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ARTE

seg, 26/09/11
por pautar |
categoria Sem Categoria

“Arte é muitas coisas. Uma das coisas que a arte é, parece, é uma transformação simbólica do mundo. Quer dizer: o artista cria um mundo outro – mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata. Naturalmente, esse mundo outro que o artista cria ou inventa nasce da sua cultura, de sua experiência de vida, das ideias que ele tem na cabeça, enfim, de sua visão de mundo”. (GULLAR, Ferreira. Sobre arte. Rio de Janeiro, Avenir/Palavra e Imagem, 1982.)

Cada época, cada grupo social, cada indivíduo tem uma forma própria de compreender e conceituar a arte, por se tratar de um fenômeno cultural ao qual não se pode aplicar uma definição única e rigorosa.

No entanto, há uma unanimidade em torno da ideia de que arte é percepção e expressão da realidade, na medida em que o artista cria formas sensíveis que interpretam o mundo e as coloca à disposição da sociedade.

Essas formas sensíveis – a tela pintada, a escultura, a cerâmica, a dança, a música, o teatro, a literatura – constituem “leituras do mundo”. Ou seja, são jeitos particulares, especiais, singulares de perceber um dado aspecto do universo e de “traduzi-lo”. Desse modo, uma obra de arte não é uma cópia fiel da realidade; é sim uma reinvenção a partir da imaginação do artista que se utiliza dos recursos disponíveis e possíveis para compô-la.

Toda obra de arte apenas representa o real; não é a própria realidade, e sim a criação de uma suprarrealidade que imita a vida, o mundo e seus elementos.

PEGADINHA GRAMATICAL
ERRADO:
Ou eu ou você teremos de viajar na próxima semana.
CERTO: Ou eu ou você terá de viajar na próxima semana.
Quando repetimos a conjunção “ou” (= ou… ou), é para ficar clara a ideia de exclusão, ou seja, somente um vai viajar: se eu for, você não vai; se você for, eu não vou. Nesse tipo de construção, não existe a possibilidade de “nós” viajarmos. Quando o sujeito composto apresenta essa ideia de exclusão, o verbo deve concordar com o núcleo mais próximo. Veja as duas possibilidades: “Ou eu ou você terá de viajar” e “Ou você ou eu terei de viajar”.

A pegadinha
Não havendo a ideia de exclusão, ou seja, havendo três possibilidades (= ou eu ou você ou nós), o verbo pode concordar no plural: “Eu ou você talvez tenhamos de viajar na próxima semana”. Nesse caso, não podemos repetir a conjunção coordenativa alternativa “ou”. Existe, ainda, outra interpretação: “O pintor ou o escultor merecem igualmente o prêmio”. Nesse caso, o uso do verbo no plural é obrigatório porque a conjunção “ou” apresenta uma ideia aditiva (= e): “O pintor e o escultor merecem igualmente o prêmio”. Se é “igualmente”, é porque os dois merecem o prêmio.

 

 

AMBIGUIDADE

dom, 18/09/11
por pautar |
categoria Sem Categoria

Leia a piada que segue e perceba que o marido dá uma interpretação surpreendente à fala da mulher.

De noite, enquanto Lourenço lê o jornal, a esposa comenta:

– Você já percebeu como vive o casal que mora aí em frente? Parecem dois pombinhos apaixonados! Todos os dias, quando ele chega em casa, traz flores para ela, abraça-a e os dois ficam se beijando apaixonadamente. Por que você não faz isso?

E o marido:

– Mas, querida, eu mal conheço essa mulher!

O termo isso causa ambiguidade, porque pode se referir apenas aos gestos do marido da vizinha (trazer flores, abraçar a esposa, beijar apaixonadamente), mas pode também sugerir que Lourenço deva trazer flores para a mulher do vizinho, abraçar e beijar a mulher do vizinho.

Há algumas palavras, como os pronomes demonstrativos este, isso, essa. (d)esse, (n)isso etc., que se referem de modo vago a ideias anteriormente apresentadas em um texto e podem provocar ambiguidade indesejada. Para evitar problemas de interpretação, às vezes é necessário buscar outra formulação para a frase, substituindo os pronomes demonstrativos. Na piada, a esposa teria evitado o erro de interpretação do marido se tivesse perguntado “Por que você não faz isso comigo?”.

Para evitar ambiguidades no uso de pronomes demonstrativos, observe:

Regra
Se numa frase existem dois termos que serão em seguida retomados por pronomes, emprega-se aquele, aquela ou aquilo para indicar o termo mais distante e emprega-se este, esta ou isto para se referir ao termo mais próximo.

Ex.: Gostava das caminhadas e dos livros. Aquelas porque lhe sacudiam ossos; estes porque lhe sacudiam as ideias.

PEGADINHA GRAMATICAL
Errado:
“Ganhou cerca de 1,5 milhões de reais”.
Certo: “Ganhou cerca de 1,5 milhão de reais”.
Cerca de 1,5 milhão de reais significa cerca de um milhão e quinhentos mil reais. Quando abreviamos R$ 1.500.000 para 1,5 milhão de reais, a casa de milhão é a que fica antes da vírgula. Observe mais exemplos: 2,1 milhões = dois milhões e cem mil; 1,3 bilhão = um bilhão e trezentos milhões; 4,1 bilhões = quatro bilhões e cem milhões.

A pegadinha
A concordância com a palavra milhão, a princípio, deve ser feita no singular: “Um milhão compareceu à solenidade”; “Foi gasto um milhão de reais”. Quando o milhão vem acompanhado de um especificador no plural, a concordância torna-se facultativa: “Um milhão de pessoas compareceu ou compareceram à solenidade”. Existe, hoje, uma visível preferência pela concordância com o especificador, principalmente na voz passiva com os verbos de ligação: “Um milhão de reais foram gastos“; “Um milhão de crianças já foram vacinadas“; “Um milhão de mulheres estão grávidas“.

LITERATURA: PERÍODOS LITERÁRIOS

seg, 12/09/11
por pautar |
categoria Sem Categoria

O período literário pressupõe adesão a normas e princípios comuns, influências sociais, culturais e ideológicas e princípios estéticos semelhantes.

Uma escola literária representa o agrupamento de autores e de textos. A escola pode também ser entendida como conjunto de texto que se aproximam em virtude de identificação com determinada obra que foi precursora ou inaugural. Por isso é que se ouve falar, por exemplo, em escola romântica, realista etc.

Dentro de um mesmo período literário – escola ou movimento literário – que guarda características comuns, podem coexistir enfoques que exageram tais características, como a produção do romantismo brasileiro, por exemplo, em que há uma corrente de autores classificados como ultrarromânticos, que se caracterizavam por escritos em que exageravam na exaltação da subjetividade, do individualismo, do idealismo amoroso.

Há, também, os períodos de transição entre uma escola e outra, momentos de busca e definição em que faltam elementos caracterizadores essenciais para conexão neste ou naquele período.

Os períodos literários são marcados por datas de início e de fim. No entanto, essa é apenas uma tentativa de ordenação e simplificação didática, pois o surgimento, a evolução e a decadência de uma escola ou de um movimento não são arbitrários, nem ocorrem apenas pela vontade dos artistas. Ao contrário, resultam de um processo complexo de influências do pensamento de cada época sobre os indivíduos.

Circunstâncias históricas, crises políticas, mudanças violentas ou condições opressivas, a publicação de uma obra que rompe com o estilo vigente, entre outros fatos podem criar um movimento artístico, de um estilo novo e de uma nova maneira de registrar as coisas, que se torna urgente para os escritores e os artistas em geral.

PEGADINHA GRAMATICAL
Inadequado:
“Não há quase nenhuma correção a fazer”.
Adequado: “Não há quase correção a fazer”.
Se não existe “meia correção” e o pronome nenhuma indica ausência absoluta, a combinação “quase nenhuma” é absurda. Estamos diante de uma contradição: ou não há nenhuma correção a fazer ou não há quase correção a fazer. Se a intenção do falante é dizer que o trabalho está quase perfeito, com pouquíssimos erros para corrigir, basta eliminar o pronome nenhuma: “Não há quase correção a fazer”. No caso de o trabalho estar de fato perfeito, então devemos dizer que “não haverá nenhuma correção a fazer”.

A pegadinha
Deu num bom jornal: “Jogador custa quase mais de um milhão de dólares”. Gostaria de saber quanto custa o tal jogador. O repórter, certamente, estava inseguro. Acabamos deduzindo que o preço do atleta deve ser mesmo de um milhão de dólares, pois o “quase” e o “mais” se anulam. Assim sendo, não seria mais simples dizer que o “jogador custa um milhão de dólares”?

DICAS GRAMATICAIS
“À la”
Use à, apenas, e não à la em frases como: Piloto à Senna (e não à la Senna), decisão à mineira (e não à la mineira). Igualmente, filé à moda (e não à la moda).

 

LITERATURA: ESTILOS DE ÉPOCA

seg, 05/09/11
por pautar |
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O ser humano se modifica através dos tempos: muda sua forma de pensar, de sentir e de ver o mundo. Consequentemente, promove mudanças nos valores, nas ideologias, nas religiões, na moral, nos sentimentos. Por isso, é natural que as obras literárias apresentem características próprias do momento histórico em que são produzidas. Em certas épocas, por exemplo, determinados temas podem ser mais explorados do que outros; já em outras épocas, os escritores podem estar mais interessados no trabalho formal com os textos do que nas ideias, e assim por diante.

Ao conjunto de textos que apresentam certas características comuns em determinado momento histórico, chamamos estilo de época ou movimento literário. Ao escrever, o escritor recebe influências e sofre coerções do grupo de escritores do seu tempo, mas isso não quer dizer que ele sempre se limite aos procedimentos comuns àquele grupo. Como a literatura é um organismo vivo e dinâmico, o escritor está em constante diálogo não só com a produção do grupo local mas também com a produção literária de outros países, com a literatura do passado e, mesmo sem saber, com a do futuro. Por isso, não é difícil os escritores surpreenderem e levarem a literatura a uma situação completamente inusitada. Assim foi com Camões em Portugal, com Cervantes na Espanha e com Machado de Assis e Guimarães Rosa no Brasil.

TIRANDO DÚVIDAS
DICIONÁRIO “CALDAS AULETE”
CAMPUS
sm.
1 Área na qual se encontram os prédios, terrenos e instalações de uma universidade (ou de parte dela, de alguns de seus setores); o conjunto desses prédios, terrenos etc. [Pl.: campi.]

DICIONÁRIO “AURÉLIO”
Campus
Substantivo masculino.
1. O conjunto de edifícios e terrenos de uma universidade. [Pl.: campi.]

Volp 5ª Edição 2009
campus s.m. lat.

TIRA-DÚVIDAS DE PORTUGUÊS DE A A Z – Alpheu Tersariol
CAMPUS // CAMPI
O termo campus significa “o conjunto de edifícios e terrenos de uma universidade”. Por ser uma palavra latina (pertence à segunda declinação) forma o plural campi.
[...]
O termo campus é uma palavra paroxítona e, por se tratar de uma palavra latina (mesmo sendo empréstimo) não admite acento. Assim está registrada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras. É o nominativo singular de “campus, i”, 2ª declinação. O seu plural é campi, também sem acento.

CORRIJA-SE! de A a Z – Luiz Antonio Sacconi
campus qual o significado?
Esse latinismo significa espaço, área ou conjunto de terras ou terrenos que pertence a uma universidade ou a um hospital. Pronuncia-se kâmpus. Pl.: campi (pronuncia-se kâmpi). (…). Mas se determinado latinismo ainda não foi aportuguesado, não deve receber acento. É o caso de campus, campi. Se houvesse o aportuguesamento, grafar-se-ia campus, no singular, e também campus, no plural, já que se trataria de forma comum aos dois números. Enquanto o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) não registrar o aportuguesamento desse latinismo, teremos de usar campus para o singular e campi para o plural.
[...]

MANUAL DE REDAÇÃO PROFISSIONAL – José Maria da Costa
[...]
6. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras, que é o órgão oficial para definir quais os vocábulos que integram nosso léxico, considera tal palavra ainda integrando o latim, e a registra, portanto, sem acento (campus), dando-lhe por plural campi, devendo ser essa, assim, oficialmente, sua grafia, até por força do princípio de que essa é a lei (legem habemus).
[...]

 



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