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‘Nordeste Independente’

ter, 22/05/12
por romulo |
categoria Sem Categoria

A ignorância da estudante paulista, Mayara Petruso, condenada à pena de prestação de serviços à comunidade, além de ter recebido multa de R$ 620, por  veicular mensagem preconceituosa contra nordestinos no Twitter, após a vitória da presidenta Dilma Rousseff, nas eleições presidenciais de 2010, fez dela o símbolo maior da intolerância contra o Nordeste e sua gente.

Mayra também foi condenada ao pagamento de uma indenização por danos à sociedade, fixada em R$ 500,00, quantia que será destinada à ONG Safernet, que atua na prevenção de crimes cibernéticos.

Infelizmente, comportamentos como o dela não são raros na internet e redes sociais, onde, por qualquer motivo, as pessoas revelam seus instintos selvagens e mesquinhos.Posturas furiosas assim, reverberam rapidamente e na mesma proporção.

Não tivesse sido tão irascível, tão petulante, tão idiota mesmo, a jovem em questão poderia ter conquistado seus 15 minutos de fama de outra forma.

Agora, carregará pela vida inteira o ônus da besteira que fez. E, nas mesmas redes sociais em que atacou o Nordeste e os nordestinos, terá seu nome permanentemente vinculado à discriminação a este “recanto bonito do Brasil”.

Mas, o nordestino é calejado. Mayara fez mal a si própria. O Nordeste é maior e melhor do que ela pensa, se é que, algum dia, ela tenha pensado sobre.

Na década de 70 ou 80, não lembro bem, o genial poeta, escritor e jornalista paraibano, Bráulio Tavares, meu conterrâneo, criou um mote bem humorado exatamente sobre essa questão do preconceito contra o Nordeste. E o mote, por si só, era provocativo: “Imagine o Brasil ser dividido/E o Nordeste ficar independente”.

Ele mostrou a criação ao poeta-repentista, Ivanildo Vila Nova, eleito o “Cantador do Século XX”. Ivanildo e Bráulio glosaram o mote que, mais tarde, viraria “hit” na voz de Elba Ramalho.

Ao contrário do que escreveu Mayara, o “Nordeste Independente” não é nenhuma apologia ao separatismo e à intolerância. Antes, é uma obra-prima da criatividade dos dois poetas e só demonstra o quão rica é a cultura do nosso povo.

NORDESTE INDEPENDENTE
(Ivanildo Vilanova e Bráulio Tavares)

Já que existe no Sul este conceito
que o Nordeste é ruim, seco e ingrato,
já que existe a separação de fato
é preciso torná-la de direito.
Quando um dia qualquer isso for feito
todos dois vão lucrar imensamente
começando uma vida diferente
da que a gente até hoje tem vivido:
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Dividindo a partir de Salvador
o Nordeste seria outro país:
vigoroso, leal, rico e feliz,
sem dever a ninguém no exterior.
Jangadeiro seria o senador
o cassaco de roça era o suplente
cantador de viola o presidente
e o vaqueiro era o líder do partido.
Imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Em Recife o distrito industrial
o idioma ia ser “nordestinense”
a bandeira de renda cearense
“Asa Branca” era o hino nacional
o folheto era o símbolo oficial
a moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o Inconfidente
Lampião o herói inesquecido:
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

O Brasil ia ter de importar
do Nordeste algodão, cana, caju,
carnaúba, laranja, babaçu,
abacaxi e o sal de cozinhar.
O arroz e o agave do lugar
a cebola, o petróleo, o aguardente;
o Nordeste é auto-suficiente
nosso lucro seria garantido
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Se isso aí se tornar realidade
e alguém do Brasil nos visitar
neste nosso país vai encontrar
confiança, respeito e amizade
tem o pão repartido na metade
tem o prato na mesa, a cama quente:
brasileiro será irmão da gente
venha cá, que será bem recebido…
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Eu não quero com isso que vocês
imaginem que eu tento ser grosseiro
pois se lembrem que o povo brasileiro
é amigo do povo português.
Se um dia a separação se fez
todos dois se respeitam no presente
se isso aí já deu certo antigamente
nesse exemplo concreto e conhecido,
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

“Vou-me embora pro passado”

sex, 18/05/12
por romulo |
categoria Sem Categoria

Jessier Quirino é um poeta paraibano que o Brasil começa a conhecer. E a respeitar.
Ele é poeta, é repentista, é cantador…
Uma poesia requintada, mas com a pureza da alma nordestina.
Em “Vou-me embora pro passado”, ele faz uma viagem no tempo e resgata tudo o que a geração dos “enta” viveu.
Não há como não reviver o passado.
Então, vamos ‘simbora’ pra ele…

Diário de bordo

sex, 23/03/12
por romulo |
categoria Sem Categoria

A viagem é em um avião lotado, porém solitária.

Ao preço do bilhete, nem sempre barato, acrescento – por imperiosa necessidade – os 30 reais indispensáveis para ter direito ao que a companhia aérea chama de “assento conforto”.

Bem sei que é uma subversão do que sonhamos como conforto, mas, desconfortos à parte, meus 1.90m de altura ficam razoavelmente contemplados em qualquer uma das poltronas das fileiras 12 e 13, bem nas saídas de emergência.

Lembro-me que, ao visitar a fábrica da Boeing, em Seattle, em 2006,  a minha primeira preocupação foi a de indagar o porquê de o espaço entre as poltronas ser tão reduzido.

- Quem define isso é o comprador – assegurou-me o Public Relations da gigante da aviação.

Daí, sempre recordo da promessa feita pelo então Ministro da Defesa, Nelson Jobim, ele próprio tão alto quanto eu, de que o governo brasileiro iria exigir das companhias aéreas nacionais um espaço menos indecente entras as poltronas de nossas aeronaves.

Como todos sabem, não passou de uma jogada ‘pra galera’, ou melhor, para nós todos, sofridos passageiros desses trens de subúrbio voadores.

Obrigado, por força das minhas atividades profissionais, a fazer muitas viagens, a revolta diante dessa humilhação é recorrente.

E ela aumenta a cada decolagem, quando algum gaiato que não pagou pelo “conforto” aproveita o descuido dos comissários para se aboletar na poltrona supostamente confortável.

É a malandragem, esta instituição nacional da terra, mar e ar, demarcando o seu território. Malandro que é malandro sempre se julga dono de alguma coisa que não lhe pertence…

E lá vou eu, mais uma vez, fazendo a rota SLS/SP/SLS pela terceira vez consecutiva em menos de um mês.

Estivesse na Europa, lembra um passageiro ao meu lado, cruzaria três ou quatro países no mesmo espaço de tempo dispendido entre São Luís e São Paulo. Fazer o quê?

Apenas sonhar em ser respeitado como consumidor e rasgar os céus com um mínimo de conforto e dignidade.

Isto é que é respeito à Liberdade de Expressão

ter, 04/01/11
por romulo |
categoria Sem Categoria

Da Folha de São Paulo (4/1/2011)

Califórnia pune internauta que cria perfil falso na internet

Pena chega a R$ 1.650 para quem finge ser outra pessoa na rede

DE SÃO PAULO

Assumir a identidade de outra pessoa na internet para ferir, intimidar, ameaçar ou cometer fraudes agora é crime na Califórnia.
O projeto, do senador Joe Simitian, começou a valer no dia 1º. As penas para quem descumpre a lei podem ser de US$ 1.000 (aproximadamente R$ 1.650) e um ano de reclusão.
“Esse é o lado negro da revolução das redes sociais. Páginas no Facebook e no MySpace, e-mails, mensagens de texto e comentários em fóruns de internet têm sido usados para humilhar, atormentar pessoas e até colocá-las em perigo. As vítimas precisam de uma lei”, disse o senador, em seu site.
Ainda de acordo com Simitian, a nova lei se justifica porque “imitadores” on-line têm enviado mensagens pelo Twitter fingindo ser celebridades, alegado ser outra pessoa para enviar e-mails obscenos e até assumido a identidade de terceiros para fazer convites em sites adultos.
A nova regra também quer diminuir o “cyberbulling” -agressão ou humilhação pela internet. No projeto, o senador citou casos de adolescentes constrangidos em perfis falsos por todo o país.
“O que as pessoas achavam que era só brincadeira agora é violação da lei. Espero que esse seja o primeiro passo para mudar esse comportamento”, disse.”

Sobre o tema, caros leitores, já discorri em post anterior. Releia-o aqui

A cada Natal…

qui, 23/12/10
por romulo |
categoria Sem Categoria

A cada Natal, pergunto-me: e se conseguíssemos ser exatamente o que desejamos que os outros sejam e tenham a cada Natal?

Se conseguíssemos tornar concretos e verdadeiros, a cada Natal, os votos de paz, amor, felicidade, vida longa, prosperidade e de comunhão com Cristo?

A cada Natal, no entanto, embora sejam sinceros os votos, o que vemos é a exacerbação do materialismo, sacolas cheias em cheios corredores de shoppings, como se, cada Natal, fosse a última oportunidade para saciar os nossos desejos consumistas.

Por isso, pergunto-me, a cada Natal: “valem a pena os Natais assim”?

De minha parte, contento-me com um abraço afetuoso, um sorriso aberto, um beijo ardente, um cheiro no rosto, um brinde erguido a tudo o que a vida tem de bom a nos oferecer.

E desejo, a cada Natal, ser apenas um Homem bom, um bom pai de família, um amigo em quem se possa confiar, um trabalhador honesto, um cidadão de bem.

E mesmo que os meus defeitos sejam maiores que as virtudes que, a cada Natal persigo, tenho certeza, nesses últimos 47 Natais, de que tenho tentado ser e ter o que quero que os outros sejam e tenham.

Um Feliz Natal para todos. RBjs.

Demandas da cidadania

ter, 30/11/10
por romulo |
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As demandas reprimidas dos cidadãos de São Luís não cabem apenas na interdição de uma faixa da avenida Litorânea, aos domingos.

Elas são tantas, e tão importantes, que difícil seria enumerá-las. E crescem na exata proporção da ausência do Poder Público em muitos setores da vida da comunidade.

Sem querer, acabei depositário de muitas delas, a partir do reconhecimento, por parte da Prefeitura de São Luís, de uma sugestão desprentensiosamente lançada por este Blog e, cujo resultado, a população aprovou.

Não foram poucos os e-mails e telefonemas que recebi. Fiquei orgulhoso, sim, e envaidecido por ter ajudado na construção de um pouquinho da cidadania que todos queremos.

Ajudar o Poder Público a enxergar o que ainda não foi – e/ou está por ser – visto, é muito mais eficaz que simplesmente criticar por criticar. E mais fácil.

Quando as ideias são factíveis, melhor. Elas se transformam em ação e logo são materializadas. Foi o que aconteceu com a Litorânea: uma ação cidadã, não uma ação partidária.

Aos céticos, deixo o meu entusiasmo. Aos críticos, a constatação de que podemos melhorar. Aos apoiadores, a certeza de que é prazeroso combater o bom combate e dele sair vitorioso.

Não tem preço…

dom, 28/11/10
por romulo |
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VITÓRIA DA CIDADANIA

qui, 25/11/10
por romulo |
categoria Sem Categoria

Em um estado em que o cidadão parece ter cada vez menos importância e em uma cidade que não tem um parque público, áreas de lazer decentes nem opções gratuitas de lazer coletivo – excetuando a praia -, a ideia lançada por este RBLOG de fechar parte da Litorânea, aos domingos, para a diversão da população, não poderia ter desfecho melhor.

A Prefeitura acatou, ouviu donos de bares, estudou prós e contras e, finalmente, teremos a primeira experiência no próximo domingo, 28/11.

Como é natural, há quem seja contra e quem seja a favor. Mas, ninguém pode negar: foi uma raríssima vitória dos cidadãos e da cidadania.

Parabéns aos gestores da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes, Ribamar Oliveira e José Arthur Cabral, que ousaram incorporar um sentimento que, se não é de todos, é da maioria.

Este blog foi apenas o instrumento para reverberar esse sentimento.

E todos à Litorânea no domingo.

Dilma, Serra e a linguagem não verbal

ter, 24/08/10
por romulo |
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Semana passada, este blog fez rápida análise sobre os programas de estreia dos presidenciáveis na propaganda eleitoral gratuita, destacando o milagre da transformação de dois candidatos aparentemente antipáticos: Dilma e Serra.

Uma semana e muitos programas depois, um analista contratado pela Folha de São Paulo chegou à mesma conclusão. David Matsumoto, especialista em linguagem não verbal nos EUA (escreverá coluna no caderno Poder aos domingos), diz que a Dilma é uma pessoa muito intensa e que tenta controlar algum tipo de irritação, enquanto Serra tem um sorriso social, nada verdadeiro.

A análise do Matsumoto é muito interessante e vale a pena ser lida. Veja-a, abaixo:

ESTÁ NA CARA

Sorrisos de Dilma e Serra são sociais

DAVID MATSUMOTO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Já estive no Brasil muitas vezes por conta do judô, em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Sei que é um país muito forte nesse esporte. Mas não acompanho a política brasileira. Não sei nada sobre Dilma Rousseff e José Serra, suas convicções políticas, o passado deles.
É bom também lembrar que não sou cidadão brasileiro, por isso não voto e muito menos recebo benefícios de nenhum deles. Assim, pretendo passar nessa coluna apenas minhas impressões, que são baseadas no que vi nos trechos de vídeos que recebi, com legendas em inglês, da primeira propaganda eleitoral na TV.
Em primeiro lugar, os dois sorriem muito. São sorrisos sociais, não genuínos, o que é comum em candidatos em busca de uma aparência presidenciável. Isso aparece mais nele do que nela.
Dá para ver que Dilma é uma pessoa muito intensa. E que tem algum tipo de raiva ou irritação que ela tenta controlar. Não sei se é algo pessoal ou em relação à campanha, mas fica claro para mim que ela é o tipo de pessoa que eu nunca gostaria que ficasse brava comigo.
Quando fala sobre prisão, faz uma expressão bastante assustadora. Isso aparece claramente em seus olhos e na curva dos lábios. Tenta ser simpática, neutra ou agradável, mas parece ter dificuldade. Se isso é bom ou ruim para políticos, é outra questão.
Já Serra tem personalidade muito diferente. É mais apresentável, bem-apessoado, provavelmente querem que ele seja mais charmoso, mais agradável socialmente. Usa muitas expressões faciais para enfatizar o que diz. Geralmente, pessoas assim se passam por honestas em seus signos não verbais, e isso dá uma percepção de confiabilidade. O sorriso, porém, me chamou a atenção. É muito social, nada verdadeiro. Isso me faz pensar no quanto ele realmente se importa com as coisas de que está falando.
Dilma, por ser tão intensa, não passa dúvidas sobre seus sentimentos. Acho que ela tem problemas em aparentar ser uma boa pessoa. Serra, não: o problema dele é mostrar que está emocionalmente engajado.

Em depoimento a FERNANDA EZABELLA, de Los Angeles

O Horário da Propaganda Eleitoral Gratuita na TV

qua, 18/08/10
por romulo |
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Assisti à estreia da Propaganda Eleitoral Gratuita na TV. Livre da obrigação de coordenar a geração dos programas pela TV Mirante, o que acontecia desde 1992, pude – como telespectador, jornalista e pós-graduando em Direito Eleitoral – avaliar com mais distanciamento e, portanto, com a isenção devida, como os candidatos se comportaram naquilo em  que mais investem durante a campanha.

Com o fim dos showmícios e as limitações impostas à propaganda em geral, os candidatos passaram a apostar todas as suas fichas nos programas da propaganda eleitoral gratuita.

Os homens do Marketing, alçados à condição de mágicos, capazes de humanizar um José Serra e de tornar simpática uma Dilma Roussef, mostram as suas armas e, convenhamos, conseguem proezas.

No primeiro programa, Dilma foi mostrada como a timoneira do Governo Lula, uma mulher lutadora, perseguida e presa pela ditadura militar, mãe de família e mulher elogiada pelo ex-marido.

A trajetória de vida foi narrada em tom comovente e com  imagens de forte apelo emocional, com velhos clichês como o do passeio com um cão por um parque. Dilma criança, Dilma estudante, Dilma jovem, Dilma presa, Dilma secretária-ministra-candidata e, sem trocadilhos, Dilma, a mulher do Lula.

José Serra, o austero ex-ministro e ex-governador, ex-menino pobre, ex-estudante de escola pública, sorriu com aparente naturalidade, sinal da eficiência dos seus marqueteiros.

Marina, com narrativa em off, foi apocalíptica: “nos ultimos 50 anos a Terra mudou mais do que em todas as gerações da humanidade”.

Por qualquer ângulo que possamos olhar, não resta dúvida de que Dilma foi mais convincente e, seu programa, mais competente.

E, por qualquer ângulo que possamos analisar, é importante assistirmos aos programas da propaganda eleitoral gratuita.

Porque por mais ‘maquiados’ que sejam (ou estejam) os candidatos, sempre poderemos olhar para além das eventuais máscaras e tirá-las juntamente com as nossas conclusões.

Vale a pena ver. De novo.



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