AMBIGUIDADE
Leia a piada que segue e perceba que o marido dá uma interpretação surpreendente à fala da mulher.
De noite, enquanto Lourenço lê o jornal, a esposa comenta:
– Você já percebeu como vive o casal que mora aí em frente? Parecem dois pombinhos apaixonados! Todos os dias, quando ele chega em casa, traz flores para ela, abraça-a e os dois ficam se beijando apaixonadamente. Por que você não faz isso?
E o marido:
– Mas, querida, eu mal conheço essa mulher!
O termo isso causa ambiguidade, porque pode se referir apenas aos gestos do marido da vizinha (trazer flores, abraçar a esposa, beijar apaixonadamente), mas pode também sugerir que Lourenço deva trazer flores para a mulher do vizinho, abraçar e beijar a mulher do vizinho.
Há algumas palavras, como os pronomes demonstrativos este, isso, essa. (d)esse, (n)isso etc., que se referem de modo vago a ideias anteriormente apresentadas em um texto e podem provocar ambiguidade indesejada. Para evitar problemas de interpretação, às vezes é necessário buscar outra formulação para a frase, substituindo os pronomes demonstrativos. Na piada, a esposa teria evitado o erro de interpretação do marido se tivesse perguntado “Por que você não faz isso comigo?”.
Para evitar ambiguidades no uso de pronomes demonstrativos, observe:
Regra
Se numa frase existem dois termos que serão em seguida retomados por pronomes, emprega-se aquele, aquela ou aquilo para indicar o termo mais distante e emprega-se este, esta ou isto para se referir ao termo mais próximo.
Ex.: Gostava das caminhadas e dos livros. Aquelas porque lhe sacudiam ossos; estes porque lhe sacudiam as ideias.
PEGADINHA GRAMATICAL
Errado: “Ganhou cerca de 1,5 milhões de reais”.
Certo: “Ganhou cerca de 1,5 milhão de reais”.
Cerca de 1,5 milhão de reais significa cerca de um milhão e quinhentos mil reais. Quando abreviamos R$ 1.500.000 para 1,5 milhão de reais, a casa de milhão é a que fica antes da vírgula. Observe mais exemplos: 2,1 milhões = dois milhões e cem mil; 1,3 bilhão = um bilhão e trezentos milhões; 4,1 bilhões = quatro bilhões e cem milhões.
A pegadinha
A concordância com a palavra milhão, a princípio, deve ser feita no singular: “Um milhão compareceu à solenidade”; “Foi gasto um milhão de reais”. Quando o milhão vem acompanhado de um especificador no plural, a concordância torna-se facultativa: “Um milhão de pessoas compareceu ou compareceram à solenidade”. Existe, hoje, uma visível preferência pela concordância com o especificador, principalmente na voz passiva com os verbos de ligação: “Um milhão de reais foram gastos“; “Um milhão de crianças já foram vacinadas“; “Um milhão de mulheres estão grávidas“.
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21 setembro, 2011 as 08:38
prof.
é correto: à zero hora? ou
às zeros horas?
abs,
cesar
21 setembro, 2011 as 19:40
Saudações!!!
Grande Cesar Arruda…
RESPOSTA: zero hora
Dessa forma e não zero horas: “As tarifas postais estão mais caras desde zero horade hoje”. (JB, 7/12/91). Observe-se que zero hora de 7/12/91, por exemplo, corresponde à meia-noite de 6/12/91. O horário de verão começou à zero hora de 16/10/94 (domingo) e terminou à meia-noite de 18/2/95 (sábado). Pode-se contestar a existência de zero hora, mas o uso tornou a expressão tão comum que já não se deve condená-la, pelo menos em jornalismo.
zero hora, zero grau Sem hífen. O uso de “zero” deixa a palavra seguinte no singular; por isso, não diga “zero horas”, “zero graus”. (“Português fácil”, Douglas Tufano)
Certo da sua compreensão…
Um abraço!!!