Investimento Seguro
Custou para o Brasil entender que se paga um preço muito alto pela democracia, mas vale a pena quando o país consegue conciliar os valores democráticos com uma política econômica responsável que não represente rupturas com os contratos firmados nem manobras arriscadas que coloquem em risco a estabilidade da moeda, tampouco que atropele os preceitos constitucionais.
O governo que bate no empreendedor é um governo desmiolado. Bater no investidor é bater na população, pois a melhoria das condições de vida da população está associada à capacidade do governo de atrair investimentos, desde que este investimento seja bem orientado e compromissado regionalmente, onde ele exercerá maior influência.
O nosso governo tomou juízo quando resolveu dar uma guinada ideológica, preservando a política macro-econômica concebida pelo governo que lhe antecedeu e virando às costas para os esquerdistas xiitas que pregavam a moratória e a quebra de contratos. Resultado: maior capacidade do país de atrair investimentos gerando uma taxa de crescimento convincente, só limitada pelo nosso mais que decantado atraso na infra-estrutura. Há, em andamento, inúmeros projetos green field, isto é, saindo do zero, em gestação, para serem implantados pela iniciativa privada. Basta que os governos não atrapalhem e assumam seu papel de indutor do crescimento, oferecendo condições básicas de infra-estrutura e orientando os investimentos a fim de que o crescimento se traduza, finalmente, em desenvolvimento.
Falta gente qualificada. As empresas se digladiam na busca de bons profissionais. Estamos vivenciando uma fase exponencial, que não sabemos exatamente até quando vai perdurar. Tudo depende, fundamentalmente, da conjuntura internacional.
Estampar a condição de grau de investimento ou investment grade significa que o país amadureceu, que a comunidade internacional olha o Brasil como uma alternativa concreta onde se pode investir com segurança. Que existe uma proteção minimamente satisfatória para o investidor.
Viver numa democracia é viver num estado de liberdade relativa e não absoluta. É saber que valores como liberdade de expressão e manifestação devem ser condicionados ao respeito à propriedade privada, ao direito de não lesar ninguém, sabendo que atos de vandalismos e violência contra pessoas e bens constituem crimes, sujeitando-se o indivíduo às penas da lei. É viver sob o manto de uma Constituição que assegura, entre os seus muitos princípios, o da segurança jurídica, preservando aquilo que foi acertado, tornando intocável o direito adquirido e o ato jurídico perfeito, consumado sob regras vigentes ao tempo de sua prática.
Ninguém aceita que o mesmo Estado que dá algum benefício ao empreendedor com uma das mãos o retire com a outra, na maior desfaçatez.
Custou, mas parece que o país vem entendendo que o empresário não é o monstro que assusta criancinhas, e que o lucro é o fim de qualquer atividade econômica.
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