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PILULAS DE MEMÓRIA – Sidney Zimbres

dom, 13/03/11
por leopoldovaz |

Para escrever a biografia do Dimas – Querido Professor Dimas – eu, Denise e Delzuite fizemos várias entrevistas – 18 no total – onde resgatamos a história de vida do Dimas; minha idéia era resgatar a história/memória da educação física, dos esportes e do lazer no período de 1940 a 1990.

Dimas seria o condutor dessa memória, pois sua vida se confunde com o ressurgimento da educação física e dos esportes a partir dos anos 70… a seguir, a entrevista com o Sidney…

PROF. SIDNEY FORGHIERI ZIMBRES

 Entrevista realizada com o professor Sidney Forghieri Zimbres, na residência do entrevistador, à rua Titânia n.º 88, Recanto dos Vinhais, no dia 24 de março de 2001, iniciando às 8:30 horas.

 Sidney Forghieri Zimbres -  nascimento 20 de abril de 1949 em Agência Paulista, interior de São Paulo; Três filhos: Eduardo, Roberto e Renata.

Trabalho na Universidade Federal do Maranhão desde sua fundação; Disciplinas Didática e Caracterização Profissional; e atualmente teria no semestre passado, Futebol 1 e 2, além disso presto consultoria a Fundação Municipal dos Desportos e Lazer do Município (Sidney está aposentado desde 2010).

Eu me formei na USP, na Escola de Educação Física do Estado de São Paulo; me formei em [19]74, fiz Especialização, fiz especialização em [19]84, em Didática de Educação Física, Em Manaus, junto com o Dimas, Cecília, Moacir e Isidoro, com esse pessoal daqui. [Dimas, como é conhecido Antônio Maria Zacarias Bezerra de Araújo, Cecília Moreira, Moacir Silva, Isidoro Cruz Neto, todos professores da UFMA, à época]. O Mestrado eu fiz em [19]82 mas fiz as disciplinas mas não defendi a tese.

[Você é da mesma turma do Laércio Elias Pereira?] Não; sou da mesma turma do Lino[Castellani Filho], quando eu entrei na faculdade Laércio já tinha saído a um ou dois anos; conheço o Lino desde a infância, a gente morou juntos em Atibaia desde a época de infância, a partir da 2ª série do ginásio foi quando eu sai do interior de São Paulo e fui para Atibaia, e a gente conviveu junto o tempo todo, até a faculdade, a gente entrou junto, fizemos o ginásio juntos ele fez clássico eu fiz científico, ele prestou para a Educação Física, depois para Direito eu prestei para Educação Física, nós entramos, fizemos faculdade juntos. Viemos para São Luís quase juntos, eu vim um pouquinho antes dele.

Nem ser Educação Física; eu sempre fui esportista, sempre joguei … jogava muito, jogava basquete, voleibol, futebol… meu pai era esportista, trabalhava numa indústria mas era esportista; então havia uma tradição dentro da família em praticar esporte. Com 14 anos, eu participei dos primeiros Jogos Abertos do interior de São Paulo como jogador, jogava… eu joguei dos 14 anos aos 28 quase que profissionalmente; eu joguei em São Paulo, fui da Seleção de Volei da Escola de Educação Física, fui campeão da FUNC, então havia uma tradição no esporte; antes de fazer o vestibular, fiz o cursinho de três meses; a minha idéia era fazer Geologia, fiz o cursinho exclusivo para isso; na última hora, talvez por influência até de amigos … o Lino… acabei me inscrevendo para Educação Física e não me arrependendo.

em São Paulo trabalhei, durante o curso enquanto aluno trabalhava dando aulas em escolas, trabalhei no Clube Atlético Paulistano com voleibol e na preparação física de voleibol nas equipes juvenis e adultas femininas; o técnico era o Hélio de Moraes Pinto, técnico de uma seleção brasileira, de uma seleção olímpica; quando sai da faculdade, continuei trabalhando no Paulistano, foi quando eu recebi um convite… eu tinha o interesse de sair de São Paulo, eu não queria ficar em São Paulo, foi quando eu recebi um convite para eu vim da um curso de voleibol aqui em São Luís. Contato com o Maranhão foi com o Marcos [Marco Antônio Gonçalves], que me trouxe, o Marcos não terminou o curso, veio embora… quem trouxe o Marcos foi o Laércio; o Marcos ficou trabalhando aqui, ele me escreveu perguntando se eu não tinha a intenção de vir para cá, ai eu falei, me leva para da um curso para eu ver como é que é. Foi em 19… em outubro vim aqui no JEM’s em 1975 eu vim para da um curso de voleibol; dei o curso de voleibol em outubro, ai eu coordenei o voleibol nos Jogos Escolares, e ai eu fiz um contrato de três meses… me lembro bem disso… para ver se ia dar certo, na época quem estava à frente do DEFER era o Carlos Alberto Pinheiro; já havia saído o Cláudio Vaz, o Governador do Estado era o Nunes Freire… ai foi quando ele implantou, fez aquela reformulação do Serviço Público, criando [a função de] Técnico de Nível Superior – TNS -; foi que eu recebi o convite e eu fui contratado pela Secretaria de Educação em [19]76, entrei como TNS, técnico em nível superior, nível 3.

os Jogos naquela época - era uma festa… era festa máxima esportiva, era muito bonito… Em 1975, Já era JEM’s – Jogos Escolares Maranhense -, eu peguei essa fase do JEM’s, a fase áurea do JEM’s, era muito bonito, tem que levar em consideração o contexto… São Luís era uma cidade bem diferente do que é hoje, uma cidade menor, pequena; não era tão grande como é hoje, devia ter bem menos habitante do que tem hoje, talvez até metade do que tem hoje só vendo; então, havia um envolvimento muito grande da sociedade nos jogos, da classe estudantil, principalmente das escolas públicas; era uma festa, era muito bonito, no Costa Rodrigues, no SESC… eram jogos muito bonitos e havia também, por traz disso, um apoio muito forte do poder público nos jogos, havia muito dinheiro, trazia-se árbitros de fora, haviam árbitros de outros estados; o voleibol trazia pessoal do Pará, Belém, vinha árbitro de São Paulo, vinha árbitro do Brasil todo para fazer arbitragem, porque aqui não tinha árbitro; vinham de avião, ficavam em hotéis, nos melhores hotéis de São Luís, havia muito recurso, muito dinheiro para trabalhar.

[Dimas fala que em função do Cláudio Vaz ser da mesma geração de Jaime Tavares, Haroldo Tavares, daquele pessoal que um era Secretário da Fazenda, outro era Chefe de Gabinete do Governo, outro era Prefeito... então havia um relacionamento muito grande ele conseguia através dessas amizades feitas na infância, todos desportistas todos praticavam esportes, então havia um interesse muito grande nessa época ...] - Mas isso é uma fato, os JEM’s deve ter, teve esse sucesso porque essas pessoas e que tinham um grande tráfico de influência política, foram pessoas que tinham sido atletas e jogaram com o Rinaldi Maia, com o Dimas, eram pessoas que depois passaram a ser chefes de Secretarias, pessoas fortes então por isso talvez tenha sido isso que o esporte tenha tido esse apoio tão grande nessa época.

ingresso na UFMA - quando eu cheguei aqui eu trabalhava no Estado, meu contrato de Técnico Superior, eu dava aula nas escolinhas de voleibol no Costa Rodrigues; lá tinha várias escolinhas, eu trabalhava de cinco da manhã até onze e meia da noite, todos os dias dando aula, além das escolinhas eu treinava as seleções de voleibol, eu trabalhava com o feminino e o Gil trabalhava com o masculino, tanto infantil como juvenil. Francisco Gilmário Pinheiro o nome dele, ele era atleta jogava no adulto mas já estava começando a parar, já estava se envolvendo como técnico infantil, juvenil, adulto e tudo mais; aí foi na época não havia curso de Educação Física na UFMA, mas não havia também interesse da UFMA em criar o curso, quem estava na Universidade era o Domingos Fraga Salgado, a professora Cecília o Rinaldi Maia, e o Laércio que foi o último a se contratar… O Dimas e o Laércio, eles davam aula de Prática Esportiva na época não havia nenhum Núcleo de Esportes aqui, então eles davam no [Clube Recreativo] Jaguarema, eles davam aulas em alguns locais, o Núcleo foi construído logo depois; quando foi construído o Núcleo quem foi ser o Diretor foi Domingos Fraga Salgado, que era o mais antigo lá dentro, tinha mais tráfico de influência, que tinha mais amizade com os Pró-Reitores e com o Reitor.

[Os três primeiro professores concursados foram o Rinaldi, Cecília e Dimas...] - Logo no primeiro concurso, antes havia uma professora, Simei Bilho… Ela veio trazida do MEC para implantar a Prática Esportiva… Na UFMA… ai, com a implantação da Prática havia necessidade de professores e os três eram que tinham cursos superior, ai foi aberto o concurso, eles entraram nessa época; o Domingos parece que veio depois… Domingos era assessor, ele não deve ter passado no concurso, acho que ele ainda foi contratado como assessor como foi também o Demóstenes [Mantovani] foi contratado como assessor; o Paschoal [Bernardo] foi contratado como assessor; fizeram o concurso, Demóstenes e o Paschoal, depois de [19]81 junto comigo, que a gente fez o concurso, mas eles eram assessores, ligados à Reitoria e colocados à disposição do Núcleo de Esportes; bom, ai como não havia interesse da Universidade em criar o curso, havia até um certo boicote… ai eu faço uma denúncia, até meio grave aqui: havia um boicote de Domingos Fraga Salgado em criar o curso dentro da UFMA, ele não queria nem trabalhar na Prática Esportiva dentro da UFMA, me lembro quando a gente começou a dar aula de Prática Esportiva, foi ai que eu entrei na UFMA, entrei como professor colaborador, na época foi colaborador, depois substituto, entrei em [19]77 para dar aula, eu não me lembro bem, se foi como colaborador ou substituto; eu entrei no melhor, como substituto na vaga do próprio Domingos Salgado, ele se afastou na época eu não me lembro para que… [Ele foi dar um curso da África...] Eu acho que foi isso, ele foi dar um curso lá, e eu entrei na vaga dele como substituto para trabalhar Prática Esportiva, mas eu lembro que quando eu fui dar aula de Prática Esportiva, ele ainda era Diretor do Núcleo, eu e Isidoro, e houve muita dificuldade para dar aula, porque a gente dava aula à noite da Prática Esportiva lá e houve uma dificuldade muito grande, porque ele dava ordem aos guardas para não acender as luzes, fechava a porta da sala de material esportivo, então a gente teve um certo atrito com o Domingos; tivemos até uma reunião com o Reitor da época, que era o Manuel Martins Cabral… o Cabral Marques foi depois dele, antes foi o José Maria Ramos Martins; nós fizemos até uma reunião com ele, com os professores da época, o Dimas, a Cecília, eu Moacir… o pessoal todo, porque havia… Isso foi em 77.

[Mas o Moacir só chegou aqui em 79; Eu lembro disso porque o Aldi [Mello] que era Pró-reitor, estava em Imperatriz nessa época e me convidou para vir para o curso de Educação Física; eu não queria vir, ai ele pegou a minha documentação na faculdade, tirou uma fotocópia e ele deu entrada; e isso foi em 78, logo depois, em fevereiro de 79, eu recebi uma correspondência assinada pela Cecília dizendo que não havia interesse que eu viesse; e depois eu soube pela Diana, irmã da Cecília, que ela estava namorando o Moacir, e a Cecília deu a minha vaga, que estava autorizado já, para o Moacir, e como professor de atletismo] - Então vai entrar mais uma história em cima dessa ai, então a vaga não era nem para ser sua, era para ser minha (risos) porque eu já era na época substituto, então havia assim uma questão até, de ordem, como eu já havia trabalhando desde 77 como substituto, quando ele chegou em 79 então era normal que eu entrasse nessa vaga; foi quando para surpresa de todos, minha, e do Isidoro também, que trabalhava como substituto, o Moacir entrou foi… exatamente, o motivo foi esse mesmo, ele estava namorando a irmã da Cecília; depois ele passou para ser Chefe de Departamento; diz Zé Maria [?] que ele namorou a Glória Leitão; bem, mais em 77, eu fui para lá, para dar aula como substituto, dar aula de Prática Esportiva, nesse tempo em 77 como a UFMA não queria, não tinha intenção de fazer o curso, o Laércio teve amizade com a  professora Terezinha Rego, do ITA, Pituchinha, depois MENG… Hoje o Objetivo… eu também tomei muita amizade com ela logo que eu cheguei aqui, fui muito bem recebido por ela, lembro da primeira vez que eu fui jantar na casa dela, ela recebia o pessoal de fora… O Laércio convenceu a Terezinha em criar um curso de Educação Física… [Esse curso era a nível de 2º grau, licenciatura... isso para mim nunca ficou claro...] Nunca ficou claro? eu vou explicar, porque eu participei da criação… ai que foi interessante, então era Laércio, eu e Lino; Lino já tinha vindo para cá, o Marcos me trouxe, eu trouxe o Lino, depois eu trouxe o Zartú, ai o Marcos ainda trouxe o Júlio, que veio antes do Zé Pipa… Júlio… o sobrenome eu não me lembro mais, não é difícil de pegar… Julinho, ficou pouco tempo aqui e foi embora, teve um problema no pulmão até numa aula minha… depois veio o Zé Pipa, que era José Carlos [?], que trabalhou no futebol, no Sampaio Correia, era repórter da TV Bandeirantes… esporte… então ai nos criamos o curso de Educação Física no ITA… Instituto Tecnológico de Aprendizagem, era Pituchinha, ela mudou a razão social para ITA, ficou a parte do primário com Pituchinha e o 2º grau acho, que essa parte ficou como Instituto Tecnológico de Aprendizagem… vou contar uma história engraçada, dizem que ela usou o ITA porque é um Santo que tem ai em Ribamar, um famoso Pai de Santo ou um Santo… Eu também pensei que fosse o ITA de São José dos Campos, mas não tinha nada a ver, era mas ligado a questão religiosa, ela era adepta a um Santo ai em Ribamar, o tal ITA, foi por isso que ela colocou ITA … pai de Santo, eu não entendo dessas coisas ai, um santo como tem orixá sei lá o que tem o ITA.  Tinha um Santo em Ribamar que era ITA, que ela era fã desse santo por isso que ela colocou… bom, ai nós criamos o curso, quem criou o curso do MENG foi Laércio, Sidney e Lino, nós três sentamos e montamos o currículo do curso, lógico, como a gente fez basicamente em cima do currículo do curso da USP na época ninguém tinha noção de currículo, ninguém tinha lido nenhum livro sequer sobre currículo a coisa foi feita de forma bem empírica; então montamos um curso que era feito em dois níveis; um nível era para formar um curso de curta duração, no primeiro modulo; e no segundo módulo, o aluno continuava, era curso superior; o curso chegou a ser aprovado no Conselho Estadual de Educação e estava em tramitação para ser aprovado no Conselho Federal de Educação; funcionou, acho que uns dois anos, não me lembro direito exatamente se 2 ou 3 anos, nesse período quase fez o curso aqui do ITA.

Deve ter sido nesse período… foi 77, eu acho que foram um ano e meio e 2 anos a UFMA se sentiu provocada e iniciou um processo de criação do curso; ai que vem a história do curso, a formação quem fez o curso? Como é que começou?

[Só abrindo um parêntese ai; você tem conhecimento do curso criado em 74 muito tempo antes, da UEMA?] - Tenho, eu lembro de ter ouvido dizer já tem o curso na UEMA, mais a UEMA, FESM, eu cheguei a dar aula na FESM seis meses; dei aula de Prática Esportiva; eu me lembro que a Secretaria de Administração Ficava lá no Santo Antônio, eu fui lá para assinar o contrato, dei aula 6 meses de Prática Esportiva lá, dei aula depois quando eu entrei na UFMA; não fui mais a FESM sempre era vista como uma Universidade mal organizada, vista assim de uma forma ruim.

[O Laércio fala que o curso da UFMA só foi criado por pressão? Você já viu o curso da UEMA que estavam tentando implantar depois em seguida, foi criado o curso do ITA, e ai a Universidade se viu obrigada] - Mas ai que entra a questão, quando ele coloca que foi criado por Cecília, Dimas e Rinaldi, os três não tiveram participação efetiva na criação do curso, tiveram uma participação mínima na criação do curso… Eu tenho a impressão, eu fui do curso do ITA, eu trabalhei, eu fui coordenador do curso do ITA, eu dava aula e era coordenador e fui contratado como coordenador, então eu tinha uma relação muito íntima com Terezinha, de trabalho; a gente trabalhava muito junto, conversamos muito e eu tenho a impressão que a Terezinha estava torcendo para que se criasse um curso da UFMA ela sentiu que na era vantagem (falha na fita) o interesse dela mesma que o curso da UFMA fosse criado, porque ela já estava com interesse de vender ou passar o ITA; e isso aconteceu; ela alugou a sala lá do 3º andar, eu lembro bem disso, ela alugou para o Márcio que fez um cursinho, o Márcio depois foi… vendeu o 2º grau, eu me lembro até hoje quando ele assinou um cheque lá e pagou para ela, comprar o 2º grau, ai ela foi passando, foi e vendeu tudo para Márcio, ele acabou adquirindo o ITA e transformou em MENG, ela mesma tinha interesse que esse curso passasse… Os professores [do ITA] nessa época eram: o Domingos Fraga Salgado dava Organização Esportiva; tinha eu, que dava Voleibol, dava Ginástica, como ginástica tinha 1,2 e 3 a professora Cecília dava Educação Física Infantil e Ginástica Rítmica, Demóstenes dava Judô e teve uma época que deu Recreação; o Lino dava Recreação, depois foi embora, dava aula de Recreação, dava mais uma outra aula; tinha uma professora, era uma negra … Dilmar … dava Estrutura e Funcionamento, professora da UFMA; tinha uma aluna de Medicina, que dava Anatomia; mais ou menos o corpo era esse… Lopes era Atletismo; e a turma era essa, foi quando eu estava dando aula de Prática Esportiva na UFMA teve uma pessoa que foi fundamental para a criação do curso de Educação Física na UFMA, essa coisa que passou assim, a história apaga…

Houve um envolvimento do Laércio; eu conversando lá no Centro, nós éramos lotados em Educação Física, nessa época a Educação Física era lotada no Departamento de Saúde Pública; o diretor do Centro, que  ficava lá no CCS, em frente ao ITA, lá atrás da Igreja da Praça Gonçalves Dias, era um prediozinho que ficava ali atrás da Igreja, funcionava o Departamento de Saúde Pública, junto com o Departamento de Saúde Pública CCS, Centro de Ciências da Saúde; o Diretor do CCS era o Carlos Borges, o Dr. Carlos Borges, médico, que tinha um grande poder político dentro da Universidade, era muito bem conceituado naquela época, e a companheira dele era Glória Leitão, que eram um enfermeira, tinha um cargo até de chefia como diretora, muito forte; e Glória Leitão, talvez por questões pessoais, que encabeçou a criação do curso de Educação Física… se não teria esse… ela, se não fosse política dela, não teria sido criado o curso, e ela foi assessorada por duas pessoas para montar o currículo: por mim e pelo Lino; e nessa época, o Lino não era professor da UFMA; ele técnico da UFMA; o Lino ele entrou (os dois falam ao mesmo tempo e não se entende nada) não como professor, o Lino trabalhava com futebol no MAC; ai se criou o Tupã, se tentou criar o Tupã, um modelo de Clube Esportivo, que o Mário Cella, foi trabalhar como Presidente; o clube foi criado com pessoas com competência, formadas e chegaram até a ter uma participação expressiva no Campeonato Maranhense, com sede lá no São Francisco, no bairro do São Francisco e tal. E com essa amizade do Lino com o Mário Cella, Mário Cella era chefe da PRECSAE, então Mário Cella levou o Lino para trabalhar na PRECSAE com Educação Física para trabalhar nesse Setor ai, DAC, Departamento não sei do que; o Lino dava aula, chegou a dar aula no curso não como professor – nunca deu aula como professor ligado ao Departamento ou ao Centro -, ele deu aula como… ele vinha pelo DAC, ele deu aula de Organização Esportiva no curso; então a criação do curso se deve pela… pela Glória pelo Lino e por mim, então nós trabalhamos o currículo todinho; o Dimas, a Cecília e o Rinaldi – Rinaldi nem aparecia, era um professor meio tímido, meio calado, que trabalhava com o futebol fora da Universidade. então ele não teve participação nenhuma… Era professor da UEMA, era técnico do Ferroviário, as vezes pegava o Sampaio, o Moto e então, ele não tinha nenhuma afinidade com isso, ele não gostava disso; o Dimas também, não tinha nenhuma afinidade com currículo, não tinha nenhuma experiência; a Cecília também ficava ali, ela não tinha nenhum conhecimento sobre o assunto, então foi eu… até gostaria de ressaltar, o curso da UFMA só saiu, só foi a frente, porque teve um padrinho muito forte que foi a Glória Leitão, que era esposa, a companheira, do Dr. Carlos Borges, que era um chefão dentro da Universidade; e ai começou o processo, o curso foi fundado em 1978, começou a primeira turma… isso eu me lembro bem, que a gente fez o currículo mínimo, que era ainda aquela resolução 69/69 do currículo mínimo; o curso era curso de licenciatura em Educação Física e Técnicas Esportivas; a Legislação só cabia para isso, então a pessoa fazia o curso e no final um esporte e se especializava entre aspas porque não seria especialização como hoje, em futebol, basquete; essa foi a origem do curso de Educação Física…

O Dimas eu tenho assim uma relação… com o Dimas, muito interessante; logo que eu cheguei aqui, eu tive contato com Dimas; o Dimas era tido como uma pessoa honesta – e até hoje é honesto -, uma pessoa competente, um professor carismático, é um homem carismático, era um pai de família que era um modelo; eu era como um dos seus filho, era pessoa muito querida; era é uma pessoa muito querida, então eu tive um contato com o Dimas desde que eu cheguei aqui, tinha amizade com ele, trabalhava com o voleibol, ele trabalhava com Ginástica Olímpica; dava os curso, nos dávamos muitos cursos pelo interior… eu gosto muito do Dimas … é muito difícil encontra alguém que não goste do Dimas; eu tive uma passagem com ele muito interessante, foi quando terminou o governo de Nunes Freire e passou para o Governado de João Castelo; esse ano é um fato interessante que a história passa por cima, que poucas pessoas sabem; na época do Governo de João Castelo houve um movimento comandado por algumas pessoas – por Paulo Tinoco, por Carlos, Gafanhoto, aquela turma que tinha raiva do pessoal de fora, dos paulistas que vinham para cá; nós éramos chamados de forasteiros e a ordem era cortar as cabeças dos paulistas, mandar todo mundo embora, e eu, fui praticamente despedido na época – era o DFER depois passou para CEFID – Coordenação de Educação Física- de um Departamento passou a ser uma Coordenação dentro de uma secretaria…foi quando entrou o governo de João Castelo… então nessa época eu fui praticamente demitido da Secretaria de Educação – eu e o Laércio -; me lembro muito bem que a gente foi lá na época, saiu do Costa Rodrigues e começou o movimento para se criar a SEDEL, havia a intenção de se criar uma Secretaria de Desportos e Lazer, ai que foi interessante nós, eu o Laércio, havíamos sido despedido, eu já tinha programando a minha volta para São Paulo, já tinha ligado para São Paulo, já tinha até conseguido um emprego em São Paulo; a minha mãe tinha entrado em contato em Campinas, já tudo acertado em Campinas quando o governo tomou a iniciativa de criar a Secretaria de Desporto e Lazer e ao mesmo tempo, naquela época houve um convênio entre Brasil e Alemanha e entrou muito dinheiro; havia a perspectiva de fazer convênios, com muito dinheiro, mas quando se pensou em criar a Secretaria então foram dois momentos, quando se pensou criar a Secretária ninguém entendia de nada, como era que se fazia para se criar uma secretaria, e era necessário que tivesse professores em Educação Física formados, para poder tocar aquilo; foi ai que viram que Laércio e eu éramos imprescindíveis, tinham que ter a gente e convidaram, ai fomos recontratados. Ai foi que eu tive o contato com o pessoal que foi o Elir, que foi convidado para ser secretário, quem criou a SEDEL; eu participei da criação da SEDEL, eu, Laércio e Mateus Neto [Eu...cheguei em fevereiro ...] Mateus Neto, havia mais um Carlos não sei o quê, uma pessoa muito forte na parte de administração; eu não me lembro mais o nome dele… Carlos? Morava até aqui no Recanto, na Avenida principal ali embaixo. ele mora aqui embaixo; ele era uma pessoa muito competente. Era Mateus, Laércio, eu o Dr. Olímpico que pegou… Gafanhoto entrou depois que foi criada a secretaria. Mas quando se criou essa secretaria havia essa perspectiva de trazer muito dinheiro de fora, só que eu acredito que já estava em andamento esse convênio, Brasil, Alemanha ou Maranhão Alemanha.

Ai foi quando se criou, por que se criou essa estrutura da SEDEL, de secretário, coordenador geral, Divisão de Esporte, de Lazer e a Divisão de Estudos e Pesquisas porque nesse convênio que havia com a Alemanha, fazia parte do convênio que tivesse uma parte do recurso que fosse direcionada para estudos e pesquisa, foi ai que a gente entrou, eu fui ser o primeiro chefe da divisão de estudos e pesquisa da secretaria.

Pois então, quando foi criada a SEDEL, esse movimento de mandar embora os paulistas, os forasteiros, a única pessoa do Maranhão, o único Maranhense que foi contra esse movimento foi o professor Dimas, que ficou ao lado da gente; ele não aceitava isso, foi inclusive até condenado pelos professores locais aqui na época não era nem professores, pelos técnicos locais, como traidor, então o professor  Dimas, eu tenho essa gratidão por ele, na época, ter-nos apoiado. Ai depois a criação da SEDEL, em 81 eu era Técnico da SEDEL, tinha 40 horas na SEDEL, e trabalhava 20hs como professor substituto, colaborador horista na UFMA, dando aula; ai em 81 aconteceu o Concurso, eu fiz o concurso, fui aprovado, na época foi aprovado o Moacir, Demóstenes,  eu, Laércio, Paschoal, Isidoro; Ulisses ficou em quinto lugar mas não entrou; eram cinco vagas, ele ficou em sétimo, por causa do Currículo, embora tenha ficado em segundo lugar na classificação das provas, ele caiu para sexto ou sétimo, para o sétimo lugar por causa do currículo e ai foi quando nós ficamos efetivados como professores da Universidade; foi quando eu pedi demissão da SEDEL e fiquei com dedicação exclusiva na Universidade, a partir do Concurso em 81.

 trabalho  no DEFER - O Cláudio eu não peguei, quando eu cheguei aqui, já era o Carlos Alberto. O Cláudio tinha acabado de sair, era um trabalho voltado para as escolinhas, tinha muitas escolinhas, tinha uma virtude grande do DEFER da época, que haviam professores formados, dando aula nas escolinhas; o professor Laércio trabalhava com escolinhas, eu trabalhava com escolinha, tinha o Viché – o Vicente -, trabalhava com escolinha de Futebol; Paulo com Basquete; Zartú vem depois, também trabalhava com escolinha… o Zartú veio e ai o pessoal que trabalhava com as escolinhas no Costa Rodrigues era um pessoal muito bom, foi por isso que eu acredito que tenha surgido um trabalho de base muito bem feito em decorrência disso; eu me lembro que nas escolinhas e seleções, eu começava o treinamento no Costa Rodrigues cinco da manhã e ia até onze meia noite, trabalhando com o pessoal, a gente ficava o dia todo lá dentro do Costa Rodrigues.

[Porque a Divisão de Estudos e Pesquisas em esporte não funcionou?] - Olha, por um motivo simples: a Educação Física na época, não tinha… nós professores de Educação Física, não tínhamos tradição em pesquisa, isso era uma coisa nova, porque eu não defendi minha tese de mestrado? Porque quando eu entrei no mestrado em 81/82 – as primeiras turmas do mestrado, a primeira turma entrou em 80, a turma do Laércio, parece que foi em 80/81, eu entrei em 82 -, então as primeiras turmas, nos cinco/seis anos, isso tem até um trabalho, numa revista do CBCE, quase 70; 80% de quem fez o mestrado ninguém defendeu tese, porque não havia tradição de pesquisa dentro da área de Educação Física, o mestrado era novo, professores de fora, de outros países, não havia orientação; nós tínhamos dificuldades para realizar, então não havia tradição em pesquisa, a pesquisa era feita, era muito ligada a questão biológica, menarca da criança, estudos de qualidade física; foi a época da criação dos laboratórios de Fisiologia, então era uma coisa assim, não havia essa tradição de pesquisa, então houve trabalhos de pesquisa na divisão, foram feitos trabalhos de pesquisa, eu fiz um trabalho, foi até publicado naquela revista, você até divulgou, houve um trabalho interessante que não foi levado ao final, porque eu acabei saindo da divisão, ficou para outra pessoa, que ficou na divisão, mas não tocou isso em frente, foi um trabalho, um levantamento dos dados antropométricos, feitos pelo Osmar Rio, da UNB, no Estado de Brasília, ele tinha um trabalho que fazia sobre a caracterização, tipo do atleta em relação ao esporte (o entrevistador interrompe e lembrando sobre o JEM’s e o JEB’s) se pegou a seleção, houve um trabalho enorme todo tabulado todo em cima do, foi feito pelo Osmar Rio, só que não foi levado ao fim, foi quando eu acabei saindo da divisão, ficou esse trabalho, ficaram esses dados na divisão, quem entrou depois na divisão eu acho até que foi até [Tânia ?]. Acho que deve ter sido ela.

[Os JEM’s... o que mudou, quando era da época do DEFER e quando era época da SEDEL, houve alguma mudança? continua a mesma coisa?] - Os JEM’s mudaram porque o esporte mudou, tudo, hoje a sociedade mudou, então mudou tudo, então era época que se praticava o JEM’s, quando eu cheguei quando eu pratiquei esporte, o esporte era praticado por forma romântica, se praticava esporte por prazer; as crianças que jogavam, os jogadores jogavam, e havia um envolvimento da classe bem grande, mais assentados na classe média, classe média alta, os atletas, as escolas ricas, jogavam por prazer; tinha-se tempo para jogar, o grande passatempo do jovem era o esporte, era uma forma de sair de casa, de ficar fora de casa, de se relacionar com os amigos, era o esporte. Hoje a sociedade mudou, hoje os estímulos são outros, hoje o lazer e outros, os interesses são outros; então se você fizer com isso tudo hoje, o praticante do esporte nos jogos, eu tenho impressão que caiu em termos de nível social, houve uma queda grande, mudou a característica do estudante, que se envolve hoje com o JEM’s; outra questão também é que o esporte hoje passou  a ser praticado como uma questão voltado mas como uma questão de trabalho, de emprego, de conseguir uma ascensão social. uma ascensão econômica, conseguir emprego; hoje, quem vai praticar esporte, vai para ganhar dinheiro, ninguém mais pratica por romantismo; então essa é a diferença, entre o atleta de hoje e do atleta daquela época, naquela época tinham seleções que jogavam… então, hoje não, quem vai praticar esporte vai para seguir carreira dentro do esporte. Vai para se profissionalizar dentro do esporte…

Congresso de Esporte para Todos - Na época do Esporte para Todos, né, estava na moda no Brasil o Esporte para Todos, uma campanha nacional, era o Takahashi né, que era o … o Lamartine,  Takahashi … vem lá do fundo do poço esses homens aí, e depois estava começando o movimento do Colégio Brasileiro [de Ciências do Esporte] também, que teve um Congresso do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, logo em seguida; foi na Escola Técnica, e aí esse foi marco histórico aqui para Educação Física. Foi a época  que se começou.. a Educação Física começou a ter um… saiu daquela fase de esporte romântico passou já a ter um cunho mais científico, uma preocupação mais com o aspecto do estudo, da Pesquisa. Vários trabalhos foram apresentados, inclusive, eu apresentei esse meu trabalho num congresso do CBCE, na Escola Técnica, sobre Características Antopométricas do Voleibol. 

[Eu falo sobre esse congresso da EPT, porque o EPT praticamente, em São Luis pelo menos, antes da SEDEL, ele não desenvolveu, era uma outra filosofia, uma outra política, embora se pegasse o dinheiro do EPT, na coordenação e lazer, mas era uma filosofia ditada, mais por Lino, por Laércio, que faziam uma certa oposição ao EPT, e quando se falou em se fazer um congresso de lazer aqui, não era para ser Esporte para Todos; eu lembro que a SEED, só admitia financiar um congresso de lazer se fosse, com o nome de Esporte para Todos; aí houve aquela confusão, que nós convidamos pessoas que eram contrarias ao movimento EPT, proibiu a vinda, isso eu queria que você falasse!] - tem dois aspectos aí que talvez tenha influenciado o EPT a não ter ido para a frente aqui, naquela época; nós, o pessoal da Universidade, os professores, éramos chamados de, é um termo até antiquado, até ridículo: da esquerda, tínhamos uma visão diferente… Todos usavam barba, eram comunistas (risos) … é engraçado falar isso, a gente era comunista, então Laércio, Lino, eu, nós éramos contra o EPT, contra a filosofia do EPT, porque o EPT era isso, Esporte para Todos; só que não era para todos , era para uma classe elitizada, que tinha bicicleta, era a classe burguesa, mas a classe pobre, a classe que não era privilegiada, ficava fora do processo; então o esporte não era para todos, a gente via na época o EPT mais como uma forma desse pessoal de Brasília de ganhar dinheiro; rolava muito dinheiro só que fazendo eventos e passeatas na rua, andando de bicicleta e com uma faixinha do EPT e tal; a gente era bem contra isso aí, esse foi o aspecto de não ter ido. O segundo aspecto é que dentro da SEDEL haviam duas coordenações, é a Coordenação de Esportes e a coordenação de Lazer. A Coordenação de Lazer era coordenada pela Fátima Frota e a de Esporte era pelo Gafanhoto; então havia uma diferença de competência brutal entre a Fátima Frota e a equipe do Gafanhoto. A equipe do lazer era uma equipe muito competente, começando pela Fátima Frota e a equipe dela eram pessoas muito competentes, tanto é que depois, essas pessoas, que trabalharam com ela acabaram fazendo mestrado. Hoje tem a Profª. Socorro [Araújo] no Departamento de Turismo; era um pessoal muito bom; então eles faziam eventos espetaculares, preocupados com essa questão da cultura, de preservação da cultura, era um trabalho científico, um trabalho com embasamento teórico, então esse era o lazer, a gente até trabalhava, até ajudava, ia lá, até porque a gente se envolvia no trabalho da Dona Fátima, Laércio, eu e Lino, porque a gente via lá, a competência estava lá. No desporto, era o Gafanhoto. Gafanhoto era  símbolo do que era a incompetência… lembro de uma reunião do Gafanhoto – foi muito engraçada, ele fez uma reunião, reuniu o pessoal todo e disse que ia atacar problemas do esporte do Maranhão de A a Y, quer dizer ficou  alguém de fora (risos) o Z não estava. Ai eu levantei o braço e falei assim: Gafanhoto alguém vai  ficar de fora desse teu projeto de atacar o esporte, ai ele falou porque? Porque o Z ficou de fora ai do teu alfabeto. Era muito difícil trabalhar ali, tinha muitos entraves, a coisa era voltada para escolinha; ainda se cultua até hoje, eu vejo ainda se preservar aquela coisa que o grande segredo de fazer o esporte é fazer escolinha, isso era aquela coisa do Cláudio Vaz, isso foi uma coisa que na época deu certo, que tinha muito dinheiro, tinha muitas pessoas poderosas, lá, com o tráfico de influência, e deu certo; hoje não é mais isso ai, hoje é totalmente diferente, hoje ainda falam – Ah! Na época do Cláudio Vaz tinha escolinha; só que hoje não é mais a época do Cláudio Vaz, hoje é outra época, tem que fazer um outro trabalho, trabalho de comunidade, departamentos de bairros, com sindicatos, é outra visão do mundo; então foi por isso que o EPT não deu certo aqui, além da questão da competência, que está na frente, há a questão da filosofia do EPT; tinha as pessoas que não podia tocar para frente que eram contra o Esporte Para Todos…

Congresso Brasileiro de Ciência de Esporte Norte e Nordeste – Lembro bastante disso ai; nos trabalhamos aqui na organização, foi na Escola Técnica; ela foi muito bem organizada; os certificados saíram, eu trabalhei na organização… veio o Victor, Victor Matsudo, veio um monte de gente para cá; foi uma festa na cidade, uma festa científica … foi trabalho… houve aqui aquele Amauri Bassoli, veio muita gente apresentar trabalho; tem trabalho no cás foi um momento rico, muito rico cientificamente muito rico, muito interessante … pena que tenho havido um corte nesse movimento ai.

[Eu acredito, o início da pesquisa no Maranhão, começa desse contexto] Eu também concordo que foi um marco da pesquisa, que foi a semente que se plantou, mas, depois houve um cortezinho em decorrência do êxito de vários professores que foram embora: o Laércio foi embora; o Lino foi embora; muita gente foi embora e ai voltou, houve uma outra fase mais recente, que depois a gente fala sobre isso… todo evento que você faz sempre fica alguma coisa, deve ter mexido com muita gente, motivou muita gente a fazer Educação Física; houve trabalho científico apresentados, foram divulgados os trabalhos, motivou um clima voltados para isso foi um marco, foi plantado a semente, isso trouxe conseqüência depois até para reforçar o curso de Educação Física da UFMA, colocou o Maranhão no contexto do Brasil estava muito isolado, que Maranhão existe, criou uma imagem do Maranhão muito positiva fora do Maranhão; me lembro quando eu estava em São Paulo, eu tinha um respeito muito grande pelo Maranhão, bem tudo tinha idéia que aqui no Maranhão tinha um grupo de trabalhos avançados para essa área…

Simpósio de Educação Física da UFMA - SIMPEFE… o Primeiro SIMPEFE foi quando eu fui Coordenador do Curso; eu era Coordenador do Curso e Vicente Calderoni era  o Chefe de Departamento, nós fizemos o Primeiro SIMPEFE foi quando eu trouxe para cá – deixa eu bater 3 vezes aqui – a infeliz idéia, apoiado por uma outra pessoa, trouxe o Francisco Mauro da Silva (…) Lino. Paulo Rubens; o SIMPEFE foi todo filmado, eu tenho fita guardado em casa, foi todo documentado, foi todo filmado por uma pessoa, as palestras foram filmadas. O Simpósio foi todo filmado, foi feito lá no Auditório do Odilio Costa Filho, que hoje é outro nome…  foi feito lá no Odylo Costa Filho, lá no Projeto Reviver, na Praia Grande; então foi muito bom na época, que o curso estava  no auge, começando; foi quando a gente trouxe esse pessoal todo para cá.

Qual foi a contribuição do SIMPEFE para a Educação Física escolar do Maranhão? A contribuição e de forma direto e indireto, e você quando traz pessoas para falar quando se debate com Medina com o Lino, tudo gera daqui, como o Paulo Rubens, então você traz experiência você interfere nos alunos, interfere nos próprios professores do departamento; sempre existe essa absorção de conhecimentos a troca de conhecimento, que as pessoas mudam.

Jogos Universitários Brasileiros, de São Luís - taí uma coisa que eu quase nunca participei, nunca tive um envolvimento com JUB’s, com JUM’s; eu participei do JUB’s como atleta na época que era aluno da USP; inclusive no Maranhão nunca fui simpatizante de JUB’s e de JUM’s; eu acho um desperdício do governo gastar  dinheiro com  jogos universitários, a única participação que eu tive aqui como participante, foi quando veio para cá um JUB’s no Maranhão … Eu participei somente como assistente, porque o técnico de voleibol de São Paulo era um colega meu de turma, que era o Pimenta; nós jogamos voleibol juntos na faculdade; grande amigo, já falecido; e quando ele veio para cá, ficou aqui em casa; a gente saia com os atletas de São Paulo, que conhecia alguns, mas eu nunca participei; quem participou ativamente, organizou de forma magistral, foi o Lino, que ficou assim uma marca registrada nos jogos, que teve muitos elogios, eu acredito que tenha ficado bastante marcado aqui pela participação dele, pelo movimento na organização do JUB’s feito aqui em São Luís. Mas eu nunca fui simpatizante de JUB’s, eu acho que JUB’s e jogar dinheiro fora, é você trabalhar no Brasil que os atletas a maioria jogam, muitos vão para fazer turismo; existem vários W/O nos jogos; o pessoal vai daqui para jogar; vai para praia enche a cara de cerveja e não joga, o pessoal joga embriagado é uma coisa de louco, quer dizer, existem alguns resultados bons alguns atletas, vão com a intenção até de bater recorde. para participar da olimpíada universitária, mais de uma forma geral é uma esculhambação total, por isso eu nunca participei de jogos, nunca fui simpatizante.

JEB’s em São Luís; os Jogos Escolares Brasileiros  – Eu estava na universidade; a minha participação porque já ia mais o pessoal do Estado, que já tinha uma participação direta os técnicos que participaram é do Governo Cafeteira… Castelo

Eu participei da construção, na época de João Castelo, da criação do C.S.U. – Centro Sociais Urbano – na Cohab; eu me lembro muito bem quando foi inaugurado era uma maravilha, depois de 8 meses tiveram que fazer uma reforma; se gastou mais na reforma do que na construção do C.S.U.

APEFELMA - A APEFELMA tem histórico, eu trouxe até um documento aqui, a APEFELMA já é mais… idade moderna (Risos)… houve um movimento para se criar … estava o Laércio … E ai nós fizemos, foi feita a primeira reunião – isso consta tudo nos livros de ata que, eu não trouxe -, mas a primeira foi criada em 81, eu trouxe aqui o papelzinho, você pode até ficar, você tira cópia depois me dá. A primeira comissão de instalação foi feita em 81 com esses nomes aqui: foi o Laércio, Cecília, Paulo, que ainda era aluno, Lino, Rubens Goulart, acadêmico,  a Viviane Araújo Teles. Mas não colocaram seu nome aqui; então essa comissão de instalação, ela foi responsável pela primeira eleição, da primeira diretoria que era de 84 / 86, que foi presidente eleito Osvaldo Teles, que ficou só 6 meses, não aparecia, abandonou, a gente botou ele para fora; vice-presidente Vicente Calderoni; 1º Secretário, Sidney – eu -, Viviane e tal ai em 85, como ele ficou só 6 meses, entrou o Vicente que ficou como Presidente, ficou até em 86; e eu, fiquei como vice-presidente ai entraram mais essas pessoas; ai tem as outras chapas ai até 86 /88, 89 e 91, esta ai o presidente Leopoldo e agora tem essa atual nessa ai que o Canhoto como presidente, o vice-presidente. Eu sou o primeiro secretário, e o vice-presidente é o Veloso [Henrique Veloso]; nós nos reunimos agora, sábado retrasado, para iniciar um processo de criação da delegacia Regional aqui, dá uma luta para você fazer isso do Conselho. ..O Conselho, se não me engano a Célia é que vai ser a nossa cabeça, né? Você recebeu aquele caderno, aquele papel sobre o Conselho Federal – eu tenho no carro -, e eu vou te dar um, trás toda a história, as regionais, nós estamos ligados à Fortaleza, que é uma região, então nós temos que criar aqui uma delegacia, é o único estado, acho que um dos únicos estados que ainda não tem nada, não tem nenhuma estrutura a gente já fez três reuniões, nós marcamos reuniões, inclusive dessas três reuniões foram publicadas em jornal, divulgada nos locais onde existe a maior freqüência de professores, Costa Rodrigues, Escola Técnica e tal. Você participou da Escola? Uma delas você participou. [Ah! Sim, quando foi a reativação da APEFELMA para criação do Conselho ] Exato, do conselho, e não houve a participação, ninguém apareceu na última reunião que a gente marcou, que teve, foi no Costa Rodrigues apareceu duas pessoas. Ela ligou para mim {Tania Biguá, sobre denuncia contra um dono de academia] – eu expliquei a situação, e pedi pro Canhoto, como presidente, questão de respeitar a função, ele foi lá dar a entrevista, mas eu tenho tido contato com outros estados, com outras pessoas que ????? em Manaus, é que a gente sabe que é, talvez o único estado que ainda não tenha ainda é aqui, então eu até brinco, o Maranhão foi o último estado a aderir a independência do Brasil, e pelo que eu vejo, vai ser o último Estado a aderir ao Conselho Federal de Educação Física, já houve uma reunião a alguns meses atrás dos Conselhos é o FANALI denunciou nessa reunião a questão da partilha do Maranhão em relação a criação do Conselho, da regulamentação dos Profissionais, já foi denunciado isso ao Conselho Federal de Educação Física, eu estou bastante preocupado com isso, é nós fizemos essa reunião no sábado retrasado, e elaboramos uma ficha de inscrição, essa ficha, já foi rodada nós vamos começar a cadastrar todo mundo e em cima desse cadastro nós vamos ter que elaborar um jeito de criar uma situação, para criar uma delegacia aqui e começar, não pode mais ficar como está.

[Porque o curso de Educação Física da UFMA está tão distante da realidade das nossas escolas, com esse aumento de escola pública ?] - Puxa vida! Essa é uma coisa assim que toca muito indiretamente a mim, que eu vivo aquilo ali e fico agoniado com aquilo; o que é o seguinte: o curso de Educação Física quando foi criado, o perfil do professor era de uma pessoa que tinha já se formado, a uns quatro cinco anos, ele tinha uma experiência de mercado, de trabalho de quatro a cinco anos, era uma pessoa que antes de se formar já tinha uma experiência dentro do esporte ou do lazer, já tinha uma vivência, quando ia fazer faculdade já tinha essa introdução, e era uma pessoa, que quando ia dar aula, então, ele tentava na faculdade para dar aula, ele já trazia consigo uma bagagem esportiva, uma vivência esportiva. Alguns para esporte, a maioria para esporte, que é a tradição do Brasil e voltada para o esporte, outros para recreação, para Educação Física Infantil, quer dizer cada um dentro de sua área, então esse era o perfil do professor, ganhava-se razoavelmente bem o professor, hoje a situação, o perfil é totalmente diferente, hoje o perfil do professor que tá dando aula na universidade, é de um professor recém graduado, sem nenhuma experiência quase nenhuma experiência anterior, como esportista, dentro da área de recreação e lazer, é o menino que as vezes sai, vai fazer, recém graduado, faz o mestrado, volta, que dizer, eu vejo o mestrado hoje, como aperfeiçoamento de um conhecimento, que o mestrado hoje não está sendo o aperfeiçoamento, tá sendo a obtenção de conhecimento, como é que volta do mestrado sem nunca ter trabalhado, sem nunca ter dado aula, vai poder dar aula numa universidade, como é que um professor que nunca deu aula, vai ensinar as pessoas a dar aula, então essa é a situação hoje do curso, o currículo que foi mudado que mudou em 86, 87; 86 que foi feito uma reforma no currículo por mim na época, em que eu era o coordenador, eu que fiz essa reforma de currículo, tive assessoria de uma doutora em currículo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro [?] por dois anos ela assessorou a gente aqui, é o currículo está totalmente defasado, porque foi feito na década de 80, na década de 80, a Educação Física era psicomotricidade, estava na moda na época o ex????? era psicomotricidade. Hoje não é mais, mudou, hoje são outros, outros conhecimentos, outras áreas de estudo, então o curso já esta defasado, um curso grande, enorme com treze mil e quatrocentas horas, o curso precisa mudar, eu fiz uma projeto de pesquisa a dois anos atrás, para apresentar uma proposta de reforma de currículo, foi técnica, eu terminei a pesquisa, apresentei ao departamento entreguei para coordenação do curso, e a situação e tão grave que a gente não consegue nem reunir os professores para fazer a reforma do currículo, foram feitas várias tentativas e acaba em nada, a última tentativa está sendo agora, nós fizemos uma comissão, estão eu, Silvana, Paulinho e Neneca e o representante dos alunos, Caetano Duailibe, essa comissão funcionou o semestre passado com duas reuniões, o pessoal não apareceu mais; e agora nos fechamos o seguinte, se o pessoal não comparecer, vai ser feito nem que seja por uma pessoa só, então já aconteceram duas reuniões e essas duas só foram Silvana e eu, então nós vamos tocar a reforma assim mesmo.  Neneca é filha de Jota Alves, que atualmente é a coordenadora do curso. 

Criação da FUMDEL, o que a FUMDEL fez? Em que ela está atuando? - A FUMDEL, foi a Fundação Municipal de Desportos e Lazer, Eu acho necessário que o Município tenha uma fundação para trabalhar o desporto e o lazer no município, ela foi criada, já está com quatro anos, cinco anos, acho que no governo do prefeito que foi reeleito, ela fez um trabalho, um pitoco de um trabalho, isso não é do conhecimento de comunidade, infelizmente; porque as pessoas da assessoria da FUMDEL que deveria está divulgando isso não fizeram. A coordenação de desportos e lazer da FUMDEL optou por fazer um trabalho em comunidades com os departamentos, então havia uma opção, ou trabalhava no esporte com as federações, quer dizer, reproduzia o que o estado faz ou se trabalhava um segmento, que é totalmente, arejado, um segmento do processo que está lá, dentro do bairro então a gente optou pelo segmento, que tá lá, que nunca foi trabalhado, são os bairros, então fizemos um levantamento, em que privilegiou, as comunidades os bairros de periferia. [O Trabalho é basicamente com o Futebol?] Não, aí é outra surpresa também, porque o que aparece é isso o futebol, na imprensa, saí uma notinha no jornal, a gente entrou em contato nos departamentos autônomos de futebol, por isso que fica essa imagem do Futebol, esses departamentos autônomos, nós fizemos um levantamento e encontramos cinqüenta e quatro departamentos autônomos, cada bairro, tem um departamento autônomo, desse departamento tem uma estrutura tem um campo de futebol, praticamente e futebol vive em função do futebol, pouquíssimos departamentos, raros são aqueles que trabalham com futebol, mas a nossa idéia é começar com futebol, porque existe o futebol lá com escolinhas, quer dizer dá apoio a estrutura, isso foi feito em vários departamentos como reforma do Campo os departamentos que não tinham campo a prefeitura fez um campo de futebol, arrumou um local, para tomar banho, um vestiário, deu material esportivo, foram feitos vários torneios, campeonatos com eles, ligado ao futebol, mas não é só futebol teve escolinhas de Voleibol, o departamento do São Francisco, teve escolinha de Futebol de Salão, de Voleibol, teve escolinha de Handebol, o problema é que os recursos da Fundação são pouquíssimos, não é uma fundação que o prefeito, olha assim como; a prefeitura já tem conseqüência, então ela não é uma fundação, que o prefeito injeta então ela com poucos recursos, é a gente fez um trabalho, além desse trabalho fizemos outros eventos, trabalhamos numa prova, numa atividade de Iatismo, a prefeitura em convênio com o Iate Clube, de bicicleta, teve evento de bicicleta, Eu tenho o relatório, que depois eu posso passar esse relatório para você olhar, o quê, que foi feito, o relatório dos ?????? Olha é um caso, Eu trabalho lá, assessoro, é um caso para se perguntar, ir lá fazer entrevista com Wilson Nery, por quê, que ele como membro da imprensa da ACLEM por quê, que eles não divulgam o trabalho da FUMDEL? Acho que vale a pena perguntar isso.

Pós Graduação na UFMA; por quê, que aqueles cursos de especialização não deram certo? O Curso de Ciências e de Lazer? =  foram dois os cursos, inclusive eu participei da coordenação dos dois, um foi sobre Ciências dos Esportes. Laércio, começou primeiro, depois eu continuei, para terminar o outro foi ??? (o Leopoldo e o Sidney falam ao mesmo tempo e não dá para entender o nome do segundo curso.) Lazer e Recreação, que começou com Dimas, eu acabei terminando a coordenação. O que aconteceu? Aquilo foi, na época que foram feitos os cursos, pouquíssimos, acho que dois alunos que terminaram com a monografia um foi você. [Ciência do Esporte ninguém terminou] Terminou, o curso, todos terminaram todos eles terminaram, eu lembro que eu fechei a coordenação, me entregaram a coordenação no final eu fechei, único aluno [que terminou] Foi você por quê? Porque não tinha quem orientasse, não havia tradição aqui dentro da Universidade, não tinha ninguém, com mestrado, não tinha ninguém com Doutorado, então essa foi a dificuldade, falta de orientação e tradição dentro da Pesquisa, agora uma coisa, interessante, porque que não tem mais curso de especialização? É uma pergunta que eu fico até um pouco revoltado. Com tantos mestres, porque quando a gente adotou essa política, até a criação do Prata da Casa né, foi na UFMA, a idéia era a seguinte o grande problema aqui na Educação Física, é que nós não temos mestres e doutores suficientes, então é preciso criar essa elite, para que possa desenvolver a Educação Física, aí se criou o Prata da Casa para fazer isso, não só com a Educação Física, mas em outras áreas, o Prata da Casa, é um projeto da Universidade Federal do Maranhão, que pega os ex-alunos brilhantes da Universidade, e os coloca em várias universidades para fazer mestrado. É aí saíram vários professores daqui que foram fazer mestrado; Paulo fez Mestrado e Doutorado, a Silvana Moura, a Silvana filha do Dimas fez o mestrado aqui, na Educação, hoje, temos, o departamento tem vários mestres o Zartú, tá fazendo Doutorado, só que o Departamento nunca mais fez um Curso de Especialização, Eu pensei que hoje com esse Corpo Docente, o departamento, teria obrigação de Ter no mínimo dois cursos de especialização permanente, um na área de esporte, outro na área escolar, deveria Ter além desses dois cursos e permanentes, deveria Ter uma revista, deveria Ter pelo menos um congresso ou Simpósio Estadual, e o departamento não faz absolutamente nada disso, é uma pergunta que a gente deve fazer a essas pessoas, porque essas pessoas, hoje estão à frente desses departamentos, como o Paulo foi chefe do departamento, porque, que o departamento não faz isso?

Como foi aquela reestruturação no Departamento de Educação que você participou, sobre a implantação do PCN e aquela proposta pedagógica - Ah! Foi ótima, essa proposta do guia, O guia nasceu da seguinte forma, aos três, quatro anos atrás, em 97 mas para ser exato, eu fiz um projeto de pesquisa para elaborar um a proposta curricular, para Educação Física. Porquê, que eu fiz esse projeto de Pesquisa? Quando eu ia dá os cursos, no interior do estado, eu sentia que as pessoas que faziam curso comigo, nos interiores, de várias cidades, não tinham nenhum documento, nada em se apoiar, para poder trabalhar com a Educação Física, professor de Matemática, História e Geografia, todos eles tem, um livro, tem um guia tá lá o livro de Matemática para 5ª série, para 6ª, para 7ª, é essas pessoas, esses profissionais, que atuaram no interior principalmente com Educação Física, eles não tinham nenhum documento para poder trabalhar, então em cima desse problema, eu tive essa preocupação em fazer um projeto para elaborar o Guia, mas aí me surgiu uma outra preocupação, Eu faria a elaboração desse Guia, dessa proposta de currículo, mas se fosse feito só por mim, ia morrer lá na Universidade, como sempre acontece com as pesquisas lá na universidade, infelizmente uma boa parte delas acontece isso, engaveta e morre, aí eu tive a idéia de fazer esse trabalho em convênio, com a Secretaria de Educação, que o estado também participasse disso, era uma forma, depois de o estado expandir esse guia, para todo o Estado, para todos os municípios, aí eu fui falar com o Secretário de Educação, e ele topou, e me pediu, que eu fosse conversar com o pessoal da divisão de Educação Física, a sorte também na época quem era Chefe da Divisão era e Marisete, que era a minha esposa, é ai agente montou uma equipe para fazer, junto a UFMA e Secretária de Educação para fazer o guia, elaborar o guia, aí nos convidamos fez parte da equipe: Eu, Marisete, o pessoal da divisão, Marileide, o Alfredo, nós convidamos pessoas que fossem representativas do segmento, escola o Carlos Alberto Martins, que dá aula na escola do CAIC, Convidamos a Silvana da Escola Técnica a Silva Mariusque, compareceu uma única só vez, depois nunca mais apareceu, agente tirou ela da equipe; o Carlos Augusto Scanseti Fernandes que era da Escola Pública, também, só apareceu uma ou duas, depois foi embora não apareceu mais e convidamos um Doutor em currículo, que é o professor José Erasmo Campelo, da Universidade Federal do Maranhão, que tinha doutorado em currículo é ai nos começamos um trabalho fizemos em trabalho todinho e que terminou com o guia com a proposta, curricular para Educação Física, grande problema hoje do guia, é que falta estender esse guia, falta levar, eles foram tiradas, na primeira edição saíram duas mil cópias já foram distribuídas pelo interior todo, mandado para as escolas, mas o que está faltando e isso que também falta para os PCN’S, falta ir lá no interior e dá o curso para o professor, é isso que tá faltando, já cobrei isso muito da divisão é a divisão não tem como, eles são três pessoas na divisão que é a Marisete, a Marileide e o Alfredo e eles não tem como fazer isso aí, talvez se ele tivesse que fazer Convênio com a universidade, com a Escola Técnica para poder sair e implantar isso aí dando cursos para o interior do Estado todinho para implantar, efetivamente o guia. agora existe um problema seríssimo da Educação Física no interior do Estado, eu percebi, que isso é um problema grave, que a divisão de Educação Física do estado deveria já ter ciência disso, o problema todo é falta de pessoal, existe uma preocupação do Governo Estadual também em incentivar a Educação Física porque é um gasto. A política não é para privilegiar ou para incentivar a Educação Física, Eu dei um curso agora em janeiro para GEDEL, o esporte solidário, a gente sabe que o esporte solidário voltou agora para o Maranhão e voltou para ser implantado em cinqüenta e dois municípios, ou 55 do Estado e quatro núcleos, aqui na capital, então não estava nem previsto um curso de treinamento. Eu alertei a GEDEL, fui pego assim, de surpresa, para que pelo menos desse um curso, para esse pessoal que fosse trabalhar, aí ela fez um curso, nós trabalhamos em quatro, dois professores, para dar a parte teórica e dois para a parte prática, a parte teórica foi dada por mim e pelo Alex, está como professor substituto lá da UFMA, e a parte prática foi dada pelo Carlos Alberto Martins Filho e pelo Euvaldo, esses trezentos, já eram trezentos professores do interior, desses trezentos professores que vieram, mais os da capital, principalmente do interior, noventa e nove por cento não é formado em Educação Física, agora o que é mais grave, todos eles, nunca participaram de curso nenhum, então quando teve um curso a três anos atrás, lá na Alemanha, do esporte solidário na época da Marli Abdala, Eu dei o curso lá, então eu esperava, que pelo menos uma boa parte daquele pessoal, fosse atuar agora então isso significa o quê? Que existe uma rotatividade enorme, a pessoa que trabalha hoje no interior em Educação Física no esporte solidário o ano que vem não é mais ele, é outro. Muda tudo; isso significa jogar dinheiro fora, quer dizer, está se investindo numa pessoa, que não tem compromisso que não tem competência, que não tem, interesse, e tá jogando dinheiro fora.

Contribuições do Domingos Salgado - Eu tive um experiência muito ruim com Domingos Salgado, eu tenho uma imagem muito ruim dele, o Domingos, eu conheci quando cheguei aqui, ele chegou primeiro, ele já tinha uma imagem ruim, aqui no Maranhão; talvez ele tenha sido a pessoa que criou essa imagem ruim dos paulistas, porque ele era uma pessoa não muito bem vista, uma pessoa que devia muito na praça, e os cobradores iam lá no núcleo de esportes atrás dele, tinha uma imagem meio ruim. E é uma pessoa que dificultou a entrada da Educação Física na Universidade Federal do Maranhão, foi diretor do Núcleo de Esporte, dificultou as atividades do núcleo de esportes e chegou a um tal ponto que acabou sendo demitido pelo Reitor;  ele forçou uma situação para poder pegar o fundo de garantia, teve uma reunião que nós fizemos na época, o reitor era o Martins, e nessa época a gente fez a reunião, deve ter sido na época que o Moacir chegou, que o Moacir estava presente, estavam Cecília, Dimas, eu, Moacir, com o Reitor e o Pró-reitor, e foi uma situação constrangedora porque ele foi desmentido, nessa reunião, as pessoas fizeram sérias acusações, inclusive até de poço artesiano, que ele disse que tinha 120 metros com certeza no raio, e tinha só a metade, tinha 60 metros de profundidade foi uma coisa absurda, foi acusado lá de várias irregularidades, aí ele foi demitido da Universidade, porque a situação ficou uma situação terrível, essa é a imagem que eu tenho de Domingos Fraga Salgado, aqui.

Rinaldi Maia - eu tive bastante convívio com ele é Ex-professor de Futebol, conversava com ele, quando nós fizemos esse curso de especialização em Manaus, nós ficamos juntos, nós alugamos um apartamento, o pessoal do Maranhão alugou um apartamento com exceção da Cecília e o Dimas que ficaram morando no… a Cecília ficou num Hotel, e o Dimas no apartamento de um amigo; eu, Isidoro, Moacir mais um pessoal de Goiás, ficamos num apartamento juntos, durante algum tempo, o professor Rinaldi Maia, foi quando o conheci bastante, a gente conviveu durante dois meses morando juntos, uma pessoa muito integra, uma pessoa muito séria, talvez o infarto dele tenha sido por causa disso, por que ele era uma pessoa muito integra, e não aceitava uma série de coisas. É professor de futebol, foi a experiência que eu tive dele, sempre jogava Basquete na Escola, Eu já peguei o Reinaldo já com uma idade bastante já, na época eu tinha 28, ele já devia ter uns 55, 60 anos, não me lembro. A UEMA sempre foi uma Universidade muita oculta a Educação Física, nunca teve nada lá dentro, tirando um ou dois professores que iam lá dar aula, a imagem da UEMA, em relação a Educação Física é a pior possível, as aulas de prática desportiva, são terríveis, e professor que não vai dar aula, é professor que, aquelas coisas todas, tanto é que nunca aconteceu nada na UEMA, em termos assim de tentar criar um curso, de tentar dar uma boa aula de prática desportiva, implanta prática desportiva na universidade, porque a imagem deles lá é terrível, eles não estão nem aí para isso, eu participei de uma reunião na UEMA, não me lembro, qual foi o motivo, onde o Pró-reitor fez uma acusação gravíssima, estava eu, o Nilson, que era o coordenador do departamento, o Chefe lá da Educação Física e o Pró-reitor da UEMA, falou que Educação Física e nada era a mesma coisa na cina (?) dele não tinha o menor respeito pela Educação Física o Pró-reitor, disse isso. Ninguém sabe como é que funciona, o meu receio em relação a Universidade Federal do Maranhão, a UFMA, é que está de caminho para isso aí, se tornar uma UEMA, por que a coisa tá indo para isso aí, nós estamos tendo lá professores, Mestres, Doutores, e o curso tá definhando.

Cecília Moreira - A professora Cecília, eu conheci também junto com o Dimas, professora que deu aula de Educação Física Infantil, dança, professora que foi coordenadora do curso durante, oito anos, na época indicada, o Cleber Leite na época do reitor Cabral, depois ela saiu e foi ser secretária. Minha relação com Cecília foi essa eu tive alguns atritos com a professora Cecília era uma pessoa também muito séria, eu tive alguns atritos acadêmicos com ela, Eu separo a Cecília como mulher, como mãe, como profissional; eu vejo que a professora Cecília atrasou muito a Educação Física dentro de Universidade Federal do Maranhão, ela tinha uma visão de Educação Física, ela tinha uma forma dela coordenar o curso, forma de administrar, muito centralizada, ela dificultou muito, lembro que o curso chegou uma época, um período que os cursos de licenciatura da universidade, como Educação Artística, Matemática e tal, estava entrando no Vestibular, um, dois alunos por semestre, no Curso de Educação Física, o curso todo chegou a ficar numa época com uma faixa de sessenta alunos, uma média de sessenta alunos, o curso todo, o que estava entrando a cada semestre um, dois, três alunos, eu cheguei a dar uma aula para uma turma de um aluno, aula de didática 120hs para um aluno por semestre. Oitavo Período, que dizer, oito aulas por semana para uma aluno, foi até o Mauro Santiago, então foi o problema, ela achava que o curso de vestibular devia ser bem difícil e só poderiam entrar aqueles que realmente tinham condições, por que isso iria, engrandecer o curso, aí quando ela saiu houve uma mudança no vestibular, a gente mudou a área, mudou o peso, aumentou o número de vagas, e hoje o curso conta com quase seiscentos alunos ou mais. Teve um período, isso também acontecia além de entrar poucas pessoas, também acontecia isso, o curso de Educação Física, eu tenho também um trabalho de pesquisa que eu fazia, com a primeira turma, que eu também dou caracterização profissional, eu aplicava um questionário para traçar o perfil do aluno e numa das perguntas, perguntava qual o interesse, se ele tinha interesse em ficar ou passar para outro curso e uma boa parte dos alunos respondiam que tinha interesse de pular, houve uma época que eu era coordenador, que a Pró-Reitora de Graduação era ? (alguém começa a tossir e eu não entendi o nome da Pró-Reitora – Margarida Leal) que foi um escândalo, dentro da Universidade, foi até chamado de O TREM DA ALEGRIA, houve uma transferência de dezessete alunos dos cursos, vários cursos, entre eles Educação Física parece que foram 5 alunos do Curso de Educação Física e do Curso de Medicina, foi em escândalo na época, isso foi parar no conselho e rolou, como a Universidade vivia na época em clima de opressão um clima de, o reitor era o Cabral ele não havia essa, o conselho não tinha muita força, passou isso mudou depois, depois que o Cabral saiu entrou o reitor Jerônimo Pinheiro, aí acabou isso daí, houve conselho, e proibiu essa transferência de um curso para outro, mas isso acontecia muito.

Laércio - o nosso grande amigo Laércio (risos) – eu vejo o Laércio assim, como um profissional, que toda empresa, que toda instituição deveria ter porque ele deveria ter uma função de motivar as pessoas a trabalhar e dar idéias, ele é um grande motivador, ele é um grande idealizador, eu mudei muito, quando eu conheci o Laércio, eu mudei muito a minha postura profissional, eu tinha uma formação muito ideológica formado pela USP era muito treineiro Biologia, tinha feito Fisiologia, quando vim para cá para o Maranhão, começando com o Laércio passei para área pedagógica, o Laércio foi quem me ensinou a trabalhar, tanto insistia com computação eu lembro de minha resistência, com um computador, quando eu trabalhava num 386, acho que nem era isso, um computador SIDi. Cobra, 286. Eu lembro que ele tanto que insistiu, um dia eu sentei, e comecei a mexer, e outras coisas mais, congressos, cursos e disciplinas, Laércio é uma pessoa, que ele passa uma energia, ele passa uma força de trabalho monstruosa e infelizmente por incrível que pareça, às vezes é mal compreendido por algumas pessoas, é chamado de enganador, de pessoa que começa e não termina, Eu fico assim assustado de ver como, assim as pessoas não conseguem ver a importância do Laércio, o Laércio por onde ele passa, ele deixa alguma coisa, ele deixa a semente, qualquer órgão que ele passa cria-se uma motivação, todo mundo começa a trabalhar, todo mundo se envolve, existe um clima acadêmico do lado dele, essa áurea dele acadêmica, isso é uma coisa que falta hoje, falta isso no curso, falta essa coisa de ter o prazer de trabalhar de fazer, de ter idéia.

Lino O Lino, ele não teve… o Lino foi amigo de infância, então o Lino eu posso falar, sem ter o direito de falar, mesmo que ele não goste tenho o direito de falar, tenho o direito adquirido de infância (risos) a gente viveu junto a infância todinha de bairro, jogava xadrez, jogava futebol, separei muita briga do Lino de provocar bandaria, de brigar e a gente ter que separar depois, aquelas histórias cômicas do Lino, o Lino ele sempre foi uma pessoa muito inquieta, uma pessoa muito competente, mas ele não se deu bem aqui no Maranhão, quando ele veio para cá, ele trabalhava com Futebol, ele não conseguiu entrar na UFMA, esse foi o grande problema dele aqui, ele não entrou no departamento; então ele se envolveu com futebol, trabalhava no MAC, você lembra disso, que tinha aquela motinha dele, que ia lá, ele morava na São Pantaleão, com o futebol depois ele passou para o Tupã. Lino não trabalhou nem no DEFER, uma coisa interessante. Mas ele não tinha vínculo de trabalho. Só se envolvia na direção do JEM’s, essas coisas; eu não sei porque, que isso aconteceu com o Lino, não sei se ele não queria. Eu que trouxe o Lino para cá. Ele veio para cá, para o futebol, a idéia era para botar na Universidade, mas eu acho, que não sei porque, exatamente o motivo, eu fiquei até de perguntar isso para ele, mas o grande problema do Lino, foi que ele não se deu bem aqui, o Lino teve um problema sério ele estava noivo na época, da primeira esposa dele. Sandra, ele estava agoniado, ele queria ir embora, ele não bateu, não casou, o Lino aqui ele ficou, apesar de ele ter feito um trabalho maravilhoso que ele fez na PRECSAE, não era o local dele, ele não se identificou aqui, aí ele trabalhou na PRECSAE, trabalhou na Universidade como professor, mas pela PRECSAER, deu aula trabalhou no JUB’s, se envolveu com o futebol, aí ele teve um convite, esse foi o motivo da ida dele ir embora daqui, ele recebeu um convite do futebol para trabalhar no Botafogo de Ribeirão Preto, e ele foi embora daqui e aí essa história você já sabe. Não deu certo também, quando ele chegou aqui lembro bem, na época que ele voltou, ele ainda não havia terminado a tese, elaborado a tese, ele falou exatamente o que ele disse, foi eu estou aqui a 45 dias não escrevi uma linha da minha tese eu tenho que ir embora daqui, é eu entendi ?????, foi por isso, eu quando voltei, foi o meu grande erro ter voltado, eu fiz o mestrado em um ano e meio as disciplinas, e voltei paro o Maranhão, achava que podia, que seria mais útil fazer aqui, do que fazer lá, foi o meu grande erro, eu nunca devia ter voltado, sem antes defender minha tese, quando chega aqui você, porque aqui no Maranhão não existe ambiente acadêmico, naquela época não existia então você, eu me envolvi com a coordenação do curso, eu me envolvi com estágio, fui coordenador de estágio, comecei a trabalhar aí foi ficando, foi ficando, amanhã eu faço, amanhã, eu faço; é aquilo que o Lino falou em 45 dias, ele não escreveu nada, e foi embora, voltou para São Paulo, ele deu sorte, que depois ele entrou na UNICAMP para trabalhar, e hoje é isso que todo mundo conhece, se ele tivesse ficado aqui com certeza ele não teria chegado nesse nível. Ele era técnico em Assuntos Educacionais então, ele talvez não tivesse essa exigência de voltar o tempo aqui, isso é mais relacionado com o professor, o tempo que você fica fazendo o curso tem que pagar aqui.

Na UFMA, ele não tem nem uma passagem feliz, ele não bateu na UFMA, não conseguiu, departamento também na época, não absorveu, tinha uma politicazinha, interna dentro do departamento, né infelizmente com a professor Cecília, o pessoalzinho o próprio Moacir. Os da terra, contra os Paulistas. então se dificultou a entrada dele, não queriam ele dentro do departamento, ele participava das reuniões como professor de organização, não como professor da casa, eu me lembro: que ele brigava muito com o professor Rinaldi, o Lino teve uma época dele muito agressivo, muito contundente nas colocações dele, e isso também. Dificultou a aceitação dele no departamento ele era uma pessoa muito braba, muito agressiva teve atritos, grandes comigo, com o Laércio a gente chegou até ficar um tempo sem conversar por causa disso, nós perdemos a amizade por alguns anos, um ou dois anos, depois é que voltou a conversar. A última vez que ele teve aqui, eu senti uma mudança muito grande ele mudou bastante, eu até fiz uma brincadeira com ele, nós fizemos um debate, sobre currículo lá no curso, com alguns professores, alguns alunos. Eu fiz uma pergunta e ele falou que: às vezes para gente avançar a gente tem que dar um passo atrás, eu falei então você mudou muito, porque ele nunca dava um passo atrás. (risos). Ele riu muito e falou: é a gente aprende é vivendo.

Mauro - Esse foi a maior desgraça que aconteceu para a Educação Física aqui no Maranhão. Aí eu tenho uma parte uma parcela de culpa. para UFMA, eu falo Maranhão porque é UFMA, desculpe, foi uma época em que o Maranhão estava carente de professores; o professor Lino tinha ido embora, o Laércio tinha ido embora, tinha um pessoal saindo e aí eu pensei; eu era Coordenador eu falei: olha temos que trazer pessoas de fora aí com Mestrado para dar uma levantada aí. por indicação de um professor que o conhecia, o professor Tarcísio. Ele era aluno. Ele tinha muita relação com o Tarcísio porque ele foi o seu orientador. Aí ele estava trabalhando na Vale do Rio Doce, lá na serra do Carajás, então ele sempre ligava para mim, ele fez um concurso aqui, ficou em segundo ou terceiro lugar, quando ele vinha para cá, ele ficava hospedado às vezes na minha casa, e aí quando teve aquele concurso Tarcísio já era professor do departamento, aí entrou, se inscreveram o Mauro, entrou o Adriano, entrou a Cássia, aí explodiu o departamento, porque eles entraram com uma visão, a filosofia deles era desobediência, desordem e guerra civil, então eles achavam que, dentro de uma visão marxista, comunista. Da linha Albanesa, você só poderia construir, se você destruísse primeiro, primeiro você tem que fazer a revolução, destruir o que existe, para depois construir de novo, então eles queriam destruir tudo, fizeram coisas absurdas. principalmente fisicamente, destruíram tudo inclusive chegaram a destruir até o material do departamento como quadro de giz, que quebraram, televisão, vídeo cassete, riscaram meu carro várias vezes. eu abri todos os processos contra o Mauro, por tentativa de agressão, e por agressão verbal, abri um processo dentro da universidade e um processo na polícia civil, o Moacir abriu um processo também contra ele, pois ele ameaçava mesmo.

Adriano - Eu tenho esses documentos todos guardados comigo até hoje, ele era uma pessoa completamente desequilibrada, eu considero o Mauro assim, uma pessoa esquizofrênica, um paranóico, uma pessoa altamente agressiva, que na segunda ou terceira palavra que você não concordasse com ele partia para porrada, aconteceu uma vez uma Assembléia eu contestei, educadamente, academicamente, com todo cuidado, ele levantou para mim me dá uma porrada, foi agarrado, aquela coisa toda, foi horrível, eu tive que sair do departamento, porque eu era agredido, verbalmente, diariamente por ele, corredores, na sala de aula, o que mais me entristece, era que alguns professores, inclusive um que eu tinha amizade, desde quando cheguei aqui, que foi o Vicente, ficou da mesma forma, ficou do lado dele chamando ele de pai.;… acho que ele deveria levar até o final, liberou o Mauro, e ele foi embora, e ele tirou todos os processos, que haviam dentro da Universidade, foi apagado dos computadores se você for hoje no computador não tem nada, eu tenho esses documentos todos mas apagaram dos terminais, todo esse processo contra ele, foi uma coisa interessante isso, com uma semana no departamento, lá em Espírito Santo ele brigou com o chefe do departamento, ele quebrou o braço do chefe do departamento. com uma semana; então uma pessoa dessa não pode ser normal, a poucos tempos atrás talvez uns oito meses atrás, ele deu cinco tiros num orientando dele, o orientando foi se concursar, quando conseguiu voltar, não morreu, acusou, é a última informação que eu tive agora recente, faz dois dias atrás, que o Mauro estava preso, um aluno do curso que estava dependente da nota dele ligou lá para ele ver se podia resolver o problema da nota, falou com a esposa dele, o Abelardo Teles, eu vou até confirmar isso com ele, e a esposa disse que ele estava preso, eu acho que finalmente ele encontrou o lugar certo dele.

Qual foi o papel do Dimas em todo esse processo de implantação de Educação Física na UFMA? Dimas, são duas coisas diferentes, eu vim aqui quando o Laércio, falou aqui eu estava lendo o Laércio falou assim, o mérito do curso ter vingado, é do Dimas, Domingos e Cecília, nenhum dos três, o Dimas não teve nenhum mérito na introdução do curso, assim, quanto a parte técnica, na parte de elaboração. Da Prática Desportiva, sim, o Domingos não teve nenhuma participação, pelo contrário, ele além de não participar ele dificultou, ele não queria que tivesse aula de prática lá no núcleo que ele queria ficar lá no núcleo, que ele estava ganhando o dinheiro dele sem fazer nada, e a Cecília também não teve essa participação direta, teve na prática esportiva, então o papel do Dimas, é papel em relação à Educação Física porque ele foi, um Boaventura, só que um Boaventura melhorando, o Dimas foi para foi para a Universidade do Maranhão o que o Boaventura foi Universidade de São Paulo, para a Educação Física. o Dimas eu considero, mais humano, uma pessoa mais bonita, não que o Boaventura não seja, mas ele era muito rígido, muito disciplinador, muito militar, o Dimas além de ser um profissional muito competente ainda tinha essa questão do carisma, do coleguismo, é uma pessoa maravilhosa então, o Dimas, tem um papel muito importante na Educação Física do Maranhão porque ele pode até dizer – eu falo assim com um pouco de receio -, porque eu não conhecia aquele pessoal antigo, eu cheguei aqui em 75, eu não conheci esse pessoal, o Rubem Goulart, eu não conheci, e outros que eu conheci pela história deve ter tido aí, mas eu considero o Dimas como um marco e divisório na Educação Física do Maranhão, a Educação Física, passou a ser respeitada, passou a ser vista assim, pelo fato dele trabalhar, foi uma pessoa que nunca teve vergonha de fazer curso, pela idade dele não precisava mais fazer curso, então quando vinha os professores aqui dar curso, ele participava, ia lá, é uma pessoa simples, e eu lamento demais, que ele tenha saído do curso, ele jamais deveria ter saído do curso, ele devia estar até hoje lá, dando a aula de recreação dele, que ele tem muito para dar. Esse é o mal do Brasil, quando a pessoa atinge o ápice da carreira, quando você está com 50, 60 anos que para mim é o ápice da sua carreira. O Humberto Eco, no livro como elaborar uma tese, ele fala sobre isso como é, que deve ser um professor universitário, então ele deve então se formar e trabalhar, passar dez anos trabalhando, aí depois ele vai fazer o mestrado, ele elabora uma tese, ai ele faz concurso para universidade, ai ele trabalha na universidade, quando ele chegar nos cinqüenta anos ele vai fazer o Doutorado, isso que é o correto, assim que é feito na Itália, no Brasil o cara vai fazer mestrado com 22 anos, faz o doutorado com 25 anos, como é que pode produzir sem nunca ter tido uma experiência, o Dimas tem uma experiência, devia está assim como a pior das hipóteses como assessor, como conselheiro, devia está lá dentro do curso trabalhando, orientando aluno, aí o que se faz – se aposenta um profissional no pique da carreira, na parte mais brilhante da carreira, esse é que é o mal. acho que essa questão do Dimas é interessante é uma pessoa que deveria hoje, eu acho importante esse processo, esse trabalho, que infelizmente no Brasil não se dá valor a história, e o povo que não respeita o passado, não pode ter futuro, só se pode ter futuro, quando se respeita as tradições, as coisas passadas, o Dimas faz parte do passado, está no presente atuando, infelizmente não está atuando, e tem que ficar guardada essa imagem dele, tem que ficar registrada.

Valeu a pena - Valeu, eu já me perguntei isso várias vezes, tem hora, que eu acho que sim, tem hora que eu acho que não, na época, que eu fiz o mestrado, havia um curso, tem da banca, toda banca que tinha, as pessoas que participavam da defesa, que a gente assistia e no final da banca, um membro da banca perguntava isso, se você tivesse que fazer tudo outra vez, você faria outra vez? Então essa pergunta eu me faço, se eu tivesse que passar, por tudo que eu passei, eu faria outra vez? Não, eu não faria, porquê? Primeiro porque eu acho uma falta de criatividade muito grande, repetir a mesma coisa, eu faria outra coisa, agora se valeu à pena, valeu à pena porque eu tive uma experiência muito grande, que serviu até para eu me humanizar, me humanizou muito essas questões, você aprende muito aqui, trabalhar as questões sociais, a questão da cultura do Maranhão, mas não sei, se eu faria tudo outra vez não, eu acho que talvez não, eu acho que se tivesse que começar tudo outra vez, eu talvez, não viesse para cá, iria para outro lugar.

09 de novembro – Dia Nacional dos Clubes Esportivos Sociais

qui, 04/11/10
por leopoldovaz |

LEI Nº 12.333, DE 15 DE SETEMBRO DE 2010. - Institui o Dia Nacional dos Clubes Esportivos Sociais, a ser comemorado, anualmente, no dia 9 de novembro, em todo o território nacional.
Pois é, no próximo dia 09 estaremos comemorando o Dia do Clube Esportivo Social… aqui no Maranhão teremos o que comemorar?
O Lítero fechou as portas, o Jaguarema, já não mais existe… aqueles times de futebol – Moto, Maranhão, Sampaio, e outros menos votados… – só têm olhos para o falido (para não usar um termo chulo… que também começa com f… e termina com dido…) Futebol profissional.
A legislação vigente diz que para se praticar o futebol profissional, deve-se manter tres outras modalidades olimpicas em funcionamento, e disputando as competições das federações especializadas.
Temos que nossos f(…)didos times de futebol mantêm, como modalidades olimpicas, o próprio futebol ‘amador’, nas suas categorias de base, alguns o Futsal, e o que mais mesmo? vemos, por exemplo MAC/NINA de Natação – parceria entre o MAC e a escola de natação… em que a escola de natação utiliza seus alunos-atletas – bom negócio para ela, pois cobra mais pelo maior volume de treinamento… – e a ‘estrutura do clube’ – filiado à federação – para competir…
Lá pelo inicio dos anos 80 criamos, na SEDEL, essa forma de parceria, para podermos criar as diversas federações especializadas, já que a eclética – FMD -  só cuidava mesmo do futebol dito profissional. Daí surgiu a FMF, e as mais diversas federações especialzadas – Atletismo, Desportos Aquáticos, Voleibol, Handebol, reestrtuturação da de Basquete, de Ciclismo, de Tenis de Mesa, Judô… participei da criação de quase todas elas… e da ligação de uma equipe escolar com um dos clubes – vá lá – existentes.
Por exemplo, eu, professor da Escola Técnica, acabei me ligando ao MAC, em que os atletas da Escola participavam das competições de Atletismo com a camisa do MAC; outros técnicos, como o Macario e o Zeca Gatão, ligaram-se ao Ferroviário… eu ainda mantinha o Tupã…
E assim fizemos, para termos os campeonatos das federações e os nossos atletas escolares atuando o ano todo, não penas nos Jogos Escolares… foi uma fase áurea de nosso esporte. Tanto em nível escolar, quanto em nível federativo…
Mas essa fase deveria ter acabado… mas persiste.  Como podemos perceber pela atjual ‘estrutura’ e funcionamento, por exemplo, da Federação de Handebol…
Daí com a falencia de nossos times de futebol, dá-se por contaminação, a falencia de nosso esporte dito amador…
Se não conseguem nem manter o futebol profissional, como manter outras modalidades?
Claro que falta fiscalização por parte do CNE, do Ministerio dos Esportes…
No Maranhão, já tivemos… claro, mas findou lá pelos anos 40… época do Vera Cruz – a equipe que nunca perdia… no primeiro tempo! – o Oito de Maio, o Moto, o MAC, o Sampaio, o General Severiano… disputavam sobretudo Basquete, Volei, e Futebol; a partir dos anos 50, com o advento do Futebol de Salão, começam a surgir outros times – podemos considerar uma Liga dos Pés Descalços, formados sobretudo por colegiais –  Elétron, Próton, Cometas, Drible, e tantos outros… nomes como Ferdic, Luis Portela, Cassas, Fecurys, Alemão, só para lembrar alguns da fase do Futebol de Salão… lá pelos anos 60, tudo isso acaba, renascendo com Cláudio Alemão, pelos anos 70 e a reestrtuturação do esporte escolar,… não, Biguá, nunca tivemos estrutura de clube esportivo… só no tempo de Nhozinho Santos, mas ai já estamos falando do inicio do século passado, a partir de 1907 até o inicio dos anos 30…

MORRE MARY DE PINHO – PIONEIRA DA EDUCAÇÃO FÍSICA EM IMPERATRIZ

seg, 16/08/10
por leopoldovaz |

Chegando em casa, agora à noite (16/08) surpeendi-me com a notícia da morte de Mary de Pinho. Li, consternado, a nota publicada pelo portal imirante. Um infarto. Logo ela, uma atleta e professora de educação física!!!

Sim, Mary de Pinho foi atleta – Voleibol. e foi professora de educação física. Assim a conheci, lá em Imperatriz, em 1976… Praticamente a unica professora de educação física da cidade – ela e seus irmãos, Sonia e Georvani (ainda criança, tinha 16 anos…).

Mary dava aulas no Mourão Rangel e na Escola Técnica Amaral Raposo. Fomos, por muitos anos, rivais e adversários. Eu dava aulas no Santa Teresinha.

Dei um curso de educação física. Ela e os irmãos estavam lá, para aprender os segredos da profissão, para além do Voleibol e do Futebol de Salão (ainda ela Futebol de Salão, depois é que virou Futsal…). Nesse curso, dado em Imperatriz pela Fundação Projeto Rondon/Campus de Imperatriz da UFPR, também deram aulas o Sidney (Didática), o Lino (Futebol), o Gil (Voleibol) e o Marcão (Handebol)… convenio com então DEFER…

No ano seguinte, fomos convidados a fazer cursos em São Luís. Lembro que viemos Mary (Voleibol), e seus irmãos Sonia (Voleibol) e Giorvane (Voleibol), e o João -da Escola Fortaleza (Handebol), eu fiz Atletismo… Juntos no alojamento do Costa Rodrigues, dividiamos, os homens, a sala com o Bacabal (Futebol, daquela cidade) e o Sérginho (também Futebol)…

Foi uma semana de muito estudos e de muita ‘sacanagem’ com o Giorvanne – nunca vira aquele açude do governo… grande, e o Bacabal disse que o levaria, mas que tomasse cuidado porque as pessoas aqui da Ilha costumavam urinar na água e às vezes, ela ficava salgada… Mary ficou uima fera, quando soube que Bacabal -e todos nos divertiamos, confirmando – dissera isso ao Giorvanne… ela quase bateu foi no irmão, por cair nessa história… era o mar, o tal açude do governo… depois riamos muito disso…

Depois que vim embora para São Luis, Mary me substituiu na Coordenação de Educação Física e foi responsável pela criação da Secretaria de Esportes e Lazer, já no governo de seu mentor, Dr. Fiquene… 

Depois, foi disputar uma vaga na camara, e pelo seu trabalho com o esporte, foi das mais votadas.

Quando o CEFET-MA foi instalado, fez concurso para professora de artes, sendo aprovada…

Um de seus filhos, foi campeão de bicicross…

ALGUMAS NOTAS DO ATLAS DO ESPORTE DE IMPERATRIZ…

1972 – 23 de setembro é instalado oficialmente o Campus Avançado de Imperatriz, da Universidade Federal do Paraná, Fundação Projeto Rondon; seu primeiro diretor foi Valfrido Piloto, que, dentre outras atividades, promoveu o esporte e a recreação na cidade, trazendo, nos períodos de férias, equipes de acadêmicos de educação física; seu segundo diretor foi o professor de educação física Alberto Milléo Filho;

1975 – o Prof. Alberto Milléo Filho assume a direção do Campus Avançado de Imperatriz, da Fundação Projeto Rondon; Milléo é professor de educação física da UFPR (hoje, aposentado); na sua gestão, cria a Olimpíada Colegial de Imperatriz – OCOI -, em parceria com o Lions Clube, apoio da Prefeitura Municipal, e ajuda de amigos, destacando-se, entre os colaboradores, Roberto Santos (Gelobon); foi Roberto Gelobon quem desenhou o símbolo da OCOI; a equipe técnica para coordenar a I OCOI veio de Curitiba; eram acadêmicos de Educação Física; em Imperatriz, antes da chegada de Milléo, havia jogos e corridas de forma esporádica  em escolas ou comemorações especiais, mas jogos escolares competitivos ainda não havia acontecido.

Todas as escolas, tanto oficiais quanto particulares, foram convidadas. Os atletas de ambos os sexos, com idade máxima até 17 anos foram inscritos; os jogos são realizados no período de 30 de agosto a 06 de setembro, com as seguintes modalidades: Atletismo, Basquetebol, Futsal, Natação. Participam mais de 300 atletas do Ginásio Bernardo Sayão, Escola Técnica, Mourão Rangel, Cristo Rei, Municipal Adventista, São Francisco de Assis, SESI, São Vicente de Paula, Dorgival Pinheiro de Sousa, Olavo Bilac, Fortaleza e Santa Teresinha. A Escola Santa Teresinha foi a campeã geral.

- nos anos subseqüentes, 1976 e 1977, são realizadas as II e III OCOI, já incluídas no Calendário Oficial do órgão municipal responsável pela Educação e Cultura.

1976 - uma das primeiras providencias, numa parceria UFPR/FUNRON/PMI foi a realização de um curso para qualificar pessoas da comunidade e ex-atletas em atividades físicas e esportivas, para implantação da educação física e esportes nas escolas da rede pública municipal; foram matriculadas 100 (cem) pessoas; no segundo semestre, houve a participação da Secretaria Estadual de Educação, através do Departamento de Educação Física, Esportes e recreação – DEFER -, que enviou os Professores Sidney Forghieri Zimbres, Marcos Antonio Gonçalves, Gilmário Pinheiro e Lino Castellani Filho; o curso teve a duração de um ano, ocorrendo principalmente durante as férias escolares, no que chamaríamos hoje de treinamento em serviço.

1978 – o Prof. Leopoldo Gil afasta-se da direção da DEFER, e as atividades esportivas sofrem um abalo. A Profa. leiga Mary de Pinho assume a Divisão e realiza o que seria a IV OCOI, agora mudada a denominação para Jogos Escolares de Imperatriz, disputado em sua primeira versão – I JEIs – embora continuidade dos jogos anteriores (deveria ser os IV JEIs…); a nova denominação, justificou, seria para se adequar as regras ditadas por São Luís; a Escola Santa Teresinha foi novamente a grande vencedora, sendo campeã, como nos anos anteriores (76 e 77) de todas as modalidades em disputa, sob a direção dos Professores Leopoldo Gil e Marilene Mazzaro;

1983 – na administração Fiquene, A SEDUC é desdobrada, criando-se a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SEDEL); coube a Mary de Pinho, então diretora da Divisão de Esportes assumir a nova Secretaria, com sede no Centro Esportivo Bajorna Lobão, construído na administração Carlos Amorim; – é construído o Ginásio de Esportes Fiqueninho

- Bicicross -  ainda improvisdado, sem uma sede e sem uma pista definitiva, já produziu um campeão brasileiro,convocadopara um campeonato mundial na Europa: Esmeradson de Pinho…

Enterrado, em Imperatriz, corpo da ex-vereadora Mary de Pinho

Ela foi vítima de um infarto, no sábado. No enterro, homenagens de amigos e familiares.

IMPERATRIZ – Enterrado, no fim da tarde de ontem (15), o corpo da ex-vereadora Mary de Pinho, vítima de um infarto. Nos mais de vinte anos dedicados à vida pública, ela fez muitas amizades.

 O corpo da ex-vereadora Mary de Pinho foi enterrado às 17h, no cemitério Campo da Saudade. Ela foi vereadora por três mandatos em Imperatriz, uma vida dedicada ao Legislativo, que será sempre lembrada pelos amigos e admiradores. Atualmente, Mary de Pinho trabalhava na Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

No fim da tarde de sábado (14), segundo a família ela conversava com um ex vereador e colega de trabalho quando minutos depois foi surpreendida por um mal-estar.

 Após passar mal, Mary de Pinho foi socorrida pelos próprios filhos que pediram ajuda a uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ainda em casa, Mary recebeu os primeiros atendimentos e só então foi trazida para o Hospital Municipal de Imperatriz, mas não resitiu. Ela morreu de infarto, o corpo foi velado na casa onde ela morava e, às 15h, foi levado para Câmara Municipal.

 Na galeria da Câmara, onde inúmeras pessoas presenciaram os pronunciamentos da vereadora, uma multidão em silêncio.

Pílulas de memória – ANTIGA E SAUDOSA SÃO LUIS DO MARANHÃO

sáb, 12/06/10
por leopoldovaz |

Tenho à minha frente o livro do J. R. Martins – ANTIGA E SAUDOSA SÃO LUIS DO MARANHÃO (uma viagem ao passado), São Luís: UniCEUMA, 2010. O autor é tio da Denise Martins de Araújo, da Viva Água…

Primeiro, devo relatar a dificuldade de se conseguir o exemplar. Li que seria lançado num sábado, durante o Campeonato das AABBs de Veteranos, evento nacional que aconteceu em São Luis. e que estaria, desde esse dia, à disposição em algumas livrarias de São Luis. Na segunda, já o procurei, e nada! Na terça, quarta, (quinta foi feriado), na sexta e nada! No sábado, disseram-me que só por encomenda!!!! Encomendei e na terça já o tinha em mãos. Acabei de ler… e como costumo fazer, fiz minhas anotações e destaques. Os quais trago aqui e, claro, se referem à História/memória dos Esportes no/do Maranhão, que serão incorporados ao Atlas do Esporte no Maranhão www.atlasesportebrasil.org.br/maranhão. Em vermelho, trago as referencias do Atlas:

JORDOA – ” Em frente ao Colégio Daniel de la Touche, funcionou um hipódoromo fundado pelo banqueiro João Batista Prado, onde em pista de areia e grama, eram disputadaos páreos até mesmo com equipes argentinas (segundo o jornalista Nonato Masson)” (p. 59). Não traz a data de fundação ou de funcionamento…

1893JANEIRO - ao lado da Estrada João Paulo – Anil, é instalado o “Prado Maranhense“. Doze anos haviam se passado, e voltava-se a desenvolver novamente o turfe em Maranhão. Localizado em um grande sítio onde haveria de ser construído o Quartel do 24º BC.  A área pertencera a Virgílio Cantanhede. O ato não contou com a presença de grande público, pois a população estava desconfiada, dado ao fracasso do “Racing Club Maranhense”, além do que, havia a deficiência do transporte, feito por meio de bonde puxado a burro, até aquele longínquo bairro. Embora a praça de esportes estivesse incompleta, o público que compareceu gostou do espetáculo. Haviam sido instalados dois pavilhões, destinados à diretoria e aos juizes, com arquibancadas para os espectadores. Nos baixos de um deles, havia um botequim e a casa de apostas. A raia tinha a forma mais ou menos oval. Os dirigentes prometiam melhorar a pista de corrida, tornando-a plana, na medida do possível, eliminando as subidas e descidas, o que era inconveniente para as corridas. Além do que, a raia era arenosa, o que dificultava a própria corrida dos animais. O “Prado Maranhense” não estava dotado dos mesmos requisitos do “Racing Club Maranhense”, mas os cavalos eram bons e a disposição dos dirigentes era a melhor possível. Havia a esperança de que o novo empreendimento lograsse êxito absoluto e fosse permanente, pois havia um constante intercâmbio com o Pará, onde o turfe havia se desenvolvido, com o “Jockey Club Paraense”, e os “sportmen” M. Teles – “Americano” – e M. Joaquim – “Adamastor” haviam adquiridos bons cavalos daquele estado (MARTINS, 1989, p. 210).

- Assim, a 8 de janeiro, daquele ano de 1893, a inauguração teve seu início as 2 horas da tarde, com cinco páreos: Suburbano, para 850 metros, com prêmios de 150$000, 30$000 e 15$000 para os classificados do primeiro ao terceiro lugares.  Tomaram parte, nessa prova de abertura, os animais “Júpiter”, um russo de procedência maranhense, com seu “jockey” trajando uniforme azul e branco, de propriedade de J. Vasconcelos; “Talabarte”, cavalo “cardão”, também maranhense, também propriedade de J. Vasconcelos, com o “jockey” também vestido de azul e branco. Os outros animais – “Bocacio”, “rosilho” maranhense, com seu condutor trajando azul; “Marujo”, “Metralha”, e “Pensador”, todos bons corredores, consagrados com grandes vitórias e pertencentes a J. Braga e J. Mata. O segundo páreo – “Ensaio”, na distância de 900 metros – pagou prêmios de 120$000 a 12$000, tendo tomado parte os animais “Zéfiro”, “Zig”, e “Pacotilha”, sendo registrada a participação, também de “Tentador” e “Condor”. O terceiro páreo – “28 de Julho” – em homenagem à adesão do à Independência, foi corrido no percurso de 1.600 metros, com prêmios de 300$000 a 30$000, tomando parte “Júpiter” – primeiro colocado -; “Baioneta” – segundo lugar -; e “Danúbio” em terceiro. Esses animais pertenciam a J. Lobão e M. Braga. Participaram, ainda, “Talabarte”, “Ventania”, e “Mosquito”. O quarto páreo – “Velocidade”, corrido na distância de 1.000 metros – com prêmios de 140$000 a 14$000, dele participando apenas “Zéfiro”, “Zig” e “Pacotilha”, com a vitória do primeiro. O quinto e último páreo, denominado “Prado Maranhense”, teve a distância de 2.000 metros, pagando prêmios de 3.000$000 a 300$000. Participaram: “Vulcano”, “Adamastor”, “Americano”, “Júpiter”, e “Danúbio”. Os três primeiros: “Vulcano”, “Adamastor”, “Americano”, eram animais de mais ou menos sangue de “cavalo de raça”. Contrariando as expectativas, foi decepcionante. A Casa de Apostas movimentou 760$000, com nada menos de 152 “poules” deixando de ser vendidas, por desinteresse dos apostadores. 

- Para MARTINS (1989), “o maranhense parecia satisfeito com a inauguração do “Prado Maranhense”. Eram decorridos 12 anos, mas o hipodrismo voltava a ser difundido em terras do Maranhão e na sua capital”. A programação, convenientemente organizada, passou a despertar o interesse do maranhense, que comparecia aos domingos, constituindo-se em “um poderoso antídoto contra o ‘apleen’ que arruinava a existência de uma São Luís triste e abatida” : “… distintos personagens assistiam às corridas porque havia confiabilidade no empreendimento. Homens conhecidos, identificados no seio da coletividade ludovicence como os Drs. Casemiro Dias Pereira Júnior, Antenor Coelho de Sousa, Antônio Cardoso Pereira, Antônio Batista Nogueira, José B. da Costa Rodrigues, Antônio Xavier de Carvalho, Antônio Jovita Vinhais, Manoel da Silva Sardinha, Cláudio Serra de Moraes Rêgo,  Comendador Bento Frazão Raposo, José Viana Vaz, Augusto Olímpio Viveiro de Castro, Manoel José Ribeiro da Cunha, Desembargador Francisco da Cunha Machado, Alfredo Alexandre de J. Ferreira, Acrísio Tavares, todos eles muito cooperaram e participaram nas principais posições das  provas, ocupando as funções de “juízes de chegada”, “de saída”, “inspetor geral de raia”, “juízes de raia”, “juízes de arquibancada”, “juízes de pesagem”, etc.” (MARTINS, 1989, p. 212-213).      

- Além dos cavalos que participaram nos páreos da inauguração, outros passaram a compor as disputas, como “Nhonhô”, de J. Brito; “Alabamba”, de J. Elídio; “Netuno”, de F. Viana; “Americano”, de M. Teles; “Adamastor”, de M. Joaquim; “Humaitá”, de B. Raposo, “Medalha”, “Republicano”, “Locomotiva”, “Gatuno”, “Tupy”, “Píndaro”, “Manzanares”, “Pery”, “Manguares”, “Miguel”, e “Ormon”.

MAIO - decorridas umas dez programações, foi realizada a última corrida a 28 de maio de 1893 … era mais uma tentativa frustada nas atividades dessa modalidade.

MONTANHA RUSSA ” Ao lado daquela artéria, onde hoje se encontram as instalações do Clube Casino Maranhense, existiu a primeira quadra de tênis da cidade, construída pela The Western Telegraph Company, para uso de seus funcionários do alto escalão.” (p. 80-81). Cláudio Vaz dos Santos lembra-se dessa quadra, em suas memórias. Não há a data de construção e nem até quanfo funciounou, mas em 1935 ainda existia.

1911 – fundação do Casino Maranhense, pelos ex-sócios do Euterpe, que continuou com a promoção de festas dançantes, palestras e as competições de  bilhar e do tênis de mesa (ping-pong). que passa a oferecer as mesmas atividades esportivas, dentre elas, o Tênis, praticado, provavelmente, na “quadra dos Ingleses”, conforme lembra Cláudio Vaz dos Santos -  o Cláudio Alemão – nascido na Rua Montanha Russa, em 1935; lembra que, quando garoto e começa a praticar esportes, num campo existente na hoje Av. Beira-Mar, refere-se à “quadra de tênis dos Ingleses”, em entrevista ao autor sobre a vida do Prof. Dimas.

DÉCADA DE 50 – “No Maranhão, a prática do tênis também foi iniciada pelos ingleses, entre os anos de 1955 e 1960. Eles trabalhavam na antiga Agência Telegráfica dos Correios, em São Luís. O Clube Jaguarema, no bairro do Anil, que atualmente está em estado de abandono, foi um dos primeiros locais onde partidas de tênis começaram a ser disputadas.”

PRAÇA DO MERCADO CENTRAL – “ali, no quarteirão compreendido  entre a Rua da cruz e Rua de São João, funcionou o Gasõmetro da cidade“. (p. 89). Martins localiza precisamente, neste e em outros trechos, onde ficava o gasômetro; foi um dos locais em que se praticdava o futebol, lá pelas décadas de 1910/20. Berço de muitos times da “Liga dos Pés Descalços”. Mais adiante, às p. 162, ao referir-se à TRAVESSA PANARÉ afirma que ‘ser possivel que esta travessa tenha sido anteriormente denominada Travessa do Gasômetro (de localização exata desconhecida), já que naaquele quarteirão funcionava a empresa distribuidora de gás para iluminação pública da cidade“.

1915SETEMBRO – outra partida de futebol fora disputada no dia 19 de setembro, desta vez entre os times do BRAZIL FOOT-BALL CLUB 0 x 1 SÃO LUIZ FOOT-BALL CLUB, no campo da Fabril, por uma grande quantidade de espectadores, que muito aplaudiram os dois times. (O JORNAL, 20 de setembro de 1915). O Brazil Foot-Ball Club tinha seu campo no Gasômetro – hoje, Mercado Central.

PRAIA DA TRINDADE – também conhecida como Praça do Armazém. “Em tempos remotos havia no local uma cabine pública que atendia a banhistas” (p. 92).

1851 – A primeira notícia que se tem sobre natação em Maranhão, praticada por brancos, data de 1851 e se refere a banho de mar na Praia do Cajú – hoje, Av. Baira-Mar. José Ferreira do Vale, morador da casa de número 1, oferecia “um grande banheiro e seguro, a todas as marés a 40 Rs por pessoa”. (Correio d’Anúncios, ano I, n. 3, Segunda-feira, 03 de fevereiro de 1851).

PRAIA DO JANIPAPEIRO – “… mas era bastante usada para banhos, principalmente por estudantes gazeteiros” (p. 95).

DÉCADA DE 1920 – Piscina, para natação, foi a construída – provavelmente – nos meados dos anos de 1920, no Genipapeiro e servia de local de recreação para os jovens esportistas da época, como Simão Félix, um dos construtores. Depois, só na década de 50, em algumas casas particulares.

Em outro de seus escritos, referindo-se aos banhos de mar, Martins fala dos banhos nessa praia:

“Como se pode depreender, não era qualquer um que podia  gozar das delícias de um banho de mar. Para a garotada agitada das  proximidades da Fonte do Ribeirão, essas dificuldades eram superadas quando se aventuravam até as croas em frente à Praia do Caju  para jogar bola. Para alcançá-las, forçosamente tinham que nadar. Isso acontecia com a maré baixa, ocasião em que era mais fácil cruzar o canal de navegação. Alguns que ainda não dominavam as técnicas da natação aprendiam à força, quando eram arremessados da amurada da avenida ao mar. Ao sinal de afogamento, eram socorridos pelos melhores nadadores do grupo. Isso se repetia à exaustão até que o peralta superasse suas deficiências.   Havia também aqueles que se aventuravam na travessia do Rio Anil, em maré alta, da Praia do Jenipapeiro até à margem em frente ao Asilo de Mendicidade, no São Francisco. Naquelas imediações diziam haver muito tubarão, pois o Matadouro Municipal funcionava um pouco mais à frente, depois da Camboa, de onde despejavam no rio os restos inaproveitáveis do gado abatido.

A Praia do Jenipapeiro, cujo acesso se dava pela rua do mesmo nome – continuação da Rua das Hortas, onde existiu pequeno túnel ferroviário – era um local pedregoso, impróprio ao banho, onde ancoravam pequenas embarcações que faziam o trajeto até Vinhais. In SÃO LUIS ERA ASSIM (minha terra tem palmeiras, já nem tantos sabiás) RELEMBRANDO LANCHAS E O MEARIM. Brasília, Equipe, 2007 (Capitulo XV, p. 67-69).

QUINTA DO BARÃO – “… existiu uma nascente da qual jorrava abundante e límpida água, aproveitada pelos irmãos maristas para irrigação de verduras, principalmente o agrião. Utilizando antigos alicerces de pedras nuas ali existentes, improvisaram um tanque para banho recreativo dos alunos” (p. 97).

1869 – é anunciada a criação de um novo colégio – o Collégio da Imaculada Conceição -, sendo seus diretores os Padres Theodoro Antonio Pereira de Castro; Raymundo Alves de France; e Raymundo Purificação dos Santos Lemos. Internato para alunos de menor idade seria aberto em 07 de janeiro de 1870. Do anúncio constava o programa do colégio, condições de admissão dos alunos, o enxoval necessário, e era apresentado o Plano de Estudos tanto do 1º grau como do 2º grau, da instrução primária; o da instrução secundária; e da instrução religiosa. No que se referia às Bellas Artes – desenho, música vocal e instrumental, gymnástica, etc., mediante ajustes particulares com os senhores encarregados dos alunos. O novo colégio situava-se na Quinta da Olinda, no Caminho Grande, fora do centro da cidade, e possuía água corrente, tanque para banhos, árvores frutíferas, jardim, bosque e lugar de recreação. (A ACTUALIDADE n. 28, 28 de dezembro de 1869). Será a mesma fonte?

1920 - Amintas Guterres, que jogou no Luso, Sírio e MAC costumava jogar bola com seus colegas do Liceu, inclusive Newton Bello, num campo existente na Quinta do Barão lá pelos anos de 1920, quando tinha 12 anos de idade.

1949/50 – realizadas as primeiras provas de natação que se tem notícia em São Luís, num tanque que abastecia a Fábrica Santa Isabel; esse tanque, medindo 30 m de comprimento, por 10 m. de largura e três de fundo, servia como piscina; Gedeão Pereira de Matos, em suas memórias, afirma que, acostumado com as travessias da baia de São José, nadar em provas de 30, 60, ou 90 metros, era fácil; Gedeão destacou-se na natação nesta época

 

CLUBE DUQUE DE CAXIAS – CURITIBA

ter, 08/06/10
por leopoldovaz |

duque

Recebi uma mensagem falando do meu antigo Clube – o Duque de Caxias, de Curitiba-PR. Na foto acima, um grande amigo, Lothar, a maior referencia do Brasil em Punhobol – Faustebal. Sua equipe feminina foi bi-campeã mundial… Homenagem ao Lothar…

Eu ainda era um piá, com  meus 13 anos, quando conheci o Lothar. Haviamos voltado à Curitiba, após anos morando no interior do estado, e ficamos sócios da Duque. Lá conheci o Nei Pacheco, amigo-rival de meu pai, nos tempos de juventude. Ambos praticaram Atletismo… meu pai corria pela Aeronáutica, o Nei pelo Exército… meu pai foi ser jogador de futebol – chegou a jogar pelo Coritiba, era conhecido como Lito, lá pelos anos 40… junto com Lanzonhinho, Motorzinho…

Nei continuou com o Atletismo… fomos nos encontrar na Duque, no final dos anos 60… comecei no Atletismo… e acabei fazendo Educação Física. Em 1976, vim para o Maranhão – Imperatriz – p-ara passar 30 dias, no Projeto Rondon… estou aqui até hoje…

Ano passado, fui à Curitiba para a reunião anual de minha turma de Educação Física – formei-me em 1976 -; foi a primeira dads reuniões a que fui. Este ano, completamos 35 anos de formados. Espero estar lá!

pois bem, passei pela Duque e revi o Lothar, o Dalton - meu contemporaneo da EF, a quem levei para a Duque. Jogava Punhobol, e era da Ginástica Olimpica. Estavam lançando um livro sobgre regras e ensino de Punhobol… juám cpomentei aqui, ano passado, quando retornei…

Hoje vejo a foto do Lothar… o sitio da Duque… saudades de casa….  

PÍLULAS DE MEMÓRIA – A GERAÇÃO DE 53

sáb, 05/06/10
por leopoldovaz |

Todo sábado costumo dar uma olhada no Google e escrevo meu nome na busca, para ver o que saiu na semana. E sempre me surpreendo. Essa, é de janeiro! e só agora encontrei. Coluna do Hélcio Silva, no Portal Mhario Lincoln, sobre política. Abre um parenteses em seu cometário para falar de esporte:

UM CELEIRO DE CRAQUES

http://www.mhariolincoln.jor.br/pessoal-e-intransferivel/helcio-silva-2.html

nhozinho santos www,mhariolincoln.jor.br(Estádio Municipal NHOZINHO SANTOS)

A história do esporte maranhense não pode, no entanto, ficar concentrada apenas em Zé Reinaldo e Mauro Fecury, como únicos expoentes dos esportes em nossa terra. Não!

O Maranhão teve outros grandes craques do basquete e que também foram eficientes em outras modalidades, e até na política. Jogavam com a mesma competência no basquete, no vôlei e no futebol como o nosso inesquecível e saudoso Bebeto (Carlos Alberto Barateiro da Costa), que foi coronel da Polícia Militar do Maranhão e Interventor na cidade de Imperatriz (era sarneysta indo e vindo).

Da década de 50 para os ventos dos idos de 60, além de Zé Reinaldo, Mauro Fecury e Bebeto, tivemos grandes atletas como Rubem Goulart, Ronald Carvalho, Silvino, Raul Guterres, Raimundinho Vieira da Silva, Fabiano Vieira da Silva, Januário Goulart, Miguel Fecury (irmão de Mauro), Canhotinho, Coqueiro, Bandeira, Poé, Cláudio Vaz dos Santos (o Alemão), Alcy, Dilson Lago, Cesar Bandeira, Aziz Tajra, Jaime Santana (este foi deputado federal – filho do ex-governador Pedro Neiva de Santana), Mário Bazuca, professor Miranda (o Gafanhoto) e tantos outros que não lembro no momento.

Muitos foram também grandes atletas de futebol de salão, na época áurea em que o salonismo maranhense era incentivado pelo saudoso cronista esportivo Jafé Mendes Nunes. O Maranhão daquele tempo era bem melhor, no esporte e na política. No Futebol de Salão não podemos esquecer as duplas Guilherme e Mota, do Drible; Wallace e Pula-Pula, do Vitex; as belas jogadas de Canhotinho, Nonato Cassas, Lima Filho (meu colega de Faculdade e grande amigo), Aldemar, Sérgio Saldanha (Chedão), Silvinho, Luizinho, Manteiga, Zé Augusto, Jaffi, Garrincha, Lucas Baldez, Vavá, Casanova, Wilson Belo (filho do ex-governador Newton Belo) Enemê, Biné, Cel. Vieira (Vieirão), Diabo Loiro (Itapary), Jaiminho, Ribasco, Djalma Campos (este um craque mais recente: foi vereador, prefeito de Viana e deputado estadual) e inúmeros outros que marcaram história no futsal.

Fica legal destacar também o treinador Durval Tavares (Pará) e o inesquecível dirigente Samuel Golbel, grande incentivador do referido esporte. A quadra do Casino Maranhense, na Beira Mar, era um grande palco. Essa época já passou, mas marcou um período dourado no esporte maranhense.

 Dentre os comentários à cronica do Hélcio, apareceu esta:

Carlos Endrigo comentou:

 Por falar em futebol, aí vai uma:
UMA PAUSA PARA COMITANTE… – Na coluna anterior, fiz uma referência ao técnico uruguaio Luiz Comitante que treinou o Moto Clube de São Luís no final da década de 40 e início dos anos 50. Recebi, por isso, uma correspondência do também treinador de futebol Ariel Longo, da Associação de Treinadores do Uruguai, solicitando mais informações sobre Comitante.

Na semana, tivemos troca de correspondência e prometi levantar dados sobre Comitante no Maranhão. Nesse particular, já estou na trilha e encontrei algumas informações na pesquisa feita pelo professor, historiador e pesquisador Leopoldo Gil Dulcio Vaz com revelações preciosas sobre Comitante. Leopoldo Vaz é paranaense residente em São Luís, pesquisador sobre a história do Maranhão, trabalho que faz com muita competência, e também articulista aqui do Portal Mhario Lincoln do Brasil. Devo manter contato com Leopoldo Vaz, por esses dias, para saber mais sobre o assunto e depois repassar os dados solicitados ao nosso amigo Ariel Longo, no Uruguai… Só uma dica: Comitante foi também técnico do Santos…

Foto Histórica

“ O Moto Club de São Luís (time o qual Luis Comitante treinou), foi fundado no dia 13 de setembro de 1937 na antiga residência de César Alexandre Aboud,primeiro presidente do clube, localizada na Rua da Paz, Centro de São Luís. Chamava-se Ciclo Moto, e era para participar de competições de motociclismo e ciclismo Lembro, aí, o velho Simão Felix e sua moto harley).

Todavia, acabou entrando também no atletismo e basquete e, posteriormente, em 1939, no futebolassociation propriamente dito.

O novo time de futebol do Moto Clubbe estreou contra o Ateneu usando as cores verde e branca. Apenas mais tarde, por influência do então presidente, César Aboud, o clube passou a utilisar as cores vermelha e preta. No mesmo ano foi inaugurado o Estádio Santa Isabel, com o nome homônimo da fábrica do industrial César Aboud. Com um estádio próprio consegue o seu primeiro título estadual em 1944. O estádio é demolido em 1972, e em seu lugar é erguido o prédio do Ministério da Fazenda em São Luís, fato que deixou saudades em muitos ludovicenses.

CRONOLOGIA:
1937 – No dia 13 de setembro, foi fundado na casa do Sr. César Alexandre Aboud, de nº 486, na Rua da Paz, Centro da Cidade de São Luís do Maranhão, o “Cicle Moto de São Luís”. A agremiação tinha a finalidade de promover os esportes de duas rodas: o motociclismo e o ciclismo. A primeira diretoria era composta por Capitão José de Ribamar Campos (Presidente), Capitão Aluísio de Andrade Moura (Vice-Presidente), Raimundo Baima (1º Secretário), Nagib Moucherek (2º Secretário) e Antenor Monroe (Tesoureiro)

1939 – É criado o Departamento de Futebol no Moto Club. No dia 17 de setembro, o Moto Club disputou sua primeira partida de futebol contra o Ateneu Teixeira Mendes, então campeão estudantil, e empatou em 1 a 1. Bibi marcou o primeiro gol motense. O time era composto por Wilson; Jaime e Adolfo; Pavão, Feliciano e Mozabá; Bibi, Elvitre, Leônidas, Ary e Bilau.

1940 – O Moto Club filiou-se à Federação Maranhense de Desportos e participou pela primeira vez do Campeonato Maranhense, terminando na quinta colocação.
Em outubro, com a ajuda do interventor do Estado do Maranhão, Dr. Paulo Martins de Souza Ramos, o Estádio de Santa Izabel, de propriedade do clube, teve condições de realizar partidas noturnas. O Rubro-Negro maranhense teve a primazia de disputar a primeira partida noturna na Cidade de São Luís. Em volta do Estádio foi construída uma pista para provas de motociclismo”.

No decorrer da semana ainda conseguiremos outras informações importantes do nosso Papão do Norte, como ficou conhecido o Moto Clube de São Luís.

PILULAS DE MEMÓRIA – A FUNDAÇÃO DO CBCE

sex, 04/06/10
por leopoldovaz |

laercio1_biggerJão e Pereira estão a rememorar a fundação do CBCE, no Blog do JoãoZinho… http://blog.cev.org.br/joaofreire/ 

Acredito que o Jão resolveu falar sobre isso depois da cronica (replicada aqui…) sobre Ciência e seu modo de fazer…

Imperatriz babaçu1

 João Batista Freire quebrando coco nas barrancas do Tocantins, semana passada

Gestação e nascimento do CBCE

Creio que o CBCE começou a ser gestado quando o Celafiscs se formou em São Caetano, o Vitor tomando a iniciativa, e jovens alunos e professores de Educação Física começaram a procurá-lo para estagiar, para aprender a fazer pesquisa. O Celafiscs foi um dos lugares que primeiro começou a ensinar a fazer pesquisa. E deve ser o laboratório que mais produziu em toda a história da Educação Física brasileira. Lembro de gente como a Silvana, a Fátima, o Roberto, entusiasmados com a participação no Celafiscs, lembro da Beatriz, da USP, se incorporando a esse entusiasmo, fazendo pesquisas na pista de Atletismo de São Bernardo. E tudo isso se juntou para, um dia, fundarmos o CBCE. Claro que a maior parte do que aconteceu perdeu-se nos labirintos de minha memória, mas sei que a Beatriz, o Laércio, a Fátima, o Roberto, o Vitor e outros vão me socorrer e preencher as lacunas, para que a gente possa contar a todos, principalmente os mais jovens, como e porque se formou o CBCE.

Laércio fez um comentário, transcrito pelo João:

Transcrevo o comentário do Laércio sobre o nascimento do CBCE. Laércio, eu, você e os demais da época estamos ficando velhos e esquecendo um monte de coisas. É impressionante como os dados sobre o nascimento do CBCE estão se apagando. Por isso pedi ajuda ao Vitor, para que ele se pronuncie aqui, e também à Fátima e ao Roberto Duarte. Pelo que me lembro Laércio, a reunião que fundou o CBCE foi feita em São Caetano, após um congresso, e não em São Sebastião. Quando o pessoal foi para São Sebastião, o colégio já estava fundado. São Sebastião foi mais pela comemoração.

João, Pessoal,
Tem o vídeo dos 30 anos do CBCE em que o Victor conta bem a história (não consegui achar o vídeo na página do CBCE, mas existe) De minha (pequena) parte colo uma mensagem pra lista do CBCE que eu cometi em 2002. É útil ter esse acervo no CEV desde 1997!!! Laércio
…………………..
To: cevcbce-L@, admincev@, cevefesport-L@, cevmidia-L@
Subject: Colegio Brasileiro de CienciaS do Esporte – 24 anos
From: “Laércio Elias Pereira”
Date: Tue, 17 Sep 2002 09:40:30 -0300

Pessoal,
Hoje, 17 de setembro, e’ aniversário do CBCE: 24 anos. Laercioholmes tentou de tudo, mas nao conseguiu ainda lembrar nem descobrir quem estava naquela reuniao, em Sao Caetano, com o presidente da Federacao de Medicina Desportiva. Com certeza: Victor Matsudo, Paulo Sergio Chagas Gomes, Claudio Gil S. Araujo, Maria de Fatima Duarte e Laercio (perguntei pra todos e nao achamos mais ninguem).
Historia: o pessoal de EF era o que mais apresentava trabalho em congresso da Medicina Desportiva, mas nao podia nem ser socio. Pedimos uma reunião com o presidente (Dr. Pimenta) durante o Simposio de Sao Caetano. Iamos peitar o homi para, no minimo, sermos socios (a gente sabia que o Colegio Americano de Medicina do Esporte era dirigido por prof. de EF).

O Presidente chegou todo afavel, falando da importancia dos Prof de EF… e que a partir daquele dia todos poderiam ficar socios. Deu um branco geral. Arrisquei a palavra perguntando o que ele achava de um prof de EF ser presidente da Sociedade de Medicina (acho que chamava Federacao), ja’ que seriamos maioria e teriamos direito a voto.

Ele levantou depois de dizer alguma coisa como: nunca! ou jamais! e dar um soco na mesa (nas minhas lembranças fantasiosas de terceridade acho que ele levantou derrubando a cadeira; por isso me considero o sujeito que arremessou a pedra fundamental do CBCE ;-)

Saimos dali e ouvimos a explicacao do Victor Matsudo sobre a sociedade cientifica que estavamos criando. Paulo e Gil também participavam das atividades do Colegio Americano. Fizemos uma reuniao no dia 17 de setembro na casa do Victor em Sao Sebastiao- SP e, em novembro, o Marco Vivolo escreveu a ata na reuniao em Londrina (sim, num congresso que um dos fundadores, o Dartagnan Pinto Guedes, estava realizando). A ata conta a historia e lista os socios fundadores: http://www.cbce.org.br/ata.htm
[Na nova página mudou de lugar para:
http://www.cbce.org.br/upload/ATA%20DE%20FUNDACAO%20DO%20CBCE.doc ]
Bebemoremos! Laercio

PS: Pessoal, e’ bom lembrar que o Pais vivia na ditadura, e qualquer reunião com mais de 2 pessoas era considerada suspeita de aparelho subversivo. Nao esta’ na ata (claro, nem dava pra constar na epoca), mas acho que foi o Joao Bosco Teixeira e o Joao Batista Freire que puxaram o assunto na reuniao de Sao Sebastiao. Torço para que no ano que vem, 25 anos, aparecam muito mais historias.

Ao que postei, agora há pouco, me intrometendo na conversa:

Jão, Pereira

Fernanda Paiva: Ciência e Poder Simbólico – no Colégio Brasileiros de Ciências do Esporte. CEFD/UFES,1994 – dedicatória da Fernanda no exemplar aberto à minha frente; “Laércio, Laércio Eis aqui ‘uma’ NOSSA história. Com carinho, FE”…

Sim, Pereira, estou com o exemplar; faz parte daquele acervo que herdei quando voce foi embora, em 1986 (?)…

P. 78 “[...]Considera-se fundado a partir de uma reunião particular realizada na residencia, em São Paulo, de um de seus sócios fundadores, no dia 17 de setembro de 1978, porém sua 1a. ata (Ata de Fundação…) data do dia 2 de novembro do mesmo ano, no Paraná, oportunidade em que estavam reunidos os 26 participantes da reunião anterior, po ocasião da II Jornada de Medicina Desportiva e Treinamento de Londrina (cf. CBCE, 1978).

Há uma cronica escrita pelo Osmar e publicada na RBCE 1 (1), p. 72 em que ele diz que era um domingo, dia de descanso, o 17 de setembro, às quinze horas mais ou menos. O parto foi normal. O nome já estava decidido Colégio Brasileiro… e o sobrenome de cineicas do Esporte – ciencia pouco conhecida naqueles tempos…

Pois é… depois dos 40 (de profissão!!!!) as coisas começam a ficar um pouco difíceis…

O CORINTIANO – (em homenagem ao Pequeno Indio…)

seg, 10/05/10
por leopoldovaz |

Futebol e Cinema IV: O corintiano, de Mazzaropi - disponível em http://historiadoesporte.wordpress.com/

Seguindo o padrão, futebol e cinema.

Mazzaropi foi um fenômeno cinematográfico.  Filmes como “Jeca Tatu” (1959) e “Casinha branca” (1963) contabilizaram oito milhões de pagantes cada!. Ao longo de 30 anos no metiér o ator\diretor estrelou 32 longas, dos quais 14 ele dirigiu[1]

Em “O Corintiano” (1966, direção de Milton Amaral), o comediante encarna um tipo conhecido de qualquer um que tenha um mínimo de contato com a cultura futebolística: o torcedor fanático.  Seu Manuel (Mané, como é conhecido) é corintiano roxo. 

A fita segue uma série de episódios conflitivos e jocosos, como seria de se esperar. O enredo evolui em uma tensão crescente entre o patriarca torcedor e sua família. O conflito cresce tanto pelos exageros do barbeiro-torcedor (Mané não cobra corte de cabelo de quem apresenta carteira de sócio do Coríntias, o que exaspera sua mulher; vive às turras com o vizinho palmeirense; leva um burro (!) para casa e lhe dedica especial atenção, por conta das cores preta e branca que traz no dorso: as cores do Timão. Mané é insuportável…). Não obstante, há ainda um desacerto entre o que Mané perspectiva para o futuro dos seus rebentos e os caminhos que os dois jovens tomam em suas vidas. O clímax dessa tensão implica rompimento\inviabilização da continuidade da relação, com a saída dos filhos de casa. A reconciliação, no final, encerra a trama, re-estabelecendo a harmonia familiar com a afirmação da legitimidade das aspirações juvenis e o reconhecimento das mesmas por Mané. 

Vejamos o caso de Marisa, a filha que quer ser bailarina. A irritação de Mané se dá por conta da associação da aspiração da filha ao “teatro de revista”, no qual “uma porção de moças (…) [se exibem] com a perna de fora, dançando”.  Mané, talvez como muitos pais de seu tempo e lugar social, “não distingue uma coisa da outra”. Numa divertida seqüência explicita-se isso tudo:

Mané chega em casa, com a esposa e encontra a filha, de corpete, ensaiando seus passos ao som da música que vem da vitrola..

 

(Mané) “-  Outra vez essa droga dessa música?

(Marisa) “ – Ih  papai… já vai começar?

(Mané) -  Não, vou acabar com ela [a música]  (…)

(Mané)-  Escuta vamo (sic) parar com essa pouca vergonha aqui. Isso daqui não é teatro de revista, minha filha.

(a mãe intercede) – Isso não se faz Mané; se ao menos você entendesse alguma coisa de balé”

(Mané) – É claro que eu entendo. Sabe o que é balé? É uma porção de moça, com a perna de fora, dançando no teatro (…)

(Marisa) Ora mamãe, papai não distingue uma coisa da outra. O que entende ele sobre arte?

(Mané) -  Arte é futebol, minha filha Você é que não entende disso. Fica aí ouvindo essas músicas chorosas…”

 Mané troca de disco e coloca o hino do Coríntias, a todo volume. Ele preferiria que sua filha fosse uma costureira…. faria gosto se fosse assim.

 Talvez a seqüência mais relevante para situarmos esse filme em seu lugar de produção e opinião seja àquela que leva ao re-encontro entre Mané e Marisa. As pazes com Jair (o filho varão) já estavam consumadas. Este último, junto com a mãe e amigos, insistem para que Mané vá a um espetáculo no teatro;  um show de dança, estrelado por sua filha, sem que o mesmo o soubesse. Ao reconhecê-la, Mané fica indignado e tenta se retirar. No fundo do teatro começa a reclamar e entra em diálogo com um senhor, já anteriormente destacado pela câmera:

(Mané) “-  Isso é uma pouca vergonha!

(Senhor)  – Pouca vergonha? Por quê?

(Mané) -  O senhor ta se divertindo com a filha dos outros. Se fosse a sua não falava a mesma coisa.

(Senhor) -  A minha filha também integra o corpo de baile.

(Mané) -  O quê? Quer me enganar que a tua filha ta dançando aí?

(Senhor) -  E me orgulho muito disso.

(Mané) -  Eu sempre escutei falar que esse serviço de dançarina não é serviço bom…

(Senhor) -  Não diga uma coisa dessas…As moças das melhores famílias da nossa sociedade integram os corpos de baile municipais, as escolas particulares…

(Mané) -  Eu acredito porque é o senhor que ta falando”.

 Mané finalmente cede. Quem seria esse senhor tão convincente, sem nenhuma marcação anterior, sem nome na trama? Um oficial das forças armadas.

 A fé de Mané está com os dirigentes da nação. E ele não está sozinho, principalmente nessa primeira fase do regime. Na próxima postagem vamos ver filmes de futebol e cinema com a Ditadura plenamente consolidada e pós o AI5.  Aí veremos como outros filmes sobre futebol lidam com o período.  Até lá!


[1] “Mazzaropi: simples na arte de fazer milhões”.  O Globo, 11 de abril de 2010. Artigo de Rodrigo Fonseca. 

Manuel Sérgio Vieira e Cunha: Filósofo Português

seg, 08/03/10
por leopoldovaz |

Entrevista com Manuel Sérgio. O Guru da educação física uspiana… entenda-se aquela geração da década de 70 que saiu em diáspora, especialmente pelo Nordeste – Laércio, Lino, JoãoZinho… e que de certa forma demonstrou a ‘crise eterna’ em que vivia a educação física – mexa-se em evidencia… os Coronéis mandavam na educação física… e havia uma tchurma recem saida da USP que queria fazer uma revolução e fazer parte da revolução… foi a época em que se conheceu o Manuel Sérgio… Jorge Bento… época da Revolução dos Cravos… estavam pensando uma educação física diferente daquela até então vigente, de carater militarista e o Brasil Grande da Revolução Redentora… “que educação física quer o povo Brasileiro…” foi objeto dee sua palestra magna no Congresso do CBCE em Recife, em 1985 – tenho o original até hoje; pedi para tirar fotocópia de suas anotações e ele foi embora sem dar tempo de entregar… vou ver onde coloquei…  mas é esperança, nossa, de que o Filósofo da Educação Física venha ao Maranhão, no nosso encontro do CEV… vamos consultar o Guru-Presidente.

enquanto isso, divirtam-se com a entrevista data à Folha… a proposito, ManuelSergio acredita, mesmo, na Ciencia da Motricidade Humana, não na educação física…

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100308/not_imp520923,0.php

Entrevista com professor de José Mourinho. Sem nunca ter jogado bola, ele ’fez a cabeça’ do técnico e é considerado por muitos treinadores como um grande mentor

Paulo Favero

Em um certo momento da vida, os caminhos do técnico José Mourinho e do filósofo português Manuel Sérgio se encontraram. Um era um jovem rapaz de apenas 18 anos, começando a faculdade de Educação Física. O outro, um professor que questionava os preceitos básicos do curso e colocava dúvidas na cabeça dos alunos, coisa que um bom docente costuma fazer. Depois da universidade, cada um seguiu seu caminho.

Mourinho virou um dos treinadores mais bem pagos do mundo. Conquistou a Copa dos Campeões pelo Porto e os títulos nacionais em Portugal, na Inglaterra pelo Chelsea e na Itália com a Internazionale. E nunca se esqueceu dos ensinamentos e lições que teve. “Ele sempre me diz que eu fiz a cabeça dele”, explica Manuel Sérgio Vieira e Cunha, que é reconhecido por muitos treinadores como um grande mentor.

Aos 76 anos, ele garante que nunca jogou bola. “Só na brincadeira”, conta. Mas a paixão pelo futebol começou cedo, e principalmente pelo viés acadêmico. Ele costuma conversar com muitos técnicos, dá indicação de bibliografia e é fã confesso de Luiz Felipe Scolari. Para ele, Felipão reúne todas as condições de um vencedor. “São três características para ser um grande treinador: ser líder, saber ler o jogo e saber comunicar para motivar”, explica o filósofo.

Como você conheceu o José Mourinho?
Eu dava aula de Filosofia das Atividades Corporais em 1981 e ele foi meu aluno. Na época diziam: para ter saúde, corra! Então eu falei que o professor de educação física é um especialista em humanidade. Até hoje o Mourinho diz que eu fiz a cabeça dele. Mostrei que não é só o corpo que está em questão, é a mente. Isso mexeu com ele. Mas eu nunca lhe ensinei futebol.

Você ainda mantém contato com ele?
Agora nos falamos pouco, mas antes tínhamos um contato semanal. Há uma coisa que eu dizia e ele aprendeu: é o homem que se é que triunfa no treinador que pode ser. Ele é muito esperto. O que eu tinha de fazer, já fiz. E estou satisfeito por isso.

O que vocês conversam?

O Mourinho leu a minha obra. Na última vez em que nos encontramos, ele comentou que o futebol italiano era o mais complicado. Nas nossas conversas, abordamos vários assuntos. Não falando estritamente de futebol, eu falo de futebol. Houve um tempo em que a Educação Física acentuava muito o físico. Mostrei que ali não era o físico, era uma pessoa em movimento. Para saber de esporte, tem de saber mais do que simplesmente o esporte. Não é uma atividade física, é humana.

Você também conversa com outros treinadores?
Eu tenho contato com o Carlos Queiroz (técnico de Portugal), José Peseiro (treinador da Arábia Saudita), Jorge Jesus (comandante do Benfica). Outro dia, o próprio Jorge Jesus me perguntou como faria para saber se a metodologia que ele estava usando era correta. Eu fui buscar no Paul Feyerabend (autor do livro Contra o Método), que diz que tudo vale.

Como a filosofia pode ajudar a pensar o futebol?
A filosofia quer dizer que nada deixa de ser suscetível ao questionamento. Os governos não têm medo de quem faz esporte, têm medo de quem pensa. A filosofia quer chamar a atenção mostrando que o esporte serve para fazer homens, cidadãos.

Dá para explicar essa paixão mundial pelo futebol?
É um jogo com os pés, que nos aproxima mais dos animais. Não é por acaso que o Eusébio era chamado de pantera, o Ardiles era conhecido como o formiguinha, o Edmundo era o animal…

Você também é um crítico da educação física tradicional…
Não há educação física. Essa expressão só aparece com a divisão do ser humano em duas partes. Ninguém contesta o físico, o que se contesta é que sejamos tão físicos. Acho que temos de olhar para o esporte como uma ciência humana.

Como assim?
O primeiro fator de saúde é que a vida precisa ter sentido para nós. Não falo que correr faz mal, mas é preciso ser feliz. Estamos em um tempo que tudo passa depressa e que é para ser consumido. Temos de acreditar em valores para humanizar a vida.

Quais valores?
O futebol é uma mentira, não tem nada de educativo. Um salário como o do Cristiano Ronaldo é um atentado contra milhões de pessoas que não têm nada. No fundo, o futebol deve educar e quando critico um determinado tipo de futebol é porque acredito no esporte. Temos de politizar a prática esportiva e isso tem de aparecer na educação.

O que você achou da escolha do Brasil para ser sede da Copa do Mundo em 2014?
Todos os brasileiros têm de entender que a Copa do Mundo vem ao Brasil porque o esporte é o desenvolvimento do ser humano como um todo. E é evidente que o Mundial traz prestígio para o Brasil. O futebol é o artigo de mais luxo que o País exporta.

Para concluir, quem será o campeão na África do Sul?
O Brasil é, contra qualquer país do mundo, favorito. E não digo mais nada.

 Visite: Futebol – Centro Esportivo Virtual
http://cev.org.br/comunidade/futebol/

Banda de Ipanema & Cordão do Prata Preta & Choque de Ordem

seg, 22/02/10
por leopoldovaz |

Artur em Moldura reduizada

MESTRE ARTUR EMÍDIO

Publiquei material que o André Lacé me mandou lá do Quilombo do Leblon, sobre o Carnaval & Capoeira… Cordão da Prata Preta…

Hoje, mandou-me cronica publicada por ele no Blog da Academia Brasileira de Poesia Casa de Raul de Leoni, que compartilho com voces… infelizmente nao consegui recuperar as fotos, mas são as mesmas que apareceu na postagem anterior…Atleta é atleta

André Lacé, se preparando para sair no Cordão do Prata Preta 

Banda de Ipanema & Cordão do Prata Preta & Choque de Ordem

CRÔNICA – André Luiz Lacé Lopes,  Leblon, quarta-feira de cinzas – Carnaval 2010

 Muito se tem escrito, com toda razão, sobre a internacionalmente famosa Banda de Ipanema. Sonho que começou a tomar forma em 1959 e, coincidência ou não, materializou-se em 1964. Sua frase-força, Yolhesman Cribelles, que chegou a preocupar os militares da época, não significava deliberadamente NADA. Esse era o espírito da banda. Entre outros, todos irreverentes, daí o seu sucesso imediato e sempre crescente. Tão crescente que, como foi possível confirmar no Carnaval deste ano, virou até problema. Fácil de resolver, diga-se de passagem, mas, mesmo assim, problema: gigantismo!

Ou seja, todo mundo querendo participar, do subúrbio carioca aos turistas estrangeiros passando pelos turistas internos. Não há som para tanta gente e a solução de colocar um famigerado trio elétrico, nem pensar. Até mesmo em respeito à opinião do querido e saudoso advogado Albino Pinheiro, “agitador cultural”, fundador da famosa Banda. Coisa de cláusula pétria, mesmo.

O problema não está afetando apenas a Banda de Ipanema, pois vem atacando todos os blocos que foram surgindo, na Zona Sul. Com toda razão, pois, quem não quer participar, para ficar apenas em dois bons exemplos, do “Simpatia quase Amor” ou do hilário “Que merda é essa?”, com as suas bem humoradas críticas aos governos e à própria sociedade como um todo?

Nada de carnaval “chapa branca”, ao contrário, um espetáculo magnífico de exercício de cidadania plena e bem humorada, feito através de textos (estandarte, palavras de ordem, manchetes etc) e, sobretudo através de músicas clássicas e eternas, entremeadas com músicas de protesto bem carioca. Tudo isso num meio ambiente maravilhoso e com pitadas a gosto de sensualidade.

Cordão do Prata Preta & símbolo

Isso na Zona Sul, especialmente Ipanema e Leblon, mas, e o resto do RIO?
E a Zona Oeste, a Zona Norte, o Centro a Zona Portuária, a Baixada Fluminense, Niterói?

Pois é, a idéia desta crônica surgiu na Saúde, Zona Portuária, durante a concentração do Cordão da Prata Preta. Não leitor, não houve engano, não estamos nos referindo ao famoso Cordão do Bola Preta, é Prata Preta mesmo.

Este ano um herói-capoeira desfilou em homenagem a outro herói-capoeira.
O primeiro, Prata Preta (Horácio José da Silva), herói da Revolta da Vacina, o segundo, o homenageado, o Almirante Negro (João Cândido) herói da Revolta da Chibata.

 Não fosse isto suficiente, também Vila Isabel prestou homenagem ao João Cândido.

Infelizmente, não me foi possível ver a Vila passar, mas não ficaria surpreso se trouxesse em seu enredo alguns capoeiras jogando uma capoeira teatral, embranquecida e aburguesada. Terrível, mas, lamentável mesmo, foi não encontrar um capoeira sequer na Saúde (Porto Arthur!!!) durante a concentração e no percurso do Cordão do Prata Preta. Local histórico, gente muito boa, enredo capoeiristico, e nada dos capoeiras. Fosse na Bahia, temos que reconhecer, já teriam tombado tudo, descolado um patrimônio imaterial da humanidade, verbas públicas para todo tipo de homenagens. E estariam agindo muito bem, pois, afinal, não estamos falando de fantasias, de mitos, de filmes com efeitos especiais. Estamos falando de dois grandes líderes, um que acabou sendo traído no acordo feito com as autoridades da época, e o outro que foi despachado para o Acre.

 Foi o meu melhor programa neste Carnaval: mesas pela calçada, cuba-libre generosa e honesta (sempre peço cuba-libre, impossível de falsificar, pois acabaria ficando mais cara), seleção de músicas realmente com a cara do Carnaval, só faltou mesmo aquela antiga mortadela cortada a facão.

Cordão do Prata Preta 009

A excelência do momento levou-me a duas reflexões, a primeira, bem específica, sobre a extraordinária Capoeiragem no Rio de Janeiro; a segunda, sobre a possibilidade de intercambiar a Banda de Ipanema com o Cordão do Prata Preta (e similares!).

O auge da Revolta da Vacina (Prata Preta!) coincidiu com o ataque feito pelos japoneses à esquadra russa no porto chinês chamado Porto Arthur. O que fez com que os jornais brasileiros começassem a chamar o Bairro da Saúde, resistência final da mencionada revolta, pelo mesmo nome.

 Por associação de idéia, lembrei do grande mestre Artur Emídio de Oliveira (foto) que, no dia 31 de março, estará complementando oitenta anos de idade. É muito possível que os inúmeros mestres de capoeira do Rio de Janeiro prestigiarão a data, da mesma maneira que prestigiaram o Cordão do Prata Preta neste ano: não comparecendo.

 

Helio Gracie & Artur Emídio

Artur Emílio e Hélio Gracie

O que será um gol contra geral, para a capoeira e para os capoeiras.

Espero estar errado.

Como também espero que a segunda reflexão caia em terreno fértil, pois estou propondo, nada mais nada menos, que a Banda de Ipanema escolha um dia para se apresentar na Saúde, homenageando não apenas o Cordão do Prata Preta, mas, também, a Vizinha Faladeira, Pinto Sarado, Coração das Meninas, Escorrega mas Não Cai, Filhos de Gandhi, Banda do Morro da Conceição, enfim toda a Zona Portuária e adjacências.

Em retribuição, não apenas o Prata Preta, mais as demais associações carnavalescas da área, tratariam de agendar um dia para desfilarem pela Vieira Souto e Delfim Moreira.

Tivesse esse intercâmbio começado esse ano, seria sopa no mel, pois o Prata Preta poderia homenagear o marinheiro João Cândido, arranjando um jeito de passar também pela Dias Ferreira, onde homenagearia, de quebra, o famoso compositor Elton Medeiros, cujo pai, mestre arrais, aprendeu francês e matemática com o filho de um almirante a quem, em troca, ensinou capoeira. Nesse caso, além de Obaluaiê uma das razões da Revolta da Vacina, homenagens especiais seriam prestadas também a Xangô. Razões óbvias.

Prosperando a idéia, o intercâmbio poderá ser muito mais amplo, intercambiando de bandas e blocos da zona sul com blocos e cordões das demais zonas. Não sendo absurdo, a Banda de Ipanema agendar um desfile em Seropédica, dando voltas na casa do não menos brilhante compositor Nei Lopes. E nem vou lembrar Madureira, especialmente o jongo da Serrinha…

Para não deixar de falar em espinho ou de espinha atravessada na garganta, um trio elétrico voltou a atacar na praia de Ipanema. Música terrível, letra ainda pior, num volume enlouquecedor. Está ai uma ação governamental santificada: fazer com que o Choque de Ordem eletrocute esse trio elétrico alucinado e alucinante.

Ou o governo municipal isente os moradores da área de pagar IPTU no mês de fevereiro.



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