Cecília (en)canta Vinícius
Sou fã de Vinícius de Moraes. Canto suas músicas, declamo seus poemas, devoro suas biografias, invejo suas paixões e daria tudo para ter estado ao lado dele e do seu melhor amigo (segundo Vinicius, “o uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado”).
A propósito, segundo uma das mulheres de Vinícius, Maria Lúcia Proença, citada por João Carlos Pecci , autor do livro “Vinicíus Sem Ponto Final”, “muita gente pensa que Vinícius esbanjava irresponsabilidade. Nada disso! Era extremamente responsável com tudo o que fazia. E sofria muito com qualquer coisa que o contrariasse, errada ou injusta, muito mais quando comprometia um amigo do que a ele mesmo”.
Vinícius cantou o amor como poucos e, como poucos, permaneceu eterno, muito além de sua existência tão inspirada, inspiradora e prolífica.
Cantar Vinícius não é para qualquer um. Vinícius é para quem tem paixão. E aí, então, é preciso ter coragem. Mais do que coragem, é preciso competência musical, talento e voz.
Tais predicados, além de uma beleza que encantaria imediatamente o nosso “Poetinha”, estão presentes na cantora maranhense, Cecília Leite.
Quem foi ao teatro Arthur Azevedo assistir ao show “Cecília Leite por toda a minha vida – Cecília canta Vinícius”, não deixou de se encantar.
Quem foi, viu um Cecília simples, mas requintada; contida, mas exuberante; jovem, mas amadurecida.
Quem foi, ouviu uma voz possante, afinada. A perfeita comunhão entre a técnica e a emoção.
Em nenhum momento, Cecília se permitiu ser maior que a obra do poeta que ela, como eu, idolatra. E residiu, aí, o sucesso do seu show.
A banda, outro destaque da noite, fez jus à performance da artista e com esta se confundiu em musicalidade e afinação. Cecilia, perfeccionista como ela só, não deve ter gostado da falha técnica do início do show. Minutos angustiantes que a tecnologia, sabe-se lá porque, não conseguiu evitar.
Esperei-a nervosa, irritada talvez. Nada disso. Superou o episódio e superou-se a cada música cantada. E foram tantas. Mais de 20, cuidadosamente escolhidas para uma noite que se fez inesquecível.
“A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar”.
Cecília foi pluma e foi vento. E, durante breves duas horas, fomos felizes sem parar.
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30 maio, 2012 as 15:40
Nossa… Que surpresa linda, Bárbosa!! Se a minha música despertou a tua emoção, proporcionando momentos de leveza, fruição e alegria, o teu texto me levou às lágrimas de felicidade! É muito bom saber que a minha arte agradou ao teu bom gosto musical, à tua sensiblidade apurada e ao teu elevado senso crítico e estético. Muito obrigada pelo apoio, por tua importante presença e pela bela apreciação crítica do meu show! Como diria nosso bom e velho poetinha: “Se todos fossem no mundo iguais a você…”
Abraço,
Cecília Leite
30 maio, 2012 as 19:41
Mais uma vez você nos emociona com seus com o seu belo texto. Parabéns pela sua sensibilidade. Obrigada.
1 junho, 2012 as 02:33
Carissimo Romulo,
A sua critca ao ultimo show da Cecilia Leite fez eco em todos que puderam apreciar este grande espetaculo. Particularmente, gosto muito do modo como essa artista universal , essa mulher renascentista por conjugar tantos talentos, trata sua carreira, seus projetos sempre especiais, indo na contra-mao do facil e do oportunismo massificante , impostos pela industria cultural. Nao e uma cantora de massa e nem precisa ser. Ha publico para quem, como nos, gosta de sentir/escutar/ver artistas, como Cecilia, que quer levar a musica popular brasileira, de alto nivel, o mais longe possivel, como bem fazem os eximios poetas e escriores com nossa lingua inculta e bela. Impossivel assistir a um show desta artista e nao se sentir respeitado nas minimas coisas: o local dos shows, figurino, repertorio – neste caso do Vinicius, escolheu cancoes dificilimas de interpretar, fugindo do obvio, pra variar – concepcao, presenca de palco e uma voz que esta cada dia melhor, que nao precisa mais provar nada pra ninguem. Uma das consequencias de ir aos shows de Cecilia Leite e tornar-se mais exigente como plateia. Nao basta so querer fazer e de qualquer jeito. Sua seriedade e um convite a virtuose e uma inspiracao para todos os artistas que querem e podem e devem estar comprometidos com a formacao de uma plateia mais critica e capaz de apreciar o Belo nas suas melhores expressoes.
Parabens a Cecilia. Parabens a voce pela avaliacao justa, correta. Parabens a nos, maranhenses, por essa artista sensacional que ja ganhou mundo.
Forte abraco,
William