ARTE
“Arte é muitas coisas. Uma das coisas que a arte é, parece, é uma transformação simbólica do mundo. Quer dizer: o artista cria um mundo outro – mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata. Naturalmente, esse mundo outro que o artista cria ou inventa nasce da sua cultura, de sua experiência de vida, das ideias que ele tem na cabeça, enfim, de sua visão de mundo”. (GULLAR, Ferreira. Sobre arte. Rio de Janeiro, Avenir/Palavra e Imagem, 1982.)
Cada época, cada grupo social, cada indivíduo tem uma forma própria de compreender e conceituar a arte, por se tratar de um fenômeno cultural ao qual não se pode aplicar uma definição única e rigorosa.
No entanto, há uma unanimidade em torno da ideia de que arte é percepção e expressão da realidade, na medida em que o artista cria formas sensíveis que interpretam o mundo e as coloca à disposição da sociedade.
Essas formas sensíveis – a tela pintada, a escultura, a cerâmica, a dança, a música, o teatro, a literatura – constituem “leituras do mundo”. Ou seja, são jeitos particulares, especiais, singulares de perceber um dado aspecto do universo e de “traduzi-lo”. Desse modo, uma obra de arte não é uma cópia fiel da realidade; é sim uma reinvenção a partir da imaginação do artista que se utiliza dos recursos disponíveis e possíveis para compô-la.
Toda obra de arte apenas representa o real; não é a própria realidade, e sim a criação de uma suprarrealidade que imita a vida, o mundo e seus elementos.
PEGADINHA GRAMATICAL
ERRADO: Ou eu ou você teremos de viajar na próxima semana.
CERTO: Ou eu ou você terá de viajar na próxima semana.
Quando repetimos a conjunção “ou” (= ou… ou), é para ficar clara a ideia de exclusão, ou seja, somente um vai viajar: se eu for, você não vai; se você for, eu não vou. Nesse tipo de construção, não existe a possibilidade de “nós” viajarmos. Quando o sujeito composto apresenta essa ideia de exclusão, o verbo deve concordar com o núcleo mais próximo. Veja as duas possibilidades: “Ou eu ou você terá de viajar” e “Ou você ou eu terei de viajar”.
A pegadinha
Não havendo a ideia de exclusão, ou seja, havendo três possibilidades (= ou eu ou você ou nós), o verbo pode concordar no plural: “Eu ou você talvez tenhamos de viajar na próxima semana”. Nesse caso, não podemos repetir a conjunção coordenativa alternativa “ou”. Existe, ainda, outra interpretação: “O pintor ou o escultor merecem igualmente o prêmio”. Nesse caso, o uso do verbo no plural é obrigatório porque a conjunção “ou” apresenta uma ideia aditiva (= e): “O pintor e o escultor merecem igualmente o prêmio”. Se é “igualmente”, é porque os dois merecem o prêmio.
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