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Os 30 maiores salários de treinadores de futebol 2012

qui, 08/03/12
por leopoldovaz |
categoria Futebol

· Diogo Real · Prémios e Salários · http://www.futebolfinance.com/os-30-maiores-salarios-de-treinadores-de-futebol-2012?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+FutebolFinance+%28Futebol+Finance%29

José Mourinho é considerado por muitos o melhor treinador do mundo e é também o que mais factura anualmente. O técnico recebe dez milhões de euros por ano para treinar Real Madrid, segundo o ranking do Futebol Finance. O português deixa a alguma distância toda a concorrência.

Logo atrás surgem Pep Guardiola, treinador dos rivais do Barcelona, e Guus Hidink, dos milionários russos do Anzhi: ambos recebem 7,5 milhões de euros por ano.

Apesar da supremacia espanhola no topo, a tabela mostra, porém, que são os técnicos de equipas inglesas os que mais rendimentos conseguem obter face aos seus pares. Roberto Mancini, do Manchester City, surge no quarto lugar entre os treinadores que mais auferem por ano: recebe seis milhões de euros por ano. Alex Ferguson (Manchester United), Kenny Dalglish (Liverpool), Arsène Wenger (Arsenal), Harry Redknapp (Tottenham), Mark Hughes (Queens Parks Rangers), Steve Bruce (Sunderland), David Moyes (Everton) e Alex McLeish (Aston Villa) também figuram no ranking dos 30.

Salientamos ainda o facto de que há pouco mais de um mês a tabela incluía outros nomes. Fábio Capelo, antigo seleccionador nacional de Inglaterra, e André Villas-Boas, ex-técnico do Chelsea, recebiam mais de cinco milhões de euros por ano.

OS 30 MAIORES SALÁRIOS DE TREINADORES DE FUTEBOL 2012

 

# Treinador Clube Salário anual # Treinador Clube Salário anual1 José Mourinho Real Madrid 10.000.000 € 16 Manuel Pellegrini Málaga 3.500.000 €2 Pep Guardiola Barcelona 7.500.000 € 17 Luciano Spaletti Zenit S. Petersburgo 3.000.000 €3 Guus Hiddink Anzhi Makhachkala 7.500.000 € 18 Muricy Ramalho Santos 2.600.000 €4 Roberto Mancini Manchester City 6.000.000 € 19 Ottmar Hitzfeld Suíça 2.600.000 €5 Carlo Ancelotti Paris Saint-German 5.900.000 € 20 Alex McLeish Aston Villa 2.400.000 €6 Jupp Heynckes Bayern Munique 5.000.000 € 21 Joachim Low Alemanha 2.400.000 €7 Alex Ferguson Manchester United 4.800.000 € 22 Vicent del Bosque Espanha 2.100.000 €8 Kenny Dalglish Liverpool 4.800.000 € 23 Abel Braga Fluminense 2.100.000 €9 Arsène Wenger Arsenal 4.700.000 € 24 Massimiliano Allegri AC Milan 2.100.000 €10 Harry Redknapp Tottenham 4.700.000 € 25 Jurgen Klopp Borussia Dortmund 2.100.000 €11 Luís Felipe Scolari Palmeiras 3.600.000 € 26 Dorival Júnior Internacional 1.900.000 €12 David Moyes Everton 3.600.000 € 27 Tite Corinthians 1.900.000 €13 Mark Hughes Queens Park Rangers 3.600.000 € 28 Claudio Ranieri Inter de Milão 1.800.000 €14 Steve Bruce Sunderland 3.600.000 € 29 Mano Menezes Brasil 1.700.000 €15 Diego Maradona Al-Wasl 3.500.000 € 30 Antonio Conte Juventus 1.600.000 €

 

Além da presença inglesa, o ranking evidencia ainda o surgimento de técnicos brasileiros, que começam a competir com os europeus nesta matéria. Luís Filipe Scolari, que comanda o Palmeiras, tem uma remuneração anual de 3,6 milhões de euros, surgindo na 12.ª posição da tabela. Muricy Ramalho (Santos), Abel Braga (Fluminense), Tite (Corinthians) e Dorival Júnior (Internacional) também entram no lote dos 30 técnicos com os maiores salários. E Mano Menezes, seleccionador brasileiro, ocupa a 30.ª posição, com 1,7 milhões de euros.

De resto, entre seleccionadores, com a ausência de Capelo, Javier Aguirre tornou-se no técnico de uma selecção nacional mais bem pago do mundo, com 4 milhões de euros por ano. Vicent del Bosque, o campeão do mundo ao serviço da Espanha, recebe 2,2 milhões de euros por ano. Pelo meio, Ottmar Hitzfeld (Suíça) e Joachim Low (Alemanha) auferem 2,6 e 2,4 milhões de euros.

Última nota: a fraca presença de treinadores de equipas italianas como reflexo de uma acentuada quebra de importância do futebol do país no panorama europeu – apenas Cláudio Ranieri (Inter) e Massimiliano Allegri (AC Milan) são capazes de integrar o ranking.

CRISE NO FUTEBOL? NÃO…

seg, 05/03/12
por leopoldovaz |
categoria Futebol

Clubes movimentaram 2,3 mil milhões de euros em transferências em 2011

Diogo Real · Análise Financeira ·

A crise financeira global parece ter passado ao lado da indústria do futebol no ano passado. No total, os clubes em todo o mundo gastaram 2,3 mil milhões de euros nas 11.500 transferências de jogadores realizadas e registadas no Transfer Match System, o sistema de regulamentação para as transferências internacionais de jogadores profissionais criado pela FIFA em 2007.

Mas o relatório Global Transfer Market 2011 da FIFA mostra mais números. Do total de 2,3 mil milhões movimentados pelos clubes, 82% correspondeu a montantes acordados entre dois emblemas para a transferência de um jogador. A média do valor da transferência foi de 1,15 milhões de euros, embora a maioria das transacções de jogadores tenham ficado abaixo desse valor.

O estudo salienta ainda que as transferências pagas representaram apenas 14% de toda a actividade do mercado de transferências de jogadores, enquanto em 86% das transacções não houve troca de dinheiro. Em 2011, o salário médio de um futebolista profissional foi de cerca de 185 mil euros anuais ou pouco mais de 15 mil euros por mês. Este valor é, no entanto, impulsionado por uma quantidade de salários elevados, sobretudo na Europa Ocidental, uma vez que o vencimento mediano de um jogador foi de 43 mil dólares anuais. Ou seja, metade dos jogadores ganhou mais do que esse montante e outra metade ganhou menos.

OUTROS NÚMEROS DO GLOBAL TRANSFER MARKET 2011

- 70% das transferências envolveram jogadores livres. Deste valor, mais de metade envolveu atletas cujo vínculo profissional havia chegado ao fim, enquanto 30% envolveu jogadores sem contrato e 15% tinham contratos como amadores. Por outro lado, as contratações entre clubes representaram apenas 10% das transferências (1.100 transacções em 2011). Os empréstimos e retornos de empréstimo totalizaram respectivamente 12% e 8%.

- 60% das negociações ocorrem em Janeiro, Julho e Agosto. O dia mais movimentado foi 31 de Agosto, com 317 transacções. Em média, a cada 45 minutos um jogador profissional mudava de clube em 2011.

- 23 anos é a idade média dos jogadores que se transferiram em 2011. Metade das transferências internacionais envolveu atletas com idade entre 22 e 27 anos. O jogador mais velho negociado tinha 46 anos. E apenas 1% das transacções envolveu atletas profissionais com idade inferior a 18 anos.

- 20% dos jogadores negociados em 2011 eram brasileiros ou argentinos. Os clubes transaccionaram mais de 1500 atletas, o que corresponde a 13% do total das transacções. Entre as dez nações mais representadas no mercado, além do Brasil e Argentina, estão ainda o Uruguai e Colômbia. Na Europa, são os jogadores franceses os que mais foram transaccionados, à frente da Sérvia, Inglaterra, Espanha e Portugal. Em África, são os nigerianos, com 3% das transferências anuais.

- 24  federações de futebol concentraram metade das transferências do ano. E as cinco mais activas ficaram com 18% dos negócios. São 208 as federações afiliadas à FIFA que já utilizam o Transfer Match System e mais de cinco mil clubes adoptaram o sistema.

- 100 milhões de euros foi quanto os clubes declararam em comissões para os agentes de jogadores. Esse valor refere-se apenas às somas pagas pelos clubes aos agentes. A comissão média de um agente de clube foi de 180 mil euros.

Mira o culpado, acerta o inocente

sáb, 25/02/12
por leopoldovaz |
categoria Futebol

 Pedro Zanette Alfonsin – 25/02/2012

Depois que entrou em vigor a Nova Lei Pelé, muitos foram os questionamentos por parte de jogadores de categoria de base, seus familiares e agentes: pode o menor de dezoito anos assinar um contrato de agenciamento, tendo em vista as modificações da legislação?

Esta questão surgiu porque a Nova Lei Pelé incluiu o seguinte dispositivo no inciso VI do novo artigo 27-C: “são nulos de pleno direito os contratos firmados pelo atleta ou por seu representante legal com agente desportivo, pessoa física ou jurídica, bem como as cláusulas contratuais ou de instrumentos procuratórios que versem sobre o gerenciamento de carreira de atleta em formação com idade inferior a 18 anos”.

Segundo a FIFA, a definição de agente de jogadores é a pessoa que, mediante remuneração, apresente jogadores a clubes, com vista a negociar ou renegociar um contrato de trabalho, ou apresente dois clubes, um ao outro, com vistas a concluir uma transferência, nos termos do regulamento da entidade.

Primeiramente é importante salientar que o regulamento de agentes de jogadores (FIFA RAJ) limita a atividade a três figuras para poder exercer a profissão: agentes credenciados, advogados e pais, irmãos ou esposa do jogador. Ou seja, os legisladores da Nova Lei Pelé retiraram os direitos de pessoas com capacidade técnica para exercer tal profissão.

Soma-se a isto o fato de a FIFA pretender, em breve, desregulamentar a atividade de agentes, criando a figura do intermediário, pretendendo também diminuir a comissão pertencente ao intermediário, por entender que a “família FIFA” é composta somente dos clubes, dos jogadores e das associações.

Como em muitos outros momentos no Brasil, nunca houve nenhuma punição a clubes que trabalhem com profissionais não habilitados, tanto por parte da CBF, quanto da própria FIFA, ou ainda pressão do Governo para tanto. Preferiu-se, por outro lado, uma medida radical e de legalidade e constitucionalidade discutível.

O certo é que este quadro descrito está trazendo insegurança jurídica tanto para aqueles que muitas vezes auxiliam a carreira de um menor de idade – época em que um staff competente pode determinar se ele será um jogador de futebol, ou somente mais um a ter este sonho –, quanto para os meninos e suas famílias, que podem ficar sem a assistência profissional.

Ressalte-se que existem hoje instrumentos jurídicos contratuais para se valorizar os bons profissionais e amenizar o prejuízo criado pela nova Lei. Porém, cada caso deve ser debatido com um advogado de confiança das partes, especializado na matéria, para que se trabalhe nesta nova realidade legal.

Conclui-se, portanto, que a Nova Lei Pelé, ao querer afastar os maus profissionais, e na falta de fiscalização sobre a atividade, puniu em realidade muito mais do que os agentes. Puniu também aqueles meninos que poderiam ser jogadores profissionais mas que, por excesso de rigor, correm o risco de não ver o seu sonho realizado.

As 20 Maiores Agências de Jogadores de Futebol do Mundo

qua, 22/02/12
por leopoldovaz |
categoria Futebol

22.02.12 · Diogo Real · Estudos e Rankings ·

Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Nani e Radamel Falcão têm mais aspectos em comum do que serem ‘apenas’ figuras de proa no futebol mundial. Os quatro são representados pelo maior agente de jogadores do mundo, Jorge Mendes. O empresário português lidera uma das mais bem sucedidas empresas de agenciamento de jogadores (e não) de futebol do mundo: a Gestifute.

Não há grande transferência que não tenha o carimbo da prestigiada agência portuguesa. Foi Jorge Mendes quem intermediou, por exemplo, o maior negócio de sempre no que toca a transferências de jogadores, quando em 2009 Cristiano Ronaldo passou do Manchester United para o Real Madrid, por 90 milhões de euros.

Com uma carteira avaliada em 536 milhões de euros, a Gestifute é simplesmente a maior agência de jogadores e treinadores do mundo. Entre os 83 activos que representa, a empresa portuguesa agencia ainda os jogadores (Real Madrid), Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma (ambos Besiktas) ou Anderson (Manchester United).

AS 20 MAIORES AGÊNCIAS DE JOGADORES DE FUTEBOL DO MUNDO

 

# Agência Principais activos Jogadores em carteira Avaliação da carteira1 Gestifute (Portugal) Ronaldo, Falcão, Mourinho 83 536.000.000 €2 Stellar Football (Inglaterra) Ashley Cole, Peter Crouch 209 274.000.000 €3 Base Soccer Agency (Inglaterra) Aaron Lennon, Jack Wilshere 114 239.000.000 €4 Bahía Internacional (Espanha) Torres, Pedro, Jesus Navas 68 223.000.000 €5 Europe Sports Group (Brasil) Ganso, André Santos 264 220.000.000 €6 SEM Group (Inglaterra) Fàbregas, Song, Ferdinand 94 213.000.000 €7 Mondial Promotion (França) Drogba, Malouda 80 212.000.000 €8 ProSoccer24 (Alemanha) Reyes, Oscar Cardozo 55 184.000.000 €9 Firsteleven ISM (Alemanha) Yaya Touré, Hazard, Fred 55 181.000.000 €10 SportsTotal (Alemanha) Mario Gotze, Kroos 80 179.000.000 €11 MJF Publicidade e Promoções (Brasil) Neymar, Hulk, Robinho 39 178.000.000 €12 WMG Management (Inglaterra) Gerrard, Lescott, Carragher 84 177.000.000 €13 Kick & Run Sports (Alemanha) Daniel Alves, Adebayor 38 165.000.000 €14 Sports Entert. Group (Holanda) Van Persie, Vermaelen 191 163.000.000 €15 Mondial Sport Management & Consulting (França) Cavani, Bruno Cesar, Dedé 69 161.000.000 €16 Rogon Sportmanagement (Alemanha) Gustavo, Boateng, Kuranyi 43 160.000.000 €17 Stars & Friends (Alemanha) Martin Skrtel, Didier Ya Konan 205 157.000.000 €18 Marcelo Simonian (Argentina) Javier Pastore, Lucho 40 155.000.000 €19 Tribüne Sportagentur (Inglaterra) Ashley Young, Chicarito 42 145.000.000 €20 WB-Sportmanagement (Alemanha) Yann M’Vila, Sakho 70 136.000.000 €

 

Bem longe no ranking surge a Stellar Football. A agência inglesa que representa Ashley Cole (Chelsea), Peter Crouch (Stoke City) e mais 272 jogadores detém uma carteira de activos avaliada em 274 milhões de euros. Logo a seguir surge a também britânica Base Soccer Agency, que tem na sua carteira avaliada em 239 milhões de euros a promissoras estrelas Aaron Lennon (Tottenham) e Jack Wilshere (Arsenal).

Em Espanha reside a quarta mais valiosa agência mundial. A Bahía Internacional tem uma carteira de jogadores avaliada em 223 milhões de euros, com Fernando Torres (Chelsea), Jesus Navas (Sevilha) ou Javier Martinez (At. Bilbau) como grandes figuras da agência.

Nas 20 maiores agências mundiais licenciadas pela FIFA encontramos ainda duas brasileiras, a Europe Sports Group, dos futebolistas Ganso (Santos) e André Santos (Arsenal), e a MJF Publicidade e Promoções, de Neymar (Santos), Hulk (FC Porto) e Robinho (AC Milan), duas francesas (Mondial Promotion e Mondial Sport Management & Consulting), sete alemãs, uma holandesa e uma argentina.

Futebol nos Jogos Olímpicos (1)… Londres 1908

seg, 20/02/12
por leopoldovaz |

http://museuvirtualdofutebol.blogspot.com/

Futebol nos Jogos Olímpicos (1)… Londres 1908

Inauguramos hoje uma nova vitrina no Museu Virtual do Futebol, um novo recanto que se ergue com a intenção de recordar os factos e histórias de uma competição vista hoje em dia – ou desde sempre na verdade – como menor no reino do futebol internacional. Popular ou não ela foi no entanto a primeira grande prova planetária disputada por seleções, tendo sido olhada por muitos como o embrião daquilo o que viria a ser o Campeonato do Mundo. Sem mais demoras vamos dar início a uma – por certo – encantadora viagem pelo planeta do futebol no seio dos Jogos Olímpicos, onde a bordo da “máquina do tempo” viajaremos até 1908 para vivenciar um pouco daquilo o que foi a primeira edição oficial de um torneio olímpico de futebol.
Londres acolheu a 4ª edição do sonho de Pierre de Coubertin, um idealista francês nascido em Paris a 1 de janeiro de 1863 que em adolescente fazia das escarpas de Étretat (Normandia) o seu esconderijo predileto e de onde a sua mente viajava pelo longo mar azul que dali se deparava ante o seu olhar que o levava até aos feitos ocorridos em Olimpia descobertos por si, enquanto menino, nos livros que guardavam as epopeias dos heróis – ou mitos – da Grécia antiga. Fascinado por essas míticas olímpiadas o jovem Pierre sonhava em ressuscitar os jogos para a Idade Moderna, fazendo renascer um espírito olímpico que unisse o mundo e ao mesmo tempo endeusasse o homem…
1896 é um ano histórico para a humanidade, o ano em que o sonho de Pierre se torna em realidade, cabendo à Grécia – só podia ser – a honra de albergar os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna.
Por esta altura o futebol ganhava contornos crescentes de popularidade um pouco por todo o mundo, sendo que em Inglaterra era já profissional desde 1885! Profissionalismo que era encarado por Coubertin como o inimigo da verdadeira essência dos Jogos Olímpicos, os quais, para o barão francês, deveriam assentar, tal como na Grécia antiga, na pureza do amadorismo.
Talvez por isto, ou não (há quem diga que a falta de participantes foi o facto responsável pela ausência daquele que é hoje denominado de “desporto rei” dos primeiros Jogos Olímpicos modernos), o futebol não tenha tido lugar cativo na 1ª edição das Olímpiadas modernas, sendo que a bola apenas começou a saltar pela primeira vez num evento deste género em 1900, nos Jogos realizados em Paris, mas apenas como modalidade de… exibição. Isto é, não oficial… segundo os desígnios da FIFA, pese embora o Comité Olímpico Internacional (COI) tenha reconhecido posteriormente como oficiais as primeiras aparições da modalidade nas Olímpiadas.
Procedimento semelhante foi repetido quatro anos mais tarde, durante as Olimpíadas de Saint Louis, onde tal como em Paris o torneio de futebol foi disputado por clubes amadores ou equipas oriundas de universidades, ao invés de seleções nacionais como mais tarde viria a acontecer. Quer em Paris quer em Saint Louis os torneios de futebol não tiveram mais do que três equipas a participar (!), sendo que na bela capital francesa o certame foi vencido pelo conjunto do Upton Park, que representava a Grã-Bretanha, ao passo que na cidade norte amereicana o título – se é que assim pode ser chamado – ficou na posse do Galt City, combinado oriundo do Canáda.
Coincidência ou não com a criação da FIFA em 1904 o futebol passou a ser um dos atores oficiais das Olíimpadas, cabendo à entidade máxima do futebol global apenas a tarefa de supervisionar o primeiro torneio olímpico de futebol oficial. Tudo sobre o olhar desconfiado do COI, que continuava a repovar a profissionalismo do futebol, afastando-o do nobre e puro amadorismo que deveria cercar – em seu entender – a essência do desporto. Porém, convencidos pela Football Association (Federação Inglesa de Futebol) e pelo presidente de então da FIFA, o inglês Daniel Burley Woolfall, o COI deu permissão para que o futebol entrasse para a família olímpica.

O pontapé de saída…

E foi sob o signo do amadorismo que em 1908 se deu o pontapé de saída do primeiro torneio olímpico de futebol, com a gigante Londres a testemunhar um acontecimento histórico que muitos classificam como o… primeiro Campeonato do Mundo. De facto ainda estávamos a 22 anos de distância do “verdadeiro” Campeonato do Mundo, da primeira edição daquele que com o passar dos anos se tornou no maior evento desportivo do planeta, maior que os próprios Jogos Olímpicos (!), podendo este ser considerado como o embrião do grande certame sonhado anos mais tarde pela FIFA através da mente do seu imortal presidente Jules Rimet.
A Londres chegaram quatro seleções nacionais, ou melhor cinco, pois a França fez-se representar por duas equipas, as quais se juntavam à formação da casa, a Grã-Bretanha (combinado que integrava Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda) e ainda Suécia, Dinamarca, e Holanda. Estes foram os convidados do torneio. Sim, convidados, pois convém sublinhar que não existiu propriamente uma fase de qualificação para o torneio olímpico, mas sim uma série de convites enviados pelo COI às diversas federações europeias (só!) com o intuito de as trazer até Londres. Contudo apenas seis (!) dessas federações responderam afirmativamente ao convite, tendo sido elas a França, Suécia, Dinamarca, Holanda, Hungria e Boêmia (antiga denominação da atual República Checa). Com tão poucas equipas o COI deu permissão então para que a França trouxesse às Olimpíadas de 1908 duas equipas de futebol.
Porém, a poucos dias do início do torneio o rei do império austro-hungaro proibiu – devido a razões de ordem política – as seleções da Hungria e da Boêmia de se deslocarem a Londres, reduzindo ainda mais o lote de participantes do torneio olímpico.
Conclusão, se já havia nascido pobre – face à ausência dos melhores jogadores e seleções da época, profissionais, claro está – mais pobre ficou com a desistência daqueles dois países.
O “circo” estava já montado e como tal havia que dar início ao espetáculo com mais ou menos equipas do que o previsto. Assim a data de 19 de outubro de 1908 entra para a história como o dia em que pela primeira vez duas seleções nacionais disputaram uma partida a contar para uma competição oficial. Os ilustres intervenientes? Dinamarca e a França, ou melhor, a segunda equipa da França. Desde logo ficaria evidente que este torneio olímpico de futebol dificilmente iria arrastar até si os holofotes da fama, ou da atenção dos populares, isto a julgar pelo baixo número de espetadores que marcaram presença nos seis jogos da competição. Estranho, se julgarmos que este torneio olímpico decorreia na pátria do futebol moderno onde cada vez mais pessoas se deixavam enfeitiçar pelo belo jogo. Contudo parace que os ingleses estavam mais interessados nos desenlaces da sua FA Cup (Taça de Inglaterra), a competição mais antiga do Mundo, a qual de ano para ano se tornava mais competitiva e popular entre os súbitos de Sua Majestade.
Não admira pois que no jogo inaugural do torneio olímpico o White City – o estádio onde decorreram os Jogos Olímpicos de 1908 – apresentasse um desolador cenário composto por duas mil pessoas!
Lá em baixo, na relva, os dinamarqueses esmagaram os “b” franceses por concludentes 9-0, sendo quatro desses golos da autoria do avançado Vilhelm Wolfhagen. No outro encontro da 1ª fase a Grã-Bretanha atropelou, como seria de esperar, os suecos por 12-1 com destque para o poker (quatro golos obtidos) de Claude Purnell.

31 golos nas meias finais!!!

Chegados às meias finais algo de invulgar – pelo menos nos dias de hoje – ocorreu em White City. Em dois jogos foram marcados nada mais nada menos do que 31 golos! É verdade, mais de três dezenas de festejos que levariam a Grã-Bretanha e a Dinamarca para a grande decisão do torneio olímpico de futebol de 1908.
Os dinamarqueses voltaram a medir forças com a armada francesa, desta feita a França “a”, que a julgar pelo resultado era bem inferior aos seus conterrâneos “b”. 17-1 para os escandinavos (!), resultado histórico para o qual muito contribuiu o até então desconhecido – mundialmente – Sophus Nielsen, autor de 10 golos! Um feito presenciado por… 1000 espetadores! Desolador, sem dúvida.
No outro jogo das meias finais o resultado obtido pelo conjunto da casa seria hoje em dia rotulado de goleada, porém pelo que até então se via no relvado do White City a Grã-Bretanha passou à final com uma magra vitória diante da Holanda por… 4-0.

Franceses desistem do bronze antes do esperado ouro britânico

Na corrida para a medalha de bronze a França retirou a sua equipa principal da “linha de partida”, aparentemente pela vergonha da humilhação sofrida na meia final ante a Dinamarca, pelo que em sua substituição avançaram os suecos, repescados da 1ª fase. E na disputa pela medalha de bronze os holandeses levariam a melhor sobre os nórdicos por duas bolas a zero.
A grande final – marcada para 24 de outubro – foi presenciada por oito mil espetadores, a assistência mais numerosa do torneio olímpico até então, na sua grande maioria adeptos da seleção britânica, a grande favorita para a conquista do primeiro ouro olímpico na história do futebol. Da teoria à prática o caminho não foi longo. Porém, foi suado. Pela frente os britânicos encontraram uma equipa forte liderada pela temível dupla goleadora composta por Sophus Nielsen e Vilhelm Wolfhagen, autores de 18 dos 26 golos apontados pelos dinamarqueses nos dois encontros anteriores, e que prometiam fazer frente à turma capitaneada por Vivian Woodward.
No final, e após muito trabalho, a Grâ-Bretanha vencia a Dinamarca por 2-0 graças ao instinto matador de Frederick Chapman e do capitão Woodward, sagrando-se assim a primeira campeã olímpica da história… ou para muitos o primeiro campeão do Mundo de futebol.
O seu a seu dono teriam pensado os inventores do futebol moderno naquele momento, o ouro olímpico ficava em casa, no domicílio dos mestres dos futebol, e para a eternidade ficavam gravados a letras de ouro – doutra forma não podia ser – no Olimpo dos Deuses do desporto os nomes de Horace Bailey, Arthur Berry, Frederick Chapman, Walter Corbett, Harold Hardman, Robert Hawkes, Kenneth Hunt, Clyde Purnell, Herbert Smith, Henry Stapley, e Vivian Woodward, os primeiros campeões olímpicos de futebol. Na sua grande maioria eram estudantes universitários, que viviam o futebol de uma forma amadora, claro está, esperando pelo convite de alguma equipa profissional do futebol inglês. E alguns destes nomes vieram-no a conseguir.

Sophus Nielsen: a figura

O ouro olímpico pode ter ficado em terras britânicas, como muitos anteciparam na entrada para o torneio, mas as luzes da ribalta do modesto torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 1908 recairam todas sobre o dinamarquês Sophus Nielsen, o desconhecido – até então – que entrou para a história da modalidade por ter apontado 10 golos num só jogo de futebol.
A façanha ocorreu a 22 de outubro, com o White City como cenário daquela meia final entre Dinamarca e França “a”.
Sophus Erhard Nielsen nasceu a 15 de março de 1888 em Copenhaga e começou a sua promissora carreira no Concordia quando ainda adolescente. Poderoso avançado logo deu nas vistas, sendo que ainda com a tenra idade de 14 anos aceitou o convite do Frem, clube onde chegou ao escalão de sénior e onde desenvolveu a maior parte da sua carreira. No tempo em que o profissionalismo era coisa apenas de ingleses Nielsen trabalhava como ferreiro juntamente com o seu irmão Carl Nielsen, também ele futebolista nas horas vagas.
Em 1910 os dois irmãos viram-se a braços com o desemprego pelo que tentaram a sua sorte fora de portas. Viajaram pela Europa e chegados à cidade alemã de Kiel o presidente da equipa local ofereceu-lhes emprego na condição de aceitarem jogar pela sua equipa no escalão máximo do futebol germânico. Aceitaram, mas inexplicavelmente ali ficaram apenas uma temporada. E inexplicavelmente porque Sophus apontou uns impressionantes 72 golos em 18 jogos disputados, números mais do que suficientes para jogar por qualquer equipa amadora… ou profissional. Mas Sophus prefreriu voltar a casa e ao seu Frem, onde jogaria até 1921, ano em que pendurou as botas com um impressionante registo de 125 golos em 137 encontros! Defendeu a seleção do seu país por 20 ocasiões, tendo feito 16 golos, 11 deles nos Jogos Olímpicos de 1908. Voltaria a marcar presença nas Olimpíadas de 1912, em Estocolmo, conquistando uma nova medalha de prata após cair na final diante da armada da… Grã-Bretanha, numa reedição daquilo o que se passou em Londres quatro anos antes. Nos Jogos de Estocolmo não foi tão letal como havia sido em Londres, tendo visto o seu recorde de 10 golos num só jogo ter sido igualado pelo alemão Gottfried Fuchs. O melhor marcador do torneio olímpico de 1908 morreria na sua cidade a 6 de agosto de 1963 aos 75 anos.

Resultados:

1ª Fase

19 de outubro

França “b” – Dinamarca: 0-9
(Golos: Nils Middelboe (2), Vilhelm Wolfhagen (4) Harald Bohr (2), Sophus Nielsen

20 de outubro

Grã-Bretanha – Suécia: 12-1
(Golos: Frederick Chapman , Arthur Berry, Vivian Woodward (2), Harold Stapley (2), Claude Purnell (4), Robert Hawkes (2) / Gustaf BergstromMeias finais

22 de outubro

França “a” – Dinamarca: 1-17
(Golos: Sophus Nielsen (10), Vilhelm Wolfhagen (4), August Lindgren (2), Nils Middelboe / Emile Sartorius

Grã-Bretanha – Holanda: 4-0
(Golos: Harold Stapley (4))

Medalha de Bronze

23 de outubro

Holanda – Suécia: 2-0
(Golos: Gerard Reeman, Edu Snethlage

24 de outubro

Medalha de ouro (Final)

Grã-Bretanha – Dinamarca: 2-0

Estádio: White City, em Londres (8000 espetadores)

Árbitro: John Lewis (Inglaterra)

Grá-Bretanha: Horace Bailey, Walter Corbett, Herbert Smith, Kenneth Hunt, Frederick Chapman, Robert Hawkes, Arthur Berry, Vivian Woordward, Harold Staplay, Claude Purnell, Harold Hardman.

Dinamarca: Ludvig Drescher, Charles Buchwald, Harald Hansen, Harald Bohr, Kristian Middelboe, Nils Middelboe, Oskar Nielsen Norland, August Lindgren, Sophus Nielsen , Vilhelm Wolfhagen, Bjorn Rasmussen.

Golos: 1-0 (Frederick Chapman, aos 20m), 2-0 (Vivian Woorward, aos 46m)

Legenda das fotografias:
1-O barão Pierre de Coubertin
2-”Imagem” oficial dos Jogos Olímpicos de Londres em 1908
3-O estádio White City, a casa das Olimpíadas de 1908
4-Uma imagem esbatida da luta pelo ouro olímpico
5-A estrela do torneio: Sophus Nielsen
6-O talentoso capitão britânico Vivian Woordward
7-Grã-Bretanha: os primeiros campeões olímpicos da história do futebol

Nota: Texto redigido ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

As Receitas de Televisão dos Clubes Brasileiros 2012

seg, 20/02/12
por leopoldovaz |
categoria Futebol

20.02.12 · Diogo Real · Direitos Televisivos · 0 Comentários297 LEITURAS

O futebol brasileiro está a mudar. E depressa. Os principais clubes dispõem de cada vez mais receitas para travar a emigração dos melhores jogadores para a Europa. Pegamos no exemplo das receitas com a venda dos direitos de televisão. Só este ano os 20 emblemas do Brasileirão vão arrecadar mais de 450 milhões de euros com esta rubrica.

Flamengo e Corinthians são os clubes que mais vão facturar com as transmissões televisivas dos seus jogos em 2012: 85 milhões de reais (aproximadamente 37 milhões de euros). Os dois principais clubes do Rio de Janeiro e São Paulo têm as maiores ‘torcidas’ do Brasil e esse foi o principal critério para o escalonamento das receitas.

Esse número mais do que duplicou face ao ano passado. Em 2011, o Mengão e o Timão receberam pouco mais de 40 milhões de reais. Porém, não foram os únicos ‘times’ a verem os seus proveitos com aos direitos de tv subir para o dobro. São Paulo, Palmeiras, Vasco e Santos também: cada um deles vai receber 75 milhões de reais (33,2 milhões de euros). Assim como Fluminense, Cruzeiro, Atlético MG, Grémio, Internacional e Botafogo, que vai gerar 55 milhões de reais (24,35 milhões de euros) só com esta rubrica.

AS RECEITAS TV DOS CLUBES BRASILEIROS 2012

# Clube 2011 2012 20121 Flamengo 41.600.000R$ 84.000.000R$ 37.180.000€Corinthians 40.500.000R$ 84.000.000R$ 37.180.000€3 São Paulo 36.200.000R$ 75.000.000R$ 33.200.000€Palmeiras 35.000.000R$ 75.000.000R$ 33.200.000€Vasco 32.200.000R$ 75.000.000R$ 33.200.000€Santos 24.700.000R$ 75.000.000R$ 33.200.000€7 Fluminense 25.400.000R$ 55.000.000R$ 24.350.000€Cruzeiro 25.000.000R$ 55.000.000R$ 24.350.000€Atlético MG 24.900.000R$ 55.000.000R$ 24.350.000€Grémio 24.500.000R$ 55.000.000R$ 24.350.000€Internacional 24.000.000R$ 55.000.000R$ 24.350.000€Botafogo 23.000.000R$ 55.000.000R$ 24.350.000€13 Bahia 15.800.000R$ 29.000.000R$ 12.800.000€Atlético PR 15.000.000R$ 29.000.000R$ 12.800.000€Coritiba 15.000.000R$ 29.000.000R$ 12.800.000€Portuguesa 15.000.000R$ 29.000.000R$ 12.800.000€Sport 15.000.000R$ 29.000.000R$ 12.800.000€Guarani 15.000.000R$ 29.000.000R$ 12.800.000€Goiás 15.000.000R$ 29.000.000R$ 12.800.000€Vitória 15.000.000R$ 29.000.000R$ 12.800.000€

Há ainda um quarto grupo composto por oito clubes que vão receber 29 milhões de reais. Ou 12,8 milhões de euros, sensivelmente aquilo que Benfica, FC Porto e Sporting conseguem arrecadar por ano. São eles: Bahia, Atlético PR, Coritiba, Portuguesa, Sport, Guarani, Goiás e Vitória.

Se o retorno de algumas das maiores estrelas canarinhas ao futebol brasileiro é algo que já vem acontecendo nos últimos anos, com este impulso financeiro nos cofres dos clubes a tendência deverá acentuar-se ainda mais.

Por outro lado, há ainda outra questão que poderá mudar o futebol europeu tal como o conhecemos actualmente. Praticamente qualquer equipa de topo no Velho Continente tem um jogador brasileiro nas suas fileiras. Ora, com o maior poder negocial, os ‘times’ terão também a possibilidade de fixar os maiores craques.

O Santos é um óptimo exemplo, uma vez que tem conseguido aguentar Neymar e Ganso face às investidas dos tubarões europeus, incluindo Real Madrid e Barcelona. O apelo financeiro da Europa está a ficar para trás. Agora só mesmo o apelo da competição ao mais alto nível é que pode atrair as estrelas do país onde nasceram, entre outros, Pelé, Pelé, Garrincha, Romário e Ronaldo

Previsões do Pai Mariola

sáb, 18/02/12
por leopoldovaz |

Ao Mané, torcedor do “Framenguinho”, as previsões do clássico de hoje a tarde. Já disse que o Flamengo precisa entrar com 11 jogadores; o fixo parado (não é futsal…) Genericozinho Gaucho ou joga, ou não joga; ao se escalar – vide Luxa – deveria ao menos cumprir o contrato de trabalho, que é de jogar futebol – e depois reclama dos atrasados… a postura dele em campo é justa causa para demissão… quem entra, para se completarem os 10? 

sáb, 18/02/12
por Bola nas Costas |

RECORDAR É VIVER – o Moto Clube em (mais uma) crise

sex, 17/02/12
por leopoldovaz |

Estou revendo alguns escritos, para responder ao Charles, de Imperatriz. Lembram dele? defendeu monografia sobre a implantação da Educação Física e Esportiva naquela cidade, com um recorte temporal de 1970 a 2010, dedicando um capitulo inteiro aos anos 1975/1978, sendo que participei ativamente de 76 a 78; em 79 vim para São Luis…

Mas o que está logo abaixo trata-se de um capitulo da cronica que estou escrevendo, no resgate da História dos Esportes, da Educação Física e do Lazer no Maranhão. Já está com cinco volumes, aguardando uma alma caridosa que possa bancar a publicação, já que meu salário de professor aposentado não dá para tal…

A parte correspondente aos anos 40 a 90, do século passado, tendo como eixo norteador a historia de vida do Querido professor Dimas.

RECORDAR É VIVER

 Para KOWALSKI (2000) no surgimento dos rituais comunitários, responsáveis pelas transformações de sensações encadeadas por impulsos amplos, que vêm de fora: do remo, do futebol, as corridas de carro, o carnaval, o espetáculo da emoção e o delírio das multidões, estabeleceu-se uma sintonia entre a quebra da identidade colonial e a construção da identidade nacional, coletiva, cultural, brasileira. O esporte é então concebido como uma escola de coragem e de virilidade, capaz de ajudar a modelar o caráter e estimular a vontade de vencer, que se conforma às regras, que adota uma atitude exemplar – o fair-play -, jogo justo e honesto, comportamento cavalheiresco: Por outro lado, as exigências econômicas e culturais para praticar as novas modalidades esportivas… reforçariam ainda mais a conotação de que esta prática cultural se afirmava como um signo de distinção social“. (p. 393).

É nesse sentido específico que certos esportes aparecem como elemento de diferenciação do estilo de vida. A prática esportiva torna-se um indicativo de pertencimento social, tendo em vista que a prática de certas modalidades (tênis, crickt, crockt, remo) estava condicionada, em Maranhão, à participação em associações esportivas (os clubs), enquanto outras (foot-ball) vinham alcançando uma maior difusão social, irradiando-se por todos os lados.

Emblemático, desse período romântico do esporte maranhense – e em especial do futebol – é a biografia esportiva de vários “sportman” e “cracks” do futebol da época – que abrange os anos 15 a 45.

Tomamos por base as matérias publicadas no jornal “O Esporte“, nascido no ano de 1947, – “órgão puramente esportivo” – que tinha por objetivo “incentivar ainda mais a prática dos desportos na capital maranhense, para que possamos manter a posição de prestígio que ocupamos no cenário esportivo nacional, depois das vitórias de 1946“. Fundado, dirigido e escrito por José Ribamar Bogéa, sua primeira edição circulou no dia 21 de julho de 1947 e sobreviveu até 1951

Em uma sessão denominada “Recordar é Viver”, são oferecidos aos leitores biografias de vários “sportman” e de cracks do futebol, em que se pode traçar como se deu o desenvolvimento do esporte em terras maranhenses, após a implantação na primeira década dos “novecento” (1900).

As primeiras biografias referiam-se a atletas em atividades, em atuação nos diversos clubes da capital – Moto Clube, Sampaio Corrêa, Maranhão Atlético, e Tupan, responsáveis pelas conquistas naquele ano de 1946.

Em 10 de setembro de 1947, com o título “um clube que honra o patrimônio esportivo de nosso estado” é anunciado o 10º aniversário do glorioso Moto Clube, o poderoso rubro-negro de Santa Izabel.

O garboso Moto Clube, por ocasião de seu 10º aniversario – 13 de setembro – estava passando por uma crise em seu departamento de futebol, por falta de… Técnico.

No relatório da diretoria, César Aboud [i] prestava contas de sua gestão iniciada em 14 de setembro de 1944, e falava que as exigências técnicas, cada vez mais prementes, fizeram com que o clube abraçasse o profissionalismo, investindo soma apreciável na aquisição de atletas, mas os resultados foram compensadores – foram conquistados três campeonatos de futebol – 44, 45 e 46. No basquetebol, também fora campeão em 46 e vice no Voleibol. No Atletismo, o Moto participou de algumas provas, destacando-se a Corrida de São Silvestre, tendo conseguido o primeiro lugar, por equipes.

 Era o início do profissionalismo no futebol maranhense, com a importação de atletas de nível, especialmente do Ceará e Pernambuco.  Reinicio, na verdade, pois em 1910 o FAC começa a contratação de jogadores de outros estados e foi Nhozinho Santos – e não César Aboud -, quem começou essa prática, muito embora antes do Moto Club se profissionalizar, o Sampaio Corrêa já iniciara as importações e, o Moto – segundo se depreende do relatório de atividades de seu decimo aniversário -, fez apenas se ajustar naquilo que vinha acontecendo, para não ficar atras, tecnicamente. Já naqueles anos reclamava-se dessa importação desenfreada, em detrimento da “prata da casa”. 

Barbosa Filho, em reportagem publicada dia 28 de julho de 1947, apresenta-nos a “biografia de um crack”: ZUZA, conhecido como “o professor”, meia canhoto do Moto Clube e considerado o melhor meia do norte em sua posição. José Ferreira Filho, seu nome de batismo, nasceu em 16 de agosto de 1916, tendo começado a jogar futebol em sua cidade natal, Caruarú, ingressando no quadro infantil do Central; em 1935, passa para o quadro de aspirantes e em seguida, para o de titulares. Em 1937, conquista o vice-campeonato do torneio intermunicipal. No ano seguinte, o Caruaru participa do campeonato da primeira divisão, mas não vai até o final, licenciando-se; Zuza passa a integrar, então, o time do América. Em 1938, está no Ferroviário, atuando por duas temporadas. Nos anos de 1941 a 1945, vamos encontrá-lo no Ceará Sporting Clube. Como o Ceará fora suspenso pela FCD, o Moto Clube vai buscá-lo – naquele ano, o Moto Clube forma seu time com profissionais -. Além de Zuza, vem também Rui. Zuza participou daquele cérebre jogo entre Mineiros 3 x 7 Maranhenses … (O Esporte, São Luís, 28 de julho de 1947, p. 2.)  

Outro atleta que vinha se destacando, também importado, era REGINALDO do Carmo Menezes; nascido no Recife, em 16 de julho de 1915, começou com o futebol aos 12 anos, no Norte América e depois, no Oceano, quadros “dos pés descalços” do subúrbio de Santo Amaro. Reginaldo passa a jogar bola em troca de algumas cambadas de peixe, doadas pelo presidente do Norte América; passou também pelo Íbis. No ano de 1947, REGI já defendia as cores do Sampaio Corrêa e seu maior prazer era vencer o MAC (O Esporte, São Luís, 03 de agosto de 1947, p. 2.).

Comentado até os dias de hoje, GEGECA – Argemiro Martins foi outro pernambucano a ingressar no Sampaio Corrêa. No seu primeiro treino, demonstrou muita classe e entusiasmo. Também veio do Íbis, como Reginaldo. Gegeca nasceu no Recife, em 27 de junho de 1920, sendo seu primeiro clube o Maurití, do Porto da Madeira, passando para o Encruzilhada, onde atuou ao lado de Orlando, China e outros grandes azes do futebol nacional. Aos 17 anos deixou de jogar com os “pés descalços” e ingressou no Santa Cruz, jogando até 1940, quando se transferiu para o Íbis. Em 1943, estava de volta ao Santa Cruz, retornou ao Íbis, lá permanecendo até receber a proposta do Sampaio Corrêa  (O Esporte, São Luís, 10 de agosto de 1947, p. 2).

AREL – “ele aprendeu na mesma escola de Expedito e Ubaldo”- a reportagem começa exaltando o fato de o MAC, apesar de não ter grandes títulos, tem a fama de celeiros de cracks. Isso, já em 1947! Já era tido como uma grande “fábrica” de elementos que se destacavam no cenário nacional, como Expedito e Ubaldo, que brilhavam naquele ano no Rio de Janeiro e São Paulo e que haviam defendido o Sampaio Corrêa em 1943.

Outro elemento que poderia estar entre os grandes azes do futebol nacional era o médio Arel. Tendo passado pelo Maranhão Atlético Clube em 1938, depois jogou peladas no campo do Luso Brasileiro, do Vasco da Gama e no Tupan. Foi campeão pelo MAC em 1943. Era natural do Pará, embora tido como maranhense (O Esporte, São Luís, 13 de agosto de 1947, p. 2).

            HAROLDO Almeida e Silva nasceu em 25 de março de 1922, no Rio de Janeiro. Aos 15 anos já jogava futebol nos campos das Laranjeiras, mesmo bairro onde nasceu. Jogou no Castelo Branco, clube de bairro, passando para o São Cristóvão, até 1945, quando veio para o Moto Clube, indicado por um senhor Soares, da Federação Metropolitana. Em 1947, estava sem contrato e desejando voltar para o Rio de Janeiro. Motivo – vida cara e ordenado pequeno  (O Esporte, São Luís, 17 de agosto de 1947, p. 2).

            COELHO - José Coelho Neto nasceu em Fortaleza em 12 de abril de 1922. Começou a jogar pelo Cruzeiro de Camocim, para onde seu pai – funcionário público – foi transferido, em 1935. Em 1939, seu pai volta a Fortaleza e Coelho – já com fama de bom centroavante – passa a defender as cores do Realengo, time do bairro de Aldeotas. Em fins de 1940, deixa o time de João Bombeiro e transfere-se para o Riachuelo, onde joga até 1942, sagrando-se vice-campeão da 2ª divisão. Em 1943, esteve no Baependí e em 1944, ingressou no Fortaleza, como ponta-direita. Depois de vários jogos, inclusive um campeonato brasileiro, veio para o MAC, chegando aqui em 9 de dezembro de 1945. – o avante do MAC contava com apenas três anos de profissionalismo (O Esporte, São Luís, 24 de agosto de 1947, p. 2).

            GALEGO – jogador do Moto Clube, não se saia bem nos jogos locais, mas nos fora da cidade… Chegou a ser cogitado até para a seleção brasileira… Natural de Belém do Pará, onde nasceu em 26 de julho de 1921, começou a jogar futebol no juvenil do Paissandú, em 1937. Troca o Paissandú pelo União e em 1940 passa para o Tuna Luso Comercial. Transfere-se para o Recife, onde joga no América. Com saudades de casa, volta a Belém e, sem contrato, retornou para Recife, contratado pelo Santa Cruz. Passa a jogar pelo Maguari e quando este é extinto, vem para São Luís, jogar pelo Moto Clube (O Esporte, São Luís, 31 de agosto de 1947)

Mas esses eram os cracks da bola, importados de outras plagas e que iniciaram a profissionalização de nosso futebol, ganhando exclusivamente para jogar. Muitos maranhenses tiveram destaque, não só no futebol, mas em outras modalidades. O ano de 1946 foi considerado o de maior destaque para os esportes maranhenses, em especial, para o Futebol, com os clubes locais ganhando inúmeras partidas por esse Brasil todo – Ceará, Belém, Recife, assim como de clubes de outras partes, quando vinham para São Luís, se apresentar, sofriam derrotas sem explicação, como aconteceu com o Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo… Também no Basquetebol o Maranhão teve destaque em toda a região norte-nordeste, assim como no voleibol e alguns atletas apareceram no Atletismo…

(continua…)

[i] CÉSAR ALEXANDRE ABOUD – nasceu no Acre, na cidade de Cruzeiro do Sul, em 23 de fevereiro de 1910, filho de Júlia Drubi (viúva) e de Alexandre Aboud (com quem casa em segundas núpcias). Quando contava dois anos, a família muda-se para São Luís; aqui, foi alfabetizado por dona Santinha e mais tarde passa a estudar no Colégio dos Maristas, onde fez o curso primário. Com o falecimento do pai, Alexandre Aboud, a família muda-se para Buenos Aires, em 1920; na Argentina, César estudou na Escola Bartolomeu Mitre e, aos 11 anos, estava trabalhando na firma de José Gasard, como transportador de mercadorias. Em 1922, a família está de volta a São Luís, passando a estudar no Colégio Gilberto Costa, e, com 14 anos, empregou-se na firma Chames Aboud. Após anos de trabalho, já se transformara em um comerciante sólido e industrial, vindo a adquirir a Fábrica Santa Izabel, de Nhozinho Santos, em 1938. A devoção de César pelo esporte encontra-se em sua infância, quando começou a formar sua personalidade de esportista. Em Buenos, dedicava-se ao boxe, chegando a ser pugilista de renome. Quanto ao futebol, aos 4 anos de idade (?) já tinha organizado em São Luís um time – o Botafogo – que saia pela cidade a desafiar a garotada. Na adolescência fez parte do Esporte Clube Sírio Brasileiro, formado à base de descendentes libaneses, do qual foi dirigente e jogador. Anos mais tarde, depois de liderar uma dissidência do Sírio Brasileiro, fez-se técnico do Maranhão Atlético Clube. Em 1939, já era notória a sua dedicação ao esporte, recebendo convite do capitão Vitor Santos para dirigir o Moto Clube de São Luís, uma de suas maiores paixões, tendo sido seu presidente por 15 anos. Procedeu a mudanças no Moto, começando pela camisa, que mudou a cor de verde e branca para vermelha e preta, por causa do Flamengo. Reestruturou o clube, ampliou o quadro associativo, criou os departamentos de voleibol, e basquetebol, e reformou o estádio do Santa Izabel, em 1942, construindo arquibancadas e dotando-o de condições apropriadas para o exercício do bom futebol que há época se praticava no Maranhão. O plantel de jogadores, da melhor qualidade técnica, era freqüentemente requisitado para apresentações nos grandes centros esportivo do país. Recursos para tal fim eram fornecidos pela fábrica, que mantinha a agremiação esportiva. O falecimento de César Aboud ocorreu em São Luís, a 20 de agosto de 1996 O Esporte, São Luís, 14 de setembro de 1947

Recordar é Viver  Por: Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Lecturas en educación física y deportes – n.38 – 2001


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