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TÁ LIGADO?

dom, 16/08/09
por romulo |
categoria Sem Categoria

Uma leitora do blog me pediu espaço para publicar um artigo. De início, achei estranho e inusitado. Mas, ao ler o que ela escreveu me perguntei: poxa, por que não pensei nisso antes?

Ela trata com humor, ironia e muita precisão, das angústias de quem vive na ‘era da informação’. Angústias que são sentidas, em grande parte, por nós, jornalistas, obrigados a estar bem informados o tempo todo e a todo tempo.

Me identifiquei em cada linha do texto. E você, TÁ LIGADO?

“Sinto que a “era da informação” ficou para trás e a anunciada “era do conhecimento” foi ultrapassada, perdeu o lugar para a “era virtual”, na qual caímos de cabeça, ainda  atordoados em meio a tanta novidade e parafernália tecnológica.

Agora, além da obrigação moral de ter que estar sempre bem informado – sempre há aqueles malas que acham que jornalista que se preza tem que dar conta de tudo acontece no mundo, como se tivéssemos chips e não neurônios-, eis que mais uma angústia moderna vem atormentar a nossa existência: a de ter que estar on line.

Com a popularização da internet, quem não surfa não está in. Está por fora: out!. Se você não faz parte de uma “rede social”, é um ET. E é tudo em inglês, te mete!. Então nada de sítio. Você vai parecer que tem uma chacarazinha ou coisa parecida. Ou que é muuuuuuuuuuito cafona, ou velho.

É um tal de Orkut, Facebook, Flickr…Acabo de descobrir uma Porkut. Achei que era a comunidade dos porcos chauvinistas. Nada disso, é dos torcedores do  Palmeiras. Ninguém te convidou pra entrar em uma? Hiiiiiiiii É grave.

Acabam de criar mais um verbo: Twittar. Eu já twitei, e tu, twuitaste?  Sabe o dicionário???? É coisa do passado. O negócio agora é googar, de Google – o novo “pai dos burros”. A um toque e todo mundo vira intelectual, do tipo falso, lógico, sabe de tudo e não entende de nada.

Você não vive mais em sociedade, mas em comunidades. São milhares e você tem que se encaixar em alguma, nem que seja a do “adoro ovo frito”. Já não te chamam para uma visita, mas para fazer parte de alguma coisa: my space, num sei o quê, etc. Bate-papo? Só se for virtual. Aliás, você tem uma “second life”? Aquela coisa de ter duas famílias, amante, enrustido, coisa e tal não serve…

Onde você está? O que está fazendo? Quem você conhece? Se ninguém sabe, você simplesmente não existe. Não basta dar uma festa, viajar, arrumar namorado(a) novo(a), tem que botar na internet, com mensagens e fotos. Se ninguém comentar, aí não tem graça e você cai em depressão: “ninguém me liga”, “ninguém me quer”…

Todo mundo tem que saber de tudo, o tempo todo, de tudo. É e-mail que vem e vai, é post pra cima e pra baixo, é foto que sobe e desce, melhor, download, upload. AFF!!!., Num “guento”!!! Já não basta ligar pras pessoas e ouvir que você está “fora da área de serviço”?

E aquela linguagem bestial codificada!!???? O juízo dá voltas pra entender. Ninguém merece. Sabe aquela coisa que só fica bem em quem tem menos de 20 anos? É o caso. Acima disso não seja ridículo, por favor. De tanto escrever assim a prática do bom, velho e romântico português está em desuso; aí quando precisa escrever algo que faça sentido é um “Deus nos acuda”.

Aliás, a moda é ter um blog. Até o nome é abusado. É quase como ter um teto. Um lugar só seu, onde você faz o que quer e o diz o que bem entende. Aí todo mundo entende de tudo e dá opinião sobre qualquer assunto… E tome besteirol… Tô me sentindo uma ilha cercada de asneira por todos os lados. Se você não concorda com o moderador ele não vai deixar passar o seu comentário. Aí você se sente excluído. Exclusão virtual.

E as senhas? Meu Deus, o que é isso? É senha de secretária eletrônica, é senha de e-mail, de celular, laptop, palmtop, banco, disso e daquilo. Meus dedos doem (e as hemorróidas, idem) e se recusam a teclar. Greve geral das articulações. É a vitória da LER.

Já ia me esquecendo, sem saber, você está numa tal de nuvem.  Hã!?, nuvem? Não, você não é como estar viajando na ‘maionese’, não. Quer dizer um tal de emaranhado de informação que circula num tal espaço xis… Ah, deixa pra lá. Hoje é sexta-feira, relaxe e aproveite, pois a coisa só vai piorar. Tá ligado?
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DIA DOS PAIS

dom, 09/08/09
por romulo |
categoria Sem Categoria

Sou um pai feliz. Todos os dias, os dias todos. Thaís, a primogênita, 11 anos incompletos, e Rômulo Filho, 6 anos, fizeram-me um novo homem e, diariamente, dão-me motivos de sobra para que eu continue a ter orgulho deles, como tenho do meu pai, Manoel Barbosa, pai de 12 filhos, e de quem recebi a melhor herança que um pai pode legar: uma vida de honradez, trabalho, humildade e fé.

Há dois anos, escrevi a crônica abaixo. O que eles – Thaís e Rômulo Filho – fizeram e disseram depois disso, daria um livro. Mas, é com ela que, com a licença dos leitores, quero prestar a minha homenagem aos colegas pais…

SEM PEDIR LICENÇA

Não há experiência mais surpreendentemente bela que acompanhar o crescimento dos filhos. A cada dia, uma novidade – nem sempre boa, é verdade -, mas uma novidade, que transforma as nossas vidas e nos faz ainda menores frente à dádiva da existência humana.

Irmão de muitos irmãos, nunca dantes houvera percebido essa engenharia divina, até ser pai. Quando bebês, frágeis, delicadíssimos, queremos mostrá-los ao mundo como frutos do amor (ou de um amor), símbolos da sentença bíblica: “crescei –vos  e multiplicai-vos”.

Quando vão crescendo – e como crescem -, assola-nos a constatação do poeta Afonso Romano de Santanna, revelada na crônica “Antes que elas cresçam”: “Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. É que as crianças  crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. (…) Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.”

E eu vivo, todos os dias e como milhões de pais, essa saudável perplexidade oferecida pelos nossos rebentos. O meu filho-varão, que carrega – para protesto de alguns que vêem no fato algum pedantismo, e para orgulho futuro dele – o meu próprio nome, foi delicadamente apelidado por um amigo de “tsunami” e, depois, de “Conan, o bárbaro”. Mas isso foi há dois anos… Hoje ele já tem…quatro… Isso mesmo, quatro aninhos. Já não risca tanto as paredes, nem joga o meu telefone celular e o relógio do sétimo andar.

Agora é diferente. Quer testar as coisas. Felizmente temos rede de proteção na varanda. À repreensão de que se engolisse uma bateria – daquelas redondinhas, para brinquedo – poderia morrer, acercou-se, certo dia, da cama onde eu cochilava e disse-me com um ar de orgulho: “papai, não morri!”. Bem, eu tinha certeza disso, afinal, ele estava ali, diante de mim, exalando peraltice por todos os poros. E repetiu: “papai, não morri!”. Resolvi desvendar o mistério e, singelamente, perguntei-lhe: “não morreu por que, meu filho?”. Ao que ele, triunfante, respondeu: “Engoli uma bateria e não morri!”. Eu quase morreria depois disso, entre ligações para médicos, raio-X, e buscas das quais nós – a mãe e eu – preferíamos esquecer.

Doutra feita, na volta do colégio, tentei puxar conversa: “E aí, meu filho, como foi o dia na escola, hoje?”. “Legal, pai”, replicou na bucha, sem demonstrar qualquer interesse no diálogo que eu queria estabelecer. Insisti: “E então, o que você fez hoje?”. “Tudo o que a tia mandou, pai”. E nada mais foi dito nem perguntado, no trajeto de três minutos que separam a nossa casa do colégio. Frustrado, até hoje não consegui descobrir o que “a tia mandou”.

O contato dele com a tecnologia foi  cedo. Mal sabia falar e foi flagrado mexendo no computador. Já tinha ligado estabilizador, CPU e monitor. Estava, agora, fazendo diatribes com o mouse e o teclado. “Que é que você está fazendo aí, meu filho?”, inquiri em tom ameaçador. “Estou entrando na ‘intenét’, papai”, respondeu, fazendo inveja ao Bill Gates.

A irmã, meu Deus, a irmã, só vem com perguntas de alta complexidade. Tem oito anos e, aos seis e meio, no mesmo revelador caminho para a escola, o rádio tocando um hit da Rita, a Lee, apoderou-se do refrão da música e tascou: “o que é amor, papai?”. Enquanto eu ganhava  tempo para responder àquela indagação filosófica e ela, ao mesmo tempo, ouvia o resto da canção, emendou outra: “e sexo, papai?”. Fiquei com raiva do programador da rádio. Não tinha nada que estar tocando essa música às sete e pouco da manhã. Que coisa!

E, agora, quer saber de tudo: “papai, qual o país mais tecnológico do mundo?;  Por que tanta violência nos telejornais”; Por que a guerra no Iraque?; E a Operação Navalha, pai?”. O quê, Como, Onde, Por quê?  É bem verdade que, sendo filha de dois jornalistas, essas perguntas lhe tenham cabimento, mas…

Acho que é mais fácil preencher o formulário anual do Imposto de Renda do que ter tudo “na ponta da língua” para saciar a sede de conhecimento dos pimpolhos.

Conforta-me, mais uma vez, o mestre Romano de Santanna: “É que as crianças  crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença”.



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