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EMPREGO DO PRONOME DEMONSTRATIVO

seg, 31/10/11
por pautar |
categoria Sem Categoria

1 – Posição no espaço:
Este, esta, isto – indicam que o ser a que se referem está próximo da 1ª pessoa (aquela que fala): “Caso se machuque quebrando o vidro, quebre este vidro”.

Esse, essa, isso – indicam que o ser a que se referem está próximo da 2ª pessoa (aquela com quem se fala): O dinheiro é suficiente para pagar o que você deve por essa roupa.

Aquele, aquela, aquilo – indicam que o ser a que se referem está próximo da 3ª pessoa (a respeito de quem se fala) ou distante de todas elas: Ficamos indignados ao ver aquele velho ser levado para fora.

Obs.: Essas distinções nem sempre são obedecidas na linguagem informal. Na prática, as distinções resumem-se a duas: este / esse em oposição a aquele.

2 – Posição de tempo:
Este, esta, isto – tempo presente em relação ao falante: Este momento é inesquecível.

Esse, essa, isso – tempo passado relativamente próximo em relação ao falante: Essa noite foi memorável.

Aquele, aquela, aquilo – tempo distante em relação ao falante: Aquele tempo não volta mais.

3 – Posição no texto
Esse, essa, isso – remete a algo que já foi expresso no texto: “Este cantil contém a água que nos fará viver ou morrer no deserto, Seymour. Nossa vida é essa água!”

Este, esta, isto – anuncia algo que será dito: A verdade é esta: não compreendi suas razões.

Este, esta, aquele, aquela – se um texto cita duas realidades (dois nomes, duas ideias), o pronome de 1ª pessoa remete àquela que se encontra mais próxima no texto; o pronome de 3ª pessoa remete àquela que está mais distante no texto: Gosto de vinho e de água durante as refeições: aquele para saborear com a carne; esta, com a salada.

PEGADINHA GRAMATICAL
ERRADO
: “É preciso que nossa empresa capture mais recursos”.
CERTO: “É preciso que nossa empresa capte mais recursos”.

É possível que o tal empresário estivesse preocupado com a “fuga” de recursos. E bem provável que ele tenha confundido os verbos captar e capturar por causa da semelhança. Captar é “atrair, conquistar”, e capturar é “prender, aprisionar”. O verbo capturar é, geralmente, usado para foragidos e para animais: “Os prisioneiros que fugiram já foram capturados ontem”; “Os bombeiros ainda não capturaram o leão que fugiu do circo”.

A PEGADINHA
As aves foram capturadas ou apreendidas? Depende. Se as aves fugiram, elas podem ser capturadas; mas, se as aves estavam sendo vendidas ilegalmente, elas devem ser apreendidas. Apreender é “apropriar-se judicialmente”; “A polícia apreendeu o contrabando”; “Duas toneladas de maconha foram apreendidas na fronteira”.

OS TERMOS INTEGRANTES E A PONTUAÇÃO

seg, 24/10/11
por pautar |
categoria Sem Categoria

Os complementos verbais e o complemento nominal integram o sentido de verbos e nomes, estabelecendo com eles conjuntos significativos. Essa relação não deve ser interrompida por uma vírgula mesmo quando os complementos estiverem antepostos ao termo que complementam:

a) Deve-se reagir às palavras dos provocadores com sensatez.

b) Às palavras dos provocadores deve-se reagir com sensatez.

c) A todos os interessados comunicamos os novos preços dos cursos de especialização.

d) Não havia necessidade de tanta violência.

e) De tanta violência não havia necessidade.

Os termos intercalados entre um verbo ou um nome e seus complementos devem ser isolados por vírgulas (é indispensável que se coloque uma vírgula antes e outra depois do termo intercalado):

Perceba, meu colega, as vantagens da nossa situação.

Quando os complementos verbais ou nominais são formados por mais de um núcleo, devem-se adotar os mesmos procedimentos aplicados aos sujeitos compostos:

a) Compramos doces, salgados, refrigerantes.

b) Ele pediu dinheiro, roupas ou comida?

c) Mandou buscar parentes, amigos e vizinhos para a cerimônia.

d) Exige atenção, e carinho, e dedicação, e devoção exclusiva.

Nas construções em que ocorra objeto direto ou indireto pleonástico, deve-se usar a vírgula:

a) Aquelas flores, colhera-as para dar de presente.

b) Aos presentes, disse-lhes algumas poucas palavras.

Ao agente da passiva são aplicados esses mesmos princípios de pontuação.

PEGADINHA GRAMATICAL
Inadequado:
“Os assaltos aconteceram precisamente entre as 18 horas e as 20 horas”.
Adequado: “Os assaltos aconteceram entre as 18 horas e as 20 horas”.

O advérbio precisamente significa “com precisão”. Só podemos utilizá-lo quando se quer precisar algo, quando é necessário determinar a hora com exatidão. Se a ideia não for precisa, podemos usar o advérbio aproximadamente ou expressões do tipo “por volta de”, “em torno de”: “O assalto aconteceu aproximadamente às 18 horas”.

A PEGADINHA
É inadequado usar o advérbio aproximadamente quando o número for preciso: “Compareceram ao encontro aproximadamente 453 pessoas” ou “A reunião começou aproximadamente às 15h17″. Agora, poderíamos usar os advérbios precisamente ou exatamente: “Compareceram ao encontro precisamente 453 pessoas” e “A reunião começou exatamente às 15h17″.

OS TERMOS ESSENCIAIS E A PONTUAÇÃO

seg, 17/10/11
por pautar |
categoria Sem Categoria

O sujeito e o predicado são chamados termos essenciais porque constituem a estrutura básica das orações mais típicas da língua portuguesa. Por isso, a ligação que mantêm entre si não pode ser interrompida por uma vírgula, mesmo quando o sujeito é muito longo ou vem posposto ao predicado:
a) Várias tentativas de estabelecer uma nova relação entre os setores produtivo e financeiro resultaram em fracasso.

b) Ocorreram diversas manifestações contra a corrupção.

A intercalação de termos entre o sujeito e o predicado deve ser marcada por vírgula. É indispensável que, nesses casos, haja uma vírgula antes e outra depois do termo intercalado:
a) Os ministros, ontem à noite, encaminharam um pedido coletivo de demissão.

b) A vida, meus amigos, é um mergulho na bruma.

Usa-se vírgula para separar os núcleos de um sujeito composto:
Pedaços de madeira, restos de tijolos, montículos de areia, amontoados de pequenas pedras compunham o cenário da obra abandonada.

Se o último desses núcleos for introduzido pela conjunção, deve-se empregar a vírgula:
a) Moviam-se incessantemente as pessoas, e os animais, e os seus reflexos e sombras.

b) Nem você, nem ela, nem o próprio dono desta espelunca me farão mudar de ideia.

Nas orações de predicado verbo-nominal em que o predicativo do sujeito é anteposto ao verbo, usam-se vírgulas para isolá-lo: a) Aborrecido, o homem velho afastou-se devagar.

b) O homem velho, aborrecido, afastou-se devagar.

A vírgula pode também indicar a omissão de um verbo:
No chão, vários objetos quebrados.

PEGADINHA GRAMATICAL
INADEQUADO:
“Ele é nosso empregado a partir de abril de 2004″.
ADEQUADO: “Ele é nosso empregado desde abril de 2004″.
Não devemos usar a expressão “a partir de” quando a referência for a tempo passado. Para isso, temos a preposição “desde”: “Ele está morando em São Luís desde 1973″. Só usaremos a expressão “a partir de” se a referência for a tempo presente ou a tempo futuro: “O contrato está valendo a partir de hoje”; “Ele será nosso empregado a partir do próximo mês”.

A pegadinha
Um grande empresário teria começado sua fala assim: “Desde que sou pequeno…”. Isso só seria possível se alguém, depois de ser grande, foi decrescendo, até ficar pequeno… Talvez um gigante que tenha ficado anão!!! É lógico que o nosso humilde empresário se referia ao desempenho econômico da sua empresa, que já tinha sido uma grande potência, mas agora se tornou pequena no mercado.

A CONSTRUÇÃO DO ENREDO

dom, 09/10/11
por pautar |
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“Yufá era um menino tonto e desajeitado. Certa vez foi visitar os vizinhos numa fazenda. Como o viram tão mal-arrumado, soltaram os cães em cima dele. Sua mãe se entristeceu e lhe arranjou um lindo casacão, uma calça e um jaleco de veludo. Vestido como um cavalheiro, Yufá retornou à fazenda onde tinha sido mal recebido. Acolheram-no muito bem, convidaram-no para o almoço e cobriram-no de elogios. Quando trouxeram a comida, Yufá a levava à boca e a punha nos bolsos e no chapéu, dizendo: Comam, comam, minhas roupinhas, pois você é que foram convidados, não eu”.

São Paulo, IstoÉ, nº 1.382.

A historinha apresenta um conflito entre a personagem e os outros participantes: assim se organiza o enredo. O enredo é a sequência de acontecimentos da história, a rede de situações que as personagens vivem, a trama das ações que elas fazem ou que elas sofrem.

Toda narrativa tem enredo: o que aconteceu e como aconteceu. Observe que o desenvolvimento do enredo é organizado em função do conflito entre a personagem principal e forças adversárias a ela, pela luta da personagem para realizar seus desejos, projetos, sonhos, objetivos.

A história apresenta um conflito entre a protagonista e os elementos opositores, entre os quais encontramos as personagens adversárias. Reconhecemos um exemplo típico desse embate nos enredos românticos do tipo herói X vilão; no entanto, há inumeráveis formas de conflito, muito mais complexas e sutis. De um modo geral, a personagem está em luta com antagonistas, ou com o mundo, ou com o seu destino, ou consigo mesma. O desenrolar do enredo dá-se pela apresentação e desenvolvimento esse conflito que se intensifica até o clímax, para se solucionar apenas no desfecho da história.

PEGADINHA GRAMATICAL
ERRADO:
Sua decisão desagradou o presidente.
CERTO: Sua decisão desagradou ao presidente.
Os verbos agradar e desagradar são transitivos indiretos. Isso significa que o uso da preposição “a” é obrigatório: “O espetáculo agradou ao público”; “O jogo agradou aos torcedores”; “A peça agradou à plateia”; “Isto tudo desagrada aos dirigentes”; “Sua resposta desagradou à diretoria”.

A PEGADINHA
O verbo agradar merece atenção especial. Agradar, no sentido de “ser agradável, deixar satisfeito” é transitivo indireto. Hoje, porém, tornou-se frequente o uso do verbo agradar com o sentido de “fazer agrado, fazer carícias, dar presentes etc.”. Nesse caso, o verbo agradar vem sendo usado como transitivo direto (= sem preposição): “a direção agradou os empregados com um dinheirinho extra”, “ela agradava o namorado em público”. Assim sendo, devemos tomar cuidado para não confundir “a secretária que agrada ao chefe” com “aquela que anda agradando o chefe“. No segundo caso, pode haver demissão.

A COMPREENSÃO DO CONTEÚDO

seg, 03/10/11
por pautar |
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Precisamos apurar nossa sensibilidade e nossa inteligência de leitores para desenvolver a capacidade de escrever. Para isso, é necessário: ler identificando as ideias do texto; ler percebendo o tipo de texto que estamos lendo e o modo como foi organizado; ler estabelecendo relações entre o que estamos lendo e o que pensamos; e ler tirando conclusões sobre o que lemos.

Um dos melhores exercícios para desenvolver a capacidade de compreender o que se lê é fazer um resumo do texto. Reproduzir as ideias principais do que lemos em algumas linhas, com as nossas palavras.

Sugestão de método: fazemos uma primeira leitura do texto, para entrar em contato com as ideias, para ter uma primeira noção do conjunto; em seguida, realizamos uma segunda leitura, sublinhando os momentos mais significativos e anotando às margens do texto as ideias principais; a partir do que foi assinalado e do que anotamos, fazemos então o resumo. È importante procurar ser o mais fiel possível ao pensamento do texto. Resumo não é comentário. Ao comentar, damos nossa opinião sobre as ideias lidas, o que pensamos sobre elas, se concordamos ou não com elas, explicando o porquê. Já resumir é interpretar e condensar, ou seja, reproduzir o conteúdo do texto. De modo sintético, em poucas palavras. Um resumo deve ter, no máximo, 1/4 ou 1/5 do texto original, sendo escrito de preferência com a nossa própria linguagem; depois de fazer o resumo, procure dar um título ao texto. O título deve ser uma espécie de síntese interpretativa que pode ser feita a partir do conjunto das ideias apresentadas no texto ou das que forem as mais significativas.

PEGADINHA GRAMATICAL
ERRADO:
Ele torce muito para o Flamengo.
CERTO: Ele torce muito pelo Flamengo.
Certo mesmo ele estaria se torcesse pelo Sampaio ou pelo Vasco da Gama (os meus times). O importante é que você saiba que não se torce “para”. Sempre torcemos “por” alguma coisa.

A pegadinha
Outro erro que ouvimos, frequentemente, no meio esportivo é o tal de “o torneio será decidido no saldo de gols”. No entanto, o correto é decidir o torneio pelo saldo de gols. É importante lembrar, também, que se vence, perde ou empata “por” qualquer placar. O correto, portanto, é dizer que “o Vasco da Gama venceu por três a zero”, “seu time perdeu por dois a um” e “as equipes empataram por zero a zero”.

MANUAL DE REDAÇÃO E ESTILO – “O GLOBO”
Empatar
“A e B empataram” é a forma mais isenta. “A empatou com B” sugere que A é mais importante para quem está escrevendo ou para quem vai ler.



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