A crise política é evidente. Os partidos políticos, de modo geral, carecem de representatividade, tendo-se especializado no exercício de um duplo discurso, crítico em relação ao Establishment até chegar ao poder, tornando-se acomodatício ao atingir o mando, diz Plauto Furaco de Azevedo, em Ecocivilização.
É fato que o jogo político torna-se cada dia mais cínico. A desconformidade entre o dito e o feito atinge proporções alarmantes. A democracia pouco importa às forças econômico-financeiras. O que interessa é a fidelidade aos dogmas econômicos estabelecidos. Mesmo as formalidades podem ser afastadas, à condição de que o contexto econômico prevaleça e se mantenha.
Impera a ética política do negócio, se preferirem “das negociatas” para se alcançar a qualquer preço, prestígio e poder político de indivíduos e grupos de interesse, numa lógica perversa do tipo: “os fins justificam os meios”, passando por cima dos anseios e aspirações do povo, sobretudo os mais carentes.
Foram assim os acordos de negócios políticos estabelecidos pela chamada Frente de Libertação do Maranhão, promovida a “todo vapor” pelo ex-governador José Reinaldo (PFL, PTB e PSB numa só governança), comprando votos e mandatos, loteando os territórios de poder no Estado, numa espécie de quem fica com o que. Tudo orquestrado, numa sinfonia quase que perfeita, não fossem as vaidades e os delírios políticos que começam a surgir de forma pública, provocando intrigas.
Foi o caso do ataque, ontem (17) da deputada estadual Gardeninha Castelo (PSDB), quando suspeitou com todas as letras o mandato do também integrante da Frente, o deputado federal Flávio Dino (PCdoB). “Antes de acusar o prefeito João Castelo (PSDB) de compra de votos, em 2008, Flávio Dino precisa explicar como conseguiu o número de votos em 2006 mesmo sem nunca ter disputado eleições no Maranhão”, indagou.
Graças a Deus estou livre desse tipo de acusação, pois não aceitei um mandato de deputado federal com voto comprado oferecido pelo esquema dos falsos libertadores do Maranhão. Com dignidade disse um baita NÃO e me retirei do Palácio dos Leões, aquilo exalava só traição. Sabia que mais cedo ou mais tarde isto viria à tona, como está se evidenciando agora.
É por essa e outras razões que assino o pedido de cassação do governador Jackson Lago (PDT) e de seu vice, “Pastor” Luís Porto (PPS), junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sinto-me a vontade e com a consciência de dever cumprido. Para quem tem dúvida se Jackson será ou não cassado, basta levar em consideração apenas duas peças, o depoimento do Tanque, como ficou conhecido, relatado ao próprio advogado Flávio Dino no TRE-MA, quando defendeu juridicamente sua excelência o governador nas oitivas e o vídeo da assinatura do convênio milionário em Codó.
Como bem disse o presidente do TSE ao Jornal da Globo, nesta madrugada, ministro Carlos Ayres Britto, após o julgamento que manteve a cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB): “É a lição que fica: não basta ganhar uma eleição, é preciso ganhar a eleição em um esquadro legal, observando os parâmetros da Constituição”, afirmou.