A presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão (Ampem), Fabíola Fernandes Ferreira (foto), divulgou hoje “nota pública”, por meio da qual contesta as declarações do secretário de saúde do estado, Ricardo Murad, sobre o envolvimento de membros do MP maranhense em uma suposta máfia da saúde. Ao mesmo tempo, a Ampem reafirmou o seu apoio ao trabalho desenvolvido por todos os promotores e procuradores de justiça do Maranhão.
Na opinião da presidente da Ampem, as declarações do secretário tiveram por objetivo denegrir a imagem do Ministério Público, que respaldado pela Constituição, vem agindo no sentido de garantir que cidadãos maranhenses tenham acesso aos mais variados serviços de saúde, que devem ser oferecidos pelo Estado. “Não se pode admitir que a ausência de políticas públicas na área da saúde faça com que o cidadão não tenha amparo aos seus direitos”, diz a nota.
A presidente da Ampem lamentou a postura do secretário de saúde, já que centenas de cidadãos, por não terem acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS), têm que recorrer à Justiça, ainda que seja obrigação do Estado e Município promoverem uma saúde de qualidade. “O Ministério Público do Maranhão, instituição permanente, continuará a agir preventivamente e repressivamente na defesa dos maranhenses, cabendo ao Estado interpor recursos das decisões que entenderem adequadas”, afirma a presidente da Ampem no documento.
Para o promotor de justiça da Saúde, em São Luís, Herbeth Figueiredo, o que o secretário pretende é eximir o Estado da responsabilidade de oferecer os benefícios aos seus usuários. “Ele deveria declinar o nome dos membros do Ministério Público que integram a tal máfia”, desafiou Herbeth Figueiredo.
Na opinião do promotor de justiça, o problema é de administração dos recursos e não do Ministério Público, que busca assegurar os direitos dos cidadãos. “Ele (o secretário) está cortando benefícios dos usuários para aplicar em obras desnecessárias e, ainda, tirar sua responsabilidade e jogar para o município”, criticou.
Denúncia do Secretário de Saúde
As declarações da presidente da Ampem se devem às declarações do secretário estadual de Saúde, Ricardo Murad (foto), que em entrevista ao jornal O Estado do Maranhão, em reportagem assinada pelo jornalista Décio Sá (Editoria de Política), denuncia a existência de uma suposta “máfia” no estado envolvendo grandes laboratórios farmacêuticos, médicos, advogados e membros do Poder Judiciário e Ministério Público.
Segundo Ricardo Murad, a suposta “máfia” estaria atuando no sentidode fazer a pasta adquirir, por foça de liminares, medicamentos caros, muitos deles importados, e sem terem sido aprovados ainda pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde.
O secretário de Saúde explicou, na reportagem, que existe uma lista de remédios excepcionais, relacionados pelo Ministério, fornecidos pela secretaria a pacientes com doenças crônicas. No entanto, médicos, em conluio com laboratórios, estariam receitando remédios fora dessa relação e orientando os pacientes a procurarem promotores de Justiça.
“Existe uma máfia, uma conspiração contra o Estado, de certos laboratórios, médicos e advogados com o intuito de vender seus medicamentos não registrados na Anvisa e sem uso no Brasil através da concessão de liminares. Eles não entendem da legislação e não querem entender. Tudo estava sendo bancado pelo governo. Nós demos um basta nisso até para preservar a saúde da população. Não podemos fornecer remédios experimentais aos nossos pacientes”, disse o secretário Ricardo Murad.
Ele ressaltou que durante os governos José Reinaldo Tavares (PSB) e Jackson lago (PDT) a Secretaria de Saúde foi transformada em um “balcão de negócios”. “Além dos prefeitos, eles compraram votos nas eleições de 2006 e 2008, distribuindo Cibalena a medicamentos excepcionais sem nenhum critério. E isso não pode continuar”, declarou Ricardo Murad.
Com informações da Ampem e jornal O Estado do Maranhão
Nota de Esclarecimento
“Tendo em vista matéria publicada hoje, por O ESTADO DO MARANHÃO, página 5, sob o título RICARDO MURAD DENUNCIA SUPOSTA “MÁFIA DA SAÚDE”, devo esclarecer que em momento algum inclui no rol dos possíveis integrantes do grupo que age contra o Estado os integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público. Estes, ressalte-se, estão nos auxiliando no combate a essa fraude que resulta em prejuízos para os cofres públicos e em riscos para a saúde das pessoas que estavam consumindo medicamentos não licenciados pelas autoridades brasileiras. ”
São Luís, 24 de junho de 2009
Ricardo Murad
Secretário da Saúde do Estado.