PODER SEM LIMITES
INSERIDO NO GÊNERO FOUND FOOTAGE, FILME TEM BONS EFEITOS E CRIATIVIDADE
O que você faria se de repente adquirisse super-poderes? Com esta premissa o diretor Josh Trank e o roteirista Max Landis (filho do diretor John Landis) atiçam o espectador, em um filme, a princípio pequeno, mas que cresce em expectativa e suspense mesmo que sua pretensão seja apenas divertir e não estabelecer um questionamento moral.
Poder Sem Limites usufrui de uma nova mistura de gêneros numa espécie de filme de “heróis” e found footage (filmes perdidos), gênero inaugurado com A Bruxa de Blair no qual o filme se passa como um documentário gravado por uma única câmera. No caso de Poder Sem Limites, a originalidade em soluções fílmicas da dupla Trank e Landis vai além de uma única câmera, utilizando uma segunda, manuseada por uma blogueira universitária, câmeras de TV e de circuito fechado. O resultado torna o filme menos enfadonho embora por vezes enerve o espectador que sente a necessidade de visualizar a ação com mais amplitude. Mas esta não é a intenção a que um found footage se propõe.
O filme poderia facilmente cair na armadilha de clichès do gênero mas é seguro pela atuação de um trio de atores relativamente desconhecidos. São os três protagonistas que encontram em um buraco próximo a um celeiro onde é realizada uma rave, um estranho objeto, supostamente de origem alienígena mas que não é explicado. Após serem expostos a força radiotiva que emana do objeto, Andrew (Dane DeHaan de True Blood), seu primo Matt (Alex Russell) e Steve (Michael B. Jordan) adquirem poderes telecinéticos como mover objetos, destroçá-los ou até mesmo voar com o simples comando da mente. O que no início é tomado com galhardia pelos três amigos, pregando sustos em garotinhas com ursos de pelúcia voadores em uma loja de brinquedos ou levantando a saia das garotas na escola, vai tomando proporções cada vez mais violentas quando Andrew, abusado pelo pai e zoado na escola, vê no poder adquirido, uma forma de exorcizar os traumas, vingando-se de todos em sua volta.
O poder da escolha é tratado de forma prática e cabe a Matt tentar dissuadir o primo de um caminho possivelmente sem volta. É no terceiro ato do filme, que apesar do baixo orçamento de US$ 12 mihões, experimenta-se as melhores cenas de Poder Sem Limites. Efeitos convincentes e ação incessante garantem o upgrade de um gênero que se apoia na criatividade para fugir do óbvio.
Poder Sem Limites (Chronicle/EUA/2012) Direção de Josh Trank com Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan, Ashley Hinshaw e Michael Kelly. 84min.
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