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PALAVRAS E EXPRESSÕES I

sáb, 04/02/12
por pautar |
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ACERCA DE: significa sobre, em referência a, em relação a (O tema acerca das novas regras será enviado ainda hoje).

CERCA DE: termo que expressa imprecisão, falta de exatidão e significa perto de, aproximadamente (Havia, naquela sala, cerca de 30 pessoas). Dessa expressão, nascem duas variantes, mas a ideia de imprecisão continua a vigorar.

HÁ CERCA DE: ocorre a ideia de imprecisão mais o verbo haver, aqui sinônimo de fazer ou existir ([= Faz] cerca de dois meses, aconteceu o protesto. Segundo informações, [= existem] cerca de 30 mil pessoas na manifestação.

AFIM: (adjetivo) indica semelhança, afinidade e aceita plural (Abundância e sobejidão são ideias afins).

A FIM DE: (locução prepositiva) indica finalidade, objetivo (Ele viajou a fim de se atualizar); também aparece na forma de locução conjuntiva (afim de que): Releu o documento a fim de que se lembrasse dos dados.

AFINAL: é advérbio e significa por fim, finalmente, em resumo (Afinal, ele acabou seu discurso).

A FINAL: expressão usada na linguagem jurídica para designar o que vem por último, no fim (As despesas serão pagas a final pelo vencido).

À PARTE: expressão usada com o sentido de isoladamente, separadamente (Ele pediu que eles conversassem à parte, distante de todos).

APARTE: substantivo que significa uma interrupção no discurso de alguém (No meio do debate, uma das pessoas citadas pediu um aparte).

 

CONCORDÂNCIA VERBAL – PARTE 2

seg, 30/01/12
por pautar |
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Observamos que certas concordâncias fogem à regra, em razão da influência semântica e/ou estrutural, criando, muitas vezes, mais de uma concordância correta. Analisemos alguns casos hoje:

SUJEITO POSTERIOR AO VERBO
Havendo sujeito composto e estando o verbo antes do sujeito, pode o verbo:
a) concordar com o núcleo mais próximo (concordância atrativa): Esteve a vítima e o seu defensor na sala de audiências. / Passará o céu e a terra.
b) concordar com todos os núcleos (concordância gramatical): Estiveram a vítima e o seu defensor na sala de audiências. / Passarão o céu e a terra.

AS PESSOAS DO DISCURSO
Havendo diferentes pessoas gramaticais, a primeira prevalece sobre as demais e a segunda, sobre a terceira, levando o verbo para o plural em ambos os casos: A vítima, tu e eu estivemos na mesma sala. (A vítima, tu e eu = nós) / A vítima e tu estivestes na mesma sala. (A vítima e tu = vós)

PRONOMES DE TRATAMENTO
Todos os pronomes de tratamento exigem o verbo na 3ª pessoa (tal concordância também se dá com os pronomes possessivos): Vossas Senhorias nos concederam novas oportunidades. / Vossa Excelência virá após convocação em seu domicílio.

COLETIVOS
Há substantivos que contêm em seu sentido a ideia de grupo, coleção, conjunto. Em geral, aparecem, formalmente, no singular, mas comportando em si o conceito de plural. Na língua portuguesa, predomina a concordância gramatical, lógica, ou seja, singular: O grupo veio e voltou em silêncio. / A multidão continuou no local.

DICAS GRAMATICAIS
ADIAR
Presente do indicativo: adio, adias, adia, adiamos, adiais, adiam. Presente do subjuntivo: adie, adies, adie, adiemos, adieis, adiem. Imperativo afirmativo: adia (tu), adie (você), adiemos (nós), adiai (vós), adiem (vocês). Imperativo negativo: não adies (tu), não adie (você), não adiemos (nós), adiem (vocês).
Como adiar, que é um verbo regular, conjugam-se todos os verbos terminados em -iar, como ampliar, anunciar, chefiar, copiar, esfriar, premiar etc. As únicas exceções são os verbos ansiar, incendiar, intermediar, mediar e remediar, que seguem a conjugação de odiar.

CONCORDÂNCIA VERBAL – PARTE 1

ter, 24/01/12
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A concordância verbal divide-se em dois conceitos básicos:

a) concordância gramatical ou lógica: o verbo concorda com o(s) núcleo(s) do sujeito;

b) concordância atrativa ou ideológica: geralmente por uma influência estrutural ou semântica, o verbo deixa de concordar com o núcleo do sujeito e passa a concordar também com outro termo.

Como se observa, um cria a regra; o outro, casos particulares.

REGRA
O verbo concorda em número e pessoa com o(s) núcleo(s) do sujeito.

Nós (1ª pessoa do plural) ficaremos (1ª pessoa do plural) aqui.
As pessoas (3ª pessoa do plural) ficaram (3ª pessoa do plural) aqui.
Tu (2ª pessoa do singular) ficarás (2ª pessoa do singular) aqui.

Equivoca-se, muitas vezes, quem pensa em sujeito, e não em núcleo do sujeito. Disso, surgem erros deste tipo:

Frase incorreta: Os números da inflação do mês passado inicia uma preocupação…
Sujeito: Os números da inflação do mês passado; núcleo do sujeito: números.
Frase corrigida: Os números da inflação do mês passado iniciam uma preocupação…

Frase incorreta: A análise dos problemas sociais não nos trazem tranquilidade.
Sujeito: A análise dos problemas sociais; núcleo do sujeito: análise.
Frase corrigida: A análise dos problemas sociais não nos traz tranquilidade.

DICAS GRAMATICAIS
ADEQUAR
No presente do indicativo, só tem as formas “nós adequamos”, “vós adequais”. Não tem o presente do subjuntivo. O imperativo afirmativo só tem a forma “adequai (vós)”. Conjuga-se regularmente nos demais tempos: adequei, adequou, adequaremos, adequaria, adequasse etc. Se precisar usar esse verbo nas formas que faltam, substitua-o por um sinônimo, como “adaptar” ou “ajustar”, por exemplo.


CRASE – PARTE 2

dom, 15/01/12
por pautar |
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Hoje, continuamos no caso da preposição mais artigo. Outros fatores de crase virão posteriormente.

Na oração, “Ele fez alusão a antigas leis judaicas”, façamos o mesmo questionamento (coluna anterior):

● a palavra antecedente exige preposição? Sim; quem faz alusão, faz alusão a alguma coisa;

● a palavra posterior vem com artigo? Não, pois, se “antigas leis” viesse com artigo, o “s” seria visível. O autor da frase resolveu não usar o artigo, generalizando o sentido da construção (poderia ser qualquer antiga lei judaica), o que é possível e correto.

Conclui-se: Ele fez alusão a antigas leis judaicas. [a (preposição) + Ø (sem artigo)].

Caso o autor quisesse determinar “antigas leis judaicas”, teríamos: Ele fez alusão às antigas leis judaicas. [a (preposição) + as (artigo)].

O uso do artigo, nessa construção, fica a critério do usuário, permitindo, portanto, duas construções corretas: Ele fez alusão às/a antigas leis judaicas.

Pode-se observar que, estando no plural, a presença ou a ausência do artigo é visível (graças ao “s”). A dificuldade, então, surgirá com a construção no singular:

O advogado se dirigiu a ré. (Há crase?)

1) Quando o “a” puder ser trocado por para a, na, da, pela, com a. O advogado dirigiu-se para a ré. Portanto: O advogado dirigiu-se à ré.

2) Substituir a palavra feminina (que está posterior ao “a”) por um sinônimo masculino, respeitando a mesma estrutura da oração. Se no lugar do a aparecer ao, então, crase. Vejamos: O advogado se dirigiu ao réu. Portanto: O advogado dirigiu-se à ré.

DICAS GRAMATICAIS
ABRANGER
É verbo regular, mas cuidado com o uso do “j” (e não “g”) antes do “a” e do “o”: Pres. indic.: abranjo, abranges, abrange, abrangemos, abrangeis, abrangem. Pres. subj.: abranja, abranjas, abranja, abranjamos, abranjais, abranjam. Imper. afirm.: abrange (tu), abranja (você), abranjamos (nós), abrangei (vós), abranjam (vocês). Imper. neg.: não abranjas (tu), não abranja (você), não abranjamos (nós), não abranjais (vós), abranjam (vocês). Nos outros tempos, usa-se sempre “g”: abrangi, abrangeu, abrangiu, abrangerá, abrangeria, abrangesse etc.

CRASE

sáb, 07/01/12
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Hoje, nossa atenção se detém no caso da preposição mais artigo. Outros fatores de crase virão posteriormente.

Observemos esta oração: Ele se referiu as fases processuais. (Há crase?)

Para certificar-se da necessidade de acento, verificam-se dois momentos distintos:

a) se a palavra antecedente exige preposição a. Constatação decisiva em que se analisa se o verbo ou nome que antecede o “a” obrigatoriamente exige preposição. Note: Ele aludiu a / Ele se referiu a / Ele é pouco fiel a / Ele teve obediência a.

A ideia de exigir preposição está vinculada à regência verbal e à nominal, ou seja, uma palavra rege, exige complemento iniciado por preposição. É o regime das palavras, isto é, o estudo da complementação verbal e nominal.

b) se a palavra posterior vem acompanhada de artigo feminino (a, as). Essa constatação é a mais perigosa e requer pormenorização, uma vez que, como veremos à frente, centralizará a dificuldade principal no uso do acento grave.

Aprenderemos, inicialmente, com as palavras no plural.

Numa construção como “Ele se referiu as fases processuais”, nasce o questionamento: o “as” recebe acento?

● a palavra antecedente exige preposição? Sim, quem se refere, se refere a algo;

● a palavra posterior vem com artigo? Sim, pois o “s” que aparece no “as” só pode ser do artigo, uma vez que não existe plural de preposição.

Pronto, constatou-se que: Ele se referiu às fases processuais [às = a (preposição) + as (artigo)].

DICAS GRAMATICAIS
Romper-se
Alguma coisa rompe-se e não rompe, apenas: A tubulação rompeu-se com as chuvas. / A terra rompeu-se com o abalo.

PROF. SÉRGIO NOGUEIRA
É verbo pronominal. Alguma coisa se rompe, e não rompe somente. Devemos evitar: “Os canos romperam com as chuvas”. O certo é: “Os canos se romperam com as chuvas”.

 

COLOCAÇÃO PRONOMINAL 4

sex, 30/12/11
por pautar |
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1) Me diziam que haveria nova reunião.
Não se deve iniciar período com pronome átono. Corrige-se para: “Diziam-me que…”

2) Pouco referiu-se aos elementos estrangeiros.
Respeitar palavra atrativa (pouco é um pronome indefinido). Corrige-se para: “Pouco se referiu”.

3) Ficou constatado que arrependeu-se o indivíduo indiciado.
Respeitar palavra atrativa (esse que é uma conjunção subordinativa integrante, a qual introduz oração subordinada). Corrige-se para “Ficou constatado que se arrependeu…”.

4) Há a necessidade de acompanhamento médico enquanto utiliza-se o remédio.
Respeitar palavra atrativa (enquanto é uma conjunção subordinativa temporal, que introduz oração subordinada). Corrige-se para “enquanto se utiliza…”.

5) Nasce, cria-se, desenvolve-se e sempre reinicia-se.
Respeitar palavra atrativa (sempre é um advérbio). Corrige-se para “e sempre se reinicia”.

6) Poderá haver novas ideias em permitindo-se a participação de todos.
Na expressão EM + GERÚNDIO, o pronome átono deve ficar no meio. Corrige-se para “em se permitindo a participação…”.

7) Muitos cidadãos têm indignado-se com a violência.
Jamais pospor pronome átono ao particípio. É uma construção inadmissível. Corrige-se para “Muitos cidadãos têm-se indignado”.

8) Essa atitude deixaria-nos em posição inferior.
Não se deve pospor o pronome átono aos futuros do indicativo. Corrige-se para “Essa atitude deixar-nos-ia…” ou “Essa atitude nos deixaria…”.

9) Foram aceitas as propostas à medida que tornou-se possível a mudança.
Respeitar palavra atrativa (a locução conjuntiva à medida que é atrativa, pois introduza oração subordinada). Corrige-se para “à medida que se tornou…”.

10) Poucos têm-se indignado com a violência. É uma colocação incoerente, pois há o pronome indefinido (pouco) que é palavra atrativa. Assim, corrige-se para “Poucos se têm indignado…”. A colocação “Poucos têm se indignado…” traz a velha discussão entre o uso brasileiro e o uso português.

COMO SE ESCREVE…
ANO-NOVO/ ANO NOVO
Ano-Novo ou ano-novo refere-se à virada do ano, à festa de entrada. Ano novo é o novo ano, refere-se à totalidade do ano novo: “Feliz Ano-Novo e próspero ano novo”.

COLOCAÇÃO PRONOMINAL 3

sáb, 24/12/11
por pautar |
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Nas locuções verbais, a primeira análise que desponta é a do verbo principal, ou seja, visualizar de qual forma nominal vem esse verbo: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Verbo auxiliar mais infinitivo ou verbo auxiliar mais gerúndio
1. Sem palavra atrativa
As pessoas se devem opor aos preconceitos. / As pessoas devem-se opor aos preconceitos. / As pessoas devem opor-se aos preconceitos. / As pessoas devem se opor aos preconceitos (menos recomendado). As pessoas se estão queixando de tal imposição. / As pessoas estão-se queixando de tal imposição. / As pessoas estão queixando-se de tal imposição. / As pessoas estão se queixando de tal imposição (menos recomendado).

2. Com palavra atrativa
As pessoas não se devem opor aos regulamentos. / As pessoas não devem opor-se aos regulamentos. / As pessoas não devem se opor aos regulamentos (evite). As pessoas não se estão opondo aos regulamentos. / As pessoas não estão opondo-se aos regulamentos. / As pessoas não estão se opondo aos regulamentos (evite).

Verbo auxiliar mais particípio
1. Sem palavra atrativa
As pessoas se têm queixado dos novos impostos. / As pessoas têm-se queixado dos novos impostos. / As pessoas têm se queixado dos novos impostos (menos recomendado). As pessoas têm queixado-se dos novos impostos (evite).

2. Com palavra atrativa
As pessoas não se têm queixado dos novos impostos. / As pessoas não têm se queixado dos novos impostos (evite). / As pessoas não tem queixado-se dos novos impostos (evite).

TIRANDO DÚVIDAS
A PARTIR DE
Essa expressão é empregada para designar o início de um período ou prazo. Tem o sentido de “a começar de, desde”. É redundância, portanto, usá-la com começa, como em: As inscrições começarão a partir da próxima semana. Na verdade, elas começarão na próxima semana.

Não deve ser usada com o signficado de “com base em”: Votarei contra essa proposta, a partir de minhas convicções.

AMPLIAR
É pleonástico a forma ampliado por mais um mês, porque o verbo já tem o sentido de “aumentar”. Portanto, em vez de O prazo foi ampliado por mais um mês, usa-se O prazo foi ampliado em um mês.


COLOCAÇÃO PRONOMINAL 2

sáb, 17/12/11
por pautar |
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Os pronomes átonos giram ao redor do verbo e, por isso, recebem, quanto à colocação que assumem, a seguinte classificação:

Próclise – anterior ao verbo: Eu me calei.

Ênclise – posterior ao verbo: Calei-me.

Mesóclise – no meio do verbo: Calar-me-ei.

Para facilitar a reflexão e evitar falhas, devemos observar, inicialmente, quatro regras, que, combinadas e respeitadas, garantem uma colocação pronominal correta:

1ª) Não iniciar período com pronome átono.
A regra diz respeito à noção de período e não de oração, ou seja, se o verbo iniciar período, não se colocará o pronome antes. Usa-se a ênclise ou, se for o futuro, a mesóclise: “Reputa-se ato…”; “Consideram-se adquiridos…”.

Não cabe, portanto, a próclise no início do período.

ERRADO: Se caracteriza a sonegação fiscal pelo não pagamento de imposto.

CERTO: Caracteriza-se a sonegação fiscal pelo não pagamento de imposto.

Também a ênclise é adequada se, após uma vírgula (ou outro sinal de pontuação qualquer), a oração inicia-se com o verbo: Só quando houve a aprovação do orçamento, fez-se o envio dos produtos; Esse conceito, frisa-se, não é mais aceito; Se você puder vir, traga-me o prometido.

2ª) Respeitar as palavras atrativas.
São elas as principais: palavras com sentido negativo; advérbios (sem vírgula); pronomes indefinidos; pronomes ou advérbios interrogativos; pronomes relativos; conjunções subordinativas; em + gerúndio;

3ª) Não pospor pronomes átonos ao particípio.
Certa versatilidade que encontraremos nas outras formas nominais (o infinitivo e o gerúndio) falta ao particípio, pois o pronome átono em hipótese alguma aparecerá à sua frente.

4ª) Não pospor pronomes átonos aos verbos conjugados no futuro do presente e futuro do pretérito do indicativo.

DICAS GRAMATICAIS
EXPLODIR
Esse verbo só se conjuga nas formas pessoais em que depois do d vem e ou i: explode, explodiram etc. Portanto, não se escreve nem se fala exploda ou expluda. O verbo deve ser substituído por outro, como detonar, rebentar.

IPSIS LITTERIS / IPSIS VERBIS
Ipsis litteris significa “pelas mesmas letras”. Só se emprega quando disser respeito à reprodução textual de algo na linguagem escrita.

Ipsis verbis significa “pelas mesmas palavras”. Só se emprega quando em referência à linguagem oral.

É incorreto dizer: O orador repetiu ipsis litteris a informação do ministro. Ele o fez ipsis verbis.

 

COLOCAÇÃO PRONOMINAL

dom, 11/12/11
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A colocação dos pronomes átonos em uma oração sempre foi assunto controvertido por causa das diferenças entre o uso brasileiro e a regra, que se orienta pelo uso de Portugal.

O falar brasileiro – e também muitas vezes o registro escrito – traz marcas de sua formação histórica, sua miscigenação e os nossos falares. Reflete, por exemplo, a nossa maneira mais “carinhosa” ou mais “íntima” de pedir ou ordenar (“me dá” muito se diferencia de “dá-me”). Ao nosso ouvido, soam com mais amabilidade inúmeras construções que se desviam da regra. Por exemplo: “Não vou te ver” é considerada uma colocação incorreta; seguindo a regra, temos estas colocações (corretas, mas raríssimas): “Não te vou ver” ou “Não vou ver-te”.

Devemos reconhecer que esse tema é ainda abordado com certo conservadorismo, enfatizando normas que nos indicam usos muitas vezes questionáveis e incoerentes. Não tenhamos dúvida de ser a eufonia (som mais agradável) a razão de o pronome ocupar uma posição ou outra. Certa padronização, porém, foi destacando algumas palavras e estruturas e estabelecendo regras, as quais se vêm fixando (ou vêm se fixando?) mais por aspectos morfológicos e sintáticos do que propriamente pelo aspecto fonético e rítmico. Apesar de tudo, deve-se buscar um mínimo de correção.

A noção inicial é quanto aos pronomes que nos interessam. São eles denominados pronomes pessoais do caso oblíquo átono, ou simplesmente os pronomes átonos.

Pronomes pessoais
Caso reto – eu, tu, ele (ela), nós, vós, ele (elas)
Caso oblíquo átono – me, te, se, o(s), a(s), lhe(s), nos, vos
Caso oblíquo tônico – mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco

TIRANDO DÚVIDAS
AMPLIAR
É pleonástico a forma ampliado por mais um mês, porque o verbo já tem o sentido de “aumentar”. Portanto, em vez de O prazo foi ampliado por mais um mês, usa-se O prazo foi ampliado em um mês.

CERCA DE
Essa expressão é usada para indicar número aproximado, arredondamento de valores, não devendo, portanto, aparecer com números que não sejam redondos. Diz-se cerca de quinhentas pessoas (não: cerca de 487 pessoas).

ERROS GRAMATICAIS

dom, 04/12/11
por pautar |
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1º) A econômia mundial faz projeção positiva para 2012.
Devido à semelhança visual e por um momentâneo descuido de quem escreve, acontece o cruzamento de algumas palavras. Por exemplo, econômico deve ser acentuado, mas outras palavras da família não: economicamente, economia, economizar etc. Quando o acento aparece em lugar indevido, somos, geralmente, traídos pela nossa memória visual. Observe alguns erros comuns: cafézinho, melância, sózinho, secretária (o lugar), recíprocamente, jurídicamente, juíz, emergêncial, sómente, compôr, repôr. Essas palavras devem aparecer sem acento.

2º) Fez-se um investimento para depois dividí-lo.
Como em um álbum fotográfico, comparamos a imagem das palavras e suas semelhanças, criando, muitas vezes, falsas analogias. Por exemplo: por acentuar instruí-lo, estende-se esse acento a dividí-lo, produzindo uma falha de acentuação.

Acentua-se instruí-lo pela regra dos hiatos, do i e u tônicos, formação que sempre terá uma vogal anteposta: construí-lo, constituí-lo, incluí-lo, instruí-lo etc.

dividi-lo não recebe acento devido à regra das oxítonas (só são acentuadas as terminadas em a, e, o e em e respectivos plurais). Por isso, sem o acento, são formas corretas: reparti-lo, conduzi-lo, nutri-lo, preveni-lo etc.

Esse tipo de falha nasce porque ficamos apenas atentos às igualdades (são palavras terminadas em i e a tônica está na última sílaba). Passe, portanto, a marcar uma diferença: a) quando recebe acento, tem-se uma vogal anteposta (substituí-lo); b) quando não se pode acentuar, há uma consoante anteposta (presidi-lo).

O olhar deve voltar-se não somente para a vogal i mas também para a letra que a antecede.

3º) Muitos participaram da festa beneficiente.
Falha comum. Atente-se para a ortografia: beneficente. Verifique algumas palavras que também trazem dúvidas de grafia: ascensão, bem-vindo, catequese, catequizar, empecilho, frustrado, obcecado, obsceno, obsessão, paralisar, pretensão, privilégio, suspensão.

DICAS GRAMATICAIS
“Zero ano”
Não use a forma as crianças de zero a quatro anos. O certo: as crianças até 4 anos.



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