Pensei em apagar o blogue de Walter Rodrigues da lista de meus favoritos, mas decidi mantê-lo.
Tenho uma rotina de leitura dos colegas na Internet que segue uma seqüência de importância pessoal.
Leio o meu próprio, modero comentários e posto algum texto. Em seguida, “vou” ao Walter.
Essa sequência dura até hoje, seis dias depois de sua morte. É automático: sempre que termino de me ler, corro para ler o Walter.
Mas ele não está mais lá.
Não o tiro dos meus favoritos porque não quero tirá-lo da minha história.
Conheci Walter Rodrigues em 1993, antes mesmo de entrar na faculdade de Jornalismo e já militando como repórter, na rádio Esperança FM.
Votei nele para deputado estadual, em 1994, em minha primeira eleição, e na primeira das duas únicas vezes em que votei no PDT – a outra foi no primeiro turno de 2008, em Clodomir Paz.
Em 1995, ingressei em o Estado do Maranhão. Assinava Marco D’Eça em minhas reportagens.
Foi Rodrigues quem sugeriu a inclusão do Aurélio em meu nome profissional.
- A junção do Marco com o D’Eça forma uma cacofonia que torna a assinatura feia. Use também o Aurélio que é mais bonito e é autêntico – justificou ele.
Assim, passei a assinar Marco Aurélio D’Eça, suprimindo apenas o Nunes do meu nome original.
Walter é uma das três referências em minha carreira jornalística.
As outras duas, em seqüência: Ribamar Corrêa, diretor de redação de O Estado, que me transformou em repórter de política e me ensinou os segredos da observação e análise na cobertura do setor. O outro é Benjamim Lima de Souza, ex-diretor da rádio Esperança FM e o primeiro que viu em mim potencial para o jornalismo impresso.
Walter Rodiruges, além de inspirador e mentor, era também colega e “concorrente”.
Estive com Walter em sua casa logo nos primeiros momentos após seu passamento.
Ele inerte, em cima da cama, já sem vida, e eu conversando como um filho junto ao pai, um aluno tentando buscar a atenção do professor.
O vesti e o calcei para a viagem, mas não tive coragem de acompanhá-lo ao local de embarque.
Quero lembrá-lo como nesta foto, sorridente e feliz. E me surpreender procurando em seus textos referências para os meus.
Mesmo em um espaço em que ele não pode mais dizer nada…