mesa), xadrez, e a luta livre, introduzida por Álvaro Martins.

Sabe-se que o Jiu-jitsu foi introduzido no Brasil, oficialmente, por Mitsuyo Maeda, – “Conde Koma” -, por volta de 1914. Em 1915, o Conde Koma – em viagem de exibição pelo Brasil para divulgar sua arte -, e a caminho de Belém (novembro daquele ano), passou por São Luís e fez algumas exibições.

Em Belém do Pará, o professor Koma passou a lecionar o verdadeiro Jiu Jitsu a seu dileto aluno Carlos Gracie. Os irmãos Carlos e Hélio Gracie foram os precursores do que hoje é chamado de Jiu Jitsu Brasileiro, de eficiência comprovada no mundo inteiro [4]

Em 1925 Geo Omori fundou a primeira academia de Jiu Jitsu no Brasil, mas o esporte só se consolidou com a família Gracie.

Como explicar que o Jiu-jitsu foi introduzido – no Brasil – em 1914/15, pelo Conde Koma, e que a primeira academia date de 1925, criada por Geo Omori se desde 1909 já era praticada no Rio de Janeiro – e consta que “o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros. e, provavelmente desde 1908, e certamente desde 1910, em São Luís do Maranhão?

Se em 18 de abril de 1910, segunda feira, em “A Pacotilha” de no. 90 consta noticia de que no “Fabril Athletic Club” – FAC – estava em funcionamento um “um curso de jiu-jitsu, dirigido pelo Sr. F. Almeida contando já com muitos adeptos. Esse curso passará a funcionar, regularmente d’agora em diante, aos domingos das 8 as 10 horas do dia” ?;

 E que também no “Onze Maranhense – fundado nesse mesmo ano de 1910, de uma dissidência do FAC -, desenvolveu-se, dentre outras atividades esportivas, a luta livre, introduzida por Álvaro Martins?, segundo informa Dejard Ramos Martins ?

 

[1] Do acervo da Biblioteca Pública “Benedito Leite”, disponível em microforma.

[2] (IN LACÊ, André. Disponível em CD-Room, enviado ao autor. CIRÍACO, HERMANNY, ARTUR E HULK.

 [3] MARTINS, Djard Ramos. MERGULHO NO TEMPO. São Luís : Sioge, 1989;  in  VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; VAZ, Delzuite Dantas Brito. A introdução do esporte (moderno) no Maranhão. CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPORTE, LAZER E DANÇA, 8º, Ponta Grossa, UEPG … Coletâneas … disponível em CD-ROOM, novembro de 2002.

[4] (fonte: www.pef.com.br/esportes/?e=jiu-jitsu).

http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/+a+victoria+do+jogo+brasileiro+capoeira+versus+jiu-jitsu+-+parte+final in Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br, Edição 75 – de 27/Maio 13 de Junho de 2006

http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/capoeira+luta+-+debate+aberto+e+franco, Jornal do Capoeira www.capoeira.jex.com.br, Edição 45: 29 de Agosto à 04 de Setembro de 2005

Jiu-jitsu no Maranhão Desde 1909…

Por Leopoldo Gil Dulcio Vaz
em 24-08-2009, às 12h04.

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Publiquei em meu Blog Sáb, 22/08/09  por leopoldovaz | http://colunas.imirante.com/leopoldovaz/2009/08/22/curiosidades-o-que-escrevem-e-o-que-e-real/#respond categoria Esporte Escolar, Informação, Literatura & Esporte, Raízes, Recordar é Viver

Para quem faz Jornalismo Esportivo é imprescindível conhecer o mínimo…  como a própria história da modalidade e suas princiais características. Falo, de uma nota publicada já duas vezes num jornal online – sobre o Jiu-Jitsu… como curiosidade: fora introduzido no Brasil pelo Conde Koma, a partir de 1915, que o ensinou aos Gracies, do Pará… que a primeira academia fora fundada no Rio de Janeiro em 1925 por Omori… Certo! até aí, nada de mais, pois essa é a versão oficial… O que não aceito, é que no Maranhão! se divulgue essa versão

ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL (org. Lamartine Pereira da Costa), em duas versões: em papel, editado pela Shape, em 2005; e a edição eletronica, disponível em www.atlasesportebrasil.org.br

TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO…

ter, 29/03/11
por leopoldovaz |

Ainda estou trabalhando no texticulo… mas já dá para começar um bate-papo, para ajudar o Mayrhon em seu projeto de pesquisa. Quem tiver informações sobre essa modalidade de jogo/luta, enviar em ’comentários”

TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO…

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

 […] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984 (www.bullshido.net )

 RESUMO – Busca-se a origem do estilo de luta “Tarracá”, supostamente criado pelo lutador de Vale-Tudo (MMA) maranhense Rei Zulu – Casimiro de Nascimento Martins – e questão de pesquisa de Mayrhon José Abrantes Farias, do GEPPEF-UFMA, a quem fiz as anotações a seguir. Rei Zulú, por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, ou atarracado – que vai se constituir em um estilo - maranhense – disseminado tanto por ele, Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava -  e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense.

Palavras-chave: MMA; ESTILO DE LUTA; TARRACÁ; MARANHÃO; REI ZULU   

INTRODUÇÃO – ou Justificativa da pesquisa

Vez por outra recebo pedido de ajuda de colega da Educação Física que está buscando material para iniciar trabalho de pesquisa, para elaboração de monografia de graduação, de especialização, dissertação de mestrado e, mesmo, tese de doutorado. 

Jamais me recuso em ajudar naquilo que posso. Geralmente, o pedido parte de indicação de algum professor. Torno-me fonte da História/Memória da Educação Física, dos Esportes e do Lazer, no/do Maranhão. 

Mas de vez em quando chega pedido que não posso atender; o que me leva a empreender algum tipo de investigação. Acabo fazendo uma pesquisa paralela. Nessas vezes, o solicitante acaba dando informações sobre o tema que pretende desenvolver. 

Aparece, então, um fato novo, que precisa ser investigado. Agradeço ao Mayrhon José Abrantes Farias do GEPPEF-UFMA- Grupo de Estudos e Pesquisas Pedagógicas em Educação Física a “dica”: 

“Caro Professor Leopoldo, [...] Sou recém formado em Educação Física pela UFMA, sou aluno do professor Emilio [Moreira] no Judô a longas datas, e batendo um papo recentemente com ele e através de recomendações de professor Paulinho da Trindade e professor Laercio [Elias Pereira] cheguei até o senhor.  

Já fiz algumas leituras de textos seus referentes à Capoeira no Maranhão e outros na disciplina de História da Educação Física. Com certeza o senhor pode me ajudar.  

Durante algum tempo venho interessado em estudar e investigar sobre o TARRACÁ, aparentemente uma luta praticada na baixada que foi “popularizada” pelo Rei Zulú. O Sr. já ouviu falar a respeito?  

Em um módulo de lutas com o professor James Adler recordo que ele abordou algo superficial sobre essa luta. Em uma de minhas espiadas on-line fiz a busca do termo e sempre é direcionado ao Rei Zulú.  

Fala-se que é uma luta indígena praticada em comunidades ribeirinhas. Amigos meus de Pinheiro já confirmaram a existência do tarracá enquanto uma manifestação lúdica, uma brincadeira comum entre pescadores da região. Estou louco para ir até lá e investigar e tentar a posteriori compor um projeto de mestrado referente à temática.  

Venho através deste e-mail solicitar ajuda ou dar um grito de SOCORRO para iniciar minhas empreitadas em campo. Algumas leituras com a antropologia e a etnografia se façam necessárias.  

O senhor tem conhecimento de algo a respeito de produções ou pistas para se investigar o tarracá? Caso tenha ficarei grato pela ajuda. Um forte abraço e desde já agradeço. “

 O que é o TARRACÁ? Não sei! Nunca ouvira falar, até agora! Mas remeti a questão a alguns Mestres Capoeiras – Mestre Marco Aurélio Haickel, Baé, Mizinho – que certamente darão alguma notícia. Marco Aurélio certamente vai investigar, também, junto ao Mestre Patinho, Mestre Nelsinho, Mestre Índio do Maranhão – apenas citando alguns – que poderão dar notícias do Tarracá. 

O que se sabe? Apenas aquilo que o Prof. Mayrhon coloca, em sua mensagem: 1. uma luta indígena praticada em comunidades ribeirinhas. 2. uma manifestação lúdica, uma brincadeira comum entre pescadores da região (Baixada) 3. luta praticada na Baixada que foi “popularizada” pelo Rei Zulú.  Temos um ponto de partida!  

 MMA (Mixed martial arts – artes marciais mistas), O REI ZULÚ E SEU ESTILO DE LUTA – O ‘TARRACÁ’

 Buscar o que seja – ou qual a origem – do “Tarracá”, e partindo da referência ao Rei Zulú, leva-nos ao moderno movimento das lutas corporais, hoje corporoficadas na sigla MMA – as artes marciais misturadas modernas com suas raizes em dois acontecimentos: o vale-tudo no Brasil, e o “shoot wrestling japonês.

O Vale-Tudo é uma modalidade de combate sem armas, onde os lutadores utilizam apenas os seus corpos para ferir e possui com isso, poucas regras, o suficiente para preservar a integridade física dos lutadores, bastante amplo em termos técnico-táctico com um sistema muito próprio de preparação e desenvolvimento bastante complexo devido à exigência das lutas. É uma modalidade de luta com contacto pleno (full contact) em que os adversários nem sempre precisam seguir um único estilo de arte marcial. Essa modalidade foi muito difundida no Brasil, inicialmente pelos irmãos Gracie. O evento que mais difundiu a modalidade foi o Ultimate Fighting Championship, que em seus primórdios havia menos regras e restrições, além de haver várias lutas na mesma noite, sem limite de tempo[1]:  

O vale-tudo começou na terceira década do século XX, quando Carlos Gracie[2], um dos fundadores da luta marcial brasileira Gracie Jiu-Jitsu[3], convidou cada competidor de modalidades de luta diferentes. Isso era chamado de “Desafio do Gracie”. Mais tarde, Hélio Gracie e a família Gracie e principalmente, Rickson Gracie[4], mantiveram este desafio que passaram a se dar como duelos de Vale Tudo sem a presença da mídia. [5]

 

                 
Rickson Graciehttp://pt.wikipedia.org/wiki/Rickson_Gracie  Carlson Gracie Helio Gracie

 

     
Rorion Gracie Família Gracie  

 

Segundo essa mesma fonte, no Japão, década de 80, Antonio Inoki organizou uma série de lutas de artes marciais misturadas – o “shootwrestling, com a formação de uma das primeiras organizações japonesas de artes marciais misturadas conhecida como “shooto[6]

 A partir de 1993, Rorion Gracie[7] e outros sócios criaram o primeiro torneio de UFC, quando as artes marciais misturadas obtiveram grande popularidade nos Estados Unidos. Os japoneses, em 1994, criam o “Free Style Japan Championship” ou “Open Free Style Japan” em 1994. Rickson Gracie – um grande lutador de Vale Tudo do Brasil na década de 1970 e 1980, e que fazia lutas em MMA no Open Japan, vencendo as duas primeiras edições (1995 e 1995); luta também nas Primeiras edições do “PRIDE Fighting Championships. O UFC passou a ficar em baixa, perdendo valor e sendo proibido em vários estados dos Estados Unidos. Em 2001, os empresários Dana White, Lorenzo e Frank Fertitta compraam o UFC, fundando uma empresa chamada Zuffa. Após várias mudanças nas regras conseguiram legalizar o esporte em praticamente todos os estados americanos. Em 2007 o UFC compra o Pride, levando vários atletas do Japão para os EUA e tranformando o UFC na maior organização de MMA do planeta. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Artes_marciais_misturadas).

http://www.bullshido.net/

 WingChun Lawyer [8] se posiciona, em sítio dedicado ao MMA: I am afraid I have no more hard data on Zulu. He fought basically relying on his impressive strength, and I was told he managed to throw Rickson out of the ring a couple of times before being submitted.[…] Mainly what I find online are posts on messageboards with no more useful or reliable information, either in english or in portuguese. I thought this was an interesting subject because, well, it DOES seem like Tarracá was created from scratch – Rei Zulu´s boxing skills are really weird, his moves are strange, and it does look rough - although some of his throws would make many a judoka envious. […] I only know he claims to have created Tarracá from scratch because I found a very short interview on a blogspot, apparently he still fights and runs a gym where he teaches Tarracá.

Rei Zulu ficou famoso por desafiar lutadores do Brasil e de outras partes do mundo. Após 17 anos de competição estava invicto após 150 lutas (década de 1980). Rei Zulu lançou um desafio à família Gracie para ver quem era o melhor lutador de Vale Tudo de toda a nação.  Em entrevista – antes da primeira luta contra Rickson Gracie (1980) -, disse que “seria mais um freguês de pancada e que não se preocupava com a alimentação antes da luta, pois “comia até ferro derretido”.

Rei Zulu é considerado por Rickson Gracie o mais difícil oponente com quem já lutou: [...] nos anos 80, Rickson travou cerca de 231 combates (nacionais e internacionais), e afirma ter sagrado-se vencedor em todos por finalização. No Brasil, a rivalidade entre o Jiu-Jitsu e a Luta Livre era tamanha, que houve a necessidade de se provar ao público, qual arte marcial e lutador era superior, assim, foi organizada uma luta entre Rickson e o temido Rei Zulu, com isso, após Rickson Gracie vencer por duas vezes o grande Rei Zulu (que estava no auge e há 150 lutas invicto), nunca mais teve desafiantes a altura enquanto lutou.( http://pt.wikipedia.org/wiki/Rickson_Gracie)

 

   

REI ZULU X RICKSON GRACIE

O Rei Zulú é a maior referencia do “Vale Tudo” no/do Maranhão. Nascido Casimiro de Nascimento Martins, em 09 de junho de 1947 é um lutador de Vale-Tudo: “criado em Pontal, no interior do Maranhão. Lá, aprendeu a Tarracá, luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região. Como seus 17 irmãos, nunca freqüentaram a escola. Cresceu forte e brincalhão. Aos 14 anos, mudou-se com a família para a Vila Ilusão (sic), na Ilha de São Luís.” (LAROCHE, 2010) [9] (grifos nossos). 

O Rei Zulu[10] tornou-se famoso também pelas caretas que faz enquanto luta. Ele diz que as caretas são para mostrar que está feliz por estar ali. Nunca freqüentou academias de musculação, mas desenvolveu um estilo de luta próprio, e realiza seu treinamento físico diariamente com pedras pesadas, pneus, marreta e diz não gostar de freqüentar academia, por isso treina no quintal de casa: empurrar paredes, lançar pedras com mais de 5 Kg a grandes distâncias, correr entre arbustos, levantar carroças com pedras e andar com uma corda no pescoço puxando dois pneus eram instrumentos utilizados em seu arcaico treinamento. Possuía uma força naturalmente descomunal.  

http://forum.portaldovt.com.br/forum/index.php?showtopic=126140

É pai do também lutador Zuluzinho[11]. Em entrevista (Budo International, Blackbelt) Zuluzinho enumera seu jiu-jítsu (faixa-roxa) e Vale Tudo, afirma ter aprendido Tarracá com seu pai, responsável pelo método de treinamento utilizado pelo lutador em todos esses anos.

   Rei Zulu e seu filho Zuluzinho

 

Rei Zulu nunca praticou artes marciais, desenvolveu seu estilo próprio que se aproxima de brigas de ruas: Eu só sei que ele afirma ter criado Tarracá a partir do zero, porque eu encontrei uma entrevista muito curto em um blogspot, aparentemente, ele ainda luta e corre uma academia onde ensina Tarracá. (WingChun Lawyer)[12] 

Mauricio Kubrusly, em “Me leva Brasil” [13] entrevistou Rei Zulu em São Luis do Maranhão, onde reside: - Quem primeiro me treinou foi meu pai. E tem a prática com zorras, os pneus… é que no interior chama zorras. E ele conhecia também o tarracá, a luta dos índios. 

 Marc Magapi[14], em outra reportagem, descreve o ritual do Rei Zulú em suas lutas, como também informa ser seu pai o criador do estilo que “desenvolveu”: Rei Zulú (Eu como até ferro derretido) – Nascido em São Luiz, Maranhão, este folclórico lutador, é protagonista de inúmeras histórias por conta das décadas em que praticou o vale tudo (um cartel com mais de 250 lutas). Zulú entrava no ginásio, seguindo um ritual, que tinha início com uma volta olímpica, na qual saudava o público presente, sempre com o braço esquerdo estendido. Ao subir no ringue, o maranhense jogava-se no chão, rolava para o lado, dava cambalhotas, movimentava os ombros para frente e para trás e fazia inúmeras caretas. Zulú tinha a característica de zombar de seus adversários, acreditando sempre em sua força descomunal para vencê-los no momento que bem quisesse. Um autodidata do mundo das lutas, que sempre se disse representante do “Tarracá”; estilo criado por seu pai, que consistia basicamente em se “atracar” com o adversário, nunca teve aulas de jiu-jitsu, capoeira ou luta livre em uma academia.

Esse mesmo autor informa ter havido em São Luís do Maranhão uma “arena de lutas”, denominada de “Terreiro Tarracá”, no Bairro do João Paulo, onde era disputado um campeonato semanal de Vale Tudo, conforme se vê em “O encontro de Magapi com Rei Zulú” [15]:  1997 São Luis – MA - tem uma faixa lá no João Paulo (bairro) chamando as pessoas para assistir o (pásmem!!!) semanal campeonato de vale tudo do Tarracá e dizendo que o Rei Zulú vai lutar movimentadas com uma média de 3 minutos para cada uma [...] nesse local tinha luta todo final de semana mesmo [...] Era um sábado, o local era escuro, a entrada era R$5,00 e no programa estavam confirmadas 6 lutas. O nome do local é Arena do Tarracá ou Baixada do Tarracá.  

 UMA TEORIA POSSÍVEL, UMA CLASSIFICAÇÃO, UMA IDENTIDADE…

Tubino (2010, p. 20) [16] ao tratar da ‘origem do esporte’, refere-se aos estudos de Diem (1966) [17] para quem a história do esporte é íntima da cultura humana. Ela vem da natureza e da cultura humana (EPPENSTEINER, 1973) [18]: “[...] a natureza e a cultura coexistem ao criar um ‘instinto esportivo’, que para ela é a resultante da combinação do lúdico, do movimento e da luta.”

  Tubino (2010) refere-se que as antigas civilizações já tinham atividades físicas/pré-esportivas em suas culturas, a maioria com características utilitárias, que desapareceram com o tempo; outras se transformaram em esportes autótonos, esportes considerados “puros”, que continuaram a ser praticados ao longo do tempo sem sofrer influência de outras culturas. Quando essas práticas permanecem, mas sofrem modificações de outras culturas, geralmente de nações colonizadoras, passam a ser chamados de Esportes ou Jogos Tradicionais.

Dentre as correntes esportivas contemporâneas (TUBINO, 2010, p. 54), encontramos, dentre outros, os Esportes Tradicionais, esportes consolidados pela prática durante muito tempo -; os Esportes das Artes Marciais – provenientes da Ásia, inicialmente praticadas militarmente pelos guerreiros feudais, e hoje práticas esportivas: jiu-jitsu, judô. Karatê, taekwondo; os Esportes de Identidade Cultural, que são aqueles com vinculação cultural: no Brasil, a Capoeira principalmente; são identificadas outras modalidades esportivas de criação nacional, de prática localizada nos seus ”lócus”, inclusive as indígenas: Uka-uka, Corrida de Toras, etc., sem preocupações de práticas por manifestação. (p. 56-57): As it happens with natural opponents, luta livre absorbed elements from jiu-jitsu as well, just as jiu-jitsu absorbed elements from luta livre in the process of becoming “BJJ”. Many jiu-jitsu experts fought professionally in the pro-wrestling context. Among some of the fighting cultures present in the Brazilian context having some impact upon Brazilian luta livre, we may consider huka-huka wrestling (from the Amazonian indigenous people), marajoara wrestling (practiced on the sands of the Marajó Island), tarracá (practiced at Maranhão) and capoeiragem (especially from the tradition practiced in Rio de Janeiro). As some early experts came from the “Graeco-Roman” wrestling context, luta livre also received some of its influence. (Notes on the History of Brazilian Luta Livre)[19] (grifos nossos).

 Wrestlers da Grécia Antiga 

 Recorramos à Wikipédia[20]: “Wrestling” (lit. luta) é uma arte marcial que utiliza técnicas de agarramento como a luta em “clinch”, arremessos e derrubadas, chaves, pinos e outros golpes do “grappling”. Uma luta de “wrestling” é uma competição física entre dois (às vezes mais) competidores ou parceiros de “sparring”, que tentam ganhar e manter uma posição superior. Há uma grande variedade de estilos, com diferentes regras tanto nos estilos tradicionais históricos, quanto nos estilos modernos: Técnicas de wrestling foram incorporadas por outras artes marciais, bem como por sistemas militares de combate corpo-a-corpo. Como esporte, com exceção do atletismo, o wrestling é o esporte mais antigo de que se tem conhecimento, e que se pratica ininterruptamente ao longo dos séculos de maneira competitiva.  

“Grappling” é o nome que se dá a uma técnica de imobilização, ou uma manobra evasiva, a qual se dá por meio do domínio do oponente. Forma de combate muito utilizada em táticas policiais e esportes de contato, como o “wrestling”. 

Federação Universal de Wrestling (Universal Wrestling Federation) – O movimento da UWF foi liderado pelos lutadores de ‘catch wrestling’ e originou o “boom” da MMA (artes marciais mistas) no Japão. O “catch wrestling” forma a base dos estilos de “wrestling” japonês como o “shoot wrestling(que incorpora movimentos realistas, como pegadas de submissão, chutes de “kickboxing, entre outros).  

O catch wrestling é um estilo tradicional de wrestling que tem várias origens, os mais famosos são os estilos tradicionais da Europa como “collar-and-elbow“, wrestling de Lancashire ou “catch-as-catch-can”, submission wrestling, entre outros, além dos estilos asiáticos pehlwani e jujutsu.  

“Wrestling” tradicional (em inglês: folk wrestling; lit. luta tradicional) é denominação geral de várias disciplinas de “wrestling ligadas a um povo ou a uma cultura, que podem ou não ser codificados como um esporte moderno. A maioria das culturas humanas desenvolveu seu próprio tipo de estilo de “grappling”, único se comparado a outros estilos praticados. Enquanto diversos estilos na cultura ocidental podem ter suas raízes na Grécia Antiga, outros estilos, particularmente os da Ásia, foram desenvolvidos de forma independente. 

Uka-uka é um estilo de “wrestling” tradicional brasileiro dos povos indígenas do Xingu e dos índios Bakairi, de Mato Grosso. O uka-uka faz parte do Jogos dos Povos Indígenas como parte da modalidade luta corporal que é praticada como modalidade de demonstração.

Encontramos, ainda, como um estilo de wrestling tradicional transmontano” a Galhofa que se define como um desporto de combate. É tida como a única luta corpo a corpo com origens portuguesas. Tradicionalmente, este tipo de luta era parte de um ritual que marcava a passagem dos rapazes a adultos, tinha lugar durante as festas dos rapazes e as lutas tinham lugar à noite num curral coberto com palha. 

 SENHORAS E SENHORES PERMITAM-ME APRESENTAR-LHE… TARRACÁ.

[…] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984

(Senhoras e senhores, permitam-me apresentar-lhe… Tarracá. Ela foi usada por um lutador Vale Tudo que se autodenominava “Rei Zulu” no início dos anos 80 aqui no Brasil, ele chutou (melhor ainda, jogou cerca de) um grande bundas poucos antes de começar batido para fora por Rickson em 1984.) 

 in http://www.bullshido.net/forums/archive/index.php/t-51830.html 

 Mestre Baé – da Federação de Capoeira[21] – responde e informa sobre o “ATARRACAR” em correspondência eletrônica: Recebi seu Email, Com relação ao tema ATARRACAR; posso lhe adiantar o seguinte: desde criança tenho ouvido falar,assim como quase todos que também como eu sou da Baixada maranhense, grande parte da minha família é de Viana, Penalva, e Municípios vizinhos.

Minha família sempre foi voltada para criação de gado e pescaria no interior, quando éramos crianças sempre a gente se atarracava um com o outro na beira do curral ou do rio e até no campo para ver quem era melhor de queda e isso porque a gente via os mais velhos fazerem também ,meus avós e tiso/avós falavam que isso sempre existiu o nome ATARRACAR e conhecido em vários interiores do Maranhão mas nunca ouvir dizer que era uma LUTA ou eu tenho lido algo afirmando ser luta, sempre foi o nome dado a forma de nos pegarmos para dar uma queda no outro em um corpo a corpo mais nunca foi denominado como luta até porque era baseada mais na força física e jeito de cada um pegar e arremessar o outro no chão através de uma queda.Luta pelo que eu tenho conhecimento possui técnica, bases, nomenclatura de movimentos, regras e etc..

 Então, é uma tradição na Baixada, uma forma de movimento agonístico, em forma de luta, conforme Baé guarda em suas memórias. Este Mestre Capoeira não considera aquela brincadeira como luta, dado seu conhecimento da Capoeira, e sua sistematização.

            Em outra correspondência, recebida de Mestre Marco Aurélio, em que indaguei sobre a busca da origem do “TARRACÁ”, estilo de luta livre (hoje seria MMA) adotado pelo lutador maranhense Zuluzinho, que aprendera com seu pai, o Rei Zulú; Zulu, criado em Pontal, no interior do Maranhão, onde aprendera uma luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região: o Tarracá[22]:  

Quanto ao Atarracado, desconheço sua presença no centro-sul do Maranhão, apesar de poder haver, mas é uma prática muito comum no centro-norte, pelo menos na região do Pindaré e na Baixada, nesta última, pelo que já ouvi de alguns capoeiras originários daquela região das águas falarem-me a respeito.  

No que diz respeito à sua presença na região do Pindaré é fato, pois eu mesmo a praticava bastante, tendo sido ao longo do tempo, na qualidade de menino, e aí vai até meus doze (12) anos, a base de tudo o que sabia nas minhas ”brigas de rua”. 

Apesar de ter nascido em São Luís, me criei, desde bebê, até os sete (07) anos de idade, na cidade de Pindaré-Mirim, outrora, Engenho Central, e em sua origem, Vila São Pedro. Como toda criança ribeirinha, as brincadeiras eram em torno do rio, dos lagos e igarapés, ou então nas várzeas, e aí, não faltavam os embates.  

Lembro-me que a minha afinidade com a prática era bastante estreita, talvez, por desde pequenino ter sido corpulento, de maneira que não era muito afeito à briga “corpo fora”, como se dizia, mas, mais no “atarracado“, ou “corpo dentro”, o que se dava a partir de uma cabeçada. A ponto de quando ousava me aventurar pelo “corpo fora”, na maioria das vezes saía perdendo…  

Foi na Capoeira, que fui aprender o embate, digamos, “corpo fora”, a partir da ginga, de peneirar… – por favor, deixo claro que “corpo fora” e “corpo dentro”, não é nem um tipo de modaliade de luta, mas somente para fins, talvez, de didática, consoante dizíamos no interior.

Quanto à origem do Atarracado – Tarracá -, Mestre Marco Aurélio diz:

[...] não sei afirmar, se indígena ou africano, quiçá, até mesmo européia, nesta senda, somente pesquisando-se para buscar referências.  

Posso afirmar, no entanto, o que não quer dizer que a priori seja africana, é que tive oportunidade de ver, em um evento internacional de lutas de origem africana, em Salvador/BA, em 2005, quando levamos daqui, a “Punga dos Homens” [23], uma prática que existe rasteiras e desequilibrantes, no tambor de crioula, um pessoal de Angola/África, apresentar a Bassúla, uma luta, a despeito de alguns golpes diferentes, muito semelhante ao Atarracado, pois imediatamente, quando vi os angolanos praticando-a, eu achei bastante parecida com o Atarracado, impressão esta, também denunciada pelo Mestre Alberto Eusamor, que lá estava comigo, assim como tantos outros, representando o Maranhão.

 No que diz respeito a uma influência indígena direta, e que é uma brincadeira da região do Pindaré e, acho, da região Norte como um todo, é o “Cangapé”, uma espécie de rabo de arraia e outros molejos que se pratica lançando-se para cima do contrário, na água.

Em outra mensagem eletrônica, Mestre Marco Aurélio acrescenta: 

Falei de como o atarracado tem semelhança com a Bassúla, luta de um país africano (Angola) e, no entanto, não me lembrei, na oportunidade, de falar de uma luta de origem indígena, o que se faz necessário, para ponderarmos, trata-se do Uka-Uka, um embate indígena, que consiste em fazer com que o contrário ponha um dos ombros no chão, hoje, ocorrente durante o “Quarup” um grande evento-cerimonial existente entre os povos do Alto-Xingú.  

Mas poderiam perguntar o que uma prática existente entre povos indígenas do Alto-Xingú tem a ver com uma prática ocorrente no Maranhão? Segundo Roberto da Mata, desculpem-me não dispor da referência bibliográfica, os povos Krahô e Xavante saíram em uma corrente migratória, a partir do Maranhão, para onde se encontram hoje, respectivamente, Tocantins e Alto-Xingú.  

Daí há de notar-se que o Maranhão em razão de ser banhado por inúmeras e grandes bacias hidrográficas era e é um celeiro de alimentos, o que deve ter sido berço de inúmeros povos indígenas, entre atuais, extintos e migrantes. Talvez, esse berçário, para os que possuem uma visão míope, e consideram que o maranhense tenha uma cultura ”preguiçosa” é por desconhecerem exatamente esse manancial de alimentos que é e, que outrora, tenha sido ainda mais.  

Em resposta ao Mestre Marco Aurélio, coloquei que o Xavante é originário do Maranhão, forçado a migrar, indo para os lados do Tocantins, subiu o Araguaia, se estabelecendo na Ilha do Bananal, forçado pelas ‘guerras justas’ do período colonial. As frentes de penetração, mais modernas, têm forçado essas migrações. É um fato histórico. 

Sobre o Uka-uka, andando por esses interiores, fui encontrar em Carutapera o estilo ‘onça pintada’, introduzido na região por um mestre paraense – Mestre Zeca – baseado em luta de antiga tradição marajoara – o agarre marajoara; lembrando que muitas das nações indígenas que se estabeleceram na Ilha do Marajó foram ‘desterradas’ do Maranhão durante o período colonial; inclusive, há certa semelhança entre as cacarias encontradas nas estearias do lago Cajari com motivos marajoaras:

Já retornei de Caratupera, região do Alto Turi, fronteira com o Pará … conversei com alguns capoeiras da área – Caratupera e Maracassumé – que estão ligados ao Pará, através do Mestre Zeca … não consegui informações, ainda,  sobre a “capoeira carioca”, pois, muito jovens não conhecem a história da região.

Turiaçu fica bem próximo de Carutapera, na mesma região do Turi. O grupo de Carutapera denomina-se ACANP – Associação Capoeira Arte Nossa Popular – fundada por Mestre Zeca, de Belém do Pará – Jose Maria de Matos Moraes (33 anos). A ACANP é filiado da Federação Paraense de Capoeira; o estilo praticado é o “Angola com Regional”, estando desenvolvendo, em Maracassumé, e introduzindo em Caratupera, o estilo desenvolvido pelo Mestre Zeca, que denominam de “Onça Pintada” – que seria uma fusão da Regional com o Agarre Marajoara. De acordo com Álvaro Adolpho, de Belém do Pará, ex-diretor do Departamento de Educação Física do Pará, o “Agarre Marajoara” é uma luta desenvolvida pelos índios da Ilha do Marajó – que guarda uma certa semelhança com o Uka-uka - havendo registro de sua pratica ha mais de 300 anos. De acordo com o Prof. Álvaro, talvez seja a primeira luta-esporte com registro de sua pratica no Brasil. [24]

Além da correspondência do Marco Aurélio, recebo outra, do Javier, desde as Astúrias/Espanha, indicando um sítio, da Biblioteca da Federação Internacional de Capoeira – FICA, da qual é Presidente -, em que aparece uma luta semelhante à que o Rei Zulu e Zuluzinho praticam – o tal estilo Tarracá -, disponível em vídeo do link anexo: E “Batuque duro” do Kalahari -1930.
http://salavideofica.blogspot.com/2010/11/1930-c-ernest-cadlewild-men-of-kalahari.html

 UMA CONCLUSÃO POSSÍVEL

Rei Zulú, que praticava o que denominou de “tarracá” em sua infância, como atividade corriqueira, jogo/luta de sua infância, e dada suas características físicas, em um dado momento, ainda no quartel, vale-se de ambas – a forma de ‘luta’ e a força – para conquistar um espaço, que vem a se tornar uma profissão.

Para justificar seu estilo peculiar – força bruta – e por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, segundo Baé, ou atarracado, segundo Marco Aurélio – que vai se constituir em um estilo - maranhense – disseminado tanto por Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava -  e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense…

Aguardemos a continuidade da pesquisa, a ser feita pelo Prof. Mayrhon José Abrantes Farias, do GEPPEF-UFMA, que provocou essa curiosidade, indo direto às fontes: Rei Zulu e Zuluzinho.


[1] In http://pt.wikipedia.org/wiki/Vale_tudo

[2] Carlos Gracie (Belém, 14 de setembro de 19027 de outubro de 1994) foi um mestre do Jiu-Jitsu no Brasil. Filho de Gastão Gracie e aluno de Mitsuyo Maeda, ele é considerado o criador do sistema de luta marcial brasileira Brazilian Gracie Jiu-Jitsu (BJJ) e o precursor de todos os lutadores que tornaram a família Gracie mundialmente famosa. Seu aluno mais famoso é o irmão mais jovem, Hélio Gracie. (In http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Gracie)

[3] Jiu-jitsu brasileiro ou Gracie jiu-jitsu – é uma luta marcial brasileira e estilo de jiu-jitsu desenvolvido pela família Gracie, que tornou-se a forma desse esporte mais praticada no mundo.

[4] Rickson Gracie (Rio de Janeiro, 20/11/1958) é um artista marcial praticante do Jiu-Jitsu Gracie (ou Jiu-Jitsu Brasileiro) e ex-lutador de MMA e vale-tudo. Atualmente mora nos Estados Unidos e é conhecido mundialmente. Possui 487 lutas entre desafios de Vale tudo, MMA, Torneios de Jiu-Jitsu, Sambô e Luta livre, e afirma ter vencido todas por finalização. (in http://pt.wikipedia.org/wiki/Rickson_Gracie)

[5] in http://pt.wikipedia.org/wiki/Artes_marciais_misturadas

[6]  In http://pt.wikipedia.org/wiki/Artes_marciais_misturadas

[7] Rorion Gracie é um praticante de artes marciais brasileiro. É o filho mais velho de Hélio Gracie. Rorion é uma das poucas pessoas do mundo a deter o grau 9, ou seja, a faixa vermelha do Jiu-jitsu brasileiro. Rorion recebeu essa promoção de seu pai em 27 de outubro de 2003. Foi um dos fundadores do Ultimate Fighting Championship. Tendo como base os combates de gladiadores, desenhou o octógono do UFC. É o criador e proprietário da Academia Gracie em Torrance, Califórnia. Ele mora nos Estados Unidos desde a década de 1970 onde, inicialmente dava aulas de jiu-jítsu na garagem de casa. (in http://pt.wikipedia.org/wiki/Rorion_Gracie)

[8] In (http://www.bullshido.net/forums/showthread.php?t=51830&page=3  (grifos nossos)

 [9] LAROCHE, Marília de. “Conheça Rei Zulu e Zuluzinho, os lutadores do Maranhão, disponível em  http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_13/2010/11/15/ficha_ragga_noticia/id_sessao=13&id_noticia=30972/ficha_ragga_noticia.shtml e em http://forum.portaldovt.com.br/forum/index.php?showtopic=126140

[10] Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rei_Zulu

[11] Algumas lutas de Zuluzinho:

http://www.youtube.com/watch?v=2RZtRfylWqA; http://www.youtube.com/watch?v=twbmb_i5YNk 

[12] http://www.bullshido.net/forums/showthread.php?t=51830&page=3  

[13] Kubrusly, Mauricio in

 http://fantastico.globo.com/platb/melevabrasil/2008/04/08/zuluzinho-x-zuluzao/

[14] MAGAPI, Marc. “Esses loucos lutadores e suas estranhas manias”disponível em 
http://www.fisiculturismo.com.br/forum2/viewtopic.php?t=27186

[15]MAGAPI, Marc “O encontro de Magapi com Rei Zulú” disponível em  http://magatown.br.tripod.com/antigas.htm;

Ver também http://www.sherdog.net/forums/f2/closed-door-underground-fights-389143/  

[16] TUBINO, Manoel José Gomes. ESTUDOS BRASILEIROS SOBRE O ESPORTE – ênfase no esporte-educação. Maringá: Eduem, 2010

[17] DIEM, Carl. História de los deportes. Barcelona: Corali, 1966

[18] EPPENSTEINER, F. El origen Del deporte. In CITIUS, ALTIUS e FORTIUS. Madri, XV, p. 259-272, 1973

[19] in http://www.facebook.com/topic.php?uid=136381899755284&topic=70

[20] http://pt.wikipedia.org/wiki/Wrestling

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Grappling

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Wrestling#Catch_wrestling

[21] Mestre Baé – FECAEMA – Federação de Capoeira do Estado do Maranhão. Mestre/Presidente do Grupo Candieiro de Capoeira Ver Orkut;Mestre Baé ou baecapoeira@hotmail.com

[22] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. In Blog do Leopoldo Vaz, disponível em: http://colunas.imirante.com/platb/leopoldovaz/2011/03/22/em-busca-do-elo-perdido-historiamemoria-da-educacao-fisica-nodo-maranhao/ 

[23]

[24] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Notícias do Maranhão in JORNAL DO CAPOEIRA – 05/06/2005 – disponível em  - http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/capoeira+maranhao+agarre+marajoara

PRIMEIRO CAMPEONATO DE FUTEBOL NO MARANHÃO

seg, 28/03/11
por leopoldovaz |

PRIMEIRO CAMPEONATO DE FUTEBOL NO MARANHÃO

por

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

Em março de 1909, é anunciado um concurso [1](torneio) de Futebol a ser disputado por sócios do Fabril Athletic Club (FAC) e o Maranhense Foot-Ball Club (MFC); cada clube deveria inscrever 24 (vinte e quatro) jogadores, que seriam divididos em quatro (4) equipes de seis (6) jogadores cada, e 30 (trinta) minutos de duração, cada partida.

O primeiro jogo da série deveria começar em 11 de abril, disputando-se dois (2) jogos por Domingo, sendo o encerramento em 02 de maio, entre os times que tiverem melhor classificação no campeonato.

Inscritos os jogadores[2], foram sorteados entre os diversos times:

EQUIPE JOGADORES SORTEADOS VESTIMENTA
A M. A . Santos; José Borges, C.E. Clissold; J.B. Rego Júnior; Bernardino Queiroz; e José Jame Preta
B José F. Costa; T. H. Downey; Raymundo Almeida; E. Simas; M. Mathias Filho; F.C. Ribeiro; Camisa Azul e calça branca
C C.V. Reade; Manoel P. Santos; Ruy M. Faro; Gilberto Sousa; J. Santos; F. C. Ribeiro Calça e camisa branca
D Gorzino Bello; João Teixeira; Raimundo Nunes; Joaquim Ferreira; Satú Bello; e Rego Sousa Camisa encarnada e calça branca
E Almir S. Silva; E.P. Sousa; Albino R. Faria; J.P. Santos; ª M. Gonçalves; e ª R. C. Martins Camisa Azul e Calça branca
F J.M.L. Assis; Raul S. Martins; J. Lima Sobrinho; José Alvim; Laudeli Melo; e J. Santos Camisa preta e calça branca
G Carlos Neves; Delfim Rodrigues; A Figueiredo; Julio A Santos; W. Araújo; e A Gandra Camisa branca e calça preta
H Luís A Leite; A Faria; José A Santos; João Mário; Antonio Santos; e Cunha Júnior Branca e fita preta

No primeiro Domingo já jogam

E x H – referee: C. E. Clissold

C x B – referee: T. H. Downey

No dia 25:

A x D – referee: J. M. A  Santos

G x F – referee: T. H. Downey

A seguir, é dada a escalação dos times, distribuídos os jogadores nas seguintes posições: goal-keeper (1); full-backs (2); forwards (3), e que os times começariam a se enfrentar a partir do dia 18 de abril.[3].

A primeira rodada desse primeiro concurso – campeonato – de foot-ball teve os seguintes resultados:

Jogo 1 – E 5 x 0 H; gols de J. Mário (4) e Cunha Júnior (1)

Jogo 2 – C 4 x 2 B; gols de Downey (4), não sendo informados o(s) marcador(es) da equipe “B”.[4]

A segunda rodada não foi realizada na data prevista – Domingo, 25 de abril – por “motivo de força maior”[5], porém não se informando qual seja o motivo do impedimento… Na edição d’ A Pacotilha de 1º de maio, Sábado, é anunciada a realização da segunda rodada, dando-se a escalação das equipes que se enfrentariam[6].

Lamentando as chuvas que caíram no Domingo – 02 de maio – prejudicando o desempenho dos jogadores, a segunda rodada foi realizada com os seguintes resultados[7]:

            A  1  x  0  D, gols de Rego Serra

            G  2  x  0  F, gols de A Gandra

sendo  que na Quinta-feira – 06 de maio – haveria novo sorteio, dos times vencedores, para as partidas de Domingo

             B  x  G

            H  x  D

 dando-se a escalação de cada uma delas, servindo de árbitro, para ambos os jogos C. E. Clissold.[8] . Os resultados foram, na primeira partida:

             B  10 x 0 G, gols marcados por Downey: dois no primeiro tempo e oito no segundo; e na Segunda partida:

             H  4 x 2 D, gols marcados por Satú Bello e J. Mário no segundo, não se informando quantos cada um marcou, nem quem fez os gols do D.

Os jogos, conforme rezava o Regulamento, foram disputados em dois tempos de 15 minutos cada um, sendo que no intervalo do primeiro jogo, jogava-se o primeiro tempo do segundo jogo; terminado este, voltavam a jogar as equipes da primeira partida o seu segundo tempo; terminada esta, o segundo match do dia

 A final do Campeonato de Foot-Ball seria disputada entre as equipe do “B” x “H”, vencedoras das “semi-finais”:

Posição Team B Team H
Goal E. Simas José A Santos
Full-backs M. Sardinha, eAlmeida Antonio Santos, eL. Leite (captais)
Forwards F. H. Downey;J. F. Costa (captais)

M. Mathias Filho

J. MárioA Farias

Cunha Júnior

Vestimentas Calça branca e camisa azul Branca e fita encarnada
Referee C. E. Clissold

 Embora previsto, no Regulamento, a cobrança de ingressos a partir da Segunda fase da competição, nas semi-finais não foram cobrados, devido as intensas chuvas que vinha castigando a cidade; mesmo assim houve grande afluência de público, em todas as partidas. Para a partida final, seriam cobrados os ingressos.

No Domingo marcado para a grande final desse “primeiro Campeonato Maranhense de Foot-Ball”, voltou a chover muito, a partir das três da tarde – o início do jogo estava marcado para as quatro -, o que impediu a presença do grande público esperado. O jogo começou às 4 ½, e “… esteve realmente bem disputado, pois os footballers jogavam com interesse”, informa o cronista d’ A Pacotilha.

“Após porfiada luta, o team “B” conseguiu marcar o goal, dando-se por encerrada a primeira parte do programa.

“Na segunda parte contava ainda a victória ao team “B”, que fez um segundo goal. Depois disto o team “H” fez um goal, correndo o match sem resultado até o final. Coube, portanto, a victória completa ao team ‘B’”. Não é informado o nome dos marcadores…

Estes são os primeiros campeões maranhenses de foot-ball, em concurso disputado em 1909, entre os sócios footballers dos clubes Fabril e Maranhense, então existentes em São Luís do Maranhão:

Posição Team B
Goal E. Simas
Full-backs M. Sardinha, e  Raymundo Almeida
Forwards T. H. Downey; J. F. Costa (captain); M. Mathias Filho

    F. C. Ribeiro, que disputou a primeira fase do torneio, ao que parece

    foi substituído por M. Sardinha no jogo final.


[1] Pacotilha, 23 de março de 1909

[2] Pacotilha, 14 de abril de 1909

[3] Pacotilha, 17 de abril de 1909

[4] Pacotilha, 19 de abril de 1909

[5] Pacotilha, 24 de abril de 1909, sábado

[6] Pacotilha, 1º de maio de 1909, sábado

[7] Pacotilha, Terça-feira, 04 de maio de 1909

[8] Pacotilha, Quinta-feira, 06 de maio de 1909

TARRACÁ – Elástico aplicado pelo Mestre Marco Aurélio

ter, 22/03/11
por leopoldovaz |

 

  Recebi a seguinte correspondencia de Mestre Marco Aurélio. Lembrando que estamos na busca da origem do “TARRACÁ”, estilo de luta livre (hoje seria MMA) adotado pelo lutador maranhense Zuluzinho, que aprendera com seu pai, o Rei Zulú; criado em Pontal, no interior do Maranhão, lá, aprendeu a Tarracá, luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região. Como seus 17 irmãos, nunca freqüentou a escola. Cresceu forte e brincalhão. Aos 14 anos, mudou-se com a família para a Vila Ilusão, na Ilha de São Luís.  

Essa discussão primeira está nesse Blog, http://colunas.imirante.com/platb/leopoldovaz/2011/03/22/em-busca-do-elo-perdido-historiamemoria-da-educacao-fisica-nodo-maranhao/ 

Mestre Baé informa: Com relação ao tema ATARRACARPosso lhe adiantar o seguinte ; desde criança tenho ouvido falar,assim como quase todos que também como eu são da baixada maranhense, grande parte da minha família é de Viana , Penalva e Municípios vizinhos. Minha família sempre foi voltada para criação de gado e pescaria no interior, quando éramos crianças sempre a gente se atarracava um com o outro na beira do curral ou do rio e até no campo para ver quem era melhor de queda e isso porque a gente via os mais velhos fazerem também ,meus avós e tio/avós falavam que isso sempre existiu, o nome ATARRACAR e conhecido em vários interiores do Maranhão mas nunca ouvir dizer que era uma LUTA ou eu tenho lido algo afirmando ser luta, sempre foi o nome dado a forma de nos pegarmos para dar uma queda no outro em um corpo a corpo mais nunca foi denominado como luta até porque era baseada mais na força física e jeito de cada um pegar e arremeçar o outro no chão através de uma queda. 

 

Caros professores Leopoldo e Mayrhon,
É um prazer ser chamado ao diálogo, para tratar de nossa cultura popular, porém, antes, permita-me uma retificação professor Leopoldo, não é Judô-Matru-á, mas sim, Centro de Capoeiragem Matroá, nome este, uma homenagem ao líder indígena Matroá, que juntamente com Raimundo Gomes, Negro Cosme, Manoel Balaio e tantos outros deflagraram uma das maiores inssurreições populares já ocorrida em nosso país, a Balaiada.
 

Um nome indígena para um terreiro de Capoeira deve-se ao fato de considerarmos que, embora para nós, a Capoeiragem possua matriz africana foi no Brasil que esta arte guerreira surgiu, com toda a idiossincrasia que lhe é peculiar, de tal sorte que em razão disso, não poderia deixar estar latente em sua origem, também, o elemento indígena e, até mesmo o branco, este último entenda-se não só europeu, mas semitas (árabes e judeus), tendo em vista a influência árabe na península ibérica. 
 

Quanto ao Atarracado, desconheço sua presença no centro-sul do Maranhão, apesar de poder haver, mas é uma prática muito comum no centro-norte, pelo menos na região do Pindaré e na Baixada, nesta última, pelo que já ouvi de alguns capoeiras originários daquela regíão das águas falarem-me a respeito.  

No que diz respeito à sua presença na região do Pindaré é fato, pois eu mesmo a praticava bastante, tendo sido ao longo do tempo, na qualidade de menino, e aí vai até meus doze (12) anos, a base de tudo o que sabia nas minhas ”brigas de rua”. 

Apesar de ter nascido em São Luís, me criei, desde bebê, até os sete (07) anos de idade, na cidade de Pindaré-Mirim, outrora, Engenho Central, e em sua origem, Vila São Pedro. Como toda criança ribeirinha, as brincadeiras eram em torno do rio, dos lagos e igarapés, ou então nas várzeas, e aí, não faltavam os embates.  

Lembro-me que a minha afinidade com a prática era bastante estreita, talvez, por desde pequenino ter sido corpulento, de maneira que não era muito afeito à briga “corpo fora”, como se dizia, mas, mais no “atarracado“, ou “corpo dentro”, o que dava-se a partir de uma cabeçada. A ponto de quando ousava me aventurar pelo “corpo fora”, na maioria das vezes saía perdendo…  

Foi na Capoeira, que fui aprender o embate, digamos, “corpo fora”, a partir da ginga, de peneirar… – por favor, deixo claro que “corpo fora” e “corpo dentro”, não é nem um tipo de modaliade de luta, mas somente para fins, talvez, de didática, consoante dizíamos no interior.
 

Quanto à origem do Atarracado, não sei afirmar, se indígena ou africano, quiçá, até mesmo européia, nesta senda, somente pesquisando-se para buscar referências.  

Posso afirmar, no entanto, o que não quer dizer que a priori seja africana, é que tive oportunidade de ver, em um evento internacional de lutas de origem africana, em Salvador/BA, em 2005, quando levamos daqui, a “Punga dos Homens“, uma prática que existe rasteiras e desequlibrantes, no tambor de crioula, um pessoal de Angola/África, apresentar a Bassúla, uma luta, a despeito de alguns golpes diferentes, muito semelhante ao Atarracado, pois imediatamente, quando vi os angolanos praticando-a, eu achei bastante parecida com o Atarracado, impressão esta, também denunciada pelo Mestre Alberto Eusamor, que lá estava comigo, assim como tantos outros, representando o Maranhão.
 

No que diz respeito a uma influência indígena direta, e que é uma brincadeira da região do Pindaré e, acho, da região Norte como um todo, é o “Cangapé”, uma espécie de rabo de arraia e outros molejos que se pratica lançando-se para cima do contrário, na água.

 Bem, a princípio é isso aí, espero ter colaborado com vocês, me colocando ao dispor para outros contatos.
Um grande abraço!
Marco Aurelio
.
 

A  seguir a esta mensagem eletronica, Mestre Marco Aurélio acrescenta outra: 

Caros professores,
Falei de como o atarracado tem semelhança com a Bassúla, luta de um país africano (Angola) e, no entanto, não me lembrei, na oportunidade, de falar de uma luta de origem indígena, o que se faz necessário, para ponderarmos, trata-se do Uka-Uka, um embate indígena, que consiste em fazer com que o contrário ponha um dos ombros no chão, hoje, ocorrente durante o “Quarup” um grande evento-cerimonial existente entre os povos do Alto-Xingú. 
 

Mas poderiam perguntar o que uma prática existente entre povos indígenas do Alto-Xingú tem a ver com uma prática ocorrente no Maranhão? Segundo Roberto da Mata, desculpem-me não dispor da referência bibliográfica, os povos Krahô e Xavante sairam em uma corrente migratória, a partir do Maranhão, para onde se encontram hoje, respectivamente, Tocantins e Alto-Xingú.  

Daí, há de notar-se que o Maranhão em razão de ser banhado por inúmeras e grandes bacias hidrográficas era e é um celeiro de alimentos, o que deve ter sido berço de inúmeros povos indígenas, entre atuais, extintos e migrantes. Talvez, esse berçário, para os que possuem uma visão míope, e consideram que o maranhense tenha uma cultura ”preguiçosa” é por desconhecerem exatamente esse manancial de alimentos que é e, que outrora, tenha sido ainda mais.  

Exemplo disso, se vê na obra que o professor Leopoldo te falou, Mayrhon, “A Guerra dos Bentivis”, de Mathias Röhring Assunção, quando ao entrevistar uma senhora, a fala da mesma é peremptória quanto à abundância de alimentos no lugar aonde ela morava, na sua resposta ao autor, ao afirmar que o povo do lugar não ía atrás da caça, pois ela vinha até eles, vez que muitas das vezes eram capazes de vê-la se aproximar bem perto do alpendre de sua casa. 
Até mais.
Marco Aurelio.
 

Em resposta:
Meu caro Mestre
 
Obrigado pelos esclarecimentos. Saiu Judô, não sei porque, mas procurei corrigir depois, e essas máquinas, às vezes, têm vontade própria. Desculpe a falha. Mas valeu pela lição de maranhensidade…
 

Sempre é agradável ouvi-lo (lê-lo, no caso…) pois coisas de nosso Maranhão, primeiro recorro a você. Tenho a certeza de que o Mayrhon fará um excelente trabalho de resgate, tendo vocês, estudiosos da Capoeira maranhense, como interlocutores. Nos movimentos agonísticos, as fontes são essas, mesmo; as quais me valho, sempre quando preciso. Obrigado pela aula… por isso os chamo, sempre de meus Mestres. Tenho a certeza de que quando comentar essa questão com Patinho, teremos mais algumas revelações. 

Eu costumo colocar essas questões – mesmo quando vêem em forma de correspondencia pessoal, caso do correio eletronico, a público, para partilhar e ouvir. O Baé já havia me dado uma versão, uma resposta, que coincide com a tua, só que a tua está mais detalha, com aspectos geográficos, de localização regional.  

Vou juntando tudo, e em forma de ‘entrevista’, como se houve um resgate de memória oral, metologogia que sugeri ao nosso academico, e que a seguir estarei mandando algum outro material, para aprofundar as buscas, de metodologia de resgate histórico…
 

Mas meu caro Mestre, vamos prosseguir essa busca, e alimentar o interesse do Mayrhon
 
Mais uma vez, em nome do resgate de nossas tradições, obrigado.
 
Leopoldo

Continuando, 

Marco Aurélio, tem toda a razão. Xavante é originário do Maranhão. Foi forçado a migrar, indo para os lados do Tocantins, subiu o Araguaia, indo se estabelecer na Ilha do Bananal, forçado pelas ‘guerras justas’ do período colonial. As frentes de penetração, mais modernas, têm forçado essas migrações. É um fato histórico. 

Mas vamos à informação sobre o uka uka – ou kuka huka. Andando por esses interiores, fui encontrar em Carutapera o estilo ‘onça pintada’, introduzido na região por um mestre paraence – Mestre Zeca – baseado em luta de antiga tradição marajoara – o agarre marajoara -; lembrando que muitas das nações indígenas que se estabeleceram na Ilha do Marajó foram ‘desterradas’ do Maranhão durante o período colonial; inclusive, há certa semelhança entre as cacarias encontradas em Cajari (nas estearias do lago) com motivos marajoaras… 

Está em artigo publicado no Jornal do Capoeira – 05/06/2005 – disponível em
 - http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/capoeira+maranhao+agarre+marajoara
 

Já retornei de Caratupera, região do Alto Turi, fronteira com o Pará … conversei com alguns capoeiras da área – Caratupera e Maracassumé – que estão ligados ao Pará, através do Mestre Zeca … não consegui informações, ainda,  sobre a “capoeira carioca”, pois, muito jovens não conhecem a história da região. Turiaçu fica bem próximo de Carutapera, na mesma região do Turi … O grupo de Carutapera denomina-se ACANP – Associação Capoeira Arte Nossa Popular – fundada por Mestre Zeca, de Belém do Pará – Jose Maria de Matos Moraes (33 anos). A ACANP é filiado aa Federação Paraense de Capoeira – e o estilo praticado é o “Angola com Regional”, estando desenvolvendo, em Maracassumé, e introduzindo em Caratupera, o estilo desenvolvido pelo Mestre Zeca, que denominam de “Onça Pintada” – que seria uma fusão da Regional com o Agarre Marajoara. De acordo com Álvaro Adolpho, de Belém do Pará, ex-diretor do Departamento de Educação Física do Pará, o “Agarre Marajoara” é uma luta desenvolvida pelos índios da Ilha do Marajó – que guarda uma certa semelhança com o Huka-huka - havendo registro de sua pratica ha mais de 300 anos. De acordo com o Prof. Álvaro, talvez seja a primeira luta-esporte com registro de sua pratica no Brasil.
 
Além da correspondencia do Marco Aurélio, recebo outra, do Javier, desde as Astúrias/Espanha, indicando um sítio, da Biblioteca da Federação Internacional de Capoeira – FICA, da qual é Presidente -, em que aparece uma luta semelhante à que o Rei Zulu e Zuluzinho praticam – o tal estilo Tarracá -
 
Dar uma olhadinha ao vídeo do link anexo: E “Batuque duro” do Kalahari -1930.
http://salavideofica.blogspot.com/2010/11/1930-c-ernest-cadlewild-men-of-kalahari.html
 
Mas vamos nos aprofundando: wikipédia:
 
Wrestling (lit. luta) é uma arte marcial que utiliza técnicas de agarramento como a luta em clinch, arremessos e derrubadas, chaves, pinos e outros golpes do grappling. Uma luta de wrestling é uma competição física entre dois (às vezes mais) competidores ou parceiros de sparring, que tentam ganhar e manter uma posição superior. Há uma grande variedade de estilos, com diferentes regras tanto nos estilos tradicionais históricos, quanto nos estilos modernos. Técnicas de wrestling foram incorporadas por outras artes marciais, bem como por sistemas militares de combate corpo-a-corpo. Como esporte, com exceção do atletismo, o wrestling é o esporte mais antigo de que se tem conhecimento, e que se pratica ininterruptamente ao longo dos séculos de maneira competitiva.  

O catch wrestling é um estilo tradicional de wrestling que tem várias origens, os mais famosos são os estilos tradicionais da Europa como “collar-and-elbow“, wrestling de Lancashire ou “catch-as-catch-can”, submission wrestling, entre outros, além dos estilos asiáticos pehlwani e jujutsu.  

Federação Universal de Wrestling (Universal Wrestling Federation) – O movimento da UWF foi liderado pelos lutadores de catch wrestling’ e originou o “boom” da MMA (artes marciais mistas) no Japão. O catch wrestling forma a base dos estilos de wrestling japonês como o shoot wrestling (que incorpora movimentos realistas, como pegadas de submissão, chutes de kickboxing, entre outros).  

Galhofa é um estilo de wrestling tradicional transmontano, que se define como um desporto de combate. É tida como a única luta corpo a corpo com origens portuguesas. Tradicionalmente, este tipo de luta era parte de um ritual que marcava a passagem dos rapazes a adultos, tinha lugar durante as festas dos rapazes e as lutas tinham lugar à noite num curral coberto com palha. 

Wrestling tradicional (em inglês: folk wrestling; lit. luta tradicional) é denominação geral de várias disciplinas de wrestling ligadas à um povo ou à uma cultura, que podem ou não ser codificados como um esporte moderno. A maioria das culturas humanas desenvolveram seu próprio tipo de estilo de grappling, único se comparado à outros estilos praticados. Enquanto diversos estilos na cultura ocidental podem ter suas raízes na Grécia Antiga, outros estilos, particularmente os da Ásia, foram desenvolvidos de forma independente. 

Grappling é o nome que se dá a uma técnica de imobilização, ou uma manobra evasiva , a qual se dá por meio do domínio do oponente. Forma de combate muito utilizada em táticas policiais e esportes de contato, como o wrestling 

Huka-huka é um estilo de wrestling tradicional brasileiro dos povos indígenas do Xingu e dos índios Bakairi, de Mato Grosso. O huka-huka faz parte do Jogos dos Povos Indígenas como parte da modalidade luta corporal que é praticada como modalidade de demonstração.

Vamos aguardar novas notícias sobre o TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO…

 

EM BUSCA DO ELO PERDIDO – HISTÓRIA/MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO/DO MARANHÃO

ter, 22/03/11
por leopoldovaz |

Vez por outra recebo pedido de ajuda, de colega da educação física, buscando material para iniciar sua monografia de graduação, monografia de especialização, dissertação de mestrado e, mesmo, tese de doutorado. 

Jamais me recuso a ajudar, naquilo que posso. Geralmente, o pedido parte de indicação de algum professor. Torno-me fonte da História/Memória da Educação Física, dos Esportes e do Lazer, no/do Maranhão. 

Mas de vez em quando me chega um pedido que não posso atender; e que me leva a empreender algum tipo de investigação. Acabo fazendo uma pesquisa paralela. Nessas vezes, o solicitante acaba dando informações sobre o tema que pretende desenvolver. 

Aparece, então, um fato novo, que precisa ser investigado. Agradeço ao Mayrhon José Abrantes Farias do GEPPEF-UFMA- Grupo de Estudos e Pesquisas Pedagógicas em Educação Física a “dica”: 

“Caro Professor Leopoldo,
 
Consegui seu e-mail em uma das inumeras listas que participo e venho aqui pedir algumas orientações, já que através do senhor temos um território vasto e seguro de informações acerca das manifestações desportivas e corporais em geral em nosso estado.
 

Sou recém formado em Educação Física pela UFMA, sou aluno do prof.º Emilio no Judô a longas datas, e batendo um papo recentemente com ele e através de recomendações de professor Paulinho da Trindade e prof.º Laercio cheguei até o senhor.  

Já fiz algumas leituras de textos seus referentes a Capoeira no Maranhão e outros na disciplina dé história da educação física. Com certeza o senhor pode me ajudar.  

Durante algum tempo venho interessado em estudar e investigar sobre o TARRACÁ, aparentemente uma luta praticada na baixada que foi “popularizada” pelo Rei Zulú. O sr. já ouviu falar a respeito?  

Em um módulo de lutas com o professor James Adler recordo que ele abordou algo superficial sobre essa luta. Em uma de minhas espiadas on-line fiz a busca do termo e sempre é direcionado ao Rei Zulú.  

Fala-se que é uma luta indigena praticada em comunidades ribeirinhas. Amigos meus de Pinheiro já confirmaram a existência do tarracá enquanto uma manifestação lúdica, uma brincadeira comum entre pescadores da região. Estou louco para ir até lá e investigar e tentar a posteriori compor um projeto de mestrado referente a temática.  

Venho atavés deste e-mail solicitar ajuda ou dar um grito de SOCORRO (hehe!!!) para iniciar minhas empreitadas em campo. Algumas leituras com a antropologia e a etnografia se façam necessárias.  

O senhor tem conhecimento de algo a respeito de produções ou pistas para se investigar o tarracá? Caso tenha ficarei grato pela ajuda. Um forte abraço e desde já agradeço.” 

PRONTO.  O estrago está feito!!! o que é o TARRACÁ? não sei! nunca ouvi falar, até agora!! mas remeti-o ao Mestre Marco Aurélio Haickel, que certamente nos dará alguma notícia. Senão, vai investigar, também, junto ao Mestre Patinho, Mestre Nelsinho, Mestre Índio do Maranhão – apenas citando alguns – que poderão dar notícias do Tarracá. 

O que se sabe? apenas aquilo que o Prof. Mayrhon coloca, em sua mensagem. 

1. uma luta indigena praticada em comunidades ribeirinhas. 

2. uma manifestação lúdica, uma brincadeira comum entre pescadores da região (Baixada) 

3. luta praticada na baixada que foi “popularizada” pelo Rei Zulú. 

Temos um ponto de partida!  

Começemos pelo Rei Zulú, referencia do Vale Tudo do/no Maranhão: 

Casimiro de Nascimento Martins, conhecido por Rei Zulu, (São Luís do Maranhão, 9 de junho de 1947) é um lutador de vale-tudo brasileiro. É pai do também lutador Zuluzinho. Rei Zulu ficou famoso por desafiar lutadores do Brasil e de outras partes do mundo. Em 1980, depois de 17 anos de competição, Rei Zulu era considerado invicto após 150 lutas. Foi então que, Rei Zulu lançou um desafio à família Gracie para provar quem era o melhor Vale Tudo fighter de toda a nação. 

  • Rei Zulu nunca praticou artes marciais, desenvolveu seu estilo próprio que se aproxima de brigas de ruas.
  • Rei Zulu tornou-se famoso também pelas caretas que faz enquanto luta. Ele diz que as caretas são para mostrar que está feliz por estar ali.
  • Rei Zulu nunca frequentou academias de musculação, mas desenvolveu um estilo de luta próprio, e realiza seu treinamento físico diariamente com pedras pesadas, pneus, marreta e diz não gostar de frequentar academia, por isso treina no quintal de casa.
  • Rei Zulu é considerado por Rickson Gracie o mais difícil oponente com quem já lutou. Após as lutas contra o temido Rei Zulu, Rickson não teve outros adversários à altura enquanto lutou.
  • Possuia uma força naturalmente descomunal.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rei_Zulu 

“criado em Pontal, no interior do Maranhão. Lá, aprendeu a Tarracá, luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região. Como seus 17 irmãos, nunca freqüentou a escola. Cresceu forte e brincalhão. Aos 14 anos, mudou-se com a família para a Vila Ilusão, na Ilha de São Luís.” in Conheça Rei Zulu e Zuluzinho, os lutadores do Maranhão, por Marilia de Larochedisponível em

 

 http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_13/2010/11/15/ficha_ragga_noticia/id_sessao=13&id_noticia=30972/ficha_ragga_noticia.shtml 

e em 

http://forum.portaldovt.com.br/forum/index.php?showtopic=126140 

 

Outra fonte a ser buscada, é o Terreiro Tarracá, no João Paulo, conforme se vê em “O encontro de Magapi com Rei Zulú” disponível em http://magatown.br.tripod.com/antigas.htm  

1997 São Luis-MA - tem uma faixa lá no João Paulo(bairro) chamando as pessoas para assistir o (pásmem!!!) semanal campeonato de vale tudo do Tarracá e dizendo que o Rei Zulú vai lutar movimentadas com uma média de 3 minutos para cada uma [...] nesse local tinha luta todo final de semana mesmo [...] Era um sábado, o local era escuro, a entrada era R$5,00 e no programa estavam confirmadas 6 lutas. O nome do local é Arena do Tarracá ou Baixada do Tarracá.  

Ver também http://www.sherdog.net/forums/f2/closed-door-underground-fights-389143/ 

Mais alguns detalhes  em http://www.bullshido.net/forums/showthread.php?t=51830&page=3 

Originally Posted by WingChun Lawyer  

I am afraid I have no more hard data on Zulu. He fought basically relying on his impressive strength, and I was told he managed to throw Rickson out of the ring a couple of times before being submitted.

Mainly what I find online are posts on messageboards with no more useful or reliable information, either in english or in portuguese. I thought this was an interesting subject because, well, it DOES seem like Tarracá was created from scratch – Rei Zulu´s boxing skills are really weird, his moves are strange, and it does look rough - although some of his throws would make many a judoka envious. 

QuotePostado Originalmente por advogado wingchun
Eu tenho medo Eu não tenho dados mais duro em Zulu. Lutou, basicamente, confiando em sua força impressionante, e me disseram que ele conseguiu lançar Rickson para fora do ringue um par de vezes antes de serem apresentados.

Principalmente o que eu acho online são postos em messageboards sem nenhuma informação mais útil e confiável, tanto em Inglês ou em Português. Pensei que esse era um assunto interessante porque, bem, parece como Tarracá foi criado a partir do zero – as habilidades de boxe Rei Zulu é realmente estranho, seus movimentos são estranhos, e que o faz olhar áspero – embora alguns de seus lançamentos faria muitos um judoca invejosos. 

Eu só sei que ele afirma ter criado Tarracá a partir do zero, porque eu encontrei uma entrevista muito curto em um blogspot, aparentemente, ele ainda luta e corre uma academia onde ensina Tarracá. 

Aqui estão algumas lutas de Zuluzinho, o que vocês acham? 

http://www.youtube.com/watch?v=2RZtRfylWqA 

http://www.youtube.com/watch?v=twbmb_i5YNk 

Não parece um monte de idas e vindas sobre o assunto. A entrevista que li com o Rei Zulu, na época, não mencionou o seu próprio estilo – talvez seu movimento para um salto no movimento? Zuluzinho, ainda na entrevista que li (vou tentar encontrar os links – que era Budo International ou Blackbelt) enumera seu jiu-jitsu (ele é faixa-roxa eu acredito) e Vale Tudo – se ele tinha aprendido Tarraca por que não crédito que ele é?
Pensei que esse era um assunto interessante porque, bem, parece como Tarracá foi criado a partir do zero – as habilidades de boxe Rei Zulu é realmente estranho, seus movimentos são estranhos, e que o faz olhar áspero – embora alguns de seus lançamentos faria muitos um judoca invejosos.
Acho Tarracá foi pelo menos muito influenciado por filmes, mesmo se o criador não teve nenhum treinamento formal em nada.
I only know he claims to have created Tarracá from scratch because I found a very short interview on a blogspot, apparently he still fights and runs a gym where he teaches Tarracá.
 
I think Tarracá was at the very least influenced by movies, even if the creator had no formal training in anything.

Se o pai Zulu inventou o seu próprio estilo (que é altamente dúvida dada as provas em vídeo apresentado), levou um monte de pesquisa e desenvolvimento. Basta sair e ficar a sua bunda bater em uma base regular realmente não ensina nada. 

Mauricio Kubrusly, em ‘me leva Brasil” entrevistou Rei Zulu – Zuluzinho x Zuluzão, Mauricio Kubrusly

  

 

- Quem primeiro me treinou foi meu pai. E tem a prática com zorras, os pneus… é que no interior chama zorras. E ele conhecia também o tarracá, a luta dos índios. 

  

Em “Esses loucos lutadores e suas estranhas manias” Por: Marc Magapi
http://www.fisiculturismo.com.br/forum2/viewtopic.php?t=27186
Rei Zulú (Eu como até ferro derretido) – Nascido em São Luiz, Maranhão, este folclórico lutador, é protagonista de inúmeras histórias por conta das décadas em que praticou o vale tudo (um cartel com mais de 250 lutas). Zulú entrava no ginásio, seguindo um ritual, que tinha início com uma volta olímpica, na qual saudava o público presente, sempre com o braço esquerdo estendido. Ao subir no ringue, o maranhense jogava-se no chão, rolava para o lado, dava cambalhotas, movimentava os ombros para frente e para trás e fazia inúmeras caretas. Zulú tinha a característica de zombar de seus adversários, acreditando sempre em sua força descomunal para vencê-los no momento que bem quisesse. Um autodidata do mundo das lutas, que sempre se disse representante do “Tarracá”; estilo criado por seu pai, que consistia basicamente em se “atracar” com o adversário, nunca teve aulas de jiu-jitsu, capoeira ou luta livre em uma academia. O pai de Zulú, também foi o responsável pelo método de treinamento utilizado pelo lutador em todos esses anos. Empurrar paredes, lançar pedras com mais de 5Kg a grandes distâncias, correr entre arbustos, levantar carroças com pedras e andar com uma corda no pescoço puxando dois pneus eram instrumentos utilizados em seu arcaico treinamento. Numa entrevista antes da primeira luta contra Rickson Gracie (1980), Zulú disse que Rickson seria mais um freguês de pancada e que não se preocupava com a alimentação antes da luta, pois “comia até ferro derretido”!!!
Notes on the History of Brazilian Luta Livre in http://www.facebook.com/topic.php?uid=136381899755284&topic=70
Among some of the fighting cultures present in the Brazilian context having some impact upon Brazilian luta livre, we may consider huka-huka wrestling (from the Amazonian indigenous people), marajoara wrestling (practiced on the sands of the Marajó Island), tarracá (practiced at Maranhão) and capoeiragem (especially from the tradition practiced in Rio de Janeiro). As some early experts came from the “Graeco-Roman” wrestling context, luta livre also received some of its influence.

in http://www.bullshido.net/forums/archive/index.php/t-51830.html 

dies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984.

Eu não estou falando sobre a mistura, alterando, re-criar, alterar o nome ou o re-interpretar algo. Estou falando de fazer tudo, desde o início, o desenvolvimento de suas rotinas de treinamento próprio, movimentos, técnicas e tudo o resto, sem influência direta de outras artes marciais e artistas. 

Claro que eu não posso negar que é difícil evitar essa influência em uma nova arte marcial, mas eu estou falando sobre o desenvolvimento de algo – talvez algo até bom, embora isso seja pouco provável – sem realmente formação em qualquer outra coisa. Talvez só os filmes, videogames, brigas e espontânea, mas nenhum treinamento formal em qualquer um instrutor de artes marciais qualificada. 

Bem, eu nunca ouvi falar de tal coisa até a semana passada. 

Senhoras e senhores, permitam-me apresentar-lhe … Tarracá. Ela foi usada por um lutador Vale Tudo que se autodenominava “Rei Zulu” no início dos anos 80 aqui no Brasil, ele chutou (melhor ainda, jogou cerca de) um grande bundas poucos antes de começar batido para fora por Rickson em 1984. 

Pois bem, agora só nos resta aguardar pelos leitores/seguidores deste Blog mais informações, sobre o TARRACÁ, para poder dar uma ‘mãozinha’ para o nosso pesquisador…
 
Mestre Baé – da Federação de Capoeira – responde ao chamado e informa sobre o ATARRACAR’ –
 
“Meu grande amigo Leopoldo a quanto tempo não nos encontramos, como vai meu camarada. Recebi seu Email , Com relação ao tema ATARRACAR ,
 
Posso lhe adiantar o seguinte ; desde criança tenho ouvido falar,assim como quase todos que também como eu são da baixada maranhense, grande parte da minha família é de Viana , Penalva e Municípios vizinhos .
 
Minha família sempre foi voltada para criação de gado e pescaria no interior, quando éramos crianças sempre a gente se atarracava um com o outro na beira do curral ou do rio e até no campo para ver quem era melhor de queda e isso porque a gente via os mais velhos fazerem também ,meus avós e tio/avós falavam que isso sempre existiu, o nome ATARRACAR e conhecido em vários interiores do Maranhão mas nunca ouvir dizer que era uma LUTA ou eu tenho lido algo afirmando ser luta, sempre foi o nome dado a forma de nos pegarmos para dar uma queda no outro em um corpo a corpo mais nunca foi denominado como luta até porque era baseada mais na força física e jeito de cada um pegar e arremeçar o outro no chão através de uma queda ,
 
Luta pelo que eu tenho conhecimento possui técnica, bases,nomenclatura de movimentos,regras e etc..
 
espero assim poder estar dando minha contribuição ao tema abordado . 

Mestre Baé
FECAEMA – Federação de Capoeira do Estado do Maranhão
Mestre/Presidente do Grupo Candieiro de Capoeira
Ver Orkut ;Mestre Baé ou baecapoeira@hotmail.com

Pois temos, então, ser uma tradição na baixada, uma forma de movimento agonistico, em forma de luta, conforme Baé guarda em suas memórias. Não considera, aquela brincadeira, luta, hoje, pelo seu conhecimento da Capoeira, e sua sistematização.

Rei Zulú, que a praticava em sua infancia, a praticava, como atividade corriqueira; jogo/luta de sua infancia, e dada suas caracteristicas físicas, em um dado momento, ainda no quartel, vale-se de ambas – a forma de ‘luta’ e a força – para conquistar um espaço, que vem a se tornar uma profissão.

Para justificar seu estilo peculiar – força bruta – e por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos indios, TARRACÁ – atarracar, segundo Baé – que vai se constituir em umj estilo - maranhense – disseminado tanto por Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, e por seu filho, Zulizinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava -  e se chamaria ‘tarracá’, de tradição indigena e negra, maranhense…



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